Quarta-feira, 30 de Junho de 2010

A pessoalíssima possibilidade do amor

 

Todas as coisas inspiradoras são superlativas. O exercício diário do amor escoa-se na fluência dos movimentos. O desejo esgota-se preenchido pelo frio silêncio da permanência. Toda a deslocação é uma admirável tristeza. São igualmente frias as canções despovoadas de sangue. São delicados os teus dedos simbólicos. Há uma ardente agudeza na maturidade completa da perseverança. As crianças esmigalham-se nos gritos leves da infância. São claras as mães iluminadas pelas giestas enevoadas. Penso um pouco na beleza das lágrimas ocultas e o meu sexo vibra no lírico fervor da fertilidade. Comovidos pelos livros, os homens puros adormecem sonhando com a incandescência da vida.  A melancolia morre num lugar de primaveras cercadas por flores. Este é o nosso tempo. O tempo erguido pela torrente silenciosa das imagens. As margens da fantasia circulam acesas pelas horas consistentes. A originalidade das palavras reside na sua posição, como se fossem Evas nuas disponíveis a copular com a serpente. Toda a loucura é vingativa. Toda a juventude é confusa. Toda a paisagem é lembrança. Toda a mulher é um lugar incendiado. Agora a primavera ressuscita as palavras irremediáveis. Falas tão devagar que não te distingo no hermetismo dos hortos da acrópole. Dói-me a inquietação subterrânea da inspiração. As palavras na tua boca acendem-se como lâmpadas fosforescentes. A escrita é uma tarefa inquieta. Sou o teu lado oculto. A minha boca está agora perturbada de feminino. Marulham as águas no meu cérebro. As imagens aprendem a profunda necessidade dos lugares. Deito-me na experiência do arrependimento, refresco-me no exemplo bíblico do ciclista, mergulho no ruído instantâneo da ressurreição. Procuro a inocência respirando a monotonia das estrelas. És a pessoalíssima possibilidade do amor.


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Terça-feira, 29 de Junho de 2010

Portefólio – Feira dos Santos – Chaves – PB


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Segunda-feira, 28 de Junho de 2010

O Homem Sem Memória

 

17 – “Estamos fodidos, estamos fodidos, agora vai aparecer aí o Dr. Sebastião e pôr-nos a todos na rua. O funcionário já nos tinha avisado que não eram permitidas brincadeiras com armas de fogo dentro do Centro de Trabalho. Mas o Martins é maluco de todo. Se vier aí a polícia quero ver como ele descalça a bota”, disse o UEC subalterno. O UEC, que embirrava com os cristos pendurados na parede das salas de aula, avisou: “És um medricas. O Dr. Sebastião não manda em nós. Lá por o Centro de Trabalho estar alugado em nome dele não quer dizer que nos trate como carneiros. Mais a mais, ele é um burguês. E os burgueses podem ser aliados do proletariado para tomar o poder… mas, aí chegados, cada um está por sua conta e risco”.

E o Dr. Sebastião apareceu. Vinha furibundo e atrapalhado. Ele, que era um homem calmo e apresentável, apareceu no Centro de Trabalho desalinhado e histérico. E gaguejou durante muito tempo o seu discurso, quase até o tornar perceptível. Avisou a rapaziada que não permitia atitudes aventureiras dentro do CT, que a Dona Marcelina tinha aceitado alugar a casa ao Partido por se tratar do Dr. Sebastião (ele próprio), que era o seu médico e por quem tinha deveras respeito e admiração. Muita gente tinha advertido a Dona Marcelina que alugar a sua casa a comunistas era um mau negócio. Que podiam pôr bombas, que podiam andar aos tiros, que podiam incendiar a casa, avisaram-na. E a ditosa Dona Marcelina tudo isso contou ao Dr. Sebastião. A solução encontrada foi ele (o Dr. Sebastião) responsabilizar-se pelo bom comportamento dos seus camaradas. Mas ninguém pode prever o comportamento do ser humano. Muito menos em ambiente revolucionário. Isto apesar de a revolução estar longe e apenas chegar a Névoa através dos jornais (quase todos dominados pelos comunistas), da televisão (também dominada pelos comunistas) e da rádio (igualmente dominada pelos comunistas). Mesmo a revolução democrática e nacional estava literalmente ocupada pelos comunistas. E o mesmo se podia dizer das casas de banho (agora transformadas em autênticos jornais de parede) dos cafés, dos bares e dos restaurantes, onde as piadas brejeiras deram lugar a textos inflamados de apoio à revolução e de crítica contundente à classe dominante, onde todos os homens eram agora burgueses e paneleiros e as mulheres eram todas putas debochadas. Do lesbianismo ainda os militantes revolucionários da agit-prop não tinham sido informados. E os que não eram uma coisa nem outra só podiam ser trotskistas.

