Domingo, 31 de Agosto de 2008

É a paciência…

 

É a paciência humana quem torneia o ferro. Não é a imortalidade da alma. Também o ferro é líquido quando lhe molestam o corpo. A alma do ferro é quente, por isso enferruja.

Gostam os escultores de moldar o ferro, de pôr formas humanas em volumetrias divinas, como se Deus fosse de pedra. Como se o cosmos derivasse para princípio da criação.

Não nos devemos preocupar com o infinito. A verdade está sempre mais além.

Têm a tua pele a maciez dos pêssegos maduros. E essa é quase a infinita verdade do momento em que te acaricio a face.

Basta dividir o espaço a percorrer em duas metades para nunca atingirmos o fim.

Esse é um bom princípio. É o princípio da paciência.

 


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Sábado, 30 de Agosto de 2008

Nem de propósito

 

Nem de propósito, mal abri a janela logo por ela entrou o teu ar tímido, igualzinho ao que puseste no dia em que te encontrei na incerta curva do tempo. Era o tempo de te conhecer, um tempo calmo, mas intenso.

O tempo de conhecer é sempre intenso.

Ainda hoje não sei definir o teu olhar. Não era atrapalhado, antes anunciava ousadia. A ousadia dos iluminados.

Pela janela entram também os teus reflexos dourados, como num filme musical.

Vou esperar-te enquanto o vento murmura palavras de paixão.

Ir e vir na maré das montanhas, é esse o meu desejo.

Logo à noite o pecado vai ser longo.

Não precisas de me procurar, eu irei ter contigo, estejas onde estejas.

 


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Sexta-feira, 29 de Agosto de 2008

Não me fio

 

 

Não me fio em ti e desconfio dos meus instintos. E por aí vou como se pisasse terreno minado. Todo o campo aberto é passível de ser minado. Para isso Deus criou o Homem. Para acabar com isso o Homem criou Deus. E, também por isso, Eva transformou-se em serpente. E Adão numa maçã. Numa maçã com características indistintas.

A ideia religiosa é uma teimosia estapafúrdica. Mas, talvez por isso, o espírito humano é uniformizador. Não há diferença que nos valha quando “O Livro” nos esmaga com a crueldade de um Deus sanguinário.

Quem parte e reparte e não fica com a maior parte, ou é tolo, ou não tem arte.

Deus escreveu, com toda a certeza, os provérbios populares.

 


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Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

De novo subo a montanha

 

 

 

De novo subo a montanha como se não me custasse, mas custa-me muito. Cada vez mais. Mas não é aí que reside o problema. A dificuldade está no objectivo. Subir uma montanha não é objectivo para ninguém. A não ser que goste de se cansar. E não é esse o meu caso. Eu gosto de admirar os caminhos ascendentes. As suas imperfeições naturais, o seu serpentear por entre a vegetação, como se nos conduzisse a algum lugar.

Os caminhos nunca acabam. Um caminho é um destino em si mesmo, como o piscar dos olhos de uma estátua de sal.

Não há pecado nas veredas. Não há delito nos sendeiros. Não existe ofensa nos carreiros. O pecado não é original, o pecado vem dos atalhos. E da velocidade irrequieta das abelhas que fazem o mel por dever.

Os canteiros dos jardins salpicam-me os olhos como se estivessem prisioneiros, como se lhes custasse assistir ao mágico colorir das flores domésticas.

Não me agrada ver-te respirar sobre o lado esquerdo da montanha, como se fosses desmaiar.

Por vezes sinto que a montanha também desfalece quando o vento norte a corta ao meio.

Já me secaram os lábios de tanto beijar. Finalmente vou poder dormir nos teus dedos ímpares.

 


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Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008

Passo pela sombra

 

 

Passo pela sombra como se estivesse ao sol. O sol aflige-me. Por isso me refugio na sombra. Na paz ténue da sombra das árvores que sibilinamente namoram os pássaros e os insectos. E respiro a calma nobre das folhas espiraladas.

É na nervura das folhas opalinas onde se esconde a alma dos desditosos. Ou melhor, a alma das suas almas.

