Quarta-feira, 30 de Abril de 2014

Menino na Feira dos Sabores


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Terça-feira, 29 de Abril de 2014

A Senhora das Chouriças


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Segunda-feira, 28 de Abril de 2014

Pérolas e diamantes (87): solidão e dignidade

 

Este sistema de austeridade económica, financeira e democrática é tão paradoxal, e contraditório, que pode perfeitamente ter sido copiado da sebenta de qualquer filósofo do absurdo, explicando que até confia a liberdade aos portugueses na condição de não a usarem, tendo eles, no entanto, de garantir este compromisso com a sua pronta mansidão.

 

Estes liberais do ancien regime arriscaram ir demasiado longe tentando com isso descobrir até onde podem esticar a corda. Ou seja, a política, que dizem tudo explicar, afinal não explica nada.

 

Mas, para mal da sua prepotência, “nenhuma autoridade está fora do alcance da crítica”, como afirmou Karl Popper.

 

As notícias sobre as prescrições dos casos em julgamento indiciam que continuámos a ser um país subdesenvolvido onde os poderosos não são tocados.

 

Apesar disso, muitos de nós continuam a não pronunciar em voz alta aquilo que pensam. E por medo. Outra vez por medo.

 

A passividade do nosso povo é sinónimo de indolência, de conformismo e de abdicação. Muitos creem que as coisas lá se arranjarão por si. Esse estádio é o da infância.

 

Tal aceitação é a que promove a prepotência das elites, a prepotência dos governos e a prepotência dos políticos sobre o povo.

 

Anda por aí muito aldrabão a dizer que o homem é por natureza bom, para com isso justificar um Estado mínimo. Os cidadãos mais informados sabem bem que a bondade não está na natureza humana, mas sim na educação.

 

E por natureza também não somos maus, senão esta rapaziada que agora nos governa já tinha sido corrida a varapau.

 

Mark Twain dizia que a história não se repete mas rima.

 

Quem leu um pouco da História de Portugal reparou, com toda a certeza, de que estivemos, e continuamos a estar, sempre à beira de um conflito e também sempre à beira de o evitar.

 

Agora o papão dos portugueses chama-se troika. E é com ele que o governo de Passos Coelho e Portas nos ameaça. Uma e outra vez. Mas eles também sabem que, mesmo justificando-se com o papão, não podem fazer tudo aquilo que pretendem. Persentem que não podem fazer tudo o que têm em mente. O medo também os atinge.

 

O princípio, erradamente identificado como cristão, de que devemos ser bons para quem nos faz mal é o que nos leva à passividade. Não nos devemos esquecer que Jesus expulsou os vendilhões do templo à paulada e sem contemplações.

 

O estado contemplativo é o que noz faz mal. Esse é o lado mau, o lado subserviente, o lado atávico, que é o oposto da dignidade que a democracia promove: o direito à expressão, o direito a uma existência digna, o direito à cidadania plena, o direito ao amor-próprio.

 

Nós hoje somos as cobaias da Europa rica. Inocularam-nos esta vacina da reestruturação para ver como reagimos ao vírus. E nós como se nada fosse. Limitamo-nos a emitir alguns gemidos de dor, para que tenham pena de nós.

 

Disseram-nos que tínhamos gasto o que não devíamos e que estava na hora de cada um de nós o assumir e pagar por isso.

 

Mas eu não gastei o que não devia, cá em casa ninguém gastou o que não devia, na restante família aconteceu o mesmo. Afinal quem é que gastou aquilo que não devia e não pagou?

 

Pergunto-me por que razão é que o primeiro-ministro me quer inculcar esse complexo de culpa? A mim e a todos os que não gastaram aquilo que não deviam, porque, pura e simplesmente, não o tinham.

 

Por vezes sentimo-nos sós. Mas já Camus dizia que podemos estar sozinhos mas temo-nos uns aos outros. 


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Domingo, 27 de Abril de 2014

Na feira V


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Sábado, 26 de Abril de 2014

Na feira IV


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Sexta-feira, 25 de Abril de 2014

Na feira III


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Quinta-feira, 24 de Abril de 2014

Poema Infinito (195): o homem que morreu com a palavra sagrada na boca

 

