Quinta-feira, 31 de Julho de 2014

Poema Infinito (209): a luz e as sombras

 

Junto às janelas nasceu hoje mais uma aurora e uma linda árvore coberta de flores. As minhas mãos abandonaram-se no oceano claro do teu corpo. Por vezes ficamos com o rosto de água, o que nos transmite uma pureza líquida. A terra fica nua. As mãos ficam repletas de ternura. Os nossos olhares transmitem paz. Entre as pedras cresce a erva. O amor continua a germinar como se fosse um clarão no meio da tempestade. Toco os objetos esquecidos com os dedos. Tenho saudades de adormecer junto às pedras do rio. As saudades crescem como nuvens. Os poetas inventam ruas. Um louco descobre Deus escondido atrás da sua infinita solidão. O meu rosto recebe a brisa da manhã. Fantasmas patéticos cavalgam olhando as nuvens. As águas do rio sobem. Penso nas pessoas que me viram crescer, nos seus olhos inclinados, nas suas mãos que eram como plantas, na sua vontade de chorar sobre as ruínas do tempo. Essas pessoas eram tristes como cavalos cansados. Possuíam a avidez do desastre, a esperança do gelo, a memória da solidão. Sentiam as raízes das suas casas, reconheciam o timbre das vozes dos seus familiares e amigos, passeavam os animais pelos campos e, por vezes, sem explicação alguma, batiam-lhes excessivamente. Ainda hoje lhes sinto a presença como se fossem bois no campo, ou potros ariscos. Estavam sempre sós na sua simplicidade. Acreditavam governar as manhãs quando davam as mãos aos seus filhos ou quando ficavam nus dentro da sua cor parda. A chuva lavava-os como se fossem animais despojados de pecado. Gravavam as suas emoções nas cascas das árvores mais fortes e solitárias. Evitavam observar os pássaros por causa dos seus voos incómodos. Evitavam sonhar à noite para não se deixarem embrulhar nas utopias. Cresceu entre nós um muro de silêncio branco. Sem nenhuma explicação. As magnólias secaram. O tempo e a desilusão tudo desvendam e tudo atingem. Cada um de nós mora dentro do seu próprio abismo e sorri. As borboletas da adversidade pousam sempre dentro da solidão. As suas lembranças são agora sombras que surpreendem as paredes e as árvores moribundas. A chuva já não os incomoda. Apenas os torna líquidos e transparentes, como se fossem lágrimas misteriosas. Agora acham lógico desprezar o encanto. E questionam os sonhos que são perguntas sem resposta. Desconfiam do dia. Desconfiam da noite. Depois adormecem como pássaros friorentos. E enchem a boca com trepadeiras acordadas. E lavam as suas raízes com enormes silêncios. Assusta-os as bombas e o canto dos rouxinóis. Têm o sono tão leve que sentem as flores a desabrochar no escuro. Temem ser blindados pela luz do sol e ficarem cegos. Agora pertencem por inteiro às coisas mudas. São como peixes naufragados. Rezam mentalmente para que o dia lhes amanheça nas mãos, nem que seja pela última vez. Deitam-se numa cama de musgo e cobrem-se com lençóis de fetos. E assim puros entre ruínas esperam por uma morte serena e desencantada. Sabem que a inércia acabará por devorá-los. Os cardos começam a nascer-lhes nas pontas dos dedos. Os cogumelos começam a brotar-lhes nas articulações. A terra fica repleta de poros. As flores ao seu lado oferecem-se todas as noites ao luar. Antes do último suspiro, tatearão a luz. 


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Quarta-feira, 30 de Julho de 2014

Barroso II


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Terça-feira, 29 de Julho de 2014

Barroso I


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Segunda-feira, 28 de Julho de 2014

200 - Pérolas e diamantes: inversões

 

Vai bom o tempo para banqueiros e para cães de fila.

 

Não sei por que carga de água me lembrei de Yeats, mas as suas palavras soaram-me estranhas: “É a instrução no sobrenatural que nos salva das más companhias.”

 

Assim fosse e muito boa alma não tinha penado o caminho da desilusão.

 

Acreditei em tempos que Portugal era uma boa metáfora. Mas, sei-o agora, as metáforas também cansam.

