Segunda-feira, 30 de Junho de 2014

196 - Pérolas e diamantes: António, o Lamentador

 

A Câmara de Chaves vai fazer aquilo que sempre negou vir a fazer, porque está à beira da falência. A autarquia liderada por António Cabeleira vai pedir um saneamento financeiro.

 

A má gestão do executivo PSD tornou a dívida insustentável.

 

Segundo a lei, o plano exige a tomada de medidas específicas de redução de despesa.

 

Essas medidas têm sempre a ver com a redução da despesa com o pessoal e com o investimento. E também, conforme é do costume, com o aumento de impostos, tais como o IMI e as restantes taxas municipais.

 

Os erros de gestão, aliados à incompetência e à demagogia saloia dos responsáveis autárquicos, vão custar ao erário público, ou seja a todos nós, a módica quantia de 30 mil euros, que é quanto a CMC vai pagar à empresa contratada para o efeito.

 

Coisa que parece não afetar sobremaneira os responsáveis pela calamidade. Outro galo cantaria se esse dinheiro saísse diretamente dos bolsos de quem nos meteu neste buraco sem fundo da dívida.

 

Nos últimos doze anos, a gestão camarária protagonizada pelo PSD de João Batista (agora Secretário da CIM, um tacho dourado feito à medida do ex-autarca) e António Cabeleira, fez aumentar a dívida, isto num cálculo conservador, em cerca de 40 milhões de euros.

 

Ou seja, em três mandatos a dívida camarária, com a gestão de JB e AC, quadruplicou. E as obras, caros flavienses, só as conseguimos ver por um canudo.

 

Por exemplo, a má gestão respeitante ao Mercado Abastecedor, custa 3,5 milhões de euros. E nunca é de mais lembrar a dívida às Águas de Portugal, de cerca de 20 milhões de euros, motivada pelo não pagamento repetido, durante quatro anos consecutivos. Isto depois dos serviços camarários terem cobrado esses serviços aos flavienses.

 

Ripostavam, os prestidigitadores, quando acusados pela oposição de que a dívida era insustentável, que a situação financeira da autarquia era saudável.

 

Quando a oposição propôs uma auditoria às contas, António Cabeleira disse que não, argumentando que as contas estavam bem, porque ele era honesto, porque a gestão do PSD era honesta, verdadeira e transparente.

 

Afinal o que o presidente da Câmara tentava, e tenta, evitar, é que os flavienses se venham a inteirar do enorme embuste que rodeia todo este imbróglio.

 

Daí o “acordo” feito com João Neves. Essa manobra desesperada – pois nem AC se entende com JN nem JN emparelha com AC –, apenas serviu para, no limite, inviabilizar uma auditoria séria e isenta às contas da autarquia.

 

Para nos apercebermos da força política do atual presidente da Câmara de Chaves, basta lembrar a resposta que deu aos jornais quando lhe perguntaram qual a sua posição sobre o encerramento da UTAD de Chaves e sobre a incapacidade da autarquia em conseguir segurar no concelho mais este importante serviço público.  

 

O senhor presidente demonstrou o seu descontentamento e “lamentou” o sucedido. 

 

Quando nos levaram o Hospital AC lamentou, quando nos confiscaram o Tribunal AC lamentou.

 

Aqui ninguém investe, AC lamenta. As obras do Arrabalde transformaram-se em perpétuas, AC lamenta. As estradas do concelho estão num estado lastimável, AC lamenta. Os esgotos correm a céu aberto ali para os lados do Parque Empresarial, em Outeiro Seco, AC lamenta. As pessoas vão-se embora, AC lamenta. As escolas fecham, AC lamenta. As Caldas não conseguem abrir para a época termal, AC lamenta. As casas do Centro Histórico desmoronam-se, AC lamenta. O Comércio Local definha, AC lamenta.

 

Afinal, os flavienses elegeram para estar à frente da autarquia não um líder mas um homem piedoso que apenas reza frente ao muro das lamentações.

 

Já Salazar dizia que cada povo tem o governo que merece. 


