Domingo, 31 de Dezembro de 2006

Está tudo iluminado (continuação três)!

Escrevo-te de A. para te dizer que aqui também tudo está iluminado.

Estão iluminadas as tendas dos árabes que acreditam na paz, estão iluminadas as ondas do mar e também as pequenas embarcações dos pescadores, e as figueiras, e as flores de plástico que tenho na sala.

Continuam ainda iluminados os mamilos da minha namorada à espera do orvalho, e os lápis de cor com que pinto os desenhos para o meu sobrinho.

Também ele está iluminado bem assim como a trotinete que lhe comprei no Natal.

Iluminado encontra-se também o jacuzzi do hotel onde me albergo à semelhança da conta do meu advogado.

Iluminados andam os meus olhos com o que vejo à noite no meu quarto.

Andam iluminados os segredos do meu bem-estar, a felicidade por poder ver o céu azul e as linhas diáfanas da mulher que agora me acompanha para todo o lado. E sem compromisso. Bem, quase sem compromisso.

Muito bem iluminada continua a boa amizade que tenho por ti, meu bom amigo.

Um abraço mesmo muito bem iluminado.

 

PS – Não te esqueças de arejar os pirilampos. Também eles precisam de se iluminarem convenientemente.

 


publicado por João Madureira às 20:22
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Sábado, 30 de Dezembro de 2006

Está tudo iluminado (continuação dois)!

E ainda continua tudo iluminado: o Largo do Arrabalde depois da chuva, as coxas de Marilyn Monroe no filme “O Pecado Mora ao Lado”, a “Teoria da Relatividade”, Tom Wolfe, a linguagem imaginativa de Mia Couto, “O Malhadinhas” de Aquilino Ribeiro, a minha máquina fotográfica, as sandálias do pescador, Lawrence da Arábia, as minhas recordações do Cine-Teatro de Chaves onde vi “O Último Tango em Paris” e os “Doze Trabalhos de Astérix”, a posição enrolada da Luzia, o sorriso altruísta do Vasco, o clarinete do Axel quando toca a “Garota de Ipanema”, a poesia de Vinicius de Moraes, a música de Frank Zappa e a sua fina ironia, as ilusões de Natal, as desilusões de Ano Novo, a regularidade dos dias e das noites, tu, eu, a vontade de estar sempre num lugar diferente, o olhar das ovelhas, o concerto no La Scala de Milão do pianista Keith Jarrett, o lento passar das nuvens, os gritos das baleias, o silêncio, o arado com que o meu avô arava as terras da Ribeira, as páginas já escritas do meu novo livro, as geadas da meia-noite, o amanhecer do Sol por detrás do Brunheiro, os olhos secretos de Deus, a alegria dos homens e das mulheres quando fazem amor…


publicado por João Madureira às 19:59
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Sexta-feira, 29 de Dezembro de 2006

Está tudo iluminado (continuação um)!

 

… as orelhas de Franz Kafka, a grande muralha da China, os candeeiros da ponte Romana, a enciclopédia Larousse,  as folhas caídas dos carvalhos, a literatura erótica, Corto Maltese, a Casa Dourada de Samarcanda, o livro de poesia “Vocação Animal” de Herberto Hélder, o olhar dinâmico da Luzia, a calma da chuva miudinha que continua a cair nesta tarde de Inverno, o olhar selvagem da raposa esfomeada das serranias, a carne cozida no pote, a cafeteira de barro, a relva das margens do Tâmega, os gestos labirínticos da água a escorrer na calçada da Rua de Santo António, o próprio Santo António, a linguagem diáfana das sereias.


publicado por João Madureira às 18:39
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Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2006

Está tudo iluminado!