 

O homem é o único animal que conta histórias, a única criatura que conta histórias a si própria para tentar compreender que espécie de animal é.

 

Foi também Yeats que escreveu: O intelecto do homem é forçado a escolher / A perfeição da vida ou do trabalho.

 

Porque a vida perfeita não existe para pessoas como eu, apenas me restou, e resta, virar-me para o trabalho.

 

Por causa das coisas, e para lembrar aos videirinhos da política local, evoco o artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos do Homem: “Todo o individuo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e de procurar receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideais por qualquer meio de expressão.”

 

John Kennedy disse o mesmo em apenas quatro palavras: “A liberdade é indivisível.”

 

Há muita gente por aí que pensa que por pintar as asas de preto passa de repente a ser melro. Mas não, apenas fazem lembrar aquela gaivota que aparecia na televisão, durante a Guerra do Golfo, que, besuntada de petróleo, perdeu a capacidade de voar.

 

Boa gente cedeu ao medo, apelidando-o de respeito. Mas não é. É mesmo medo. O respeito é outra coisa bem mais nobre e simples.

 

Eu, por causa das coisas, inspiro-me em Edmund Burke: “Quem luta contra nós fortalece os nossos nervos e aguça as nossas capacidades. O nosso antagonista é quem mais nos ajuda.”

 

Ou seja, apenas os fracos e os autoritários viram as costas aos adversários e chamam-lhes nomes e, por vezes, pretendem fazer-lhes mal.

 

No mundo da política, muitos fazem que argumentam com base nos princípios. Mas à porta fechada, nas salas onde se tomam verdadeiramente as decisões, os princípios caem logo à primeira contrariedade.

 

José Saramago disse: “Dentro de nós há uma coisa que não tem nome; essa coisa somos nós.”

 

Salman Rushdie escreveu que “o espírito criativo é frequentemente tratado como inimigo pelos poderosos ou pelos mesquinhos potentados que não gostam do nosso poder de construir imagens do mundo que são contrárias, ou põem em causa, os seus mais simples e menos confessos pontos de vista.”

 

Charlie Chaplin bem nos avisou: A vida vista de perto é uma tragédia, mas vista de longe é uma comédia.

 

Tanto na autarquia como no país, os ilusionistas do costume, dizem-nos que a realidade pode esperar para o dia seguinte. Eu não sei é se isso ainda é possível. 


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Domingo, 27 de Julho de 2014

Rebanho


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Sábado, 26 de Julho de 2014

Turistas em Versalhes


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Sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Passeando


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Quinta-feira, 24 de Julho de 2014

Poema Infinito (208): os salmos

 

Os meus dedos têm uma bonita história de respostas. São como pássaros que falam. Os meus dedos querem voar. Hoje as palavras têm um sabor tropical. Por isso beijo as memórias que são como feridas já cicatrizadas. As palavras ficam levemente musicais. Os meus dedos, por vezes, ficam mudos. São como animais excecionalmente enfeitados. Então escurece. Durante a noite chamamo-nos uns aos outros como se fossemos crianças. A janela continua aberta sobre a aldeia. Daqui não se distinguem os machos das fêmeas. O mundo fica de repente limpo e organizado, como se fosse real. As tuas explicações são maravilhosas porque não explicam nada. As tuas explicações são como espelhos pequeninos. Toda a inocência é abjeta. O pecado espalha-se como uma partícula radioativa. E toma conta do espaço. As minhas viagens são curtas e distraídas. Os teus olhos são como salmos. Espero. Espero-te como se fosses um nome divino. A resposta transforma-se numa ânsia. E passa a ser uma nova pergunta. Os corpos transportam a espuma da alvorada. O desejo percorre os corpos. Combatemos o tempo da desilusão. É já um hábito antigo. As tuas mãos murmuram uma claridade feroz. Os versos complicados assustam as flores. A manhã parece que chora. Transpiro enquanto me beijas. O teu corpo é como um cofre. A tua boca abre-se como se fosse um lírio. Os teus olhos verdes andam à deriva no mar. Os teus olhos são como salmos. A noite ergue-se como se fosse uma pirâmide repleta de segredos. Voamos por cima das dúvidas. Ignoramos o que está escrito. As estrelas, de repente, ficaram centrífugas. Os corpos possuem a cadência dos desastres. Perguntas-me pelo sentido do riso. Eu apenas consigo sorrir. Imagino o desejo como se fosse um mandamento científico. Imagino a sua possibilidade libertadora. Junto ao rio continuam a nascer os jasmins. Nos campos próximos as tulipas abrem-se ao sol. Continuo a ser um jardineiro de espantos. É preciso ter cuidado no momento dos corpos se desligarem. É necessário conhecer os limites da sua beleza. É indispensável reconhecer as fontes do calor que nos enlaça. É urgente combater o irremediável arrefecimento da memória. As lágrimas enrolam-se dentro do desejo. Vivemos no intervalo que existe entre a explosão primordial e o momento derradeiro. A boca segura-nos as utopias. As palavras são filamentos incandescentes de esperança e desespero. Chega a ser absurdo pensar na redenção, na sua utilidade sincrética. É possível que a leveza exista dentro de nós. E terá, com toda a certeza, o esplendor odorífero das pavias. E também a potência ácida dos limões. E ainda a honestidade tímida dos sorrisos das avós. É nessa leveza onde moram os milagres, onde se esconde a ânsia, onde mora a verdade. Todos necessitamos de pequenas felicidades delirantes. A luz aproxima-se. O tempo escasseia. Não temos nada a perder. Somos projetos de pássaros. Ainda esperamos pela navegação do espanto, pela coloração inclinada da imaginação. Ainda aguardamos pela promessa da multiplicação dos caminhos. Os teus olhos são como salmos.


