Sábado, 30 de Junho de 2007

Certezas definitivamente tristes

 

Aqui há dias fui, ruído de memórias, visitar a casa da minha avó materna na nossa aldeia.

Da minha avó restam os ossos no cemitério e algumas belas recordações na minha cabeça.

Quando me aproximei da casa antiga e, agora, abandonada, só consegui ficar a olhar para as ervas que em seu redor cresciam sem saber bem o que fazer.

É definitiva a perda.

 


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Sexta-feira, 29 de Junho de 2007

Eu também...

 

Também eu, durante algum tempo, fui amante do amor.

E, por isso, procurei-o nos livros.

Li tudo o que com ele se relacionava, quer na literatura, quer na poesia, quer até nos livros de psicologia.

Não descurei, sequer, as ciências, a literatura erótica, ou as cartas de amor do Antigo Egipto. Esqueci-me foi de o procurar onde ele realmente estava, ali mesmo ao meu lado, nos olhos curiosos de uma mulher com silêncios encantadores.

 


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Quinta-feira, 28 de Junho de 2007

Os homens do poder

 

Quanto mais lemos e nos apercebemos dos meandros da política, mas nítido se torna que existem dois tipos:

A utilizada para mostrar ao povo os políticos que elegemos a fazerem de conta que governam numa atitude democrática e aberta, sempre sob o escrutínio atento dos órgãos eleitos e, sobretudo, perante as câmaras atentas dos repórteres dos jornais ou das televisões.

E uma outra, a verdadeira, aquela onde se governa mesmo e que está dispersa pelos interstícios dos pequenos grupos de apaniguados, e que não deixa vestígios, nem registos históricos, nem assinam documentos, leis, ou directivas oficias, embora as criem, as promulguem e as implementem.

São esses os homens que prevalecem sobre todos os outros, jogando as peças do tabuleiro, quer o façam em cada país, quer a nível europeu, ou mundial.

Eles sabem sempre o objectivo da colocação de cada peça. Sabem do seu valor estratégico, o seu valor real.

São eles os homens do poder. São eles os que transportam desde tempos imemoriais os propósitos do controlo.

 


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Quarta-feira, 27 de Junho de 2007

Consumições

 

Há dentro de nós, mesmo que em estado letárgico, um inferno que nos oprime. Por vezes sinto-me prisioneiro nas garras de um demónio.

Mesmo que inconscientemente, somos influenciados por sentimentos animais que, entre os humanos, se denominam como leviandade, fúria e luxúria.

É por isso que cada vez mais desenvolvemos a intensidade da perseguição, da alimentação compulsiva e da sofreguidão pela imitação do outro.

Já não nos contentamos com a observação do outro. Agora queremos consumi-lo. Ou, então, queremos que ele nos consuma como uma atrapalhação.

 


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Terça-feira, 26 de Junho de 2007

O Princípio da Educação, segundo Amos Oz

 

“Às vezes, acabava a aula e a professora Zelda mandava-nos a todos para o pátio, para brincar, à excepção de dois eleitos que guardava consigo na aula. Em vez de se alegrarem com a sua liberdade, os libertos ficavam com inveja dos escolhidos.”


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Segunda-feira, 25 de Junho de 2007

A plinga é bo… aaa… ing… pling…

 

Pling, plong, plang… pling, plong, plang… pling, plong, plang… pling, plong, plang… pling, plong, plang… pling, plong, plang… pling, plong, plang… pling, plong… plang… pling, plong… plang… pling, plong… plang… pling, plong… plang… pling… plong… plong… plong… plang… pling… plong… plang… ang… ing…ong… pli… ing… ong… ong… ang… pling… plong… ong … ong… ang… ang… pliiiing… plong… ong… ang… pliiing… plong… p…l…i…n…g… p…l…o…n…g… p…l…a…n…g… ang… ang… ong… ong… ing… ang… ong… p… ong… ang… ing… p… l… iii… oin… p… l… g… j… k… hh… a… r…jhy… agt…. Agtrda… linhg… ong… amh… ang xufjf… ing…  jvc… pling… gvu… ong… ing… ing… ong… ge… a pin… a pin… a… ping… a… a pinga… é… ping… pling… plong… é… bo… ing… ong… ete… pling… plong… plang… cete… plong… pling… ra…


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Domingo, 24 de Junho de 2007

O Princípio da Relatividade

 

“O pouco nunca é pouco para quem não tem nada”, isto disse-mo um menino que, quando nasceu, já vinha inundado de luz.

