Domingo, 10 de Dezembro de 2017

Na cozinha

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Sábado, 9 de Dezembro de 2017

Na cozinha

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Sexta-feira, 8 de Dezembro de 2017

Na cozinha

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Quinta-feira, 7 de Dezembro de 2017

Poema Infinito (383): Paris-Texas

 

 

Agradeço-te as confissões moderadas, compreendo a precaução e lembro alguns dos conselhos recebidos na infância. Atravesso a rua como se atravessasse a cidade. E atravesso a cidade como se atravessasse o mar. Olho para os dois lados de uma pessoa por precaução indispensável. Os homens têm sempre, pelo menos, dois lados. São como cubos de face dupla. Algumas pessoas partem antes de chegar a chuva. São como duas metades desencontradas. Procuram a amizade homogénea. Anotam, apontam e admiram-se. Cruzam amigavelmente a sua parecença. O egoísmo é a sua unidade. Certos festejos são assuntos tácteis, não evidenciam alegria, nem felicidade, apenas um ligeiro júbilo anexo ao corpo. Sentir os sons torna-se uma evidência. Os homens falam depressa mas não conseguem articular as frases até ao fim. Pensam que Paris é um ponto final, que a noite é redonda, que as árvores são possuídas por uma espécie de invisibilidade divina. A noite parece inteira mas está cheia de buracos. Os homens mastigam uma inimizade que muito em breve será evidente. É clara no horizonte a luz do rio, a velocidade da água, a rapidez da chuva. As crianças mais longínquas parecem distraídas mas observam a pressa da luz do sol. As catedrais exibem o seu espanto manso, a sua arquitetura religiosa e escondem a violência sepultada, envolta em mantos de desespero. Os animais mais rápidos ganham impulso e avançam. O seu olhar continua firme e torna-se ainda mais ágil. Deus passeia a sua exatidão, distribuindo o desespero pelos pontos cardeais. A acrobacia dos homens torna-se perigosa. Estão eufóricos. A vaidade é o seu júbilo. As cores dão um novo significado à beleza. Afinal de contas, estamos em Paris. As portas são mais atraentes, a necessidade é mais sedutora, o espanto mais admirável. A vaidade e o egoísmo adquirem novo significado. A perseverança dos edifícios convida a entrar. As cores sentem-se observadas e as torres mais altas salientam a irrelevância das mais baixas. Os espaços incham. Os gestos simpatizam com a síntese dos corpos. As mulheres vestem o seu estilo literário e ganham volume pessoal. Os contornos dos seus corpos iluminam os caminhos. No entanto, o dia fica mais público, mais anónimo, mais impúdico. Na natureza humana tudo tem um preço. As crianças ficam mais fragmentadas, praticam os seus exercícios ingénuos e iludem as paisagens. Virá o tempo em que os acontecimentos ficarão mais coerentes e ganharão novo sentido e outra lógica. A luz ficará mais homogénea e equilibrará os corpos e os seus atos. O tédio é propriedade universal. Nos campos crescem as ervas e as brincadeiras. A memória da infância aquece-se ao sol. A fé estende-se em cima de mapas lunares. Contas-me nova história e insistes em Paris. A personagem principal é uma pessoa forte que comenta a vida a uma pessoa fraca. A pessoa fraca concentra-se nos pormenores e adormece. Os sítios são lentos, o futuro insignificante e a natureza pacata. Os homens tentam caçar os acontecimentos como se eles fossem borboletas excitadas pelo sol e pelo voo. As paixões são enormes e os factos sentidos e desordenados. Todo o descanso é volátil. Os acenos são breves. Alguém diz que os homens se conhecem por aquilo que leem. As paixões também podem matar. E os pormenores. E o medo. E as certezas. Os homens crescem no meio de caraterísticas opostas, revelando desconforto e um novo género de inteligência inútil. Uma espécie de léxico mudo ameaça a eternidade. A imaginação encontra a sua forma fisionómica. O desejo do corpo não tem mais espaço para cálculos mentais.


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Quarta-feira, 6 de Dezembro de 2017

Na cozinha

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Terça-feira, 5 de Dezembro de 2017

Na cozinha

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Segunda-feira, 4 de Dezembro de 2017

370 - Pérolas e diamantes: Manias

 

 

O inverosímil António Lobo Antunes, disse numa entrevista recente que, na escrita do último romance Até Que as Pedras Se Tornem mais Leves Que a Água, sentiu “a mão muito feliz”, a tal mão conduzida por Deus que faz com que escreva apenas obras-primas, para gáudio dos nossos críticos literários e outros bajuladores. Pegando nas palavras da sua entrevista ao DN: “Estou-me cagando para a crítica, agora só me dão cinco estrelas por todo o lado.”