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Domingo, 29 de Junho de 2014

Na fila em Versalhes


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Sexta-feira, 27 de Junho de 2014

Olhares


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Quinta-feira, 26 de Junho de 2014

Poema Infinito (204): a castidade das pombas

 

As plantas agitam o seu magnetismo. Os animais gemem lentidões. Nós choramos mansamente dentro da nossa pequena felicidade. O tempo hoje nasceu limpo e puro como a alvorada. A conversa durante a noite foi carregada de saudade. Até a escuridão ficou espantada. Todos os poetas são estranhos quando surgem possuídos pela sua luz mais densa. Os seus olhos são como diamantes longínquos. Os seus rostos enchem-se de uma palidez visionária. As suas visões são como sonhos dissipados. Em si germina a luz que purifica as flores. Depois tudo muda. E eles ficam ternos como suspiros e desfalecem lentamente. E ficam místicos. E olham o céu com os seus olhos crepusculares. O mundo fica com a amplitude do voo das aves de grande porte. Os poetas ficam amplos e inquietos como ondas marítimas. E desejam ser amplos e consistentes. E meigos. E desejam cavalgar fadas e alvejar cisnes e falar com os deuses que fecundam a poesia com o seu sémen que é casto e culto. O espaço fica curvo. A noite fica muda e atrapalhada como um ideal ereto. É o tempo da magia. A natureza sente a idolatria dos malmequeres e o odor das amendoeiras e a magia do riso e a dor do esquecimento. A lua banha-se no mar. Fazemos-lhe companhia. Sonho com o macio regaço de minha mãe. Algumas flores deliram dentro do seu azul brilhante. Depois adoecem e soluçam e desfazem-se como espuma. Os poetas gemem as canções dolentes. Já não há almas puras, mas aparências. Sobretudo a aparência da paz. O mar chora. Os anjos ficam como pedra dura. Ficam rijos e soluçam. A seguir voam como se estivessem em Jerusalém junto ao calvário onde morreu Jesus. A luz redentora tornou a fenecer. Cristo também. A sua mãe morreu cheia de luz. O Sol imitiu as suas vibrações magnéticas. Deus não respondeu. Nem desta vez. Cristo morreu com a lividez humana estampada no rosto. A sua voz ficou santa. E ecoou pelos vales e pelas cidades e vilas e aldeias em redor. Mulheres virgens e viúvas começaram a dançar em volta do altar. Deus inundou o mundo de sonhos brancos. A Igreja ficou alva e tão gelada como a neve. O sonho desfez-se. Apareceu então Ofélia gabando-se de ter beijado Fernando Pessoa depois de ter bebido um copo de vinho branco e outro de vinho tinto e depois vomitar. Todos os sonhos se cumprem. Foi quando Alberto Caeiro descobriu que o pai de Jesus Cristo era duas pessoas, um velho carpinteiro chamado José e uma pomba estúpida que não era nem deste mundo nem do outro e nem sequer era pomba. E que a sua jovem e amada mãe não tinha amado antes de o parir. Então o amor começou a vicejar na dor. E começou a dirigir-se às pessoas a partir do altar e dentro da voz de homens que falavam na bondade dos cordeiros e das suas almas. Homens, apenas homens, exclusivamente homens que ouviam os pecados dos pecadores e das pecadoras em segredo e baixinho. Não fosse Deus enfurecer-se e acabar com o sonho das crianças batizadas que são como pombinhas brancas. E mansas. Pombinhas que aprendem a confortar-se com a dor. Sobretudo com a dor dos outros. Agora percebo a castidade de Jesus. E o seu pranto. E porque cantam as estrelas no céu. E qual a razão por que tais estrelas dormem no firmamento durante o dia e acordam à noite. E a razão dos beijos dos cristãos serem serenos e castos. E a razão de, definitivamente e para sempre, Deus corar quando lhe falam no pecado da carne. 


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Quarta-feira, 25 de Junho de 2014

Olhares


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Terça-feira, 24 de Junho de 2014

Olhares


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Segunda-feira, 23 de Junho de 2014

195 - Pérolas e diamantes: sinais

 

Foi durante a campanha eleitoral para as eleições europeias que me apercebi de que não existe debate político, nem ideológico, em Portugal. Daí os resultados.

 

A seriedade não quer nada com a política.

 

Do lado do PS apenas vemos que continua a hastear a bandeira do Estado Social. O que não é mal nenhum, só que é muito pouco para perspetivar o futuro.

 

Já o PSD insiste em emagrecer o Estado. Só que o Estado já não tem por onde emagrecer. O Estado é só pele e osso.

 

Durante os últimos três anos assistiu-se a uma quebra abrupta do nível de vida dos portugueses. O senhor primeiro-ministro convenceu-se, e tentou convencer-nos, que os portugueses teriam apenas de substituir quinze dias de férias nas Baleares por uma semana no Algarve e o bife dia sim, dia não, por uma costeleta de porco aos domingos. Mas a pobreza que emergiu com a austeridade do governo PSD/CDS é muito mais grave e profunda. E até muito mais perigosa, por ser menos visível.

