Terça-feira, 31 de Outubro de 2006

Abanar o pavão

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Não sei se é uma questão de posição, de oposição ou de afirmação?
Pode ser, muito simplesmente, uma questão de tensão. Ou de orientação. Ou de frustração.
Pode até ser uma questão de tesão… ou não.
Pode ainda ser uma questão de alteração, de rectificação, de moralização.
Pode ser uma questão de reorganização, ou não.
Ainda pode ser uma questão de variação, ou de confrontação, ou de resolução. Pode ser ou não. Ou então pode ser uma questão de intimidação. Ou de retaliação, ou de apresentação, ou de conclusão, ou de confusão. Tudo pode ser ou não. O resto é indecisão ou comiseração.
Será, ou não?
Pode ser uma réstia de miscigenação, de confusão ou de socialismo de revelação, revigorado com afirmação e desorientação, consciente ou não. Pode ser que seja então o ar que diz não, o artista que sabe beijar uma mão, ou manejar um formão, ou refazer um serão, ou abanar um pavão.

publicado por João Madureira às 18:13
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Segunda-feira, 30 de Outubro de 2006

Porta da memória

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Não, não colecciono borboletas, nem selos, nem moedas, nem carros de corrida, ou caixas de fósforos, ou canecas de barro, ou navalhas, ou emblemas de carros, ou edições especiais do Expresso. Mas já coleccionei cromos de futebol, ainda nos tempos áureos do Eusébio, coleccionei também poemas ridículos e Tintins e Cutos e Jactos e Pilotes e colantes revolucionários. Muitos colantes revolucionários.
Agora colecciono fotografias, muitas delas de portas. Portas velhas, já gretadas pelo tempo.
Uma porta tem sempre um mistério. Uma porta é uma autoridade. É quase sempre um símbolo de fronteira entre o público e o privado.
Para mim também é uma memória dorida.
Uma vez, era eu ainda um menino muito devoto e bem-educado, o senhor abade convidou-me a mim e a mais um grupo de rapazes e raparigas que eram seus alunos, mais velhos do que eu, para irmos ver na sua televisão a peça de teatro Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett.
Eu, como era muito tímido, deixei-me ficar para trás. No momento em que ia a passar pela porta de entrada da casa, a governanta fechou-a intempestivamente na minha cara entalando, na sua fúria ou cegueira momentânea, um terço que eu tinha ganho pela erudição demonstrada na catequese.
A minha timidez era tanta que não consegui bater à porta para reclamar o que era património obtido com zelo e preparação.
Por isso lá ficou o objecto religioso prensado nas frinchas da porta.
Que me lembre foi a segunda vez que a tristeza se embrenhou em mim de uma maneira tão assustadora que ainda hoje, quando me lembro, uma mágoa totalitária toma conta de mim.
A primeira foi quando o meu pássaro morreu na gaiola.
Ainda hoje os olhos frios e abertos da pequena ave me inquietam como vento gélido.

publicado por João Madureira às 19:08
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Domingo, 29 de Outubro de 2006

… e pling e pang e peng e ping e pong!

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Pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung, pung…

publicado por João Madureira às 18:48
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Sábado, 28 de Outubro de 2006

Depois do ó... oh!oh!oh!

2004_0605Chavesdiversos0035.JPG

Então hã… indecisão hã… coisas hã… hã… ah, ah, ah…
ah, ah, ah… ah, ah, ah… ah, ah, ah… ah, ah, ah… indecisão, hã!
Então? Então ah ou não há?
Ah, ah, ah… ah, ah, ah… ah, ah, ah… ah, ah, ah…
Nesse caso o que está para lá?
Ah, ah, ah… ah, ah, ah… ah, ah, ah… ah, ah, ah…
Então Fá…
Ou não.
Então ah ou não há?
Ah, ah, ah… ah, ah, ah… ah, ah, ah… ah, ah, ah…
Então o que está para lá do… há?
Ah, ah, ah… ah, ah, ah… ah, ah, ah… ah, ah, ah…
Então Fá…

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Sexta-feira, 27 de Outubro de 2006

