Sábado, 20 de Janeiro de 2018

São Sebastião - Couto Dornelas

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Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2018

São Sebastião - Couto Dornelas

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Quinta-feira, 18 de Janeiro de 2018

Poema Infinito (388): O cálice sagrado da natureza

 

 

 

Os vários nomes da madrugada inundam os caminhos da montanha e alimentam as raízes dos teus pés. Caminharemos sempre. Isso faz parte do nosso destino. Também as flores procuram insaciavelmente o desenho e as cores das suas pétalas. Confundimos as fragas, o som do vento que eclode entre a ramagem, o ruído das vozes, as amoras que descansam nas silvas. Desenhamos corolas, a floração dos desejos, a primavera que rebenta, o imprescindível júbilo do néctar, o reflexo foliar das mariposas. As abelhas mais invulgares procuram os cubículos das flores campestres. Pedaços do mundo juntam-se com o âmbar da areia, os lagos presentem a perenidade dos oceanos, o silêncio desliza em forma de réptil. Tenho saudade dos montes e dos rios, da velha arquitetura dos moinhos, da sensualidade dos teus seios, da humidade da tua vagina. E dos ais e dos suspiros. E da fertilidade das madrugadas. Os teus olhos possuem a minuciosidade dos mares. Neles prevejo os eclipses solares, o dilatado desenho das penetrações, o rumor magnífico dos lírios, o voo certeiro dos falcões e a gratidão da primavera. O calor do teu silêncio é feito de sobejos de eternidade. Alguns sorrisos vêm envoltos em nuvens raras. Pretendemos esquadrinhar a espessura do futuro, o resplendor das massas atmosféricas, o pôr do sol e o amanhecer e os átomos imaginários das galáxias. Apesar de sabermos da necessidade muda do pão, arrepiamo-nos quando as ceifeiras abatem as searas. A saudade constrói ninhos dentro das nossas cabeças. A tristeza continua impune. As estátuas sorriem-nos com a sua nudez fria. Os pássaros semearam os bosques. Os seus voos transportam a transparência do vento. A dor ainda está quente. A saudade abre o caminho dos montes e evoca o regaço do mês de abril. Donde vem este tempo sem crédito? Os poemas mudam o seu funambulismo, querem ser vadios. Dói-me a dor da tua ausência, o riso e o pranto, o adeus definitivo da tarde, a perseverança do mar, a marcha do tempo, os montes rasos, os lobos aprisionados pela neve, o afastamento do claro-escuro, os retalhos do infinito, as corridas sem distância, as trovoadas secas, a lentidão dos rios, os passos marrecos das garças, a rotundidade das corolas, os sonhos de circunstâncias e as flores demasiado amarelas ou vermelhas. Quero aprender a semear os crepúsculos, o voo das estrelas fugazes, a devorar as noites, a pesar as palavras, a desenhar as pálpebras do tempo e o voo incandescente dos relâmpagos, a voar como os peneireiros, a procurar as nossas raízes animais, a entender a espera das madressilvas pelo voo das abelhas, a saber esperar, a entender as incertezas, a escutar a razão, a cansar-me, a descansar-me, a lavar os aspetos mais densos da monotonia, a decantar as lágrimas. Penso agora no caminho das fontes, na calma simétrica dos espelhos, nos reflexos da caducidade, nos níveos horizontes das ninfas. Pressinto as suas bocas, o seu desespero, os seus calafrios, a sua paciência. A minha poesia é agora mais vegetal, feita de flores pequeninas, humildes e silvestres. Une-a o sopro infinitesimal e impenetrável da clorofila, o azul dos labirintos, a métrica versátil dos estames, o inconformismo das corolas, a união dos ovários, o cálice sagrado da natureza.


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Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018

São Sebastião - Couto Dornelas

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Terça-feira, 16 de Janeiro de 2018

São Sebastião - Couto Dornelas

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Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2018

375 - Pérolas e diamantes: Viver na era do caos

 

 

O jornalista e ensaísta italiano, naturalizado americano, Federico Rampini veio a Portugal fazer uma análise ampla das tendências políticas e económicas dos últimos 25 anos, partindo do princípio de que vivemos na era do caos, pois a globalização fez falhar muitas das promessas, aumentou as desigualdades, fazendo com que a resposta à incerteza passe pelo populismo e o nacionalismo. Mas, em certos setores, parece que o tal ambiente caótico é visto como o terreno ideal para a criatividade.

 

Foi disso que Rampini veio falar: das ameaças e das oportunidades da era do caos.