O homem pôs Deus no seu silêncio. O poeta ficou calado. O homem ficou sozinho. O poeta não disse nada, apenas a sua mão apanhou uma maçã e escreveu uma promessa antiga. O homem não esperou nem o amor de um, nem a glória do outro. Alguém lhe trouxe terra, água e indiferença. O homem começou a transportar consigo as coisas simples, como os sonhos e a certeza da morte. E a imagem do menino que foi fixada nos seus olhos. E a memória da sua mãe presa no coração. Os seus filhos avulsos nasceram já velhos e graves e com bocados de pão presos nas suas bocas famintas. As suas memórias estavam sempre a arder e não se consumiam. As suas lágrimas eram fracas e silenciosas. Vestia-se com a cor dos rios e alimentava-se com peixes coloridos e perigosos. Fez uma única promessa, a de morrer com o seu pecado capital redimido. Os seus dias queimavam-se até ao fim. Não sentia saudades, nem desejos. O seu amor era frio como o aço e inteiro como os números. A sua raiva germinava e crescia no escuro. As flores, ao pé de si, sentiam-se neutras e divididas. A sua vida era distância. Os seus beijos eram cegos. As suas memórias choravam quando adormecia. Lembrou-se que aprendeu tudo o que sabia com o inverno. Por isso perdeu o tempo das flores. Por isso era perseguido pela maldição das coisas mal começadas. Para si, todos os aromas eram antigos, as rosas eram frias e as horas vazias. Por isso, as suas mãos eram violentas. No entanto chorava quando a sua mãe o chamava do lado escuro da memória. E calava sempre as respostas às suas perguntas. Quando levantava o coração do peito, ele pesava-lhe como uma pedra. Gastava as noites a arder no seu silêncio. Por vezes agradecia ao vento trazer-lhe o aroma dos bichos. Então sossegava e sonhava que o seu tempo era uma flor pura. Deus disse-lhe que a sua mãe lhe lavou os sonhos quando lhe deu banho pela primeira vez. Ele não acreditou. Deus, para ele, era uma ilha, a sua mãe era o mar. Vestiu-se de dor quando a sua mãe morreu. Vestiu-se dela. E os seus olhos encheram-se de mágoa. Por isso se negou ao desejo de ser. Foi quando o amor o começou queimar vivo. Tudo era luz e fogo. Tudo ficou pesado como a dor da morte. Os seus olhos ficaram carregados de vento. Nem as aves voavam porque estavam cobertas com o pó dos caminhos e das casas abandonadas. As pessoas passaram a gemer lentidões. As janelas começaram a arder por dentro da sua utilidade. Todos os países passaram a ser distantes. O seu coração começou a predizer as catástrofes. A sua sombra passou a caminhar sempre curvada, como se o levasse às costas. A sua vida atingiu a espiral vertiginosa do nada absoluto. As palavras deixaram de nomear as coisas. O seu corpo começou a escorregar para os abismos, a absorver as horas. A sua cabeça transformou-se num lugar branco onde se instalou permanentemente a solidão. Os dias ficaram desertos e sem luz. As palavras dentro de si começaram a ficar geométricas e densas. Os seus cabelos encheram-se de sombras. Quando beijava uma mulher a sua língua era como uma lâmina. Todos os olhares eram riscos de luz e ecos de segredos. Prometia voltar sempre àquilo que sabia que nunca mais voltaria. Sentiu que ia morrer quando as suas mãos começaram a tremer como insetos, quando as estrelas no céu começaram a ficar secretas, quando a Lua se incendiou, quando as paisagens começaram a ficar irreconhecíveis, quando Deus ceifou os bosques, quando as palavras ficaram inúteis. Morreu enquanto a manhã expirava mesmo junto à sua boca no exato momento em que terminou de pronunciar, pela derradeira vez, a palavra Mãe. 


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Quarta-feira, 23 de Abril de 2014

Na feira II


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Terça-feira, 22 de Abril de 2014

Na feira I


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Segunda-feira, 21 de Abril de 2014

Pérolas e diamantes (85): em defesa da democracia participativa

 

Por muito que nos custe, os velhos anátemas continuam vivos em Portugal. E são eles quem nos diminui a capacidade de procurar uma saída de qualidade para a grave crise que atravessamos.

 

Os velhos mitos provincianos persistem revelando o quanto somos ainda paroquiais em termos políticos.

 

O arcaísmo mais persistente, e resistente, qual vírus infecioso, está associado às lideranças partidárias, que, apesar de se pretenderem hodiernas e desenvolvidas, interditam o debate aberto, limitando a discussão política ao espaço estritamente interno, disciplinado e obediente, quando não subserviente.

 

Tudo deriva da falta de consistência política e ideológica dos partidos, circunstância que os converte cada vez mais em coletividades de acesso ao poder e às suas benesses.

 

Por isso é que a diferença é vista como uma quebra de eficácia na aproximação ao poder e nunca como a manifestação de uma opinião legítima.

