Domingo, 30 de Junho de 2013

Meninos e gaiteiros


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Sábado, 29 de Junho de 2013

Mulher com chapéu


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Quinta-feira, 27 de Junho de 2013

Universidade de Coimbra


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Quarta-feira, 26 de Junho de 2013

O Poema Infinito (152): aqui


Hoje vou contar quase uma história sobrenatural. Onde as distâncias somam gente. Onde não existe o abandono. Onde a solidão se abastece de água e de árvores. Onde o dia nasce cheio de palavras. Onde os rios se encostam aos verbos desenhados por compêndios de pássaros. Onde os poetas guardam a água que amanhece nos olhos dos amantes que vão perder a virgindade. Onde a linguagem é anterior ao pecado original. Aqui tudo se equivale. As imagens que brilham, os pirilampos que se acendem, a noite que gravita, as velhas teorias que dizem que a vida está no início do seu período relevante. Aqui a poesia não é útil, pois os homens e as mulheres não usam as borboletas. Aqui fala-se da biografia indestrutível dos carvalhos. Aqui todos os seres são soberanos. Aqui criam-se imagens abismadas. Aqui nascem os homens que mudam as coisas. E nascem também as mulheres que mudam os homens. Aqui nasce o exagero. E a originalidade. E a autenticidade. E o instinto da poesia. E os parâmetros da claridade. Aqui nasce a afluência evidente dos objetos e a comovente inutilidade do amor. Aqui nascem as imagens repletas de céu e de pássaros e de perplexidade. Aqui nasce a linguagem das árvores, o esplendor da morte, a imaginação devorante dos alucinados e todo o universo caótico de todas as imagens do mundo. Aqui tudo se torna invisível para procurar a visibilidade. Aqui confluem as aves que são livros, os livros que são aves, os escritores que são cogumelos, os meninos que correm pelas ladeiras e a chuva de absinto que faz pling, pling, pling nas poças dos canteiros. Aqui deus não existe. Aqui os homens possuem um brilho inventor nos olhos. Aqui os poetas são meninos que brincam com poetas e que trazem novidades concebidas sem pecado. Aqui todas as virtudes são defeitos e todos os defeitos são virtudes. Aqui as paisagens sentam-se à janela e lamentam-se. Aqui ninguém explica nada. Aqui não se ensinam medos nem se decifram olhares. Aqui os cavalos andam soltos pelas ruas e enamoram-se das estrelas. Aqui o vento embrulha as palavras transformando-as em sorrisos. Aqui tudo tem significado. Aqui nada tem significado. Aqui brinca-se com o fogo e ninguém se queima. Aqui o medo perdeu o medo de ter medo. Aqui os espelhos são feitos de água e a beleza é feita de loucura. Aqui as pessoas estão sempre a distrair-se a ir-se e a vir-se. Aqui o chão sobe pelas pessoas e enche-as de natureza. Aqui os meninos descobrem gritos de futuro e as avós murmúrios de passado. Aqui inventam-se aparecimentos e a saudade dos sítios e o tempo do amor e o nome dos bichos e a experiência do sofrimento. Aqui as pessoas deixam de ser estranhas. E os anjos amam as suas mães e os seus pais e os seus irmãos e dormem aconchegados nos braços roliços das deusas da transgressão. Aqui há muitas maneiras de viver e outras tantas de morrer. Aqui experimenta-se a fartura da beleza e a excitação sexual. Aqui cada um ama aquilo que quer amar. Aqui sopra-se poesia aos ouvidos e pede-se inspiração ao papel. Aqui os homens e as mulheres têm esperança e sorriem contando mistérios uns aos outros. Aqui as portas nunca se fecham e os girassóis são tão bonitos e tão trágicos como os de Van Gogh. Aqui as mulheres cozinham a esperança e os homens semeiam crepúsculos. Aqui as contas dos terços são feitas de orvalho. Aqui ninguém chora. Aqui os homens e as mulheres fumam silêncios e brincam com lagos azuis. Aqui tudo é mistério. Aqui nasci eu. 


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Terça-feira, 25 de Junho de 2013

JV


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Segunda-feira, 24 de Junho de 2013

Pérolas e diamantes (44): todos estamos a pagar a incompetência


A situação política portuguesa está tão degradada que as pessoas têm a nítida sensação de que já nada interessa. Instalou-se a perversa ideia de que nada muda no essencial. Estamos a enlouquecer coletivamente.

 

Os políticos que vivem da alternância do poder dizem que esta é a lógica do jogo democrático, que tudo isto faz parte da disfunção do sistema. O problema está no facto de que, nas últimas duas décadas, os políticos que usaram, e abusaram do poder, não possuem um mínimo de vergonha na cara. Conseguem fazer promessas, conseguem não cumpri-las minimamente e ficam impunes como se fossem meninos de coro.

 

Todos nos damos conta que a alternância democrática não é suficiente. A qualidade política tem-se deteriorado a um ritmo inquietante. A esta gente falta visão do mundo.

 

Os políticos de hoje foram formados dentro das estruturas partidárias, por isso lhes falta qualidade, cultura, sensibilidade e abrangência. E isto é válido tanto para o PS, como para o PSD, como para o CDS.

 

Persistem na ideia de que eles é que possuem a verdadeira noção do que é o Estado Social e o Estado de Direito. De facto eles são tudo, porque se instalaram à mesa do poder e nada deixam para a cidadania. Aprisionaram o Estado e a Nação.  E, o que é ainda mais grave, aprisionaram-nos dentro da sua lógica.

 

Paulo Morais, vice-presidente do movimento Transparência e Integridade, afirmou que o maior centro de corrupção em Portugal é a Assembleia da República e que as primeiras filas dos partidos políticos, como o PSD e o CDS, estão repletas de pessoas que são, em muitos casos, membros dos diversos Bancos de Investimento, nomeadamente do BES. Isto é uma coisa que, no mínimo, nos põe em pânico, quando não em desespero.  

 

Todos nos perguntamos por que carga de água é que não nos apercebemos destas evidências. A explicação é simples: existem várias dezenas de comentadores políticos a fazerem as suas análises. Se atentarmos bem, todos eles já foram ministros. São todos dos partidos, sobretudo dos partidos da denominada área da alternância democrática. E isso não é normal.

 

De facto, eles não comentam política com independência. Eles defendem as teses dos seus partidos. O caso mais escandaloso é protagonizado pelo professor Marcelo (Rebelo de Sousa), que é tão independente, tão independente, tão independente, que até veio a Chaves para apoiar a candidatura da fação minoritária do PSD local, liderada por António Cabeleira. Se o ridículo matasse, dali não saía ninguém vivo.

 

Se fosse este tipo de gente a escrever o nosso futuro, estávamos definitivamente desgraçados. Mas o futuro, para bem de todos nós, não está escrito em lado nenhum. Somos nós que o vamos construir. Custe o que custar, doa a quem doer.

 

Para ajuizarmos dos dislates que, por exemplo, se praticam na nossa autarquia, vamos aos factos.