 

Está tudo iluminado: os arcos da ponte, os teus olhos, os dedos do meu pensamento, a lenta paciência do musgo, os picos do azevinho, os peixes do rio, a tua face cálida, a ternura esponjosa dos níscarros, os livros de aventuras, a poesia das tuas mãos, as feiticeiras más, os lambris dos passeios de Oz, os anões de Oz, os vestidos de Judy Garland, as longas e belas mãos do Vasco e do Axel, o nariz do boneco de neve, a neve do boneco de neve, Rosebud, Juan Rulfo, Daryl Hannah – a namorada do “replicant” do Blade Runner, a actriz e o actor do filme “Disponível Para Amar”, a rua Direita, o sorriso dos meus amigos, as paredes irregulares da casa da minha avó, os caminhos aventurosos do Larouco, as dúvidas dos crentes, as alucinadas alucinações dos visionários, o altruísmo dos simples, a lógica irracional, a razão impura, os ramos dos rododendros, a electricidade estática dos carros, a imobilidade dos nenúfares, o meu chapéu azul, as palhas da corte dos bois, o podão, as linhas cimeiras dos montes e…


publicado por João Madureira às 19:08
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Quarta-feira, 27 de Dezembro de 2006

Conversa captada por uma antena parabólica entre o Senhor e um pardal

 

– A maioria das pessoas limita-se a procurar a beleza em vez de criá-la.

– Piu, piu, piu, piu, piu.

– Olha à tua volta. Até eu já duvido que a beleza se encontre na natureza, da mesma forma que a verdade se encontra afastada da vida.

– Piu, piu, piu, piu, piu, piu, piu.

– Tens razão. Verdade e beleza são criações do próprio homem.

– Piu, piu, piu, piu, piu, piu, piu, piu, piu.

– Tu estás mais velho, quer dizer, cresceste!

– Piu, piu, piu, piu, piu, piu, piu.

– Andas a ler romances?

– Piu, piu, piu, piu, piu.

– É estranho, isso de ler romances. Depois as pessoas passam a vida a perguntar umas às outras: já leste este? Já leste aquele?

– Piu, piu, piu, piu.

– Só Deus Meu Pai sabe o que estás para aí a dizer!

– Piu, piu.

– Então piu para ti também.

 


publicado por João Madureira às 18:53
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Terça-feira, 26 de Dezembro de 2006

Mas que rica cristandade!

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Então, onde estão os patos?
O que fizeram às pobres criaturas de Deus?
Bonita cristandade esta, chacinam milhões de animais para encherem a pança de comida e depois rezam a Deus para irem para o céu.
Mas que grande desperdício de vontades.
Mas que grande ilusão.
Era bem feito que viesse por aí um peru, ou um bacalhau, ou um polvo, e vos comesse com a mesma voracidade e ternura com que vós os comestes em família na ceia de Natal, ou derivados.

publicado por João Madureira às 17:51
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Segunda-feira, 25 de Dezembro de 2006

... e ping, pang, pong, ping, pang, pong, pung, ping, pang!

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Pung, ping, pung, ping, pung, ping, ping peng, pung, ping, pung, ping, ping peng, pung, ping, pung, ping, ping, peng, pung, ping, pung, ping, ping peng, pung, ping, pung, ping, ping peng, pung, ping, pung, ping, ping peng, pung, ping, pung, ping, ping peng, pung, ping, pung, ping, ping peng, pung, ping, pung, ping, ping peng, pung, ping, pung, ping, ping peng, pung, ping, pung, ping, ping peng, pung, ping, pung, ping, ping peng, pung, ping, pung, ping, ping peng, pung, ping, pung, ping, ping peng, pung, ping, pung, ping, ping peng, pung, ping, pung, ping, ping peng, pung, ping, pung, ping, ping peng, pung, ping, pung, ping, ping peng, pung, ping, pung, ping, ping peng, pung, ping, pung, ping, ping.