Nos dias quentes os desditosos afogam as suas mágoas na espuma das cascatas das serranias. Também os penhascos se sentem deslocados. E as almas.

Nos dias perigosos, as almas ausentam-se do sol, deslizam pelos contornos das sombras e pronunciam palavras obscenas. Ninguém as deve interromper. Devemos deixá-las concluir os seus lamentos.

Eu sinto-as quando passo pelo sol em direcção a ti.

 


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Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

Sim, eu posso…

 

Sim, posso ir de encontro a ti, posso ir de encontro ao teu santo protector, ao teu filme preferido, ao teu olhar desiludido, posso ir de encontro ao mecanismo simples da inércia, sim eu posso ir. E vou quando me apetecer. Nada me impede. Nada. Outra coisa é falar. Falar é fácil. Falar por falar. Outra coisa é andar. Andar é fácil. Andar por andar. Nada me impede de andar e falar. Sim, posso ir de encontro às paredes e não me magoar. Outra coisa é amar. Amar é fácil. Nada me impede de amar. Difícil é amar-te. Isso implica muito esforço. Há uma exigência lógica nesse esforço. Por isso posso ir de encontro a ti e não te ver. Há muita intenção no esforço de ir de encontro a ti. E isso não é retórica. É impulso desenfreado. O poder de ir é avassalador. Nada me impede de ir de encontro a ti. No entanto hesito quando me olhas. No entanto, volto a repetir, posso ir de encontro a ti…


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Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

Splach, splach, pling...

 

 

 

Splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling, splach, splach, pling…

 


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Domingo, 24 de Agosto de 2008

Já lá vai a manhã…

 

 

Já lá vai a manhã e eu continuo parado a observar o desequilibrado voo dos estorninhos.

Tento aprender o seu movimento em bando imitando as ondas do mar, no seu perpétuo enrolar e desenrolar.

O banco onde me sento tem a paciência concreta dos hirtos.

Eu já não tenho paciência para adivinhar a trajectória das nuvens.

A insânia dos ascetas ainda me preocupa.

Sou uma mistura de impressões.

Sou filho das imprecisões.

Sou metaforicamente raro como rara é a contemplação dos homens modernos.

A mim já não me chateiam. A luz dos dias brilha mesmo quando um homem dorme.

Por fora tudo parece igual.

Por fora tudo parece.

Já lá vai a tarde e eu continuo a sonhar com os cânticos nostálgicos dos rouxinóis.

Por dentro tudo parece diferente.

A mim já não me chateia a luz.

E é nisso que penso antes de adormecer.

 


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Sábado, 23 de Agosto de 2008

O caminho da felicidade

 

 

