Sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008

Não é nada disso

Miguel Torga escreveu no seu diário a 11 de Outubro de 1950 que era “pouco sensível à chalaça”. E continuava: “O voltairianismo caseiro, em vez de me convencer, afasta-me. Gosto do riso, mas inteligente, limpo, nos lábios de Cervantes ou de Swift.

Cá nas berças, terra de anedotas de braguilha aberta, a “Velhice do Padre Eterno” é um portento. É um prato de resistência que alimenta o clero, a nobreza e o povo. Eu sou do povo mas não posso com aquilo”.

Até aqui tudo bem. Depois entra em terreno inclinado, onde diz uma coisa querendo afirmar outra: “A importância literária de Junqueiro é indiscutível, não só pelo que fez, como pelo que motiva. A sua influência é tão evidente na obra de alguns poetas que vieram depois, que seria tolice desconhecê-la”.

Mais adiante diz que Junqueiro é “espontâneo e acessível”, que o seu verbo tem “um grande calor de comunicação”. E sibilinamente adianta: “Certos recontos da sua quinta poética são ainda frescos e agradáveis”.

Mas depois ataca forte e de uma paulada, tal e qual o “Malhadinhas”, declara: “Simplesmente a poesia verdadeira é outra. Depois da experiência de Cesário e de Nobre, fazer aquilo já era trágico, mas depois de Pessanha, de Sá Carneiro e de Pessoa, amar aquilo, é imperdoável”.

Que me perdoe Torga, mas não é nada disso. Continuo a amar a “Velhice do Padre Eterno” e muita outra poesia de Guerra Junqueiro. E sou até capaz de escrever que, comparando a poesia de um (Junqueiro) com a de outro (Torga), talvez o segundo não fique tão bem no retrato como então julgava. É que se a prosa de Torga é boa, e por vezes genial, nomeadamente os seus contos, já a sua poesia me parece sorumbática, esgotada, murcha. Poesia séria é distinta de poesia a sério. Que me perdoe o nosso conterrâneo.

 


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Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008

E o triste fado prossegue

 

E o triste fado prossegue. O povo continua de rosto duro, iletrado, ou melhor, “iliterado”, a gostar de comer e beber, de ir à bola, à missinha e às manifestações onde tudo isto se mistura.

Os governantes, por seu lado, também se mantêm fiéis à história, autoritários, beatos, apesar de alguns deles se afirmarem republicanos, laicos e socialistas. Embora de ar pretensamente paternal, continuam distantes do povo que dizem honrar e representar.

Apesar de jurarem a pés juntos que defendem ideias novas, o que os preocupa é degradá-las e transformá-las na sua caricatura.

Andamos todos ainda perto do espírito da carneirada. E se uns se benzem e mostram cara de curas de freguesia, outros envaidecem-se em vestir a indumentária de presidente da junta.

 


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Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008

O espelho de Narciso

 

Se o Governo é o espelho de Narciso, onde se mira e remira o seu chefe, a verdade é que Sócartes já não consegue responder à pergunta da bruxa:

Espelho meu, espelho meu, existe em Portugal um primeiro-ministro melhor do que eu?

 


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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008

Beleza

 

Hoje fala-se muito em beleza, em beleza moral, em beleza humana, mas, infelizmente, qualquer uma delas é como a beleza física das “modelos”, é extremamente precária.


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Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

Pling…ing…ing…ing

 

Pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing,  pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing,  pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing,  pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing,  pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing…


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Domingo, 24 de Fevereiro de 2008

Pim Pam Catrapum

 

No seu diário, Miguel Torga escreveu no dia 6 de Abril de 1950, em S. Martinho de Anta: “Hoje, no comboio, enquanto uma menina portuguesa lia a meu lado o Pim Pam Pum, uma outra da mesma idade, inglesa, devorava Great Expectactions, de Dickens. E ali estavam patentes duas raças, duas culturas, dois povos”.

Passado mais de meio século, aí estão os resultados: Inglaterra está no pelotão da frente da União Europeia, enquanto Portugal se orgulha de ser a sua cauda.