 

Agora acenam-nos com o fim da crise, porque a troika foi embora. Mas a má notícia é que ficámos com o país de pantanas.

 

Subiram os impostos, a gasolina, a água, o vinho, a luz, o pão, a sardinha, a febra, o bife, os telefones, as portagens, as rendas de casa, etc.

 

Apenas uma coisa desceu, e muito, os ordenados. Não tarda nada, o governo, para tapar mais um buraco orçamental, taxará o ar que respiramos e o sol que tomamos ao domingo, quando espreita.

 

Este governo de má memória parece que tem prazer em aparecer aos olhos dos portugueses carregado de hostilidade, sobretudo para com os pensionistas e os funcionários públicos.

 

A governação resume-se cada vez mais à arte de “aparecer”. O fazer é o que menos importa. Este governo demonstrou que além de ser constituído por políticos fracos, é um alfobre de “rapazes” incompetentes, produzidos pelas máquinas partidárias ou trazidos dos bancos das universidades privadas e dos grupos económicos.

 

Quem manda em Portugal já nem sequer são os políticos. São os banqueiros.

 

O nosso parlamento é cada vez mais entendido como um corpo inútil. E por detrás de toda esta crise do Estado persiste o modo como os partidos políticos se movem entre o poder local e o poder nacional.

 

São evidentes os sinais de crise do regime democrático. O tráfico de influências e lugares, o nepotismo e a corrupção no interior dos partidos vai corroendo a já pouca confiança que ainda poderão inspirar.

 

Se a tudo isto juntarmos a crise na justiça, a crise da representação partidária e a subordinação do poder político ao poder económico, ficam desta forma definidos os principais fatores da crise do regime.

 

A prostituição dos corpos e dos espíritos, a mesquinhez e o salve-se quem puder cresce dia a dia. Basta ler os jornais para disso nos apercebermos.

 

A fome é grande, os bens escassos e os empregos desaparecem todos os dias. O reino das cunhas mantém-se incólume. Daí resultando a obediência cega, o silêncio temerário e a “gestão individual da carreira”.

 

As oligarquias partidárias continuam submissas aos grandes interesses, ao tráfico de influências, à corrupção. É normal escutarmos, em relação aos políticos, a expressão: “São todos uns ladrões.”

 

Infelizmente, os portugueses pouco mais são do que um pano de fundo, em toda esta crise. E os de sempre continuam a jogar o seu jogo simples: manobrando quem tem poder ou quem poderá vir a tê-lo, quem ganha poder hoje para ser apoiado amanhã, quem sobe e quem desce, quem come e quem é comido.

 

Por isso é que o povo continua a votar em autarcas demagogos e naqueles que numa dezena de anos endividaram as câmaras até ao limiar da bancarrota.

 

E o mais triste de tudo é que o patriotismo dos portugueses se resume apenas ao futebol. 


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Domingo, 22 de Junho de 2014

Às portas de Versalhes


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Sábado, 21 de Junho de 2014

A senhora das alfaces


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Sexta-feira, 20 de Junho de 2014

O menino e a sombra


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Quinta-feira, 19 de Junho de 2014

Poema Infinito (203): estátua de sol

 