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Quarta-feira, 23 de Julho de 2014

Olhares


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Terça-feira, 22 de Julho de 2014

Olhares


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Segunda-feira, 21 de Julho de 2014

199 - Pérolas e diamantes: CIM, (vírgula) zero

 

De tanto nos fazerem engolir as patranhas do desenvolvimento sustentado, da crise, da concretização dos acordos de parceria, das obras em curso, do fluxo de fundos estruturais de apoio, da justeza das preposições, da avaliação da subvenção global dos programas, da sustentabilidade das estruturas de proteção civil, da valorização do potencial cinegético e piscícola do território, da ação para a promoção do empreendedorismo, dos distintos cadastros, e até do cadastro da iluminação pública, a verdade, verdadinha, é que já estamos empanturrados de mentiras.

 

Estas patranhas fedem tanto, ou ainda mais, do que os esgotos na linha de água em Vale de Salgueiro, Outeiro Seco.

 

Qualquer poder tenta sempre ser mais criativo, ao nível do efabulação, do que a própria ficção. Mas o poder autárquico flaviense, quer o real, quer o delegado nesse pequeno monstrinho despesista que dá pelo nome de CIM, atingiu o nível argumentativo da pior ficção científica de banda desenhada.

 

Isto sem desprimor para os seus protagonistas, que até se aguentam bem nos papéis, quer eles sejam de ficção científica ou mesmo da própria BD.

 

E até conseguem falar como se a efabulação por si criada fosse a realidade. Ou então tomam-nos a todos por parvos.

 

E aqui vai um conselho grátis: É recomendável não exagerar. O que é demais também é moléstia. Por isso não abusem da vossa sorte, que para a grande maioria dos flavienses é, sobretudo, um enorme azar.

 

Todas estas personagens bem podiam ser os protagonistas da Cidade Conquistada, o “genial romance” de Oscar Schidinski, aliás Uma Mentira Mil Vezes Repetida de Manuel Jorge Marmelo, que é sobre um homem que perdeu a sua verticalidade, de tanto se curvar e ser submisso, e por isso ganhou uma curvatura nas costas.

 

O argumento baseia-se no facto do narrador inventar falsas histórias de um livro “que não existe e que não existirá nunca”, que será sempre uma mentira que conta aos outros para ele próprio se ludibriar.

 

Poderia ter como título, baseando-nos em Gabriel Garcia Marques: Um Presidente de Câmara no seu Labirinto.

 

O narrador de Uma Mentira Mil Vezes Repetida diz a determinado momento que “as cidades têm várias vidas. Os homens só têm uma”.