 

No ponto 4 do “Compromisso” de “Todos por Chaves”, escreve-se que “É tempo de traçar objetivos e de hierarquizar prioridades tendo em conta os recursos disponíveis. Transformar ideias em projetos e projetos em obras.”

 

Então vamos lá aos projetos e às obras e às prioridades e aos recursos e à hierarquia e às ideias e à transformação. A seguir ao escandaloso aluguer, por 150 €, das antigas instalações do Cineteatro de Chaves, a autarquia flaviense resolveu cometer novo atentado à racionalidade e desbaratar mais dinheiro público. Em ata do dia 18 de março de 2013, relativa ao “projeto de execução das piscinas municipais cobertas de Chaves”, ficámos a saber que a vereação camarária aprovou por unanimidade (lá está o arco do poder, ou o arco dos interesses, leiam como entenderem, a funcionar) a decisão de “promover a revogação do contrato” com a GIPP – Gestão Integrada de Projetos e Planeamento, Lda., e indemnizá-la em 62.181,25 €.

 

Ou seja, a Câmara de Chaves resolveu retirar dos bolsos dos contribuintes sessenta e dois mil cento e oitenta e um euros e vinte e cinco cêntimos, para pagar uma indemnização por não poder levar a efeito uma obra prometida e já adjudicada.  

 

Sinceramente que não sabemos como estas coisas são possíveis numa instituição pública de interesse comum. Nem sequer nos interessa debater a sua legalidade. O que sim nos importa discutir, e perceber, é a forma como estes atos de gestão ruinosa de uma autarquia são possíveis sem que nada aconteça aos autores de tais dislates.

 

A política autárquica flaviense tem razões que a própria razão desconhece.

 

Será?


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Domingo, 23 de Junho de 2013

Margarida e as chaves


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Sábado, 22 de Junho de 2013

Músico sério


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Sexta-feira, 21 de Junho de 2013

O Homem Sem Memória - 165


165 – A reunião iniciou-se num ambiente tenso. As circunstâncias assim o exigiam. Os dados estavam lançados, para o bem e para o mal. Com o país dividido em dois, a revolução ficava com duas caras, com a do triunfo a Sul e com a da luta, a Norte.


A ocasião era desesperante. No fundo, na região Norte os comunistas eram francamente minoritários, mas em Trás-os-Montes eram ultraminoritários. Fazer a revolução com meia dúzia de gatos-pingados era uma enorme toleima. Mas parece que era isso o que o Partido já tinha decidido.


Reuniram-se numa sala sem qualquer janela, o que conferia ao evento um clima ainda mais claustrofóbico. Fora da casa dois camaradas de caçadeira ao ombro faziam segurança como se estivessem a guardar um milheiral de um ataque de javalis.


O camarada funcionário transmitiu aos presentes o que o Comité Central tinha deliberado: resistir no Norte e consolidar no Sul. Quando alguém perguntou como é que iam resistir sendo apenas meia dúzia de camaradas que não sabiam mais do que colar cartazes, pintar paredes e vender jornais partidários, o camarada funcionário respondeu-lhes com as sagradas palavras de Alberto Punhal: revolucionários, ou valorosos ou mortos.


“Ora foda-se”, exclamou o Graça. “Isso deve ser uma piada de mau gosto. Como é que vamos resistir sem armas, sem treino e sem chefes experimentados?”


O camarada funcionário explicou que estava para chegar um grupo de camaradas experientes em guerra de guerrilhas que lhes ia ensinar a todos a suprema arte da revolução armada proletária e socialista. 


“Proletária?”, perguntou o José. “Não enxergo neste grupo um único proletário.” “É uma maneira de dizer”, desculpou-se o camarada funcionário. “Dos que estamos aqui, pode ninguém ser proletário, mas nenhum de nós tem dúvidas de que defende a revolução proletária. Ou será que tem?” Ao que o José respondeu: “Posso não ter dúvidas disso, mas também não tenho certeza nenhuma de que o caminho definido pelo Comité Central seja o que melhor corresponde à grave situação política atual. Fazer uma guerra de guerrilhas em Trás-os-Montes parece-me um suicídio. O melhor será tentarmos chegar ao sul e, a partir daí, arranjar um exército militante capaz de invadir e libertar o Norte das garras da reação.”


“A revolução do Norte não pode depender da gente do Sul. Cada povo tem de libertar a sua terra. Pátria ou morte, venceremos,” disse o camarada funcionário. E o José: “Então agora já fazemos parte de um outro país? Já não somos portugueses?” E o camarada funcionário: “Sim, ainda somos portugueses, só que do Norte. “O camarada Alberto Punhal, secundando a proposta do Comité Central, considera que é melhor implementar o socialismo em metade do país, a parte Sul, onde existe uma classe operária consciente e organizada lutando contra patrões ricos e exploradores e trabalhadores agrícolas reivindicativos e sem terra que desejam cumprir o seu sonho de expropriar os latifundiários, do que retardar a revolução motivado pelo facto de o Norte estar atrasado, inculto e ser pasto da propaganda da reação. O Comité Central também decidiu dividir-se em dois, enquanto esta situação durar. O Comité Central do Sul, chefiado pelo camarada Alberto Pinhal, e o Comité Central do Norte, chefiado pelo camarada Alberto Fiscal, comandados superiormente pelo camarada secretário-geral unificado Alberto Punhal.


O José, vendo o caminho a que esta postura os ia conduzir a todos, propôs que a decisão do Comité Central fosse a votação. O camarada funcionário foi aos arames. “No Partido quem manda é o Comité Central.” “Qual”, perguntou o José. “Agora é o do Norte”, respondeu o camarada funcionário. “E o CC do Norte decidiu o mesmo que o CC do Sul?”, perguntou o José. “Não, não teve de o fazer, porque a decisão já tinha sido tomada ainda antes da divisão. E essa decisão não pode ser contrariada. As decisões do Comité Central Unificado não podem, sob pretexto algum, ser postas em causa pelos Comités Centrais derivantes. O camarada Alberto Punhal não o permite.


“Então são os outros que decidem em nosso nome se devemos matar ou morrer em nome da revolução. É isso, camarada funcionário?”, perguntou o José. Mas o camarada funcionário não lhe respondeu.


Todos os camaradas presentes não conseguiam sequer articular palavra. Estavam ali como se estivessem num funeral. Ou melhor, como se estivessem no seu próprio funeral. Alguns começaram a chorar. O Graça, inteirando-se da real situação, levantou-se e proferiu, levantando o punho direito: “Desesperar jamais.” E começou a entoar A Internacional. Todos os outros o seguiram. Perdão, todos não, o José manteve-se sentado e em silêncio.


Definiram que os doze constituiriam uma brigada revolucionária móvel que atuaria preferencialmente na zona da Serra do Brunheiro e na do Cambedo. Seria também aí que seriam contactados pelo Partido e treinados por dois camaradas guerrilheiros, antigos combatentes do Ultramar.