 

Quer isto dizer que o aparelhismo trinfou em toda a linha. Os partidos apenas refletem a escassa mobilidade social existente em Portugal. Quem governa conserva.

 

O sistema político português, quer queiramos, quer não, favorece os carreiristas e os bajuladores. Todos sabemos que são as direções partidárias que fazem as escolhas principais de acesso aos lugares elegíveis.

 

O debate livre, tanto dentro como fora dos partidos, que é a norma principal das democracias desenvolvidas, obrigaria, necessariamente, a uma elevação do nível, tanto das propostas, como das lideranças. Afastando as pessoas da conspiração, da intriga, do clubismo e do amiguismo, aproximando-as das regras exigentes e clarificadoras do espaço público.

 

Mas isto é o que todos os aparelhos partidários temem e abominam, dado que necessitam de manter as velhas regras de acesso ao poder e fechar as estruturas à influência libertadora da opinião livre e democrática.

 

Atualmente, todos os partidos do apelidado arco da governação são clubes oligárquicos sem visão de futuro. São estruturas reacionárias e persecutórias.

 

Por isso é que na maioria das vezes, para não dizer sempre, no momento de votar não podemos escolher entre o que é melhor, mas sim entre o menos mau.

 

E isto é válido para todos os partidos representados na Assembleia da República. Convém não esquecer, aquando do PEC 4, que a sua reprovação provocou a chamada da troika. E isso não é só responsabilidade de Passos Coelho e Paulo Portas. Francisco Louça e Jerónimo de Sousa são igualmente culpados.

 

Por alguma coisa é que a velha direita, agora liderada pelo atual primeiro-ministro, é tão desapiedada e vingativa.

 

Todos nos lembramos que Pedro Passos Coelho rejeitou o PEC 4 com o peregrino argumento de que ele trazia atrás de si mais austeridade.

 

Há, de facto, um grave problema na nossa democracia proveniente da forma como os partidos violam as suas obrigações políticas perante os eleitores.

 

Os deputados eleitos não assumem nenhum compromisso com os eleitores, apenas o fazem com as direções partidárias que os preferiram como candidatos e não com os cidadãos que os elegeram. Por isso é que alguns, ou algumas, votam contra os interesses dos cidadãos da sua região, quer eles sejam relativos à Saúde, à Educação ou à Justiça, pretextando a “sagrada” disciplina partidária. Isto é um vício grave da nossa democracia que tem de acabar.

 

Os partidos não definem como sua principal prioridade a defesa dos interesses dos portugueses. E não há forma de os punir.

 

É habitual, durante a campanha eleitoral, travarem guerras entre si, fazerem um enorme teatro sobres as suas diferenças, chegando mesmo a insultar-se uns aos outros. No dia seguinte às eleições lá estão eles em bonitas coligações, esquecendo os reais problemas de quem os elegeu.

 

Por isso é que a democracia portuguesa está como está, moribunda. A atuação dos principais partidos a isso a conduziram.

 

Em Portugal há pessoas que enquanto ministros negociaram com empresas, em nome do Estado. A seguir vemo-los como administradores dessas mesmas empresas. A maioria deles sem possuírem qualquer tipo de experiência em gestão nas áreas para que foram contratados. Afinal qual foi o interesse que eles defenderam? Qual a razão que levou as tais empresas a contratá-los? Para lhes pagar o quê?

 

Também não é de admirar. Foram os jotas aqueles que triunfaram. São os jotas que fazem carreira. São os ex-jotas que estão no governo a aquecer as cadeiras para que os jotinhas de hoje sejam os ineptos governantes de amanhã.

 

Foi nessa escola de virtudes que aprenderam a dar facadas nas costas, a chegarem aos lugares de topo através de artimanhas e manigâncias, através de malabarismos, maquinações, intrigas e traições.

 

Por isso é que os nossos dirigentes partidários não têm cultura. Acham isso até despiciendo. Um luxo. Quiçá, uma mania. Ou, o que é ainda mais grave, um óbice à arte de governar.

 

Temos de passar, como defende Marinho Pinto, da democracia representativa para a democracia participativa. Está na hora dos partidos políticos deixarem de ter o monopólio da luta política. Está na altura dos cidadãos independentes poderem concorrer à Assembleia da República. 