 

A nível geopolítico o caos sobrevém das guerras, das guerras civis e da emigração em massa provocada pela instabilidade daí resultante. O segundo caos é a nível económico, com o crescimento incontrolado das desigualdades, sobretudo nas gerações mais jovens. De facto, o futuro parece pouco animador, pois, muito provavelmente, os nossos filhos serão mais pobres do que nós, o que é um fenómeno novo.

 

A maioria de nós já não acredita que com a educação é possível alcançar um melhor nível de vida.

 

Existe ainda o caos ambiental e o caos tecnológico.

 

Em Silicon Valley, as pessoas acreditam que o “caos” é uma palavra maravilhosa. Os que lá vivem e trabalham acham que é fantástico viver num mundo caótico porque é aí que as oportunidades florescem.

 

O caos geopolítico está a ser criado pelo facto de o Ocidente estar a perder a hegemonia, entrando num declínio irreversível. O centro do mundo está a deslocar-se para a Ásia. Isto quer dizer que estamos a entrar num período em que temos o declínio de um império, mas ainda não temos um novo império.

 

Vivemos num mundo que é menos desigual entre nações mas que é mais desigual no seu interior.

 

As desigualdades são tanto ao nível dos rendimentos como das oportunidades. Quando se olha para o sistema educativo vê-se de que maneira a desigualdade de rendimentos, de riqueza, se traduz numa desigualdade de oportunidades.

 

E o sonho europeu também se vai desfazendo à medida que o tempo passa e os problemas não se resolvem. A larga maioria dos países europeus já deixou de acreditar na Europa porque os seus líderes impuseram as famigeradas políticas de austeridade, sobretudo pela pressão da Alemanha. Agora é a sua legitimidade que está em causa. As gerações mais jovens perderam 10 anos das suas vidas sem terem arranjado um emprego a sério.

 

Triunfou a visão mercantilista. Na perspetiva de Federico Rampini, a Alemanha construiu a sua economia de modo a garantir um excedente permanente com os outros países, pois esse país necessita que os outros sejam mais fracos e menos bem geridos, sejam menos competitivos, de modo a que ela própria os absorva. Esta, lembra Rampini, é a regra básica do funcionamento do modelo alemão. Por isso nunca se esforçaram para exercerem uma hegemonia benéfica para o resto da Europa.

 

A crise financeira desencadeou uma nova perspetiva sobre o nosso sistema económico, pois afinal ele não é só ineficiente e instável, como também é profundamente injusto.

 

Todos nós vimos os Governos socorrerem os bancos, mas serem relutantes em estender o subsídio de desemprego aos que, sem culpa nenhuma, não conseguiram arranjar emprego depois de meses e meses de procura.

 

O problema é que o sistema não funciona, pois nem os governos nem o sistema judicial consideraram culpados os promotores da desgraça. Foram os bancos que provocaram a crise e foram os banqueiros aqueles que se safaram.

 

De facto, se ninguém é responsável, se nenhum indivíduo pode ser culpado pelo que aconteceu, isso significa que o problema reside no sistema político-económico.

 

Na sua opinião os políticos traíram-nos, os banqueiros roubaram-nos e, de uma maneira geral, as elites fizeram falsas promessas que não cumpriram, sobretudo em relação à globalização.


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Domingo, 14 de Janeiro de 2018

No carnaval de Verin

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Sábado, 13 de Janeiro de 2018

Na feira do gado - Santos - Chaves

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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2018

Na Feira dos Santos

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Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2018

Poema Infinito (387): Registos

 

 

 

