Quarta-feira, 31 de Maio de 2006

Malmequeres

2004_0730santoamaro29julho040003.JPG

Fiquei contente por ver o Miguel a desfolhar um malmequer.
Mal-me-quer, bem-me-quer, murmurava ele debicando pétala a pétala a flor pendurada na lapela do casaco, enquanto os olhos lhe brilhavam como duas estrelas numa noite muito escura.
Penso que está apaixonado pela sua colega da turma B.
Ela chama-se Maria João, que é um bonito nome, bem diferente das Vanessas, das Soraias, ou Sabrinas, ou outros que por aí aparecem e nos vão transfigurando em varões solitários com dificuldade em pronunciar nomes esquisitos e infecundos.
Pelo meio das pétalas, o Miguel lê poemas de amor e ouve música romântica. Depois sorri novamente e vai à procura de um novo malmequer para desfolhar.
Anda azougado o Miguel.
Por vezes até entoa música dos velhos Beatles.
Anda tonto o rapaz, com aquele brilhozinho nos olhos e os malmequeres no bolso do casaco.
Até se penteia à moda antiga, com risca ao lado e brilhantina no cabelo castanho.
Anda risonho e azougado o marialva.
Fico contente por ele.
Fico satisfeito como ele.

publicado por João Madureira às 19:32
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Terça-feira, 30 de Maio de 2006

6000 visitas

2004_0606Chavesdiversos0030.JPG

Tudo depende da maneira como se vê o mundo.
Por isso o mundo apresenta-nos a mesma cara com que olhamos para ele.
Mas que interesse tem a perspectiva de quem olha sem atinar no objectivo do seu olhar?
Para que serve pensar?
A melancolia não tem retorno.
Possui apenas desilusão.
Estar dependente de algo ou alguém não ajuda muito.
Mas às vezes reconforta.

publicado por João Madureira às 19:31
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Segunda-feira, 29 de Maio de 2006

O tom

2004_071420040068.JPG

Por vezes penso que ler jornais é útil.
Outras vezes penso exactamente o contrário.
Às segundas, quartas e sextas leio os artigos das páginas pares.
Nos outros dias leio os das páginas ímpares.
Por vezes leio jornais de direita e outras vezes leio os da esquerda.
Mas já não consigo enxergar as diferenças.
Actualmente todos falam muito bem do nosso primeiro-ministro e até dos restantes membros do governo.
Todos são bons.
Ou muito bons.
Eu também penso que sim.
Que são bons.
Penso mesmo mais, que são bombons.
Os jornais não metem. Dizem todos o mesmo: que o engenheiro Sócrates é muito bom primeiro-ministro.
Que bom.
Agora já sei porque penso que ler jornais é útil, põe-nos de bem com o país e com o nosso governo.
Que bom.
Na próxima semana vou passar a ler as páginas pares às terças, quintas e sábados.
Às segundas, quartas e sextas lerei as páginas ímpares.
O domingo vou guardá-lo para ler a bíblia.
Penso que é este o tom.
Que bom.

publicado por João Madureira às 19:49
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Domingo, 28 de Maio de 2006

A erva que se aquece ao sol sem cuidado

carta vasco 064.jpg

Pequenas memórias, grandes vivências.
Alegria, alegria.
Viva a folia.
Por mais que tente, por mais que me enfade, nada volta a ser o que era.
Nada volta.
Tudo se afasta a uma velocidade prodigiosa.
Os momentos podem ser eternos na sua brevidade.
É por isso que dizem que o tempo é relativo.
Valha-nos um fim de tarde ténue e desequilibrado.
Até a música nos desencaminha.
Há ardência na oportunidade.

publicado por João Madureira às 18:26
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Sábado, 27 de Maio de 2006

Hoje já não temos barcos

2004_0605Chavesdiversos0049.JPG

Que mania!
O meu cão gosta de ladrar às pessoas bem comportadas.
Elas, com razão, indignam-se.
O meu cão também gosta de gatos.
Lambe-os e sorri sem pudor ou sentido canino comportável com a tradição
Ao que isto chegou, meu deus.
Será que fizemos o 25 de Abril para agora nos invadir tamanha incoerência filosófica?
Tanta educação, tanta inspiração, tantos direitos, tanta indignação, e agora isto!
Já não há “agoras” como antes.
Actualmente anda tudo de cara trocista e espírito derrotista.
Tanto mar (tanto mar?), tanto marinheiro, tanto sal, tanta poesia, tanto sol, tanta sardinha assada, tanto caracol, tanto pimento, e também bacalhau cozido, para nada?
Eu até podia culpar o meu cão, mas não consigo. É que gosto dele.
A minha mulher inclina-se mais para a gata.
Mas o hamster é que goza da simpatia geral.
Dizem que os ratos são sempre os primeiros a abandonar o barco.
Mas a tradição já não é o que era.
Hoje já não temos barcos.
Nem tradição.
Nem…
Que mania!
A minha gata gosta de miar ao pássaro que canta com erudição.
Parece-me que não suporta a qualidade nos outros.
Ao que isto chegou!