 

Esta brigada podia ainda dividir-se em duas ou em quatro, conforme a necessidade. Comeriam do que o povo lhes desse e tentariam, dentro do possível, esclarecer e organizar a população para lhes prestarem apoio e para recrutar os mais esclarecidos e corajosos e levá-los a aderirem ao Exército Revolucionário de Libertação do Norte, ERLN.

 


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Quinta-feira, 20 de Junho de 2013

Subindo e descendo


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Quarta-feira, 19 de Junho de 2013

O Poema Infinito (151): incansável imperfeição


Toda a arte é arte nenhuma. E eu sou o seu número mais imperfeito. Passaram mil anos e outros mil irão ainda passar-se para que chegue o momento exato em que nos encontremos de novo na dimensão das crisálidas. Sim, nós somos esses seres humildemente extraordinários que saem da terra e penetram no desaparecimento. Erguemo-nos nas guerras e em todos os momentos únicos do vento que erode o silêncio. Todos os povos contam os seus deuses pelos dedos das suas mãos calejadas pelo infortúnio. A morte vem sempre depressa de mais. E a argila de que somos feitos toma a forma do desespero. Os guerreiros da terra ceifam a obstinação da sua má sorte. Nós respiramos a perseverança dos sentidos. E dançamos. Dançamos em cima do desejo e do nosso espanto. Dançamos em cima das palavras e no sonho das coisas bravias. E dentro dos nomes dos jardins que fogem das pedras. Afundamo-nos nas águas que brilham na solidão dos astros e na sua luz que tudo arrasa. Todos os momentos são imperfeitos. Mesmo quando são nítidos. Ai esta fragmentação da memória! Somos momentos líquidos. Custa-nos viver a desordem da matéria, com essa incansável imperfeição. Com essa união desagregada. Com essa densa gravitação. As manhãs fingem-se frias. As manhãs e as vaginas apócrifas. E os pénis de pedra. E as deusas da infertilidade. Tudo se afunda na emergência do dia. E na brancura da memória. E no brilho heráldico da solidão. A luz arrasa toda a igualdade fingida. Amamos todos os fragmentos do apocalipse, a nitidez dos sentidos e ainda os momentos subtis da nossa paixão que emergem entre a fluidez lenta do céu. Todas as estrelas estão prisioneiras do seu esplendor. Com a nossa pequena voz enfrentamos o tempo de desilusão. Unimo-nos quando nos querem separar. Já não nos abandonamos aos monstros da perfídia. Os seus labirintos de palavras são agora para nós sorrisos de tristeza. Tudo o que ergueram vão ter de o destruir. Tudo. Nós sabemos pôr em marcha o motor dos sonhos. Sabemos renascer das cinzas e da sua enorme voz de fogo consumido. Da desordem nasce a ordem que escalda a memória. Nós aquecemos as palavras com o nosso corpo. E deixamos que a poesia cresça dentro de nós como um mar de ressonâncias de corais poderosos. Toda a poesia é uma dilatação do mundo. Toca-nos enlouquecer secretamente como a sombra que nasce da luz. Nós somos o lugar onde tudo se cria e nada se transforma. Os poetas cantam as suas guerras singulares. Apesar de fingirem que mentem, dizem toda a verdade. E murmuram diademas como se fossem mágicos do silêncio. Toda a infância será ressuscitada. E a sua luz. E a sua epiderme de árvore dos milagres. O tempo, apesar do seu sossego, é um movimento que magoa. E mata. É impossível navegar em tanto mar. Em tanta emissão de luz. Em tanta fascinação oculta. Os homens e as mulheres cantam dentro da sua própria explosão sossegada. E dizem palavras intrínsecas. E palavras essenciais. E carregam e descarregam o seu tempo de inocência e sangue. E agitam a sua desordem e bebem a sua turbulência e partem para longe das suas casas sossegadas. Tentam esquecer-se das regras da violência e do abandono. E emitem a sua voz assustada carregada de palavras desaparecidas. O tempo agita-se. O dia e a noite não suspeitam ainda que hão-de morrer. Todos os sonhos serão dissolvidos em areia e transformados em vidro. E nós seremos duas crianças abandonadas aos seus monstros secretos. É esse excesso de luz que nos afogará no infinito. 


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Terça-feira, 18 de Junho de 2013

Portas abertas


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Segunda-feira, 17 de Junho de 2013

Pérolas e diamantes (43): objetos políticos em movimento

 

Pacheco Pereira tem razão: “Estamos a chegar a uma situação em que tudo é melhor do que isto.” E nós queremos referir-nos tanto ao que se passa no país como ao que se passa no nosso concelho.

 

Sim. Tudo é melhor do que a situação atual.

 

A situação é tão grave que está mesmo posto em causa o próprio sistema democrático. Então na província, o clima que se vive é de cortar à faca. Está instalado nos partidos políticos, e na sociedade em geral, o medo do confronto de ideias, do debate, da discussão livre e séria.

 

Será que todos somos bons? Os que gerem mal e os que gerem bem, os que intimidam e as vítimas da intimidação, os que falam e os que calam, os que mentem e os que dizem a verdade, os que perseguem e os perseguidos? Será?

 

Nestes tempos de triunfo da nulidade e do incremento da arbitrariedade, Ruy Barbosa está mais atual do que nunca. Foi ele que escreveu uma frase tremenda em tudo, até na sua atualidade: “Um homem chega a ter vergonha de ser honesto.”

 

Pregar a honestidade, comportar-se com um mínimo de dignidade, apelar à alternância, parece ser uma atitude quase insultuosa. E todos os que se indignam com este estado de coisas acabam por passar por estúpidos, ou por radicais.

 

Mas tem de existir lugar para a decência, sobretudo na política e, especialmente, na gestão autárquica.

 

Os partidos políticos tradicionais, sobretudo os que se alternam no poder, capturaram o sistema político democrático. A nível nacional, ficando reféns dos grandes interesses económicos, sobretudo da banca. A nível autárquico deixando-se encurralar entre as clientelas partidárias e os interesses das denominadas forças vivas, que muita das vezes são “vivas” apenas de nome, pois todos as sabemos defuntas há muito tempo. 

 

A gente que se sucede no poder é sempre a mesma. Sentam-se na mesa do partido e esperam que a sorte lhes venha bater à porta. Não discutem uma ideia, não se interessam pelos outros, não discutem nada, apenas se limitam a apregoar a putativa cartilha ideológica, a obedecer ao chefe e a conspirar por grupos de amigos ou de interesses instalados.

 

Se pensarmos bem, em Chaves, desde há muito tempo a esta parte, não há Câmara, nem existe presidente. Há apenas um grupo de pessoas que se fecha nos seus gabinetes no edifício da Praça de Camões e se entretém a tratar da sua carreira política.

 

Esta gente anda literalmente a gozar connosco. Trata-nos como se fossemos seus súbditos. E isso é uma afronta a todos nós.

 

Pelo que vamos assistindo, tudo nos leva a concluir que os partidos políticos são incapazes de produzir, ou de chamar para as suas fileiras, pessoas capazes. Ou, quando elas aparecem, afastam-nas rapidamente, não vão elas contaminar a militância apática e subserviente.