A amor curvado

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Ai o amor, o amor mais amado, o clamor do amor, o amor à cor. A cor do amor.
O amor é música que desafina sem doer, é calor que queima sem ardor, é loucura que desatina sem chover, é chuva que cai e não se sente, é um desatino que moe sem corroer, é melodia que toca sem nos ver, é uma cicatriz moderna que não se contempla, é uma marca ditosa que não se entende, é um sorriso discreto que não se molha, é uma decisão indecisa que não se curva.
Ai o amor. O amor mais amado.
Ai o fado. O fado mandado. O amor falado.
O olhar trocado.
Ai o amor. O amor reservado.
O amor que é dado.
O amor soletrado. O amor fadado.
O amor com cor.
O amor sem dor.
O amor mais amado.
O amor calado.

publicado por João Madureira às 20:48
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Quinta-feira, 26 de Outubro de 2006

A memória é fodida

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Escrevo-te cá de baixo, mas mesmo de baixo, debaixo de chuva, debaixo de vento e debaixo de uma depressão estupenda. Estupendamente estúpida, hieroglífica.
É que estou mesmo em baixo. Aqui todos me tratam por “pá”, “pᔠisto, “pᔠaquilo, “pᔠaqueloutro, “pᔠpara a frente, “pᔠpara trás.
E eu não estou nada habituado a este tratamento que, ao mesmo tempo que parece íntimo, resulta numa perfeita imbecilidade informativa e informal.
De informal tem pouco, tem mais de desleixo, de não te rales, de displicência e de frustrante indiferenciação social e humana.
Fora isto estou bem… mal.
Estou desnorteado. Ando desaustinado. Amorfo.
Tenho saudades de tudo o que por aí existe e continua a existir mesmo sem mim. Até já tenho saudades das pedras da calçada.
Tenho sentidas saudades de falar com os amigos.
Sim, eu sei que são poucos e maus, mas, mesmo assim, são os meus amigos.
Tenho muitas saudades de descer a rua Direita e depois subir a de Santo António. E tenho muitas saudades da minha doninha.
Por favor não te esqueças de lhe escovar os dentes e de lhe dar banho de emersão. Ela adora banhos de emersão.
Fora isso, tenho muitas saudades tuas.
Mas, reconheço, a opção deste retiro espiritual tem muito de esquizofrénico.
Ainda não consigo pensar no Largo das Freiras sem me arreliar.
Eu adorava aquele sítio.
Foi durante décadas o mais dilecto e acarinhado ponto de encontro de vários grupos de amigos que ali se juntavam para conviver, dizer umas larachas e discutir o sexo dos anjos. E por aí ficávamos até altas horas da madrugada, só pelo prazer do convívio, de nos ouvirmos uns aos outros, por sentir que estávamos vivos e que alguém nos considerava necessários na sua vida.
Alguns já morreram. E não há memória que doa mais do que lembramos vários amigos já desaparecidos sem os podermos associar ao seu espaço preferido.
Sem os lugares, a memória é irrisória, não se fixa, não se completa.
Com o desaparecimento das Freiras, esses meus amigos morreram duas vezes. E eles não mereciam isso. O respeito pela memória é bem mais importante do que algum progresso. Muito do denominado progresso actual é muito parecido com um retrocesso.
A memória, digo-te do fundo coração, é fodida.

publicado por João Madureira às 20:04
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Quarta-feira, 25 de Outubro de 2006

Estrelinha imaginária

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Alguém saltou o muro da escola e ficou a olhar para o céu, estupefacto.
Uma estrelinha imaginária começou a crescer na testa da menina.
Um pouco mais atrás uma criatura alada cantarolou um cântico litúrgico.
Soprava uma ligeira brisa quando a águia se lançou voraz sobre o coelho companheiro da Alice no País das Maravilhas.
O Gato das Botas começou a tocar a flauta do Flautista de Hamelin e levou todos os ratos para a sua herdade. Agora engorda-os e vende-os já mortos para uma cadeia de supermercados devidamente embalados e congelados.
Branca de Neve divorciou-se do Príncipe Desencantado e voltou para os seus anões.
Afinal, tirando a altura, os anões são homens como os outros. Têm tudo o que é necessário e no devido sítio. Desculpem o desabafo.
A menina das trancinhas de prata transformou-se em catwoman e foi passear pelos céus de Lisboa.
O Malhadinhas voltou à sua terra natal, comprou um carro desportivo e joga videogames.
O Cantiflas aceitou o papel de super-homem e fez uma revolução em Cuba.
Fidel Castro chorou de riso.
Soprava uma ligeira brisa no Malecón quando um anjo bom levou a alma do ditador cubano para o céu.
Logo de seguida, Charlie Brown anunciou ao povo cubano que era livre.
Decididamente, o Snoopy anda a tomar alguma substância alucinogénea.