Escuto o meu livro de viagens. Foi nele que guardei as montanhas geladas do norte, as noites brancas de luar, as florestas negras, o vento norte, as aves planas, as raposas. Nele guardei também as cidades luminosas, as mulheres lúcidas, os homens atormentados. E ainda as praias quentes do sul. Escrevi nas suas linhas as línguas provisórias, as construções vagarosas, as ruínas do interior, todos os continentes perpétuos, os monges brancos e os marinheiros que perseguem a estrela polar. Recordo todos os caminhos que percorri sem nunca pensar em voltar atrás. Em nenhum lugar encontrei o que procurava. Misturei-me com os ventos, com os cavalos alados, com as douradas brumas dos desertos. Ainda hoje sou vítima da ânsia de partir. Descubro que estou dentro de um sonho. Todas as cores possuem formas deslumbrantes. Os amigos já partiram deixando vagos os lugares e as suas biografias incompletas. Voltaram as saudades. Voltou a desculpa. As pessoas escolheram ser diferentes. Aprenderam a imitar pequenos deuses efémeros. Aprenderam a ter medo de se protegerem. Sentem-se cada vez mais sós. As suas mãos são pequenos refúgios. As noites passaram a gritar. As manhãs ficaram mais íntimas. Por isso a luz é ainda mais branca. Os teus olhos adquiriram a fascinação azul dos céus, ou o deslumbramento verde do mar. Sinto-os com fazendo companhia às estrelas. De repente as coisas mudaram de lugar. A tarde passou a ser um livro agitado onde o tempo respira suavemente. As palavras exigem a sua verdade. Eu sou o compasso dos meus sonhos. Neles estão recolhidos os medos e os anseios. Sinto que a manhã me pertence, apesar de a desperdiçar sempre que rompe o sol. Por vezes chega cedo de mais, carregada de memórias, tentando convencer-me da verdade da sua luz. Guardo agora o silêncio nas gavetas. Por vezes as palavras curam, por vezes matam. Antigamente os nomes eram lugares descontínuos que ficavam vazios quando os sentavam à mesa enquanto esperavam que alguém regressasse de algum lado para curar as feridas do esquecimento. As casas enchiam-se de crianças dolorosas e de adultos rigorosos. As festas eram provavelmente imagens falsas inscritas em nós. Não existiam enredos sobre as camas. Os quartos ficavam sempre sós depois dos coitos. Dentro dos espelhos os dias vestiam-se sempre melhor do que o esperado. A infância era um perfume complexo. A felicidade era um pressentimento aguardado. A felicidade possuía o peso da mentira. Tudo finalizava com um abraço frio. Deus guardava-nos dentro do nosso medo. Deus anunciava-nos a vergonha, o pecado, o sacrifício. Os nossos olhos perdiam vida em vez de a alcançarem. Os plutocratas chegavam até nós carregados de palavras douradas que não diziam nada, apenas brilhavam ao sol. O tempo passava. Deus fazia questão de distribuir o nosso tempo pelo tempo dos outros. Para ele tanto fazia. Para nós não. Mas isso não lhe interessava. Dizia que não nos compreendia. Muitos vinham de longe procurar a redenção. Sentavam-se e esperavam. E adormeciam como se fossem cavalos bêbados. Os olhos de Deus são cegos, apesar de verem tudo. São assim os olhos dos deuses: lavados pelo sol. Aprendi por isso a viajar sem olhar para trás.


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Quarta-feira, 18 de Junho de 2014

Olhares


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Terça-feira, 17 de Junho de 2014

Rua de Santo António - Chaves


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Segunda-feira, 16 de Junho de 2014

194 - Pérolas e diamantes: o madeiro da política

 

Com tristeza o digo, até porque foi tarde que o percebi: os flavienses possuem uma genuína vocação para se digladiarem. Deve ser o nosso destino de perdedores que apenas perdem porque se abocanham uns aos outros, ao passo que os outros, sempre unidos, batem em nós com vergastas lisas e verdes, explicando, e sorrindo entre dentes, que nos estão a libertar a pele de impurezas.

 

Já houve períodos em que a cidade possuiu as cores da vida e o fulgor do desenvolvimento. Agora a luz que brilha é apenas a do entardecer. O futuro radioso já não existe. Se calhar nunca existiu. Sobretudo porque deixámos de acreditar nele.

 

O ciclo autárquico do PSD de Chaves começou por tentar refazer a realidade de uma cidade que começava a definhar. E, de mistificação em mistificação, levou-nos, em via-sacra, até à atual situação de descalabro financeiro.

 

De importante já nada possuímos por inteiro. Apenas alguma réstia de dignidade, mesmo que angustiada. E mesmo essa já teve melhores dias.

 

A vida da nossa cidade foi sempre aquela que nos contaram. Agora vemo-la ao espelho e não a reconhecemos. Nem a ela, nem a nós. Apenas nos fica o escorrer das horas amargas porque passamos. E os doze anos de dissimulações, mentiras e omissões.

 

A farsa continua.

 

É verdade que em plena campanha eleitoral, a máquina eleitoral do PSD nos caiu em cima e nos pregou uma boa sova. Mas nós também lhe aplicámos alguns ganchos de esquerda e de direita, para não se ficarem a rir. 

 

Olhando agora para o lado da oposição tradicional ficámos com a imagem de frangos de cabeça baixa dando bicadas entre si, momentos antes de lhes torcerem o pescoço. Foi esse equívoco que o povo de Chaves puniu.

 

Na política, a oposição corrige a honestidade, no poder agrava-a.