O caminho da felicidade é curva, recta, curva, recta, curva, curva, recta e recta, curva, curva, recta e de novo curva e recta e de novo uma curva um pouco mais acima e mais uma curva e outra e outra. A seguir segue-se uma recta, depois outra e ainda mais outra e, como o caminho é árduo, segue-se de novo uma curva, recta, curva, recta, curva, curva, recta e de novo curva e recta e de novo uma curva um pouco mais acima e mais uma curva e outra e outra e outra recta. Mais à frente existe outra curva, depois nova curva, ainda depois nova curva e finalmente outra recta. Como o caminho é difícil, segue-se de novo uma curva, recta, curva, recta, curva, curva, recta e de novo curva e recta e de novo uma curva um pouco mais acima e mais uma curva e outra e outra e outra recta. Mais à frente existe outra curva, depois nova curva, ainda depois nova curva e finalmente outra recta e outra curva e uma recta um pouco maior que desemboca numa curva ligeiramente menos acentuada. Segue-se nova curva, nova recta e mais uma curva e outra curva e outra recta e nova curva e mais uma curva, esta muito acentuada e enorme a que lhe sucede uma recta invulgarmente extensa que vai desembocar noutra curva. A partir daqui é seguir a intuição, que é a modos como o caminho iniciado há já algum tempo, por isso é mais fácil de decorar e percorrer: curva, recta, curva, recta, curva, curva, recta e recta, curva, curva, recta e de novo curva e recta e de novo uma curva um pouco mais acima e mais uma curva e outra e outra. A seguir segue-se uma recta, depois outra e ainda mais outra e, como o caminho é árduo, segue-se de novo uma curva, recta, curva, recta, curva, curva, recta e de novo curva e recta e de novo uma curva um pouco mais acima e mais uma curva e outra e outra e outra recta. A seguir segue-se uma recta, depois outra e ainda mais outra e, como o caminho é árduo, segue-se de novo uma curva, recta, curva, recta, curva, curva, recta e de novo curva e recta e de novo uma curva um pouco mais acima e mais uma curva e outra e outra e outra recta. E depois novamente curva, recta, curva, recta, curva, curva, recta e recta, curva, curva, recta e de novo curva e recta e de novo uma curva um pouco mais acima e mais uma curva e outra e outra e… curva, recta, curva, recta, curva, curva, recta e recta, curva, curva, recta e de novo curva e recta e de novo uma curva um pouco mais acima e mais uma curva e outra e outra. A seguir segue-se uma recta, depois outra e ainda mais outra e, como o caminho é árduo, segue-se de novo uma curva, recta, curva, recta, curva, curva, recta e de novo curva e recta e de novo uma curva um pouco mais acima e mais uma curva e outra e outra e outra recta. Mais à frente existe outra curva, depois nova curva, ainda depois nova curva e finalmente outra recta. Como o caminho é difícil, segue-se de novo uma curva, recta, curva, recta, curva, curva, recta e de novo curva e recta e de novo uma curva um pouco mais acima e mais uma curva e outra e outra e outra recta. Mais à frente existe outra curva, depois nova curva, ainda depois nova curva e finalmente outra recta e outra curva e uma recta um pouco maior que desemboca numa curva ligeiramente menos acentuada. Segue-se nova curva, nova recta e mais uma curva e outra curva e outra recta e nova curva e mais uma curva, esta muito acentuada e enorme a que lhe sucede uma recta invulgarmente extensa que vai desembocar noutra curva. A partir daqui é seguir a intuição, que a modos que o caminho iniciado há já algum tempo, por isso é mais fácil de decorar e percorrer: curva, recta, curva, recta, curva, curva, recta e recta, curva, curva, recta e de novo curva e recta e de novo uma curva um pouco mais acima e mais uma curva e outra e outra. A seguir segue-se uma recta, depois outra e ainda mais outra e, como o caminho é árduo, segue-se de novo uma curva, recta, curva, recta, curva, curva, recta e de novo curva e recta e de novo uma curva um pouco mais acima e mais uma curva e outra e outra e outra recta. A seguir segue-se uma recta, depois outra e ainda mais outra e, como o caminho é árduo, segue-se de novo uma curva, recta, curva, recta, curva, curva, recta e de novo curva e recta e de novo uma curva um pouco mais acima e mais uma curva e outra e outra e outra recta. E depois novamente curva, recta, curva, recta, curva, curva, recta e recta, curva, curva, recta e de novo curva e recta e de novo uma curva um pouco mais acima e mais uma curva e outra e outra e… (é tempo da vossa colaboração).

Então vamos lá continuar: O caminho da felicidade é curva, recta, curva, recta, curva, curva, recta e recta, curva, curva, recta e de novo curva e recta e de novo uma curva um pouco mais acima e mais uma curva e outra e outra…

 


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Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008

Eu quase…

 

 

Eu quase alinho no teu desalinho. Eu quase aninho no teu ninho. Eu quase…

Eu quase ando. Eu quase desando. Eu quase mando. Eu quase…

Eu quase vejo. Eu quase penso. Eu quase…

Eu quase eu. Eu quase tu. Eu quase…

Eu quase só. Eu quase dó. Eu quase ré. Eu quase…

Eu quase sim. Eu quase não. Eu nunca talvez. Eu quase…

Eu quase pompa. Eu quase circunstância. Eu quase…

Eu quase alinho, eu quase ando, eu quase vejo, eu quase ré, eu quase sim, eu quase circunstância…

Eu quase, quase…

 


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Quinta-feira, 21 de Agosto de 2008

Não me fales em voar

 

 

Não me fales em voar que eu choro.