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Domingo, 20 de Abril de 2014

Cantares ao desafio


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Sábado, 19 de Abril de 2014

Igreja e árvores


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Sexta-feira, 18 de Abril de 2014

Castelo de Montalegre


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Quinta-feira, 17 de Abril de 2014

Poema Infinito (194): crédulos e incrédulos

 

Guardo para sempre o súbito e permanente cheiro a livros, a suave respiração da casa, o teu corpo abrigado pelas manhãs de luz e assombro. Assim, serenamente e sem pressas. Prometi então proteger-te dos invernos e do tempo. Tu afagaste-me as feridas que mais ninguém via. Devagar, enquanto escutávamos a respiração um do outro, essa cálida e ofegante respiração, que era a entrada perfeita nos sonhos que desejávamos em uníssono. Aprendemos então a resguardarmo-nos dos medos e dos anseios. Demorávamos muito tempo a localizar a luz azul que de vez em quando entrava pela casa dentro e se escondia no sótão. Ou no meu cérebro. Ou no interior dos teus olhos, que eram verdes e tranquilos. As manhãs pertenciam-nos. O sol atravessava a rua e ia inundar as plantas de luz. E a varanda ficava quieta segurando os vasos. E os vasos ficavam quietos segurando a terra. E a terra ficava quieta segurando as flores. E as flores ficavam quietas segurando o teu olhar de deusa das pequenas coisas. Aprendemos cedo a escolher e a decidir. Por vezes carregavam-nos de espectros e de memórias cruas. Mas juntos procurávamos a confiança e a regeneração das palavras. Sempre nos deixámos tocar pelos lugares pequenos, onde as vozes são claras e mansas, onde os livros permanecem abertos admirando o céu. Era por eles que entravam as crianças, confundidas e doces, enquanto os mais velhos fingiam indiferença pela sua alegria totalitária. As mulheres, a princípio, trancavam-nas em casa e esperavam pelos seus homens que se abstinham de quase tudo. Diziam que gostavam de contar ninfas, de combater tempestades, de adormecer com os olhos abertos, de dar lustro aos cajados, ou às espadas, de perseguirem a cintilação do luar, de tocarem as suas mulheres de vez em quando, dando-lhes beijos naufragados, atirando-lhes redes de palavras, prometendo-lhes coitos interrompidos, enquanto as mulheres escutavam as vozes que emergiam dentro de si e depois fugiam para longe. Os homens, aflitos, abandonavam as mulheres, as crianças e os animais e iam à procura da chave do portão do templo eterno. Diziam que apenas lá dentro encontrariam o privilégio de decidir. As mulheres procuravam novos nomes e negavam tudo o que tinham visto antes. Então os livros, incrédulos, fechavam-se aprisionando as crianças, as cores e o tempo. Eu trazia novas palavras e colocava-as no teu regaço. Por vezes dispunha-as sobre a mesa e deixava que o tempo tomasse conta delas. O tempo alisava-as devagar e depois distribuía-as como se fosse o Zelota no momento de distribuir o pão e o peixe aos seus seguidores. O pão levedava, o tempo levedava e o vinho ficava áspero. O tempo durava menos tempo do que o habitual. Os seguidores do profeta vinham lá de longe, dirigidos e lavados pelo vento, e escondiam-se dentro dos livros que tinham permanecido abertos por serem desobedientes. E escondiam-se por detrás das suas mãos e das palavras dos livros e das palavras do líder. Esqueciam-se do seu cheiro, do cheiro dos seus corpos, do cheiro dos seus filhos e do cheiro dos campos. Riscavam então o ar e deixavam-se fascinar pela transparência da água das fontes. Os que acreditavam na guerra montavam nos seus cavalos e bebiam o ar. Os que acreditavam no amor copulavam as suas mulheres e bebiam-lhes a seiva do prazer. Os que acreditavam em Deus agarravam-se aos seus anjos da guarda e bebiam orações. Os incrédulos, esses bárbaros, acampavam no vale, matavam os javalis, assavam-nos em enormes fogueiras, opunham-se aos guerreiros, montavam os seus cavalos, bebiam o seu ar, copulavam as mulheres dos amantes, bebiam o seu sangue e, saciados de prazer, aprisionavam os anjos da guarda e escreviam as orações em tábuas de lei. Depois adormeciam repletos de vazio e eram depositados dentro dos livros por mão divina.   


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Quarta-feira, 16 de Abril de 2014

Passeando na natureza


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Terça-feira, 15 de Abril de 2014

Na natureza


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Segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Pérolas e diamantes (84): a causa e o efeito

 

Cada vez mais se põe em causa a política. E com razão. No entanto ela persiste e vai continuar a teimar enquanto as pessoas forem esses animais sociais que insistem viver em sociedade.

 

Da política podemos falar como Diderot falava das mulheres pela voz do narrador de Jacques, o Fatalista.