 


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Sábado, 23 de Fevereiro de 2008

Continuo à espera

 

Continuo à espera que os políticos, ou alguém de entre eles, protagonize um verdadeiro acto de sinceridade, porque acredito que tal procedimento lhes haveria de conferir uma glória permanente.

Mas os políticos, porque o são, confiam mais na razão da mentira do que na iluminação da verdade.

 


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Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008

A tónica dominante

 

A política deste Governo, que põe a tónica dominante nas feridas da nossa deficitária estrutura social, económica e política, assemelha-se muito à velha história do mendigo profissional que em vez de curar as feridas, antes lhes deita sal para as avivar.


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Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008

O fascínio do amor

Pavese escreveu no seu diário que o fascínio do amor não correspondido reside na identidade entre aquilo que ele denomina como “o estilo perfeito” e o “eu” forte, indiferente e absolutamente isolado.

Em 1940 escreveu: “O estilo perfeito nasce da indiferença total. Talvez seja essa a razão por que amamos sempre loucamente alguém que nos trata com indiferença; por representar para nós o “estilo”, o fascínio de classe, tudo o que é desejável.

Resumindo Pavese: “O amor é a mais barata das religiões”.

 


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Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008

O afastamento necessário

 

 

Raymond Aron avisou: quem quer compreender o mundo e os homens tem de se afastar da política.

 


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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008

O poeta do pedestal

 

Acho que foi Sartre quem observou, aquando do debate que pôs fim à famosa amizade entre ele e Camus, que o seu amigo trazia consigo “um pedestal portátil”.

A intervenção cívica de Manuel Alegre, relativamente ao seu partido e a José Sócrates, tem o mesmo carácter político e a mesma coerência poética.

Talvez Manuel Alegre seja «o Justo», mas parece-me que já é tarde para tanta acrimónia contra o partido que sempre serviu e a quem tanto deve.

Nos seus cadernos, Camus sintetizou muito bem a nova atitude do poeta Alegre: «Procuro as razões da minha revolta que nada até agora justifica».

 


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Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008

Pling, plong, plang, plung, pling, pling, pling, ping...

 

Pling, plong, plang, plung, plung, pling, pling, pling, ping, ping, pang, plong, ping, ping, ping, plang, plang, pling, plong, plang, plung, plung, pling, pling, pling, ping, ping, pang, plong, ping, ping, ping, plang, plang, pling, plong, plang, plung, plung, pling, pling, pling, ping, ping, pang, plong, ping, ping, ping, plang, plang, pling, plong, plang, plung, plung, pling, pling, pling, ping, ping, pang, plong, ping, ping, ping, plang, plang, pling, plong, plang, plung, plung, pling, pling, pling, ping, ping, pang, plong, ping, ping, ping, plang, plang, pling, plong, plang, plung, plung, pling, pling, pling, ping, ping, pang, plong, ping, ping, ping, plang, plang, pling, plong, plang, plung, plung, pling, pling, pling, ping, ping, pang, plong, ping, ping, ping, plang, plang, pling, plong, plang, plung, plung, pling, pling, pling, ping, ping, pang, plong, ping, ping, ping, plang, plang, pling, plong, plang, plung, plung, pling, pling, pling, ping, ping, pang, plong, ping, ping, ping, plang, plang, pling, plong, plang, plung, plung, pling, pling, pling, ping, ping, pang, plong, ping, ping, ping, plang, plang, pling, plong, plang, plung, plung, pling, pling, pling, ping, ping, pang, plong, ping, ping, ping, plang, plang, pling, plong, plang, plung, plung, pling, pling, pling, ping, ping, pang, plong, ping, ping, ping, plang, plang, pling, plong, plang, plung, plung, pling, pling, pling, ping, ping, pang, plong, ping, ping, ping, plang, plang, pling, plong, plang, plung, plung, pling, pling, pling, ping, ping, pang, plong, ping, ping, ping, plang, plang, pling, plong, plang, plung, plung, pling, pling, pling, ping, ping, pang, plong, ping, ping, ping, plang, plang, pling, plong, plang, plung, plung, pling, pling, pling, ping, ping, pang, plong, ping, ping, ping, plang, plang, pling, plong, plang, plung, plung, pling, pling, pling, ping, ping, pang, plong, ping, ping, ping, plang, plang, pling, plong, plang, plung, plung, pling, pling, pling, ping, ping, pang, plong, ping, ping, ping, plang, plang…