E agora aquilo. O Dr. Sebastião não se conformava. Os comunistas, que eram por definição gente responsável, educada e moralmente superior, andavam a dar tiros nas paredes, como se fossem garotos. Corriam até boatos que existiam no CT bombas enterradas.

Sobre as bombas, o UEC que alvejava cristos prontamente desmentiu o boato. Aquele era o seu tesouro revolucionário e não estava decidido a partilhar a informação da sua existência com um burguês, mesmo que se afirmasse comunista e tivesse passado pelas prisões salazaristas por distribuir jornais do Partido.

Perante o mutismo esquerdizante dos UEC, a indiferença activa do Martins e a sisudez imbecilizante do funcionário, o Dr. Sebastião acalmou. O passo seguinte foi marcar uma reunião da Comissão Política Concelhia para discutir o assunto para essa mesma noite. Perante o ambiente insurreccional que se vivia no CT, os camaradas dirigentes resolveram, a sugestão do Dr. Sebastião, reunir-se na sala de jantar da sua residência. A ter lugar no CT, a grande maioria dos quadros dirigentes revolucionários podia vir a ser insultada pela arraia ignara na casa que diziam sua, mas que de facto pertencia, por direito arrendatário ao Dr. Sebastião. Bem vistas as coisas, era ele quem pagava a renda. Em nome do Partido, é certo, mas o dinheiro era dele. Ou melhor, dos seus doentes, que a troco das consultas o remuneravam com algum custo mas copioso reconhecimento. Os comunistas mais rancorosos afirmavam, entre dentes, que a saúde era um direito do povo, por isso o dinheiro cobrado pelas consultas transformava o Dr. Sebastião num explorador. Mesmo aliado do povo e comunista detentor da indelével insígnia da sua passagem pelas prisões políticas fascistas, não deixava de ser um mero cúmplice circunstancial do proletariado que a seu tempo deixaria de poder prosseguir na mesma senda, por manifesta contradição de classe. O materialismo dialéctico assim o profetizava. E o que a ciência política marxista-leninista afirma nenhuma teoria burguesa consegue contradizer.

 

18 – A reunião teve início à hora marcada e contou com a presença de todos os seus membros eleitos em assembleia por voto de braço no ar e ainda com o funcionário do partido a nível concelhio e o funcionário distrital, que tinha assento no Comité Central, como suplente, mas dos principais da lista supletiva, dos que tinham assento muito perto dos camaradas suplentes da comissão política nacional.

Em vez de pratos, os camaradas tinham na sua frente uma folha de papel em branco e em vez dos garfos uma esferográfica oferta de um agente de propaganda médica, também camarada, mas na clandestinidade por trabalhar para uma multinacional.

A reunião começou como todas as outras, com uma sessão pungente de crítica e a autocrítica realizada por cada membro deste destacado e prestigiado colectivo concelhio. O procedimento tinha muito de religioso. Mas enquanto os católicos se confessavam a um padre para pedirem perdão a Deus, os comunistas faziam-no às claras, na presença de todos, para pedirem perdão a Alberto Punhal, num acto de contrição público que servia para dar alfinetadas em muitos dos camaradas que não procediam com a conveniente obrigação (pois era certo e sabido que ninguém fazia as coisas como devia, pois existiam sempre falhas no procedimento de um revolucionário, pois perfeitos só mesmo Punhal, Lenine, Estaline e Marx, e por esta ordem).

O funcionário do partido leu de seguida o editorial da Verdade. E comentou-o, relendo partes. E citou O Caminho do Triunfo. O Dr. Sebastião pensou logo no Triunfo dos Porcos, que o Partido considerava uma obra contra-revolucionária. Mas a ele, que até lia o Expresso, o órgão quase oficial da burguesia nacional, a sua consciência revolucionária permitia-lhe ler obras heréticas. O Dr. Sebastião era, com vossa licença, burro velho, por isso não se deixava contaminar pelas pantominices dos escritores reaccionários.

