Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017

Em Chaves

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Terça-feira, 21 de Novembro de 2017

No Porto

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Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017

368 - Pérolas e diamantes: 1917 – Revolução ou Contrarrevolução?

 

 

A revolução russa continua a significar o derrube de um regime decadente, obscurantista e retrógrado, caraterizado essencialmente pela servidão abjeta do mundo rural e também pela exploração das classes trabalhadoras urbanas. Materializou as esperanças dos deserdados da terra e transmitiu ânimo a todos aqueles que pelo mundo fora ansiavam e lutavam pela transformação social apregoada pelos filósofos e pelos revolucionários socialistas e anarquistas, desde a denominada Primavera dos Povos e a publicação do Manifesto Comunista, em 1848, a que se seguiu a Comuna de Paris, em 1871.

 

Mas foi a própria realidade que começou por contrariar as teses de Karl Marx sobre a putativa revolução, pois não ocorreu nos países mais avançados, como o Reino Unido, a França ou a Alemanha, mas num país atrasado, quer do ponto de vista social ou  industrial: o Império Russo.

 

Marx afirmou que “as revoluções são as locomotivas da História”, coisa em que acreditei na minha juventude, mas atualmente inclino-me mais para a tese de Alexandre Chubine (professor de História e investigador do Instituto de História Universal e da Academia de Ciências da Rússia) e que é uma analogia interessante, de que “as revoluções são arietes da História”, pois “a revolução não funciona como uma locomotiva mas antes como um martelo-pilão que derruba os obstáculos que impedem o seu avanço”.

 

Segundo Chubine, Lenine, apercebendo-se da crescente crise económica e social que alastrava na Rússia, defendeu de imediato, não reformas, mas uma transformação radical. Para o professor de História russo, a razão do aparecimento de Lenine deveu-se ao facto de todos os outros lhe terem cedido o lugar, porque estavam à espera da assembleia constituinte.

 

Assim, a conclusão a tirar é a de que uma vez iniciada, não se deve tentar travar uma revolução. Os bolcheviques, no final, com o apoio das fações mais desesperadas, mais dinâmicas e mais militarizadas, “tomaram o poder e fizeram sozinhos as reformas radicais. Contra todos os outros…”

 

Os círculos do poder russo não souberam reagir a tempo à gravidade da situação. A sua educação e a sua formação impediu-os de perceberem a realidade onde estavam inseridos. E isso foi-lhes fatal.

 

Máximo Gorki, em momento de honestidade intelectual, que depois abandonou para servir o déspota Estaline, escreveu: “Desconfio especialmente de um russo quando o poder lhe chega às mãos. O mesmo que era escravo, torna-se o déspota mais tremendo, mal tenha hipótese de se tornar no amo do seu vizinho”.

 

O regime que resultou da revolução comunista, sobretudo a partir de Estaline, afirmando-se baseado nas assembleias de trabalhadores e soldados, era essencialmente uma ditadura sanguinária que dizimou toda a vanguarda revolucionária de 1917. Disseminou a fome pelos campos e eliminou toda e qualquer semente de dissidência, enviando milhões de pessoas para a morte nos gulags. Instalou uma ditadura de medo e denúncia que eliminou oficialmente qualquer tipo de discurso de oposição.

 

Os marinheiros de Kronstadt, em 1921, aperceberam-se já tarde do logro em que tinham caído: “Ao levar a cabo a Revolução de Outubro, a classe operária esperava alcançar a sua emancipação. Mas o resultado foi uma escravidão ainda maior. O poder da monarquia, com a sua polícia e a sua guarda, passou para as mãos dos usurpadores comunistas, que não deram ao povo liberdade mas sim o medo permanente da tortura da Cheka, cujos horrores ultrapassaram de longe o domínio da guarda nos tempos do czarismo.”

 

Manuel S. Fonseca, no seu livro Revolução de Outubro – Cronologia, Utopia e Crime, apresenta uma tese interessante: “Talvez a revolução tenha sido, afinal, uma contrarrevolução, com tudo o que as contrarrevoluções trazem: ditadura, prisão, tortura, fome e morte.”

 

O então jovem aprendiz de torcionário, e mais tarde um dos mais sanguinários ditadores políticos de que há memória (Koba, o Terrível, vulgarmente conhecido como Estaline), tinha já escrito no Pravda em 1912: “A plena identidade de interesses só pode existir no cemitério.”