 

Albrecht, outra personagem do livro, conclui que “é mais conveniente, às vezes, não conhecer realmente verdade alguma. A verdade pode chegar a ser cruel e horrível.”

 

Li nos jornais que a primeira “Convenção Autárquica Intermunicipal” serviu para contestar as políticas do Governo nas áreas da educação, justiça e saúde. Mas eu que estive lá posso afiançar-vos que tal não é verdade. A citada convenção serviu apenas para dar visibilidade a uma efabulação terceiro-mundista que dá pelo nome de Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega, vulgo CIM.

 

Lá, à exceção de uma ou duas intervenções, apenas se trocaram galhardetes, entre sorrisos e abraços de quem sabe que aquilo vale o que vale, zero. E se fosse à esquerda até cumpria com a tradição. O mal é que desta vez foi um zero à direita, depois da vírgula, claro está. 


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Domingo, 20 de Julho de 2014

Sorrisos


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Sábado, 19 de Julho de 2014

O menino e o gravelho


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Sexta-feira, 18 de Julho de 2014

Olhares


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Quinta-feira, 17 de Julho de 2014

Poema Infinito (207): a sombra dos dias

 

O clarão da madrugada irrompe sereno. Sonhei em tempos ser um cavaleiro andante que abria as portas do silêncio e da solidão a golpes de espada. Afinal, toda a beleza possui o mesmo brilho vulgar. Todo o sonho é piedoso. Toda a ventura é derradeira. Oiço ao longe piedosos senhores abafando blasfémias enquanto as suas esposas suspiram desejos. A vida constrói-se em ciclos de loucura. Aos retos sempre lhes sobejaram os inimigos. Tenho gravado na minha pele a tua alma. Atendes a minha voz suspirando. O amor começou numa tarde outonal. Olhavas para mim como se eu fosse o vento. Tu eras uma onda. Os caminhos eram longos. Os sonhos eram longos. O mistério era real. Assim como a metafísica. Todas as coisas possuíam mistérios doidos. A verdade era lúcida. A filosofia era um segredo mal guardado. Para nós a arte resumia-se a estátuas vivas. O universo possuía apenas um sentido íntimo. Tudo se esvai. O mar engana-nos sempre com a sua espuma. O fim expande-se. Todo o começo é uma ilusão. As certezas são espadas que nada defendem. Todos vivemos na zona de sombra entre a mentira e a verdade. De um lado está tanta luz que cega. Do outro permanece a escuridão que assombra. Por isso os meus sorrisos transportam ironia. A vida não repete teologias. Ainda sou dono das minhas horas e da minha ternura lúcida. O tempo é um círculo infinito de silêncio. Dentro dele as palavras transformam-se em gritos. As palavras pesam-nos. As palavras brilham. Tudo é inquietação. A doce ilusão da ternura, a breve aceitação da gratidão, a ironia da liberdade regularizada, a matemática das previsões, a teoria da desolação, a angústia da fome, as faces trágicas das vítimas, a loucura dos profetas, as profecias dos loucos, as tragédias significantes e insignificantes, a esperança, a vergonha, o silêncio, a loucura, a inconsciência dos sonhos. A solidão vem de noite embrulhada no segredo dos enormes silêncios. O sono é uma floresta de rumores. O rosto dos justos é feito de vento e sol. Por isso amamos a sua limpidez. A sua imagem possui a luz do futuro. O vento da manhã inclina o teu rosto. Os meus olhos pedem o teu corpo. As estrelas brilham por cima dos teus cabelos. As minhas mãos ficam transparentes e irresponsáveis. Volto a navegar nos teus olhos enquanto mordo a solidão. As árvores aparecem. Nelas o tempo começa a partir. Nós ficamos. Olhamos para as primeiras luzes que descem a colina. As andorinhas voam perplexas dentro da sua brevidade. São como os anjos que andam pelo mundo espalhando lendas de harmonia e dissonância. Afinal o amor tem asas. Por isso não se pode adiar. Os meus olhos no teu corpo. A ânsia. A substância. A delícia. O espaço. O grito. A libertação. O gemido. A oração. O grunhido. A ejaculação. A inocência absoluta. As sensações contraditórias. As considerações longas, as razões tristes, as causas engraçadas. O tempo fica com asas largas. A nossa idade fica nostálgica. O silêncio fica branco. As mãos desenham o tempo da terra e atravessam a leveza e agarram as palavras insubmissas. E dançam. As mãos dançam e incendeiam as paisagens. O tempo espalha as memórias da infância e desenha raízes nos nossos rostos. As memórias deixam mágoas. As sombras do dia ficam mais compactas. Transformam-se em retratos de família. E choram.