 

19 – E a reunião prolongou-se como um ofício fúnebre. No fundo, os padres e os acólitos comunistas nevoenses estavam ali reunidos. E bem. Todos concordavam com todos. Concordavam com as orientações do Partido. Concordavam com o editorial da Verdade. Concordavam com as interpretações esclarecidas dos funcionários, sobretudo com as do funcionário suplente do CC. Concordavam com a necessidade do comunismo e do centralismo democrático e com a necessidade de fazer mais militantes e de cobrar melhor as quotas e de colar melhor os cartazes e de pintar melhor as paredes e de agitar mais as massas e de ser mais tolerantes com a Igreja e, ao mesmo tempo, combater os socialistas. A tarefa revolucionária centrava-se em combater os socialistas. Tolerar a Igreja, mas combater os socialistas. Os católicos tinham desculpa por causa da crença e por causa de serem muitos e terem o poder de baptizarem os recém-nascidos e de casarem os jovens e de enterrarem os mortos abençoando-os com a promessa das palavras sagradas imbuídas pelos santos óleos. Os católicos tinham ainda a desculpa dos textos bíblicos, por onde aprendiam, serem muito antigos, mas os socialistas, esses traidores, tinham lido, pelo menos, as obras de Marx e nada tinham aprendido com elas. Sobretudo porque não queriam. E eles sabiam ler. Esses desgraçados sabiam ler. E bem. Muitos dos católicos não sabem ler nem escrever. Mas os socialistas, sim sabem. Se não seguem os ensinamentos é porque estão decididos a trair. Judas traiu Cristo conscientemente. Por trinta dinheiros. E deu-lhe um beijo para o entregar. Podia simplesmente apontá-lo com um dedo, como o fazem os socialistas quando votam nas suas reuniões. Mas não, Judas deu um beijo a Cristo e, dessa forma, disse que aquele era o judeu que se dizia filho de Deus que os romanos tanto procuravam. Judas não era homossexual. Apesar de ter beijado Jesus. Cristo não era homossexual. Apesar de se ter deixado beijar por Judas. Jesus vivia entre homens. Mas naquele tempo era normal. Tempos antigos, costumes antigos. A sexualidade é uma coisa recente. A homossexualidade é uma doença moderna. Muitos socialistas são homossexuais. Ou melhor, a homossexualidade é um desvio socialista. Um desvio pequeno-burguês de fachada socialista. Não é que o Partido persiga os homossexuais. Ou os pequeno-burgueses. Nem combate ou persegue os católicos. Compreende-os. O Partido compreende tudo. Mas compreender não é aceitar. Além disso, nenhum comunista digno desse nome patenteia um comportamento sexual desviante. E muito menos ideológico. O camarada Punhal, Marx, Lenine, Estaline, nenhum deles, que conste, era homossexual. Nem socialista. Nem traidor. Os socialistas são os verdadeiros descendestes de Judas. São capazes de beijar os comunistas em público para a seguir nos traírem. Às escondidas do povo. Os nossos antepassados estiveram ao lado de Cristo. Com Cristo. Em Cristo. Os socialistas estiveram sempre com Judas. Judas era um verdadeiro socialista. Cristo não era comunista, mas todos vemos que gostava de o ser. A haver um comunista no meio dos apóstolos, ele era Tomé.

 

20 – Ver para crer. Ou será crer para ver? Qual é a proposição verdadeira? O funcionário concelhio não se entendia com o provérbio apropriado. Mas tanto fazia. No fundo, e o Dr. Sebastião que o desculpasse, o que verdadeiramente interessava era a revolução. A defesa da revolução. Era o que dizia o editorial da Verdade. Todos os editorais da Verdade o afirmavam peremptoriamente. O camarada Martins, um SUV empenhado e um comunista sincero, podia ter as suas manias, os seus desvios ideológicos, os seus momentos de crise, mas era dos poucos militantes que tinha tido a coragem de defender a casa de todos os comunistas, mesmo contra a opinião da maioria dos camaradas que consideravam essa atitude uma rematada loucura. Loucura ou não, essa era a postura que o Comité Central defendia. Na nossa casa somos reis… bem, reis não, somos os que nela mandam. É nossa…

Alguém lembrou que “o Centro de Trabalho não era do Partido, era apenas uma casa alugada. Ou seja, o Partido era apenas o inquilino. E como qualquer inquilino tinha os seus direitos, mas também tinha os seus deveres. Especialmente o de pagar a renda e o de assegurar a sua manutenção. E dar tiros nas paredes não é, e não me canso de o lembrar, não é, repito, uma atitude revolucionária”. O Dr. Sebastião, que, como bom revolucionário, continuava calado, acenou com a cabeça em sinal de concordância com as palavras do seu camarada de Partido, mas também de caça e pesca.

Aí, os dois funcionários foram aos arames. E ao mesmo tempo disseram: “O Partido não é inquilino de ninguém. Essa é uma perspectiva errada do problema. O Partido está acima de tudo. Dos militantes, dos funcionários, da Dona Marcelina, do Dr. Sebastião e até acima do camarada Punhal. O Partido está acima de tudo. Até de Deus.”