publicado por João Madureira às 18:49
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Terça-feira, 24 de Outubro de 2006

Tudo me lembra

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Tenho saudades infinitas do som da chuva quando batia no zinco da parede de minha casa em noites frias e turbulentas de Inverno.
Tenho infinitas saudades desse período mágico em que aprendia a sonhar com o lento cinzelar do tempo na cara da minha avó.
Tenho ainda infinitas saudades da luz clara do amanhecer em alvoradas inundadas de neve e frio.
Tenho eternas saudades de pisar a neve dos caminhos pela primeira vez.
Tudo me lembra: os sons do vento, o gemido dos gatos, o ladrar monótono dos cães, o cantar das almas do purgatório, a conversa dos gigantes do Larouco, a agitação frenética das folhas mortas dos carvalhos, o tilintar das moedas no bolso do meu pai, o fumo a sair das chaminés tristes, o chorar das crianças desalentadas, o piar dos mochos, o brilho das geadas, a lareira a arder, a agitação do vento gelado fustigando as ovelhas, as palavras repetidas das missas de domingo, as brincadeiras em torno de um banco ou em cima de uma árvore, as nuvens a fugir no céu, o brilho das estrelas cadentes, o cheiro do feno, o cantar dos grilos nas tocas, os voos nocturnos das bruxas, o grito aflitivo dos dementes, o sorriso discreto das vacas, o rastejar das cobras e dos lagartos, a água a correr nas pedras do castelo, o colher do musgo para o presépio, o corte picante dos ramos de azevinho, a água a ferver nos potes, o torrar do pão ao lume, a matança do porco, a leitura de histórias nas manhãs gloriosas de domingo, o sorriso apaziguador de minha mãe, o meu pai, o meu pai, o meu pai, e as minhas irmãs, e os meus amigos…

publicado por João Madureira às 17:52
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Segunda-feira, 23 de Outubro de 2006

Por ventura

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Fui em busca de aventuras, mas elas não apareceram.
Fartei-me de andar para nada. Melhor seria ter ficado em casa sem fazer patavina.
Agora não vale a pena chorar sobre leite derramado.

publicado por João Madureira às 17:58
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Domingo, 22 de Outubro de 2006

... e pung

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Peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng, peng…

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Sábado, 21 de Outubro de 2006

Determinismo biológico

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Caem as folhas com uma verdadeira necessidade de morrer em silêncio e com beleza.
Antes desperdiçam o verde e adquirem cores que as tornam verdadeiramente sumptuosas.
Mas, apesar disso, tombam e fenecem.
Por isso não é a cor o fundamental.
O essencial reside no tempo da maturação.

publicado por João Madureira às 19:09
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Sexta-feira, 20 de Outubro de 2006

Inzonices em Tu

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– Já te disse que a tua história é inverosímil.
– O quê?
– A tua história não parece verdadeira.
– Porquê?
– Porque sim.
– Mas isso não é resposta.
– Nem a tua história tem qualquer fundo de verdade.
– E porquê?
– Porque é invulgar.
– Mas o que é invulgar pode ser verosímil.
– Mas também pode ser o contrário.
– Tu és um verdadeiro inzoneiro.
– O quê?
– És um pateta. Tu gostas é de inzonar as pessoas de bem.
– Essa é boa. Tu uma pessoa de bem! Tu és mais uma pessoa de bens.
– Ora essa…
– Tens a mania que só tu és capaz de contar histórias verdadeiras.
– A inverosimilhança da tua história reside em ti e não na história. Tu é que tornas as histórias inverosímeis.
– E porquê?
– Porque não as sabes contar como deve ser.

publicado por João Madureira às 17:27
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Quinta-feira, 19 de Outubro de 2006