publicado por João Madureira às 18:40
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Sexta-feira, 26 de Maio de 2006

Pontapés

2004_1208chavesDezPonteRio0061.JPG

Ontem a selecção de futebol perdeu novo jogo frente à selecção de um país que já são dois.
Não me senti mal. Nem bem.
Antes pelo contrário.
Não sei se isso é normal
Se não for, que se lixe.
Também para que é que serve o futebol?
Penso que só interessa mesmo a alguns dos jogadores que ganham rios de dinheiro por se divertirem.
É uma ignomínia.
Mas também a quem é que isso interessa?
Já ninguém se chateia com essas coisas.
Não sei se isso é normal.
Daqui a alguns dias jogam os outros seleccionados pelo santeiro brasileiro que sabe bem a forma de irritar os portugueses e de lhes dar a volta.
Eu olho para a televisão e já não vejo nada.
O filme da noite é a preto e branco e eu estou tão cansado que não consigo adormecer.
Toca o telefone e eu dou-lhe um pontapé certeiro.
Já estou a perder.
É sempre assim.

publicado por João Madureira às 19:21
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Quinta-feira, 25 de Maio de 2006

Higiene oral

2005_1126ChavesA11nov0032.JPG

Insisti com o Manuel para que fosse nadar para a piscina.
Ele assim fez.
Mas a meio do exercício sentiu-se cansado e resolveu ir ler um livro para o jardim.
Depois foi comprar comida.
Comeu e bebeu.
Nem muito nem pouco.
À noite foi correr.
Correu 10 quilómetros e sentiu-se bem.
Antes de se ir deitar lavou os dentes.
Manuel tem uns dentes brancos e bem definidos.
Quando sorri encanta as pessoas.
Só lhe custa adormecer.

publicado por João Madureira às 20:30
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Quarta-feira, 24 de Maio de 2006

Olho vivo e máquina ligeira

2004_0918chavestarde0001.JPG

Ai que sensação ter uma máquina fotográfica sempre à mão!
Depois é preciso apenas carregar num botão.
O processo digital é tão rápido e prático que chega a assustar os mais cépticos.
Passa assim a arte fotográfica a ser uma coisa de persistência.
E de bom gosto, claro.
E de olho ligeiro, incansável e equilibrado.
Assim dá prazer.
Também dá trabalho, mas tudo na vida o dá.
Nem mais, nem menos.

publicado por João Madureira às 20:10
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Terça-feira, 23 de Maio de 2006

Variavelmente

2004_0918chavestarde20011.JPG

Vamos esperar que amanhã o Sol nasça no mesmo sítio.
Esta sombra até que é agradável.
Sabe bem conversar.
Sabe bem.
Sabe.
Sabes?
Sabes que ontem fui a Espanha meter gasolina...


publicado por João Madureira às 23:05
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Segunda-feira, 22 de Maio de 2006

Prevenção rodoviária

2004_0918chavestarde30003.JPG

Antes de atravessar uma rua devemos olhar para a esquerda, depois para a direita e, se não vier nenhum carro, podemos atravessar.
Se nos distrairmos com algo, devemos começar tudo do princípio.
O mesmo procedimento devemos ter para com as bicicletas, as motas e, sobretudo, para com os camiões.
Se for Verão os procedimentos são os mesmos.
O mesmo se aplica às estações do Outono e Inverno. E até da Primavera.
O que acima se diz também se aplica de dia ou de noite, seja o peão mulher ou homem, ou até criança.
Se andar a passear o cão deve proceder da mesma maneira.
O mesmo se aplica se andar a passear com a mulher, ou vice-versa. Ou mesmo com a família. Com cão ou sem cão. Se andar a passear o gato leve-o ao colo que sempre evita complicações. Se andar a passear um burro, evite as passadeiras. Ou evite mesmo passear.
Se pretender, nós voltamos a repetir.
Antes de atravessar uma rua…

publicado por João Madureira às 19:52
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Domingo, 21 de Maio de 2006