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Domingo, 17 de Fevereiro de 2008

À procura da originalidade perdida

 

Fala-se muito na originalidade dos povos, na sua intrínseca idiossincrasia, na sua profunda identidade.

Eu, talvez cego pela ilusão, nunca tal vi em termos absolutos.

Há povos mais discretos, outros mais foliões e ainda há outros que nem sim nem não. Mas o português, sim, o povo português é só teatro.

Por esse país fora os portugueses representam sempre, até se manifestam de forma teatral. Desde os camponeses alentejanos, passando pelas mulheres da Nazaré, ou pelos operários têxteis do Vale do Ave, todos fazem teatro. Talvez tenham razão.

Os políticos do Terreiro do Paço também só representam. De genuíno só as peças de Ibsen, os discursos do Kennedy, a poesia de Auden, os romances de Zola ou a música demoníaca do Kuduro. Até o presunto de Chaves sabe a toucinho castelhano.

Os portugueses têm pavor da originalidade. Original, original só mesmo o Luís Filipe Menezes, o Santana Lopes ou o ministro Mário Lino.

 


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Sábado, 16 de Fevereiro de 2008

Não há ninguém...

 

Não há ninguém que faça inteiramente aquilo que quer, que diga tudo o que pensa, ou que proceda totalmente de acordo com o que considera e advoga.


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Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

Os heréticos

 

Nos tempos que correm existirem ainda alguns homens capazes de se debruçarem sobre um poema, ou romance, e gastarem com isso algumas horas por semana é quase um sacrilégio, uma heresia social, uma disfunção psicológica.

Os heróis do nosso tempo resumem tudo ao trabalho, ao carro, ao leitão e às calças de marca registada.

Os outros, os loucos que têm necessidade de ler e meditar, são vistos com sujeitos deformados e anacrónicos.

Afinal, a arte não é precisa para nada.

 


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Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

Não sei se é do bem ou do mal...

 

 

Acho que foi Lincoln quem disse que na política, o bem e o mal estão sempre combinados, nunca aparecendo em estado puro, antes andando sempre combinados num processo de equilíbrio precário, cabendo ao agente político, num exercício atento, descobrir o sentido em que se inclina todo o processo de desenvolvimento.

Ora, sendo assim, ainda não consegui descobrir para que lado da balança se inclinam as políticas do actual governo. Mas desconfio que, e apesar de ser obrigatório fazer alguma coisa por Portugal, o caminho que a governação leva nos encaminha para a ruptura social.

A legitimação política democrática faz-se no bom senso, na partilha das expectativas, no equilíbrio das vontades, na visão de futuro.

Quando a argumentação política se baseia no poder visionário de um homem que apenas seduz os ressentidos socais, fomentando a divisão clientelar, o confronto profissional e dividindo de alto a baixo a sociedade em termos de uma luta feroz pelo sucesso, tende a abrir fissuras no ténue tecido social português, onde as elites ou são os ricos, ou são os que os servem em troca de ordenados chorudos.

A política deste governo é muito idêntica ao sucesso profissional de Armando Vara. Do balcão de atendimento de uma sucursal da CGD, e depois de servir o partido, foi catapultado para a direcção de um banco privado.

Num país moderno e desenvolvido tal era impossível. Por aqui ainda conseguimos fazer milagres que espantam o mundo civilizado.

A mim já nada me espanta, a não ser o facto de o Sol nascer todos os dias sem a prévia autorização de José Sócrates e do seu conselho de ministros. Pois, como todos sabemos, a noite já não se atreve a trabalhar sem picar o ponto.

