Domingo, 31 de Agosto de 2014

Padre Fontes


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Sábado, 30 de Agosto de 2014

Barroso IX


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Sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

Barroso VIII


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Quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

Poema Infinito (213): construção

 

Em cima do horizonte brilha a calma que se abre e aumenta como uma coroação de estrelas primitivas. O mundo amadurece como um todo. A água palpita como se fosse uma membrana. Os astros são labaredas opulentas que se abrem como chagas em combustão. Alguém grita de júbilo como uma imagem em efervescência. Tremem os dedos de Deus. A matéria ou arde ou se afoga. A morte é um grito de estrangulamento. Brilha a água. Brilha o gás. Brilha o medo. Tudo respira com mais força. Sente-se o júbilo do sangue. As paisagens iluminam-se de angústia. As formas são fluxos de assombro. A transparência da vida sustenta as estrelas. Todas as coisas são metáforas dentro de outras metáforas. A música é o limite do mundo. Os instrumentos nascem da terra como árvores. O mundo é agora uma magnífica e imensa massa orgânica. Iluminamo-nos. Tu levantas soberbamente o rosto. Todo o poder divino se baseia no medo. As nossas mãos brilham quando se abrem. Os caminhos estão repletos de obstáculos, neles estão espalhados signos falsos. As margens do tempo movem-se. O mundo é uma amálgama de esfinges. O meu corpo guarda a lembrança excessiva do teu. Os insetos brilham. Vejo Eva a sair do paraíso. Vejo Deus a sair do inferno. Tento agarrar as palavras. Os campos ficam paralisados pela invasão da água. As crianças recriam-se com os trovões. Dentro das árvores, as aranhas tecem o tempo da expetativa. Espantamo-nos com a fuga dos espíritos. As formas abandonam os corpos, alongam-se, deformam-se e mergulham dentro do reflexo da lua sobre o rio. Os murmúrios escondem-se dentro do silêncio. O silêncio esconde-se dentro de nós. A tempestade de Deus surge montada num alazão vermelho empunhando um dardo amarelo. Os espíritos espalham-se pelas árvores como se fossem frutos. Algumas sombras desfazem-se, outras pintam-se de branco. Nas praias bravias, as raparigas dançam por entre as ondas e ameaçam as sereias. Os rapazes ficam com os membros eretos. Tudo fica mais geométrico. Depois fazem amor da maneira mais vulgar. Transformam-se em símbolos. Guardam segredos. E tornam-se tão evidentes como as pétalas dos malmequeres. O fio do tempo fica completo. A vida olha para o mundo através dos nossos olhos. A beleza torna-se curva e dança. O desejo remanesce indefinido. De repente a memória rompe as trevas e emerge intacta no mar do tempo. Os degraus do futuro tornam-se infinitos. Aos deuses das pequenas coisas deu-lhes para ficarem reféns da sua própria alegria. Rejubilam por serem agora ferramentas sonoras que pretendem construir o desejo e domesticar a loucura. Muitos ficam prisioneiros dentro dos seus próprios sonhos e disfarçam-se de crianças monótonas. E passam a falar com as mãos. E constroem os lugares de silêncio onde os poetas enlouquecem escrevendo com os seus dedos apavorados e melífluos. A sua inocência desenvolve-se quando pretendem explicar a vida. Essa é a sua sinistra fantasia. São como estrelas que mudam de cor. Enaltecem agora os dias de luz onde se sentem levitar. A sua solidão é a forma mais abstrata de violência. 


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Quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

Barroso VII


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Terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Barroso VI


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Segunda-feira, 25 de Agosto de 2014

203 - Pérolas e diamantes: monomanias

 

A minha avó dizia muitas vezes que por necessidade até um pardal canta como um rouxinol.

 

A necessidade é que cria a vulgaridade. Mesmo quando ela se reveste de um empréstimo de vinte milhões de euros para que a nossa autarquia possa funcionar durante mais algum tempo.

 

Depois há a vergonhosa vulgaridade dos votos pressionados.

