Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017

364 - Pérolas e diamantes: A estupidez

 

 

Há muito tempo que eu desconfiava de uma coisa que me parecia axiomática: a estupidez é natural. Mas agora tirei isso a limpo, depois de ler o brilhante livro de Paul Tabori (A História Natural da Estupidez).

 

Segundo o autor, a estupidez é muito provavelmente até necessária, não só para ocupar os escritores satíricos, mas também para oferecer distrações a dois grupos minoritários: os realmente sensatos e os suficientemente sensatos para se aperceberem de que são estúpidos.

 

Como todos sabemos, a estupidez é como o fumo do tabaco. Não só é prejudicial para os que a sofrem mas também para os que por ela são rodeados.

 

O autor adverte-nos de que não conseguiu escrever uma história completa da estupidez, o que ainda mais nos impressiona, pois o assunto é vastíssimo.

 

É muito desagradável de admitir que se possa escrever mais sobre a estupidez humana do que sobre o seu bom senso.

 

A abrangência da obra é notável. Cita casos incríveis de estupidez, desde a ganância do ser humano pelo ouro ao amor pelos títulos e pelas cerimónias, passando pela prisão nas teias da burocracia, pela subtileza da lei e pela gíria legal, descrevendo a crença em mitos e a descrença nos factos, bem assim como o fanatismo religioso, as idiossincrasias e idiotices sexuais e a tragicomédia dos que buscam incessantemente a mocidade eterna. 

 

Conta casos como o de um membro da Academia das Ciências de França que teimava e insistia na ideia de que o fonógrafo de Edison não passava de um truque barato de ventriloquismo e da técnica de Hermipo que prolongava a vida pela inalação do hálito de virgens.

 

A estupidez, diz Paulo Tabori amarguradamente, é a arma mais mortífera do Homem, a praga mais devastadora e o luxo mais caro. Como dizia Schiller, até os deuses lutam em vão contra ela.

 

Há homens estúpidos que possuem muitos conhecimentos, como também existem homens sensatos cujos conhecimentos são muito limitados.

 

Na realidade, o conhecimento difuso e exuberante encobre, a maioria das vezes, a estupidez. Por outro lado, o bom senso muitas vezes manifesta-se em gente pouco culta.

 

De facto, em todos os seus atos, o ser humano ambiciona sempre ser superior ao seu semelhante, quer seja a jogar a feijões ou na busca dos milhões. O que receia é que as suas intenções se tornem muito evidentes. Por isso tenta escondê-las, receando que o fingimento não resulte, temendo sobretudo o malogro das suas ambições. Por isso também se coíbe de agir (estupidez passiva) ou então atua inutilmente (estupidez ativa).

 

Segundo Feldmann, a estupidez é sobretudo medo, medo de nos expormos às críticas, quer do outro quer de nós próprios.

 

A estupidez adquire várias formas e manifestações distintas. Há pessoas que só a demonstram no recato do lar ou em ambientes restritos. Outros sentem orgulho em a expor publicamente. Outros só se tornam estúpidos quando são forçados a falar ou a escrever qualquer coisa de seu.

 

A estupidez pode ser limitada ou irrestrita.

 

Charles Richet defende que “o homem estúpido não é o que não compreende determinada coisa, mas sim aquele que, compreendendo-a suficientemente, atua como se não a tivesse compreendido”.

 

O preconceito é, definitivamente, uma das formas mais notáveis de estupidez.

 

Ranyard West resume a ideia perfeitamente no seu livro A Psicologia e a Ordem Universal.

 

“O preconceito humano é universal. Depende de uma necessidade humana: o respeito do individuo por si próprio. Existem vários processos de o cérebro humano conseguir ignorar os factos, mas nenhum que lhe permita pôr de parte o desejo de autolatria. Nós, homens e mulheres, procuramos sempre ter boa opinião de nos próprios. Para atingir tal fim, precisamos de mascarar, aos nossos olhos, a verdade, servindo-nos dos expedientes mais diversos. Negamos, esquecemos, perdemo-nos a explicar as próprias faltas e exageramos as dos outros.”

 

O preconceito é estupidez. Os franceses não são libertinos, os negros não são inferiores e os judeus não são usurários.

 

Uma coisa sei: é possível ter-se boa opinião de si próprio sem se ter má opinião acerca dos outros.


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Domingo, 22 de Outubro de 2017

No Louvre

_JMD1202 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 21 de Outubro de 2017

No Louvre

_JMD1037 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017

...