 

O que sucedeu a seguir já estava escrito nas estrelas. A Revolução de Outubro abriu o maior açougue humano de que há memória e o comunismo inaugurou, no início do século XX, a maior carnificina humana de sempre. Bem maior do que a nazi. Conviver com a realidade dos factos, por vezes, é a maior das torturas.

 

Martin Amis tem uma curiosa explicação para o sucedido. Na sua opinião, o comunismo não foi uma boa ideia que se transformou em má ou se desviou do seu delirante caminho. “Não. Foi uma má ideia desde o início. Carregada de certezas, de pedantismo, de energia e horror.” O escritor inglês considera que o principal adversário do ideário e da praxis marxista-leninista foi a própria natureza humana. “Os líderes bolcheviques compreenderam de forma sublime essa limitação – imediatamente. A sua resposta foi deixar o programa intacto e mudar a natureza humana.”


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Domingo, 19 de Novembro de 2017

No Porto

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Sábado, 18 de Novembro de 2017

No Porto

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Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017

No Porto

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Quinta-feira, 16 de Novembro de 2017

Poema Infinito (380): O prolongamento das ilusões

 

 

Zumbe o vento no meu interior. O tempo inicia o seu paciente ritual. As aves ficam obsessivas. As suas asas lançam pequenas vibrações dúcteis. Donde serão estes pássaros intocáveis? Onde assento os pés, o chão começa a resvalar. A paixão está escondida dentro das fotografias. Os livros parecem violetas secas. Os pássaros voam por cima dos sonhos e caem exaustos em cima da cama. A noite desce pelos caules assombrosos das árvores. Envolve-me a voluptuosidade do teu sexo. A felicidade continua a mostrar o seu sorriso melancólico. A porta está aberta. Dentro da casa, a consistência da saudade mostra as horas aos visitantes. No jardim dorme o cão encostado ao olhar absorto da claridade. As mãos ocupadas já não produzem nada. As ervas aromáticas estão secas. Os alhos e as cebolas continuam pendurados no postigo da cozinha. O silêncio sobrepõe-se ao silêncio. O vento atravessa o vento. O tempo arde junto ao lume aceso do entardecer. O café aquece sobre as brasas. Uma poalha de luz acende os cardos e ilumina as roseiras. A voz da avó agarra-se às paredes para não desaparecer para sempre. O mundo começa de novo para lá do portão da quinta, os ciclos da terra intervalam-se entre a humidade e a secura. O mar continua longe. Adivinham-se as estrelas da alba. É com elas que aqueço a memória. As sombras dos gatos são-me familiares. E o perfume do outono também. Os gladíolos parecem hipnotizados. O corpo reclina-se para a noite. As silhuetas caminham na direção errada, perturbadas pelo medo. As estradas sugerem sempre uma ideia de fuga. As palavras transformadas regressam outra vez à sua simplicidade original, ao preenchimento da vida. Querem de novo contar histórias e fender a noite com a sua luz. Recordo os animais pelos rabiscos a lápis que fazia nas folhas de papel. Antigas tribos percorriam o país. As ilusões cobriam os corpos e inventavam novas máscaras. Costumávamos levantar-nos cedo, abrir as janelas e pensar que o mar tinha desaparecido. Inventávamos paisagens e depois substituíamo-las a nosso belo prazer. Fazíamos saltar as palavras da sua inércia. Diziam-nos que perdíamos o bom tempo de que dispúnhamos. Lembro-me de ficarmos com as mãos aflitas, com o sono irrequieto ou com os olhos abertos de espanto e medo. Os dias passavam então lentíssimos. Os nossos corações assemelhavam-se a pássaros presos. A casa enchia-se de gemidos, mas amanhecia sossegada. O ar ficava então visível. As sombras escondiam-se da luz como se perdessem a razão. Por vezes os dias resumiam-se a duas ou três palavras. Ficavam sombrios e adocicados. As manhãs sugeriam lírios murchos, tolhidas pelo fresco do orvalho. As mãos agitavam-se, parecia que os seus gestos pertenciam a outra língua. Perdíamos a orientação dos poços, o crescimento dos pólenes, o enigma da adolescência. A noite ficava cheia de buracos. Reconhecíamos as insónias quando nos víamos ao espelho. Beijávamo-nos com os olhos desassossegados e os nossos corpos ficavam em concha. Por vezes choviam segredos, as tardes ficavam fascinantes e os livros perseguiam a santidade. Agora os objetos parecem ícones pesados, definitivamente sós. As sombras parecem ilhas entorpecidas. Acabaram as marés vivas. Prolongamos ainda as ilusões. As paisagens parem textos aflitos que não conseguem dilatar-se. Chegará de novo o tempo de crescerem as primeiras amoras. Entretanto as luzes apagam-se e a queda recomeça.