 

Sim, a vulgaridade tem um enorme poder. Especialmente se nos encontra desprevenidos a olhar espantados para o que nos rodeia. Nessas alturas cai-nos em cima com as suas garras.

 

Mas será que os políticos são assim tão maus? Tão maus assim não sei se são. Mas cansam-nos a falar. Existem alguns que são como Porfírio Vladímiritch, “fazem-nos apodrecer com as suas palavras”.

 

E isto não acontece porque o mundo da política se divide entre conservadores e progressistas.

 

Vistas bem as coisas, todos nós somos um pouco conservadores. O que, pela mesma ordem de ideias, nos leva a deduzir que todos podemos ser pessoas reativas, que de vez em quando despertam do seu sono profundo para combater a ameaça de rotura social e financeira que ronda o nosso Estado e, sobretudo, a nossa autarquia.

 

Como defende João Pereira Coutinho, «reagir» por si só significa pouco, mas mesmo assim é o primeiro passo para defender o que se encontra sob ameaça.

 

A nossa autarquia pensou sempre que era possível reduzir os nossos problemas a simples equações ou postulados matemáticos. Ou seja, que a razão dos números acabaria por resolver todos os problemas.

 

É aqui que radica o principal erro dos políticos vulgares, especialmente os que se autointitulam de conservadores, polvilhados com uns pozinhos de social-democracia.

 

Esses confundem a política com um cálculo matemático e os cidadãos com meros enunciados de uma equação.

 

Quando lhes falamos de política eles respondem-nos com números e quando lhes falamos de números eles vêm-nos com a política.

 

E as margens de erro já são tantas que invariavelmente mexem com a nossa vida do dia-a-dia.

 

Nós não somos, por mais que insistam no contrário, simplificações numéricas ou abstratas. Nós somos seres humanos concretos.

 

João Pereira Coutinho, o paladino nacional do Conservadorismo, afirma que «o conhecimento imprescindível para qualquer agente político será um conhecimento apropriado para a natureza da sua função”.

 

Em política é sempre bom ter presente o sentido da realidade. Da realidade e das circunstâncias. Churchill dizia que «por mais absorto que um general esteja na elaboração das suas estratégias, às vezes é importante ter o inimigo em consideração».

 

Convém também lembrar as palavras de Isaiah Berlin: «A total liberdade para os lobos é a morte dos cordeiros.»

 

O filósofo e historiador britânico Michael Oakeshott, sabendo que nós ocidentais, por hábito, toleramos monomaníacos, perguntava-se «por que motivo devemos ser governados por eles?»

 

De uma coisa podem estar seguras as gerações vindouras, administrados por pessoas como as que nos tocaram em sorte, em vez de uma «casa» herdarão uma «ruína».

 

PS – Para que os flavienses não fiquem com a impressão, incorreta por certo, de que o acordo estabelecido entre o PSD de António Cabeleira e o vereador eleito em nome do MAI, não foi a derradeira tentativa para que a prometida, e devida, auditoria externa às contas da CMC não vingasse, aqui fica mais uma vez o nosso apelo ao senhor presidente da autarquia flaviense, e aos seus distintos vereadores, incluindo necessariamente João Neves, para que, em nome da transparência e do bom nome da Câmara de Chaves, aprove uma auditoria externa às contas da CMC.

 

Passaríamos todos, com certeza, a dormir um pouquinho mais tranquilos. 


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Domingo, 24 de Agosto de 2014

Olhares


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Sábado, 23 de Agosto de 2014

Sorriso


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Sexta-feira, 22 de Agosto de 2014

Olhares


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Quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

Poema Infinito (212): metamorfoses

 