Tracinho-te

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Já lá vai o tempo em que, por circunstâncias diversas, ficava atónito a olhar para qualquer vidro que reflectisse.
É que as reflexões do vidro são sempre simétricas.
O que está aqui está lá, só que em posição inversa.
E, como todos sabemos, as posições inversas são, além de incómodas, difíceis de aguentar.
Aguentar uma posição inversa é, nos dias que correm, um tarefa árdua, como árduos são os que são, porque os que não são, mal parecem, e quando estão, permanecem, embora discretamente.
A discrição é um atributo dos sábios e os sábios, como todos sabemos, sabem muito.
É nesse saber onde está a sua virtude.
Também existem sábios que não são nada virtuosos, mas, mesmo assim, são sábios.
O saber não ocupa lugar, mas os sábios sim.
Não é que por aí abundem sábios, mas, mesmo sendo poucos, ainda ocupam algum espaço. É esse o seu espaço vital, como vital é o sal na alimentação dos humanos. Mas também é sábio e prudente evitar o sal.
Eu não posso abusar do sal porque tenho a tensão alta.
Mas sempre vos digo que os pronomes pessoais são uma subclasse de palavras que representam, no discurso, as três pessoas gramaticais, indicando, por isso, quem fala, com quem se fala e de quem se fala.
Para que não persistam dúvidas, aqui os deixamos com votos de um feliz aniversário e um fim-de-semana bem recheado deles.


Número Pessoa Sujeito Complemento Directo Complemento Indirecto Complemento Circunstancial
sem preposição antecedido de preposição
Singular 1ª eu me me mim mim, migo
(comigo)
2ª tu te te ti ti, tigo
(contigo)
3ª ele, ela se, o, a lhe si, ele, ela si, sigo
(consigo), ele, ela
Plural 1ª nós nos nos nós nós, nosco
(connosco)
2ª vós vos vos vós vós, vosco
(convosco)
3ª eles, elas se, os, as lhes si, eles, elas si, sigo
(consigo),
eles, elas

Resumindo: Vós, vos, vosco, si, se sigo, consigo… tracinho-te



publicado por João Madureira às 19:49
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Quarta-feira, 18 de Outubro de 2006

Tracinho-me

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Tu enquadras-me na difusa geometria da noite.
Amo-te, janela infinita.

publicado por João Madureira às 22:12
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Terça-feira, 17 de Outubro de 2006

O olhar vital

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Lá ao longe vejo a floresta.
Ainda não distingo a árvore.
A guerreira vem a seguir.

Na bruma dos acontecimentos ressurgem os movimentos ténues das borboletas como se de uma mensagem críptica se tratasse.
Nos tempos que vão circulando, a floresta arde, a árvore é apenas um espectro e a guerreira um sonho alegórico de desejo.

Agora o fogo queima tudo com premência.
Há nesse fogo urgência. Imensa urgência.
Uma urgência absoluta de tudo consumir.

Lá ao longe a floresta movimenta-se, as árvores tombam com um baque seco, logo seguido de um gemido inaudível.

Há nesse estertor uma ideia de fim.
Uma ideia lancinante de destruição.

Há nessa destruição um propósito de catástrofe.

Por momentos observo surgir por entre a imagem dos teus olhos a chama rútila da vida, essa incandescência total de vitalidade, essa calma nutritiva do ressurgimento, a intuição calma dos determinados, a interrogação autêntica das audazes, a simplicidade complexa dos desejados, a nitidez simétrica do infinito.

É esse, para sempre, o meu olhar vital.

publicado por João Madureira às 18:56
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Segunda-feira, 16 de Outubro de 2006

Para o infinito e mais além...

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Foi ao amanhecer que o meu pintassilgo morreu.
Estava velho, deprimido e exausto.
Mas foi a pressa quem o matou.
Faleceu mesmo à beira da liberdade.
Durante a noite alguém se esqueceu de fechar a portinhola da gaiola.
Ele então saiu do cárcere e esperou pacientemente pelo nascer do dia na esperança de que alguém lhe abrisse a porta da cozinha para assim conquistar a brisa e voar rumo ao céu azul e infinito.
No preciso momento em que a avó Matilde abriu a porta, a inocente ave, obcecada com a perspectiva do desenlace, distraiu-se e foi então quando o gato da vizinha, que é muito lambareiro e oportunista, o abocanhou e imediatamente se pôs em fuga, desaparecendo no labirinto das ruas do bairro.
Nada pudemos fazer. Só lamentar o sucedido.

publicado por João Madureira às 19:13
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Domingo, 15 de Outubro de 2006