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Domingo, 24 de Dezembro de 2006

Feliz Natal, Miguel Torga

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Finalmente encontrei o verdadeiro Rei Midas, o que transforma as folhas, as palavras, e todos os utensílios de ouro, em húmus.
Por isso, a todos um Natal cheio de humanidade, de vida, de coisas verdadeiras, simples e discretas.
Um Natal dos Simples.
Fazes cá muita falta, Miguel Torga.

publicado por João Madureira às 18:26
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Sábado, 23 de Dezembro de 2006

Tudo é lixo e ao lixo há-de voltar

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Hoje anda tudo nas compras.
As pessoas compram tudo e mais alguma coisa.
Adquirem tudo aquilo que podem negociar.
Tudo aquilo que o dinheiro possibilita.
Mas o essencial na vida não se pode embrulhar.
Não se pode adquirir.
Não se pode “coisificar”.
Só se pode sentir.
Hoje escrevo estas palavras porque ninguém as vai ler.
Mas o quem de ser tem muita força.
A força do desejo e da vontade.

publicado por João Madureira às 18:09
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Sexta-feira, 22 de Dezembro de 2006

Foda-se, Pai Natal

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Foda-se, Pai Natal, repito, e restante família. Acabaram-se os postais de Boas-Festas.
Essa era já a minha vontade desde há muito tempo, mas não a podia exprimir assim tão abertamente.
Eu já tenho tudo aquilo o que posso ter. Até tenho um blog. Só não tenho o que mais quero. Que são as estrelas no meu bolso para as dar à Luzia. E foi isso sempre o que eu mais quis. Dar-lhe estrelas.
E também dar as estrelas e os planetas ao Vasco e ao Axel. E oferecer, desembrulhadas, as constelações mais longínquas ao meu pai, que já não posso ver, mas de quem sinto imensa falta. E recompensar o cantos de trigo e os rebuçados que a minha avó me deu pondo-se no teu lugar quando a abandonaste num Natal longínquo de 1966.
Foda-se Pai Natal.
Desculpa Pai Natal.
Eu sempre pensei que não existias, mas agora sei que existes e que és uma grande merda. Simbolicamente, claro.
E isso é muito pior de que se verdadeiramente não existisses. Transformaram-te em realidade, uma dura, crua e sinistra realidade. Uma obsessão. Uma conspiração contra os sentimentos, contra a beleza, contra a fraternidade. Contra a simplicidade das sensações mais íntimas e mais puras.
Tu és só “presentes”. Tu és só presente.
E os ausentes? Hã? E os ausentes? Onde estão os ausentes?
Só cintilas com dinheiro. Só sorris no meio do desperdício e da futilidade. Só ajudas os que têm. Só iludes os que não são capazes de sonhar.
E os ausentes, que tanta falta me fazem, onde estão?
Foda-se, Pai Natal, deixaste que te transformassem num velho de barbas branquinhas todo vestido de vermelho. E, ainda por cima, gordo. Muito gordo. E que se ri como um comentarista de rádio que dá peidos sonoros, roucos, untuosos e vernáculos.
Foda-se, Pai Natal, dás pena.
Apetece mesmo dar-te com o pinheirinho artificial nas trombas e depois pôr-te à geada enrolado em luzinhas intermitentes. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar…

publicado por João Madureira às 17:32
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Quinta-feira, 21 de Dezembro de 2006

O carinho e a determinação

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Escrevo-te de A. Com muito carinho e determinação.
Sobretudo com carinho, mas também com muita determinação.
Agora ando muito determinado. E também carinhoso.
Ando determinado a candidatar-me a uma bolsa de estudos para o estrangeiro destinada a pessoas da terceira idade. É que eu gosto muito de estudar. Cada vez gosto mais de saber, porque saber é compreender e compreender é ir mais além. E eu quero ir mais além. Muito mais além. Mas mesmo muito mais além. Sempre mais além. E mais além.
Além disso, compreender é perdoar. E há por aí muita gente a necessitar de ser perdoada. Sobretudo muitos dos políticos do nosso país que prometem uma coisa e depois fazem outra. Mas a verdade é que uma coisa é falar e outra administrar. E para alguém administrar o país precisa de muita coragem e muito saber. Também necessita de muita paciência, pois os portugueses são ruins de aturar. Nunca sabem muito bem o que querem. Só sabem que querem. E é só nisso que pensam, no querer.
Mas para querer com qualidade é preciso muito saber. E para saber também é necessário crer, crer em algo, nem que seja no Diabo. Porque quem crê no Diabo também crê em Deus e quem crê em Deus também crê no Homem e quem crê no homem também crê na mulher e quem crê na mulher também crê no pecado original e por isso mesmo crê nos animais, sobretudo nos animais que levam ao pecado, como a serpente do paraíso e daí até acreditar na criação do mundo e só um passo. Depois é relativamente fácil acreditar nas almas e no purgatório e no além e no baptismo e no Natal.
E é aí que bate o ponto.
Eu já acredito em tudo, porque não acredito em nada.
Até acredito que o Natal é a festa do nascimento de Jesus.
E tu se não acreditas é porque és parvo, sem ofensa, claro.