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Quarta-feira, 16 de Julho de 2014

O homem e o burro


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Terça-feira, 15 de Julho de 2014

Amena cavaqueira


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Segunda-feira, 14 de Julho de 2014

198 - Pérolas e diamantes: fardo insustentável

 

Sir Tomás Morus escreveu em 1516, no seu livro Utopia, o seguinte: “Na verdade, quando considero qualquer sistema social do mundo moderno, não vejo neles, assim Deus me perdoe, senão uma conspiração dos ricos, para servirem o melhor possível os seus interesses, sob pretexto de organizarem a sociedade. Procuram todos os tipos de habilidades e artimanhas, em primeiro lugar para manterem a salvo os seus lucros mal adquiridos e, em segundo lugar, para explorarem os pobres, pagando-lhes o menos possível pelo seu trabalho.”

 

Em pleno século XXI, Pedro Passos Coelho voltou a encher de sentido estas palavras e a torná-las, mais uma vez, dolorosamente verdadeiras.

 

Pensa ele que o seu pensamento neoliberal é moderno e atual, mas não é. É antigo como as igrejas. E perverso.

 

Na sua sanha contra o Tribunal Constitucional, chegou a invocar o argumento da falta de escrutínio democrático por parte deste órgão institucional e independente.

 

Sendo assim, convém perguntar que tipo de escrutínio democrático permitiu que alguém tão impreparado como o primeiro-ministro chegasse onde chegou?

 

Onde legitima ele esta sua fúria ideológica baseada em leituras enviesadas de badanas de manuais de introdução ao capitalismo selvagem?

 

Onde legitima a sua campanha eleitoral assente em mentiras colossais que o alcandoraram ao cargo de primeiro-ministro, precisamente no momento mais crítico da nossa democracia?

 

É hoje mais que evidente que Pedro Passos Coelho se esconde por detrás de propostas formais, pois é incapaz de enfrentar os problemas.

 

Os banqueiros seus amigos vieram logo a terreiro botar-lhe uma mão. Fernando Ulrich insinuou que não deviam ser apenas juízes a apreciar a inconstitucionalidade das normas orçamentais. Na sua peregrina argumentação, além dos juízes, no TC deviam ter assento também os economistas. Esses mesmos que nos levaram a esta situação de crise profunda expondo os fundamentos mais estapafúrdios.

 

Vítor Bento, o profeta e guru de PPC, veio a terreiro ostentar a sua indignação dizendo que existe demasiada política nas decisões do TC. Agora é o putativo presidente executivo do BES. Afinal os favores pagam-se. E com língua de palmo.

 

Sendo assim, é ocasião para mais duas ou três perguntas: É preferível um país sem Constituição? Ou tendo nós uma Constituição, podemos prescindir de um Tribunal que a faça cumprir? Ou ainda mais radicalmente: como se apelidam os regimes políticos sem constituições democráticas e sem tribunais independentes?

 

Além disso, começa a ser cansativo que a liderança europeia, da qual fez parte um cidadão português que dá pelo nome de Durão Barroso, insista em continuar a tratar-nos como ratos de laboratório da experiência económica neoliberal e não seja capaz de vislumbrar uma alternativa que não se baseie em cortes e mais cortes… em cima de cortes, da subida de impostos e da diminuição da massa salarial.

 

Uma mente moderada e assente no bom senso apenas pode defender para Portugal, em detrimento da subida de impostos, o alargamento do prazo para podermos concluir a consolidação orçamental e, dessa forma, aliviar o pesadíssimo fardo dos juros da dívida do empréstimo contraído junto da troika.

 

Continuando com esta terapia, alguém consegue descobrir empresas de qualidade que pensem abrir portas em Portugal?