Por vezes apetece-me fazer árvore para esperar pela chuva sem ter medo de me molhar.

Sinto-me bem na imagem terna do vento que desliza pelo tronco dos pinheiros.

O intenso cheiro da resina é bem capaz de me perseguir na viagem de regresso a casa.

 


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Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

No meio

 

 

Também eu brinquei sem reparar nisso. Lembro-me apenas do palpitar das sobrancelhas quando tentava olhar para o rio. Sentado, no meio do verde dos trevos, respirava o ar calmo da tarde e reparava nas linhas curvas dos movimentos dos peixes.

Também essas brincadeiras são hoje uma imagem estática do que já passou.

No entanto sonho com a delicadeza dos sons permanentes das folhas dos ulmeiros, onde os pássaros escondiam os seus ninhos.

 


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Terça-feira, 19 de Agosto de 2008

Bolas

 

 

Bolas para isto e bolas para aquilo. Bolas, bolas, bolas…

Algo lá em baixo se mexe e não são bolas. São fios. São os fios que o EDP tece.

Por isso Walt Whitman tem razão: “Não é necessária qualquer explicação, tudo o que um homem ou/ uma mulher fazem, tudo o que seja vigoroso, benevolente,/ limpo, traz-lhes lucros./ Na inabalável ordem do universo e através da sua esfera de acção/ para sempre.

 


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Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008

Splach, splach, splach, splach, plong...

 

 

 

Splach, splach, splach, splach, plong, splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong splach, splach, splach, splach, plong…

 


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Domingo, 17 de Agosto de 2008

Habituamo-nos a tudo

 

 

Habituamo-nos a tudo, até à ininterrupta passagem do tempo. Apesar disso rimo-nos dos orangotangos quando sobem às árvores e lançam os seus gritos estridentes. Não somos primatas livres, somos símios obsessivos com o nosso semelhante.


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Sábado, 16 de Agosto de 2008

Vais embora…

 

 

 

Vais embora com o orgulho ferido. Mas não te apoquentes, isso passa. Lá fora o vento desperta as cigarras. Já as cigarras cantam hinos metafísicos fazendo-nos pensar em Fernando Pessoa. Lá vai o Fernando imaginando os barcos de vela panda, desnorteados pela brisa do mar. Lá vai ele com o orgulho ferido. Mas isso passa-lhe. Nós habituamo-nos a tudo.

 


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Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

Hoje adicionei-me ao infinito

 

 

Hoje adicionei-me ao infinito e não sei se isso tem algum significado.

Sinto que não. Mas um sentimento tem o valor que tem. Já o infinito não. O infinito não tem valor, tem infinito. É infinitamente infinito. Isto desde que um físico ou um teólogo não lhe ponham fim. Mas o físico tem fim, um teólogo tem fim, mas o infinito não tem fim.

O verdadeiro problema científico não é o fim do infinito mas sim o seu princípio.

 


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Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

Andam os pássaros altos

 

 

Andam os pássaros altos, voando junto às ameias dos castelos, rasando as nuvens baixas. Precisava urgentemente de lhes tocar. Mas tu dizes-me que não os assuste e eu obedeço. As árvores gemem por causa do estio e os cavalos cavalgam a ânsia do entardecer.

Junto ao muro assusto-me com o brilho das videiras. Olho para o rio e não te vejo. Ainda há pouco atiravas pedrinhas à tua imagem. Tenho a vertigem da antecipação. Dói-me o olhar quando regresso a casa.

 


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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

Já não sei onde ontem pus os nervos…

 

 

 

Já não sei onde ontem pus os nervos. Distraí-me um pouco e deixei-os em algum lado de que agora não me lembro. Um homem sem nervos é quase um boneco de borracha: dá-se para todos os lados. Por isso tenho de os encontrar. Ai os nervos, os nervos!

