Sábado, 25 de Fevereiro de 2017

Traga-Mundos

Cultura que une -Vila Real - 14 de maio 2016 214 -

 


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Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2017

Na exposição III

Cultura que une -Vila Real - 14 de maio 2016 193 -

 


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Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2017

Poema Infinito (343): O alongamento da solidão

 

 

Toca o alarme do silêncio dentro de mim e então abre-se o amanhecer. As palavras são como brinquedos. No fundo do quintal nasce agora outro saber. O tempo voltou a colocar o sol perto do fundo da nossa casa. Agora já só falta inventar um novo rio. O avô voltou a falar: O que é que fizeram aos pardais, parece que voam parados. As pessoas somam-se às distâncias e tanto aparecem como desaparecem. O pai passeia. A mãe faz croché. Um menino travesso vara o corpo do sapo com um pau. Faz de conta que sabe acrescentar uma graça infantil para impressionar as meninas fortes e os meninos medricas. As irmãs infantilizam as formigas fazendo-as perder o carreiro. O meu melhor amigo disse-me que o seu pai morava no fim de um lugar, sem saber bem onde. É filho de uma lacuna de gente. Por isso aperta os bichos, morde as andorinhas e sobe às árvores para apalpar os frutos e tardar o amanhecer. Por vezes aparecia na aldeia um homem com uma carroça que parecia um baú e tirava de lá de dentro caramelos, bolachas, pentes, argolas, brincos, laços para as meninas, espelhos redondos, canivetes, lenços brancos, saias amarelas, espingardas de pau, apitos de barro e muitas coisas para a saúde e para a santidade. As mulheres compravam aquilo que podiam e riam-se muito enquanto levantavam ligeiramente as saias. A minha avó abastecia-se de solidão. Os sentimentos, de tão longínquos, pareciam residir perto. Eu desenhava a esperança com um lápis de lousa. E desenhava também os meninos em planos expansivos e o meu avô a dar amoras. A minha avó dizia que os seus filhos teriam alcançado melhor sorte se tivessem nascido de uma árvore. O meu avô alongava a solidão. Ao fim da tarde, eu olhava para os fundos do quintal por onde a minha mãe costumava aparecer. Quando o dia envelhecia, entrávamos para dentro de casa e púnhamo-nos a comer as batatas, ou os chícharros, com couves e carne de porco cozida. Era nessa altura que os lagartos entravam nas folhas caídas no chão para adormecerem. Na hora de dormir, a minha avó construía brinquedos com as palavras e deixava-os dentro da minha cabeça. Nos dias de festa subíamos ao coreto da aldeia e apregoávamos bondade. Aprendi a ser autodidata das proclamações. Nos dias de neblina, as minhas irmãs perdiam o rasto das formigas e começavam a chorar. A mim pingavam-me gotas frias no coração. A tristeza é uma coisa fácil. Sentia-me crescer como um passarinho. Sentia também a sua insegurança. Aprendi com eles a encolher-me. De manhã, desciam pelos lameiros as brisas e as borboletas exibiam a estultícia dos seus voos atrapalhados. Também aprendi a subir aos telhados para esperar pela lua prateada. A mãe ralhava-me. O avô ralhava-me. O pai ralhava-me. A avó ralhava-me. Eu dizia-lhes que não era motivo para tanto. Muitos dos meus colegas, durante a noite, disfarçavam-se de insetos e desapareciam. Alguns ficavam dentro do mato até de manhã. E luziam como pirilampos. As plantas cresciam junto dos seus corpos. Agora chove toda a noite. O rio engorda, como se fosse um menino comilão. O sol ilumina as águas. O perfume das giestas continua a entontecer-me. Algumas árvores ainda me reconhecem. Olho para elas e encosto-me ao azul da tarde para descansar. O voo dos patos prolonga o meu olhar. Acompanho-os enquanto posso. A família habita agora a minha memória íngreme. Apesar de ainda fabricar brinquedos com palavras, a minha alegria perdeu a voz.