 

A paranoia, tal, como o barro, é moldável.

 

Os nossos chefes autárquicos, quando se aproximam os ciclos eleitorais, fazem-nos sempre lembrar aqueles jovens a tentarem parecer mais velhos, ou os pobres a tentarem parecer ricos, ou aqueles mentirosos a tentarem passar por gente que apenas diz a verdade. 

 

Imaginam-se indiferentes às opiniões dos outros. Tentam zombar dos movimentos políticos de base independente. Só que não é possível desvirtuar um objeto em movimento. Cada um leva consigo o seu próprio caminho. Isso é o que engrandece os homens e as mulheres livres. 


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Domingo, 16 de Junho de 2013

Rua de Santo António


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Sábado, 15 de Junho de 2013

Rua Direita


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Sexta-feira, 14 de Junho de 2013

O Homem Sem Memória - 164


164 – Foi sentado numa cadeira do FAOJ, em frente ao televisor, que o nosso querido e estimado herói deu de caras com a realidade que o havia de projetar para o centro da sua dramática história. E ele ali especado, sem se dar conta de nada. Sem saber que os pormenores são o que definem a vida dos homens, das mulheres e dos revolucionários. Ele a olhar para aquele militar de barbas em frente a um cartaz do MFA e a não pensar em nada, a não ser que raio de posto ocupava o oficial, pois ele não sabia entender as divisas que os tropas usavam em cima dos ombros. Lá oficial era, disso não tinha qualquer dúvida, agora, de que patente é que não conseguia descortinar. Apesar da barba comprida, dava para perceber que ainda era jovem. O que disse não interessou ao José. Ele não ligava a essas coisas. Não conseguia dar à política a devida atenção, apesar de aparentar o contrário.


De repente, o militar desapareceu da televisão, como muitas vezes desapareciam as imagens por causa de uma qualquer avaria da emissão. Ele não ligou. Estava abstrato. O José tinha esse defeito, não conseguia pensar e sentir como o comum dos mortais. Estava sempre um pouquinho ao lado. Não gostava da música que os outros gostavam, não lia os mesmos livros, não apreciava as iguarias que faziam as delícias dos demais, não se comportava da mesma maneira, não falava da mesma forma. Tinha até uma certa repulsa pela vulgaridade. Ele que era vulgar. Lastimava-a. Lastimava-se.


Reparando que a televisão não saía da mira técnica, foi até à biblioteca e pôs-se a ler um livro. Mas não conseguiu progredir na leitura. Lia e tornava a ler, sem perceber. Ele que tudo lia e compreendia. Foi passear para o jardim. Sentou-se num banco e pôs-se a olhar para o rio. E para os pássaros. E para as folhas das árvores. E para os troncos das árvores. E riu-se sozinho. Como se fosse parvo. Sentiu-se estranho, como se adivinhasse algo de mau. Mas o que é que de mau lhe podia acontecer? Sentiu-se triste e melancólico. Como se estivesse apaixonado. Depois foi para casa. Estava estranhamente vazia. Ligou a televisão e pôs-se a ver o telejornal.


Inteirou-se então de que afinal o militar do MFA, que durante a tarde tinha aparecido nos ecrãs da TV, o tinha feito para anunciar um qualquer golpe das esquerdas no país. Lisboa e toda a Margem Sul tinham sido tomadas pelas forças fiéis ao MFA e ao Partido Comunista. Só que a norte, os militares não alinhados tinham interrompido a emissão para não criarem alarme entre o povo, e também tinham tomado de assalto os quartéis e colocado à sua frente militares da esquerda moderada, ou mesmo de direita arrependida.


O país estava dividido em dois. Com a sua linha de fronteira definida pelo leito do Mondego. O que queria significar que a guerra civil estava iminente. Os comunistas apelaram à calma revolucionária e os direitistas apelaram à calma reacionária. Os socialistas apelaram à calma entre todos. O José não sabia o que pensar. Isto só podia ficar feio. A norte ia abrir a caça aos comunistas e a sul ia iniciar-se a caça aos reacionários. Pensou em fugir sozinho para o sul, onde os seus tinham tomado o poder. Mas não possuía meios que lhe permitissem intentar a fuga com êxito. Pensou então ir ao encontro dos seus camaradas. Passou no Centro de Trabalho, mas viu que estava fechado. Foi ter com o Graça, mas também não estava em casa. A avó disse-lhe que há uma semana que não lhe punha a vista em cima e começou a chorar. Passou novamente pelo Centro de Trabalho, mas reparou que continuava fechado. Deambulou pela cidade e viu poucas pessoas na rua. Tudo se tinha metido entre quatro paredes a ouvir a rádio ou a ver a televisão. Foi para casa, encontrou lá apenas o pai, que lhe disse que procurasse os seus camaradas e fugissem todos para bem longe, onde não os reconhecessem, até conseguirem passar o Mondego. Informou-o de que a mãe e os irmãos tinham ido para a aldeia, para casa dos avós.


O José mostrou-se determinado a defender a liberdade e a revolução no norte de Portugal. O pai disse-lhe para não ser parvo, que no norte quem mandava era a reação. E que os comunistas eram em Névoa meia dúzia de gatos-pingados. O José ripostou dizendo que a sua obrigação era de defender os seus ideais. O pai riu-se, puxou de um cigarro, deu-lhe outro e puseram-se a fumar.


Ouviu bater à porta. Foi abrir. Era o Graça a convocá-lo para uma reunião em casa de um camarada clandestino já antes do 25 de Abril e que se tinha mantido clandestino para poder ser utilizado numa ocasião como esta. Partido prevenido vale por dois. Despediu-se do pai com um sentido abraço e seguiu o seu controleiro. O Graça continuava o mesmo camarada seguro e confiante. Até sorriu como se nada de grave estivesse a acontecer no país.


Num sítio escuro e ermo foram vendados e metidos dentro de uma carrinha. E andaram às voltas e às voltas, para despistarem os reacionários e também para baralharem os camaradas. As normas de segurança impunham esse tipo de procedimento. Para bem de todos.


Enquanto andaram às voltas, o José teve tempo para colocar as ideias em ordem. Até aqui a revolução tinha sido como uma festa de aldeia. Mas agora as coisas tinham todo o ar de que se iam tornar sérias. O arraial da democracia, do faz de conta, estava no fim. Isto podia transformar-se num jogo perigoso. Mas quem não arrisca, não petisca. E ele também já começava a ficar farto de uma revolução feita à base da colagem de cartazes, manifestações, comunicados e abaixo-assinados. Isso não era revolução nem era porra nenhuma. Uma revolução sem sangue, suor e lágrimas não presta. Não presta, nem serve para nada.


Por causa do rodízio, vomitou. Mas a carrinha não parou, nem deixou de andar às voltas. O Graça tentou encorajá-lo, pensando que estava com medo. Mas o José não tinha medo, apenas se sentia enjoado. Pararam ainda algumas vezes para recolherem outros camaradas. Apesar de pequena, a carrinha levava ali a nata dos comunistas de Névoa. Os mais intrépidos, os mais corajosos. Os mais tenazes.