Por hoje é tudo. Um abraço.

PS – Não te esqueças de polir o cágado e de dares os biscoitos de Natal ao cão. Ele adora. Vais ver que até te lambe as mãos.

publicado por João Madureira às 18:28
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Quarta-feira, 20 de Dezembro de 2006

In Memoriem

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Fizeram uma patifaria aos patos.
E as pobres aves não mereciam tal desdita.
Eu sei que as eliminaram por causa da gripe das aves.
Mas a gripe dos humanos também é contagiosa e não é por tal circunstância que se eliminam.
Com que direito é que se matam centenas de aves inocentes só por suspeita de contágio?
Está visto, os seres humanos não têm coração. Pensam que só eles é que têm direito a existir. E tudo o que os ameaça merece ser eliminado.
São uns verdadeiros canalhas.
Primeiro semearam de patos o Tâmega e depois eliminaram-nos de forma grotesca, como se fossem judeus.
Tal procedimento é uma ignomínia, um atentado ecológico, uma afronta aos direitos dos animais.
Convém dizer que nenhuma das forças vivas da cidade se referiu a tal atentado, o que demonstra que se não temos um poder autárquico sensível à ecologia e aos direitos dos animais, muito menos possuímos uma oposição dedicada às grandes causas.
Nem às pequenas, estou em crer.
Por isso aqui fica esta chamada de atenção em memória das muitas aves que, de um dia para o outro, desapareceram do rio do nosso contentamento e que tanta beleza lhe transmitiam.

publicado por João Madureira às 17:33
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Terça-feira, 19 de Dezembro de 2006

Quanto mais pressas…

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A ver se me apresso senão vou apanhar uma molha das valentes.
Ou melhor não. Já estou farto de me apressar. Agora é pressa para tudo. Para levantar. Para ir trabalhar. Para ir às compras. Para ir buscar o filho. Para ir à missa. Para ir ao cinema. Para ir passear.
Para ir.
Deixai-me ir que tenho pressa.
Raios partam tanta pressa. Agora tem-se pressa para tudo. Já tenho pressa de acabar. Temos pressa em acabar o que ainda mal começámos.
Tenho pressa para aqui, tenho pressa para ali. Tenho pressa de ter pressa. Deixai-me ir que tenho pressa.
Vou-me embora que tenho pressa. Olá, estás bom? Então até logo que tenho pressa. Ó Rosa já há muito tempo que não te via. Então até logo que tenho pressa. Gostava de falar um pouco contigo, mas não posso porque tenho pressa. Até já me esqueci de onde tinha de ir, mas sei que tenho pressa de lá chegar.
Agora cada vez tenho mais pressa. Tenho tanta pressa que nem posso olhar para as nuvens no céu. Tenho tanta pressa que nem sei se o meu filho precisa de mim. Tenho tanta pressa que me esqueci de dar um beijo à minha mulher, ou de lhe dar os bons dias, ou de reparar se ela vestiu aquela blusa que lhe fica tão bem, ou se levou a pasta consigo, ou de perguntar ao meu filho mais velho se já leu o livro que lhe ofereci nos anos.
Tenho sempre tanta pressa que cada vez me esqueço mais do que tenho de fazer. Por vezes nem paro para ir mijar. Depois dói-me a bexiga. E sinto-me mal. Cansado. Vazio.
Com tanta pressa qualquer dia paro definitivamente sem ter chegado a lado nenhum.
Hoje não vou correr, vou deixar que a chuva me molhe. Vou ter tempo para parar e falar com a Rosa. Vou olhar para os olhos verdes da minha mulher. Vou ouvir o meu filho ler um poema de Herberto Hélder. Vou ouvir uma música na companhia dum quadro do Rui Rodrigues. Vou olhar demoradamente para a erva que cresce no jardim.
Hoje não vou ter pressa.
Hoje só vou querer chegar devagar a casa e embrulhar-me em ti e sentir a flor do meu contentamento crescer e recitar interiormente alguns versos de Herberto Hélder: aprendi devagar – comer devagar, sorrir, dormir devagar, foder – aprendi devagar.