 


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Terça-feira, 12 de Agosto de 2008

É rara a pessoa...

 

 

 

“Não levei muito tempo a perceber que é rara a pessoa no mundo dos brancos que quer ouvir o que o outro tem para dizer, especialmente quando o outro realmente sabe do que está a falar”.

 

Pequeno Grande HomemThomas Berger

 


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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008

Pling, splach…

 

 

 

Pling, slpach, pling, splach, pling, pling, pling, splach, slpach, pling, splach, pling, pling, pling, splach, slpach, pling, splach, pling, pling, pling, splach, slpach, pling, splach, pling, pling, pling, splach, slpach, pling, splach, pling, pling, pling, splach, slpach, pling, splach, pling, pling, pling, splach, slpach, pling, splach, pling, pling, pling, splach, slpach, pling, splach, pling, pling, pling, splach, slpach, pling, splach, pling, pling, pling, splach, slpach, pling, splach, pling, pling, pling, splach….

 


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Domingo, 10 de Agosto de 2008

Começa a amanhecer

 

 

Começa amanhecer e o teu gosto não me sai da boca.

Deixa lá falar quem fala. Para o caso tanto interessa.

 


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Sábado, 9 de Agosto de 2008

A praça

 

 

 

Ontem não te vi na praça e tive saudades tuas. Tenho sempre saudades tuas, independentemente de estar contigo ou não estar. Tenho sempre saudades tuas. A praça lembra-me sempre as letras que desenhas com os olhos quando olhas para o céu. Ou para mim. E mais não digo. Apenas repito que ontem não te vi na praça e tive saudades tuas.

 


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Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

Em defesa dos zéfiros

 

 

Riscas-me a memória com linhas cruzadas em ângulo recto.

Só tu me fazes continuar estupefacto com os riscos sinuosos da tua pele.

É no chão liso das cozinhas onde se invertem os cheiros da melancolia.

Não consigo admirar as metáforas, cansei-me de respirar, o ar morde e as estações dentro do meu quarto sofrem a gestação dos olhares.

Ao andar, os alvéolos danificam-se com o regurgitar dos pássaros cegos.

Quem é louco contenta-se em amar as cores difusas dos sorrisos das montanhas.

Já não há fronteiras que nos esperem. Só as crianças atrapalhadas com o sangue dos martírios nos encaminham no sentido da razão.

A bem ou a mal lá havemos de continuar a ensaiar…

 


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Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

A teimosia da subida

 

 

Lá vai o insecto à procura do que não encontra. Tudo se vai transformando em pequenas emboscadas que só nos indicam o caminho da vida. A consequência inevitável de estar vivo. Riscos, ramos, folhas, deus, rugas, circuncisões, partos, coitos, orgasmos, seriações, conformismos, alterações, desilusões, passos, olhares, movimentos oscilantes, tudo, que é quase nada, nos influi no sentido do razoável.

É como o caminho das escadas, quando nos cansamos à medida que vencemos cada degrau. Não é o último degrau quem nos vence, é antes a teimosia da subida.

 


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Quarta-feira, 6 de Agosto de 2008

Ridículos

 

Por vezes fazemos operações plásticas para disfarçarmos o avanço do tempo no nosso corpo e com isso só conseguimos ficar ridículos.

De vez em quando temos até a ousadia de emprestarmos aos objectos e aos espaços que nos são queridos a mesma terapia de submissão.

Quando não sabemos amar aquilo que é ancestral pela sua essência não devemos tentar encontrar a resposta nos outros, ou na modernidade. Essa insensibilidade reside em nós.

Nisto não há culpados, mas há cúmplices.

O circo de rua faz sempre vítimas, apesar da encenação popular e da pretensa participação popular.

 


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Terça-feira, 5 de Agosto de 2008

Há risos nos nervos das plantas

 

 

Há ondas nos telhados. Ondulações no vermelho das telhas. E verde nas paredes brancas. Um verde nervurado, mas verde, apesar de tudo. Apesar de tudo o verde ainda é verde.