 

Desta vez, como em todas as outras vezes, o António mergulhou profundamente nas suas memórias para indagar sobre o amor, a morte e a vida. Dizem que o romance é sobre a relação entre um pai e um filho, com a guerra de África em fundo. Dizem que, e provavelmente vai ser complicado de identificar, o autor pretende olhar para um momento da nossa História, onde a dor, o preconceito e a impossibilidade de comunicar são os temas em análise.

 

Convenhamos que sobre a impossibilidade de comunicar, o António Lobo Antunes é memorável.

 

Desta vez li duas entrevistas suas e fiquei com um amargo de boca que já vem de longe. António Lobo Antunes fala sempre dos mesmos temas e das mesmas obsessões. Fala repetidamente da sua precocidade relativamente às letras e à forma de as alinhar de forma exemplar.

 

Pergunta: “Em Angola tentou arduamente fazer-se escritor?” Resposta: “Não. A minha mãe ensinou-me a ler com quatro anos, e eu comecei logo a escrever.” Bonito. A humildade já lhe vem de longe.

 

Sobre a guerra diz que ela dói muito. Pudera. Depois lançou esta frase: “Ninguém desce vivo de uma cruz, não é?” Se calhar não. Temos de lhe agradecer por nos tirar desta forma todas as nossas dúvidas existenciais.

 

Confesso que fui um leitor cortês das entrevistas do romancista. Mas agora já não. São sempre iguais. Redondas e só focadas em si. São redondas, repito, e beatíficas. E a sua prosa, que me perdoem os incautos, é uma pescada de rabo na boca.

 

Para Lobo Antunes não existem bons escritores contemporâneos e é preciso recuar alguns séculos para apontar cinco. 

 

Os escritores portugueses atuais não valem um tostão furado. Salvo ele, claro está. E ele, para a salvação de nós pecadores, lê quase sempre os mesmos, os que, na sua douta opinião, escrevem bem: Fernão Lopes, Francisco Manuel de Melo, D. Duarte, Herculano e Garrett.

 

E Camilo? O romancista diz que não é seu admirador. Não gosta “daquela pieguice toda, mas gosta da dedicatória do Eusébio Macário.” Sim, leram bem, ele apenas gosta da dedicatória. Apenas da dedicatória. Tudo o resto é pieguice.

 

A determinado momento da entrevista, fica tão sensibilizado com a língua em que escreve e fala que afirma gostar muito de ser português. A seguir explica porquê. Ou melhor, elucida o que é ser português. Transcrevo, para memória futura, porque o que lá vai lá vai: “É sermos pequenos, feios, malcheirosos, com mau gosto, e quando estamos no estrangeiro e apanhamos um avião para Portugal… a gente conhece logo as pessoas, é tão bom! E temos esta língua que é maravilhosa.”

 

Sobre o seu romance afirma: “Claro que é um grande romance, fui eu que o escrevi.” E sobre a sua escrita conclui: “Há uma coisa que me alegra, ninguém escreve assim, mas não estou certo de ser eu que o faço…”

 

Lá pelo meio da entrevista, recorda Agustina Bessa Luís para cravar uma ferroada no seu arqui-inimigo de sempre e para sempre: «“Ó Saramago, você devia fumar”, “Porquê, Agustina? Fumar faz mal” perguntava-lhe ele. “Escrevia menos!” Tenho cartas dela tão giras! Um charme e um sentido de humor!»

 

Sobre a eterna possibilidade de ganhar o Nobel, Lobo Antunes faz de raposa em relação às uvas: “Nem penso nisso.” Declarou que este ano lhe ligaram da agência em Barcelona a dizer que receberam um telefonema, “que eu ia ganhar”. Só que uma hora depois voltaram a ligar-lhe a “dizer que tinha havido uma reviravolta.” Ele não pensava naquilo. Afinal já ganhou “tudo quanto havia”. Menos o Nobel. E elucida: “Ahhh, depois vieram cartas, três da Alemanha e de pessoas que eu não conhecia, com artigos que já estavam prontos para sair em jornais alemães. Isto é tudo idiota, não é? Depois ganhou aquela merda! [Kazuo Ishiguro]”

 

Sobre as críticas não liga. Diz que não liga. Se o Zé [Cardoso Pires] lhe tivesse dito “este livro não presta”, aí ele ficava à rasca.

 

Pergunta da jornalista (Isabel Lucas – ípsilon ): “Alguma vez lhe disse isso?” Resposta: “Não. O Zé estava convencido de que eu era um génio.”

 

Na minha modesta opinião, acho que não só o Zé. Espelho meu, espelho meu, há no mundo escritor mais genial do que eu?