 

A prática política local entre o PSD e o PS faz lembrar aquelas pessoas que vão aos bailes e comentam enquanto batem com as taças de champanhe umas nas outras: “Afinal não é preciso ter as mesmas ideias para se dançar o tango.”

 

Aprendi com Machado de Assis que, como diz o provérbio, não é a ocasião que faz o ladrão, mas sim que a ocasião faz o furto. O ladrão nasce feito.

 

A mistificação, e a encenação política, de António Cabeleira e, por que não dizê-lo com frontalidade, de João Neves, fazem lembrar a Cabocla do Castelo, identificada pelo Mestre Assis em Esaú e Jacó, que afirmava adivinhar tudo o que era e o que viria a ser, conhecendo até o número da sorte grande, só não o dizendo nem comprando o bilhete para não roubar os escolhidos de Nosso Senhor.

 

Relativamente a João Batista, o cargo de Secretário da CIM até que não lhe cai mal. Ele é um homem simpático. Sempre foi. A agitação do poder até lhe retirou alguma gravidade. Quieto não fica nada mal.

 

Além disso, como leitor de Machado de Assis, aprendeu com o médico e político José da Costa Marcondes Aires, que nas controvérsias uma opinião dúbia ou média pode trazer a oportunidade de uma pílula, pois compunha-as de tal modo que o enfermo, se não sarava, não morria, que era, como todos sabemos, o que naquele tempo faziam as pílulas.

 

Já os estou a ouvir comentar como o amigo do Rubião que isto da política pode ser comparado à paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo; pois por aqui não falta nada, “nem o discípulo que nega, nem o discípulo que vende. Coroa de espinhos, bofetadas, madeiro, e afinal morre-se na cruz das ideias, pregado pelos cravos da inveja, da calúnia e da ingratidão…”


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Domingo, 15 de Junho de 2014

Fotografando a múmia em Versalhes


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Sábado, 14 de Junho de 2014

Olhando o cigarro


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Sexta-feira, 13 de Junho de 2014

Olhares


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Quinta-feira, 12 de Junho de 2014

Poema Infinito (202): o ardor e a ausência

 

Pesa-me a tua ausência. Procurei o fogo entre os labirintos da linguagem com gestos quase imóveis. Sinto-me um equívoco caligráfico. Ai esta ânsia de vencer o tempo. Ai esta sombria demanda da monotonia. Todos os labirintos provocam a violência. Por isso recebo em círculos vagarosos os instantes que desenhaste para mim. Toda a grafia é frágil. Toda a grafia é cinzenta. Todo o ato perfeito é instantâneo. Toda a origem é esquecimento. A essência das multidões resume-se sempre em imagens. Somos perpetuamente a sombra de um unicórnio mutante. O tempo é um idioma branco. O tempo é ambíguo. O tempo é agora uma rua vazia. Nenhum deus por ali passa. As casas são fantasmas. Todos os sentidos são marés subterrâneas. Todo o corpo é desejo. Os meus passos são palavras silvestres que acaricio com a substância das minhas mãos.  A linguagem é um equilíbrio que preenche os interstícios dos horizontes. Todos os nomes são feridas que se escondem por detrás das máscaras do tempo. Os nomes já não são nomes. Os nomes são raízes que percorrem os gritos. Os poetas são redemoinhos espectrais. Vivemos à beira do desastre e continuamos a dançar, como se fossemos anjos volúveis. O tempo tem agora a forma de desejo. As palavras por vezes são casas que se levantam. As palavras por vezes sangram. A vida por vezes é um círculo de transparência. As tuas lágrimas por vezes são densas luas de silêncio. Incendeiam-se os versos que são montanhas repletas de ondas verdes. Os teus olhos são claraboias e pássaros e nuvens suaves. Encontrei sem querer as escadas do esquecimento por onde subia o vento. Nasci entre a penumbra e o vazio, entre o mel e o vinho entre as flores e o desprezo. Nessa altura as casas eram fogueiras de sono onde o mundo se adensava, onde os seres divinos eram animais. Aí a solidão vivia nua, presa nos vidros das janelas, onde tudo era antigo e lento. Onde só sorria a fragilidade da fome. A humildade era minuciosa. O tempo executava uma partitura de nuvens. O negro da noite era imenso. Os poemas eram feitos de feridas. O tempo sufocava. O tempo era um poema concluído. Nós éramos aromas frágeis. Iluminavam-nos as estrelas ténues do céu. Todos amávamos a terra, as muralhas verdes, as letras antigas, o silêncio dos horizontes, as margens do rio, a força das linhas dos segredos, os deuses terrestres, toda a conjunção do pudor, tudo aquilo que caminhava em repouso. Os corpos eram pequenos mas ardentes. O desejo era monótono. O mundo era frágil. Apenas a nudez iluminava a noite. Aprendíamos o sossego no olhar dos que nos rodeavam. As palavras eram as estrelas do desaparecimento. As festas eram lugares que se dilatavam. Tudo recomeçava sem nenhuma relação aparente. Por isso comecei a escrever desesperadamente, a desenhar paisagens fulgurantes, a adormecer imerso em abandonos. Aprendi a ler no livro da ignorância. A viver na sombra. A coagular o tempo. Trabalhei toda a espécie de inocência. As palavras começaram a vibrar e o vazio a falar. Foi quando reparei que deus ficou mudo. E insignificante. E branco como a ausência. E sempre fugidio. A casa ficou então definitivamente vazia e sem fundo. As fábulas adormeceram. Os sonhos transformaram-se definitivamente em vapor. As evidências começaram a ficar inacessíveis. E assim permanecem. A terra é agora um completo ardor de palavras. 