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Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2017

Na exposição II

Cultura que une -Vila Real - 14 de maio 2016 157 -

 


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Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2017

Na exposição I

Cultura que une -Vila Real - 14 de maio 2016 154 -

 


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Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2017

329 - Pérolas e diamantes: Donald Trump é kitsch

 

 

Oiço Marine Le Pen falar e tenho uma sensação de déjà vu. A senhora, dizem, é de extrema-direita. É contra o euro, a união europeia e a NATO. Exatamente o mesmo discurso do PCP e do BE em Portugal que, dizem, é a extrema-esquerda portuguesa, partindo do princípio, claro está, de que o PS é a esquerda, ou é de esquerda, ou é socialista, já que partido é-o de facto, com as vantagens que todos lhe reconhecemos, sobretudo para os seus dirigentes e apaniguados

 

Ao que tudo indica estão-se a trocar os nomes e os níveis semânticos mais populares da política. A esquerda parece uma nova direita e a direita encaminha-se, já não para o centro, mas diretamente para a esquerda. Talvez tenha sido por isso que, nos EUA, Donald Trump conquistou os votos dos operários da indústria do rust belt (cintura da ferrugem). Também ele é contra a NATO, a União Europeia e o euro. Ou seja, defende os mesmos princípios teóricos de Jerónimo de Sousa, Catarina Martins, Marine Le Pen e de Nigel Farage.

 

Em França, o direitista Fillon, foi apanhado por, enquanto deputado, ter criado um emprego fictício para a mulher, Penelope Fillon, e para dois dos filhos, o que lhes permitiu receber centenas de milhares de euros de fundos parlamentares. O centrista Emmanuel Macron foi quem mais beneficiou com a escandaleira. Dizem as sondagens que pode ser ele o próximo presidente francês, isto se a putativa “frente republicana” se unir contra a extrema-direita de Le Pen.

 

Numa coisa Emmanuel tem razão: “Alguns políticos fingem falar em nome do povo, mas são apenas ventríloquos.”

 

Também Angela Merkel se vê atrapalhada nas sondagens, já que pela primeira vez uma delas colocou a chanceler alemã atrás do social-democrata Martin Schulz. 

 

É tudo uma questão de imparidades. Por causa delas, os bancos registam todos os anos centenas de milhões de euros de perdas em créditos concedidos. Assumem agora que essas dívidas são incobráveis. A destruição de valor é gigantesca. Desde 2008, ultrapassa os 40 mil milhões de euros. Uns não pagam porque foram à falência, outros safam-se porque as garantias que deram não são executáveis. 

 

Joe Berardo, esse génio dos negócios e altruísta da arte, por exemplo, pediu mil milhões de euros à Caixa, ao BES e ao BCP para comprar ações. Deu na altura como garantia outras ações que valiam, dizem os analistas financeiros, cerca de 5 euros. A dívida de milhões da Ongoing aos bancos já citados foi dada também como praticamente perdida. A Lone Star, candidata à compra do Novo Banco, também já veio dizer que o crédito concedido ao construtor civil José Guilherme (o tal senhor que ofereceu um presente de 14 milhões de euros a Ricardo Salgado) está perdido.

 

Como se isto fosse pouco caiu-nos em cima a eleição do inenarrável Trump. O escritor Paul Auster considera que, por causa disso, o futuro da América está em risco. E põe o dedo na ferida: “Apesar das belezas da Constituição Americana, os EUA é um país fundado em dois enormes crimes: o genocídio dos indígenas e a escravatura durante 350 anos. É obsceno!”

 

No seu país, diz Auster, “ninguém quer saber de intelectuais ou escritores. As únicas figuras públicas que as pessoas gostam de ouvir são os atores de cinema”, e, digo eu, os demagogos do kitsch.

 

Eu explico. Kitsch, é uma espécie de ideia artística que envolve a falsificação da verdadeira arte, ou, então, o seu rebaixamento sensacionalista. Pretende tornar aceitável tudo aquilo que, na existência humana, é intolerável e se esconde atrás de uma fachada de sentimentalismo barato, beleza enganadora e virtude aparente.

 

Kitsch, defende Javier Cercas, “é uma mentira narcisista que esconde a verdade do horror e da morte”. Da mesma forma que “o kitsch estético é uma mentira estética – uma arte que, na realidade, é uma arte falsa –, o kitsch histórico é uma mentira histórica – uma história que, na realidade, é uma falsa história.”

 

Trump pertence ao kitsch político, porque é um embuste político, uma realidade adulterada e fabricada, uma mentira estética, uma história falsa.

 

Tudo isso é Trump. Donald Trump é tudo isso e, se calhar, até é um pouco mais.