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Quarta-feira, 15 de Novembro de 2017

No Porto

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Terça-feira, 14 de Novembro de 2017

No Porto

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Segunda-feira, 13 de Novembro de 2017

367 - Pérolas e diamantes: O Vendido

 

 

Ainda se escrevem livros assim: irónicos e dolorosos, hilariantes e cruéis, satíricos e mordazes. Provavelmente o livro de Paul Beatty é das coisas mais interessantes que li ultimamente. Dwight Garner escreveu no The New York Times que as primeiras cem páginas de O Vendido são as mais cáusticas e mais tesas que leu num romance americano nesta última década, pelo menos.

 

Me, o personagem afro-americano mais azarento do universo ficcional recente, é exemplarmente educado por um pai violentamente excêntrico e sociólogo obcecado pela questão racial que não desiste de lhe inculcar uma cultura de resistência.

 

Ensina-lhe princípios sociológicos estruturantes. Fala-lhe, por exemplo, do “efeito espectador” que ensina que quanto mais pessoas estejam perto para dar uma ajuda, menos provável é que ela seja prestada. Só que o pai de Me desenvolveu a hipótese de que tal efeito não se aplicava aos negros, uma raça cuja sobrevivência, na sua perspetiva, sempre dependeu da entreajuda em momentos de necessidade.

 

Por isso obrigou o seu filho a permanecer parado num dos cruzamentos mais movimentados do seu bairro, com notas de dólar a espreitarem-lhe dos bolsos, com um aparelho eletrónico moderno e brilhante enfiado nas orelhas, com um colar de ouro estilo hip-hop ao pescoço, e, inexplicavelmente, também com um conjunto de tapetes personalizados para um Honda Civic pendurados no braço como um pano no braço de um empregado de mesa, e, enquanto as lágrimas lhes corriam pela face, o seu próprio pai assaltou-o. Bateu-lhe diante de uma multidão de espectadores que não assistiram durante muito tempo. A indiferença, pelo vistos, não tem cor.

 

Ia o assalto ainda em dois murros na cara quando algumas das pessoas se aproximaram do assaltante e, em vez de auxiliarem a vítima, ofereceram ajuda ao agressor. Ajudaram a dar-lhe uma sova, começando a desferir cotoveladas e golpes de wresteling no pobre aprendiz até o porem inconsciente.

 

Quando o pobre e infeliz Me começou a recuperar a consciência, ainda os seus atacantes, suados e com o peito a arquejar, tentavam recobrar do seu esforço e do respetivo altruísmo.

 

A caminho de casa, o “paizão” pôs-lhe um braço consolador sobre os ombros doridos e deu-lhe um sermão sobre como ele não teve em conta o “efeito manada”.

 

Dava-lhe também cursos intensivos de desenvolvimento infantil tentando reproduzir o estudo da consciência da cor em crianças negras dos Drs. Kenneth e Mamie Clark, utilizando bonecos brancos e negros, mas numa versão mais revolucionária.

 

Um dia apresentou-lhe dois cenários com subtexto sociocultural para saber qual deles curtia mais.

 

O Cenário I apresentava o Ken e a Barbie Malibu trajados com fatos de banho a condizer, ostentando as respetivas máscaras e óculos de mergulho, a relaxar em frente à piscina da Casa do Sonho.

 

No Cenário II, aparecia Martin Luther King Jr., o Malcolm X, a Harriet Tubman e um sempre em pé oval e castanho correndo e balançando-se num matagal pantanoso, fugindo a sete pés de uma matilha de pastores alemães que chefiavam uma multidão armada composta pelos G.I. Joe do Me vestidos com roupas do Ku Klux Klan.

 

O rapaz ficou confuso, mas tirou a conclusão óbvia: os brancos ganham porque possuem acessórios melhores.

 

Resumindo e concluindo, depois de todas as experiências falhadas, o pai queimou as folhas com as suas conclusões na lareira. O seu filho, “estatisticamente insignificante”, destrui-lhe todas as esperanças. Me foi para o seu pai uma experiência social falhada.