Por fim lá pararam. Ajudaram-nos a sair e foram enfiados, ainda vendados, dentro de uma casa no meio da serra. De seguida retiraram-lhes as vendas e conduziram-nos a um andar térreo. Deram-lhes alguma coisa para comer e para beber e deixaram-nos ouvir a rádio.


Ficaram a saber que as sedes do Partido tinham sido assaltadas, saqueadas e incendiadas. Que alguns camaradas que lá se encontravam foram presos e torturados para confessarem para onde a maioria dos militantes tinha ido. Foram exibidas algumas armas, bombas e dinheiro encontrados dentro das sedes. O que era falso, como todos bem sabemos.


Logo após a ceia, foi lido a todos os camaradas um comunicado do Partido, assinado pelo camarada Alberto Punhal, apelando à resistência revolucionária em nome dos sagrados princípios da liberdade, do progresso e também do futuro de Portugal, uno e indivisível.


O José voltou a vomitar. Mas não de medo, apenas porque estava mal disposto. O Graça também vomitou e igualmente não por medo, mas porque viu vomitar o amigo.


Depois ficaram à espera do que se ia seguir. Por fim apareceu o camarada do Comité Central para a reunião que iria decidir o futuro da República Livre do Norte de Portugal. 


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Quinta-feira, 13 de Junho de 2013

Rua Direita


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Quarta-feira, 12 de Junho de 2013

O Poema Infinito (150): essas mulheres oxidadas


Há mulheres que se sentam em bancos de jardim como se fossem meninas que se sentam em bancos de escola. Apesar dos sorrisos, têm a mesma cara de desalento. Essas mulheres cruzam as pernas como se fossem princesas desesperadas e por isso deixam descair as mãos sobre as suas ancas redondas ou sobre os seus joelhos devotos ou sobre o lugar do seu sexo envergonhado e deprimido. E abandonam-se como se deixassem cair os seus véus de noivas envelhecidas. Apetece-lhes chorar, mas já não são capazes. Contentam-se em fazer renda, em rezar o terço e em abrir os seus olhos como se fossem janelas oxidadas. Apetece-lhes chorar, mas já não possuem essa coragem. Nas suas casas sombrias, essas mulheres penteiam-se como se fizessem tricô e comem pão seco baixando os olhos como quando os seus maridos lhes ralham enquanto elas lhes cosem um botão no bolso da camisa que fica por cima do coração. Os seus pensamentos abrem por vezes as asas de pássaros engaiolados e voam da cadeira à janela, da janela à cama e da cama à porta. Por vezes apetece-lhes fugir, mas já nem sequer conseguem sonhá-lo. Por vezes olham para as suas unhas e veem-nas a arranhar a pele dos homens que as lastimam. E bebem chá. E tornam a pegar nas agulhas do tricô para fazerem uns peúcos para os seus netos, como os que fizeram para os seus filhos. E bebem mais um pouco de chá. Apetece-lhes chorar, mas já não conseguem. Depois pensam em lavar as mãos. E lavam-nas. E depois pensam em perfumar os sovacos. E perfumam-nos. E depois pensam em lavar o sexo. E lavam-no. E acariciam-no como se fosse um órgão externo ou um pequeno pássaro ferido. E apetece-lhes de novo chorar, mas já não têm essa coragem. E ficam com os lábios secos por falta de beijos. E passam os lençóis onde se deitam como se já estivessem mortas ao pé de homens que são pedras tumulares durante a noite e chimpanzés de zoo durante todo o santo dia. Ensinaram essas mulheres a distinguir o bem do mal, a engomar aventais floridos, a comungar a hóstia consagrada, a aquecer o ferro de engomar para vincar uma calças e a serem cegas no amor. Por isso, essas mulheres rebentam por dentro, implodindo em frente do fogão, mexendo nas panelas, queimando as mãos na água gelada dos tanques enquanto lavam a roupa, espalhando o seu sangue menstrual pelos caminhos imitando Cristo na sua via crucis. E matam as pombas que criaram como se fossem memórias da juventude. E rangem os dentes quando vestem a camisa de dormir e os seus maridos ressonam como animais pré-históricos. E exprimem a sua dor com a surdez dos seus gritos. E de novo lhes apetece chorar, mas já não têm essa coragem, nem essa força interior. Agora, os seus olhos são punhais. Sabem que as suas pernas se tornaram ásperas, que os pés lhes doem, que os seios lhes descaem, que o sexo é uma gruta de silêncio e abandono. Sentem-se noivas envergonhadas que não chegaram a despontar, mulheres que foram sempre fustigadas pelo vento do desejo e pelo esforço do abandono. Têm saudades de quando vomitavam por causa da gravidez. Até esse fel lhes é agora um sabor agradável. Já nem se importam de ter os cabelos sujos e sem brilho. Já lá vão os tempos das cerejeiras e das macieiras em flor. E dos partos de sangue, de raiva e de amor. Agora adormecem-lhes as pernas antes da cabeça e a barriga avança centímetro a centímetro até lhes encobrir toda a cintura. Agora aquecem-se na sua própria febre e no seu desalento. E enrolam-se na sua primitiva forma de serpentes do pecado. Agora beijam-se a si próprias enrolando a língua nos dentes, nos lábios e no céu-da-boca. A sua dor transforma-se em luz e sobe-lhes da vagina até ao cérebro. Apetece-lhes chorar, mas já não possuem essa coragem amorosa. O amor transformou a Julieta no seu frasco de veneno. 


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Terça-feira, 11 de Junho de 2013

Ladeira da Brecha


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Segunda-feira, 10 de Junho de 2013

Pérolas e diamantes (41): Jogos e disfarces


Nós vamos descobrindo aquilo que sentimos através daquilo que fazemos. Ao longo da vida, a empatia vai assentando permanentemente em sítios e em situações renovadas e também em outras pessoas. É isso o que nos permite reavivar, e reafirmar, a confiança nos outros e em nós próprios. Eu sei que o que acabo de afirmar não é linear, nem simples. Mas é assim a vida, como muito bem diz o meu filho João Vasco.

 

E quando as circunstâncias em que nos encontramos são adversas temos que nos considerar melhor do que elas para podermos erguer a cabeça.

 

Por exemplo, o poder autárquico da nossa terra diz que nos está a conduzir por um caminho de progresso, quando, efetivamente, o que pretende é livrar-se das suas promessas mal passem as eleições.  Vai-nos enchendo os ouvidos com a necessidade de críticas aceitáveis, feitas por pessoas aceitáveis, sabendo nós, que os conhecemos de ginjeira, que esses cavalheiros apenas aceitam as criaturas que concordam com eles. Essa é a base do fundamentalismo.

 

Os muçulmanos acreditam que não faz mal mentirem para converterem as pessoas à sua verdade.

