Quinta-feira, 30 de Novembro de 2006

Sou um globo

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Quero a globalização.
Sou adepto da globalização.
Sou um globo comilão.
Sou adepto da globalização.

Sou um glutão da insonorização.
Sou um canibal da reestruturação.
Sou um fanático da copulação.
Outros copularão ou não, com globos ou apalpação, com marmelos ou em autogestão.
Outros comerão ou não.
Um caralho, é o que são.
Vaginas não são.
Eu sou um globo.
Os outros serão ou não.

publicado por João Madureira às 19:30
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Quarta-feira, 29 de Novembro de 2006

Curvar ao centro

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Já há muito tempo que não curvava assim.
Para dizer a verdade, nem curvava assim nem assado.
Não curvava, e pronto!
Olhem que estar pronto é muito importante.
Está dito, está dito!
Dito e feito.
Quem faz bem feito deve ser objecto da nossa estima e da nossa consideração.
O respeitinho é muito bonito.
Bonito é também o atum, o atum do norte.
É no Norte onde vive a população mais perspicaz do nosso planeta.
Se ele é planeta, eu sou estrela.
Estrela polar.
Falar não custa.
Presunção e água benta cada um toma a que quer.

Andava eu a curvar acentuadamente quando do lado de lá da galáxia extravagante surgiu um gorila espampanante armado de espada e turbante.

E aos costumes disse nada.

Foi então quando alguém me disse que curvar ao centro resolve quase todos os problemas políticos.

Eu respondi-lhe que de filosofia não percebia nada.

Outra vez o nada.
Quando o nada vira ao centro a curva desvia-se.

Eis, pois, o problema resolvido.

publicado por João Madureira às 19:06
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Terça-feira, 28 de Novembro de 2006

A espuma dos dias

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Escrevo-te cá de baixo, mesmo muito mais abaixo do que é costume.
Ando eufórico, extravagante, frenético.
Agora tomo uns comprimidos que me põem eléctrico.
Estabeleci contacto com estas pílulas milagrosas uma noite quando um jovem simpático, que conheci por caso, mas aconselhou como antídoto contra as minhas crónicas dores de cabeça.
Deu-me uma para experimentar e depois vendeu-me um saquinho delas, caras, razoavelmente caras, mas artigo com propriedades muito apreciáveis.
Não é que com elas a dor de cabeça me passe, mas quando engulo uma ponho-me logo aos pulos. Por isso agora tomo-as e dirijo-me logo de seguida para um local onde se dança toda a noite ao som de música latina. E por ali fico aos saltos até que se faça dia. Depois de tomar a medicação só bebo água e sumos naturais, pois foi o que mais me recomendou o meu jovem amigo.
Eu, que detestava música de baile, eu que só conseguia ouvir música de câmara em ambiente adequado, agora derreto-me por salsa e merengue.
Mas vou terminar esta minha missiva pois acabei mesmo agora de tomar uma pílula verde e já estou que me desmembro.

PS – Não te esqueças de dar as vitaminas ao tritão, pois se as não tomar o bicho perde a cor e a elasticidade dos músculos e da pele.

publicado por João Madureira às 19:14
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Segunda-feira, 27 de Novembro de 2006

… e plung!

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Pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng…

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Domingo, 26 de Novembro de 2006

A espera

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Estou à espera.
Dizem que quem espera desespera.
Ou que quem espera sempre alcança.
Estou desesperadamente à espera.
Existe algo de elegante na espera. Mas não é o sentimento.
Mesmo na espera há quem desista de esperar.
Há quem desespere na espera.
Há quem nunca espere, só fique.
Há mesmo quem nunca fique, só espere.
Há quem espere pensando que não.
Há quem não.
Há muito quem não.
Há uma imensa prole humana que não.
Que não espera.
Que não alcança.
Que enche a pança.

publicado por João Madureira às 17:13
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Sábado, 25 de Novembro de 2006

Over The Rainbow

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Depois de ouvir, durante a tarde, Keih Jarrett no La Scala, passa-se este blog a quem oferecer a melhor oferta.
A todos um grande ECM.