Loiça

2004_1031feirasantos50010.JPG

Eu quero a loiça para decorar e não para quebrar.
E também a compro para cozinhar.
Para assar uma linguiça.
Para fazer um delicioso arroz no forno,
Para assar um cabrito.
E o resto é conversa.
Uma boa conversa pela noite dentro acompanhada por amigos e um bom vinho tinto.
No final da noite, quando já estamos cansados e de olhos brilhante, pomo-nos a admirar as estrelas do céu.
Depois fica-nos o bom sabor da amizade a passear na cabeça.
Nem o sono nos desanima.

publicado por João Madureira às 18:38
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Sábado, 20 de Maio de 2006

Predadores

2004_0515Chaves0153.JPG

Diz uma boga para um barbo:
– Já há mais pescadores que peixes.

publicado por João Madureira às 19:06
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Simetrias

2004_0606Chavesdiversos0059.JPG

Sim e não.
Não vês?
Talvez!
Outra vez?
Outra vez.
Não vês?
Talvez!
Sim e não.

publicado por João Madureira às 00:52
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Quinta-feira, 18 de Maio de 2006

Trabalhadores Agrícolas Apoiantes

2004_0711ficojulho2004-b0013.JPG

Do que está mesmo a precisar o Ministro da Agricultura é de muitos Trabalhadores Agrícolas Apoiantes.
Os primeiros já vão a caminho, determinados, confiantes e solidários.
Esperamos que seja o sinal de que algo de distinto vai ter início.
Aqui ficam os nossos sinceros votos de solidariedade institucional.

publicado por João Madureira às 19:26
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Quarta-feira, 17 de Maio de 2006

Ir na noite

2004_0714chaves-noite-julho140024.JPG

Gosto de deambular pela quietude da noite.

Sinto sempre que as ruas da cidade medieval se enchem de mistério.

Penso nos que aqui passamos nas mais distintas épocas e dimensões.
O que esteve antes.
O que estará depois.

Nada se repete.
Tudo se intensifica face à essência da noite.

Ó noite deslumbrante e tímida, deixa-me acariciar-te com delicadeza.
Prometo depois ir com os pirilampos colorir a incerteza dos amantes intemporais.

publicado por João Madureira às 19:14
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Terça-feira, 16 de Maio de 2006

Nem a música me alivia

2004_0730santoamaro29julho040013.JPG

Vem a música ao longe e ouço-a a desintegrar-se na direcção das paredes.

Treme-me o olhar de encontro ao tom metálico dos instrumentos.
Dançam as cores em volta.
Desfazem-se notas em contacto com o ar.
Evaporam-se os acordes contra os dedos dos executantes.

Quando, no final do dia, olho o céu, invade-me, cintilante, a aflição dos protões.
Então enrolo-me no perfume das ervas.

publicado por João Madureira às 20:18
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Segunda-feira, 15 de Maio de 2006

Reflexos nuns olhos verdes

carta vasco 063.jpg

Já não preciso de mais nada para abençoar o dia.
Basta-me ver a tua cara reflectida nas águas tranquilas do Tâmega.
Sentamo-nos num banco de jardim e, sorrindo como duas crianças alegres, acariciamo-nos com urgência.

publicado por João Madureira às 18:55
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Um pouco mais de Azul...

2004_0905chavesaguasetembro0078.JPG

O amarelo, desde que não seja ostensivo, disfarça bem.

O azul, bem, o azul é outra coisa.
É coisa boa.
É coisa séria.
É coisa diversa do vermelho.
Tem mais identidade. Tem mais qualidade. Tem mais energia.

O mundo vai e volta.
Os homens voltam e vão.
As mulheres tudo fazem para porem o mundo com algum sentido.

Há luz.
Vem a sombra.
E esta desfaz-se de encontro ao ponto de fuga da verdade.
Quem, depois de saborear a loucura das imagens, é capaz de ficar indiferente ao ribombar dos trovões.

Ó louca nitidez, que fazes tu por me salvar?

publicado por João Madureira às 11:09
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Sábado, 13 de Maio de 2006

O olhar e seu oposto

2004_0905chavesaguasetembro10043.JPG


Há belezas passageiras, disposições acertadas, sentimentos conclusivos.
Também existem visões periféricas, combinações imaginativas, antevisões inconclusivas.