_JMD1034 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Quinta-feira, 19 de Outubro de 2017

Poema Infinito (376): O desconcerto da linguagem

 

 

Desejo ser o apetite do teu corpo e dos teus olhos. Todos os pedaços de mim constroem um novo menino. Continuo a preferir as linhas tortas, onde os deuses se perdem e eu me encontro. Eu não possuo esplendor. Procuro que o meu referente seja a cintilação. E o trabalho árduo da confirmação. Continuo a limpar as palavras, a atrapalhar-me com as significâncias, a vigiar as tentações, a tentar higienizar a solenidade. Ouço as aves, Bach e o choro do dia que morre dentro de mim. As vozes acompanham os andores e a loucura dos desencontros e todos os delírios verbais. Baudelaire continua tenso à procura de títulos para os poemas. Ninguém consegue resolver o conflito dos seus versos. A beleza e a dor congregam toda a síntese. Nascemos para administrar a inutilidade, para operar as imagens, para repetir semelhanças. Por vezes conseguimos encontrar a clareza e a aptidão vegetal. A ciência ainda não é capaz de medir o encanto e de calcular o divino. As coisas que não têm dimensão são as mais importantes. Tudo o que é ínfimo é exuberante. Deus apropria-se do abandono. O seu orgulho é incomensurável. Todos os sermões anunciam a solidão. Desmancho em versos tudo aquilo que aprendi: a agilidade da tolice, a prudência da sensatez, as falsas invenções, as distintas maneiras de não dizer nada, a presença de tudo aquilo que me falta, o melhor modo de explicar o contrário, a preparação dos conflitos, a ausência desamparada das palavras mais rudes, a revelação do amanhecer, a visibilidade encantada das ilusões, a imperfeição das certezas, a inércia do amor, a sabedoria anormal das árvores, o estigma das expressões, o desejo circunspecto dos horizontes, as palavras que escondemos com cuidado, as palavras que nos acham e toda a terapia literária indispensável para desconcertar a linguagem. Quando descobrimos a verdade estamos mesmo à beira do nada. A natureza é um erro. Estou sempre a ir-me embora do lugar onde me encontro. Todos os verdadeiros artistas iluminam o obscuro, inventam as tintas, podam as palavras, derretem as formas e incorporam novas imagens. O efeito natural da luz constrói novos brinquedos. As expressões mais sérias não costumam sonhar. Então o silêncio sai da sua forma. Oiço vozes encostadas ao escuro falando da eternidade e sinto um forte odor a extinção. As indulgências conduzem o homem ao seu melhor aniquilamento. A salvação anda pelos becos. Concentro-me agora na escrita de uma nova biografia do rocio. O início do dia chega com atraso. Os loucos improvisam a conquista da perfeição, transformam-se em pessoas de vento e arborizam as aves mais modestas. As mariposas trocam de arbusto e os outros insetos cristalizam o cheiro a sol. Predominam os lírios dentro dos nossos olhos. As plantas são como bocas a crescer de desejo. O cio vegetal junta-se ao murmúrio das águas. A chuva encontrará de novo a sua solidão. Nos lugares mais isolados germinam as horas que se preparam para chegar. A noite deita-se agora sobre os nossos corpos. As memórias ficam mais favoráveis. Escutamos o rio a correr por entre as pedras. O mago espalha o fumo e os duendes cortam as unhas. Sinto a nostalgia dos brinquedos tristes. Sonho com uma árvore que plantei e cresceu torta. Nela não cabem os pássaros que a procuram. Lembro-me que a estaquei com elementos de física quântica e que de nada lhe serviu. Agora agrafo palavras como se fosse cego.


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017

No Louvre

_JMD1029 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Terça-feira, 17 de Outubro de 2017

No Louvre

_JMD1028 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Segunda-feira, 16 de Outubro de 2017

363 - Pérolas e diamantes: Divagações

 

 

 

Hawthorne mostrou ao mundo que os escritores americanos podiam ser shakespearianos. Até Melville fez a sua tentativa. Segundo Daniel J. Boorstin, antes e durante a escrita de Moby Dick, o escritor norte-americano esteve “hipnotizado”, lendo e relendo Shakespeare, nomeadamente Rei Lear, Hamlet e Tímon de Atenas.

 

Melville venerava Shakespeare, considerando-o “o mais profundo dos pensadores”, mestre da “grande arte de dizer a verdade, mesmo que velada e fragmentariamente”. O que mais apreciava não era “o grande homem da comédia e da tragédia […] Mas as coisas sonhadoras que há nele; aqueles seus ocasionais lampejos da verdade intuitiva; aquelas explorações rápidas, breves, do próprio eixo da realidade”, pois eram essas coisas que faziam de Shakespeare Shakespeare.

 

De facto, os americanos sempre foram idealistas e um pouco excêntricos. Major Douglas, um economista autodidata, resolveu avisar o mundo de que tinha um remédio para todos os males sociais. O seu plano de “crédito social” fundamentava-se na ideia de que as depressões podiam ser evitadas e a justiça social alcançada pela manipulação do sistema monetário.

 

Melville era contrário à fama. Chegou mesmo a justificar a sua obscuridade. Escreveu que “toda a fama é patrocínio”, por isso pedia: “Deixem-me ser infame. Quanto mais a nossa civilização avança nas suas linhas presentes, tanto mais a ‘fama’ se torna desprezível, especialmente a dos escritores.”