 

Passou então a dedicar-se ao bairro. Apesar de, segundo o seu filho, não demonstrar muito jeito para cavalos, era conhecido em Dickens como Encantador de Pretos. “Sempre que um mano que tinha «perdido a puta da cabeça» precisava de ser convencido a descer de uma árvore ou de um precipício, ele era chamado. Apenas se fazia acompanhar da sua bíblia da psicologia social, The Planning of Change de Bennis, Benne e Robert Chin, um psicólogo sino-americano lamentavelmente subestimado.”

 

As pessoas achavam que era o seu altruísmo o que lhe permitia aproximar-se tanto dos tresloucados, mas para o seu filho, o segredo residia na sua voz que possuía um tom grave de doo-wop, pois falava em fá sustenido.

 

Mais de uma vez Me teve vontade de perguntar ao seu pai porque é que nunca lhe falou no mesmo tom reconfortante que usava com os seus “clientes”, mas nunca o fez porque sabia que, “em vez de obter uma resposta, ia levar com o cinto”, e o seu processo de cura “ia envolver mercurocromo, e, em lugar de ficar de castigo, teria uma sentença de entre cinco e três semanas de imaginação ativa junguiana”.

 

O Vendido foi vencedor do Man Booker Prize de 2016 e “é uma sátira mordaz que desafia os pilares sagrados da vida urbana, da Constituição norte-americana, do movimento dos direitos civis, da relação pai-filho, feita à medida para o despontar do século XXI”.


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Domingo, 12 de Novembro de 2017

Em Montalegre

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Sábado, 11 de Novembro de 2017

Em Montalegre

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Sexta-feira, 10 de Novembro de 2017

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Quinta-feira, 9 de Novembro de 2017

Poema Infinito (379): Profecias e lamentos

 

 

Oxalá os deuses nos libertassem do trabalho, dos anos da guarda, das assembleias de estrelas noturnas e dos invernos mortais. Mas já nada podem desfazer. Os raios de luz trazem a imagem do teu rosto ordenado enquanto estou deitado num leito de orvalho. Depois chega o sono e o medo. A sorte continua a favorecer os senhores. Os dias passam sem lamentos. A tristeza da terra é ainda maior. Os seus gemidos caem sobre os campos de forma constante. Os gritos dos inimigos ecoam pela cidade fora. As crianças enlaçam os corpos dos velhos e sobem até ao cimo dos montes. Os filhos necessitam de regressar a casa sem o coração aflito, sem a alma oprimida. O tempo de agora não tolera lamentações. Por isso ninguém invoca os deuses, porque apenas sabem prever as suas próprias desgraças. Já não conseguem proteger os caminhos, não confiam nos testemunhos. Nada sabem de profecias, não entendem os enigmas, não habitam os oráculos. As suas palavras já não nos agradam. Donde lhes vem tanta ânsia? Porque modulam os gritos? Deixaram de nos instruir por enigmas. A sua lentidão é falsa. O tempo perdeu o seu vigor. A realidade não passa de uma expectativa falsa. Os deuses atribuíram um pouco de sorte aos mortais, consideraram-nos justiceiros, aliviaram-lhes a ira e disseram-lhes que tinham as mãos puras. Dos olhos dos deuses nascem clarões sombrios. O leito das mulheres enchem-se de lágrimas de angústia quando as obrigam a partilhar os seus leitos com os guerreiros de Deus. Sentem saudades dos seus maridos. Os seus gemidos são insaciáveis. Conhecem toda a dor, a bem-aventurança da necessidade, o desígnio da honra, o poder inacessível da dor, o orgulho da humildade, os receios mais antigos e o ruído formidável do amor. Sabem oferecer o olhar ao doce rumor das flautas. A grande cidadela ignora a mortalidade dos deuses e apenas tem olhos para as cabeças cingidas. Muitas palavras sagradas não cabem dentro do seu próprio confronto. Uma rapariga insensata planta pássaros em lugares insólitos. Outra deixa crescer feras sem destino. Uma espessa capa cobre a harmonia do Éden. Eva espalha em sua volta uma solidão circundante. No peito de Adão cresce a honra. Deus dá-lhe terra, água, ar, fogo e amor e discórdia e depois põe-lhe o nome de humano. Adão é tão parvo que acredita. E torce as mãos. E trabalha. E imagina os lábios de Eva a abrirem-se como as pétalas de uma flor. O seu olhar fica então acessível. A persuasão atinge o seu máximo esplendor. Aquele homem foi a ruína da humanidade. Deixou de odiar as armas e começou a acreditar no destino. O seu exemplo é infeliz. Todo o tempo mais antigo é agora silêncio. Muitos são agora os prodígios. Os cavalos lavram as terras, as asas das aves estão cada vez mais ligeiras, a chuva tornou-se importuna, as normas regem as cidades, os combates estendem-se com serenidade e todos os exércitos se tornaram invencíveis. As leis deixaram de existir. Os inimigos são agora piedosos e choram diante das portas do palácio a morte de todos os filhos. O mal deixou de ter uma finalidade. Regresso então a casa com as mãos indignas. A impenetrável folhagem divina encobre os frutos infindáveis do paraíso. Eva abriga-se do sol e dos ventos invernosos. A angústia adormece. Aumenta a fadiga. Esgota-se a esperança. Caminho em círculos em busca de um sentido para a vida. Eric Idle entra no frigorífico e começa a entoar um cântico celestial.