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Quarta-feira, 11 de Junho de 2014

Montanhas

Montanhas


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Terça-feira, 10 de Junho de 2014

Subindo a rua


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Segunda-feira, 9 de Junho de 2014

193 - Pérolas e diamantes: o faz de conta

 

Os portugueses, honra lhes seja feita, não detestam apenas o cinema português. Basicamente detestam o país em que vivem. E até tem razão para isso. E de sobra.

 

Alguns de nós ainda nos aninhávamos nas nossas cidades como se elas fossem território de democracia, onde podíamos confrontar as nossas diferenças com os outros, onde negociávamos permanentemente a dificuldade de vivermos juntos, desde há séculos.

 

No fundo, a cidade era um território de imprevisibilidade, porque éramos muitos, porque estávamos juntos, porque podíamos aspirar a ser diferentes.

 

Chaves é um território com uma história anterior a nós e que, pensávamos com orgulho e esperança, perduraria depois de nós.

 

Mas pelo caminho que isto leva, qualquer dia somos uma aldeia com muitas casas. Umas de gosto duvidoso, muitas amontoadas em caixotes e ainda outras em ruínas.

 

A cidade definha e nós definhamos com ela. Muitas das pessoas que, nestas últimas décadas, passaram pelo poder autárquico, prometeram-nos desenhar a cidade com a subtileza de um prato de cozinha francesa, sustentando as suas ideias num espavento teórico que nos iludiu a todos. Ou quase.

 

Mas, como todos sabemos, por muito refinado que seja o aparato da cozinha francesa, não há nada que chegue a umas febras de porco bísaro salpicadas apenas com umas pedrinhas de sal e assadas nas brasas.

 

É na simplicidade que encontramos a exigência das coisas. É nela que reside o saber. É ela a mãe da criação.

 

Li em algum lado que o ato de construir teorias é um sinal de inteligência, mas que abster-se de teorizar é um sinal de sabedoria.

 

A teoria recorrente de que os nossos autarcas andavam a criar uma nova cidade, uma cidade sustentável e com futuro, foi um logro do tamanho da torre de menagem. O que sobra é uma cidade a cair aos bocados, sem energia, sem vitalidade e gerida em cima do joelho. E com a astronómica dívida de 60 milhões de euros, mais o IVA. Perdemos tudo o que de valor conquistámos ao longo dos anos: o Tribunal, o Hospital e a Universidade. Menos a honra.  Mas mesmo essa é caso para duvidar.

 

Até porque, depois de perdida a inocência da puberdade, constatámos que o ser humano é, afinal, bem menos simples e idílico do que parece.

 

É uma realidade que Portugal é um país demasiado centrado em Lisboa. Mas também é verdade que isso só acontece porque os políticos originários da província não possuem nem o ímpeto, nem a coragem, de afirmar e defender o interior, como é sua obrigação.

 

Lá vão para a capital e voltam, os que voltam, da capital, acabrunhados, silenciosos, desistentes e frustrados. E assim tem sido sempre. E assim continuará a ser.

 

A política tem a qualidade que os homens e as mulheres que a protagonizam lhe conferem. Nem mais, nem menos.

 

O povo bem continua a apontar aos políticos a estrela polar com o dedo, mas eles, propositadamente, apenas se dedicam a escalpelizar escrupulosamente a ponta do indicador.

