Sexta-feira, 22 de Dezembro de 2006

Foda-se, Pai Natal

2004_0605Chavesdiversos0080.JPG

Foda-se, Pai Natal, repito, e restante família. Acabaram-se os postais de Boas-Festas.
Essa era já a minha vontade desde há muito tempo, mas não a podia exprimir assim tão abertamente.
Eu já tenho tudo aquilo o que posso ter. Até tenho um blog. Só não tenho o que mais quero. Que são as estrelas no meu bolso para as dar à Luzia. E foi isso sempre o que eu mais quis. Dar-lhe estrelas.
E também dar as estrelas e os planetas ao Vasco e ao Axel. E oferecer, desembrulhadas, as constelações mais longínquas ao meu pai, que já não posso ver, mas de quem sinto imensa falta. E recompensar o cantos de trigo e os rebuçados que a minha avó me deu pondo-se no teu lugar quando a abandonaste num Natal longínquo de 1966.
Foda-se Pai Natal.
Desculpa Pai Natal.
Eu sempre pensei que não existias, mas agora sei que existes e que és uma grande merda. Simbolicamente, claro.
E isso é muito pior de que se verdadeiramente não existisses. Transformaram-te em realidade, uma dura, crua e sinistra realidade. Uma obsessão. Uma conspiração contra os sentimentos, contra a beleza, contra a fraternidade. Contra a simplicidade das sensações mais íntimas e mais puras.
Tu és só “presentes”. Tu és só presente.
E os ausentes? Hã? E os ausentes? Onde estão os ausentes?
Só cintilas com dinheiro. Só sorris no meio do desperdício e da futilidade. Só ajudas os que têm. Só iludes os que não são capazes de sonhar.
E os ausentes, que tanta falta me fazem, onde estão?
Foda-se, Pai Natal, deixaste que te transformassem num velho de barbas branquinhas todo vestido de vermelho. E, ainda por cima, gordo. Muito gordo. E que se ri como um comentarista de rádio que dá peidos sonoros, roucos, untuosos e vernáculos.
Foda-se, Pai Natal, dás pena.
Apetece mesmo dar-te com o pinheirinho artificial nas trombas e depois pôr-te à geada enrolado em luzinhas intermitentes. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar…

publicado por João Madureira às 17:32
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1 comentário:
De dinis a 23 de Dezembro de 2006 às 13:28
obrigado por teres colocado o marco do correio para te mandar o postal de Boas Festa, mas vou aproveitar as novas tecnologias e desejar-te neste espaço um FELIZ NATAL e ÒTIMO ANO NOVO, um abraço.
dinis


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