 

Ele e o seu amo enredavam-se muitas vezes em discussões intermináveis acerca das mulheres, pretendendo um que elas eram boas e o outro que, pelo contrário, eram más. E ambos com razão.

 

Um insistia que elas eram parvas e outro que, bem pelo contrário, eram cheias de espírito. E ambos com razão.

 

Um teimava que eram avaras, o outro, liberais. E ambos com razão.

 

Um insistia que eram belas, o outro, feias. E ambos com razão.

 

Um apregoava que as mulheres eram tagarelas, o outro, discretas. E ambos com razão.

 

Um teimava que eram francas, o outro, dissimuladas. E ambos com razão.

 

Um que eram ignorantes, o outro, esclarecidas. E ambos com razão.

 

Um afirmava que elas eram sérias, o outro apelidava-as de libertinas. E ambos com razão.

 

Um insistia que as mulheres eram loucas, o outro, sensatas. E ambos com razão.

 

Um que eram altas, o outro, baixas. E ambos novamente carregados de razão.

 

Os cidadãos esclarecidos ainda hoje teimam na discussão. Uns que a política vale a pena e outros, muito pelo contrário, consideram que é uma porcaria. E ambos com razão.

 

Também sobre isso partilho da opinião de Diderot, ou melhor, do amo de Jacques: “Neste momento é preciso que nos mostremos sensíveis ou ingratos e, se atentarmos bem, mais vale que nos detetem uma fraqueza que nos deixemos ser suspeitos de um vício.”

 

Novamente me socorro do Jacques para tentar fazer luz sobre esta crónica: “Se não se diz quase nada neste mundo que seja ouvido como é dito, há ainda bem pior, que é não se fazer quase nada que seja julgado como foi feito.”

 

Foi também com Diderot que aprendi que a vida é um desfilar de equívocos: os do amor, os da amizade, os da política, os das finanças, os da religião, os dos tribunais, os dos comerciantes e até os dos maridos e das respetivas esposas.

 

Numa coisa também se equivocam os nossos dirigentes, tanto locais como nacionais, apesar dos flavienses, e dos restantes portugueses, estarem animados de uma fúria contida, ela não vai permanecer assim indefinidamente.

 

A fúria contida é, por isso mesmo, mais violenta e até mais perigosa no momento de deflagrar.

 

Com este estado de coisas, já não sabemos com que devemos alegrar-nos ou com o que é que devemos afligir-nos. Parece que o bem atrai o mal e o mal traz consigo o bem.

 

É como a virtude, que é uma coisa benfazeja, pois tanto os maus como os bons não se cansam de a elogiar.

 

Ou seja, a política, quando é virtude, é como a vizinha, e viúva encantadora, de Desglands: Sensata pela razão, libertina pelo temperamento e desolada no dia seguinte por causa da tolice da véspera.

 

Ela, a viúva, claro está, explica-nos o amo de Jacques, passou toda a vida peregrinando do deleite para a contrição e da contrição para o deleite, sem que o hábito do prazer tenha debelado o remorso, e sem que o costume do remorso tenha sufocado o desejo pelo prazer.

 

Numa coisa Jacques insistia com veemência: de que todo o homem quer mandar noutro. Por isso é que possuem cães.

 

Na sua opinião, e já lá vão mais de dois séculos, os homens têm um animal para terem também em quem mandar. Cada um tem o seu cão. O ministro é o cão do presidente, o secretário de Estado é o cão do ministro, a mulher é o cão do marido, ou o marido o cão da mulher. Os homens fracos são os cães dos homens firmes.

 

Deixai-me citar novamente Jacques, mesmo antes de terminar, ou melhor, o seu capitão, que antes do segundo amo, foi o seu primeiro amo. Dizia então esse tal capitão: “Colocai uma causa e segue-se dela um efeito; de uma causa fraca, um fraco efeito; de uma causa momentânea, um efeito momentâneo; de uma causa intermitente, um efeito intermitente; de uma causa contrariada, um efeito amortecido; de uma causa cessante, um efeito nulo.”

 

Não sei bem como é que a conjuntura política atual vai acabar, mas receio que ela nos volte a enganar outra vez ao desenganar-nos.

 

É a vida, como gosta de dizer o meu filho João Vasco. 