 

Há por aí alguma gente que nos acusa de pretensiosos, mas eu respondo-lhes que escarnecer da pretensão também pode ser pretensioso. As pessoas de fé são tolerantes. Alguns dizem que são estúpidas por causa disso. Mas o preconceito é que é estúpido.

 

Explicam que é a sorte o que leva as pessoas ao poder. Para nós, a sorte é algo que se conquista, ou se cria por meio da força de caráter. Ao poder tem que se chegar de forma honesta e não através de estratagemas e intrujices.

 

O último parágrafo que escrevi está baseado numa passagem do interessante livro de Patrick De Witt, Os Irmãos Sisters, um romance com todos os bons ingredientes de um western à boa moda antiga, que nos conta uma história irresistivelmente picaresca, fundamentada num retrato mordaz e acutilante da delicada e perversa condição humana.

 

Ao lê-lo senti-me muitas vezes como se estivesse na enorme sala do Cineteatro de Chaves a assistir a uma coboiada das antigas. E senti saudades, muitas saudades, desse tempo, das coboiadas e do Cineteatro.

 

Foi a partir daí que me chegou a vontade de partilhar convosco mais uma trapalhada protagonizada pela Câmara Municipal de Chaves.

 

Foi há mais de uma década que a CMC, então presidida por Altamiro Claro, resolveu adquirir, por umas boas dezenas de milhares de contos, o Cineteatro ao seu proprietário para ali instalar um espaço cultural que trouxesse de novo o cinema, o teatro, e outras atividades culturais, ao coração da cidade.

 

Outra equipa autárquica, entretanto, ganhou as eleições. Apesar do espaço, apesar das múltiplas carências de atividade cultural e, apesar, também, das promessas sucessivas de intervenção e requalificação do imóvel para funcionar como sala multiusos destinada a mostrar cinema, teatro e exposições de pintura, escultura e fotografia ao público, ali só se reproduziram, e continuam a reproduzir, ratos e se acumulou, e acumula, poeira, humidade, frustração e desalento.

 

Eis senão quando, a meia dúzia de meses das eleições autárquicas, a CMC abre concurso para atribuição de arrendamento do citado imóvel. E a regra principal foi que a adjudicação fosse feita segundo o critério da proposta mais vantajosa. Houve um único concorrente. Parece de propósito.

 

A renda proposta, e aceite, pois a autarquia não estabeleceu aluguer mínimo, foi de 150 euros mensais. Que, estamos em crer, deve ser menos do que o aluguer de um aviário de pavões de média dimensão numa qualquer aldeia do concelho.

 

A empresa vencedora, que, afirmamos desde já, não tem culpa nenhuma no cartório, comprometeu-se a fazer obras no imóvel no valor de centenas de milhares de euros (os números em Portugal valem o que valem), num prazo de 18 meses e a criar alguns postos de trabalho: 3 de início e 22 no prazo de dez anos (as promessas de emprego em Portugal valem aquilo que valem).

 

As atividades previstas para o edifício “deverão enquadrar-se nas áreas da cultura, lazer e… restauração e bebidas”. Na área da cultura está previsto um “Piano Bar”, na área do lazer está previsto um “Parque Temático e de Diversões”. Nas atividades complementares está previsto… um “Piano Bar”, não sabemos se é o mesmo se é um outro, e ainda uma loja para comercialização de artigos relacionados com… o Parque de Diversões.

 

A empresa que venceu o concurso chama-se “Jogos e Disfarces”. Não, não é ironia. É mesmo verdade.

 

De facto, o centro da nossa cidade pode muito bem prescindir de um centro cultural multiusos, pois não tem nenhum. Mas o que não pode dispensar é ter mais um bar, no meio de dezenas, e de outra discoteca, ou coisa do género. Era mesmo disso que estávamos necessitados como de pão para a boca.

 

Dizem que cada povo tem o que merece. Será que nós merecemos esta gente?


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Domingo, 9 de Junho de 2013

Sentados à espera


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Sábado, 8 de Junho de 2013

Baile na paróquia


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Sexta-feira, 7 de Junho de 2013

O Homem Sem Memória - 163


163 – Mas a revolução, essa amante que tudo nos rouba, até o amor e a razão, não se encontrava nem na outra esquina, nem nas que foi descobrindo pela cidade e pelo país fora. A revolução socialista era como uma sombra, que sempre nos acompanha mas à qual nunca conseguimos alcançar. E ele bem que a procurou. E fê-lo por vezes sozinho e outras vezes acompanhado. Bem ou mal, isso não interessa para o caso. O que sim importa é a intenção. E a sua intenção era generosa e perseverante quanto baste. Se todos os revolucionários fossem como o José, ela, a Revolução, além de triunfar em todo o lado, poderia passar a ser como a inauguração do paraíso na terra. E que inauguração. Era a modos como o sonho de Charlot no seu filme O Garoto, onde até os polícias se transformam em anjos voadores de asinhas brancas.


Começou a ler ainda mais do que aquilo que lia, sublinhando as passagens mais interessantes e anotando os pensamentos mais pertinentes, numa sebenta escolar. Não é que tivesse em mente tornar-se escritor, mas, como todos sabemos, o escritor faz-se de manias, de acasos e de ocasiões. Ninguém é escritor por vontade própria. Ser escritor acontece.


Lia e dormia de dia e vadiava à noite. Não abandonou as tarefas revolucionárias, mas deixou de lhes dedicar tanto tempo. Tornou-se evidente para todos, até para ele próprio, que a sua adesão à revolução estava refém de uma dúvida metódica e de uma desconfiança permanente. Ora, como todos sabemos, quem não tem certezas absolutas não pode ser um verdadeiro comunista. O marxismo-leninismo não admite dúvidas, nem incertezas, nem hesitações. Em plena revolução, revolucionário que hesita é revolucionário morto, ou pela reação ou pelo seu próprio exército. Por isso é que se diz que a revolução, quando se põe em marcha, é como um comboio que ninguém consegue travar.


O seu ciclo notívago fez-se na companhia do Joaquim, das bombas, e na do Pinto, da eletrónica. Os seus compinchas podiam não ser bons revolucionários, mas eram, com toda a certeza, excelentes companhias para as tainadas, para as caminhadas e para as conversas intermináveis. Tanto jogavam às cartas, como ouviam música, como faziam longos passeios até o sol raiar. Em Névoa, além dos cães vadios, somente três comunistas desiludidos faziam a ronda das pontes. Fizesse, frio ou calor, estivesse luar ou céu escuro, ou o nevoeiro submergisse a cidade com o seu manto de escuridão húmida e trágica.