 

Segundo João Céu e Silva, o modesto Lobo Antunes acumula livros de vários autores por toda a casa, mas no seu escritório só os seus entram. Centenas de volumes de sucessivas edições e traduções vindas de quase todo o planeta.

 

Desta vez até condescendeu em falar de futebol e do clube do seu coração. É com três isqueiros do Benfica, oferecidos por um amigo, que A.L. A. acende os muitos cigarros que fuma. Atualmente surpreende-o “esta sujeira de empresários, isto e aquilo e do dinheiro que deixou de ter valor. O Benfica nasce de uma vontade do povo”. Antigamente “havia um amor ao clube. Agora não, com estes presidentes, mediocridade e coisas que não me parecem sérias. Não sei se são ou não, mas não me parecem. Quero lá saber desses mercenários de merda”.  E de uma penada matou a águia, ou o que ainda sobra dela.

 

Não posso finalizar sem partilhar convosco um episódio da luta antifascista relatado pelo próprio: «“Fui o único que torturou um pide, feriu-se e cozi-o sem anestesia. O gajo gritava como um danado com a água destilada, que dói para burro, e dizia-lhe: “Está para aí a chorar e eu a dar-lhe anestesia.” Deu-me prazer porque estava zangado.»


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Domingo, 3 de Dezembro de 2017

No Louvre

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Sábado, 2 de Dezembro de 2017

No Louvre

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Sexta-feira, 1 de Dezembro de 2017

No Louvre

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Quinta-feira, 30 de Novembro de 2017

Poema Infinito (382): Revelações solares

 

 

Arde a tarde dentro da nossa alegria. O sol revela a angústia do meio-dia. A fogueira arderá dentro da noite. As pombas ainda parecem felizes entretendo-se a catar os piolhos da eternidade. A verdade morre dentro de Deus. A ilha está repleta de sombra. A luz do mar evidencia ainda mais o vazio. As horas parecem agónicas. Colho as flores que restam do teu sorriso maravilhado. As suas pétalas aquecem-me as mãos. Navegam as aves no céu azul entre as montanhas e as ondulações mais suaves. Confundo as sensações mais perturbadoras. Os poetas são imoderados. Acreditam que a loucura é o dom eterno de cada criatura. Por isso se comovem sem motivo aparente, por isso erguem templos de luz inconformada, por isso acreditam na inocência das rosas e jogam contra o destino, misturam as horas, arriscam a consciência em atos de sorte, triunfam nas derrotas, conseguem mesmo aprender o tamanho das divindades, os rituais da noite, os sinais que originam os ventos, os lugares do sol no firmamento, as raízes profanas da humanidade, as certezas que merecem ser esquecidas e aquelas que devem ser lembradas. Todo o tipo de pureza justifica o voo dos colibris, a ascensão dos nenúfares, o milagre das mãos aladas, a contrição com que os pais explicam os filhos, as sementes que crescem junto da terra dos sonhos, os sinais que descobrem os caminhos, os reis magos que adivinham a luz das estrelas madrugadoras, os presépios nus, o deserto em que se transformou Belém. As imagens de Deus são como clarões carregados de negrura, onde os raios que iluminam a vida se estendem passivamente sobre o presente. O futuro vem carregado de um frio prematuro, anunciado pelas paisagens íntimas, guiado pelo fio fino dos versos, impregnado de labirintos, sedento de aventuras e sentimentos inquietos. A mulher é o centro do infinito. São os minotauros quem continua a devorar as horas, a tornar secretos os destinos, a anunciar os nascimentos, a batizar os padrinhos, a espalhar o sofrimento pelos caminhos. Os poetas perdem agora os apelidos, escrevem os seus nomes temerários com versos esdrúxulos, estranham os ermos onde foram criados, misturam o amor com circunstância e depois sentem vibrar dentro de si a solidão. Gemem através de palavras velhas e sagradas, pousam o destino nas mãos da piedade, inventam a sua própria carne tatuada. Abrem então as mãos e semeiam ilusões, podam versos bravios. Todos os milagres são amargos. Alimentam-se através das raízes que se multiplicam nos pomares, nos hortos e nos jardins.  Lembro-me do colo divino da minha mãe, do seu sentido calmo e figurado. Este tipo de presente é árido. Deusas desinspiradas tentam em vão purificar a vida. Os poetas talvez consigam cobrir os seus versos de renovo, distinguir as seivas, definir as rugas, agasalhar o pânico, vestir de vez a nudez inconformada. As asas dos anjos latejam de cansadas. O seu génio continua amaldiçoado. Nem toda a felicidade é repousante. A poesia continua. O desespero também. O silêncio do tempo abre os caminhos que não vão dar a lado nenhum. Os dedos da avó continuam a bordar a inquietação mais pura. As chagas dos montes estão cada vez mais fundas. As planícies refletem a solidão. Sentimo-nos levitar até ao céu mais alto. Depois triunfam as leis da gravidade. A loucura e a inspiração voam com as aves. Hesitamos na direção a tomar. Afinal quem é que nunca se enganou na estrada verdadeira?