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Quarta-feira, 8 de Novembro de 2017

Em Montalegre

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Terça-feira, 7 de Novembro de 2017

Em Montalegre

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Segunda-feira, 6 de Novembro de 2017

366 - Pérolas e diamantes: A insatisfação e o disparate

 

 

Na “nota do editor” do último número da revista LER refere-se que no seu discurso de aceitação do Nobel, Bob Dylan citou a Odisseia, de Homero, A Oeste nada de novo, de Erich Maria Remarque, e Moby Dick, de Herman Melville. Mas parece que o laureado se enganou, ou fez confusão, com a frase: “Alguns homens a quem são infligidos ferimentos são conduzidos a Deus, outros são conduzidos à amargura.”

 

A frase é bela e enigmática. Só que tem a particularidade de não existir em nenhum dos livros de Melville. As más-línguas dizem que a frase, tal como outras usadas por Dylan no seu discurso, foi retirada de um site dedicado a comentários de livros para estudantes do secundário.

 

Por falar em distinções, Manuel Alegre foi distinguido com o Prémio Camões. Mal soube da decisão apressou-se a dizer, na sua conhecida e reconhecida humildade, e com a serenidade que todos lhe conhecemos que “é natural que me atribuam este prémio. Até podia ter sido mais cedo.”

 

E daqui nos vamos até ao reino dos confrades e das respetivas confrarias. Há-as para todos os gostos e feitios. Algumas são mesmo picarescas. Desde a Confraria da Moenga, uma associação eborense formada por amigos que “se juntavam no Moinho do Cu Torto para cada um mostrar as suas artes culinárias”, até à Confraria dos Rojões da Bairrada com Grelo e Batata à Racha, passando pela picante Confraria da Urtiga (de Fornos de Algodres).

 

De facto vivemos na era da arte culinária, em contraponto com literatura de cariz erótico-disfuncional. Segundo o The Irish Independent, “cientistas que avaliaram os sentimentos emocionais, a linguagem corporal e a frequência cardíaca de leitoras, encontraram menos sinais de excitação e de prazer no best seller de E. L. James, As Cinquenta Sombras de Grey, do que em 30 Minute Meals, um livro de culinária de Jamie Oliver”.

 

É caso para dizer ora foda-se, pois, tal como Rodrigo Guedes de Carvalho, também eu prefiro “o palavrão ao eufemismo.”

 

Mas é com Rodrigo dos Santos que ficamos a saber como se chega a best seller. Desde logo porque o autor surpreende-nos evidenciando a nossa ignorância. Com os seus livros ficamos a saber que “o marxismo não foi criado por Marx” e que, ó horror dos horrores!, que o inventor do comunismo, apesar de judeu, era racista. Descobrimos também que Cristóvão Colombo era Português, além de que “ninguém sabia que a própria Bíblia tem indícios de que Maria não era virgem e que Marcos e Lucas não escreveram os evangelhos com os seus nomes”.

 

Num dos romances da Trilogia, uma personagem tem mesmo a ousadia de explicar que “o bolchevismo e o fascismo são irmãos marxistas gémeos”, ao que o outro exclama para nossa, e sua, surpresa: “Que disparate!”

 

Nos seus romances há diálogos que se estendem por dezenas de páginas e dão-se mesmo nos lugares mais inverosímeis: na maternidade, no dentista, na rua, no táxi e até na praia.

 

Eu continuo a desconfiar daquelas pessoas que ostentam penosamente a sua cabeça ereta e que desenham uma expressão tão amigável que roça a cretinice. É que não há ninguém assim tão amável.