 

E que tipo de trabalhadores qualificados se sujeitará a labutar em troca de salários cada vez mais terceiro-mundistas com uma carga fiscal ao nível dos países mais ricos da Europa?

 

Assim, está visto, não vamos lá.

 

Este governo deixou de ser um fardo para se transformar num pesadelo.

 

Quem está a mais no nosso sistema político não é o Tribunal Constitucional. É sim este executivo PSD/CDS que não é capaz de cumprir com as leis da república.   


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Domingo, 13 de Julho de 2014

Observando a praça


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Sábado, 12 de Julho de 2014

Luzia Oliveira em Versalhes


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Sexta-feira, 11 de Julho de 2014

Passeando


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Quinta-feira, 10 de Julho de 2014

Poema Infinito (206): vórtice

 

O teu olhar representa a pomba da paz. O meu traz no bico um ramo de oliveira. Este não é sequer um lugar triste. Esta é a rua que abre caminho a muitas vidas, onde já passaram grupos de raparigas luminosas e de rapazes com chapéus com penas, onde os pequeno-burgueses regressavam às suas casas com a consciência tranquila de terem participado na revolução democrática e nacional. Só que pouco a pouco foram ficando esquecidos como se fossem emblemas infantis. Agora tentamos perceber os croatas, os bósnios e os sérvios e também os russos e os ucranianos e ainda, e para sempre, os árabes e os judeus ou, mais precisamente, os palestinianos e os israelitas. Ficámos a saber que o ódio não necessita de razões verosímeis para vir ao de cima. O ódio contém a característica plausível da sua interminável aleatoriedade. Com ele se justificam as guerras e as razões verticais da paz. Verificámos com toda a intensidade que os guerreiros cegos de Moscovo, ou Kiev, ou Sebastopol, nunca desistiram de ouvir música nos bares ou de pregarem a liberdade do exemplo bélico ou de cantarem refrões inúteis que embalam os bêbados durante as noites de vigília nacionalista. E fumam cigarros amargos. E repetem o seu amor absurdo e impossível uns aos outros, como prostitutas. E dançam pela cidade fora e gritam a sua alegria triste enquanto ouvem música disco-sound com fundo de metralha e de minas antipessoais. Nos intervalos dão uma oportunidade à paz e proclamam-na ao resto do mundo, que já dorme. Mas voltámos sempre a Jerusalém, como se fossemos sombras que se alimentam do silêncio quente do médio oriente. A cidade sagrada revela-se-nos através da janela. Admiramos o seu esplendor feito de nada e de coisa nenhuma. Aqui as preces resplandecem dentro do seu clamor de cristal. De pouco valem. Abandonamos os nossos nomes, porque nos sabem a mel. E isso aqui é perigoso. Deixamos de atinar com quem verdadeiramente somos. A isso nos obriga a tradição. Ajoelhamo-nos junto ao muro sagrado como se fossemos absurdos judeus e também como se fossemos árabes despropositados ou cristãos paradoxais. Afinal somos isso tudo e, ao mesmo tempo, nada disso. Estamos entre o dia e a noite. Havemos de encontrar alguém que definitivamente nos explique esta terra. Descemos ao abismo da sua história cruel, onde todas as religiões monoteístas derramaram e beberam o sangue dos infiéis. Onde a crença entrou por cada poro nos corpos dos mártires e neles causou feridas que deram sempre origem a feridas ainda maiores. Esse é o preço da fé. Aqui ensina-se às crianças como é fácil a morte quando se luta em nome da vida. Aqui trabalha-se o amor a Deus que é o ódio ao infiel. Afinal infiéis somos todos nós. Afinal o céu onde temos o lugar reservado fica no mesmo sítio do inferno que os outros nos determinam. A estrela de seis pontas, o crescente árabe, ou o homem crucificado, pedem-nos que o céu nos observe e nos mostre a porta estreita por onde teremos de entrar. As noites no deserto são como espelhos de mil e uma faces. São como histórias que nos defendem da morte. A sede mais antiga é sempre a que nos salva da certeza da redenção. Dizem que não há milagre como o primeiro. É chegada a hora de lermos em voz baixa o livro antigo que comprámos no alfarrabista, não vá Deus acordar do seu sono. Olhámos pela janela e observámos lá ao fundo a luz que celebra ainda a dor de todos os supliciados em nome da salvação dos crentes. Duas grossas lágrimas brilham no vincado rosto de Deus-Alá. Nos nossos olhos nascem duas estrelas em vórtice. 