Nem tudo neste mundo são flores.
Nem tudo se harmoniza na convivência social.
Podemos alterar formas, mas os conteúdos são bem mais duradoiros.

Já todos sabemos da dificuldade de agradar a gregos e a troianos.
Mas, mesmo assim, há quem insista no equívoco.

Há coisas que não têm princípio.
Existem outras que não têm meio.
E ainda existem outras a que se não vê o fim.

Tudo se altera com o tempo.
Mas o tempo não se cansa nem se esgota.
É eterno.
É o oposto de um olhar.

publicado por João Madureira às 19:39
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Sexta-feira, 12 de Maio de 2006

Grande tormenta

2004_0905chavesaguasetembro30006.JPG

A grande nau enfrenta a tormenta com coragem.
Lá está o céu a ralhar aos humanos.
Ao longe as vagas de nuvens parecem engolir o mundo.
A chuva cai benzendo a terra seca.
Beijam-se os répteis com saudades do Verão.

publicado por João Madureira às 19:25
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Quinta-feira, 11 de Maio de 2006

Ai que fado!

2004_1030feirasantos20019.JPG

Marilyn Mason espreita com desdém caricatural a atenção deste português apreciador de fado.

Nós gostamos de fado porque é simples, directo, monocórdico, estapafurdicamente singelo e provinciano, excessivamente lisboeta, doentiamente bairrista.
Umas guitarras a gemerem, vozes absurdamente agudas, olhos fechados, maneirismos bacocos, letras miseráveis… simplesmente genial.
Porque gostamos de fado ninguém sabe.

Deve ser muito difícil alguém explicar os gostos musicais dos lusos aos outros povos.
Mas também a quem é que isso interessa?

Fado e telemóveis é aquilo que os portugueses mais estimam.

Comunicar é preciso, viver não é preciso.
Falar ao telemóvel é preciso, trabalhar não é preciso.
Mandar SMS’s é preciso, ler não é preciso.
Jogar no telemóvel é preciso, estudar não é preciso.

E assim vai Portugal, muito poucos vão bem, quase todos passam mal.
Mas também a quem é que isso interessa?

A rapaziada até curte o Marilyn Mason e veste caças rotas e deslavadas que custam um terço do salário mínimo nacional.
Mas o que interessa é andar na moda, o resto que se lixe.

E tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado.
Mas também a quem é que isso interessa?

publicado por João Madureira às 20:13
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Quarta-feira, 10 de Maio de 2006

Parados no tempo

2004_071420040006.JPG

Já lá vão os tempos da Escola Industrial.
E agora que tanta falta nos faz, parece não haver maneira de a substituir por algo de substancial.
Quisemos fazer-se um país de doutores e saiu-nos um país de parvos.
De boas intenções está o inferno cheio.
E por aí fora, que a ladainha dá para muito e posso cansar-vos.
Estão paradas no tempo as máquinas que podiam dar formação a muita boa gente.
E é uma pena.
A União Europeia já mandou dizer que Portugal, a seguir este caminho, será o país mais pobre e atrasado da Europa no ano ainda longínquo de 2050. A par da Grécia.
Somos, ao que tudo indica, um país inviável.
Seremos um povo geneticamente condenado ao atraso?
Vai bonita a brincadeira.
Ó indolência! Ó indigência! Ó decrepitude!
As armas e o barões assinalados…

publicado por João Madureira às 19:05
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Terça-feira, 9 de Maio de 2006

Enquanto a chuva cai

2004_0905chavesaguasetembro0053.JPG

Esconde-se o homem atrás da árvore.
E a árvore é bem fininha.
Há milagres todos os dias.
O milagre da chuva.
O milagre da luz.
O milagre da transformação
Entra o homem na árvore da vida.
Que a seiva lhe sirva de alguma coisa.

publicado por João Madureira às 21:54
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Segunda-feira, 8 de Maio de 2006

Finitude

2004_0918chavestarde20014.JPG

Vai o coração da cidade desabando aos poucos.
Partem-se os vidros.
A madeira estiola e quebra de seca.
A pintura das casas assemelha-se a pele morta que cai aos pedaços.
O ferro das grades das varandas enferruja.
Os ratos e as aranhas tomam conta das divisões.
A humidade apodera-se do soalho e as sombras conquistam as formas que lentamente se extinguem.
Morrem pela segunda vez as almas dos que ali viveram e foram felizes.
Ainda por lá deslizam olhares áridos.
Fica-nos na memória a lenta finitude de tudo o que é obra humana.