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Domingo, 13 de Abril de 2014

Olhares


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Sábado, 12 de Abril de 2014

Na feira


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Sexta-feira, 11 de Abril de 2014

Na feira


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Quinta-feira, 10 de Abril de 2014

Poema Infinito (193): as palavras

 

Não podemos exprimir a sede de ser que nos move. Não podemos inverter a perspetiva. Talvez então nos seja permitido reconhecer aquilo que fomos e identificarmos os fragmentos dispersos do apocalipse. Nós somos essa relação viva que excede as palavras e as redime e lhes dá sentido. Nós somos as palavras que se desviam e que excedem a vida e que retêm toda a ilusão adolescente. As palavras correspondem sempre a incertezas, são como um lume frágil numa manhã fria. As palavras são ilusórias quando hesitam. Embora quem as caminha sempre as veja nuas como se fossem uma fronteira silenciosa de separação. Que Deus não una aquilo que as palavras separaram: a sua ilusão dispersa, a sua asceta solidão, o território comum do desaparecimento. Sentimo-nos atraídos pelos pontos de partida, pela glória unânime das vozes que saem, pela espessura deslizante das cores da angústia. Estaremos então pousados entre as margens do amanhecer acreditando na densidade mínima do amor, na grande tranquilidade das horas, na verdade dos outros, na rapidez justa da poesia, nas vozes que subsistem, no rosto da terra, na ondulação imperfeita do mar, nas vozes inesperadas, nos caminhos das palavras, nas evidências que nos comovem, na breve luminosidade dos olhares, nos espelhos do crepúsculo, na liberdade fugitiva dos sonhos, na brevidade temporal das casas, na aridez da luz, dos espaços e dos corpos, na fresca amargura da pureza, no sossego intempestivo dos livros, na indecisão das nuvens, na surdez das planícies, na deflagração dos milagres, na extensão do vento, nos desejos da terra, no sofrimento das lâmpadas, na unidade da memória, na dureza abandonada dos muros, na paciência das estradas, nos espaços abertos à luz, na sabedoria imóvel das pedras, na fluidez das sílabas do vento, nos cavalos inquietos que atravessam as auroras boreais, na inocência da água, na crueldade clara dos desertos, na impenetrável preciosidade das árvores, na linguagem elástica da pintura, no silêncio idêntico da liberdade, nos corpos suspensos pelo desejo. As palavras levantam-se e coincidem com a realidade e transformam-se na sua evidência fértil. Outrora os homens partilhavam as palavras e davam-nas ao vento. As mulheres enlaçavam-nas silenciosamente e guardavam-nas dentro de si como se fossem unidades brilhantes e perigosas. Dentro de si as vogais permaneciam vivas como abelhas. Por isso sonhavam com a glória e o sacrifício. Daí a paciência. Daí a improvável possibilidade da violência. Agora os poetas levantam as palavras e largam-nas sobre ecrãs brancos onde se misturam com imagens que são sombras e escrevem sobre a violência afirmando que elas, as palavras, estão imbuídas de frescura. E balbuciam as palavras que lhes disseram para não pronunciar. Por isso as palavras perderam a sua luz, a sua sombra e a sua seiva. Agora já não conseguem carregar-se de frutos, nem de beijos, nem de flores. Agora apenas carregam o silêncio da pobreza, a linguagem indolente dos exploradores, a espuma tóxica das sílabas mal divididas e olham para o mundo com a sua cumplicidade de veludo. As palavras já não refletem qualquer luz salvífica, são redondas como sombras obesas e lentas. Os fantasmas fixam os textos e deixam neles pequenas pegadas de aves. Os poemas são finas lâminas. As palavras são agora desprezo. E desalento. As palavras estão preenchidas de esquecimento. São círculos de energia negativa. As palavras sangram e ficam imóveis à espera da morte. À espera de alguém que as salve. À espera de poderem ser de novo magníficas. 


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Quarta-feira, 9 de Abril de 2014

Na feira


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Terça-feira, 8 de Abril de 2014

Na feira


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Segunda-feira, 7 de Abril de 2014

Pérolas e diamantes (83): perigosa fantasia

 

Numa entrevista ao Dinheiro Vivo do DN, o presidente do conselho de administração da Zon Optimus, Jorge Brito Pereira, antigamente um “esquerdalho”, confessou-se profundamente envolvido nas privatizações e nas mais recentes polémicas em torno disso mesmo.

 

Disse considerar-se de esquerda, mas apenas nas questões de costumes, pois acha “por exemplo inacreditável que haja sequer polémica sobre os homossexuais poderem adotar ou casar. Já quanto à coisa pública, defende que quanto menos o Estado se meter na economia, melhor.

 

Ou seja, nos tempos que correm, a direita é de esquerda em matéria de costumes. Vícios privados, públicas virtudes.