publicado por João Madureira às 19:02
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Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2006

... e ping, peng, pung, ping, pung, ping, ping, peng!

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Pang, pong, pang, pong, pang, pong, ping peng, pang, pong, pang, pong, ping peng, pang, pong, pang, pong, ping peng, pang, pong, pang, pong, ping peng, pang, pong, pang, pong, ping peng, pang, pong, pang, pong, ping peng, pang, pong, pang, pong, ping peng, pang, pong, pang, pong, ping peng, pang, pong, pang, pong, ping peng, pang, pong, pang, pong, ping peng, pang, pong, pang, pong, ping peng, pang, pong, pang, pong, ping peng, pang, pong, pang, pong, ping peng, pang, pong, pang, pong, ping peng, pang, pong, pang, pong, ping peng, pang, pong, pang, pong, ping peng, pang, pong, pang, pong, ping peng, pang, pong, pang, pong, ping peng, pang, pong, pang, pong, ping peng, pang, pong, pang, pong, ping…

publicado por João Madureira às 17:40
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Domingo, 17 de Dezembro de 2006

Os delicados transeuntes

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Ai, eu gosto muito de chouriços, especialmente chouriços de cabaça e de linguiças e salpicões e presunto e ossos da assuã e de grelos e batatas e cebolas e tomates e também gosto das delicadas frases dos transeuntes que se deslocam a Chaves na época do Natal e da Páscoa e por altura dos Santos.
Abençoados sejam todos.

publicado por João Madureira às 18:10
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Sábado, 16 de Dezembro de 2006

Algodão em rama

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– Mãe, quero uma nuvem de algodão doce.
– Ainda ontem comeste uma.
– Mãe, quero outra nuvem de algodão doce.
– Olha que te pode fazer mal à barriga. E aos dentes.
– E a mim que me importa.
– Não queres antes ir para casa ler uma história.
– Não.
– Estou com frio e o barulho faz-me dores de cabeça.
– Mãe, quero ir para o céu.
– Ainda é cedo.
– Então quero uma nuvem de algodão doce.
– Tu estás insuportável. Não se pode sair à rua contigo.

publicado por João Madureira às 18:39
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Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2006

O pretexto reinante

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Vejo-te ao longe e não te reconheço.
Estou a ficar velho. Velho e cansado.
Ando com frio.
Sabes, o frio é a modos que um pretexto para esfregar as mãos.
As tuas nas minhas.
As tuas nas minhas.
As minhas nas tuas.

Enquanto o rio se afasta, o teu olhar desliza e eu fico mais só.
Mas não é o estar só aquilo que me fere.
O que me agride é a nostalgia insípida do Natal.
O Natal é já uma praga de agitação mórbida pelo consumo.
É um monstro que tudo devora: sentimentos, beleza, paz, família.

Dizem que são os tempos quem determina a imbecilidade reinante.
Mas olha que não, são as pessoas.

publicado por João Madureira às 17:40
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Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2006

As dúvidas do subdesenvolvimento

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Desenvolvem-se metáforas nos interstícios das janelas.
Lá onde o mundo é mundo e onde o tempo faz a curva.

Por vezes apetece-me computorizar janelas, digitalizar pensamentos ou ionizar sensações.

Se o tempo se curva, o modo acomoda-se e as latitudes confundem-se.
E tudo o que se confunde, expande-se e sobrevive.