Bem-hajam.
Até sempre!

publicado por João Madureira às 16:54
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Sexta-feira, 24 de Novembro de 2006

O Triângulo das Bermudas

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Para nosso contentamento, e outros sentimentos associados, existe um trilátero deveras virtuoso: o triângulo metafísico.
Tem também este triângulo a rara qualidade de, por vezes, se transformar num “Triângulo das Bermudas”, desde logo, porque, sendo conhecido de todos é, sobretudo, misterioso.
E como todos sabemos, o mistério é a nossa arma do desejo.

Diz-se deste polígono que não possui diagonais e que cada um de seus ângulos externos é suplementar do ângulo interno adjacente.
Denomina-se a região interna de um triângulo de região convexa e a região externa de região côncava.

Sobre a Metafísica o dicionário diz que se trata do conhecimento das causas primeiras e dos primeiros princípios; que é uma parte da Filosofia que estuda a essência das coisas; ou que é o conhecimento geral e abstracto, transcendência, abstracção, carácter do que é abstracto, ou que se trata de subtileza no discorrer.

Relativamente ao “Triângulo das Bermudas”, muitas teorias foram dadas para explicar o extraordinário mistério dos aviões e navios desaparecidos.
Extraterrestres, resíduos de cristais da Atlântida, humanos com armas anti-gravidade ou outras tecnologias esquisitas, vórtices da quarta dimensão, estão entre os favoritos dos escritores de fantasias.
Campos magnéticos estranhos, flatulências oceânicas (gás metano do fundo do oceano) são os favoritos dos demais técnicos.
O tempo (tempestades, furacões, tsunamis, terramotos, ondas, correntes, etc.) azar, piratas, cargas explosivas, navegantes incompetentes e outras causas naturais e humanas são as favoritas entre os investigadores cépticos.
Alguns cépticos argumentam que os factos não apoiam a lenda e que não existe mistério para ser solucionado, nada a necessitar de explicação.
O número de naufrágios na zona não é extraordinário, dado o seu tamanho, localização e o tráfego que recebe. Muitos dos navios e aviões que foram identificados como desaparecidos no “Triângulo das Bermudas”, não estavam sequer no Triângulo.
Até agora, não foi apresentada nenhuma prova científica de qualquer fenómeno invulgar envolvido nos desaparecimentos. Portanto, nenhumas explicações "científicas", incluindo o metano a soltar-se do fundo do oceano, as perturbações magnéticas, etc., são necessárias.
O verdadeiro mistério é como o “Triângulo das Bermudas” se tornou um mistério.

publicado por João Madureira às 17:27
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Quinta-feira, 23 de Novembro de 2006

A glória dos arcos

ponte romana 2001.jpg

Vejo-te em contraluz e tudo resplandece.
Lá ao fundo os teus arcos começam a ausentar-se.
Entretanto o rio continua a correr ao teu encontro.
Desatina a paciência milenar.
Enfiam-se as pedras nos livros dos poetas decadentes.
É essa uma decadência árdua e não premeditada.
És como um pináculo, uma obra feita para voar ao encontro das melancolias.
Tomo-te nos braços enfeitados e adormeço.
És um assombro.

publicado por João Madureira às 18:13
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Quarta-feira, 22 de Novembro de 2006