 


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Quarta-feira, 13 de Fevereiro de 2008

A ética das conveniências

 

Vivemos na era dos consensos gerais.

Todos os partidos têm a mesma opinião, advogam a mesma conduta e reagem da mesma maneira. Mas como são maneiristas, especialmente os da área do poder, são inconciliáveis no que toca aos pormenores.

A sua perspectiva é de se ajudarem mutuamente no que concerne à organização geral do Estado, na preservação dos seus privilégios políticos e na perseguição a quem trabalha. O trabalho já não é um valor em si mesmo, é apenas um conceito monetário que se enaltece se dá lucro ou se exorciza se não é produtivo.

Já não há ética, só política.

Já não há princípios, só conveniências.

 


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Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2008

A morte do agricultor

 

No seu diário, Miguel Torga, com a lucidez dos sábios, escreveu que «o homem citadino não consegue continuadores. O político julga-se insubstituível; o literato cuida que depois dele ninguém mais saberá escrever; o industrial pensa que o seu génio empreendedor estancou as fontes da habilidade comercial.

Só o camponês deixa herdeiros. Exactamente porque nenhum homem da terra se considera uma excepção, pode ensinar naturalmente ao filho todas as aquisições da sua experiência, e torná-lo um igual e um sucessor”.

Mas a história aí está para explicar que afinal foi o homem citadino quem conseguiu continuadores. O camponês, na sua simplicidade existencial, deu de frosques e disse para os filhos: O amanho da terra é uma escravatura e para escravos já bastaram os nossos antepassados. Rumai à cidade e fazei-vos urbanos.

 


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Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008

Pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang...

 

 

Pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling, pling, pling, ping, ping, ping, pang, pling, plang, pling…

 


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Domingo, 10 de Fevereiro de 2008

O cento e a fundação

 

À medida que o tempo passa, torna-se evidente que o Governo da Nação, neste frenesim legislativo, mudando leis a torto e a direito, se assemelha a uma coelha que dá à luz doze vezes por ano, mas, por isso mesmo, é incapaz de compreender a gestação de um elefante, que demora dois anos.

E, como todos sabemos, mesmo uma centena de coelhos é, em todos os limites funcionais, radicalmente diferente de uma cria de elefante.

 


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Sábado, 9 de Fevereiro de 2008

deus não é Grande

 

 

A razão não justifica os meios, mas não posso deixar de me surpreender com o livro de Christopher Hitchens “deus não é Grande. Como a religião envenena tudo”.

Neste tempo onde a religião comunista também falhou de forma catastrófica e onde o seu substituto, o islamismo radical, se expande preocupantemente, e enquanto os marxistas-leninistas o condenam nos actos (se é que os condenam verdadeiramente), mas justificam na forma e na ideologia, e onde o cristianismo, na sua versão mais ligth, o catolicismo, se empanturra de justificações cada vez mais parvas e incongruentes para a sua existência e disseminação, é reconfortante ler verdades como as que Hitchens escreve: «Há quatro objecções irredutíveis à fé religiosa: falseia completamente a origem do homem e do cosmos; devido a este erro original consegue combinar o máximo de subserviência com o máximo de solipsismo; é simultaneamente o resultado e a causa de uma perigosa repressão sexual; e, em ultima análise, fundamenta-se em pensamento ilusório».

Ou ainda: «A religião, além de ser um falso consolo, é violenta, irracional, intolerante, aliada do racismo, do tribalismo e do fanatismo, investida de ignorância e hostil ao livre exame, desdenha das mulheres e é coerciva com as crianças».

 


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Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2008

Mamíferos

 

E aí está a sociedade moderna. Todos aspiramos à vida social, à felicidade, à natural liberdade de podermos afirmar que a amamos. Mas amá-la é uma coisa, outra mais bem custosa é exercê-la. Depois alguém nos acrescenta a modernidade através dos cursos rápidos para podermos afirmar que sim senhor, que somos cultos e que até possuímos um papel oficial a confirmar o embuste.