Tanto falavam de coisas triviais como de assuntos sérios. Lembravam as suas brincadeiras de rapazes travessos, recordavam tempos de escola, namoradas verdadeiras ou fictícias, livros lidos e histórias do arco-da-velha. De rapazes que, quando se portavam mal, continuavam a levar bofetadas castigadoras dos seus falecidos pais; de raparigas que, em noites de luar, quando se atreviam a olhar para trás, viam fantasmas a correr e a voar na sua direção; de bêbados que mesmo às portas da morte pediam aos familiares para lhes trazerem garrafas de vinho, que ainda meadas teimavam em fugir do quarto pelas frinchas das portas; ou de lobos que acompanhavam sempre os homens mancos quando iam defecar ao monte. Todas as semanas percorriam a calçada romana de Névoa a São Lourenço invocando, na brincadeira, as almas dos soldados que por lá passaram antes e depois das batalhas. E urinaram nas encruzilhadas, nos cruzeiros das aldeias, pintaram paredes com palavras de ordem revolucionárias ou com frases estupidamente anarquistas.


Muitas da vezes, iam a meio da noite até à panificadora comprar pão fresco que comiam besuntado de manteiga que se derretia sozinha. E bebiam leite. E fumavam cigarros feitos com uma máquina de bolso propriedade do Joaquim, das bombas. E tossiam muito e até se engasgavam com o fumo forte do tabaco negro que compravam em Espanha. Por vezes tocavam nas campainhas das casas dos burgueses a altas horas da noite e, de seguida, punham-se em fuga como se fossem crianças travessas sem educação e sem pai, nem mãe, nem partido.

 

Desdenharam do Partido, do funcionário do Partido, dos camaradas do Partido e do jornal do Partido. Deixaram de ir às reuniões ordinárias da sua organização estudantil revolucionária, deixaram crescer a barba e o cabelo e passaram a usar botas alentejanas e calças de ganga coçadas como se fizessem parte de um grupo rock inglês ou americano.


Andaram nisto vários meses. Desistiram de estudar. Não sabiam o que pretendiam fazer na vida. Apenas o José teimava ainda em dizer que queria ir estudar para a universidade. Mas a mãe disse-lhe que a falta de dinheiro era um obstáculo difícil de ultrapassar.


Numa noite de intenso luar, enquanto fumavam cigarros mal feitos e jogavam uma lerpinha a feijões no Jardim das Freiras, veio-lhes à cabeça a peregrina ideia de que tinham de seguir o exemplo de Che Guevara e irem fazer a revolução para outro país, pois a portuguesa não deixava de se mover a passo de caracol. Depois de estudarem vários cenários, o Joaquim, das bombas, sugeriu que o melhor destino, por ser o mais exigente em termos de luta revolucionária, era Angola, pois era lá que se digladiavam as forças do capitalismo e do imperialismo contra as forças revolucionárias do socialismo científico. A ideia foi aceite de imediato.


Resolveram então que no dia seguinte tinham de ir até Vidago, ou às Pedras Salgadas, comprar aos retornados, que vivam nos hotéis, angolares para poderem rumar caras à pátria de Agostinho Neto com dinheiro para as primeiras despesas.


O José, porque não possuía tostão, teve de pedir à sua mãe dinheiro emprestado. Ela disse-lhe que deixasse de ser parvo, pois Angola estava em guerra civil. “Revolucionária”, lembrou-lhe o José. “Ou isso”, concordou a Dona Rosa. “Mas tal não invalida aquilo que te digo. Os pretos andam aos tiros uns aos outros e tu queres ir lá meter-te no meio? Não deves estar bom da cabeça. Agora que a nossa tropa veio embora porque Angola já não é nossa, tu queres ir para lá fazer a revolução? É isso? Tu queres ir morrer numa terra que não é tua, a defender aquilo que não é teu?” “A revolução é de todos”, lembrou-lhe, e bem, o José. “Ai isso é que não é”, respondeu-lhe a mãe. “Olha, minha não é com toda a certeza. Os pretos nem se governam, nem se deixam governar.” Ao que o José respondeu: “Isso é a adaptação de uma frase que um governador romano deu ao seu imperador quando este lhe perguntou como corriam as coisas na Lusitânia.” “Ai sim…” “Sim senhora, minha mãe. O governador terá dito: Lá na Lusitânia vive um povo que não se governa nem se deixa governar.” “Não me mintas. Olha que mentir é muito feio. Foi Salazar quem assim falou. Os comunistas ensinaram-te a mentir. Foi isso o que te ensinaram. Tu que quando dizias uma mentira até choravas… Valha-me Deus. Àquilo a que chegaste.” “Ó mãe…” “Ó mãe, não. Tu que foste o meu orgulho agora és o meu pecado e o meu pesadelo. Ficaste louco. Queres que eu te dê dinheiro para ires para Angola. Mas não dou. Era o que mais faltava. Preferia com esse dinheiro comprar uma pistola, matar-te, enterrar-te no nosso chão e depois matar-me a mim com o remorso e com o desgosto. Não me peças uma coisa dessas, José. Isso não.”


No dia seguinte, quando o trio reuniu, o Pinto, da eletrónica, já tinha desistido de tentar exportar a revolução para Angola com o argumento de que a sua mãe era viúva e que por isso não a podia deixar sozinha, pois era filho único. O Joaquim, das bombas, ainda lhe disse que ontem, aquando da decisão, é que tinha sido o tempo certo para se lembrar da sua mãe e da respetiva viuvez. Agora essa atitude podia pôr em causa a decisão do grupo. Lembrou então que a deliberação ainda podia ser levada a cabo, pois, do grupo, ainda restavam dois revolucionários firmes e decididos a rumarem caras a Angola para combater o imperialismo, o capitalismo e o racismo. Mas o José, a muito custo, lá teve de confessar, que também ele ia ter de desistir da ideia, pois a sua mãe tinha-se categoricamente recusado a emprestar-lhe dinheiro para adquirir angolares, mesmo que fosse ao preço da uva mijona, como era o caso.


O Joaquim, das bombas, olhou primeiramente para o Pinto, da eletrónica, e depois para o José, da Dona Rosa, e lamentou-se: “E eu que até já tinha solicitado ao Partido para pedir ao MPLA três autorizações de emigração em nosso nome. O que não irão pensar os camaradas angolanos destes três Guevaras de trazer por casa.”


Passaram toda a noite a andar de um lado para o outro. De Névoa para São Lourenço, de São Lourenço para Névoa. Novamente de Névoa para São Lourenço. E outra vez de São Lourenço para Névoa. E nem uma única palavra proferiram. 