 

Está visto e provado que até os génios têm momentos de desatino. Por exemplo, Dostoievski era um jogador inveterado e chegou mesmo a ser arrastado por Belinski para um círculo de reformadores atraídos por modelos ocidentais, que conspiravam secretamente contra a autoridade czarista. De facto, viveu numa era que, como observou o arguto viajante francês marquês de Custine, “em Petesburgo mentir continua a ser desempenhar o papel de um bom cidadão; dizer a verdade, mesmo tratando-se de assuntos aparentemente sem importância, é conspirar.”

 

Já Joyce dedicou o seu génio a tornar a escrita uma linguagem supremamente ininteligível.

 

Quando lhe perguntaram porque escreveu Finnegans Wake, respondeu de forma maliciosa, não para pedir desculpa mas para se vangloriar: “Para manter os críticos ocupados durante trezentos anos.” Possivelmente partilhava a estupefação de Einstein que achava que o mistério eterno do mundo era a sua compreensibilidade.

 

Também existe a possibilidade de partilhar a ideia do enigmático elogio de Henri Rousseau a Picasso, nomeadamente a Les demoiselles: “Picasso, você e eu somos os maiores pintores do nosso tempo, você no estilo egípcio, eu no estilo moderno!”

 

Já Picasso, nos seus últimos anos de vida, teve este lamento: “As pessoas não compram os meus quadros, compram a minha assinatura.”

 

De facto, o mundo ainda vive preso do mito da Arca de Noé que, por incrível que pareça, é uma história partilhada em todas as partes do mundo. Mesmo o Corão (surata XI, versículos 27 a 51) segue com grande fidelidade o Génesis e faz um relato pormenorizado do Dilúvio e de como Deus salva Noé: “A Arca poisou sobre o monte al-Judi” (versículo 46), um maciço montanhoso de quase quatro mil metros de altitude, situado na região de Mossul, no Curdistão iraquinano.

 

O Poema Gilgamesh, possivelmente a fonte que inspirou o relato bíblico, encontrado numa tábua cuneiforme em Nínive, capital da Assíria, conta na primeira pessoa o desembarque de uma arca no monte Nisir, a nordeste da Babilónia.

 

O mito hindu do Dilúvio, contido na Satapatha Brahmana, refere-se a uma “montanha no Norte”, onde Manu ata o seu barco a uma árvore, a conselho do seu amigo peixe gigante.

 

Os gregos mencionam o monte Parnaso ou as montanhas da Tessália, onde o navio de Deucalião chegou e Pirra após o dilúvio da mitologia helénica.

 

Lendas idênticas são narradas desde o Alasca até ao Peru.

 

Basicamente, todas as civilizações antigas possuem histórias similares sobre a destruição do mundo através de uma enorme inundação e sobre uma nau salvadora, o que nos leva a pensar que se trata de um mito funcional para a maioria dos povos antigos e que, muito provavelmente, foi adotado pelo cristianismo.


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Domingo, 15 de Outubro de 2017

Louvre - Interiores

_JMD1020 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 14 de Outubro de 2017

Louvre

_JMD1014 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Sexta-feira, 13 de Outubro de 2017

Louvre

_JMD1012 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Quinta-feira, 12 de Outubro de 2017

Poema Infinito (375): O guincho metafórico das memórias

 

 

 

Na hora mágica do sol se pôr eu desengancho-me do teu corpo. Nem todo o barulho do mundo preenche este silêncio, nem a saudade deixada pelos pardais desaparecidos alivia o nascer do dia. O crepúsculo faz de oposto. O regresso a casa realiza-se por turnos. Os fantasmas reúnem-se por turmas. O membro decepado continua a doer como se fosse uma árvore cortada à nascença. As pessoas continuam a chamar nomes à mágoa como se ela fosse um palhaço do circo. A infelicidade atira pedras. Nenhum bálsamo alivia a dor da ausência. Imãs cegos conduzem as orações da amizade e da vingança. A tua companhia lembra-me os livros de poesia, o som metálico dos discos riscados, os velhos harmónios, os álbuns de fotografias, a roda dentada dos jornais encadernados, os incêndios dentro dos armários, o tempo em que fumava sarilhos, a vontade de mudar de assunto, o tom afetado da indiferença. Deus continua a ser a verdade pintada na traseira dos autocarros, o rugido das autoestradas, o enterro das orações, a inclinação do tempo, o azul por cima do vermelho e do laranja. Nasce o sol por detrás da tua cabeça, com a profundeza mortal do desencanto. Ainda não sei onde os pássaros velhos costumam ir morrer. As árvores inclinam-se no sentido dos sussurros. Caem do céu almas como se fossem pedras. Mesmo de forma tangencial, a vida continua a necessitar de sombras, de sonhos e de alguma crueldade. Também a noite precisa de labirintos e de ilusões e até de partos. Por mais que lhes custe, as palavras dos poderosos não conseguem fazer uma língua. Depois da criação, tudo no mundo se baralhou. As passagens abertas transformaram-se em vaginas e o tempo divino compreendeu a plenitude da misericórdia. Os minutos são como passos que dirigem o tempo. A nudez pública continua a ser uma apostasia. As nuvens deslizam no céu, os pássaros ficam paralisados em pleno voo e o ar que nos veste tornou-se denso e incompreensível. As orações soam a falso. Engordam-se os cães, os gatos e os mitos como antigamente se cevavam os eunucos, os porcos e os vitelos. O som do tempo e da saudade torna-se vago. Os velhos ficam translúcidos. As mulheres cantam com voz doce e melodiosa a timidez das flores, a arrogância das casas, o extraordinário princípio dos caminhos e a esperança dissipada da igualdade. Estranhas febres chegam do lado de lá, dos verões escaldantes, da metrópole envelhecida, da fronteira onde se gera o ódio. As famílias antigas fogem das cidades muradas. As árvores genealógicas transformam-se em papéis quebradiços. A dignidade é agora uma espécie de nostalgia. A nossa ignorância aparente faz-nos beber chá forte para enrijecer as aparências. Existe dispersa pelo mundo a subtil noção da estagnação. Os jovens riem-se do seu pressentimento, do choque inicial. Tentam, por isso, estabilizar a incompreensão, controlar as tendências e converter a angústia num problema prático. As histórias já não lhe dizem nada. A tarde alarga-se e incha para se transformar em noite. O tempo estende as suas garras. O lugar onde nasci ainda é o único onde sinto o ar a abrir-se quando eu passo. A casa onde fui parido ainda possui as portas degradadas do Paraíso. O telhado abateu parcialmente. Os gatos miam encostados às paredes. Alguém sorri com a expressão mais triste do mundo. As memórias guincham como se as estejam a matar.