 

PS - Peço que, se vos for possível, me desculpem estes apartes aparentemente insubstanciais. Mas eu não me pretendo esconder atrás dessa perspetiva cobardolas de não escrever o que me sai da alma, para, em troca, escrevinhar aquilo que acham que devo escrever para agradar aos críticos, aos falsos amigos e aos néscios oficiosos.


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Domingo, 19 de Fevereiro de 2017

Olhares

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Sábado, 18 de Fevereiro de 2017

Fogueira e potes - S. Sebastião - Dornelas

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Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2017

Pão - São Sebastião - Couto Dornelas

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Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2017

Poema Infinito (342): Fragmentos da criação

 

 

 

Afasto-me das sombras e vou para ao pé de ti. A vida diz a verdade a quem lhe acena. Toda a herança se renova. O futuro nasce do passado, foi aí que alguém o semeou. As lembranças, por vezes, embebedam-se. E por isso estremecem como crianças. Lanço-te um sonho em forma de ponte. Alguém canta de mansinho o hino da esperança repleto de claridade. As formas levantam-se nítidas e anónimas. A verdade aumenta. O tempo dilui-se. No meio do caminho surgem sempre as dúvidas e as angústias. Há pessoas tão incorruptíveis como as pedras. Nascem como os bichos, mas possuem outra grandeza. A realidade senta-se todas as tardes no largo da aldeia. Os cedros acumulam a luz. Alguém faz o seu enxoval pensando na imortalidade do amor. Tece os tecidos com os fios da irrealidade. Apenas as traças são eternas. Deus não merece os homens e as mulheres que criou. Mesmo assim, os bichos lavram o chão e os homens cantam as virtudes divinas. A emoção que evidenciam possui a ânsia salgada do mar. O desejo contém a brevidade das flores desamparadas, a mesma inquietação humana. Por isso, os poetas gostam de abraçar as sombras dos castanheiros, a fantasia das viagens, a seiva que corre no tronco e nos ramos dos versos, a luz inscrita nos lençóis de linho, a rebeldia dos caminhos montanhosos, as raízes do inverno, a biografia dos corpos nus, a erudição e a paciência das mães, a tinta de que são feitos os fantasmas. Apenas os poetas conseguem ser os anfitriões da sua própria ausência. Apreciam ser testemunhas do presente no seu passado, deixar as marcas dos seus passos na neve e definir a ilusão da felicidade à medida que vão andando. Transportam dentro do coração pó de estrelas, os mistérios mais sombrios, imagens do início da criação, fragmentos do tempo que move as guerras, a perplexidade das épocas de pacificação, o brilho da espada branca da verdade e resquícios da beleza que resiste à eternidade. Já não se morre de sede nos caminhos. Neles voltam a crescer os passos e os ulmeiros. Os amieiros começam a nascer junto das novas fontes. As raparigas sorriem como se fossem rosas dos ventos e gritam aqui del rei e deixam-se namorar pelos cavaleiros da távola redonda. Adquirem o instinto desprevenido da sexualidade, dizem não e despem-se. E deitam-se. E deixam-se amar. E erguem os seios. E abrem as pernas. E latejam com o calor do desejo. E deixam que os seus ventres sejam semeados. Depois escutam as raízes a cantar e as linhas de água a correr e as veias do sexo a latejar. Sentem então a eternidade num momento e pensam que a vida é breve. Por fim adormecem e descansam e pensam e sonham com astros e a luz do sol que derrete a geada e a neve. Apercebem-se da alma das serras, da sua leveza e da sua frescura. Sonham que Cristo lhes há de transformar a água em vinho. Sentem-se a amadurecer como os frutos. Os seus corpos são como céus. Depois acordam. As giestas florescem nas encostas, as aves libertam-se de algumas penas, os sonhos descem pelos outeiros, as sombras deixam de ser mágicas. As raparigas, sempre elas, passam então a ser fiéis a quem lhes irá nascer. Enchem-se de imagens de ternura, aprendem a instintiva lição da criação. Olham para o passado e pensam no futuro. Os seus olhos são agora como janelas largas e altas, abertas a tudo o que vem de longe. Os seus rostos adquirem a serenidade das árvores de fruto. Os seus olhos choram, mas sem pranto. Pensam que a felicidade, por vezes, pode criar raízes. Deixam-se então possuir pela ânsia das mães.