Começam as horas a ficar registadas no nosso sangue. Sobre o espaldar das janelas despontam as grinaldas e os apertos irreprimíveis da solidão. Na sala, a avó mistura os fios do croché sem sinais evidentes de indisciplina. O tempo estimula o sentido plano da responsabilidade. O poema organiza-se em torno de um subtil remoinho de conceitos. O canto doce perde alguma da sua importância. Por mais que queira, e eu não quero, nunca vou esquecer a aldeia, nem as batatas, as maçãs e os pêssegos com que se alimentam os porcos nem a forma fácil de empilhar maravilhas. Os homens que se cansam de subir as escadas da igreja dizem que dantes os invernos eram mais longos e mais frios, as letras dos jornais eram mais espessas, o céu mais azul e as varandas mais sombrias. Talvez no seu tempo as palavras fossem mais odiadas, mais redondas, ou então mais direitas como as espigas de trigo que cresciam por dentro de uma espécie de alegria organizada. A guerra prosperava no meio dos malmequeres, as sombras abraçavam a luz e a realidade era mais incompleta. Achavam que ler poesia era uma disfunção social. Consideravam acertada a maldição de Dante Alighieri aos que não falavam a sua própria língua. Dizem que nesses tempos Cristo passeava a sua cabeleira luminosa pelo meio da inveja dos néscios. Agora as mulheres agitam as mãos diante da luz e estremecem. Continuam, no entanto, a servir-se dos espelhos de uma forma estranha. A sua lucidez é delgada e possui a semântica da sobrevivência. Os seus olhos refletem os seus sonhos. A gente que passa na rua entende o caminho lento da solidão. Caminham como quem grita. Resta-lhes o corpo cansado. O futuro deixou de ser inevitável. Agora as palavras são mais justas, os gestos mais precisos e as circunstâncias mais equilibradas. Agora as raparigas têm nome de árvores e as árvores têm nome de raparigas e os cães têm nome de gente fidalga. O Menino Jesus parece uma menina que alimenta gatos absurdamente domésticos, que detesta os ventos da tarde e que gosta de serpentes e de labirintos feitos de vento. Agora canta-se a fruta e comem-se bolinhos estúpidos, cerejas sem caroço, ensina-se fisiologia às crianças e a afeição pelas máquinas. O amor tem o sabor do papel liso e os beijos são todos destilados. Medem-se os sentimentos com fita métrica e fazem-se intercâmbios de carícias. A natalidade é um conceito cibernético e rigorosamente controlada. As evidências são consideradas metáforas e as dúvidas uma nova forma de vergonha. Espero pela tarde no meio dos livros. Nos campos crescem as papoilas com cores lânguidas de caleidoscópio. O céu está cheio da tristeza que nós fabricamos. A noite continua propensa à nudez. Os corpos mais densos movem-se entre as árvores. Agora esconde-se o amor e os gritos que ele provoca. O incenso é um desinfetante caseiro. As mulheres mais velhas da aldeia contam histórias com os seus olhos envoltos em tristeza. Ao longe, dizem elas, veem a morte aproximar-se. Entretanto vão buscar a lenha para a fogueira. Do senhor Deus resta alguma coisa dentro da tulha grande. Dizem que a ciência do mal começou com a maçã que a Eva ofereceu ao Adão. E desse beco não conseguem sair. Os retratos dos avós ganham sempre dignidade à medida que desaparecem. Nada afeta os poetas imortais. O tédio e a tristeza centram-se no meio do peito. Os homens vivem por causa das máquinas. Agora pare-se sem dor.


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Quarta-feira, 10 de Janeiro de 2018

Louvre

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Terça-feira, 9 de Janeiro de 2018

Fotógrafos

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Segunda-feira, 8 de Janeiro de 2018

374 - Pérolas e diamantes: O incómodo e a ignorância

 

 

 

Há os que são odiados pelo que representam e também há muita gente amada pelo que faz. Juízos de valor não faço. Ensinaram-me que tudo é relativo.

 

A única obrigação que assumi perante mim próprio foi a de escrever o melhor possível. Quando tentamos satisfazer as expectativas e as exigências de outros acabamos, invariavelmente, por cair na mediocridade. Só ouvindo a nossa voz interior é que podemos produzir algo de duradouro.

 

A verdadeira cultura consiste naquilo de que nos lembramos depois de termos esquecido tudo o resto.

 

Acredito na poesia, pois não há dimensão mais espiritual do que a poesia. A poesia é a disciplina suprema.

 

A literatura deixou de ser útil. É apenas residual. Perdeu quase todo o impacto sobre a sociedade. Eu cresci na admiração pelos intelectuais. Eram os heróis do meu tempo.

 

Há por aí espalhado muito talento estéril.

 

O incómodo é permanecermos parados no meio das dúvidas, debaixo de camadas e camadas de hábitos que fazem resvalar o chão que pisamos.

 

Tal como Jonathan Franzen, necessito de ter um romance em construção porque posso frequentar todos os dias esse espaço. Dessa forma a minha vida adquire sentido.

 

Entristeço-me com a falta de cultura, sobretudo com a falta de cultura dos homens que se dedicam à política. Esses enormes burocratas do sistema partidário.

 

Parte substancial dos dirigentes políticos que todos conhecemos foi-se treinando na carreira partidária. Fora daí são como peixe em terra. Começaram desde pequeninos. E foi na prática da vida partidária que adquiriram os tiques conspirativos e manipuladores de direção e gestão.