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Quarta-feira, 11 de Outubro de 2017

Louvre

_JMD1000 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Terça-feira, 10 de Outubro de 2017

Em Paris

_JMD0963 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Segunda-feira, 9 de Outubro de 2017

362 - Pérolas e diamantes: A pose da naturalidade

 

 

O romance de cavalaria medieval, que foi o alvo predileto de Cervantes, desenvolveu-se na França do século XII e espalhou-se depois por toda a Europa. Além de altamente convencional, também era escrito em versos fáceis de recitar e só depois em prosa.

 

“Romance” significou de início uma obra em francês, derivada do latim, a língua de Roma.

 

Os romances medievais, ao contrário do que muita gente pensa, não eram crónicas de batalhas campais, como as travadas entre Gregos e Troianos, mas histórias de cavaleiros lendários dedicados a Jesus Cristo e às suas amadas, de torneios e de castelos encantados, com um suplemento de dragões e monstros, todos sob o feitiço de grandes magos. E eram coisas pouco divulgadas. A edição dos livros exigia trabalho muito elaborado e moroso.  

 

Apenas com o progresso tecnológico da tipografia no século XIX é que o livro se transformou em veículo popular para um novo público leitor, tão sequioso de uma história imaginária de boatos picantes e últimas novidades.

 

Os autores, com a cumplicidade dos seus editores, adquiriram rápida aceitação. Finalmente podiam saber daquilo que os leitores gostavam, sentindo-se cada vez mais tentados a dar-lhes o que eles queriam. Como diz Daniel J. Boorstin: “O autor-criador tornou-se, pois, o público do seu público.”

 

No seu livro Os Criadores, o autor refere que Dickens, entusiasta e compassivo, era, ao contrário de Balzac, um homem de paixões. Pomposamente democrata, permaneceu um vitoriano populista. “A minha fé nos governadores”, escreveu em 1869, “é, no seu todo, infinitesimal; a minha fé no povo governado é, no seu todo, ilimitada.”

 

Nem a sua experiência como jornalista no Parlamento aumentou a sua confiança nas assembleias representativas. O autor dos hilariantes Cadernos de Pickwick passou pela Câmara dos Comuns “como um homem” e na Câmara dos Lordes “não cedeu a nenhuma fraqueza, exceto ao sono”.

 

Confessou que viu muitas eleições “sem nunca ter tido vontade (qualquer que fosse o partido a ganhar) de estragar o chapéu atirando-o ao ar”. Nem o que observou no Congresso de Washington alterou as suas opiniões. Dickens nunca “lamentou nem se orgulhou de qualquer corpo legislativo”.

 

O génio é sempre obra do acaso. E quase sempre as pessoas que o possuem são torturadas e perseguidas por obsessões contínuas. O sublime Leonardo da Vinci, enquanto jovem, comprava pássaros no mercado a fim de os libertar. E caminhava pelo seu próprio pé, pois, como Miguel Ângelo escreveu: “Aquele que segue outro nunca o alcançará”.

 

Dostoyevsky dizia que “as ideias voam pelos ares, mas são condicionadas por leis que não compreendemos. As ideias são contagiantes, e uma ideia que se poderia crer prerrogativa de alguém possuidor de grande cultura pode entrar no espírito de um ser simples e descuidado e apoderar-se dele.