Ou não?

Ou não!

Ou não.

publicado por João Madureira às 18:00
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Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2006

O nevoeiro baixa

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Estou que não me aguento.
Correm os tempos frios.
Os homens andam murchos, as mulheres mirradas, as crianças parvas e os animais estouvados.
O sol da manhã é irrisório. O da tarde é impotente.
Depois vem a noite. A noite nascitura. A noite que é escura e hiperbólica.
Posteriormente chega a incerteza indistinta, que é uma noite amarfanhada e uma variação musical… al … al …al


publicado por João Madureira às 20:48
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Terça-feira, 12 de Dezembro de 2006

Nem pouco, nem muito...

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Escrevo-te de C. e sem compromisso.
Nada a que tu não estejas habituado. É a vida, que, como todos sabemos, é mais curta que comprida.
E lá vamos cantando e rindo.
Eu agora rio-me muito.
Então quando vejo a semblante que os meus queridos amigos socialistas põem quando o seu primeiro-ministro fala em socialismo e em esquerda, faço um esforço enorme para não me rir por fora, porque por dentro dou gargalhadas que até me fazem tremelicar o coração.
A verdade é que os meus amigos socialistas é que andam tremidinhos de todo.
Dizem que o seu líder não tem coração.
Eu contraponho que pode não ter coração, mas tem cabeça, com toda a certeza. E determinação, também. E coragem.
É um bravo. Um estadista como já há muito tempo que não se via por cá.
Eles estranham os meus elogios. Dizem que é apenas zombaria.
Mas olha que não.
Quem se enche de mofar com os socialistas é o seu secretário-geral. Eu não. Eu até os aprecio imenso. A sua determinação em ir aos comícios, em colar cartazes, em pagar as cotas, ir aos jantares de campanha, distribuir esferográficas, bandeirinhas e réguas.
Eu, para te dizer a verdade, tanto me faz. Já cá tenho a minha reforma e por isso tudo o mais pode ir para o Inferno, como bem diz a canção.
Sim, já sei que esta posição é muito hipócrita, mas digo-te que está muito conforme com os tempos que correm.
E por hoje é tudo. E já não é pouco. Nem muito.
A mim tanto se me faz. Eu quero é aquecer-me neste Inverno e que tudo o mais seja resolvido pelo engenheiro Sócrates.
Estamos nas suas mãos.
Mas eu tenho fé.
Ele é um homem de palavra. Um socialista às direitas.
Um estadista pós-moderno…
E que tudo o mais vá para o Inferno.

PS – Por favor, não te esqueças de escovar o pêlo à doninha e de lhe dar o desparasitante. Não confundas com desodorizante, pois o animal é alérgico a esses produtos de higiene pessoal.
E se por engano lhe aplicas tal mezinha a doninha pode morrer. E isso é grave. Eu não me conformaria e não te poderia perdoar tal dislate.

publicado por João Madureira às 19:16
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Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2006

... e pang, e pong, e pang, e pong, e pang, e pong, e ping, e peng!

2004_0905chavesaguasetembro10131.JPG

Ping, peng, ping, peng, ping, peng, ping peng, ping, peng, ping, peng, ping peng, ping, peng, ping, peng, ping peng, ping, peng, ping, peng, ping peng, ping, peng, ping, peng, ping peng, ping, peng, ping, peng, ping peng, ping, peng, ping, peng, ping peng, ping, peng, ping, peng, ping peng, ping, peng, ping, peng, ping peng, ping, peng, ping, peng, ping peng, ping, peng, ping, peng, ping peng, ping, peng, ping, peng, ping peng, ping, peng, ping, peng, ping peng, ping, peng, ping, peng, ping peng, ping, peng, ping, peng, ping peng, ping, peng, ping, peng, ping peng, ping, peng, ping, peng, ping peng, ping, peng, ping, peng, ping peng, ping, peng, ping, peng, ping peng, ping, peng, ping, peng, ping…

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Domingo, 10 de Dezembro de 2006

Não é a lógica...