A pessoa que parecia

2004_0727bandapardais0001.JPG

Lá ao longe vislumbro uma pessoa.
Uma pessoa! Estou salvo. Vem lá uma pessoa.
Eu que tanto esperei, finalmente vejo recompensada esta minha espera, que também foi esperança.
Ó esperança, quero-te tanto!
Estou impaciente.
Não é a longa espera o que mais nos desgasta. O que custa verdadeiramente são estes instantes finais. Este compasso entre o que não acontecia e o que quase está para acontecer.
Lá vem ela, a pessoa. Estou salvo.
Ó pessoa, chega depressa.
Estou tão impaciente!
Olha, olha, a pessoa. Lá vem ela.
Finalmente.
Pssst. Olha, estou aqui. Ajuda-me, faz-me companhia. Sorri, por favor. Já há tanto tempo que não vejo um sorriso humano. Pssst. Estou aqui. Pssst. Pssst. Pssst. Pssssssst…Psssssssssssssssst… Pssssssssssssssssssssssssssssssst… Estou aqui… Aquiiiiiiii… Estou… Pssssssssssssssssssst… Por favor… Psssssssssssssssssssssst…
Senhor… Pessoa… Psssssssssssst… Pssssssssssssssssst…
Ó não, não acredito. Foi-se embora. Nem sequer se dignou olhar para mim. No entanto parecia uma pessoa. Era uma pessoa. Parecia mesmo uma pessoa. Tinha cabelo, olhos, boca, nariz e.. e… braços e… e… pernas e… e… andava como uma pessoa, falava como uma pessoa. Parecia mesmo uma pessoa. No entanto fez que não me viu. Tenho a certeza que parecia uma pessoa. Só podia ser uma pessoa. Mas não me falou, nem se sorriu para mim… não me falou, ou sequer esboçou um sorriso. Passou por mim como só ele é que fosse pessoa. Fez como se eu não existisse. No entanto contornou-me.
Com aquele aspecto só podia ser uma pessoa.
Seria?

publicado por João Madureira às 19:40
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Terça-feira, 21 de Novembro de 2006

Fados

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Conheci em tempos um mendigo que todas as noites se punha diante de uma montra a conversar com um manequim.
Dizia a quem passava que aquela era a sua namorada.
Quando, por vezes, o manequim desaparecia durante um dia ou dois da montra, ele, aflito, cantava baixinho os seus desvarios:
“Os bons pensamentos vão-se transformando em estátuas de sal.
É o pecado.
É o medo.
Será da confusão?
Sonho com noites seladas com rododendros iluminados pelo gelo dos cristais.
Ó minha querida, choro a tua ausência”.
Um dia, o dono da loja resolveu vender o velho manequim para assim se ver livre do mendigo que dava mau aspecto ao negócio.
A partir desse momento o mendigo enfeitiçado passou a ganir como um cão abandonado e, agora, pára junto de uma imagem de Nossa Senhora e canta durante toda a noite o “Fado da Ladrão Enamorado”, do Rui Veloso.

publicado por João Madureira às 18:07
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Segunda-feira, 20 de Novembro de 2006

... e pleng!

2004_0905chavesaguasetembro10055.JPG

Plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang, plang…

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Domingo, 19 de Novembro de 2006

Mendigos

2004_0918chavestarde0074.JPG

Têm agora os pedintes direito a fila para a esmola.
Por causa do seu novo estatuto profissional e remuneratório, quem quiser dar esmola a um pobre tem de se por na fila e esperar a sua vez.
No seu novo contrato de trabalho, os mendigos passam a ter direito a férias, décimo terceiro mês, progressão na carreira por mérito e avaliação anual do desempenho. Podem também passar recibo que abate na declaração de IRS. Muitos deles vão mesmo poder ingressar na Função Pública, só que com perda de alguns direitos.
Por seu lado, os católicos vão poder progredir mais e melhor nas suas carreiras religiosas se derem esmolas substanciais, mas, sobretudo, se elas forem aplicadas no fomento do emprego, na revitalização da economia e no desenvolvimento das novas tecnologias postas ao serviço da comunidade, especialmente na transmissão das missas de domingo via Internet.
Aqui os benefícios são doados em géneros ligados à liturgia eclesiástica e, sobretudo, à aposentação a que todos passam a ter direito depois da morte. Dado que, com este governo, as reformas só vão poder ser gozadas depois da passagem à vida eterna.
Tal facto desencadeou já um protesto por parte dos agnósticos que, por não gozarem desse estatuto especial, se encontram num beco sem saída. Ou deixam de ser agnósticos e se convertem ao cristianismo, para assim passarem a ter os mesmos direitos constitucionais, ou permanecem na sua teimosia e ficam fora deste novo contrato colectivo de trabalho. O que é manifestamente antidemocrático e, até, uma intolerante intromissão nas crenças, usos e costumes, ou seja, na esfera privada de cada cidadão, seja ele católico ou não.
Contactado o sindicato dos mendigos, declarou que tal discriminação não lhes pode ser imputada, pois, para os seus sindicalizados, todas as esmolas são bem vindas, independentemente das crenças religiosas, filosóficas ou clubísticas dos benévolos dadores. No entanto dizem constatar que é às portas das igrejas, especialmente aos domingos, que os seus associados recebem as melhores esmolas. Algumas até substanciais. Nomeadamente quando se trata de políticos em tempo de campanha eleitoral e quando acompanhados da comunicação social.
Os mendigos homossexuais também já se manifestaram dizendo que continuam a ser discriminados, nomeadamente quando se encontram a pedir esmolita nas entradas dos templos. Idênticas preocupações foram referidas pelos sindicatos ou associações socioprofissionais dos transsexuais, prostitutas, africanos e ciganos.
A comunidade islâmica, sedeada no nosso país, também já tomou posição referindo que quando se encontram de turbante a pedir esmola à porta das igrejas católicas, muitos dos que lá penetram lhe dizem baixinho para irem pedir esmola para a entrada das mesquitas e que alguns deles até os insultam, comunicando-lhes para irem para a p.. que os pariu ou mesmo para as suas terras, onde estão as ditas.
Antes do alinhamento do final desta missiva, recebemos um e-mail do Ministério das Finanças a desmentir a possibilidade dos mendigos do sector privado ingressarem na função pública porque, e passamos a citar “ de pedintes estão os vários quadros de pessoal repletos”. E acrescenta: “Nada nos move contra esses profissionais, no entanto, e como muito bem diz o nosso povo, o que é demais é desgoverno, e se o povo português nos concedeu a maioria absoluta foi para governar e não para fazer o contrário, como foi apanágio dos sucessivos governos que nos precederam.
A bem da Nação”.