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Quarta-feira, 29 de Novembro de 2017

No Louvre

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Terça-feira, 28 de Novembro de 2017

Em Paris

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Segunda-feira, 27 de Novembro de 2017

369 - Pérolas e diamantes: A impunidade do tempo

 

 

José Gil considera que a tragédia dos incêndios é em parte o nosso espelho. De facto, os nossos governantes, todos eles sem exceção, como muito bem diz o filósofo, habituaram-se “a pensar, a pensar e a gostar de pensar, e a julgar até que basta pensar para que tudo se resolva. Mas não chega pensar. É preciso agir.”

 

Pensar o Estado dos afetos, referindo-se a Marcelo Rebelo de Sousa, segundo ele, não é ridículo. Aí discordamos. Os afetos do senhor Presidente da República já começam a causar embaraço e algum mau estar, de tão excessivos e corriqueiros. Estou em crer que o mais alto representante do estado português não deve ser uma espécie de Madre Teresa de Calcutá vestida de fato e gravata que beija tudo e todos e que apenas distribui sorrisos e abraços. É que o ridículo também mata.

 

Na entrevista que deu ao jornal Negócios, o filósofo português considera que já faz parte da nossa tradição e da nossa maneira de ser não ligarmos ao nosso passado, nem ao nosso presente. Daí Portugal necessitar de uma revolução de mentalidades, na forma de uma mutação radical, mas não necessariamente através da revolta política. A revolução deve ser realizada na sua dimensão social e espiritual.

 

Pensa que esta fobia momentânea de acorrer aos danos, após o fogo posto, pode não passar de fogo-fátuo, receando que o desleixo continue, bem assim como “o esquecimento e a desvalorização a que está sujeita uma parte importantíssima da nossa sociedade, da nossa comunidade nacional”.

 

De facto, as pessoas do interior são esquecidas “e a nossa política esquece-as por não inscrição”, pois “elas não têm importância e, portanto, faz-se uma política de combate aos fogos que fica no papel e despois esquece-se, esquece-se alegremente”.

 

E porquê? Pois porque aquilo que consideramos que tem importância passa-se nas cidades. Tudo aquilo que está relacionado com a cultura, com as novas tecnologias, com o “show” citadino que isso envolve, encontra-se nas cidades, nas grandes cidades. As pessoas de um “outro passado e de uma outra geração” são desvalorizadas. E o mais trágico é que “elas sabem que não existem e que não contam para o Estado”.  

 

O projeto político de combate aos fogos tem de valorizar a nossa cultura ancestral, a nossa cultura rural, o passado. Esse passado, que está a desaparecer, ainda permanece vivo nessas pessoas. E tudo isso é nosso, “é o nosso presente que também é feito do nosso passado. E nós agimos como se esse passado não existisse mais, como se não contasse”.

 

Integrar o povo e a cultura na política deve significar que os projetos têm de ter em conta as pessoas. Mas o que parece interessar, e, convenhamos, com a prestimosa cooperação do nosso Presidente de República, é a mediatização do sofrimento.

 

Os urbanos vivem numa espécie de indulgência irrefletida, esquecendo-se que o território existe. E existe porque essa gente esquecida e abandonada continua a viver no meio rural, a mantê-lo, sem os meios necessários, sem a respetiva valorização, sem o reconhecimento de que elas pertencem a Portugal.

 

Como José Gil recorda, “não interessa unicamente lembrar, é preciso que a lembrança se interiorize e se integre em nós, é preciso que essa lembrança nos leve, também, à ação”.

 

Passada a fase do espanto e do horror, aquilo que é notório é que o discurso dos partidos voltou ao simplismo de sempre, ao plano habitual. A clivagem ancestral entre campo e cidade continua inalterada e inalterável. É uma clivagem política mas também cultural. Os nossos intelectuais também se estão a borrifar para isso. O que interessa é o Eça, o Saramago e o Lobo Antunes, a denominada alta cultura.

 

O tecido rural já está a dissolver-se, a desaparecer e com ele é toda uma cultura que vai acabar. Mas ainda não acabou, ainda existe, e resiste, um pouco em cada um de nós.

 

Há por aí uma visão que pensamos moderna, mas que é já muito antiga. Os marxistas continuam a pensar que o que interessa é a estrutura, pois o homem pode ir-se embora, mas a estrutura continua. Sociologicamente tal ideia está ultrapassadíssima. O que faz arder o país é, sobretudo, a politiquice.