... e peng

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Pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang, pang…

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Sábado, 14 de Outubro de 2006

O triângulo metafísico

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Ai a Metafísica, a Metafísica, a Metafísica.
Bem dizia o poeta, já há Metafísica bastante para não pensar em nada. Ou será: já existe Metafísica bastante para não pensar em mais nada?
Isto é como quem diz, porque a Metafísica dá quase para pensar em tudo. Em tudo mesmo. Por exemplo, a Metafísica, e resumimos: “trata dos problemas sobre o desígnio e a origem da existência e dos seres e especula em torno dos primeiros princípios e das causas primeiras do ser. Muitas das vezes é vista como parte da Filosofia, outras, com ela se confunde”.
Ora aí está: é quase uma obsessão filosófica. E eu gosto muito de filosofar, porque filosofar é falar sobre tudo e sobre nada. Sobre Deus, sobre nós, sobre a existência.
Sobre o que está antes e o que vem depois. Sobre o filamento sinuoso do destino. Sobre a geometria, sobre as linhas, sobre os triângulos, sobre os espaços tridimensionais, sobre as transcendências e outras essências. E é aí que entra a Metafísica em todo o seu esplendor. O esplendor do desejo. O desejo de quem deseja e o desejo de quem é desejado. O que deseja agarra na Metafísica e com ela encaixa as sensações no sítio certo. O desejado faz o mesmo só que em sentido contrário.
É esta a Metafísica essencial.

publicado por João Madureira às 19:12
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Sexta-feira, 13 de Outubro de 2006

Fellinidades

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Lembro-me de passar perto da tua casa em dia de geadas pictóricas e de os pássaros não voarem por causa do frio.
Fazia então um frio impressionista, pintando aflições nos olhos dos pobres.
Eu olhava intrépido e assustado de indiferença para os fios de sol que se espalhavam pelas lajes da rua.
Lembro-me que as ervas se aqueciam lentamente no suceder das meias horas.
Era o tempo da simplicidade.
Nessa altura o desassossego apenas originava desilusão e arbítrio.
Precisamente ao meio-dia os olhos dos gatos enchiam-se de raiva e iam à caça das aves entorpecidas.
Ficavam os pássaros surpreendidos com a ferocidade felina dos predadores, mas nada faziam para lhes fugir.
Ali permaneciam eles aflitivamente parados como numa fotografia.

publicado por João Madureira às 19:50
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Quinta-feira, 12 de Outubro de 2006

Indecisão de mar e terra

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Hoje quero ir para o mar e obrigam-me a ficar em terra.
Ontem queria ficar em terra e obrigaram-me a ir para o mar.
Eu não nasci para ficar em terra, mas também ninguém me convence a ir para o mar.
O mar, o mar, o mar…
Farto-me de estar em terra.
A verdade é que quando estou no mar tenho saudades da terra e quando estou em terra fico com saudades do mar.
Ai o mar, o mar, o mar…
Estou cansado de estar em terra.
Onde está o mar?

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Quarta-feira, 11 de Outubro de 2006

Ver ou não ser, eis a questão

2004_0714chaves-noite-julho140033.JPG

Olho muito e vejo pouco.
Mas tenho um amigo que vê muito e olha pouco.
Tenho mesmo um outro amigo, que por caso é uma amiga, que vê quase tudo e não olha para quase nada.
É, até, um verdadeiro milagre da discrição.

Há muitas pessoas que quanto mais olham menos vêem, quanto mais estudam menos sabem, quanto mais aprendem menos ensinam, quanto mais se alimentam mais doentes ficam, quanto mais ganham menos gastam, quanto mais falam menos acertam, quanto mais andam menos alcançam, quanto mais aparentam ser menos são, quanto mais sorriem menos graça têm, quanto mais se vestem mais despidos andam, quanto mais ordenam menos mandam.

publicado por João Madureira às 19:32
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Terça-feira, 10 de Outubro de 2006