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Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2017

Potes do São Sebastião - Couto de Dornelas

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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2017

Mesa - São Sebastião - Couto Dornelas

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Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2017

328 - Pérolas e diamantes: entre o status quo e a ira de Deus

 

 

 

A politóloga argentina Pia Mancini defende que uma das causas da apatia das pessoas em relação à política está ligada ao sistema, pois hoje em dia a democracia representativa preocupa-se exclusivamente com as relações dentro da corporação. Deixou de se centrar na educação dos cidadãos sobre a participação, o debate e a tomada de decisões. Qualquer projeto de lei é inacessível para quem não for advogado, “outra elite que luta para manter o status quo”. 

 

Estamos tentados a pensar que quem manda verdadeiramente em Portugal, mais até do que as direções partidárias, são os lóbis constituídos e arregimentados pelos grandes escritórios de advogados sediados em Lisboa e que devem despachar o serviço em franca camaradagem com os principais ministérios.

 

Por isso é que triunfa o politicamente correto. José Rentes de Carvalho acha que se abateu A Ira de Deus sobre a Europa.

 

Numa entrevista à revista Sábado, refere que “não há espaço para todos na Europa”.

 

Na sua perspetiva, o politicamente correto vai ser a desgraça das sociedades ocidentais “porque é a negação de uma realidade e do espírito crítico, a busca de harmonias impossíveis, a exigência de nos pôr a todos a olhar para o mesmo lado, a marchar com o mesmo passo, a aceitar a mesma dieta sob pena de desagradarmos ao grupo”.

 

JRC não entra no caminho fácil da banalização do medo ao bárbaro ou do complexo de culpa do branco. Ele acha que o perigo está “nesta identificação ingénua com «os pobrezinhos», os infelizes, os deixados por conta no que já se pode chamar de Terceiro Mundo, por ser agora ofensivo”.

 

Parece que os bárbaros não demonstram lá “muito interesse pelo carinho que lhes querem dispensar, preferindo tomar nas mãos o próprio destino, segundo a sua religião e tradições, dispensando as modas de conduta vigentes em São Francisco, Berlim ou Amsterdão”.

 

Ou seja, os atentados na Europa estão a acabar com o politicamente correto. O Brexit e a ascensão dos partidos xenófobos e racistas são disso o sinal máximo. As pessoas estão cada dia mais intolerantes, quer seja em nome de Alá ou de Deus.

 

E é possível que a sacudidela que se aproxima não venha do lado da política, mas sim da economia. “A dura realidade da precisão de três refeições ao dia, o abrigo de um teto e roupa para vestir, não se condói com os sentimentos fictícios do Facebook.”

 

Não lhe parece que as populações estejam agora mais intolerantes. “Já o eram, mas dá ideia de que aos poucos irão deixando a apatia, descobrindo que de facto podem ter voto na matéria”.

 

O escritor português, radicado na Holanda, diz que observa sinais de que os muçulmanos e as multidões da África, que deixaram de ser pacíficas, definiram como objetivo colocar um ponto final na velha ordem ocidental. Por isso, “a Europa vai continuar a ser presa fácil do islão”.

 

De facto, aos muçulmanos sobra-lhes o que aos europeus falta: “Fé, orgulho no seu ideal, um sonho a realizar. A Europa aparenta ocupar-se mais com a superficialidade do dia a dia, as férias, o rock, o hedonismo, o que é de pouca valia como propósito na vida”.

 

Perguntaram-lhe se tem medo. Ele, lá do alto dos seus 86 anos respondeu que medo não tem, tem apenas tristeza, “porque num mundo em que parecem imensas as possibilidades de melhoria para todos, gastamos a vida e o tempo em inimizades, conflitos bárbaros, entretemo-nos com criancices”, fazendo passar a ilusão de que atualmente as pessoas não “envelhecem a caminho de alguma sabedoria”, evidenciando a tendência de retrocederem para o infantilismo.

 

Questionaram-no sobre a possibilidade de uma guerra de civilizações na Europa. Respondeu que se lho tivessem perguntado antes da guerra dos Balcãs (1991-2001), a sua resposta seria não. Hoje não arrisca previsões.