Eu limitei-me a olhá-lo em queda enquanto tentava que não queimasse as asas do meu orgulho.

Senti que me mentiam.

A queda de tal ruptura desenhou-me centelhas na filigrana impressiva dos olhos e nas impressões digitais do meu dedo polegar.

 


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Sábado, 23 de Junho de 2007

Foi nos grandes livros...

 

Foi nos grandes livros que descobri que as grandes obras produzidas pela imaginação humana tinham como objectivo fazer-nos sentir estranhos na nossa própria casa. Ou, dito de outra forma, a melhor ficção exige-nos sempre o pôr em causa os princípios que consideramos definitivamente estabelecidos.

Pôr em causa tradições, comunhões, religiões e intenções que sentimos mais que imutáveis.

A boa literatura está nas obras que nos destabilizam, naquelas que, mesmo parecendo-nos estranhas, nos perturbam e obrigam a olhar à nossa volta sempre com um olhar diferente, numa perspectiva muito mais próxima da “Alice no País da Maravilhas”.

 


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Sexta-feira, 22 de Junho de 2007

Viva a aldeia global

 

Agora todos estamos em casa.

Vivemos numa aldeia global.

Todos se instalam.

O pensador alemão Theodor Adorno escreveu que “a forma mais elevada de moralidade é não nos sentirmos em casa na nossa própria casa”.

 


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Quinta-feira, 21 de Junho de 2007

Idiotices

Dizem por aí que vivemos numa sociedade de direito, numa sociedade de direitos.

O direito a isto. O direito àquilo. O direito à idiotice. O direito à igualdade.

Nesta sociedade de direitos cada vez nos parecemos mais uns com os outros.

Somos todos iguais.

A idiotice institucionalizada tornou-se no lema principal da nossa vida social.

Por isso é urgente lutar pelo principal, e fundamental, direito do ser humano: o direito a ser diferente. O direito à individualidade. O direito de não se comportar como um idiota.


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Quarta-feira, 20 de Junho de 2007

A graciosidade do esquecimento

 

Agora deu-me para tentar lembrar-me de tudo o que está para trás.

Mas quando fico normal reconheço que existe certa graciosidade no esquecimento e na desistência.

No fundo é muito importante a imperfeição e a extensa mortalidade de todos nós.

 


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Terça-feira, 19 de Junho de 2007

Os olhos azuis da memória

À medida que vamos crescendo cada vez somos mais memória do que presente.

Lembro-me que quando menino era muito sério, pouco afeito ao sol ou à chuva.

Talvez fosse demasiado sério para criança.

Quando tinha seis ou sete anos costumava andar em cima de um burro com o meu avô, enquanto o meu tio João me assustava chicoteando ferozmente o cavalo e os bois.

Lembro-me que aguentava estoicamente aquela tortura animal. Mas, com sentido de justiça, denunciava tal procedimento à minha avó que repreendia o seu filho de maneira vigorosa.

Tinha a minha avó uns olhos azuis iguais aos de uma deusa justiceira.

 


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Segunda-feira, 18 de Junho de 2007

Pliing-ploong, pling, tong, pling, peng, plung-ung-ung-ong, pliiing…

 

Pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pling, pling, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, pling, pliing-ploong, pliiing, pliiing, peng, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, pung, pliiing, pung, pliiing, pliiing, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, peng, pung, pliiing, pung, pliiing, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, pliiing, peng, pung, pliiing, pliing-ploong, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, plun, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, pung, pliiing, pliiing, peng, pung, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, pliiing, pung, pliiing, pliiing peng, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, pung, pliiing, pung, pliiing, pliiing, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, plang, pliing-ploong, plang, pliing-ploong, pling, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, pang, pliiing, pling, plang, pliing-ploong, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliiing, pliiing, peng, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, pung, pliiing, pung, pliiing, pliiing, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, peng, pung, pliiing, pung, pliiing, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, pliiing, peng, pung, pliiing, pliiing, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, pliiing, peng, pung, pliiing, pung, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, pliiing, pliiing peng, pung, pliiing, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, pung, pliiing, pliiing peng, pung, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, pliiing, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, pliing-ploong, pliing-ploong, pung, pliiing, pliiing, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong,  peng, pung, pliiing, pung, pliiing, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, pliiing, peng, pung, pliiing, pung, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, pliiing, pliiing, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pung, pliiing, plung-ung-ung-ong, pang-pong, pfind, tong, pliiing, peng, pung, pliiing, pung, pliing-ploong-pliiing-pliiing, pang-pong, pfind, tong, pliiing, pliiing, peng, pung, pliiing, pliing-ploong-pliiing-pliiing, pang-pong, pfind, tong, pung, pliiing, pliiing, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong-pliiing-pliiing, pang-pong, pfind, tong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong-pliiing-pliiing, pang-pong, pfind, tong, pliing-ploong, pliing-ploong, pling, pang, pong, pliing-ploong-pliiing-pliiing, pang-pong, pfind, tong, pung, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong-pliiing-pliiing, pang-pong, pfind, tong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliiing, pang, pong, pliing-ploong-pliiing-pliiing, pang-pong, pfind, tong, pliiing, pang, pong, pung, pliiing, pliing-ploong-pliiing-pliiing, pang-pong, pfind, tong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong-pliiing-pliiing, pang-pong, pfind, tong, plang, pliing-ploong, plang, pliing-ploong, pling, pliing-ploong-pliiing-pliiing, pang-pong, pfind, tong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong-pliiing-pliiing, pang-pong, pfind, tong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong-pliiing-pliiing, pang-pong, pfind, tong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong-pliiing-pliiing, pang-pong, pfind, tong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pling, pliing-ploong-pliiing-pliiing, pang-pong, pfind, tong, pling, pling, pliing-ploong, pang, pliiing, pliing-ploong-pliiing-pliiing, pang-pong, pfind, tong, pling, plang, plang, pliing-ploong, plang, pliing-ploong-pliiing-pliiing, pang-pong, pfind, tong, pliing-ploong, pling pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong-pliiing-pliiing, pang-pong, pfind, tong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong-pliiing-pliiing, pang-pong, pfind, tong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong-pliiing-pliiing, pang-pong, pfind, tong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong-pliiing-pliiing, pang-pong, pfind, tong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong, pliing-ploong-pliiing-pliiing, pang-pong, pfind, tong…


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Domingo, 17 de Junho de 2007

Cheiros e palavras

 

É na Primavera que me lembra que existem muitas mais cores e cheiros do que palavras.

E também sorrisos e sentimentos. E olhares.

 


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Sábado, 16 de Junho de 2007

Bicheza

 

A minha avó uma vez confessou-me que gostava de ser como o mogno, dado que esta madeira está naturalmente protegida contra os bichos.

“Tomáramos nós estar tão protegidos contra os bichos como o mogno”, dizia ela enquanto lembrava que só tinha medo da morte por causa dos bichos que a haveriam de comer.

 


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Sexta-feira, 15 de Junho de 2007

A sabedoria e o conhecimento

 

 

Um velho amigo, que anda a ficar um pouco estranho, confessou-me: “Ninguém conhece ninguém. Nem sequer nos conhece, ou nós conhecemos, o vizinho do lado. Nem o padeiro, ou os seus pais, filhos, ou a mulher.

Ninguém conhece nada. Nem ninguém se conhece a si próprio. Ninguém sabe nada.

Por vezes dá-se o caso curioso de nos convencermos que sabemos alguma coisa. É esse o engano maior. Pois é preferível viver sem saber nada do que viver uma vida de enganos.

Bem, tenho de reconhecer que o contrário também pode ser verdadeiro.

Sempre é melhor viver no engano do que viver na escuridão e no isolamento.

Vai, não vai, o que interessa é viver…”

E assim continuou a divagar enquanto se despedia desculpando-se que tinha de ir passear o cão que “está a ficar ligeiramente obeso”.

 


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Quinta-feira, 14 de Junho de 2007

Linhas paralelas

 

Lembro-me com infinita saudade de olhar os céus quando andava de comboio.

Lembro-me com infinita saudade de andar de comboio.

Andar de comboio sabia-me bem. Também me sabia bem a companhia da minha mãe e a do meu pai.

Era quando andava de comboio que olhava com infinito carinho para os rostos dos meus pais e os achava os mais lindos do mundo.

Tudo era céu – o céu, os seus rostos, a paisagem, os risos dos adultos, o sorriso das crianças, os apitos do comboio, o seu lento movimento, a toada das rodas passando nas juntas de dilatação dos carris.

Andar de comboio era já a felicidade. Também o eram as animadas conversas dos passageiros, o apitar da locomotiva, as pessoas e os animais ao longe, os lanches premeditados, o sol a entrar pelas janelas, o lento desenrolar do tempo, a cintilação doirada das águas do rio, as curvas das montanhas, o verde das folhas das árvores e das ervas, o recordar dos filmes de cóbois, tudo se dispunha na minha memória para agora ser encontrado.