O mito do eterno retorno

2004_0515Chaves0105.JPG

Joãããão, Joããão, Joãão…
Só agora ouço os gritos que a minha mãe dava para me chamar quando eu ouvia os Deep Purple com os auscultadores postos.
Não sei porque será. Talvez seja um retorno em torno da música ou da memória dela.
Quando chovia no quintal os patos mudos refugiavam-se debaixo duma árvore enorme que existia junto ao poço. Era então quando o senhor Ventura tocava na flauta lindas melodias criadas por si.
Fiuuuu, fififi, fiuuuu, fififu, fi…
O senhor Ventura era muito pobre e vivia num pobre casebre com um seu filho deficiente que ele tratava com muito carinho e afecto. Nos dias de chuva pegava sempre na flauta e alinhava modinhas simples, mas muito belas. O seu filho ria-se muito. E o senhor Ventura tocava para ele sempre mais uma modinha. Sempre mais uma modinha. Mais uma modinha. Uma modinha. Sempre mais.
E a chuva continuava a cair e o senhor Ventura a tocar e o seu filho a rir.
O senhor Ventura tocava enquanto a chuva caía e o seu filho se ria.
Quanto mais chovia, mais o seu filho se ria e mais o senhor Ventura tocava.
E o senhor Ventura tocava e tocava e tocava. E a chuva caía e caía e caía.
Pling, pling, pling, plong, pling, plang…
E o seu filho ria, ria e ria, enquanto o senhor Ventura tocava.
Fiuuuu, fififi, fiuuuu, fififu, fi…
Joãããão, Joããão, Joãão…
Pling, pling, pling, plong, pling, plang…
Mãe? Mãããe? Mããããããããeeeeeeeeee…já vou…
Fiuuuu, fififi, fiuuuu, fififu, fi…
Pling, pling, pling, plong, pling, plang…
Pling, pling, pling, plong, pling, plang…
Quanto mais chovia, mais o seu filho ser ria e mais o senhor Ventura tocava.
E o senhor Ventura tocava e tocava e tocava. E a chuva caía e caía e caía.
Pling, pling, pling, plong, pling, plang…
Pling, pling, pling, plong, pling, plang…
Joãããão, Joããão, Joãão…
Mãe? Mãããe? Mããããããããeeeeeeeeee…já vou…
Fiuuuu, fififi, fiuuuu, fififu, fi…
Fiuuuu, fififi, fiuuuu, fififu, fi…
Fiuuuu, fififi, fiuuuu, fififu, fi…
Nos dias de chuva pegava sempre na flauta e alinhava modinhas simples, mas muito belas. O seu filho ria-se muito. E o senhor Ventura tocava para ele sempre mais uma modinha. Sempre mais uma modinha. Mais uma modinha. Uma modinha. Sempre mais.
Fiuuuu, fififi, fiuuuu, fififu, fi
O senhor Ventura tocava enquanto a chuva caía e o seu filho se ria……………
Joãããão, Joããão, Joãão…
Mãe? Mãããe? Mããããããããeeeeeeeeee…já vou……
Toc, toc, toc, está alguém aí?

publicado por João Madureira às 19:16
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Segunda-feira, 9 de Outubro de 2006

Balões de ensaio

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Sonhei que comprei um balão. Ou melhor, sonhei que comprei dois balões a uma cigana bonita… Para dizer a verdade, já não me recordo bem se comprei dois ou três balões a uma cigana espanhola na Feira dos Santos! Eu sei que sonhei qualquer coisa, do que não me lembro bem é se os balões eram para o meu filho mais novo ou para o mais velho. Lembro-me perfeitamente que eram quatro balões porque um voou muito alto logo que chegámos ao Monumento. O meu filho mais velho, por solidariedade com o seu irmão mais novo, largou o fio e deixou voar um dos três balões que o avô lhe tinha comprado na festa do São Caetano. Lembro-me lindamente que quando chegámos a casa já lá estava a minha mãe com mais dois balões que se pareciam muito com um coelho. Já estou de novo confuso. Penso que foi uma tia da minha mulher quem comprou os três balões parecidos com um coelho. Lembro-me claramente da minha mãe ter chegado a nossa casa com quatro balões azuis imitando golfinhos. Para ser fiel à verdade, tenho de confessar-vos que quem comprou os três balões com que a minha mãe apareceu em casa da minha irmã mais nova foi um primo afastado que eu já não via há muito, muito tempo, mas que gosta imenso de comprar balões por altura dos Santos.
Para ser sincero convosco eu não sonhei com balões, sonhei com nenúfares.
Mas como no sonho eles voavam, deduzi que eram balões. Mas o que verdadeiramente importa é que eu costumo sonhar acordado. Sonhei que o engenheiro Sócrates tinha comprado um balão e que a senhora que lho encheu, que, por certo, era uma fada madrinha, foi tão generosa que o globo levou o senhor primeiro-ministro pelos ares fora, a voar, a voar, a voar, sempre a voar, cada vez mais alto, cada vez mais longe, mais alto, mais longe… Por isso vos digo que sonhei com um boneco de peluche. Ou melhor, o boneco era de neve que não derretia, nem com o calor. Mas se a neve não derretia, o boneco não podia ser de neve…. Era Natal no meu sonho de madrugada. Ou melhor, não sei bem se era Natal se era Carnaval… Eu gosto de sonhar acordado, mas agora, confesso, apetece-me dormir… Acho que sonhei que estava em… acho que estava… estava… que… sonhei que… um balão… um ba…u… u… u… u… u… u… u…