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Domingo, 26 de Novembro de 2017

Na aldeia

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Sábado, 25 de Novembro de 2017

Na Abobeleira

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Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017

Amizade e sorrisos

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Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017

Poema Infinito (381): Cruzamento de fogo

 

 

Tento adormecer lavrado pela poesia. As aparições continuam. E os casulos de seda. E o inventário do sono. E a noite que tudo estrangula. Os objetos estão ligados à corrente sanguínea. Os idiomas bárbaros correm perigo de morte. Os seus vocábulos perdem todos os dias mais um pouco de substância. As estrelas continuam a abastecer-se de poesia. Por isso correm o risco de fundirem. O jardim enche-se de luzes magníficas, as imagens faíscam, as nuvens acordam dentro dos nossos abraços. O sabor das mães por vezes é amargo. O umbigo é uma outra forma da placenta. O seu canto doma os animais. O seu amor é canibal. O batismo acontece de forma atónita. As palavras ficam surpreendidas. A sua razão é leve. Com elas foi construído o paraíso. Os sítios nunca param, são como objetos astrais. A intensidade da água banha o dulcíssimo sono da aurora. Abrem-se os espelhos e por eles passam raios de palavras. Cantam os corpos e as suas ramagens. As máscaras moldam os rostos. Amo-te porque te consigo entoar de forma primitiva. As árvores vergastam os espaços. Os frutos mais pequenos entontecem as mãos. Murmuramos palavras obscenas quando nos tocamos. A escrita fica rodeada de vozes e de minúsculos abalos. Tentamos ouvir o escuro, perceber a desarrumação das coisas, afinar as feridas, afundarmo-nos no sono, construir teias de leveza, desvendar as luzes mais sombrias, perceber o cântico dos precipícios, transformar os sonhos em som e tentar transformar o mundo. As criaturas mais doces levantam as mãos e iluminam-se por dentro. A sua voz propaga-se em círculos. Os mestres colhem inocência nos hortos da memória. A música fica fria e afunda-se na loucura. As imagens estremecem como se fossem juncos. Os nomes respiram pela última vez e afundam-se na água do lago. Tudo se tranca em mim. Tudo se revela em mim: os braços, a boca, o latifúndio bravio dos teus olhos, as biografias rítmicas dos oceanos, o sexo com a polpa talhada em forma de diamante, as entoações mais ácidas e densas. As mãos das mães sabem bem qual é o ponto forte do quotidiano, sabem também transmudar as memórias, iluminar os sítios, intensificar as coisas, expor o seu trabalho ao assombro, aprender a purificar os elementos, fazer escoar a seiva pelos orifícios, mover o apoio das palavras mais lentas, banhar a virgindade dos seus filhos, apoiar as palavras-fêmeas, coser as rosas com as unhas, levedar a massa com as mãos mais agudas, desatar o poder da delicadeza, disfarçar as cicatrizes, deixar as crianças principiar sucessivamente, aumentar o vagar, alongar os ofícios, transformar a sede em poesia, aliar a poesia e o absoluto, regar as roseiras com a sombra, tornar abundantes as vidas mais simples, exaltar as vertigens, aliviar as cicatrizes do tempo com palavras maternas, assistir às vertigens, exaltar os nenúfares e as cerejeiras, ensinar a memória e a dor, tornar macios os dedos mais violentos, meter as mãos nos idiomas, passar força aos segredos, tocar os dias nos seus aspetos mais doces, mover os astros e os rostos e os sonhos em chamas. Os seus filhos vibram e brilham quando entram dentro das palavras. A noite parece uma pedra inocente que beija as árvores. Passas os teus dedos apavorados pela imobilidade do meu sexo. Beijo-te como se fosses uma árvore florida. Os símbolos ficam em silêncio. As minhas mãos procuram a pureza das tuas. As raízes divulgam o delírio. Amamo-nos debaixo de um cruzamento de fogo.


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Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017

Em Chaves

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Terça-feira, 21 de Novembro de 2017

No Porto

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Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017

368 - Pérolas e diamantes: 1917 – Revolução ou Contrarrevolução?

 

 

A revolução russa continua a significar o derrube de um regime decadente, obscurantista e retrógrado, caraterizado essencialmente pela servidão abjeta do mundo rural e também pela exploração das classes trabalhadoras urbanas. Materializou as esperanças dos deserdados da terra e transmitiu ânimo a todos aqueles que pelo mundo fora ansiavam e lutavam pela transformação social apregoada pelos filósofos e pelos revolucionários socialistas e anarquistas, desde a denominada Primavera dos Povos e a publicação do Manifesto Comunista, em 1848, a que se seguiu a Comuna de Paris, em 1871.