 

Há suspeições injustas que perseguem até os mais inocentes. Como muito bem diz o poeta citado por Jerome K. Jerome, em Três homens num barco: “Quem pode escapar à calúnia?”

 

No fundo a Humanidade é composta por gente insatisfeita. Parece que “todos têm aquilo que não querem, e os outros têm aquilo que eles querem. Os homens casados têm mulheres, e não parecem querê-las; e os jovens solteiros choram porque não têm mulher. Gente pobre, quase sem meios para viver, tem filhos saudáveis. Casais velhos e ricos morrem sem filhos e ninguém a quem deixar o seu dinheiro.”


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Domingo, 5 de Novembro de 2017

Na Feira dos Santos

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Sábado, 4 de Novembro de 2017

Na Feira dos Santos

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Sexta-feira, 3 de Novembro de 2017

Na Feira dos Santos

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Quinta-feira, 2 de Novembro de 2017

Poema Infinito (378): As grutas da memória

 

 

A melodia que vem de longe lembra-me uma rua estreita. Os caules de milho verde vestem os pássaros que pousam nos campos da tarde. A vida continua a mover-se como um líquido tranquilo. Os rumores são apetitosos. Regressamos à luz. A aldeia vacila. Lembro-me da ténue loucura do meu padrinho, da penugem colorida dos parricos, do estilo medieval das borboletas, do estilo perfeito da pia batismal, das igrejas tristes, das noites longas e dos pirilampos. Ainda me custa a crer na visão silenciosa dos púlpitos, nos animais suaves com que se erguem as tragédias, nas memórias do sono, na exaltação das mãos, no rosto sibilino da vitória, nas crianças desassossegadas. Os poetas com história entoam o seu hino já cansado e as suas bocas ficam cheias. Agora já só se alimentam de tristeza. Os seus poemas ajoelham-se à porta dos sentidos. Toda a luz é carnívora. Jesus jaz morto no regaço das fêmeas. Só ladrões e marinheiros acreditam nos versos verdadeiros, naqueles que são feitos pelo tempo. As lajes do adro da igreja conversam com os mortos. Os templos continuam a contar as estrelas de Natal. Os jovens mais bravios sonham com rituais de sonho, com a pureza do negro. Correm o mundo tentando devolver os anjos aos seus labirintos. Em troca, os anjos restituem-lhes as almas em plena metamorfose. Nós abandonamos as metáforas e partilhamos a alegria do fogo. A luz começa a ferver. Os filósofos lutam pela eternidade. O tempo deslumbra-se. Atravessamos então o medo, o engano dos espelhos, as missas barrocas, as catedrais mais espessas, a solenidade e todo o desconforto a ela inerente. Os algozes cantam aleluias com a língua distendida. Cristo jaz cristalizado na sua cruz eterna. Os cristãos não conseguem dar o verdadeiro nome à violência e deixam-se embarcar nos seus vasos de guerra. Deus continua a contar os grãos de areia. As multidões deixam-se sacudir pelos ventos. Os sacrifícios erguem-se como se fossem colunas de água. Deus dá-lhes um sofrimento tranquilo. Ele sabe quanto a santidade gasta. A dor é agora uma onomatopeia lenta, com a proporção exata da decadência. Debruçadas nas janelas, as mulheres mais velhas bebem os últimos raios de sol e descobrem que os presságios sempre lhes ilustraram a vida e que a perseverança lhes domou o corpo e que toda a sorte é escassa. Ninguém lhes traduziu as leis nem lhes agradeceram os sorrisos. Os seus corpos sempre bailaram ao sabor do vento e das tempestades súbitas. O sol declina e elas estão preparadas para seguirem as sombras. Entretanto declamam as preces da sua devoção, fragmentam a água benta e com ela se desinfetam. Sentem-se insufladas pelo bafo de Deus. Alguém grita palavras abençoadas no meio da neblina. Juízos abstratos tentam corrigir a história. O gato borralheiro dorme enrolado na indiferença. O seu tempo é breve. A avó dorme no outro lado do escano. Não precisou de sair de casa para procurar o mundo. Bastou-lhe pensar no dilúvio universal. Aprendeu a nadar em vão, esquecendo-se das horas, esperando a sombra e o cão, agrupando as flores nos vasos, distraindo-se da morte com a ajuda de Deus, escutando o sopro musical das folhas, olhando o sorriso dos troncos das árvores, seguindo com prudência o carreiro das formigas e disfarçando a decadência com dor. Finalmente pode deixar de fingir ternura, basta agarrar-se ao chão e descobrir as grutas da memória.  