Lembro-me de que o homem começou nas aldeias a formar a sua consciência cívica e fraterna, a praticar o amor e a solidariedade para com o próximo, como a si mesmo. Seguidamente foi reformando espaços e ampliando as terras aráveis.

Mas tudo tem um fim. Agora matou-se esse homem primevo e a sua instintiva harmonia.

Por isso, nos campos da nossa terra já só existem cadáveres. E é sobre esses cadáveres que agora se constrói o futuro.

Duvido que um futuro assim elaborado seja duradouro.

 


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Quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2008

A montanha comprimida

 

Olho ao longe e sinto a cidade como um ser estranho. Sim, passam os dias, fazem-se obras e a cidade que eu amei morre a cada dia que passa. Outra surge, mais estilizada, mais nova-rica, mais embelezada em vidro e em laje polida e parva.

Pressentia que não gostava de cidades, mas sei que gostava da minha cidade. Prefiro pensar como Miguel Torga: «Sou um “citadino perdido”, sou na verdade uma montanha comprimida».

 


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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2008

O tolo e as fogueiras

 

Miguel Torga escreveu, já lá vão uns anos largos, a propósito do centenário da morte de Gomes Leal, que «um homem livre é, naturalmente, um homem inteligente».

Vendo, a cada dia que passa, cada vez menos liberdade e os homens que dizem defendê-la cada vez mais enfeudados a interesses partidários, ideológicos ou financeiros, pergunto-me se ainda resta por aí alguma inteligência.

Alguém, em nome do politicamente correcto, anda pôr esse país fora a «apagar as fogueiras que iluminam o caminho do esclarecimento e da independência».

Quase todos nos vamos transformando em criaturas tontas e inibidas que preferem a luz artificial das lâmpadas, mesmo que ecologicamente abençoadas, à luz pura, clara e límpida do Sol.

 


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Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008

O sorriso mínimo

 

Basta olhar em redor para verificarmos que agora o que conta é parecer e não ser.

Este é o registo do tempo em que vivemos: o estilo transformou-se em atitude, em vez da atitude se transformar em estilo.

 


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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2008

Pling...

 

Plong...


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Domingo, 3 de Fevereiro de 2008

Escrever (II)

 

Escrever é morrer um pouco de cada vez que o intentamos.

Existe nesta arte a beleza do desenho da primeira palavra numa página em branco. E depois é ela quem convoca as outras. A partir daí é o deslumbramento de um mundo que nunca temos a certeza de poder dominar.

 


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Sábado, 2 de Fevereiro de 2008

Escrever (I)

 

Escrever é sempre uma tentativa de encontrar o nome e os ecos de alguém. É reconstruir lentamente o impacto de uma memória. É na desordem das palavras que ou encontramos a luz ou mergulhamos na escuridão.


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Sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008

O glamour do abandono

 

Aumentam as cidades. Aumenta o perigo.

Primeiro foi o automóvel quem conquistou o espaço - o centro despovoado do coração das cidades -, deixando as casas e os velhos que ainda lá habitam à beira da sedimentação das ruínas e das memórias.

Por vezes nascem lojas que chocam pelo seu glamour diurno e pela flagelação dos fantasmas herméticos que guardam a roupa cara e extravagante, ou acautelam os crucifixos de ouro que brilham aproximando o deus dos pobres da riqueza, ou acondicionam os cada vez mais inúteis relógios que guardam as horas do tempo que nos resta viver.

Atraídos pelo fascínio dos objectos publicitários, jovens transportam a sua afirmação em energia não produtiva, em agressividade, dizendo-se abertos ao mundo e aos outros, mas sendo apenas escravos dos estereótipos e dos vícios, ignorando a cidade, o país, o homem.

Os sobreviventes amadurecem as solidões e os novos pobres, de uma pobreza envergonhada, espalham-se pelas ruas, ameaçando a cultura. Defensores da diversidade, entoam hinos de intolerância.

A tribo urbanista corrói por dentro a cidade. A cidade adoece. A cidade definha.

A cidade, quando não está estável na sua velha memória, começa a morrer por dentro e torna-se desumana.

 


publicado por João Madureira às 22:00
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