Quinta-feira, 30 de Julho de 2009

As obras de arte

 

 

“Há obras de artificialmente adaptáveis ou estáveis: são aquelas que, uma vez instaladas, permanecem no seu lugar sem outra preocupação do que continuarem nele, como essas crianças que jogam ao jogo da roda e nunca largam as mãos que lhes couberam na primeira sorte. Outras, mais instáveis, andam sempre de um lado para o outro, agitando-se, estorvando e causando perturbações na boa ordem da Arte considerada na sua natureza cósmica, e resta ainda a categoria – se é que podem classificar-se – das que, errantes, nunca conseguiram adaptação e, como seres em potência, passam de uma classificação a outra, verdadeiros fantasmas da ontologia estética, vozes clamantes contra quem as fez de natureza tão pouco estável.”

 

Off-sideGonzalo Torrente BallesterEditorial Caminho

 


publicado por João Madureira às 22:00
link do post | comentar | favorito
|
Terça-feira, 28 de Julho de 2009

Os demónios

 

“Os demónios foram a primeira experiência de Deus. Não eram, como vulgarmente se diz, anjos, mas sim homens bissexuais. O seu poder era tão grande que ameaçaram Deus, e então Deus, com a ajuda dos anjos, criados para aquela ocasião, destruiu-os. Tentou destruí-los, pela segunda vez, em Sodoma. A Bíblia conta que enviou três anjos à cidade onde nós reconstruíamos o poder perdido. Foram três sobreviventes da cidade maldita que comunicaram ao mundo o grande segredo.”

 

Off-sideGonzalo Torrente BallesterEditorial Caminho

 


publicado por João Madureira às 22:00
link do post | comentar | favorito
|
Segunda-feira, 27 de Julho de 2009

Pling...

 

 

Plong.


publicado por João Madureira às 22:00
link do post | comentar | favorito
|
Quinta-feira, 23 de Julho de 2009

Salva-te a transparência verde da água

 

 

Apenas agora se vê a desordem geográfica. Pareces um lírio com os pulmões a ferver. E sonhas enquanto a vocação das florestas te doe fundo. Sentes que a solidão das heras cobre as paredes enquanto mais uma nuvem passa de encontro ao poente. Acontece a vocação do sangue. Do sangue terrível da paixão. A tua nudez começa a meter-se para dentro. Salva-te a transparência verde da água. Mais um mês amargo fecha as janelas. És actualmente uma montanha pensativa onde a claridade fica até ao fim.


publicado por João Madureira às 22:00
link do post | comentar | favorito
|
Terça-feira, 21 de Julho de 2009

No chão caem agora as estrelas

 

 

Agora nem os homens conseguem perceber os deuses artesãos. Há imagens deles subindo o monte Sinai. O demónio já ali vem carregando as suas leis. Os deuses não têm boca. Por isso alimentam-se de desespero. E de diabos. De pequenos diabos de luz. No chão caem agora as estrelas deslaçadas que são amarradas por mãos sombrias. Devagar, os dedos dos deuses aprisionam as palavras desperdiçadas pelos homens. Nisso parecem-se muito com os demónios. Finalmente os demónios vomitam diamantes que os deuses apanham para devolverem aos sacerdotes do Templo.


publicado por João Madureira às 22:00
link do post | comentar | favorito
|
Segunda-feira, 20 de Julho de 2009

Plong, plong, plong...

 

 

Plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong, plong…


publicado por João Madureira às 22:00
link do post | comentar | favorito
|
Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Deus é um instante

 

 

Estão as bocas ocupadas com as emoções escuras. Um prazer lento invade-me o corpo. Oiço-te cantar e sinto como é rápido o modo de amar e de sofrer. As mãos, também lentas, absorvem a canção, o tempo e a beleza. A terra dorme e acorda no meio de uma estação. E essa estação está ainda a meio de o ser. Essa estação já é outra estação e essa é ainda outra estação. Alguém se debruça sobre terra e treme de prazer. O vento fustiga os vales. As flores são agora rebentos de solidão. Tu escreves a palavra “malícia” sem malícia. Andam amargas as vozes brancas de solidão. Procuro as palavras que não encontro. Encontro as palavras que não procuro. Encontro-te no meio das palavras que não escrevo. Alguém procura dentro do meu sonho as noites espantosas do silêncio. O silêncio amargo das vozes ancestrais. As vozes das crianças solitárias. Alguém chama por mim directamente do branco da solidão. Um estrangeiro bate à porta do tempo. O tempo escreve a canção dos frutos e não consegue ouvir. A beleza devora a imagem do tempo. O tempo devora o tempo. O tempo devora a imagem. A imagem devora a beleza do tempo. Quase sempre deus é um instante.


publicado por João Madureira às 22:00
link do post | comentar | favorito
|
Terça-feira, 14 de Julho de 2009

O trio maravilha

 

 

“José Saramago é uma derivação da literatura da América Latina. É uma prosa admissível nas Caraíbas ou num português que tivesse vivido a vida inteira nas Caraíbas. Mas assim não faz sentido nenhum. Lobo Antunes é um escritor. Não me interessa nada, mas é um escritor. Ele publica constantemente. Se tivesse escrito menos quatro ou cinco livros talvez tivesse sido um grande escritor. Aquilo acaba é por ser uma pasta. É como a Agustina. É uma literatura que se acabrunha, sem caminho. Sem… sem… sem… Eu ia dizer a coisa mais horrível: sem forma.”