 

Como todos sabemos, a maioria deles transporta consigo uma simpatiquíssima ignorância. Citam filósofos de trazer por casa e algumas frases e lugares comuns que respigam dos livros de autoajuda. São mestres em literatura de badana e em frases soltas. Não possuem nenhum conhecimento básico consolidado.

 

Foram eles os que nos enganaram, esses lacaios keynesianos, tão amados pelos bancos e pelos média. E também os economistas comportamentalistas que sabiam que o mercado não é influenciado por taxas de juro e flutuações do PIB, mas, sim, pela ganância, pelo medo e pela ilusão fiscal.

 

As pessoas não são pobres por terem tomado opções erradas, tomam opções erradas porque são pobres.

 

A pobreza não é um simples título de jornal. É uma realidade bem lixada.

 

Parece que uns têm de perder para outros ganharem.

 

Querem-nos fazer acreditar que há limites para aquilo que o dinheiro pode fazer acontecer. Mas, por muito que nos custe a todos, não há. O dinheiro é o hábito mais fácil de adquirir.

 

Não interessa de onde as ideias vêm, mas para onde elas vão e nos conduzem. Ninguém consegue ver a floresta estando no meio das árvores.

 

Exasperam-me aqueles políticos que se comportam como os polícias que além de nos passarem a multa ainda nos dão um sermão. Costumo dizer que ou uma coisa ou outra.

 

Depois há os irritantes que nos perguntam aquilo que estamos a ler e que nos dizem aquilo que estão a ler, o que pretendem ler, o que se arrependem de ter lido e que dizem às pessoas aquilo que leram, mas que na verdade nunca leram.

 

Já há muito tempo que me fartei de ser como o Godard, de ver o cinema através dos olhos da crítica.


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Domingo, 7 de Janeiro de 2018

Interiores

Vidago+Chaves+Barroso 183 - Cópia.jpg

 


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Sábado, 6 de Janeiro de 2018

No Barroso

São Sebastião Couto de Dornelas 2015 338 - Cópi

 


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Sexta-feira, 5 de Janeiro de 2018

São Sebastião - Couto Dornelas

São Sebastião Couto de Dornelas 2015 228 - Cópi

 


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Quinta-feira, 4 de Janeiro de 2018

Poema Infinito (386): A prudência dos anjos

 

 

O sétimo anjo apareceu do nada e derramou a sua taça de inocência sobre o rio Tâmega. Os anjos que restam parecem pessoas verdadeiras, com pensamento próprio disfarçando-se bem com o corpo dos mortais. No entanto, as suas lembranças são vazias. Vazios são também os lugares que ocupam. Navegam as ondas do mar e continuam a nascer e a rebentar como se fossem gomos de laranjeira. Nomeiam os desaparecidos e as ruas e deixam-se morrer todos os dias para ressuscitarem no dia seguinte. Procuram a dignidade, a capa dos segredos e os sonos horizontais. Trincam o pão, vestem-se com as capas da dignidade mais antiga e recebem de pé a chegada das estações. Saúdam, ao passar, os homens e o seu tempo. Olham as mulheres e os seus corpos excessivos e procuram pelas ruas ideias respeitáveis. Os seus excessos são devidamente garantidos. Dispõem os nomes de todas as coisas e dão-nos a conhecer aos humanos. Cheiram as promessas e colocam-se numa posição privilegiada. Muitos deles voltam a morrer ao ler os anúncios dos jornais. Entre eles há mesmo quem faça versos com todas as licenças essenciais. Parecem pessoas seguras de si. Nas árvores do Paraíso rebentam várias gerações espontâneas. Também lá se proferem as primeiras palavras como se fossem as últimas. Ouvem-se as primeiras sinfonias. Várias mulheres procuram o sexo dos homens. E vice-versa. Os poetas obrigam o estio a ser-lhes fiel. Querem escrever poemas de natal, para se aliviarem. Os anjos imolam imagens, derramam o seu sangue pela terra, procuram Abel e depois Zacarias e o seu filho que foi liquidado entre a igreja e a ara. Louvam a dignidade dos velhos, as horas da partida, os gestos simples das crianças, os corpos lascivos, os olhares repletos de surpresas. Saúdam a chuva que cai, as palavras que adivinham, a orientação peculiar dos sexos em momento de procriação. Depois ficam tensos como arcos. A sua forma aparentemente leve solicita-lhes um sorriso de disfarce. São como recém-nascidos. Os seus braços ficam vagarosos, enquanto a tarde desce sobre a configuração das mãos dos homens e das mulheres que rezam. As mulheres e os homens não dizem poemas. Rezam para morrer tranquilos, por isso desejam ideias regulares e horas certas de trabalho. As palavras sagradas continuam anónimas. Deus esconde-as dentro da boca, onde guarda a emoção e a imortalidade. Os anjos parecem gatos atravessando o dia, vestidos de prudência, colecionando impulsos de amor e desejo. O silêncio une-os. Todos sonhamos com manhãs imensas, com Jerusalém, com um deus de face persistente, com rios que banham os templos como se fossem verídicos. Também as mulheres mais novas vêm dos velhos dias, ajoelham-se nas nuvens e erguem-se à altura dos filhos. Estendem os braços tentando guardar os seus templos domésticos. Muitas procuram os filhos nos túneis do tempo, escondem as faces, perdem-se no meio da multidão. Lá estão os mesmos olhos, as mesmas necessidades, os planetas sem luz, os cânticos harmónicos dos galos, os lençóis que envolvem a aurora, os arroios, os pássaros longínquos, a lenta impressão das neblinas, os meninos que vão para a escola, os homens e as mulheres sujeitas ao mesmo tempo, os lindos corpos dos amantes, a verdade atraente das sombras, a virtude das memórias. Os choupos estão mais velhos e as esquinas mais agudas. Os anjos têm agora os mesmos desejos dos pecadores. Uma aragem fria vem alterar a sensibilidade do tempo. Na longa avenida, a procissão segue o mesmo paradoxo de há cem séculos. Nos telhados, os anjos mudam de beiral.