2004_0918chavestarde0097.JPG

São as mãos.
As mãos rigorosas de quem põe e dispõe.

E os pés.
Os pés de quem corre e discorre.
E de quem anda e desanda.

As mãos e os pés.

E as costas.

E o sangue que nos corre nas veias.

Depois ficam os que se sentam e se tentam.

E os degraus.
Os degraus que sempre lá estão, para uns descerem e outros subirem.

E os que sobem um dia descerão.

E os que descem um dia descerão ainda mais.

Não é a lógica o que impera na cabeça dos homens.

publicado por João Madureira às 17:37
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Sábado, 9 de Dezembro de 2006

A Cartilha do Marialva

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A vida é como um castelo de cartas.
Ó atrapalhação, converge-me. Ó solidão, confunde-me. Ó ilusão, soletra-me. Ó plenitude, desvia-me. Ó sensação, altera-me. Ó desejo, redime-me.

A vida é como as cartas de um castelo em ruínas.
Ó desafio, deseja-me. Ó paz, guerreia-me. Ó lucidez, enlouquece-me. Ó embriaguez, saboreia-me. Ó implicação, redime-me.

O castelo é como uma epístola de comportamento.
Ó memória, larga-me. Ó deslumbramento, sossega-me. Ó sossego, desvia-me.

As cartas são como um castelo sem vida.
Ó olhar, olha-me sem me pedires nada em troca.
Tu bem sabes que eu não te troco. Eu acarinho-te.
Tu bem sabes que eu não te abandono. Eu conduzo-te.
Tu bem sabes que eu não te soletro. Eu declamo-te.
Sempre te declamo.
Sempre te declamarei.

Ó olhar, olha-me, peço-te.
Olha-me só mais uma vez.
Depois podes ir com os pássaros.

publicado por João Madureira às 18:34
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Sexta-feira, 8 de Dezembro de 2006

Primórdios

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Lá no alto encontra-se a beleza.
E um pouco mais acima vivem a alegria e a tristeza. Junto às nuvens, onde pousam os pássaros em busca da liberdade. Lá onde os arbustos silvestres se aninham para poderem sentir passar o vento agreste do Norte. Ou onde os líquenes se impõem como princípios de resistência.
Por vezes nem os olhos se apercebem da beleza singular dos céus infinitos, das ondas invisíveis que o ar agita, das alterações minúsculas do nevoeiro ascendente ou das gotas milimétricas que pousam sobre as lajes do pináculo dos montes.
Agitam-se alguns pinheiros quando passam as tempestades alterosas. O musgo expande-se em busca do princípio da suavidade.
Enquanto o homem se recolhe numa pequena gruta, o seu pensamento excede-se na memorização das ténues saliências da beleza intacta.
Foi este o princípio do mundo.

publicado por João Madureira às 20:20
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Quinta-feira, 7 de Dezembro de 2006

O Blues das mãos nos bolsos

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Tenho mãos e tenho bolsos.
Com este frio, tenho até as mãos nos bolsos.
Não tenho é nada neles. Só cotão. E migalhas. E um buraco.

Tenho bolsos e tenho mãos.
Só não tenho é dinheiro, que mo leva todo o governo em impostos e o carro em gasolina, que são mais impostos e ainda mais impostos no pão e no vinho e na carne e no queijo e no frango e na manteiga e no bife de peru porque no de vitela já lá não chego. Nem nisso penso. Só olho.

Tenho bolsos e tenho mãos.
Já não tenho é coração.
No seu lugar está agora um seixo.

Tenho mãos e tenho bolsos.
Só não tenho é dinheiro, que mo leva este danado governo em impostos e os medicamentos para tratar a minha hipertensão, que são mais impostos e ainda mais impostos nas aspirinas, nas vitaminas, nos antibióticos, nos analgésicos, nos antipiréticos e nos anti-inflamatórios e nos antidepressivos e nos outros etecéteras, pois agora até os etecéteras pagam imposto.