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Domingo, 12 de Fevereiro de 2017

O sapateiro de Chaves

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Sábado, 11 de Fevereiro de 2017

Vinda da horta

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Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2017

Ida para o lameiro

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Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2017

Poema Infinito (341): a exatidão das folhas de outono

 

 

A noite desce sobre a nossa juventude. Dialogamos com a nossa voz de silêncio. As manhãs molham-nos os corpos. Uma espécie de chuva inútil desce do céu e cai em cima das árvores abertas. As suas folhas apreendem o segredo para atravessarem os rígidos meses de inverno. O sol ilumina o relógio da aldeia. As pessoas importantes passam na rua com as suas ideias latinas elevando os ombros, imitando as árvores, concorrendo com a inutilidade das coisas mais singelas, misturando-se e distinguindo-se na ocupação da capacidade real no adro da igreja. As crianças conformam-se com o espaço que lhes deixam, ocupam o seu interior, enchem as ruas, produzem novos gestos, penduram as palavras que lhes nascem nos lábios nos fios da eletricidade. A chuva serve de pretexto para a exibição dos olhares eternos, para definir a fronteira da infância. Ensinam-se os gestos exatos da submissão, do amor e da morte, a vida exata dos livros, a medida das cidades, a dimensão autêntica da erva de março, o aroma dos vestíbulos, a abertura genuína para entrar nas danças das crianças. Os patos selvagens fazem os seus ninhos junto ao rio. As montanhas definem o infinito da água. Tudo nos lembra o passado, a passagem das estações, o chiar dos carros de bois. E também os dias preenchidos de grandes problemas por resolver. Arredondamos o olhar com o que se passa à nossa volta. A realidade é muito antiga, vai de alfa a ómega exibindo o seu colar de palavras. Os caminhos por percorrer exibem as suas esquinas semeadas de arestas e juncos. O outono varre as palavras que nos caem das mãos. Já não há cuidado que lhes valha. Os anjos mais fortes sustêm as cúpulas do tempo. O templo da anunciação fechou as portas ao público. Nas aldeias ainda há espaço para os domingos, o sol ainda ilumina as casas e a água dos poços. No entanto, os espíritos dos mais velhos já deixaram cair os gládios. Junto ao rio apenas se escuta o silêncio. Jerusalém é nome de cidade, nós vivemos nos arredores de Jericó, numa aldeia com nome de Torre. Isso foi antes da fundação de Roma e depois do dilúvio. Nesse tempo choviam rosas e solidão. Ia jurar que outrora estive aqui. Lembro-me deste portão. Foi neste lugar onde terminou a minha infância. O olhar ainda me cabia dentro do rosto. Com os dedos das mãos cortava a luz. O sol fazia parte do nosso quotidiano. Esquecíamo-nos das palavras nos sítios mais inverosímeis. As vozes juntavam-se aos corpos e dançavam. A alegria pousava nas árvores junto aos pássaros. A nossa vontade definia a orientação dos ventos. Nos dias de chuva, a música sentava-se connosco no escano olhando as labaredas que desenhavam a lareira e a redondez dos potes. A beleza avançava resguardada pela minha esperança. Mesmo antes de te conhecer já sentia saudades tuas. Agora, as tardes de domingo avançam e desaparecem sem que se dê por elas. As mãos já não abrem e acariciam as searas. Os olhares estão embaciados. O tempo adquiriu a reclinação da história, os pássaros voam desamparados em direção ao céu refletido nos vidros das janelas fechadas. As avós limpam o pó das mesas enquanto olham para a televisão. Já não se abrem os lençóis da aurora, as tardes já não exibem o seu brilho rubro. Agora repreende-se o outono e diz-se mal do inverno. Venera-se o rosto inesgotável das primaveras de plástico. Acredito que se pode ver cair as folhas de outono e continuar a viver. Elas ajudam-me a recordar as minhas leituras mais antigas.


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Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2017

Ida para o campo

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Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2017

Na aldeia, varrendo a rua

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Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2017

327 - Pérolas e diamantes: esquerda, direita, em frente marche (II)

 

 

 

Foi nos anos 80 e 90 que se assistiu a uma recuperação da onomástica tradicional, fenómeno que se alastrou a outras camadas socioeconómicas.

 

Em 2015 circulou no Facebook um texto intitulado «Devolvam o nome aos “betos!!!”». À primeira vista satírico, o apelo em defesa do classicismo dos nomes próprios insurge-se contra a denominada democratização a que os nomes de elite foram sujeitos, perdendo, dessa forma, os atributos distintivos.

 

Afinal parece que existe luta de classes na hora de escolher o nome dos filhos. A esquerda democratizou e banalizou a onomástica e a direita volta agora a apostar nos traços distintivos dos nomes de família com pedigree.