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Quarta-feira, 3 de Janeiro de 2018

No Barroso

São Sebastião Couto de Dornelas 2015 135 - Cópi

 


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Terça-feira, 2 de Janeiro de 2018

No passeio

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Segunda-feira, 1 de Janeiro de 2018

373 - Pérolas e diamantes: Salomão e Saramago

 

“Sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam”, reza n’ O Livro dos Itinerários, de José Saramago, citado pelo autor d’ A Viagem do Elefante, José Saramago. Todo o livro é muito interessante. Cheio de bons conselhos. E de outros tantos recados.

 

De facto, uma adulação repetida acaba sempre por tornar-se insatisfatória.

 

No livro, o rei D. João III, estando ainda a cogitar na forma de oferecer ao seu primo, o arquiduque Maximiliano da Áustria, um elefante indiano que se encontrava em Belém há cerca de dois anos, questiona-se sobre o que é um ato poético, para ver se o seu gesto caberia em tal definição. Alguém lhe respondeu que não se sabe, que só damos por ele quando aconteceu.

 

Para ir ver o Salomão, pois desta forma honrosa era o paquiderme nomeado, o rei recomendou que quatro cavalos estivessem à porta do palácio prontos para rumarem até ao cercado onde se exibia o elefante às espantadas gentes de Lisboa. Ele montaria uma cavalgadura gorda e mansa, pois nunca foi homem de cavalgas, muito menos nessa altura, por causa da idade e dos achaques. Recomendou ainda que os pajens escolhidos não fossem daqueles que se riem por tudo e por nada, pois dava-lhe vontade de lhes torcer o pescoço.

 

Esta seria mais “uma das milenárias experiências dos povos, que, apesar das deceções, frustrações e desenganos, que são o pão nosso de cada dia dos homens e dos elefantes”, não impedem a vida de continuar.

 

Seria o animal bonito ou feio? O secretário inquirido respondeu com toda a sapiência do mundo que isso não passa de “meras expressões relativas”, pois, “para a coruja até os seus corujinhos são bonitos”.

 

Na realidade, Saramago é um bom mestre. É o que me agrada nele, pois não necessita de dizer as palavras todas para percebermos do que está a falar e o que quer dizer.

 

O mal, seja em que tempo for, é estarmos entalados entre “o hoje e o futuro, sem esperança em nenhum dos dois”.

 

Saramago escreveu que “o passado é um imenso pedregal que muitos gostariam de percorrer como se de uma autoestrada se tratasse, enquanto outros, pacientemente, vão de pedra em pedra, e as levantam, porque precisam de saber o que há por baixo delas”.

 

E avisa-nos que a inóspita dureza da vida não se cansa de nos mostrar que não é aconselhável confiar demasiado na natureza humana.

 

Claro que até nas orações o escritor atenta. Nada lhe passa em branco. Os mais espertos, aqueles que gostam de ficar com o melhor dos dois mundos, rezam um interminável padre-nosso, “oração da sua especial estima por aquilo que nela se diz de perdoar as nossas dívidas”, e de pedirem que até eles venha o reino de Deus que habita lá nos céus.