 

Oscar Wilde gostava de brincar com o seu paradoxo afirmando bem alto que “ser natural é apenas um pose”.

 

O pai de Montaigne tinha como objetivo educativo para o seu filho aliá-lo com “o povo e aquela classe de homens que precisa da nossa ajuda”. Ensinou-lhe que “o dever manda primeiro olhar para o homem que nos estende os braços e só depois para aquele que nos volta as costas”.

 

Talvez tudo não passe de uma questão de fé.

 

Montaigne divide os filósofos em três categorias: os que afirmam terem encontrado a verdade, os que negam poder a verdade ser encontrada e os que, como Sócrates, confessam a sua ignorância e continuam a procurar. Apenas os últimos são sensatos.

 

Mas a fé pode ser como a de Montaigne: “uma corda que sustenta o enforcado”.

 

Quando jovem, Benjamim Franklin não se interessava francamente pelas belezas da natureza, ou da literatura, nem tão pouco o emocionavam a poesia, a arquitetura ou o romance histórico. “Muitas pessoas gostam de narrativas sobre edifícios e monumentos antigos, mas por mim confesso que, se conseguisse encontrar nas minhas viagens uma receita para fazer queijo parmesão, isso me daria mais prazer do que uma cópia da inscrição de uma qualquer pedra-de-não-sei-quê.”

 

Franklin chegou a ser um dos líderes da Revolução Americana, conhecido por suas citações e experiências com a eletricidade. Além disso foi jornalista, editor, autor, filantropo, político, abolicionista, funcionário público, cientista, diplomata, inventor e xadrezista estadunidense.

 

Escrevia como recomendava, de forma “simples, clara e concisa”, e persuadia os seus leitores a apadrinharem um objetivo prático e quase sempre valoroso. Tinha como intenção “promover um saber que seja útil”.

 

O seu Conselho a Um Amigo Para a Escolha de Uma Amante era o reflexo disso mesmo: “Prefira mulheres velhas a jovens”. As suas razões terminavam desta forma: “Oitava e última: elas ficam tão gratas!”


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Domingo, 8 de Outubro de 2017

Na aldeia

DSCF7337 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 7 de Outubro de 2017

Na aldeia

São Sebastião Couto de Dornelas 2015 303 - Cópi

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Sexta-feira, 6 de Outubro de 2017

Na aldeia

DSCF7331 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Quinta-feira, 5 de Outubro de 2017

Poema Infinito (374): Labirintos e lamentos

 

 

 

Desta vez não consigo sentir a casa, apenas experimento a tristeza vaga dos seus alicerces. O tempo e o mundo parece que nos sobram. Como dois namorados, queixamo-nos da felicidade e do amor que cresce num ritmo lento. Toda a beleza é em vão e a virgindade tem forma de verso vencido. O amor é uma ave de rapina. O desejo brilha como o orvalho da manhã. Rolamos com toda a velocidade pela voracidade do tempo. O sol continua a nascer para lá dos portões de ferro. Parece que a alma toma conta dos nossos erros e as transgressões moldam os nossos corpos. Todos os pecados são teimosos porque se alimentam do remorso. Boceja o tempo como se tivesse necessidade de uma bênção. A verdade custa uma fortuna em lágrimas. Os poemas prolongam-se pela colina como se fossem raios de sol preparando o caminho da paixão. Choram os anjos de júbilo porque os ensinaram a amar o medo e os lamentos. Testam agora o desprezo, as doenças venéreas, o incenso e a mirra, as drogas, o vinho benzido e o pão ázimo. Deus usurpa todas as ironias e acaricia com a sua mão de veludo as cenas ímpias e os gemidos mudos. Da fonte da nossa origem corre agora a água da piedade, a natureza cruel do tempo, a dor mais perfeita, a essência incompleta da vida. Os sábios decadentes ensinaram-nos que o tempo e o universo vão ter de convergir. Brilha no túnel do tempo a luz pura do esplendor. Os poetas ocupam os lugares mais singulares, enobrecem os dramas, procuram as joias antigas nas cidades perdidas, filtram a magnificência e o espanto, transformam-se em pássaros imensos que deslizam até ao mar e ocupam os navios mais lentos que navegam nos abismos mansos. Alguém se sensibiliza com a beleza cómica dos objetos esquecidos. Ri-se o exilado no meio da terra triste onde os pobres alcançam as asas gigantes da fome e do desprezo. O fogo toma conta dos espaços mais enérgicos. Os ímpios afogam-se no meio da essência divina. Iluminam-se os campos, as casas e os caminhos. Os pensamentos e as cotovias acordam ao mesmo tempo e partem logo para o ar azul e as flores explicam a mudez das suas cores. A natureza ergue-se entre os pilares vivos do templo. Lá dentro os homens soletram palavras confusas e observam a floresta de símbolos. Tudo se confunde: os longos ecos, a profunda unidade da noite, a claridade dos sons, o perfume seco da pele das crianças, o verde dos campos, o som triunfante dos oboés, a expansão quimérica do âmbar, as paisagens e os alpendres, os olhares mais impacientes, a sintonia imensa da claridade, a recordação dos velhos tempos em que reinava a nudez, a complexidade dourada das estátuas, o complexo da ansiedade, as carícias inchadas de ternura, a elegância, a robustez e o orgulho, o frio tenebroso do desaparecimento, as máscaras ridículas, os corpos torcidos, a serenidade de Deus, as mulheres pálidas como círios, a luxúria, a fertilidade, a evidência dos pássaros e das flores, as hortas lânguidas, as formas cansadas de Rubens, os espelhos absorventes de Leonardo da Vinci, os murmúrios crucificados de Rembrandt, os fantasmas soberanos e o sudário de Miguel Ângelo, o carnaval extravagante de Watteau, os estranhos pesadelos de Goya, os anjos maus de Delacroix e os estranhos suspiros de Weber. Repercutem-se os labirintos e os lamentos. O tempo humano tem a forma de rima falsa.