 

Perante o descalabro nacional, e concelhio, a maioria dos indivíduos continua ou a assobiar para o lado ou a falar de cor. Comportam-se como as pessoas que, assistindo a um terrível acidente de carro, param no passeio, ou no cruzamento, a comentar o sucedido.

 

Em Chaves, o poder autárquico continua a fazer de conta. No entanto, os flavienses continuam a dizer que não têm culpa. Mas talvez não seja muito acertado falarmos de culpa. Há muito tempo que a culpa já não existe. 


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Domingo, 8 de Junho de 2014

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Sábado, 7 de Junho de 2014

O senhor do boné


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Sexta-feira, 6 de Junho de 2014

Explicando


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Quinta-feira, 5 de Junho de 2014

Versalhes


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Poema Infinito (201): chamamento

 

Inauguramos as novas vestimentas das espécies. A sofreguidão da vida demora-se nas nossas gargantas. Os meus olhos são agora dois túneis quietos e incolores. Os meus braços pousam sobre a terra como dois instrumentos solícitos. Todas as surpresas terminaram. As crenças firmes já morreram há muito tempo. A fé é um símbolo categórico que acompanha sempre a miséria dos outros. Sou uma luz de ansiedade. Ninguém consegue satisfazer sempre os seus desejos. Vivemos sob o signo da decomposição. As sombras são as testemunhas da lascívia. A palidez da morte espalha-se pelos sítios tranquilos. As espécies animais descansam na arca de noé e agradecem a deus. Pelas janelas irrompem aves em fúria. A música do chão raso tomba sobre o pranto. No fundo das águas repousa o arco-íris. Cavalos cegos galopam na tarde. Os cavaleiros conheceram hoje o medo das suas misérias, o seu pavor mais secreto, o vazio da história e das paisagens. Descobriram, quando a alvorada começou a ficar extensa, que nem o amor, nem a adversidade, nem a esperança, nem a raiva voltarão a ser o que eram. A teologia agora é outra. Como é outro o tempo e a sua vocação pela queda. Somos visitados pela dúvida. As palavras viajam por dentro dos objetos. A experiência diz-nos que devemos desconfiar da serenidade. A prudência já não conta para nada. A natureza tem um novo rosto. Com o passar do tempo, as palavras vão tecendo uma nova teia de cumplicidades. O tédio é-nos mais familiar. Todas as mortes são similares. Por isso os santos sobrevivem à mortalidade frequentando o insuportável cansaço da quietude. Por isso, o seu olhar é sempre oblíquo e cansado. O nosso silêncio é neutro, o dos outros é insuportável. A agitação das máquinas distrai-nos do tédio. Todos os pecados são penitências de deus. A felicidade da infância consente a brevidade da vida, mas não a justifica. Afinal não existe saída de emergência. As palavras são armadilhas. Os nossos sonhos são signos incomunicáveis. Ninguém pode exprimir verdadeiramente aquilo que sente nem aquilo que é. Os olhos de deus adquiriram a frieza do chumbo: são espessos e de proporções colossais. A desilusão de deus invoca a fúnebre energia das catástrofes. Oremos, pois. A fé mantem-nos num constante delírio. Ninguém consegue identificar deus pelo tom de voz. Não sei porque escrevo isto. Afinal vim a casa para deixar estes papéis datilografados com a brisa da manhã. E encontrei, por acaso, uma cruz de ferro e uns ossários de alguma divindade antiga. De mim já tudo foge. Decidi passar a última noite na minha velha casa antes de me ir embora. Definitivamente. Os meus passos ressoam no silêncio do edifício. No fundo da rua existiram floridos jardins e gaiolas com pássaros dentro e signos quase apagados de grandeza. Os séculos repousaram nela com a impossível certeza das epifanias. Também se deram ali milagres e muitos homens recordaram batalhas, aromas, paixões e lamentos. Sei agora que não podemos antecipar os sonhos. A vida é um instante de esplêndida desordem. O fundo da rua foi o insubstituível lugar onde tudo se cumpria. Mas não resistiu ao esquecimento. A morte tudo vence. Até os milagres. Até deus. O sítio que agora procuro será o meu último lugar na terra. Já não aguento mais os gemidos do rio da minha puerilidade. O cheiro da terra maltratada toma conta de tudo. Os deuses antigos são agora como a vegetação que arde todos os verões sem préstimo e sem sentido. Senhor. Senhor. Senhor. Porque fugiste?