 

Quando alguém se recusa a cumprir o seu dever com a pátria, ajudando na alimentação do paquiderme e das tropas que o guardam e encaminham até terras de Espanha, onde o arquiduque o espera, o comandante não lhe nega a sábia definição que acaba por convencer os ignaros camponeses lusos.

 

Quando alguém de entre eles tem a humildade de afirmar que nunca viu a pátria, o comandante lança-se num repto lírico: “Vês aquelas nuvens que não sabem aonde vão, elas são a pátria, vês o sol que umas vezes está, outras não, ele é a pátria, vês aquele renque de árvores donde, com as calças na mão, avistei a aldeia nesta madrugada, elas são a pátria, portanto não podes negar-te nem opor dificuldades à minha missão.”

 

O feitor, posto perante definição tão eloquente, declara: “Se vossa senhoria o diz…”

 

Facto é que quando homens e cavalos desembarcam na terra onde os aguardam, o seu aspeto é de “animais em segunda mão”.

 

Saramago sabe de que é feita a escrita, de chamar os bois pelos nomes e dar a cara. “Nestas coisas da escrita, não é raro que uma palavra puxe por outra só pelo bem que soam juntas, assim muitas vezes se sacrificando o respeito à leviandade, a ética à estética.” É por causa disso que, muitas vezes sem nos apercebermos, vamos arranjando tantos inimigos na vida.

 

Ele sempre soube que “pagar pelos próprios sonhos deve ser o pior dos desesperos”.  

 

Mais uma vez me deliciei com o seu olhar irónico e sarcástico, com as suas marcas de lucidez indomável, com a sua compaixão solidária por todos os seres humanos humilhados e ofendidos. 

 

Apesar da cobardia de alguns e da maledicência dos que os acompanham, continuo a acreditar que “sempre chegamos ao sítio aonde nos esperam”.


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Domingo, 31 de Dezembro de 2017

No Porto

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Sábado, 30 de Dezembro de 2017

No Porto

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Sexta-feira, 29 de Dezembro de 2017

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Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2017

Estás profundamente íntima...

 

Estás profundamente íntima como um fruto ao sol. Dá-me a mão porque quero sentir a tua memória silenciosa. Apago lágrimas rápidas num sorriso que te é dirigido. Os teus olhos são faúlhas feridas pela ondulação do mundo. A tua cara luminosa ama a luz e as palavras que nos nascem na boca. Há inúmeros lugares no teu corpo que inventam espaços. Consumo devagar o meu tempo acelerado. É Primavera no canto dos pássaros e no meu corpo já é Outono. A melancolia procura devagar aquilo que vai destruir. Pões-me palavras pesadas nas mãos e eu desfaleço. Vêm paisagens de longe sentar-se ao meu colo batidas pelo vento. Começa um novo tempo insuportável. O tempo da ternura e do silêncio escuta o nascer dos bichos. Explicas-me a morte e a alegria com palavras veladas pela curva fechada dos sentidos. O teu tempo de mulher refaz-se. As coisas nascem de ti, da tua boca de água. Alguém arranca a floração das imagens. Tremem-me os dedos nos objectos que toco. Tu és um objecto que brilha. A leveza da minha mão desequilibra o teu regresso. As tuas mãos velozes levantam a flor que cortaste pela manhã. Também eu amei lentamente o segredo das coisas mínimas. A juventude vingativa. A ardente confusão de ser adulto. A loucura dos indivíduos que dormem acordados. O silêncio completo dos dias apagados. Dizes: qualquer paixão crepita no escuro. Os corpos incendeiam-se dentro das casas. Os lençóis brilham como se fossemos diamantes de desejo. Nervo a nervo, a doçura salta entre a boca e o sexo. Atrais deus ao pecado. O teu sexo é oxigénio puro. O amor queima como chumbo fundido. O teu corpo queima como uma caixa de vidro ao sol. Os nossos sexos são agora espelhos torrenciais de luz. No final os púbis brilham. O prazer escoa-se sibilante nos nossos corpos ardidos de cansaço. Há uma cratera límpida no nosso desejo. Adormeço junto ao brilho do teu rosto em descanso.