“Mas Deus não existe”, balbuciou outro alguém. Ao que o funcionário suplente do CC respondeu com cara de Estaline, “É uma forma de dizer.” Um camarada mais afoito, um terceiro alguém, com algum peso na célula local devido ao seu estatuto de meio operário da construção civil (classe muito apreciada pelos comunistas por se ter atrevido a cercar a Assembleia da República com os deputados lá dentro) e meio empreiteiro (portanto pequeno empresário, classe que o Partido tinha definido como aliada do proletariado para fazer a revolução democrática e nacional), resolveu dar um ar da sua graça e contra-atacou: “Se Deus não existe, e foi Marx que o disse, ideia aprovada por Lenine e Estaline e também pelo camarada Punhal, porque é que tu, que és um camarada que faz parte de um órgão nacional do Partido, te descais a tagarelar como um qualquer burguês de província? A linguagem, num revolucionário, é essencial. E num revolucionário membro do CC, apesar de suplente, ainda o é mais”.

O camarada Abílio, que tinha a grande qualidade de estar sempre de acordo com todas as opiniões emitidas por todos os camaradas, mesmo sendo elas antagónicas, pôs um dedinho no ar para lembrar os presentes que “o camarada funcionário suplente do CC é suplente sim senhor, mas dos primeiros suplentes, ou seja é quase efectivo, basta morrer um camarada dos mais velhos para ele passar de imediato a membro permanente”.

O camarada trolha/empreiteiro, como se nada tivesse ouvido, pois considerava o camarada Abílio um zero à esquerda (expressão idiomática que a ser tomada à letra podia levar a outra discussão ideológica de contornos indefinidos) perseverou: “Os comunistas só falam a verdade. Essa é a nossa maior arma. A nossa principal virtude. Somos filhos do povo e por isso mesmo não o podemos iludir com falsas promessas. Sendo assim, é forçoso que os camaradas, principalmente os mais responsáveis, tenham tento na língua e meçam as suas palavras. Se Deus não existe não se fala nele e pronto. Nós temos muito a mania, mesmo depois de concordarmos com o que o Partido diz, de continuar a falar com hesitações, como se o que se lê fosse letra morta. Como se o que está escrito no programa e estatutos do Partido seja letra morta. Alguém aqui ouviu dizer ao camarada Punhal que Deus existe? Ou melhor, alguém aqui ouviu o camarada Punhal invocar – ou será avocar? – o nome de Deus? (Invocar o nome de Deus em vão é pecado, rezou a camarada Teresa.) Mas já todos lemos que a religião é o ópio do povo. Marx escreveu-o e…”

Ao canto da mesa, a camarada Teresa pediu para interromper e disse que não é por Marx ter escrito que a religião é o ópio do povo que Deus não existe. Ao que o camarada que estava no uso da palavra contrapôs que dizer que a religião é o ópio do povo é ainda mais categórico que afirmar que Deus não existe. Ou seja, Marx quis dizer que a mentira de Deus é a forma de a burguesia narcotizar o povo, de o subjugar com a punição de um Deus torcionário. O ópio é uma droga e por isso…

A camarada Teresa aproveitou para murmurar que o vinho também é uma droga e muitos camaradas não deixam de o beber, alguns até de o sorverem de forma entusiástica. Nem que ele fosse o sangue de Cristo…

O camarada trolha/empreiteiro levou-se dos diabos (pois todos o sabiam adepto de um só deus, Baco) e perguntou: “Aqui alguém é católico?” Ao que a camarada Teresa respondeu: “Eu sou.”

E estava para se iniciar mais uma das velhas discussões entre comunistas, católicos e amigos da pinga, quando o camarada funcionário suplente do CC se pôs de pé, abriu os braços e sentenciou: “Essa discussão não se encontra na ordem de trabalhos, portanto vamos passar ao ponto seguinte. E, como bons revolucionários e devotos comunistas, deram, nas palavras do camarada dirigente, um passo atrás para dar os dois seguintes em frente, conforme doutrinou o camarada Lenine. Saída que teve a expressa concordância do camarada Abílio e o acordo tácito dos restantes camaradas.