publicado por João Madureira às 19:18
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Sábado, 18 de Novembro de 2006

Não me fodas...

2004_0605Chavesdiversos0060.JPG

Sim, eu não comento.
Não, eu só lamento.
Talvez, eu estou atento.
Ó... ó... ó... Á... á... á... Sem agá, ou acento grave...
Não, eu só lamento.
Sim, eu não comento.
Talvez, eu estou atento.
O resto são cantigas.
Sem comentários.

Não me comas...

publicado por João Madureira às 21:24
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Sexta-feira, 17 de Novembro de 2006

Bailes

2004_0918chavestarde0075.JPG

Desde o tempo dos bailes no Pingue-Pongue que não me divertia tanto sem sair quase do lugar.
Lembro-me que nesses tempos a nossa maneira de dançar, independentemente da música, se baseava quase na prosélita postura de não mexer os pés. E por ali andávamos a experimentar a nossa sexualidade envergonhada apertando a menina até ela se queixar.
São momentos tão doces e ternos que me pergunto se verdadeiramente os vivi ou sonhei.
A música era do Santana. Outras havia, mas a dele é que nos dava tesão. O “Samba Pa Ti” ou o “Oye Como Va” eram autênticos convites à dança do aperto.
Por vezes até se realizavam outros bailes em quartos escuros ali para as bandas da Rua dos Gatos ou artérias limítrofes. As donzelas ficavam muito vermelhas ainda mesmo antes de entrarem nos exíguos quatros que não aguentavam mais do que três ou quatro pares. Os rapazes espremiam-se muito tentando perscrutar protrusões tímidas, mas ardentes. O resto vinha por acréscimo. E era um acréscimo muito carinhoso: alguns beijos embasbacados, mas saborosos; alguns apalpanços subtis, mas determinados; segredos suspirados, palavras de amor balbuciadas; e outros pormenores não prioritários, mas extremamente deliciosos.
Era tudo pura adrenalina: os olhares, as posturas, o andar, os penteados, as borbulhas, os odores, os sorrisos, os espíritos ardentes.
Eram aquelas tímidas raparigas princesas dos aspectos.
Davam-nos algum prazer e punham-nos a sonhar com algo mais, que, mesmo conjecturado, era uma senda um pouco obscura e pejada de indecisões e insipiências.
A adolescência é o momento mais doce na vida de um ser humano.
É a idade da experimentação. E quem experimenta sempre alcança.
E é aí que entra a dança. Ou o baile.

publicado por João Madureira às 17:24
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Quinta-feira, 16 de Novembro de 2006

Exposição

2004_0606Chavesdiversos0091.JPG

Sugiro que não me voltes a incomodar com minudências.
Estou na minha fase brilhante.