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Quarta-feira, 4 de Outubro de 2017

Na aldeia

DSCF7321 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Terça-feira, 3 de Outubro de 2017

Na aldeia

_JMF8137 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Segunda-feira, 2 de Outubro de 2017

361 - Pérolas e diamantes: A verdade e os tolos

 

 

Não vale a pena dar-lhe muitas voltas, bem vistas as coisas tudo depende do coração. Afinal, toda a gente acredita naquilo que quer acreditar. Todos sabemos muito bem que sabemos muito bem que sabemos muito bem.

 

As notícias de última hora que inspiram os jovens repórteres inexperientes, mas com muito bom aspeto, são as da pobreza. Até o senhor presidente da República não se cansa de abraçar e beijar os sem-abrigo.

 

As histórias dos desgraçadinhos de Lisboa e arredores espalham-se pelo país como uma doença sentimental. E as perguntas são sempre prementes e ocas: Como é ter fome? Como é não ter casa?

 

Os canais de televisão patrocinam-se dessa forma, transmitindo o desespero em direto. Os ricos deliciam-se sentimentalmente com a pobreza.

 

Mas os restaurantes estão cheios de pessoas, as sapatarias repletas de sapatos e sapatilhas e donzelas e pseudo-atletas.

 

E as lojas de roupa rejubilam de atestadas por pseudo-manequins ambulantes. A felicidade cabe-lhes toda na exclamação: “Agora já não precisamos de ir às compras ao estrangeiro!”

 

Para terminar o triângulo virtuoso, os especialistas emitem as suas opiniões especializadas… a valor de saldo: “Alguém vai ter de pagar o preço do Progresso”.

 

E, ó ironia das ironias, não acreditam em quem lhes diz a verdade porque sabem que na cabeça dos tolos só a verdade é que aproveita. Afinal, a quem é que interessa a verdade?

 

Aos tolos.

 

 A quem?

 

Aos tolos.

 

O mundo agora é só vídeos. Estou em crer que até o primeiro-ministro e o presidente da República tomam as decisões importantes baseados nos vídeos que visualizam no iphone.

 

Também eles fazem parte da realidade… dos filmes.

 

Nos restaurantes apinhados, todos, mas mesmo todos, suspendem as refeições e imobilizam os sorrisos para tirarem uma selfie

 

com a ementa…

 

com o empregado de mesa…

 

com o papá e a mamã…

 

e a avó…

 

e o namorado…

 

ou namorada…

 

uns com os outros e outros com os uns…

 

e o pobre do cão a ladrar lá longe no canil…

 

e o gato a miar sozinho, ou mal acompanhado, no gatil…

 

E depois passam as selfies de uns telemóveis para os outros e dos outros para os uns para os uns e os outros as contemplarem. Nada mais interessa, nem sequer a comida, sobretudo a boa, porque fica mal na fotografia.

 

Disfarça-se a obesidade com os sorrisos.

 

O fotoshop é bué de mentiroso, mas as pessoas são ainda muito mais.

 

As infraestruturas tomam conta de nós, sobretudo as ligadas à impunidade.

 

Os centros comerciais reluzem, as metrópoles rebentam de turistas, os vales transformam-se em lindos lameiros de golfe. As novas personagens de tudo aquilo que é velho tornam-se inesquecíveis. Todos somos apanhados pelas novíssimas marés da gargalhada.

 

Estamos superlotados de vacuidade.

 

Só respondemos às perguntas indiretas.

 

Destroçaram-nos as histórias.

 

Quem são os heróis?

 

Os tempos estão a mudar…

 

Tretas…

 

Afinal qual é a moral desta história?