 

Mas foi a própria realidade que começou por contrariar as teses de Karl Marx sobre a putativa revolução, pois não ocorreu nos países mais avançados, como o Reino Unido, a França ou a Alemanha, mas num país atrasado, quer do ponto de vista social ou  industrial: o Império Russo.

 

Marx afirmou que “as revoluções são as locomotivas da História”, coisa em que acreditei na minha juventude, mas atualmente inclino-me mais para a tese de Alexandre Chubine (professor de História e investigador do Instituto de História Universal e da Academia de Ciências da Rússia) e que é uma analogia interessante, de que “as revoluções são arietes da História”, pois “a revolução não funciona como uma locomotiva mas antes como um martelo-pilão que derruba os obstáculos que impedem o seu avanço”.

 

Segundo Chubine, Lenine, apercebendo-se da crescente crise económica e social que alastrava na Rússia, defendeu de imediato, não reformas, mas uma transformação radical. Para o professor de História russo, a razão do aparecimento de Lenine deveu-se ao facto de todos os outros lhe terem cedido o lugar, porque estavam à espera da assembleia constituinte.

 

Assim, a conclusão a tirar é a de que uma vez iniciada, não se deve tentar travar uma revolução. Os bolcheviques, no final, com o apoio das fações mais desesperadas, mais dinâmicas e mais militarizadas, “tomaram o poder e fizeram sozinhos as reformas radicais. Contra todos os outros…”

 

Os círculos do poder russo não souberam reagir a tempo à gravidade da situação. A sua educação e a sua formação impediu-os de perceberem a realidade onde estavam inseridos. E isso foi-lhes fatal.

 

Máximo Gorki, em momento de honestidade intelectual, que depois abandonou para servir o déspota Estaline, escreveu: “Desconfio especialmente de um russo quando o poder lhe chega às mãos. O mesmo que era escravo, torna-se o déspota mais tremendo, mal tenha hipótese de se tornar no amo do seu vizinho”.

 

O regime que resultou da revolução comunista, sobretudo a partir de Estaline, afirmando-se baseado nas assembleias de trabalhadores e soldados, era essencialmente uma ditadura sanguinária que dizimou toda a vanguarda revolucionária de 1917. Disseminou a fome pelos campos e eliminou toda e qualquer semente de dissidência, enviando milhões de pessoas para a morte nos gulags. Instalou uma ditadura de medo e denúncia que eliminou oficialmente qualquer tipo de discurso de oposição.

 

Os marinheiros de Kronstadt, em 1921, aperceberam-se já tarde do logro em que tinham caído: “Ao levar a cabo a Revolução de Outubro, a classe operária esperava alcançar a sua emancipação. Mas o resultado foi uma escravidão ainda maior. O poder da monarquia, com a sua polícia e a sua guarda, passou para as mãos dos usurpadores comunistas, que não deram ao povo liberdade mas sim o medo permanente da tortura da Cheka, cujos horrores ultrapassaram de longe o domínio da guarda nos tempos do czarismo.”

 

Manuel S. Fonseca, no seu livro Revolução de Outubro – Cronologia, Utopia e Crime, apresenta uma tese interessante: “Talvez a revolução tenha sido, afinal, uma contrarrevolução, com tudo o que as contrarrevoluções trazem: ditadura, prisão, tortura, fome e morte.”

 

O então jovem aprendiz de torcionário, e mais tarde um dos mais sanguinários ditadores políticos de que há memória (Koba, o Terrível, vulgarmente conhecido como Estaline), tinha já escrito no Pravda em 1912: “A plena identidade de interesses só pode existir no cemitério.”

 

O que sucedeu a seguir já estava escrito nas estrelas. A Revolução de Outubro abriu o maior açougue humano de que há memória e o comunismo inaugurou, no início do século XX, a maior carnificina humana de sempre. Bem maior do que a nazi. Conviver com a realidade dos factos, por vezes, é a maior das torturas.

 

Martin Amis tem uma curiosa explicação para o sucedido. Na sua opinião, o comunismo não foi uma boa ideia que se transformou em má ou se desviou do seu delirante caminho. “Não. Foi uma má ideia desde o início. Carregada de certezas, de pedantismo, de energia e horror.” O escritor inglês considera que o principal adversário do ideário e da praxis marxista-leninista foi a própria natureza humana. “Os líderes bolcheviques compreenderam de forma sublime essa limitação – imediatamente. A sua resposta foi deixar o programa intacto e mudar a natureza humana.”