Não sei se é a cor ou a forma o que me aproxima dos objectos.
Sinto-me tentado a experimentar a sorte de descobrir novamente o prazer de nada fazer a não ser olhar os potes que se amontoam à minha volta.

Houve alturas em que coleccionava desconsiderações.
Hoje concentro-me na leitura de poemas chineses em francês.

Com a poesia chinesa tudo ganha luz.
Por dentro tudo fica iluminado.
Tudo.

Em dias assim todo o universo à minha volta ganha uma resplandecência transbordante.

publicado por João Madureira às 18:07
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Quarta-feira, 15 de Novembro de 2006

Não te iludas

2004_0905chavesaguasetembro10052.JPG

– Ai as nuvens. Ai as nuvens. Estou nas nuvens…
– Estás é bêbado.
– Estou é babado.
– Não te iludas. Estás é bêbado.
– Estou fadado.
– Estás, estás…
– Eu gosto é de água.
– Quando estás bêbado ficas irónico.
– Isotópico?
– Irrisório.
– Cheio de água?
– Sou o vinho da…

publicado por João Madureira às 22:39
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Terça-feira, 14 de Novembro de 2006

Vai-me custar partir

2004_0606Chavesdiversos0001.JPG

– O que é a beleza?
– Não sei.
– Vai-me custar partir.
– Porquê?
– Por causa da beleza das nuvens.
– Então não partas. Fica.
– Não posso. Sou mortal.
– Então deixa-te ficar mais um pouco.
– Sim.
– Não te aflijas.
– Vai-me custar partir.
– Porquê?
– Por causa da beleza do céu e das nuvens e dos teus olhos.
– O que é a beleza?
– Não sei. Apenas sei o que é belo e aquilo que não o é. E para isso não há uma definição. É mais uma intuição. Qualquer pessoa intui aquilo que é belo. A beleza não é um conceito, é um sentimento.
– Afinal tu sabes o que é a beleza.
– Ai sim.
– Sim. A beleza é um sentimento.
– Achas?
– Tu própria o disseste.
– Isso que eu exprimi é apenas intuição.
– Por isso é belo.
– Achas?

publicado por João Madureira às 18:48
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Segunda-feira, 13 de Novembro de 2006

... e plang!

2004_0905chavesaguasetembro0008.JPG

Plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong…

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Domingo, 12 de Novembro de 2006

Exaltação em azul

DSCF0003.JPG

Tu és azul, eu sou serra.
Tu és tudo e eu sou além.

Quando tu falas eu fico denso.
Quando te exaltas, eu calo-me.

Digo-te: gosto das tuas quimeras.
O que vem a seguir é sempre azul.

Exaltação azul.
Exaltação.
Azul.

Tensão azul.
Tesão.
Azul.

Elevação azul.
Azul.
Azul.

Norte.
Sorte azul
Norte.
Azul.
Azul.

Gosto das tuas quimeras
Ainda sou o que fui
Tu até és mais do que eras.

publicado por João Madureira às 19:00
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Sábado, 11 de Novembro de 2006

Sempre

2004_0512Luzia0010.JPG

Por ti voltarei sempre.
Sempre e para sempre.
Por ti voltarei.
Por ti.
Voltarei por ti. Para sempre.
Sempre.
Sempre por ti.
Sempre para ti.
Sempre.
Por ti voltarei.
Voltarei sempre.
Sempre. Sempre. Sempre.
Voltarei.
Por ti.

publicado por João Madureira às 19:30
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Sexta-feira, 10 de Novembro de 2006