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Quarta-feira, 27 de Dezembro de 2017

No Porto

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Terça-feira, 26 de Dezembro de 2017

No Porto

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Segunda-feira, 25 de Dezembro de 2017

O brincalhão

 

 

Quem tem amigos não morre na cadeia. Dito de outra forma, os meus amigos são aquilo que eu sou. Eu tenho amigos de todos os gostos e feitios. E gosto de todos eles. De todos sem exceção. Eles são tão diferentes uns dos outros que muitas vezes me pergunto como é que eu posso ser amigo de todos, ou todos podem ser meus amigos, sem nos questionarmos sobre o motivo das nossas diferenças, ou indiferenças. Todos diferentes todos iguais, lá diz, com toda a sapiência, a nossa escola democrática e inclusiva. E, contrariando o José Régio, e apesar de tudo, e apesar do Dantas, do Pim, do Almada Negreiros e do Paulo Portas, eu sei que vou por aí.

 

R. é o meu amigo mais brincalhão. É um patusco. Um homem capaz de pôr uma pedra a rir, ou, o que é ainda mais difícil, pôr a Manuela Ferreira Leite às gargalhadas. Tudo o que ele diz tem o condão de provocar uma risada imediata. Até se ri de si próprio com muita galhardia e independência. Qualquer frase articulada pelo R. tem graça, mesmo quando não tem graça nenhuma. E é isso que ele gere com abundante mestria: a capacidade de, do nada, conseguir estimular um sorriso em toda a gente, quer seja amiga ou inimiga, de esquerda ou de direita, católica ou não católica, homem ou mulher, gay ou lésbica, ecologista ou inimigo da natureza, branco, mulato ou preto, rico ou pobre, transmontano, não trasmontano ou indistinto, etc.

 

A última vez que o encontrei, disse-me, sem se rir, circunstância que provocou de imediato o meu sorriso, que leu numa revista uma reportagem dando conta que a pobreza começa a ser visível em muitos sectores da nossa população. Mas que fome sempre existiu. E que ele foi uma vítima dessa senhora vestida de preto.

 

Por mor das coisas, e do estilo, aqui vos deixo a sua prosa oral em registo direto e ao vivo.

 

«A fome, no meu tempo, provocava o riso, pois os pobres até se riam com ela. E quanto mais fome mais riso. Hoje as crianças pobres queixam-se que as suas mães às vezes só lhes dão meio copo de leite. Antes meio copo do que nenhum. No meu tempo, eu, que até nem era considerado pobre, ao pequeno-almoço, em minha casa classificado como mata-bicho, comia um caldo de unto acompanhado com um naco de pão centeio mais duro do que a própria fome. E ria-me muito quando o meu pai dava um peido e dizia “com a devida licença de vossemecês”. E a fome, desde que não seja permanente, pode ser fonte de saúde. E libertar os gazes do intestino também. Pelo menos é isso o que dizem alguns cientistas. E os médicos informam que devemos comer pouco: pouco peixe, pouquíssima carne, especialmente de vaca, que é a mais cara, e dizem que a abusar nas proteínas abusemos do atum e das sardinhas em lata, que são dos alimentos mais baratos que podemos encontrar em qualquer supermercado. Hoje morre-se muito mais de fartura do que de fome. A maioria das crianças é obesa. E a maioria dos adultos também. E sofrem do colesterol, da diabetes, da hipertensão, tudo doenças provocadas pelo excesso de gordura, sal e açúcares. A pobreza pode ser uma forma de combater esses flagelos. As crianças comem menos, bebem menos, crescem menos, engordam menos, brincam menos, estudam menos e todos sabemos que crianças que estudam menos são muito mais fáceis de aturar, não têm tendência a desenvolver aquele vício irritante de estarem sempre a questionar o porquê das coisas. E os pais podem poupar porque compram menos comida, menos roupa, menos brinquedos e menos livros e cadernos e esferográficas. E os livros são um verdadeiro luxo e custam tanto dinheiro que, a existir poupança na sua aquisição, pode ser encaminhado para uma conta poupança reforma que, a ser iniciada na infância, pode vir a representar a principal fonte de sustento na velhice, pois a segurança social qualquer dia dá o berro.

 