publicado por João Madureira às 20:38
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Domingo, 8 de Outubro de 2006

... e pang

2004_0905chavesaguasetembro10121.JPG

Pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong, pong…

publicado por João Madureira às 18:30
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Sábado, 7 de Outubro de 2006

Divagar

2004_0813quarteira0127.JPG

Aprendi devagar como aprender a desenhar.
Aprendi como é devagar aprender a amar.
Aprendi a amar devagar. Devagar como o mar. Devagar, devagar, devagar, como o mar.
Aprendi a divagar devagar, como o ar. Como o mar, aprendi a amar devagar. O mar. Devagar. O mar. Divagar o ar.
Aprendi a nadar. Aprendi a desenhar. Aprendi devagar. Aprendi a namorar. Devagar. Aprendi a andar, devagar. Devagar, como o mar. Como o mar, devagar. O mar. O mar. O mar. Devagar. O mar a divagar. O mar a amar. Devagar, a divagar. Como o mar. Divagar. O mar a amar. O mar a amar, devagar como o ar.
Aprender como o mar. Aprender devagar a divagar. Aprender como o mar a amar devagar.
O mar devagar a amar.
O mar.
Devagar.
Divagar.
Amar o mar.
Amar devagar.
Amar divagar.
Amar.
Amar o mar.

MARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMAR
MARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMAR
MARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMAR
MARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMAR
MARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMAR
MARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMARAMAR

publicado por João Madureira às 18:31
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Sexta-feira, 6 de Outubro de 2006

Mãos

2004_0918chavestarde0031.JPG

Têm as mãos uma dádiva de ternura para com o princípio dos tempos.
Outra coisa não seria de esperar.

Quando a memória arrefece, as mãos libertam-se do trabalho e acarinham os sentidos.

Houve tempos em que libertava as mãos para te agarrar, agora prefiro moldar olhares, ou orientar os traços longínquos do firmamento na tua pele.
Houve ainda tempos em que te moldava no vento que passa, onde sonhava abraçar-te quando ciciavas palavras íntimas, como o teu olhar.

Ao silêncio das minhas mãos aprendi a confiar segredos.

Não são prisões os teus dedos nervosos, são curvas de rio.

publicado por João Madureira às 18:08
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Quinta-feira, 5 de Outubro de 2006