 

Para o ex-esquerdalho, não é estranho “querermos liberalizar a economia”, pois “são opções políticas dos outros Estados e do nosso”. E afirma com eloquência: “Dinheiro é dinheiro e é dinheiro”. Esquecendo-se, talvez de propósito, que as pessoas são pessoas e são pessoas. Por mais que ele as queira ver empobrecer.

 

No fundo, o povo é a única força verdadeira, pois representa as nossas virtudes e o que temos de fraco ou mesmo mau. Apesar disso, somos consistentes nessa nossa atitude.

 

Já as nossas elites apenas se preocupam com um único aspeto: o do ganho pessoal. No nosso país, ao contrário de muitos outros, as pessoas muito ricas não contribuem com um tostão que seja para o bem comum. Nunca o fizeram, nem o vão fazer. É triste, mas é real.

 

Com a nossa adesão à Europa, foram os ricalhaços aqueles que tiveram verdadeiramente o poder e receberam fisicamente o dinheiro.

 

Foram eles, e os governantes seus serviçais, que em vez de encaminharem essa riqueza para o bem comum, canalizaram-na para os grandes empreiteiros, para a banca, para a indústria efémera e para a ideia peregrina de adquirir o luxo.

 

A existirem criminosos, e estamos em crer que sim, é no meio dessa seita que os podemos encontrar.

 

Queiramos ou não, a nossa história é feita sempre de oportunidades perdidas. Umas atrás das outras. A verdadeira mudança, porque muitos de nós lutámos e esperávamos, afinal nunca se cumpriu.

 

A nossa história é a de um contínuo falhanço. E isto porque, como uma vez disse Novais Teixeira a José Rentes de Carvalho, sobre a oposição ao antigo regime: “A oposição portuguesa tem razão, mas não tem mais nada.”

 

Atualmente a história repete-se. Até porque tanto o poder como a oposição convivem numa osmose mal disfarçada, pois são vinho da mesma pipa.

 

As medidas impostas pela troika não foram objeto de deliberação em nenhuma estrutura democrática. Foram, pura e simplesmente, impostas.

 

Foram os tecnocratas das três instituições que a compõem que impuseram a austeridade apontando uma pistola à cabeça do governo e dos portugueses. Essas medidas nem sequer foram discutidas democraticamente nas instituições europeias.

 

As decisões foram-nos impostas sem base jurídica e isso levanta um sério problema, porque aos países em causa não lhes foi permitido qualquer tipo de escolha. Ou melhor, a escolha foi: ou aceitam o memorando ou não têm ajuda.

 

Mas nesta jogada também existe uma história um pouco maquiavélica protagonizada pelo PSD. Esse partido, à altura na oposição, quando resolveu juntar-se à negociação do memorando por parte do então Governo demissionário de José Sócrates, meteu ao barulho uma pessoa chamada Eduardo Catroga, que tudo fez para endurecer de forma substantiva o memorando, com o apoio tácito de Durão Barroso.  

 

O Chefe da Comissão Europeia modificou deliberadamente os critérios de cálculo da dívida portuguesa, o que resultou num défice maior que, por seu lado, originou a imposição de medidas mais duras do que as previstas.

 

Não contentes com este estado de coisas, os atuais governantes aplicaram ainda medidas mais duras do que as exigidas pelo memorando. Pelo meio estabeleceu-se uma nuvem pouca clara de interesses, como é disso exemplo paradigmático a privatização da EDP.

 

Daí resultou que o negociador do PSD com a troika está agora à frente da EDP privatizada, hoje detida pelos chineses. Por alguma coisa, o atual governo é considerado pelos políticos conservadores e pelos especuladores financeiros, como o melhor aluno da troika.

 

A crise atual, por muito que custe aos políticos neoliberais, não é apenas económica, como defendem, é também política e tem até implicações morais.

 

Uma Europa em que existem países, como é o caso do nosso, com uma taxa de desemprego entre os jovens que atinge valores próximos dos 50%, vai ter a prazo uma rutura política.

 

Hoje a Europa está dividida em duas partes muito diferentes, quer a nível ideológico como a nível social, económico e cultural. O Norte drena os recursos dos países do Sul.

 

Ou seja, a construção europeia, ao contrário do que se afirma por aí, não aproxima os povos que dela fazem parte, tende antes a opô-los cada vez mais.

 

Os países do Norte legitimam esse corte com os preconceitos e justificações tolas. Para eles, as pessoas do Sul viveram acima das suas possibilidades. Por isso funcionam agora como povos conquistadores.

 

A continuar assim, como avisou o filósofo francês, Étienne Balibar, “a Europa explode”.