 

Aliás, convém não esquecer que num país dito sociologicamente de esquerda, num programa da RTP de 2007, Salazar foi escolhido pelos telespectadores, em votação democrática e muito participada, como “o maior português da História”.

 

É bem verdade que se pode dizer, como alguém o fez, que se pode tirar o homem da província, mas não a província do homem. Dentro de nós mora um salazarzinho acomodado e irónico que invocamos quando nos dá jeito. Otelo, o máximo capitão de Abril, chegou a desabafar que “precisamos de um homem honesto e inteligente como Salazar”.

 

Foi através do Independente e da Kapa que me apercebi que a direita urbana e sofisticada reivindicava para si um corpus de referências que também era meu: a banda desenhada de Corto Maltese, de Hugo Pratt; as obras de ficção científica de Phillip K. Dick, de onde surge um dos melhores filmes de sempre: Blade Runner; e as distopias pós-apocalípticas de Frank Herbert, autor de Dune, que também deu origem ao filme com o mesmo nome, onde participa como ator convidado Sting; ou a música de inspiração céltica, hoje tão em voga.

 

António Araújo, no seu livro Da Direita à Esquerda, lembra-nos que nos anos 80 a direita portuguesa, urbana e sofisticada, entra na movida lisboeta em convívio aberto com a esquerda, convergindo nos espaços de moda, na noite e no hedonismo de uma visão libertária em matéria de costumes.

 

Era uma “direita que era de esquerda”. Tal atitude foi um grande contributo para combater algo extremamente enraizado nos portugueses: a fronteira que separa a esquerda da direita, o tal esquema dicotómico maniqueísta que, bem vistas as coisas, costuma dar sempre a prevalência à esquerda. 

 

Com a esquerda urbana a virar à direita, o catolicismo, predominantemente conservador, também fez o seu aggiornamento à esquerda, ou seja, tenta ser neutro. José Tolentino Mendonça, um dos nomes mais representativos de uma vivência do catolicismo despojada de conotações político-ideológicas vincadas, põe-se a poetizar como um leigo.  E fá-lo com qualidade.

 

Aliás, a subversão desta dicotomia tem mesmo ocorrido ao mais alto nível da Igreja. Podemos mesmo perguntar: o Papa Francisco é de direita ou de esquerda?

 

Agora proliferam por aí os livros de análise e diagnóstico sobre a crise, com um cardápio sobre a bula terapêutica que nos prometem a cura, “como tirar Portugal da crise” (João Ferreira do Amaral), ou “resgatar o País” (José Gomes Ferreira). Todos eles com a fotografia dos autores na capa, conferindo a si próprios o estatuto de “intelectuais públicos”, estando nós em crer que serão mais públicos do que intelectuais.

 

Com a puta da crise ressurgiram com todo o esplendor as associações de apoio social e de voluntariado. Isabel Jonet, católica assumida, é a sua cara mais mediática. Todos nos lembramos das suas declarações como presidente do Banco Alimentar Contra a Fome: “Se não temos dinheiro para comer bifes todos os dias, não podemos comer bifes todos os dias”.

 

O Movimento Sem Emprego respondeu-lhe, a dado passo, numa carta: “A sua influência aumenta na proporção da miséria que nos vai impondo” e “sabemos que é rica e privilegiada e nunca falou de fome com a boca vazia”. 

 

Nós não vamos tão longe. Estamos em crer que algumas vezes o fez, nomeadamente quando mastigou os tenros bifes de vaca dessa zona.

 

Fora o juízo dicotómico da polémica, uma coisa sabemos: há muita gente que vive da fome e da desgraça dos outros, tanto física como espiritualmente.

 

A investigadora Raquel Varela afirmou que a cruzada de Isabel Jonet lembrava as campanhas do Movimento Nacional Feminino.

 

Numa carta que dirigiu à senhora presidente Jonet dizia, entre outras verdades: “As tropas de famintos são uma mina de ouro para as instituições que vivem à sombra do Estado a gerir a caridade”, pois a “caridade usa a fome como arma política”.