Major Alvega e as donzelas

2004_0905chavesaguasetembro10007.JPG

Então, major Alvega, de novo por aqui? Já há muito tempo que não o via por estas bandas. Fartei-me de ler as suas aventuras, que, mesmo sendo pirosas, naqueles tempos era o melhor que se podia arranjar. Também li muitas histórias do Texas, do Kansas Kid, do Homem de Ferro, e de outros heróis de Banda Desenhada.
Tudo tinha a dimensão da nossa pequenez: os livros eram pequenos, editados em formato A5, a preto e branco e impressos em papel rasca. Fora isso, as histórias eram sempre as mesmas. Tudo muito a preto e branco. Heróis para um lado, bandidos para outro, e as donzelas no meio, ora optando por um lado, ora optando pelo outro. Elas ali ficavam no meio, no sítio onde está a virtude e outras coisas também boas e que se recomendam. Mas se elas ali ficavam, ora optando pelo herói, ora iludindo-se com o bandido, nós, os leitores, desconfiados, optávamos sempre, sempre, pelo herói, que era bom, honesto e sincero, nunca duvidando do bem, nunca pondo em causa as amizades, nem os amores, nem os princípios. Mas elas… elas, por vezes, deixavam-se iludir pelo sacripanta, pela sua riqueza material, pelos luxos, pela boa vida, pela aparente beleza do vilão, que, apesar de bonito por fora era feio, muito feio, por dentro. A sua alma era impura. Por isso impelia para o pecado da carne as inocentes donzelas virgens. Elas, que rejeitavam entregar a sua pureza ao herói, derretiam-se de mesuras e de excitação perante a maldade do vilão e a ele se entregavam, oferecendo-lhe a sua virgindade. Ele, já muito habituado a estas cenas, e sempre depois do acto, abandonava-as miseravelmente, ali mesmo, no local da ignomínia. Mas o herói, porque o era, até isso lhes perdoava e com elas ficava, porque, se as donzelas tinham entregue o corpo nas mãos do bandido por pura ilusão repentina, e como errar é humano, a alma, essa, tinha estado sempre com o herói. Mesmo quando se entregavam ao vilão, era no herói que pensavam, era com o herói que pretendiam casar e ter filhos, construir uma casa, comprar um carro e ir de férias para Cuba.
E foi nisto que deu a nossa sociedade, major Alvega.
Os malvados são todos empresários e os heróis estão todos na função pública.
Ó qu’isto chegou, querido herói de Banda Desenhada. Ó qu’isto chegou!

publicado por João Madureira às 18:57
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Quarta-feira, 4 de Outubro de 2006

TerçOLHO sentado

2004_0512Luzia0002.JPG

Agora só não vale tirar olhos.
Isto vai de mal a pior.
Ande o pior por onde andar a Portugal terá de vir parar.
Onde vais?
Para onde queres ir?
Sei que vou por aí, só não sei em que sentido.
Em sentido.
Sem sentido.
Tem sentido.
Estou sentado.
Estou danado,
Estou tramado.
Vou de lado.

publicado por João Madureira às 19:18
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Terça-feira, 3 de Outubro de 2006

Imaginem "que"

2004_0515Chaves0067.JPG

Imaginem “que”. Imaginem.
Na imaginação é que está o ganho. Isto quando ninguém perde, porque quando se perde a imaginação, imaginem só o que se perde.
Por isso imaginem “que”. Imaginem só por um momento “que”. Ó momento sublime! Ó magnificência de momento! Ó deslumbre! Ó sensação!
Não sei se imaginam. Mas imaginem só por um momento “que”. Peço-vos, imaginem só por um momento “que”. Já imaginaram o que era se pudéssemos imaginar “que”. Imaginem só. Já imaginaram o que era se pudéssemos todos juntos imaginar que cada um podia imaginar “que”. Ou então que o pudéssemos fazer em grupos de três, ou quatro, ou cinco, ou, até, mesmo seis, ou sete. Isso é que seria um mundo sublime. Um mundo que imagina “que” é um mundo que merece ser enaltecido, protegido e glorificado.
Eu já muitas vezes imaginei “que”. E gostei.
Por isso o aconselho sinceramente.
Por isso imaginem “que”. Imaginem.
Imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”, imaginem “que”.

publicado por João Madureira às 19:07
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Segunda-feira, 2 de Outubro de 2006

Imersões leninistas

2004_0714chaves-noite-julho140018.JPG

Já lá vai o tempo em que gostava de mergulhar na noite, agora gosto mais emergir de dia, especialmente durante a tarde.
Por isso actualmente compreendo melhor o ditado popular “mais vale tarde do que nunca”, ou “nunca é tarde para aprender”.
E eu até aprendi. Aprendi e continuo a aprender.
Já Lenine dizia “a prender, a prender sempre”.
E a noite é uma prisão, por isso dentro das prisões está sempre escuro.
Como é no escuro que melhor se estuda e se aprende, daí a circunstância de Lenine ter enviado para as cadeias os intelectuais que pretendiam aprender mais do que aquilo que o citado comunista lhes tinha ensinado.
Por isso resultou o leninismo, da noite fez-se dia e os revolucionários transformaram-se em dignos dirigentes da burguesia.
Lá diz o velho ditado popular, marxista por certo: “não há mal que sempre dure, nem bem que nunca cabe”.

publicado por João Madureira às 18:54
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