Eles, aqueles... os outros

2004_0730santoamaro29julho040083.JPG

– Lá voltam eles.
– Sim, pois.
– Olha, olha… Este vai e vem não é habitual.
– Tal e qual.
– Olha, olha, lá voltam eles.
– Pois.
– Olha, olha… Anda tudo maluco. Olha, olha, lá voltam eles.
– Sim.
– Olha, lá voltam eles. Com tanto barulho não vou poder dormir. Eu que já só sou uma insónia constante. Olha, olha, lá voltam eles.
– Está bem. Sim.
– Tu não me estás a ouvir. Olha, olha, lá voltam eles. Que coisa absurda dançar à noite. Olha, olha, lá voltam eles.
– Eles quem?
– Eles.
– Pois.
– Olha, olha, lá voltam eles. Que noite vou ter, meu deus. Com tanto barulho aqui na rua não vou poder descansar. Eu que já durmo tão pouco. Eu que sempre fui pouco agora sou quase nada. Olha, olha, lá voltam eles.
– Eles quem?
– Eles, aqueles. Aqueles ali. Estou mesmo a ver que não vou conseguir dormir mesmo nada com esta barafunda toda. Olha, olha, lá voltam eles. Olha, olha…
– Aqueles, quem?
– Aqueles, eles.
– Mas aqueles não são eles.
– Não são eles, aqueles?
– Não, eles são os outros. Aqueles não são eles.
– Olha, olha, lá voltam os outros.
– Não, aqueles não são os outros. Aqueles é que são eles.
– Quem? Os outros?
– Não. Eles.
– Eles? Aqueles?

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Quinta-feira, 9 de Novembro de 2006

Água perpétua

2004_1208chavesDezPonteRio0037.JPG

Por agora entrego-me ao prazer de atravessar a ponte e de olhar o Tâmega como se fosse a primeira vez.

O Tâmega é uma ponte ao contrário. É um vínculo entre sítios e memórias.
Já passou por tudo e por tudo continua a passar.

A ponte é um ponto de encontro.
Também é um andamento íntimo.

Ressoam na nossa memória todas as histórias do mundo.
Uma única história é a história de tudo.
Todas as histórias contêm a água dos rios, os seus segredos, a sua múltipla linearidade líquida.

Um rio vai mas volta sempre. Volta na forma poética de uma nuvem abnegada. Volta em gotas doces de transparência. Em metamorfismos.

Anda a ponte às voltas com a água. Fica a água inquieta com as margens.
Deslizam nela as imagens de quem passa, numa pressa substantiva, ou num vagar sedutor.

Depois tudo se enche de cor, da cor dos olhos de quem observa a vida em reflexos deslumbrantes.

A vida é um rio.
A existência de um rio é um olhar.
Um olhar é uma vida.

Todas as auroras do mundo cantam o ciclo perpétuo da transparência.

publicado por João Madureira às 19:06
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Quarta-feira, 8 de Novembro de 2006

Onde está Deus?

2005_1126ChavesA11nov0023.JPG

Deus está nos pormenores.

publicado por João Madureira às 18:00
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Terça-feira, 7 de Novembro de 2006

Revelações

2005_1126ChavesA11nov0043.JPG

Têm as coisas belas uma música muito própria.
Possuem nos interstícios algo de fascinante.
E o fascínio é, em si mesmo, uma disposição reveladora.
Como revelador é a exaltação da simplicidade.

publicado por João Madureira às 17:30
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Segunda-feira, 6 de Novembro de 2006

Eu sou o meu próprio frio

2004_0515Chaves0082.JPG

Tenho frio.
Eu sou o meu próprio frio.
O meu gelo.

Eu sou aquele que olha e não avista aquilo que estima.
Eu sou aquele que fala e não consegue perceber o que diz.
Eu sou aquele que pensa e não alcança solução para as suas perguntas.

Agora é sobretudo a tristeza quem me faz companhia.
É ela quem me enche os bolsos.

Já lá vai o tempo em que me punha a cantar como os pássaros nas manhãs de Primavera, agora só me saem gemidos.
Agora, mesmo quando estou ao sol, não faço sombra.
Quanto mais ando menos saio do sítio.
Quanto mais me lavo mais sujo fico.
Será da água senhor?
Será da desdita?


publicado por João Madureira às 19:00
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Domingo, 5 de Novembro de 2006

... e plong?