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Quinta-feira, 6 de Junho de 2013

O menino do acordeão


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Quarta-feira, 5 de Junho de 2013

O Poema Infinito (149): densidade e liquidez

 

Tão opacas estão hoje as minhas palavras. E densas. Têm uma luz que cega por dentro. Por isso as vou pronunciando em voz alta até que não digam nada. Que nada exprimam acerca do amor. E da esperança. E do tempo. E da vida. E dos desejos. E das ideias. E dos aromas. E da distância do mar. E da… Mas elas dizem tudo. São metáforas que desencadeiam outras metáforas e que falam da agonia dos brinquedos no sótão e dos estilhaços das manhãs frias e do sofrimento ardente das estrelas e da translúcida escuridão do mundo e do teu corpo vestido de espelhos e da nossa absoluta necessidade de lágrimas para apagarem as labaredas do desejo e da pureza insone dos sonhos. Eu naufrago dentro dos meus sonhos onde apareço disfarçado de destino. Tenho no rosto uma máscara com sinais de paixões antigas. Sou um extenso alfabeto de incertezas. Aprendi de pequenino, com os anjos e com os demónios, a terrível arte da angústia. Este coração que sofre dentro do meu peito não me pertence. Sinto que os dias se vão desvalorizando com o passar do tempo. E no meu jardim, na parte mais soalheira, respiro o perfume obsceno das “flores do mal”. A poesia superior alimenta-se de sangue, da perfídia dos sentimentos, da infidelidade da alma. Alimenta-se do pecado da pureza e da verdade. Alimenta-se do fascínio da transgressão. E da mágoa de Deus. E das suas máscaras eternas. E do seu perpétuo remorso de nos ter feito velozmente do barro e de não se ter dado conta de que a nossa vida são apenas dois dias. Parto para as viagens já cansado. Passo as noites à espera que o sono me faça perguntas. Os precipícios estão agora dentro de mim. Atravesso o medo. Olho-o de frente. As palavras impacientam-se. Também elas estão destinadas a desaparecer. Algumas, as mais envergonhadas e frágeis, morrem-me dentro da boca. Sentado no sofá, começo a entender a sombra dos teus olhos. Outras vezes fixo-me no seu fogo impaciente. Dentro destas quatro paredes estou eu mais a minha angústia perpétua. O amor é unicamente uma imagem fixa. As pessoas que mais amamos são como uma espécie de vento que acumula os gestos do mundo dentro de si. O meu poema abre-se e engole as paisagens vazias. O calendário transformou-se no meu diário íntimo. A minha caligrafia tornou-se sonâmbula. Tão veloz é agora o nosso amor, como se fosse uma ferida que arde na impaciência da própria dor. Todos os dias nos exigem uma atitude, uma confissão, uma censura. As pessoas atiram umas às outras frases lancinantes e aguardam pela noite para propagarem o vírus mortal do seu amor contaminado. E não leem os livros, escutam-nos como se eles fossem capazes de guardar o segredo da vida eterna. O mundo entusiasma-as com adivinhas. Esse é o seu vício solitário, o seu abandono erigido com frases amarelecidas. Babel é agora uma pirâmide de cadernos retirados de gavetas esquecidas. Já não sei sorrir como dantes. Já não sei reverter os anos. Vivo suspenso na tua distância. Como se o mar fosse cego. Somos vítimas da verdade: o amor tem de compensar. Temos de aprender a brincar com o fascínio, com o brilho do orgulho, com o valor dos dias, com a necessidade vital da arte, com as labaredas do desejo, com a estranha aprendizagem dos sonhos, com os vícios da decifração, com o cansaço da espera pela beleza das manhãs. Temos de cantar como Salomão que os olhos de quem amamos são como pombas por trás do véu e que os seus lábios são feitos de um fio escarlate e que temos de nos sentar lado a lado como dois deuses que saboreiam as vozes e as delícias dos risos. Por isso é que os nossos corpos se tornam líquidos como o desse delirante rei de Israel. 


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Terça-feira, 4 de Junho de 2013

Feira dos Santos


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Segunda-feira, 3 de Junho de 2013

Pérolas e diamantes (40): a importância da memória


Aqui há uns tempos atrás, não sei bem por que razão, apeteceu-me imenso voltar a ouvir o disco de Wim Mertens, Strategie De La Rupture. Depois percebi, o subconsciente prega-nos destas partidas. Mas para uma partida existe sempre um cais de chegada. Engana-se sempre quem pensa que um homem, ou uma mulher, é uma ilha isolada. A esperança aguarda sempre pelo momento certo. Todos sabemos que um olho não vê o outro. Mas os dois vêem tudo.

 

Li algures uma frase que me ficou na memória: “Na vida há muita coisa demasiado boa para ser verdade e os triunfos duram sempre menos que a deceção.”

 

 Esperar em vão é adiar a vida. E eu já esperei tanto que já é tarde para voltar atrás.

 

O escritor dissidente cubano, infelizmente já falecido, Guillermo Cabrera Infante, tem razão: “O homem não inventou a cidade, a cidade é que criou o homem e os seus costumes.”

 

No novo ciclo que se aproxima, vamos ter de inverter o processo de construção de uma nova esperança. Até aqui os políticos, porque vazios de ideias, fabricavam a canção autárquica ao contrário, começavam pela música e só depois escreviam a letra. Mas para as propostas serem consistentes tem de se atuar de forma inversa: primeiro a letra e só depois a música.

 

Nada está mais necessitado de política do que a própria política. Até porque, como também escreveu Guillermo Cabrera Infante, “a política não é mais do que a religião por outros meios”.

 

Foi na Grécia, onde surgiu a cidade-Estado ou polis, que a ideia de cidade atingiu o seu auge com o que Aristóteles apelidou de “uma vida comum para um fim nobre”. É pois a esse desígnio que temos de voltar. Apesar de mesmo os nossos destroços possuírem uma estranha beleza, devemos pensar de forma diferente de Horácio, a quem as ruínas encontravam sempre impávido.

 

Houve tempos em que a independência era encarada como uma ameaça. Mas nos tempos que correm é nela, e nos seus movimentos, onde reside a esperança.

 

Afinal, o que é que na realidade temos nós a ver com os lugares? Nomeadamente com a nossa cidade?

 

Agora já sabemos responder: Ela faz-nos inteiros. Sim, os lugares que amamos fazem-nos inteiros. Por isso é que temos de ir ao encontro da nossa memória, da nossa identidade, do nosso coração. Por isso é que temos de reconstruir o Jardim das Freiras. Custe o que custar, doa a quem doer.

 

Não é aquilo que vemos o que é importante. Importante é aquilo que pensamos que vemos. Aquilo com que sonhamos. Quantas vezes é que nos mentiram até acreditarmos neles? Quantas, santo Deus? Quantas? Por isso é que não há perdão que lhes assista.

 

Esta gente só é grande numa coisa: na pobreza de espírito. E porque mentem o tempo inteiro, por vezes acabam por acertar na verdade. Mas é sol de pouca dura. 

 

Dizem-nos que esta gente que nos governa estava, quando para lá foi, cheia de boas intenções. Mas a maioria das pessoas está sempre repleta delas. E aí é que reside o mal. Pois de boas intenções está o inferno cheio.

 

A minha avó, depois de um longo inverno, pegava na roupa, ia até ao rio, fazia-lhe uma barrela e estendia-a ao sol a corar. A que estava em estado de ser recuperada cerzia-a ou remendava-a. À outra cortava-a, fazia dela panos de cozinha ou então rodilhas para utilizar no amanho da casa. Aquela que não tinha préstimo algum deitava-a ao lume para que as bruxas não a recolhessem e lhe fizessem algum feitiço. 


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Domingo, 2 de Junho de 2013

Pastor - Pereiro de Agrações


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Sábado, 1 de Junho de 2013

Ao sol - Pereiro de Agrações

 


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