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Quarta-feira, 9 de Julho de 2014

Poses


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Terça-feira, 8 de Julho de 2014

Atrás das pombas


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Segunda-feira, 7 de Julho de 2014

197 - Pérolas e diamantes: encerramentos seguidos, novamente, de lamentos

 

Tudo o que aprendi na vida de mais significativo foi à minha custa, que é a forma, todos o sabemos, mais fiável de aprender.

 

Quarenta anos após o 25 de Abril fiquei a saber que atualmente já não existe lugar para as revoluções. E muito menos para as utopias. Estes são os tempos prolíferos para o triunfo dos desavergonhados de toda a espécie. Este é o tempo dos que sabem tirar proveito com rapidez.

 

A mediocridade e a vulgaridade triunfaram em todas as frentes. Os sonhos de algumas décadas atrás, assentes na liberdade, na justiça, na igualdade e na paz, estão hoje reduzidos a cinzas.

 

O sucesso, e o sonho, são do tamanho dos BMW dos triunfadores políticos ou especuladores financeiros, do cartão de crédito dos vigaristas ou da indistinta carta de curso dos governantes.

 

Uma trupe de homens práticos, e de técnicos a soldo dos interesses partidários, instalou-se pelo país fora. Especialmente no coração das autarquias, com o resultado que todos conhecemos. Ganham muito dinheiro dizendo que dizem e fazendo que fazem. E quase sempre sob o manto diáfano do anonimato.

 

As amizades também se pagam.

 

Mas nem só eles têm toda a culpa. Antes assim fosse. Foi lendo a sociedade que os desiludidos da minha geração aprenderam que as revoluções acabam ardendo perpetuamente na fogueira da realidade.

 

Na História da Revolução Francesa, Carlyle escreveu que as revoluções são sempre sonhadas pelos idealistas utópicos dos movimentos, são realizadas pelos seus fanáticos e quem acaba sempre por tirar proveito são os desavergonhados de todas as espécies.

 

Quem, por altura das comemorações do 25 de Abril, ouviu na Assembleia Municipal de Chaves alguns discursos sobre essa data proferidos por algumas personagens atualmente no poder autárquico não pode deixar de chorar tanto de rir. E também de tristeza.

 

Na política, como na vida, há gente que se limita a exercer o talento com que nasceu e a esperar que essa qualidade seja constatada pelos seus concidadãos. Há quem pratique atos desesperados, ou até humilhantes, para atingir a cadeira do poder, trocando a palavra dada por um prato de lentilhas. Há ainda quem se submeta a humilhações públicas para amanhar um tacho. Há mesmo quem consiga ser genial. Mas também existem os que, simplesmente, inventam artimanhas e expedientes que, de algum modo, lhes garantem o sucesso.

 

Querem saber concretamente daquilo que falo? Ai querem? Então aí vai.

 

No dia 4 de junho realizou-se em Vidago a 27ª Cimeira Luso-Espanhola, com a presença dos chefes dos governos de Portugal e Espanha. Também estiveram presentes, em representação da Comunidade Intermunicipal de Chaves (CIM), o seu Presidente, António Cabeleira, acompanhado pelo seu Secretário (aqui grafado com “S” maiúsculo, para não se confundir com outro qualquer, não vão acusar-me depois de faltar ao respeito ao senhor Dr.), João Batista.

 

Na ordem de trabalhos constaram, entre outros assuntos, a permanente desclassificação de serviços, a reforma do mapa judiciário, o encerramento de escolas, o ensino superior e o sistema multimunicipal de água. Temas aos quais, dizem os jornais, o nosso primeiro-ministro respondeu positivamente, garantido a sua intervenção de forma objetiva.

 

E de facto assim foi. A resposta positiva recebemo-la passados apenas alguns dias: a tutela resolveu encerrar a Unidade de Cuidados Continuados de Chaves, que presta assistência a mais de 400 utentes, extinguir mais algumas valências do Hospital de Chaves e fechar várias escolas do 1º ciclo no nosso concelho.