2004_0905chavesaguasetembro0016.JPG

Pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling, pling…

publicado por João Madureira às 19:01
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Sábado, 4 de Novembro de 2006

As folhas da loucura

2004_1005interioresq0022.JPG

Eu sou um camaleão.
Um leão que gosta muito de cama.
Uma perfeição imperfeita.
Uma mitologia, uma trilogia, uma genealogia estrábica.
Sou o deus Anúbis, ou Ramsés travestido, ou uma piranha semântica.
Para além disso, só me resta ler todos os livros…
Ou nenhuns…
Ou…

publicado por João Madureira às 18:21
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Sexta-feira, 3 de Novembro de 2006

Ir e vir

2004_0813quarteira0146.JPG

Passei alguma parte da minha juventude a andar. Andava muito.
Andava em volta do tempo, da amizade e da esperança.
Compunha circuitos concêntricos que sempre me traziam de volta ao mesmo lugar.
No fundo, a vida é um pouco isso: uma sensação de movimento sem avanço real.
É uma curva contínua que nos transporta constantemente ao ponto de partida.
Estamos sempre a partir para chegar ao mesmo lugar. Sempre a partir e a chegar. Sempre a chegar e a partir. Sempre a ir e a vir. Sempre a vir e a ir. Sempre a fugir. Sempre a chegar. Sempre a ir. A ir e a vir. Sempre a partir. Sempre a chegar. Sempre a fugir. Sempre a colidir. Sempre a cair e a decair. Sempre a sair. A ir e a vir. Sempre a medir e a prevenir. Sempre a sentir. Sempre a divergir, a aderir, a ferir, a interferir. Sempre a ir e a vir. Sempre a vestir e a despir. Sempre a competir, a inflectir, a reflectir e a repetir. A ir e a vir. Sempre a dividir, a exibir e a proibir. Sempre a ir, sempre a rir e a fugir. Sempre a transigir, a transgredir, a confundir, a reunir, a surgir, a cuspir, a punir, a deduzir, a produzir. Sempre a ir e a vir. Sempre a seduzir. Sempre a reproduzir. A ir e a vir. A ir e a vir. A ir e a vir. Sempre a seduzir. Sempre a fremir, a ir e a vir. A ir e a vir. A ir e a vir. Sempre a inserir. A ir e a vir. A ir e a vir. A ir e a vir. Sempre a repetir, a seduzir, a inserir. A ir e a vir. A insistir. Sempre a insistir. Sempre a insistir. Sempre a fornir. Sempre a curtir. Sempre a introduzir. A ir e a vir.
Sempre a presumir.

publicado por João Madureira às 17:41
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Quinta-feira, 2 de Novembro de 2006

Mortes cíclicas

2004_0711ficojulho2004-b0032.JPG

Está o porco no banco e por isso o texto fica fora de contexto.
Eu também ajudei a matar porcos.
Bem, a matar não. O que eu fazia era olhar para eles e vê-los morrer agarrados pelos homens enquanto o matador lhe espetava a enorme faca na direcção do coração.
Ele roncava muito. E esperneava. Entretanto o sangue escorria para uma bacia. E o animal, enfim, ficava quieto. E calado.
Depois chamuscava-se-lhe o pêlo, lavava-se com água e esfregava-se com pedras. A água tinha que estar bem quente porque o porco frequentemente morria nas manhãs frias de Inverno, em dias de neve ou geada. Depois esventrava-se o bicho e tiravam-se-lhe as entranhas. Algum sangue era prontamente cozido e servido ainda quentinho, temperado com azeite e alho. Acompanhava-se o pitéu com bom pão centeio e uma pinga do maduro.
Isto durava uma manhã, entre os ditos bem-humorados das mulheres e as piadas brejeiras dos homens. O resto eram cantigas, assobios e sorrisos.
Quando o porco ficava limpo, pendurava-se de cabeça para baixo e aí ficava a enrijar as carnes para que dali a dois ou três dias, o matador o fosse desfazer, com muita mestria e erudição.
Seguia-se-lhe a etapa do sal e tudo terminava no ciclo do fumo.
Enquanto isto acontecia, já um outro porco engordava na corte para o próximo Inverno.

publicado por João Madureira às 18:29
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Quarta-feira, 1 de Novembro de 2006

Cobra

2004_1101feirasantos70011.JPG

Vai a luz sobra a roupa.
Aconchega-te na roupa, tu és luz.
Toda a roupa te sobra…

publicado por João Madureira às 21:51
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