publicado por João Madureira às 19:41
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Domingo, 7 de Maio de 2006

O outro lado da ponte

ter1j.mad.jpg

Desta ponte mais a Norte vejo a Ponte Romana numa outra perspectiva
Algumas pessoas passeiam nas margens do Tâmega.
Outras passam por cima da ponte.
O rio corre com muita determinação e orgulho.
Mas é a luz do entardecer que me enche de nostalgia.
É no espelho tranquilo das suas água que eu deslizo o olhar.
Já passaram muitos anos sobre o tempo encantado da mocidade.
Há um momento de quietude inebriante que me leva a desviar o olhar.
Para que serve ver quando nos sentimos tristes?

publicado por João Madureira às 18:35
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Sábado, 6 de Maio de 2006

Florescer ao Sol

2004_0605Chavesdiversos0059.JPG

As flores impõem a sua cor e o seu perfume a quem as observa.
Mas ninguém lhe leva a mal.
É nas varandas que elas recolhem o orvalho da manhã.
Durante o dia recolhem a luz do sol e à noite saboreiam-na com muito recato e prazer.
As mulheres tratam delas com muito carinho.
Regam-nas e colhem-nas com muito saber.
Por vezes põem-nas no cabelo para se irmanarem na tentação.

publicado por João Madureira às 19:38
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Sexta-feira, 5 de Maio de 2006

Os sinos da igreja da Torre de Ervededo

2004_1218torrervededo0038.JPG

Muitas vezes ouvi as badaladas destes sinos com contentamento.
Outras vezes escutei-os com tristeza.
As suas badaladas monótonas e estridentes faziam-me estremecer de alto a baixo.
Então enroscava-me nos lençóis e imaginava a claridade das brincadeiras à beira mar.
Um dia os sinos tocaram tanto que os cães da aldeia ladraram e uivaram como se estivessem à beira da extinção. Como se o apocalipse fosse nesse mesmo dia.
Um incêndio queimou por completo três casas.
Dentro duma delas encontraram os restos carbonizados de uma criança que o fogo devorou enquanto dormia.
Assim foi-me difícil acreditar em Deus.

publicado por João Madureira às 19:10
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Sempre em frente

2004_0918chavestarde20007.JPG

Preciso de ar.
Deixem-me respirar.
Preciso de andar até me cansar.
Sinto que arrefeço encostado ao tempo.
Põe-me louco esta época de indefinição casuística.
Todo o tempo é uma realidade excessiva, destruidora, caótica.
É de ferro a desilusão simples dos espaços.
Sinto que me desintegro quando penso.
Queria regressar e voltar a ciciar desejos.

publicado por João Madureira às 19:05
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Quarta-feira, 3 de Maio de 2006

A urgência do silêncio

2004_1005interioresq0039.JPG

Tenho urgência do silêncio.
As palavras ecoam na minha cabeça como punhais iridescentes destruindo texturas compassivas.
Os sussurros flutuam em distintas direcções.
Dói-me a paciência com as palavras dos manipuladores.

Tenho urgência do silêncio.
Os suspiros dos amantes desviam-se pelos interstícios ambíguos dos impotentes.
Há demasiado ruído nas comunicações telepáticas.
Há excessiva confusão nas atitudes.
Há um imenso orgulho no poder dos homens.

Tenho urgência do silêncio.
Resido próximo do desfalecimento.
A loucura ronda as mãos translúcidas das crianças.
Pressinto uma linha letal no sorriso dos visionários.
As palavras afastam-se como bolas de sabão no vento da tarde.
E afastam-se sem necessidade de embaraçar a fantasia dos poetas desalentados.

Tenho urgência do silêncio,
Porque me magoo no olhar de quem me acaricia sem exigir permuta.

publicado por João Madureira às 19:28
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Terça-feira, 2 de Maio de 2006

5000 visitas

2004_1005interioresq0070.JPG

Eis-nos chegados às cinco mil visitas, que são outros tantos olhares, outras tantas cumplicidades, várias maneiras de ver o mundo, de o reflectir, interiorizar e desfrutar.
Propositadamente neste auto-retrato o fotógrafo não olha para a objectiva.
A intenção foi pôr a objectiva a “olhar” para ele.
É um diferente descobrir, uma perspectiva de quem se deixa ver, mesmo que um pouco estremecido.

A todos quantos nos visitam votos de que regressem sempre, pois sem os seus olhares e comentários este espaço não faz sentido.

publicado por João Madureira às 19:25
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