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Domingo, 5 de Fevereiro de 2017

Bombeiros V

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Sábado, 4 de Fevereiro de 2017

Bombeiros IV

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Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2017

Bombeiros III

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Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2017

Poema Infinito (340): labirintos

 

 

 

Possuo dentro de mim uma aldeia teórica. E mamífera. Durmo dentro dela nas horas perigosas. Nas várias porções do sono vou aumentando o meu vocabulário. A vida constrói-se quase sempre em volta de uma argumentação absurda. A felicidade é uma espécie de santa traição. A sua memória define-se pela dessincronização alegre do silêncio. A vida habita no seu condomínio fechado com saudades da velha casa do campo. A minha alegria é camponesa, guarda as cores dos montes, rejeita os ódios pacíficos, a perfeição da espera e as vinganças. Desço sempre os degraus um a um. Esse é o meu exercício intelectual mais rigoroso. O pensamento é tão transparente como o ar. Talvez um pouco mais espesso. As crianças procuram nos balões coloridos a ambiguidade da sua origem. Cada dia as formigas trabalham mais, imbuídas da sua utilidade divina. Acreditam em milagres e nas hierarquias. Acreditam no progresso e na sua representação. Os deuses estão cada vez mais preguiçosos. A ociosidade faz-lhes mal. Torna-os inúteis e obesos. Os homens já não possuem destino. Não conseguem chegar a tempo, não conseguem definir o seu ponto de partida, as suas influências, o seu saber. Os seus caminhos são incertos. As suas horas estão repletas de enganos. Deixam as suas próprias armadilhas a descoberto. O seu olhar já não possui coragem, mesmo que disfarçada. Os seus movimentos mais destemidos assemelham-se às fugas. Mergulham no mar mesmo sem saber nadar. Tremem-lhes as mãos, escondem as suas qualidades, perdem, pouco a pouco, o erotismo, afastam a sedução. As suas emoções são traídas pelo método, pela distância das evidências. No entanto, ainda há homens tão destemidos que conseguem chegar sempre a tempo, sabem procurar as horas e perguntar pelo seu caminho, escolhem o próprio destino. A sua felicidade não tem enganos. Sabem acompanhar as decisões dos místicos, evitar os efeitos maléficos do medo, desviar-se das ilusões óticas. Pensam o mundo sem mudar de rosto, através da fisionomia dócil da música sacra. Observam e estudam os processos mecânicos da corrupção. Não existem multidões sinceras. Procuram as alegrias íntimas no meio dos míscaros, associam as partículas interiores da saudade, excitam a beleza com os dedos em júbilo, escrevem manuais de sobrevivência para as vítimas das grandes quedas. Sabem que a melhor alegria é a espiritual. Aprenderam que no céu os deuses patéticos não saltam muros, que os deuses do amor roubam os beijos, que as fronteiras são os limites materiais da traição e que os órgãos que produzem a alegria são os mesmos que originam a tristeza, apesar do seu temperamento opositivo. Sabem ainda que os tribunais humanos não conseguem desenhar linhas retas, que apenas alcançam somar o peso das circunstâncias às decisões unívocas. Os seus relógios apenas medem o tempo qualitativo. Volto a encher a casa de pormenores, a guardar algum espaço para a beleza, a colocar os bons exemplos nos seus postos de vigia. A beleza apenas existe naquilo que é olhado. Continuo a guardar os rebanhos lentos da impaciência. A matéria possui o seu próprio futuro. A memória tem futuro porque os deuses protegem o passado e as suas evidências, apesar de a sua alegria ser eficazmente domesticada. Os deuses são de uma ineficácia extrema. As crenças exigem eternamente uma viagem interior. Os heróis perdem-se sempre no labirinto do seu orgulho.


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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2017

Bombeiros II

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Terça-feira, 31 de Janeiro de 2017

Bombeiros I

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Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2017

326 - Pérolas e diamantes: esquerda, direita, em frente marche (I)

 

 

 

Na nota introdutória do seu livro Da Direita à Esquerda, António Araújo coloca a seguinte questão: “Além de estúpido, caçar Pokémons é de esquerda ou de direita?” Provavelmente a pergunta não tem resposta, pois a maior parte das coisas que fazemos na vida não se conseguem enquadrar dentro desta dicotomia.

 

A obra defende que “as práticas, os hábitos e os consumos socioculturais da esquerda e da direita se encontram cada vez mais próximos, obedecendo a uma lógica de espetáculo que tudo absorve e corrompe”.

 

A seu ver, a grande clivagem que persiste encontra-se naquilo que divide elites e não elites, pois a maioria das polémicas que subsistem na esfera pública situam-se, “hoje como ontem, num âmbito elitista, urbano e sofisticado. O povo mantém-se sensatamente afastado dessas quezílias”.