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Quarta-feira, 1 de Novembro de 2017

Na Feira dos Santos

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Terça-feira, 31 de Outubro de 2017

Na Feira dos Santos

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Segunda-feira, 30 de Outubro de 2017

365 - Pérolas e diamantes: A estupidez (parte 2)

 

 

Porventura, a forma mais vulgar de estupidez é o preconceito racial.  E é uma estupidez mundial.

 

Em Social Psychology of Internacional Condut (1929), G.M. Stratton defende que “o preconceito constitui uma das características da natureza humana”. E chega a duas conclusões interessantes: “Embora seja universal, o preconceito racista nunca, ou raramente, é inato. Não nasce connosco. As crianças de raça branca, por exemplo, não manifestam qualquer preconceito quanto às crianças ou amas de cor até à altura em que as famílias lho incutem.”

 

Nos célebres versos de South Pacific, Oscar Hammerstein repete no estribilho: “Para odiar tem de se ser ensinado.”

 

M. Sratton conclui que “o preconceito rácico adquirido nada tem de racial. Entre ele e as características raciais não existe qualquer relação, nem tão pouco com o sentimento de estranheza: ele é apenas, e por toda a parte, uma reação ante a ideia de uma ameaça coletiva… O que habitualmente se designa por preconceito “racial” não passa, de facto, de mera resposta coletiva a ameaças de perdas ou perdas reais; resposta que não é inata, mas, sim, alimentada pela tradição e por impressões recentes de prejuízos sofridos há pouco”.

 

De facto, toda a estupidez é medo. O ser humano sensato ou inteligente tem possibilidade de sublimar e vencer os seus preconceitos. O estúpido tornar-se-á inevitavelmente seu escravo.

 

No entanto, o preconceito é apenas uma causa de um mal maior: a intolerância, que é a força impulsionadora. O preconceito é passivo, enquanto a intolerância é ativa.

 

Não foi o preconceito que fez com que as Igrejas Cristãs, alegando heresia, tivessem queimado os fiéis umas às outras. Foi a intolerância.

 

No entanto, estas duas formas de estupidez caminham, quase sempre, a par. E chegam mesmo a confundir-se.

 

O individuo preconceituoso é até capaz de não permitir que o seu filho frequente uma escola aberta a crianças de todas as raças e religiões, mas apenas o intolerante fará tudo para suprimir esses estabelecimentos de ensino.

 

Mas nada disto teria muita importância se o homem estúpido só a si próprio se prejudicasse. Por muito que nos custe, a estupidez é a arma mais mortífera do Homem, é a epidemia mais assoladora e o seu luxo mais oneroso. O preço da estupidez é incalculável.

 

As várias formas de estupidez já custaram à humanidade mais do que qualquer guerra, epidemia ou revolução.

 

Uma das formas mais dispendiosas da estupidez é, muito provavelmente, a burocracia. Se poupássemos uma décima parte da quantidade de papel utilizado em formulários, relatórios, regulamentos e atas, e com essas economias adquiríssemos livros e compêndios escolares, a esta altura já não existiriam analfabetos no mundo.

 

Paul Tabori, no seu livro História Natural da Estupidez, conta que entre as duas últimas guerras mundiais estava na moda um insulto em forma de interrogação. Costumava perguntar-se: “Olha lá, a estupidez incomoda-te?”

 

Parece que, infelizmente, não incomoda lá grande coisa. Mas se se tratasse de uma dor de dentes, há muito que se teria tentado remediá-la.

 

Mesmo parecendo que não, a estupidez, de facto, dói muito. Mas é raro que incomode o estúpido.

 

Esta é a tragédia do mundo em que vivemos.

 

O livro, que recomendo vivamente, trata da estupidez, da baboseira, da vacuidade, da presunção, da idiotice, da cobardia, da estultícia, da imbecilidade e da estolidez. Ocupa-se também dos otários, dos alarves, dos asnos, dos mentecaptos, dos ressabiados, dos insensatos e dos calinos. Apresenta ainda uma galeria de broncos, brutos, simplórios e monos. Analisa e observa atos de irracionais, insensatos, enxebres e apoucados.