Escrevem por aí os jornalistas que muitas crianças relatam que às vezes querem leite, mas sabem que as mães vão logo dizer não, pois sabem que elas não podem. Se as mães não podem, que peçam aos pais. Pois eles devem servir para alguma coisa. Eu quando era pequeno utilizava muito essa táctica. Quando pedia algo à minha mãe e ela não mo dava, logo de seguida ia ter com o meu pai para ver se conseguia dali alguma coisa. Ele por vezes dava-me o que lhe pedia. Outras vezes não. No entanto nunca perdia a graça e dava sempre um peido repetindo “com a licença de vossemecês”. Era conforme o bom humor e a disponibilidade. Lembro-me que leite não pedia, nem ao meu pai nem à minha mãe, pois sabia que leite era coisa que lá em casa não se consumia. Também dizem que muitas crianças referem que vão a casa da madrinha para tomarem banho. Tomar banho na minha infância era luxo semanal, quando era. Pois no Inverno não havia banho para ninguém. E as casas eram tão frias e acanhadas que só em pensar uma pessoa em despir-se, fosse para o que fosse, podia estimular uma forte constipação ou uma pneumonia. E não havia antibióticos para tomarmos. As doenças eram curadas com o tempo e com a sorte de cada um. E muitos de nós tinham mesmo azar e batiam a bota. Algumas famílias relataram às televisões que jantam muitas vezes arroz com molho. Agora são os pobres aqueles que têm acesso direto aos meios de comunicação social. Raramente lá vemos um rico. Um pobre passa fome, lá vai a televisão a correr bater à porta do casebre para dar voz à pobreza. Ora essas reportagens apenas servem para deprimir ainda mais o país, dando uma má imagem de Portugal, das nossas instituições democráticas, do nosso Governo e, sobretudo, do Estado Social. Muitas vezes comi as batatas cozidas secas acompanhadas com azeite rançoso ou com banha de porco ou os chícharros misturados com couves cortadas sem pinga de gordura, quer fosse vegetal ou animal. E não morri. Nem ninguém foi lá a casa perguntar se tinha fome, se dava banho ou se apenas bebia meio copo de leite ao pequeno-almoço. Antigamente passávamos fome e ninguém se metia connosco, nem ninguém tinha prazer em noticiar a pobreza alheia. Quando andava na tropa e vinha de viagem até cá cima para visitar a família, muitas vezes comi uma sandes de molho de vitela. E ainda cá estou. E também ninguém me entrevistou para o jornal. Cada um vivia como podia sem disso fazer alarde. A pobreza era vivida com vergonha e todos queríamos sair dela. Hoje todos querem ser pobres para aparecerem na televisão ou nos jornais, para serem citados pelos políticos, para serem beijados, abraçados e elogiados pelo presidente da República, para fazerem parte das estatísticas, para lhes darem roupa, comida, carinho, educação e protagonismo. Ser pobre hoje é quase um estatuto. A não se ser rico, o melhor é ser-se pobre. Pois os remediados são tão pobres como os pobres mas não são tão ajudados, nem aparecem tanto na televisão, nem nos programas de apoio ao que quer que seja. Está provado que o cidadão português necessita de ser apoiado em tudo. Um pobre chegou ao pé de um ministro e pediu-lhe uns óculos porque via mal ao longe. Que teve uns mas partiu-os. Outro lamentou-se que os pais dormem nuns cobertores no chão. Uma criança pobre confessou que gostava de fazer uma colecção do Mundial mas o pai não o deixou gastar dinheiro com cromos. À primeira vista todos estes depoimentos são enternecedores. Mas se o senhor ministro desse uns óculos a todos aqueles que os partem até eu partia os meus que já estão gastos, velhos e cansados como o dono. Eu cheguei a dormir num enxergão de palha coberto por um liteiro escutando o gracioso retinir dos guizos das vacas dos meus avós. E que encanto tinha aquele tlintlintlintlim.»

 

Depois de ouvir o meu amigo atentamente, e sempre com um sorriso nos lábios, disse-lhe em jeito de remate, pois tinha de ir passear o cão: «Catarina Portas tornou a falar aos jornais do seu sucesso empresarial e disse textualmente que “o nosso atraso pode ser o nosso avanço”. Com tanto e tão bom atraso é bem possível que esteja carregada de razão. Nós só lá vamos se potencializarmos aquilo no que somos bons: pobreza, lamechice e atraso. Então avante camarada avante…», levantei-me e fui-me embora. Ele, com um sorriso maroto nos lábios, atirou-me: presunção e água benta, cada um toma a que quer…

 

 

PS – Por falarmos em apostar no nosso atraso para conseguir o progresso, aqui fica uma proposta arrojada. Neste Inverno invente e misture peças clássicas gastas, com peças novas dos saldos, dado que agora ninguém se atreve a criticar seja quem for por andar com as calças rotas, os casacos coçados e as sapatilhas sujas, pois isso é tão essencial como usar marcas de criadores nacionais. E sempre fica mais barato. As peças com influências dos anos 50 e 70 invadem as passerelles e representam uma moda orgulhosamente nacional. Por isso tente, pois é no tentar, dizem os mais criativos e empreendedores, que está o ganho.


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