Medimos a tensão em hexágonos de cimento: uns encaixados nos outros, como se o Universo fosse submisso a Deus. Mas não é.

Mesmo Deus tinha de bater à porta da minha avó para entrar no seu Universo. E isso não é influência, é recato. E isso não é poder, é alteração.

 


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Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

Splach, pling…

 

 

Splach, pling, splach, pling, pling, splach, pling, pling, pling, splach, pling, splach, pling, pling, splach, pling, pling, pling, splach, pling, pling, splach, pling, pling, pling, splach, pling, pling, splach, pling, pling, pling, splach, pling, pling, splach, pling, pling, pling, splach, pling, pling, splach, pling, pling, pling, splach, pling, pling, splach, pling, pling, pling, splach, pling, pling, splach, pling, pling, pling, splach, pling, pling, splach, pling, pling, pling, splach, pling, pling, splach, pling, pling, pling, splach, pling, pling, splach, pling, pling, pling, splach, pling, pling, splach, pling, pling…


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Domingo, 3 de Agosto de 2008

Arcologia

 

 

 

Um, dois, dois e meio… arcos.

Um, dois, três arcos.

Dez arcos, doze arcos, dezoito arcos

E uma pedra cá deste lado da margem.

A tua sombra, a minha luz…

A tua luz, a minha sombra…

A nossa água, a nossa ponte, a nossa memória…

Pequenas ondas, pequeníssimas ondas…

Afinal, ondas ou não ondas?

Andas?

Eu prefiro atravessar-te a pé, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito, porque te respeito… porque te amo, embora não faça disso alarde, nem argumento político, nem negócio.

As coisas óbvias não se dizem… sentem-se.

Não posso, é com aqueles que se arcam em parvos. Coitados! Toda a vida se hão-de arcar em parvos. E, mesmo assim, vão deixar decorrer a disposição para a ineptidão. Só que a ponte tem mais de 1900 anos. E pôde com todos.

 


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Sábado, 2 de Agosto de 2008

Pobres dos ricos ou os riscos dos pobres

 

 

De 2001 até 2006, Portugal perdeu 23 mil ricos, ou seja os agregados familiares com mais de 250 mil euros anuais desceram de 27 mil para 3600.

Esta é, incontestavelmente, uma vitória da esquerda.

Mas Portugal também perdeu, em igual período, cerca de 100 mil pobres.

Ora tal vantagem não se sabe bem a quem se pode outorgar. A esquerda teve, com toda a certeza, uma grande participação. Mas a direita também. Mais a mais, se todos os católicos de esquerda e de direita se unissem para o bem comum, outra realidade social podia surgir. Para tal bastava que os portugueses com mais possibilidades financeiras transferissem 3,5% dos seus rendimentos para os pobres. Tal facto possibilitava que os últimos deixassem de viver abaixo do limiar de pobreza.

Só que se tal possibilidade fosse concretizada, nem os pobres nem os ricos poderiam entrar no reino dos céus. Os primeiros porque deixavam de preencher os requisitos para tal. E o segundos porque, apesar de tal acto de caridade, não deixavam de ser ricos e, portanto, tal como diz a Bíblia a respeito desta condição social, o camelo não entra no céu nem o rico no ânus da agulha. Ou será ao contrário?

Apesar da firmeza dos números, outra se lhe sobrepõe: é que os ricos têm mais dinheiro e os pobres têm menos. Mas outra realidade se impõe: é que todos os pobres juntos têm mais dinheiro que todos os ricos por separado. Ora isso pressupõe uma vantagem monetária e ética. E qualquer uma delas é moralmente superior. E isso é que importa quando se discutem os direitos humanos e a superioridade moral dos pobres. E é mesmo verdade que a união faz a força. Já para não falar do acesso preferencial ao paraíso.

Mas que não nos falte a esperança, Horácio Roque, o presidente do Banif, já garantiu que a banca nacional não terá dificuldade em financiar o programa de obras públicas do Governo para a próxima década.

 


publicado por João Madureira às 22:00
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