 

A estupidez, pela virtude da sua especial natureza, sempre foi alvo de sátira e denúncia. Mas foi por causa dessa sua peculiar caraterística que “sobreviveu a milhões de ataques, mesmo aos mais rudes, sem nada sofrer; e, no fim, continua a resistir, triunfante e gloriosa”.


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Domingo, 29 de Outubro de 2017

Na feira do gado - Santos - Chaves

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Sábado, 28 de Outubro de 2017

Na feira do gado - Santos - Chaves

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Sexta-feira, 27 de Outubro de 2017

Na feira do gado - Santos - Chaves

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Quinta-feira, 26 de Outubro de 2017

Poema Infinito (377): Símbolos e sonhos

 

 

Atravesso a larga janela emoldurada pelo sul. O céu azul responde-me com serenidade. A paisagem está repleta de ânsia. Regresso à terra possuído pelo encanto do amanhecer. As raízes continuam quentes e profanas. Permanece a pureza dos campos, o movimento escrito nos caminhos, as folhas, o granito, os versos e a solidão. A beleza vive rodeada de solidão. O silêncio tem o sabor salgado das lágrimas. Ninguém modificou a vontade. Os textos são como ninhos de saudade. Os quintais parecem livros desarrumados. A fogueira arde como se fosse eterna. A excitação cria os sentidos, os olhos comovidos, o mistério da descoberta, o gesto natural das sementeiras, os símbolos que são como frutos. A lei continua na arca junto ao centeio. O vento passa carregado de sonhos. O tempo ilumina tudo aquilo que dizemos. Deusas despidas ajoelham-se junto à fonte e depois diluem-se repletas de desejo. Eva não virá neste inverno. Sobrarão as maçãs. Deitamo-nos num colchão de folhas. As tardes duram pouco, sente-se o desalento, os momentos mais cansados. A solidão parece uma flor aberta. Os sonhos repousam nas mãos abertas. Dormem os deuses no crepúsculo, sem esplendor, frios como fogueiras extintas. As divindades tentam aparentar humanidade. A ternura é agora uma palavra cansada. Cristo ressuscita no meio de versos, coberto com uma túnica de linho, dividindo os apóstolos e os soldados, confundindo as mulheres, vestindo as crianças de luz, colocando estrelas na testa das mães, fazendo sorrir as memórias, espantando o medo, combatendo a monotonia do arco-íris, pintando de verde o vinho, a dor e o mar. Os versos azuis confundem-se com a espuma dos oceanos, as ondas ameaçam fúria, o chão fica mais incerto, os gritos mais abertos e as vogais mais redondas. Alguns pássaros dobram as asas e caem sem um único protesto. Os caminhos enchem-se de flores e os pés desenham neles os seus passos. A incerteza está na direção a tomar. A coragem verdadeira por vezes consegue chegar a horas. Os pregadores falam das quimeras do tempo que já passou, da fé que continua a murchar, do amor que morre abandonado, das igrejas desamparadas, dos corpos impotentes, do enamoramento dos jardins, da serenidade da espera, do renascimento, do futuro, da virgindade austera, da fidelidade, das expressões de pureza e dos caminhos demorados da tristeza. Diz que Deus é capaz de comer montanhas, de beber o próprio mar, de redimir a primavera, de se embebedar por telepatia, de libertar o mundo das certezas. Junto à ribeira cresce de novo a ternura, o vento peneira o lirismo, o fauno treme de frio. Cheira a seiva, a floração e a cio. As sementes rebentam como se fossem eternas. A virilidade divina é um mito. Um silêncio grave rasga a paisagem. O chão onde nasci já não magoa os meus pés. Sou uma criatura frágil. A ponte da Clérga continua inquieta. O soalho da casa continua impreciso. A sala estiola de fantasia. A aldeia parece um museu a céu aberto cheia de caos e de correntes de ar. Abro a porta para arejar a dor. Ninguém canta. Alguém emparedou as melodias. O destino voltou a enganar-se. O camponês já não canta nem semeia a terra. Espalhada pelo tempo, a angústia ficou ainda mais secreta. As casas parecem chagas. O ruído vem de muito longe. As palavras perderam a claridade. Morre-se devagar. O tempo é como um punhal de aço. Tento encontrar os sonhos perdidos. Ficam as sombras. As andorinhas vêm chocar mais imagens. Os milagres não têm cor.


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Quarta-feira, 25 de Outubro de 2017

Na feira do gado - Santos - Chaves

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Terça-feira, 24 de Outubro de 2017

Na feira do gado - Santos - Chaves

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