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Domingo, 27 de Junho de 2010

Portefólio – Festa Santo Amaro – 29 de Julho de 2004


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Sábado, 26 de Junho de 2010

Portefólio – Desfile Etnográfico – Chaves, Julho de 2004


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Sexta-feira, 25 de Junho de 2010

O fascismo e as famílias bem organizadas

 

“Mas aqui, o equivalente desse sentimento foi o regionalismo cultural, o amor à província de origem, ou ao distrito que ganhou tão rapidamente identidade no imaginário social, a pequena pátria igualmente mitificada, na qual tudo era de maior pureza e autenticidade, baluarte de virtudes, onde a pobreza era uma opção de vida digna.

Uma terceira vertente deste pendor para a sacralização das origens, teve manifestação no conceito popular do Império, que marcaria presença na ideologia do Estado, e expressão no marinheiro de Fernando Pessoa, que a vontade de D. João II amarrou ao leme. Tratou-se da unidade nacional abrangente de todas as parcelas dispersas pelos vários continentes, e que a Restauração de 1640 se manifestou no facto de a generalidade das possessões e capitães terem aderido a D. João IV, com excepção significativa de Ceuta, talvez porque a guarnição era a Andaluzia.

A doutrina na assimilação dos povos aborígenes, e da troca sincrética de padrões culturais, havia de equivocamente abranger tais populações, submetidas ao Império, no mesmo conceito de unidade, sobretudo em períodos de perigo agudo para a manutenção da soberania, desconhecendo que o conceito nominativo de ser português era múltiplo de conteúdos em função dos povos e lugares.

Mas a unidade existia no que respeitava à emigração metropolitana, ou determinada pelas exigências do preenchimento dos quadros civis e militares do Estado, ou seguindo as iniciativas da sociedade civil. Ser português tinha para essas variadas latitudes muitos significados, que ainda abordaremos, mas a unidade era um conceito forte no que tocava ao povoamento pela imigração.

 Na cidade grande, a sublimação das colónias interiores, dizia respeito à pátria pequena, e por isso os nossos amigos, as famílias com as quais convivíamos, eram predominantemente transmontanas, sendo muitos os que exerciam na Policia de Segurança, na Guarda Republicana, na Carris, sempre a pensar na idade da reforma e do regresso.

De resto, a qualidade de vida em bairros como Campolide exigia muito esforço, quer às mulheres para complementarem os salários dos maridos, quer à cooperação de todos para suprir designadamente a inexistência de água nos domicílios. Era necessário que fossemos buscá-la longe, aos chafarizes que ainda eram obras consideradas de grande utilidade pública, sendo as ruas mal calçadas, e muito do comércio ainda feito por vendedores ambulantes. São desse tempo os pregões lindíssimos das peixeiras, da vendedeira da fava-rica, do mexilhão para arroz, dos figos de capa rota e também das carroças que traziam o azeite, e o petróleo, das lavadeiras que passavam, com o seus burricos, a distribuir a roupa que as casas mais abonadas lhes entregavam para lavar.

A taberna, que tinha de regra acoplada uma carvoaria, era um centro de reuniões dos trabalhadores, e muitas tinham um corvo de asas cortadas que se passeava diante da porta, e como que servia de insígnia. Na Cova Funda da Rua de Campolide, havia também um pátio, onde no Carnaval vinham Cegadas fazer representações da luta entre o bem e o mal.

(…) A História política dessa época, que vai definindo as biografias de vencedores e vencidos, é apenas o legado reservado de uma parte da população, quando o poder se adquiria e perdia na cidade e o campo seguia, quando na cidade grande as Forças Armadas eram o verdadeiro eixo da roda, e nelas eram os quadros permanentes que decidiam da fidelidade ao Governo ou ao golpe de Estado. De facto eram muitos a serem governados por muito poucos, sendo verificável que, frequentemente, as mesmas famílias forneciam os agentes de cada mudança, e asseguravam a presença em todas as situações.

Pelo norte do país circulava o conceito antigo de que uma família de notáveis bem organizada tinha um filho nos legitimistas e outro nos liberais, um nos regeneradores e outro nos progressistas, e assim por diante.

(…) A última grande mudança política do século, que foi a Revolução de 1974, havia de recordar o conceito e a sabedoria resignada que o apoiava. Alguns dos que se tornaram notáveis na proclamada democratização eram filhos de famílias dominantes do regime corporativo da Constituição de 1933, e até deveram a preservação da sua disponibilidade para a acção revolucionária à política que os dispensou da mobilização para o serviço no Ultramar, ficando nos centros supostamente encarregados da pesada responsabilidade de produzir pensamento e de assegurar a lógica da execução.”

 

Adriano Moreira – A Espuma do Tempo, Memórias do Tempo de Vésperas – Almedina


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Quinta-feira, 24 de Junho de 2010

Portefólio – Tâmega (em) cheio


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