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Domingo, 1 de Outubro de 2017

Cestos

DSCF8176 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 30 de Setembro de 2017

Sentadas

DSCF7713 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Sexta-feira, 29 de Setembro de 2017

Bancos de pedra

DSCF7708 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Quinta-feira, 28 de Setembro de 2017

Poema Infinito (373): A hora da visitação

 

 

A ira transforma o dia em pó. O futuro vibra seguro do seu juízo de valor. Criaturas ressuscitam trespassadas pelas respostas escritas nos livros mais antigos. As perguntas continuam impunes. Salve-nos Deus da piedade, desse seu carinho amargo, da remissão dos pecados, de penar na cruz, dos choros desperdiçados, da absolvição dos malditos, da redenção dos benditos e dos dias lacrimosos, prostrados, remediados e contritos pelas rezas. Afundamo-nos na noite, no fogo da caridade, sonhamos com o sermão aos peixes. Sentimos a brevidade da vida, a direção da água que se repete, o arrojo verbal dos pregadores, a presunção da audácia, a escravatura humana do tempo, o som difuso das ovelhas tresmalhadas. Alguém acende o lume com uma concha de sol. Aceitamos então o silêncio, a noite e a memória dos corpos. Visitam-nos orações desmerecidas, pecados e preces. Vagaroso e profundo é o frio do ferro. O tempo flutua. As imagens são como erros. Até a realidade se oculta. A dúvida dos anjos mistura pedras e flores. A alegria derrama dor. O universo é vagaroso. Os meninos continuam a perder as lágrimas, a afligir-se com as bolas, a fazerem o pino ao contrário. Levam-nos cavalos de fogo. Os cavaleiros são como sombras de muros que caem nos precipícios invocando Deus. Dorme o tempo numa catedral emprestada. As sementes comovem-se na terra. Nem no sono sossegamos. Sentimos a ausência da saudade. As teias constroem-se fio a fio. O futuro continua a ser feito de passado. A voz desmente sempre a divindade. Parece que tudo arde. Tenho vontade de ir. Nos montes acomoda-se o nevoeiro, as aves sossegam gerando os seus ovos. O pão é escuro, o horizonte estéril. Esta paz é feita de sombra. Os rostos pardos são imagens de inocência. Os seus olhos cansados refletem o medo. Saem as horas de nós e sobem como o fumo de tudo aquilo que arde. Tudo está disposto como no enigma de Deus: os espinhos, o sangue e os céus invadidos, as pedras, a misericórdia, os filhos que regressam e aqueles que se vão, os atos demoníacos, a insensatez, as moedas com que se pagam as traições, as chagas e os estigmas. É tempo de provação. Os segredos são perduráveis. O tempo é lonjura. Nascemos do nada. Deus também aí foi gerado. Somos filhos da dor e da amargura, da dignidade do resgate, das horas desiguais, do espanto, da solicitude, da vontade oculta, do sentimento frágil da força, da atenção e da luxúria, da noite e da aurora, da espera, do amor e do vazio que provoca. O chão está batido pelos anos e a terra em pousio. As lágrimas ficaram mais lúcidas. As cobras já não nos metem medo. Mas o mal continua aceso na noite. O vagar vem lá de longe ter connosco. As nuvens continuam a navegar no céu. O caminho ainda é de ida e volta. Batem as horas no sino da torre. As pombas procuram algum grão espalhado pela eira. Vários frutos abrem-se, outros murcham. O vento sabe a sal ou como as lágrimas guardadas na cisterna. Uma toalha de linho borda e define os contornos da mesa velha. A dor e as velas continuam acesas no meio da sala. Algumas das folhas caídas no chão parecem peças do puzzle com que se constrói o Santo Sudário. Está na hora da visitação. As pessoas passam por entre as pedras e as flores como se fossem anjos arrependidos.


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Quarta-feira, 27 de Setembro de 2017

Na conversa

DSCF7692 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Terça-feira, 26 de Setembro de 2017

Em reflexão

DSCF7355 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017

360 - Pérolas e diamantes: Quanto vale a Democracia?

 

 

 

No seu livro Contra a Democracia, Jason Brennan, parte do princípio de que a democracia é o melhor sistema viável, mesmo assim não é lá grande coisa, e por isso se torna necessário melhorá-lo, mesmo que seja com menor participação.

 

O grande filósofo moral do século XIX, John Stuart Mill, argumentava que devemos instituir qualquer forma de governo que produza os melhores resultados.

 

Apesar de Mill ter a esperança de que envolver as pessoas na política as tonaria mais inteligentes e mais preocupadas com o bem comum, afirma que algumas formas de governo podem deixar-nos estúpidos e passivos. No entanto existem outras que podem tornar-nos perspicazes e ativos.

 

Apesar das boas intenções, as formas mais comuns de compromisso político não só falham em educar-nos ou enobrecer-nos, como tendem inexoravelmente para a estupidificação e a corrupção.

 

O economista Joseph Schumpeter bem lamenta: “O cidadão típico desce a um nível de desempenho mental inferior assim que entra no campo político. Argumenta e analisa de um modo que prontamente reconheceria como infantil na esfera dos seus interesses reais. Torna-se novamente um primitivo.”

 

Em 1800, 70% a 80% dos americanos com direito a voto votavam nas principais eleições. Agora, no máximo, votam 60% para as eleições presidenciais e cerca de 40% para as eleições intermédias, estaduais ou locais. Por isso é que os democratas rangem os dentes.