 

O senhor presidente da CIM que, por puro acaso, também é o presidente da Câmara Municipal de Chaves respondeu na sua forma contundente e proativa, como agora sói dizer-se: “Mais uma vez lamento o sucedido.” 


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Domingo, 6 de Julho de 2014

Versalhes


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Sexta-feira, 4 de Julho de 2014

Olhares


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Quinta-feira, 3 de Julho de 2014

Poema Infinito (205): o início da memória

 

Acendem-se fogos nos teus olhos e o teu rosto fica lívido. Este é o início da memória. E ela arde imobilizada. Uma memória imobilizada é como um rubi de sangue. Nela as palavras estão solitárias, chegam umas antes de as outras partirem. Sinto as suas feridas como se fossem as derradeiras lágrimas de Cristo. A noite fica longa e rápida como as asas de uma ave. As horas transformam-se em sílabas precárias e instáveis. Oiço vozes rente às paredes. A memória é agora feita de cinzas e desespero. Também eu guardo o fogo das estrelas dentro dos meus olhos. A loucura dilui-se como se fosse um susto que cresce dentro da nossa voz. Houve períodos em que as terras em redor estavam saturadas de sementes. Nesse tempo os tanques tinham água em abundância. As noites eram férteis. Nesse tempo eu amanhecia pensando em ti. Dali avistávamos o rio que teimava em se aproximar da nossa porta e correr junto ao nosso sono de anjos confusos. O amor era silencioso. O amor ainda é silencioso. O amor ainda é ofegante como um ramo de lírios. O amor ainda é uma fulguração de ouro que se pode ler no teu rosto como se fosse um espelho. Vivo afinal dentro da minha idade assustada. A paixão ainda é sangue. O meu corpo, apesar da sua beleza exígua, está vestido de palavras sufocadas. Tenho dificuldade em me encontrar no meio delas. Uma lâmpada alumia o meu olhar debruçado sobre o teu sexo. O crepúsculo difunde a incandescência do sangue. Fecho os olhos e fotografo o interior do meu corpo. O vento vem agora perturbar a iluminação dos sentidos. Os voos das aves ficam mais lentos. A solidão toma conta delas. A chuva começa a apagar os sinais gravados na natureza pelo inverno. As plantas envelhecem agarradas aos seus aromas. Deito-me no início do teu sonho e espero por ti. Confio que me ensines o caminho apara algum lugar magnífico. A memória constrói novos espaços. Falas-me de um mar íntimo que desliza no teu interior. Eu reparo nas sombras das aves em repouso e penso no frio que por vezes sinto quando abandono alguns lugares. Por isso continuo a escrever como se isso fosse uma doença incurável. Por isso continuo a construir frases que são relâmpagos. Sei que a vida está destinada à demolição. Depois tudo recomeça de novo. Como se a vida tivesse a certeza do seu sentido. A memória chega-me de novo presa em imagens fixas. Das imagens sobram apenas resíduos, como se fossem representações longínquas de uma catástrofe. A minha solidão permanece intacta. Dentro dos retratos começa a surgir uma oxidação que corrói o olhar. As minhas mãos repetem os gestos que lhes surgem do medo, como pedras fascinadas pela luz do luar. É doloroso sentir as fotos propositadamente a dizer-nos como envelhecemos rapidamente. Tu dizes: temos tempo. Ajustamos a alegria à medida dos nossos corpos. Amanhã iremos ver os jardins suspensos da Babilónia. O tempo ilumina-se em contacto com as palavras, mesmo que não lhe capte o sentido mais profundo. O tempo tem o sabor amargo do desaparecimento. E isso dói. Ao teu rosto basta-lhe uma réstia de luz para se iluminar como uma catedral. Pressinto em ti o aroma luminoso da terra molhada semeada de estrelas fleumáticas. Continuo a viver dentro do teu epicentro, em cima de números mágicos, embriagado pelo orvalho da manhã. Continuo à procura do fogo sagrado e a escrever as palavras que se confundem contigo. Os meus olhos continuam presos dentro dos teus. 


publicado por João Madureira às 07:45
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Quarta-feira, 2 de Julho de 2014

À volta dos potes


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Terça-feira, 1 de Julho de 2014

Varanda


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