 

Vasco Pulido Valente – LER – Julho de 2009

 


publicado por João Madureira às 22:00
link do post | comentar | favorito
|
Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Perling, perlong, perlang, perling, perlong…

 

 

Perling, perlong, perlang, perling, perlong… long… long… lang,  perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlong, perlang, perling, perlong… long… long… lang,  perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlong, perlang, perling, perlong… long… long… lang,  perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perling, perling, perling, perling, perling, perling, perling, perling, perling, perling, perling, perling, perlong, perlang, perling, perlong… long… long… lang,  perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlong, perlang, perling, perlong… long… long… lang,  perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlong, perlang, perling, perlong… long… long… lang,  perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perlang, perling, perling, perling, perling, perling, perling, perling, perling, perling, perling, perling, perling… pang…


publicado por João Madureira às 22:00
link do post | comentar | favorito
|
Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

O Prazer e o Tédio – José Carlos Barros

 

 

“José Carlos Barros, que não esconde as suas fontes primitivas («Um odor intenso de alecrim [conta Maria Teresa] mistura-se no ar de fuligem. Como no primeiro capítulo dos romances sul-americanos.»), constrói uma pequena maravilha romanesca como há muito tempo eu não lia. Perfeita, melancólica, cheia de amor. Arrebatadora pela sua delicadeza e pelo humor travesso que nos comove. Ele sabe o que é o efeito romanesco; ao contrário dos literatos, ele sabe o significado da palavra romance, mais próximo da sua intensidade que da sua técnica; mais próximo do amor verdadeiro do que da sua imitação literária. Por isso, O prazer e o tédio lembra-me também a loucura de Heathcliff e a melancolia de O Monte dos Vendavais. É nessa paisagem que livro recupera e trata como ninguém, José Carlos Barros revela-se um geógrafo, um topógrafo que nos comove com os seus personagens fantásticos. Diga-se que se trata do realismo fantástico português, no seu melhor, cheio de luz, acabado de inventar por José Carlos Barros.”

 

Francisco José Viegas

 

 

O Prazer e o Tédio começa por ser a história de uma casa em ruínas, uma construção antiga e saturada de memórias que Aline – mulher de 40 anos em luta contra o tédio paralisante – não sabe se há-de reconstruir ou vender. Lírico e meticuloso, de início o livro avança devagar, contemplando os esplendores da bacia hidrográfica do Terva, reflectindo sobre a passagem do tempo e o modo como as pessoas se agarram à terra, ou sobre essa «finíssima membrana» que separa o prazer dos seus perigos.

Então, de repente, o texto desvia-se do rumo, acelera, mergulha no passado e transforma-se num saga familiar com vários narradores, dezenas de personagens e uma hábil oscilação entre diferentes épocas históricas.

(…) Há mulheres que adivinham o futuro, outras de cuja nudez emana uma luz que cega e queima, há vidas trágicas, amores de perdição e aromas…

(…) O Prazer e o Tédio é um dos mais arrebatadores romances de estreia publicados em Portugal na última década. Saber que o seu autor já encetou, na blogosfera, outros dois «folhetins» (As Heranças Indivisas, que se mantém a norte; e a Onda Gigante, situado no Algarve), representa uma espécie de consolo e uma nota de esperança quanto ao futuro da ficção nacional, nestes tempos em que a crise tudo parece contaminar com a sua sombra de nuvens negras.”

 

José Mário Silva – LER – Junho de 2009  

 


publicado por João Madureira às 22:00
link do post | comentar | favorito
|
Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Do romance e outras verdades

 

 

 

«As histórias repetem-se ao longo do tempo: só mudam os nomes, os lugares, a paisagem. É como se as pessoas fossem sempre as mesmas. A repetir os mesmos gestos. A insistir nos mesmos erros.»