 

Do que conseguiu apurar, a grande diferença continua a persistir, à esquerda, no seu apego a uma noção de conflito, ao passo que a direita prefere uma abordagem mais consensual e de compromisso com a realidade. No entanto, observa-se que, atualmente, esse padrão está em vias de mudança, “sendo ainda cedo para avançar prognósticos, sobretudo num tempo tão incerto e volátil”.

 

Em Portugal, depois do 25 de Abril, existiram alguns traços distintivos que não me foram estranhos e que rememorei durante a leitura do livro.

 

Em 1986, Diogo Freitas do Amaral, trouxe para a ribalta alguns traços distintivos do seu (da direita, claro está, pois o homem já virou à esquerda há alguns anos) cariz classista. Na sua campanha presidencial popularizou a moda dos sobretudos verdes de loden, de inspiração austríaca e protagonizou uma batalha eleitoral à americana, de grande espetacularidade, que incluiu até chapéus de palhinha… feitos de plástico. 

 

Nos tempos de Cavaco Silva, a direita começou a exibir os seus Rolls-Royce pelas avenidas de Lisboa, a divertir-se no Bananas e a recuperar os solares e as casas de família, graças aos fundos europeus vocacionados para o denominado turismo rural, o agroturismo e o turismo de habitação.

 

Apareceu então o arquiteto Tomás Taveira, impondo a sua visão pós-moderna, muito peculiar, reinventando a tradição, ao reunir vários arquétipos ancestrais da portugalidade: a guitarra portuguesa no edifício-sede do Banco Nacional Ultramarino (1989) e as famigeradas Torres das Amoreiras (1985), que pretendiam evocar os elmos de guerreiros medievais, relembrando castelos de reis e princesas.

 

Nos anos 80 surgiram na cena musical os Heróis do Mar, numa onda de revivalismo que, mais tarde, havia de desembocar no projeto Madredeus, ou nos Sétima Legião, onde pontuavam nomes como Rui Pregal da Cunha, Pedro Ayres Magalhães, Carlos Maria Trindade e Rodrigo Leão.

 

O autor das letras das canções dos Madredeus era Francisco Ribeiro Menezes, que integrava as vozes do coro. Mais tarde enveredou pela carreira diplomática, chegando a exercer funções como chefe de gabinete do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.

 

As voltas que o mundo dá.

 

À esquerda, aparece Rui Veloso e Carlos Tê com o álbum Ar de Rock, rompendo, talvez sem querer, por completo, com a tradição baladeira e de cantautores dos anos 60 e do imediato pós-25 de Abril.

 

À direita, emerge o Miguel Esteves Cardoso, o famoso MEC, exibindo ao mundo português adereços rétro: o simbólico papillon no colarinho da camisa, óculos redondos, uma língua irrequieta sempre pronta a lamber os beiços secos e um Volkswagen carocha preto. Afirmava-se na altura monárquico e estudioso, para não dizer fã, da Saudade, do Sebastianismo e do Integralismo Lusitano.

 

Ou seja, a década de 80 foi marcada por uma espécie de neorromantismo muito pop, ou um neoconservadorismo muito kitsh, que, sendo diferentes na génese, convergiam na redescoberta e na hipervalorização do mundo rural de classe, com os seus solares e casas de família, e na arquitetura com materiais naturais.  

 

Mais tarde, o revivalismo conservador foi apanhado por uma ideia histriónica de recuperação de gosto duvidoso, denominado entre nós como português suave, baseado em condomínios privados apelidados de villas (mas com dois ll, para evitar confusões com a pequena burguesia de província), e atividades como o hipismo, a caça, as touradas e o turismo de habitação.

 

Passados 10 anos, dois após a fundação d’O Independente aparece a revista Kapa.

 

Tenho de reconhecer que foram os grandes responsáveis pelo meu desvio de direita.

 

Eu pecador me confesso.

 


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Domingo, 29 de Janeiro de 2017

António Costa no São João - Porto

São João - Porto - Junho 2016 120 - Cópia.jpg

 

 


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Sábado, 28 de Janeiro de 2017

Porto - Estação de São Bento

São João - Porto - Junho 2016 013 - Cópia.jpg

 


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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2017

Porto - Ribeira - São João

São João - Porto - Junho 2016 071 - Cópia.jpg

 


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