 

O problema é que Europa não funciona, como era seu dever, como meio de controlo, de resistência ou de contrapoder aos mercados financeiros. Muito pelo contrário, a UE fixou como objetivo eliminar todos os obstáculos ao reino desses mesmos mercados.  

 

Uma coisa todos sabemos, e isso desde que Jacques, o Fatalista foi escrito: Se o mar ferver, com toda a certeza que vai haver muito peixe cozido.

 

Ou dito ainda de outra forma: “Cada um segue a sua fantasia, a que se chama razão, ou a sua razão, que não passa muitas vezes de perigosa fantasia, que ora dá para o bem ora dá para o mal.”


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Domingo, 6 de Abril de 2014

Iluminações


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Sábado, 5 de Abril de 2014

Inclinações


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Sexta-feira, 4 de Abril de 2014

No Carnaval III


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Quinta-feira, 3 de Abril de 2014

Poema Infinito (192): o tempo invisível das crianças

 

O inverno terminou a sua limpeza. Os teus olhos ficaram dourados. A felicidade pode trepar de novo pelos ramos e a seiva cantar a sua libertação do frio. As cotovias vencem a sua timidez abstrata e definem o seu voo impetuoso e concreto. O que era alto ficou mais alto ainda. Todos os movimentos se inscrevem na minha retina e iluminam-me o pensamento. A letargia dos domingos fica presa nos vasos sem flores. Os movimentos do mundo ficam mais concentrados e espessos. Toda a alma é provisória. Todo o tempo é definitivo. A luz adequa-se ao inverno e à sua placidez e à sua conclusão escura. Hoje olhamos a erva recente e refletimos sobre a sua brevidade total. O rio corre dentro do seu vagar para se entregar ao oceano. O sol de inverno fundamenta a nossa velhice e a sua luz alarga-se exuberante pelo esplendor polícromo dos caminhos. Os homens julgam-se ainda afeitos aos prodígios, pobres coitados. E assustam-se com a lisura momentânea da felicidade. O mundo é jubiloso quando o tempo fica intenso. O vagar é ainda mais visível quando sofremos. Passou rápido o tempo que nos permitiu ver tudo eternamente jovem. Agora a sua luz é remota. Os campos estão entregues às aves que as cercam com as suas melodias específicas. O desassossego brilha despertando em nós as surpresas virtuosas. O tempo antigo é uma reminiscência vagarosa. As crianças moram nas suas memórias brancas. Também eu fui possuído por essa alegria dolorosa da infância. Daqui já não vemos o mar. Este tempo já não assenta em marés. As imagens refletem a sua distância infinita feita de pontos adjacentes. Até a história nos aflige com a sua redenção de passado infinito, com a sua solidão de palavras estabelecidas, com a sua perentória invisibilidade de glória. As mulheres emergem na frescura sensível do seu silêncio. Sinto a tensão exposta do espaço à minha volta. Não me ensinaram como se constrói o esquecimento, nem a forma de evitar escutar os gritos rasgados das mulheres antigas que sonhavam filhos como árvores erguidas pelo deus do vento e do desespero. O tempo desce na sua ligeireza eterna deixando atrás de si o eixo das estações. A primavera ainda está presa dentro do seu casulo. O tempo é agora doce como a lentidão do mel. Deus ausentou-se mais uma vez do seu promontório antigo sem dizer a ninguém para onde ia. A sua nostalgia é uma massa compacta de invisibilidade e sofrimento. A tarde ergue a doce ligeireza da paciência. As crianças ficam agora abertas ao sossego noturno. As mães tricotam o seu sono vigilante, sacodem a solidão e escondem a sua alma na escuridão. As crianças sonham com barcos concretos e com o vento que agita os pinheiros e com gaivotas que sulcam o azul do céu e com imagens de mesas iluminadas e com o eco do silêncio e com o ritmo específico da paciência das suas mães e com a ausência pacífica dos seus pais e com a invisibilidade dos anjos da guarda e com a subtil firmeza dos avós e com a forma eterna do tempo e com a eternidade dos domingos e com todas as frases que são indício de luz e com o lento júbilo do amanhecer e com a penitência das viagens e com a impetuosa decadência dos milagres e com a glória redentora das brincadeiras e com a glória acesa do amor e do carinho e da sua ativa fé na verdade absoluta e na surpresa dos conceitos e na felicidade provisória do pensamento e no crescimento das palavras e no crescimento do seu corpo e da sua alma e das suas asas… e da luz… e do júbilo… e da firmeza e da… e da… e da… invisibilidade…


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Quarta-feira, 2 de Abril de 2014

Na Carnaval II


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Terça-feira, 1 de Abril de 2014

No Carnaval I


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