Tenho bolsos e tenho mãos, mas já não tenho erecção, nem reacção, nem orgulho na nação.
E um homem sem erecção é como um blues sem refrão, apenas tocado com um órgão e acompanhado pelo uivar de um cão.

Talvez sim, talvez não.
Este blues é uma desilusão.

publicado por João Madureira às 17:57
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Quarta-feira, 6 de Dezembro de 2006

Nós, os da Torre de Ervededo

2004_1218torrervededo0050.JPG

Ao fim de 13 anos a viver em Portugal, o escritor angolano Luandino Vieira acaba de publicar “O Livro dos Rios”.
Em entrevista, disse que a distância menor entre dois pontos é uma longa curva.
Em todos estes anos que viveu fora do seu país, por não conseguir aguentar a guerra civil que por lá grassou, viveu no Norte.
E foi no Norte que, isolado numa montanha, se fez exemplo.
E foi nos nossos rios de águas claras que arranjou inspiração para escrever o seu último livro.
Afirmou que esta sua obra nasceu quando ele tinha mais ou menos 9 anos.
Curioso é que o meu livro “Crónica Triste de Névoa” também surgiu em mim nessa mesma idade.
Foi nas ruas da minha aldeia, mesmo juntinho a um ribeiro de águas claras que passava junto à casa dos meus avós, que as primeiras imagens se fixaram na minha imaginação para desabrocharem dezenas de anos depois.
Escrevi o livro com a fantasia de apresentar as pessoas e os lugares da minha aldeia aos meus leitores.
As várias histórias que lá se contam foram imaginadas dentro da própria realidade.
É esta a minha identidade cultural: a de um aldeão criado na cidade.
Sinto que a minha aldeia não tem retorno, porque se esvai em esquecimento, porque desaparece lentamente entre as memórias das pessoas e das coisas boas que por lá havia nos tempos da minha infância.
Se antigamente me sentia um prisioneiro na aldeia, hoje sinto-me um exilado na cidade.
Luandino Vieira disse também que um escritor é primeiro que tudo um grande leitor.
E também disse uma coisa que me fez lembrar a “guerra civil” que por aqui travávamos contra a miséria, a fome e o analfabetismo: “Aquele com quem comemos as folhas na época difícil é aquele com quem temos que comer o feijão quando há abundância”.

publicado por João Madureira às 19:32
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Terça-feira, 5 de Dezembro de 2006

O Belo e a Monstra

2004_0813quarteira0132.JPG

O bispo de Worcester, quando lhe explicaram a teoria da evolução de Darwin, terá comentado:
“Nós, descendentes dos macacos!
Ó meu caro amigo, confiemos que não seja assim, mas se for, só nos resta rezar para que nunca venha a ser do conhecimento público”.

publicado por João Madureira às 17:52
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Segunda-feira, 4 de Dezembro de 2006

... e ping, peng, ping, peng, ping peng, ping, peng (and so on)!

2004_0905chavesaguasetembro0066.JPG

Plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung, plung…

publicado por João Madureira às 17:54
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Domingo, 3 de Dezembro de 2006

Coisas do Diabo

2004_0918chavestarde0033.JPG

Nos meus tempos de Liceu, ouvia muita música mas com pouco critério.
Um dos álbuns de que me lembro, não por causa da música, mas sim pelo carácter nitidamente provocatória do título do LP, é de um grupo de punk rock intitulado: "Never Mind The Bollocks, Here´s The Sex Pistols”.
Não sei porquê, mas quando olho para a estátua do Duque de Bragança de espada em punho e muito quietinho, lembro-me sempre desse disco e da voz do Johnny Rotten a cantar “God Save The Queen” seguida do emblemático tema “Anarchy In The U. K.”
Ele há coisas!

publicado por João Madureira às 17:30
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Sábado, 2 de Dezembro de 2006

Faz-se caminho ao andar

b. jmad.JPG

O cientista Alexander von Humbolt afirmou que há três fases na descoberta científica: primeira, as pessoas negam que seja verdade, depois negam que seja importante, e por fim acabam por atribuir o crédito à pessoa errada.

publicado por João Madureira às 17:08
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