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Quarta-feira, 4 de Junho de 2014

Na feira


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Terça-feira, 3 de Junho de 2014

O menino da lágrima


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Segunda-feira, 2 de Junho de 2014

192 - Pérolas e diamantes: em defesa da contradição

 

Há muito de aleatório na maneira como crescemos e nos vamos educando, embora seja pertinente a velha máxima que diz: “Só se encontra aquilo que se procura.”

 

Dei-me conta, tarde demais, mas mais vale tarde do que nunca, que não sou feito para a servidão, nem para a bajulação, que, como todos sabemos, são as passadeiras para o poder.

 

Depois de tantos anos de teimosia política e cultural, acho que sou um sobrevivente. Sou também um terreno de contradição.

 

A política ensinou-me sempre o contrário. No entanto, a cultura demonstrou-me que a vida é múltipla e de que tudo resulta da contradição. A política ficou triste, coitada.

 

São a contradição e a violência o que faz mexer o mundo. Eu sei que é duro de admitir. Mas é mesmo assim.

 

Da violência, mesmo que revolucionária, desisti quando soube dos gulags, dos muros construídos para separarem a verdade da realidade e a realidade da verdade, dos assassínios dos camaradas bolcheviques consumados pelos camaradas bolcheviques, dos massacres, das perseguições e dos fuzilamentos em massa. E da falta de liberdade. “Das mais amplas liberdades”, como gostava de afimar o camarada Cunhal.

 

E da reacionária nem é bom falar. Ainda não consegui entender como é que da sociedade alemã da altura conseguiu emergir um líder como Hitler e todo o “mal” que sempre o acompanhou.

 

Todos sabemos que não foi um problema de estupidez nem de falta de formação o que levou as pessoas, até as mais ilustres (lembremo-nos de Heidegger ou de Ernst Jünger), a aderirem, a suportarem e justificarem tudo aquilo. E nunca é demais lembrar que Hitler chegou ao poder de forma democrática.

 

Salazar, diz o professor Adriano Moreira, era um homem inteligentíssimo, muito atento e com muita graça. Também escrevia muito bem, como o próprio Fernando Pessoa chegou a reconhecer.

 

Como é que uma pessoa com essas capacidades conduziu o país, durante 48 anos, ao atoleiro de ignorância, marasmo e sufoco cultural, é que ainda está por explicar convenientemente.

 

Toda a sua tacanhez e pequenez dão que pensar. Como bom fascista (lembremos Mussolini e Hitler), possuía o tipo de inteligência habilidosa e sorrateira que fazia vir ao de cima o pior do ser humano: a manipulação. Era, como também escreveu Pessoa: “Uma alma sordidamente campestre.”

 

A psicoterapeuta psicanalítica, Clara Pracana, entende que a “grandeza” maléfica de Salazar assentou em dois pontos cruciais da sua governação: a promoção da ignorância do povo e a habilidade em exauri-lo da sua vitalidade criativa.

 

Por isso acha que há qualquer coisa nos portugueses que os faz “tender para o pequenino, para o lamuriento, para o dependente (de messianismos vários), para uma espécie de cinismo trapaceiro, de trazer por casa”. 

 

Provavelmente tivemos o ditador que merecemos. Foi-nos bem feito.

 

Mas voltemos à contradição. Ela, a impertinente, tem o aspeto muito positivo de tender para a problematização. Como adepto da contradição, não tenho ideias fixas sobre nada, à parte algumas convicções sólidas sobre a verdade, a palavra, a honra e a cultura.

 

Inerente à contradição está a ideia de movimento. Que é o princípio da natureza. Desde novo que essa ideia me persegue. Daí o não conseguir manter-me nos partidos políticos, porque são estáticos. Além disso, falta-me o jeito para respeitar as diretivas partidárias, até porque sou incapaz de defender ideias com as quais não concordo. E também porque me sinto confortável a pensar e a refletir sozinho.

 

Isso fez de mim alguém que, por não ter certezas, não consegue aceitar o pensamento unívoco, totalitário.

 

Prezo muito a minha liberdade (ó cultura, estouvada mãe, a quanto obrigas!) e quero mantê-la. Quero continuar aberto ao confronto de ideias com os outros, porque sei que sou incapaz de viver de outra maneira.

 

Temos de ouvir toda a gente. Não podemos ter posições doutrinárias rígidas.

 

Gosto de eu próprio ir percebendo as coisas à medida que as explico. Confio em três características: a capacidade de ler o mundo, a capacidade de negociar as diferenças e de as traduzir e explicar aos outros. 


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Domingo, 1 de Junho de 2014

A caminho de Versalhes


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