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Domingo, 19 de Novembro de 2017

No Porto

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Sábado, 18 de Novembro de 2017

No Porto

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Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017

No Porto

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Quinta-feira, 16 de Novembro de 2017

Poema Infinito (380): O prolongamento das ilusões

 

 

Zumbe o vento no meu interior. O tempo inicia o seu paciente ritual. As aves ficam obsessivas. As suas asas lançam pequenas vibrações dúcteis. Donde serão estes pássaros intocáveis? Onde assento os pés, o chão começa a resvalar. A paixão está escondida dentro das fotografias. Os livros parecem violetas secas. Os pássaros voam por cima dos sonhos e caem exaustos em cima da cama. A noite desce pelos caules assombrosos das árvores. Envolve-me a voluptuosidade do teu sexo. A felicidade continua a mostrar o seu sorriso melancólico. A porta está aberta. Dentro da casa, a consistência da saudade mostra as horas aos visitantes. No jardim dorme o cão encostado ao olhar absorto da claridade. As mãos ocupadas já não produzem nada. As ervas aromáticas estão secas. Os alhos e as cebolas continuam pendurados no postigo da cozinha. O silêncio sobrepõe-se ao silêncio. O vento atravessa o vento. O tempo arde junto ao lume aceso do entardecer. O café aquece sobre as brasas. Uma poalha de luz acende os cardos e ilumina as roseiras. A voz da avó agarra-se às paredes para não desaparecer para sempre. O mundo começa de novo para lá do portão da quinta, os ciclos da terra intervalam-se entre a humidade e a secura. O mar continua longe. Adivinham-se as estrelas da alba. É com elas que aqueço a memória. As sombras dos gatos são-me familiares. E o perfume do outono também. Os gladíolos parecem hipnotizados. O corpo reclina-se para a noite. As silhuetas caminham na direção errada, perturbadas pelo medo. As estradas sugerem sempre uma ideia de fuga. As palavras transformadas regressam outra vez à sua simplicidade original, ao preenchimento da vida. Querem de novo contar histórias e fender a noite com a sua luz. Recordo os animais pelos rabiscos a lápis que fazia nas folhas de papel. Antigas tribos percorriam o país. As ilusões cobriam os corpos e inventavam novas máscaras. Costumávamos levantar-nos cedo, abrir as janelas e pensar que o mar tinha desaparecido. Inventávamos paisagens e depois substituíamo-las a nosso belo prazer. Fazíamos saltar as palavras da sua inércia. Diziam-nos que perdíamos o bom tempo de que dispúnhamos. Lembro-me de ficarmos com as mãos aflitas, com o sono irrequieto ou com os olhos abertos de espanto e medo. Os dias passavam então lentíssimos. Os nossos corações assemelhavam-se a pássaros presos. A casa enchia-se de gemidos, mas amanhecia sossegada. O ar ficava então visível. As sombras escondiam-se da luz como se perdessem a razão. Por vezes os dias resumiam-se a duas ou três palavras. Ficavam sombrios e adocicados. As manhãs sugeriam lírios murchos, tolhidas pelo fresco do orvalho. As mãos agitavam-se, parecia que os seus gestos pertenciam a outra língua. Perdíamos a orientação dos poços, o crescimento dos pólenes, o enigma da adolescência. A noite ficava cheia de buracos. Reconhecíamos as insónias quando nos víamos ao espelho. Beijávamo-nos com os olhos desassossegados e os nossos corpos ficavam em concha. Por vezes choviam segredos, as tardes ficavam fascinantes e os livros perseguiam a santidade. Agora os objetos parecem ícones pesados, definitivamente sós. As sombras parecem ilhas entorpecidas. Acabaram as marés vivas. Prolongamos ainda as ilusões. As paisagens parem textos aflitos que não conseguem dilatar-se. Chegará de novo o tempo de crescerem as primeiras amoras. Entretanto as luzes apagam-se e a queda recomeça.


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Quarta-feira, 15 de Novembro de 2017

No Porto

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Terça-feira, 14 de Novembro de 2017

No Porto

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Segunda-feira, 13 de Novembro de 2017

367 - Pérolas e diamantes: O Vendido

 

 

Ainda se escrevem livros assim: irónicos e dolorosos, hilariantes e cruéis, satíricos e mordazes. Provavelmente o livro de Paul Beatty é das coisas mais interessantes que li ultimamente. Dwight Garner escreveu no The New York Times que as primeiras cem páginas de O Vendido são as mais cáusticas e mais tesas que leu num romance americano nesta última década, pelo menos.

 

Me, o personagem afro-americano mais azarento do universo ficcional recente, é exemplarmente educado por um pai violentamente excêntrico e sociólogo obcecado pela questão racial que não desiste de lhe inculcar uma cultura de resistência.