 

Segundo Brennan até existe um lado positivo no declínio democrático, pois a democracia no seu país está mais inclusiva do que nunca, com cada vez mais pessoas convidadas a assumir uma posição na mesa das negociações políticas. Contudo, cada vez menos pessoas respondem ao convite.

 

Os principais teóricos políticos querem que a política se infiltre em mais aspetos da vida. Pretendem mais decisão política. Partem do pressuposto que a política nos enobrece e que a democracia é uma forma de capacitar a pessoa comum a assumir o controlo das suas circunstâncias.

 

Jason Brennan considera mesmo que os “humanistas cívicos” consideram a própria democracia como a vida boa, ou, pelo menos, um chamamento superior.

 

Segundo o cientista político e filósofo americano, existem três tipos de cidadãos democráticos:

 

Os hobbits, que são sobretudo apáticos e ignorantes sobre a política, pois carecem de opiniões fortes e firmes sobre a maioria das questões políticas. Preferem seguir as suas vidas diárias sem prestar muita atenção à política. É o típico não votante.

 

Os hooligans, que são os fanáticos desportivos da política. Têm ideias fortes e firmes sobre o mundo. Podem apresentar argumentos para as suas crenças, mas não conseguem explicar pontos de vista alternativos de um modo que as pessoas com outras visões considerem satisfatórias. Consomem informação política, embora de uma forma tendenciosa. Tendem a desprezar as pessoas que discordam delas, sustentando que as pessoas com as ideias alternativas sobre o mundo são estúpidas, más, egoístas ou, na melhor das hipóteses, estão profundamente enganadas. A maior parte vota regularmente, participa nas atividades políticas e são membros filiados em partidos políticos.

 

Os vulcanos, que são os que pensam científica e racionalmente sobre a política. As suas opiniões são fortemente sustentadas em ciência social e filosofia. São autoconscientes, e apenas confiam naquilo que os indícios permitem. Conseguem explicar pontos de vista diferentes e visões alternativas de forma satisfatória. Interessam-se por política, mas, ao mesmo tempo, são imparciais. Evitam ser tendenciosos ou irracionais. Não pensam que todos aqueles que discordam deles são estúpidos, maus ou egoístas.

 

Estes são os tipos ideais ou arquétipos conceptuais. Algumas pessoas encaixam-se melhor do que outras nestas descrições. Ninguém consegue ser um verdadeiro vulcano, pela simples razão de que todas as pessoas são pelo menos um pouco tendenciosas.

 

Infelizmente, a maioria das pessoas enquadra-se nos moldes hobbit e hooligan, ou encontra-se lá pelo meio.

 

De facto, a política não é valiosa para a maior parte das pessoas. E a democracia tem os seus defeitos e mesmo os seus limites.

 

Uma coisa devíamos ter presente no ato de votar: “A tomada de decisão política não é escolher para si próprio; é escolher para todos.”

 

Alguns filósofos defendem que a democracia é um procedimento de tomada de decisão inerentemente justo.

 

Jason Brennan, não está pelos ajustes. Argumenta que o valor da democracia é puramente instrumental, pois “a única razão para favorecer a democracia sobre qualquer outro sistema político é que é mais eficaz a produzir resultados justos, de acordo com padrões de justiça independentes do procedimento”.


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Domingo, 24 de Setembro de 2017

Músicos

São Sebastião Couto de Dornelas 2015 276 - Cópi

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|

.Keith Jarrett - La Scala

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 11 seguidores

.pesquisar

 

.Outubro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9


24
25
26
27
28

29
30
31


.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. 364 - Pérolas e diamantes...

. No Louvre

. No Louvre

. ...

. Poema Infinito (376): O d...

. No Louvre

. No Louvre

. 363 - Pérolas e diamantes...

. Louvre - Interiores

. Louvre

. Louvre

. Poema Infinito (375): O g...

. Louvre

. Em Paris

. 362 - Pérolas e diamantes...

. Na aldeia

. Na aldeia

. Na aldeia

. Poema Infinito (374): Lab...

. Na aldeia

. Na aldeia

. 361 - Pérolas e diamantes...

. Cestos

. Sentadas

. Bancos de pedra

. Poema Infinito (373): A h...

. Na conversa

. Em reflexão

. 360 - Pérolas e diamantes...

. Músicos

. Músicos

. Músicos

. Poema Infinito (372): O t...

. Músicos

. Músicos

. 359 - Pérolas e diamantes...

. Pose

. No carnaval de Verim

. O senhor Ventura e o seu ...

. Poema Infinito (371): De ...

. Bombos e cabeçudos

. Músicos

. 358 - Pérolas e diamantes...

. Louvre - Vermeer

. No Louvre

. No Louvre

. Poema Infinito (370): A r...

. Louvre

. Louvre

. 357 - Pérolas e diamantes...

.arquivos

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

.Visitas

.A Li(n)gar