E dói-me. Dói-me muito.

Ibsen escreveu que “a felicidade é uma estação intermédia entre a coerência e o excesso”.

 


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Quarta-feira, 13 de Junho de 2007

Silêncios

 

 

Há pessoas que se sentem mal com os silêncios. Parece que se sentem culpados. Que se sentem aspirados.

Eu não. Os silêncios a mim têm o condão de me redimirem e inspirarem.

Eu respiro melhor no silêncio.

 


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Terça-feira, 12 de Junho de 2007

A imoralidade da fé católica segundo Borges

 

Nos diálogos de Jorge Luís Borges com Osvaldo Ferrari realizados na Rádio Municipal de Buenos Aires, certa vez o célebre escritor argentino atreveu-se a dizer que ”há algo de essencialmente imoral na fé católica”.

E explicou: “Acho que a ideia da confissão e de uma absolvição é uma ideia imoral porque se cometi uma falta outra pessoa não me pode absolver; sou eu que me devo absolver. Mas se cometo uma falta qualquer, se tenho uma culpa e depois rezo, não sei, um número xis de Pais-Nossos ou de Ave-Marias, isso não pode desfazer o que eu fiz. A mim parece-me que a ideia da confissão é uma ideia essencialmente imoral. Não sei se isto se pode transmitir… mas eu acho que sim. Agora transmitem-se todo o tipo de coisas pela rádio, uma pequena heresia minha…”

Osvaldo Ferrari pergunta: “O senhor está a pensar na difusão de alguma estupefacção?”

Resposta de Borges: “Eu penso que não…”

E, uma pergunta depois, nova reflexão: “Não sei até que ponto os católicos levam a sério a sua fé… se calhar trata-se de uma série de ritos, de cerimónias, de costumes”.

 


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Segunda-feira, 11 de Junho de 2007

Plang, plong, pling… Didi, volta aqui… pling…

 

Plang, plong, pling, pling, pling, plang, plong, pling, pling, pling, plang, plong, pling… Didi, volta aqui… pling, pling, plang, plong, pling, pling, pling, plang, plong, pling, pling, pling, pling-pling-pling-plang, pang-pong, pfind, tong, plang, plong, pling, pling… Didi, volta aqui… pling, plang, plong, pling, pling, pling, plang, plong, pling, pling, pling, plang, plong, pling, pling, pling, plang, plong… Didi, volta aqui… pling, pling, pling, pling-pling-pling-plang, pang-pong, pfind, tong, plang, plong, pling, pling, pling, plang, plong, pling, pling, pling, plang, plong, pling… Didi, volta aqui… pling, pling, pling, pling, pling-pling-pling-plang, pang-pong, pfind, tong, pling, plang, plong, pling, pling, pling, pliiing, pliiing, peng, pling-pling-pling-plang, pang-pong, pfind, tong, pung, pliiing, pung, pliiing, pliiing, pling-pling-pling-plang, pang-pong, pfind, tong, peng, pung… Didi, volta aqui… pliiing, pung, pliiing, pling-pling-pling-plang, pang-pong, pfind, tong, pliiing, peng, pung, pliiing, plang, plong, pling, pling, pling, pling-pling-pling-plang, pang-pong, pfind, tong, plang, plong, pling, pling, pling, plang, plong… Didi, volta aqui… pling, pling, pling, plang, plong, pling, pling, pling, plang, plong, pling, pling, pling, plun, pling-pling-pling-plang, pang-pong, pfind, tong, pung, pliiing, pliiing, peng, pung, pling-pling-pling-plang, pang-pong, pfind, tong, pliiing… Didi, volta aqui… pung, pliiing, pliiing peng, pling-pling-pling-plang, pang-pong, pfind, tong, pung, pliiing, pung, pliiing, pliiing, pling-pling-pling-plang, pang-pong, pfind, tong, plang… Didi, volta aqui…


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Domingo, 10 de Junho de 2007

Demónios

 

 

Os políticos são muito parecidos com os demónios de Swedenborg, desde logo porque andam sempre a conspirar uns contra os outros.

Também Borges pressupõe, pelos estudos dos clássicos, que o demónio não é sempre o mesmo indivíduo, pois, como os políticos, vive continuamente a conspirar contra os outros e, nesse pressuposto conflito, sucede-se continuamente.