 

Ensina-lhe princípios sociológicos estruturantes. Fala-lhe, por exemplo, do “efeito espectador” que ensina que quanto mais pessoas estejam perto para dar uma ajuda, menos provável é que ela seja prestada. Só que o pai de Me desenvolveu a hipótese de que tal efeito não se aplicava aos negros, uma raça cuja sobrevivência, na sua perspetiva, sempre dependeu da entreajuda em momentos de necessidade.

 

Por isso obrigou o seu filho a permanecer parado num dos cruzamentos mais movimentados do seu bairro, com notas de dólar a espreitarem-lhe dos bolsos, com um aparelho eletrónico moderno e brilhante enfiado nas orelhas, com um colar de ouro estilo hip-hop ao pescoço, e, inexplicavelmente, também com um conjunto de tapetes personalizados para um Honda Civic pendurados no braço como um pano no braço de um empregado de mesa, e, enquanto as lágrimas lhes corriam pela face, o seu próprio pai assaltou-o. Bateu-lhe diante de uma multidão de espectadores que não assistiram durante muito tempo. A indiferença, pelo vistos, não tem cor.

 

Ia o assalto ainda em dois murros na cara quando algumas das pessoas se aproximaram do assaltante e, em vez de auxiliarem a vítima, ofereceram ajuda ao agressor. Ajudaram a dar-lhe uma sova, começando a desferir cotoveladas e golpes de wresteling no pobre aprendiz até o porem inconsciente.

 

Quando o pobre e infeliz Me começou a recuperar a consciência, ainda os seus atacantes, suados e com o peito a arquejar, tentavam recobrar do seu esforço e do respetivo altruísmo.

 

A caminho de casa, o “paizão” pôs-lhe um braço consolador sobre os ombros doridos e deu-lhe um sermão sobre como ele não teve em conta o “efeito manada”.

 

Dava-lhe também cursos intensivos de desenvolvimento infantil tentando reproduzir o estudo da consciência da cor em crianças negras dos Drs. Kenneth e Mamie Clark, utilizando bonecos brancos e negros, mas numa versão mais revolucionária.

 

Um dia apresentou-lhe dois cenários com subtexto sociocultural para saber qual deles curtia mais.

 

O Cenário I apresentava o Ken e a Barbie Malibu trajados com fatos de banho a condizer, ostentando as respetivas máscaras e óculos de mergulho, a relaxar em frente à piscina da Casa do Sonho.

 

No Cenário II, aparecia Martin Luther King Jr., o Malcolm X, a Harriet Tubman e um sempre em pé oval e castanho correndo e balançando-se num matagal pantanoso, fugindo a sete pés de uma matilha de pastores alemães que chefiavam uma multidão armada composta pelos G.I. Joe do Me vestidos com roupas do Ku Klux Klan.

 

O rapaz ficou confuso, mas tirou a conclusão óbvia: os brancos ganham porque possuem acessórios melhores.

 

Resumindo e concluindo, depois de todas as experiências falhadas, o pai queimou as folhas com as suas conclusões na lareira. O seu filho, “estatisticamente insignificante”, destrui-lhe todas as esperanças. Me foi para o seu pai uma experiência social falhada.

 

Passou então a dedicar-se ao bairro. Apesar de, segundo o seu filho, não demonstrar muito jeito para cavalos, era conhecido em Dickens como Encantador de Pretos. “Sempre que um mano que tinha «perdido a puta da cabeça» precisava de ser convencido a descer de uma árvore ou de um precipício, ele era chamado. Apenas se fazia acompanhar da sua bíblia da psicologia social, The Planning of Change de Bennis, Benne e Robert Chin, um psicólogo sino-americano lamentavelmente subestimado.”

 

As pessoas achavam que era o seu altruísmo o que lhe permitia aproximar-se tanto dos tresloucados, mas para o seu filho, o segredo residia na sua voz que possuía um tom grave de doo-wop, pois falava em fá sustenido.

 

Mais de uma vez Me teve vontade de perguntar ao seu pai porque é que nunca lhe falou no mesmo tom reconfortante que usava com os seus “clientes”, mas nunca o fez porque sabia que, “em vez de obter uma resposta, ia levar com o cinto”, e o seu processo de cura “ia envolver mercurocromo, e, em lugar de ficar de castigo, teria uma sentença de entre cinco e três semanas de imaginação ativa junguiana”.

 

O Vendido foi vencedor do Man Booker Prize de 2016 e “é uma sátira mordaz que desafia os pilares sagrados da vida urbana, da Constituição norte-americana, do movimento dos direitos civis, da relação pai-filho, feita à medida para o despontar do século XXI”.


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Domingo, 12 de Novembro de 2017

Em Montalegre

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Sábado, 11 de Novembro de 2017

Em Montalegre

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