 

O Prazer e o TédioJosé Carlos BarrosOficina do Livro

 


publicado por João Madureira às 22:00
link do post | comentar | favorito
|
Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

O Tédio

 

 

«O tédio, Aline, é inversamente proporcional ao desassossego de estar vivo; o tédio é a demonstração de que a labareda do prazer se alimenta do seu próprio combustível. Há quanto tempo, Aline, uma nuvem não é para ti senão uma nuvem, há quanto tempo não te percorre verdadeiramente a inquietação de um corpo que se deseja? Há quanto tempo não choras a olhar a chuva contra os vidros das janelas num fim de tarde de Novembro? Há quanto tempo não agitas as mãos na água das levadas a ver a leve ondulação da corrente? Há quanto tempo não adormeces com o desassossego de saber que o mundo permanece vivo por dentro dos sonhos?»

 

O Prazer e o TédioJosé Carlos BarrosOficina do Livro

 


publicado por João Madureira às 22:00
link do post | comentar | favorito
|
Terça-feira, 7 de Julho de 2009

O Prazer

 

 

«Talvez o prazer não seja mais que uma fogueira acesa no Inverno. (…) Interrogamo-nos sobre o que é o prazer e descobrimos com surpresa que não há uma definição possível. A ideia de prazer depende de variáveis inúmeras: geográficas, temporais, sociais, culturais. Depende de quase tudo. Numa aldeia do interior, na montanha, nos anos sessenta do século vinte, o prazer poderia decorrer da possibilidade de se ficar à noite junto ao fogo da lareira com uma caneca de vinho e um caldo do pote.»

 

O Prazer e o TédioJosé Carlos BarrosOficina do Livro

 


publicado por João Madureira às 22:00
link do post | comentar | favorito
|
Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Pling...

 

 

P… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… p… plong.


publicado por João Madureira às 22:00
link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 4 de Julho de 2009

A nossa existência não faz sentido

 

 

A nossa existência não faz sentido. Vivemos numa contradição. Walt Whitman pressentia-o. Por isso exclamou: “Eu e este mistério aqui estamos”.

Também eu, à semelhança de Ralph Waldo Emerson, gosto de dar longas caminhadas pelos bosques sozinho, gosto do silêncio das igrejas antes do início do serviço religioso e gosto do Homem, mas não dos homens.

 


publicado por João Madureira às 22:00
link do post | comentar | favorito
|
Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Para sempre

 

 

A água escoa-se pelo meio do dia. Há dias em que basta olhar de frente para as montanhas para as sentir definhar. Morrem beijando as árvores e as pedras dos regatos. É tremenda a sua decepção em relação aos humanos.

No outro lado do dia, as mulheres desejam beijar os seus filhos que foram para longe trabalhar e amar. Agora as casas estão cheias de insectos. Os olhos dos gatos enchem-se de indiferença. Nem os ratos apanham. E eles são tantos e tão gordos.

A inércia ganha a guerra da civilização. Também a inércia é destruída pela relutância dos profetas mudos. São obstinados os mudos, não os profetas. Os profetas de hoje são mais instantâneos que a gelatina. E não sabem a nada.

Alguém se ergue da cadeira e começa a caminhar para junto da nossa sombra.

Tem a sombra vaidade em se tornar luz. Mas não repara que assim desaparece para sempre.  

 


publicado por João Madureira às 22:00
link do post | comentar | favorito
|

.Keith Jarrett - La Scala

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Maio 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9



29
30
31


.posts recentes

. São Sebastião - Vilarinho...

. São Sebastião - Couto Dor...

. Couto de Dornelas (III)

. Poema Infinito (356): O a...

. São Sebastião - Couto Dor...

. S. Sebastião - Couto de D...

. 343 - Pérolas e diamantes...

. A gaivota (III)

. A gaivota (II)

. A gaivota

. Poema Infinito (355): O n...

. Maresias (II)

. Maresias

. 342 - Pérolas e diamantes...

. HAZUL - Porto

. The Augustus no Porto

. A ponte é uma miragem...

. Poema Infinito (354): Um ...

. Interações

. Diversões...

. 341 - Pérolas e diamantes...

. Assando sardinhas - S. Jo...

. Ribeira - Porto - S. João...

. Porto - Ribeira - São Joã...

. Poema Infinito (353): O e...

. Ribeira - Porto - S. João...

. Estação de S. Bento - Por...

. 340 - Pérolas e diamantes...

. Cabo da Roca

. Cabo da Roca

. Cabo da Roca

. Poema Infinito (352): Out...

. Na exposição

. Cavalos no Barroso

. 339 - Pérolas e diamantes...

. Janela

. Eira

. Garrafeira

. Poema Infinito (351): A c...

. À porta

. Reflexos

. 338 - Pérolas e diamantes...

. A vendedora de fumeiro

. O sapateiro

. O barrosão

. Poema Infinito (350): Inv...

. O camarada

. O artesão

. 337 - Pérolas e diamantes...

. Alturas do Barroso com ne...

.arquivos

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

.tags

. todas as tags

.Visitas

.A Li(n)gar