Também os políticos lutam entre si e sucedem-se continuamente… lutam entre si e sucedem-se… continuamente… lutam entre si e sucedem-se… continuamente… continuamente… continuamente… sucedem-se… continuamente… sucedem-se… tal e qual os demónios, lutam entre si e sucedem-se continuamente… sucedem-se continuamente… lutam entre si e sucedem-se continuamente…

 


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Sábado, 9 de Junho de 2007

Esgotamento

 

Ultimamente invade-me a pulsão inefável pela meditação.

Então desisto de beber as nuvens das trovoadas e sento-me a meditar sobre o desejo, a fúria e a estupidez.

No final fico deprimido.

A estupidez humana é a coisa que mais me humilha.

 


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Sexta-feira, 8 de Junho de 2007

Epístolas do desastre

 

Penso que pertencem à poesia Islandesa relativa ao ano 100, estes dois inquietantes versos (Kenningar):

“De pouco valeu o rei dos Gregos // Ao cavalo que corre por recifes.”

 


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Quinta-feira, 7 de Junho de 2007

Incorporações humanas

 

A única coisa que é capaz de me fazer perder a paciência é a crueldade.

E informo desde já que a crueldade não é coisa de animais.

Os animais não são cruéis porque não sabem o que isso é.

A crueldade e a maldade são apenas monopólio dos seres humanos.

Jean Paul Sartre definiu isso de uma maneira soberba: “Basta um pouco de maldade para o ser humano se transformar num inferno para ele próprio; mas um pedaço de compaixão transforma-o num ser paradisíaco. Pois só o Homem é capaz de amar e, por isso, conseguir misturar uma coisa e o seu contrário, transformando-se no ser mais egoísta e, no momento seguinte, entregar-se totalmente”.

 


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Quarta-feira, 6 de Junho de 2007

Uma comédia vulgar

 

Por vezes os homens assemelham-se muito a crianças descuidadas que desfrutam infantilmente a causar aos outros, e a si próprios, dor, iniquidade e desilusão, como se fossem prisioneiros de uma comédia vulgar que, quase sempre, não termina nada bem.  


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Terça-feira, 5 de Junho de 2007

A desumanidade humana

 

Lembro-me de, na minha infância, um tio meu muito dado à bebida, espancar desalmadamente cavalos, bois, burros e cães, ao mesmo tempo que chorava com dó deles.

Lavado em lágrimas, espancava, espancava e tornava a espancar.

No entanto era incapaz de deixar de bater nos pobres animais.

 


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Segunda-feira, 4 de Junho de 2007

Plank, pling, pang-pong, plank, pliiing…

 

 

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publicado por João Madureira às 22:00
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Domingo, 3 de Junho de 2007

Música do crepúsculo

 

Escondem-se os luzeiros da noite nas encruzilhadas das profecias.

É este o estio que fareja a chuva, correndo os caminhos de perto na tentativa de se transformar na ribanceira do milagre.

Toda a noite caminhei à procura da tua inquietação.

Descobri que esta é a rua, a rua do horizonte que se desfaz em joios e em belas promessas de música do crepúsculo.

 


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Sábado, 2 de Junho de 2007

O viajante e as viagens

 

Todos gostamos de viajar. Uns gostam mais do que outros. Eu também. E não é devido ao facto de Portugal ser um país tão maravilhoso como par aí se apregoa. Ou os outros países estarem de acordo com a propaganda turística. Gosto de viajar porque gosto. Mas quando chego ao fim fico sempre com a sensação de que as viagens turísticas são um grande disparate. No fim fico sempre com a sensação de desperdício, de futilidade, de vazio. Fico com as mãos a abanar. Por isso prefiro as viagens interiores. Nelas não há fronteiras, nem alfândegas, nem polícias, ou funcionários estranhos e impessoais. Nas viagens interiores pode-se chegar a todo o lado, até às galáxias mais longínquas. Ou passear por lugares que já não existem, a não ser na nossa imaginação. Lugares criados por nós próprios e onde nos sentimos bem. Ou pelo menos nos sentimos cómodos.


publicado por João Madureira às 22:00
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Sexta-feira, 1 de Junho de 2007

A eterna desolação humana

 

 

Vamo-nos repetindo nos actos.

Olho-te nos olhos e desencaminho-me.

Parece que cada ser humano se abandona em si próprio pensando que já nada pode fazer pelo próximo.

Por vezes também eu sinto a certeza desolada da inutilidade de tudo.

 


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