Vivemos no esquecimento das metamorfoses nascidas em dias preguiçosos. Elas prolongam-nos o prazer e a dor. O seu eco ressoa no ar da noite ativa. A angústia é agora uma carícia intemporal. Aproximamo-nos da nossa consciência cósmica. Vivemos com a finalidade de nos transformarmos em raízes. Elas são o nosso limite. As paredes das velhas casas desmoronam-se e choram em silêncio. Elas são o próprio silêncio. Tudo à sua volta possui a forma insensata do abandono. Os poucos idosos que ainda permanecem sentados na soleira das portas transformam-se em videntes. Todos cegaram. Agora apenas se mostram de perfil. A sua saúde unicamente aceita o sofrimento da luz. A sua aparência tem a forma das flores insípidas. Eles brotam do nada como o tempo. Não têm vergonha. São tão vagos como a luz do sol ou como os rios longínquos. A sua sabedoria celebra as estrelas e a noite. O seu tempo transborda. Obedecem apenas às impiedosas leis da urgência. As noites são agora nuas. São como mulheres claras de luar. A sua beleza apaga-se. Os idosos cantam tentando salvar-se dentro da sua solidão trágica. Os seus lábios ficaram lisos como pedras roladas. Nos campos nascem agora flores sem remorsos. Flores que não choram. As manhãs acordam quase sempre mal dispostas. São como comediantes amargos. Os idosos lembram-se de quando eram jovens e viviam apaixonados pela sua nudez e pela obsessão de vestir bem. Falavam quase sempre de lado e os seus olhos brilhavam sem calor. Falavam com muita consciência pois pensavam dessa forma evitar o envelhecimento. Foram eles que construíram a sua própria prisão. O mundo tinha a coloração dos seus sonhos escondidos nos baús. Apenas cultivavam a eternidade. Por debaixo dessa fina membrana, a realidade era gelada. Quando cresceram foram embebidos pelo tédio. E por aí se perderam. A imagem que tinham de si perdeu a inocência. Mas, por incrível que pareça, continuou inocente. Começaram a ser habitados pelas sombras. Começaram a matar a realidade bebendo vinho transparente e provando palavras judiciosas. Tremiam só de pensar em escapar a esse seu mundo indispensável. Aprenderam tarde demais que não existe insensatez dentro da loucura. De seu apenas possuem o seu sofrimento. Esse é o seu quinhão de sorte. Por isso sorriem como se estivessem mortos. E suam quando choram. Gostam de ser objetos de piedade. E têm uma vontade desvairada de comer e beber. Quando dormem sentem sempre uma nostalgia ardente. Esse é o seu penoso esforço de misericórdia. O seu coração, apesar da dor, está sempre vazio. Nos seus olhos a aurora ainda escavou um pequeno nicho. Em breve perderão a sua aparência e serão outra vez terra. Ganharão então a total plenitude da inexistência. Acolherão os prodígios e os mistérios. Serão bruma. Serão sementes de vento e memórias desconhecidas. Serão os olhos da noite. Serão tempestades, fumos de outono e cinzas de inverno. Serão florestas. Serão a boca imóvel de Deus. Serão as horas desfeitas. Serão a total ausência. Serão o tempo envolto pela sua mortalha branca. Serão as pérolas negras do esquecimento. 


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Quarta-feira, 20 de Agosto de 2014

Lavando as alfaces


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Terça-feira, 19 de Agosto de 2014

A senhora das flores


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Segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

Dois contos barrosões

 

 

1 - O boi da corte

 

 

Veem o Larouco lá em baixo? Era ali que eu gostava de viver, entre a relva fresca e verde, entre as nuvens, o ar puro e os animais selvagens. Tudo menos andar rodeado de seres humanos que apenas me utilizam para competir simbolicamente em nome do seu pretérito orgulho tribal. E eu não gosto mesmo nada de andar por aí às marradas aos outros bois como se eles fossem os meus inimigos. Inimigos são os homens que me fustigam o lombo com as varas quando vou para o campo de batalha, quando perco a luta ou mesmo quando a ganho. Tristes ou alegres, derrotados ou vitoriosos, dão-me sempre com os varapaus nos costados. E eu ali a aguentar o desaforo. Por vezes só me apetece lançar-me a eles às cornadas e projetá-los lá bem para longe. O que eu queria de verdade era andar por esses pastos fora em liberdade e não fazer o papel de boi da Corte, como antigamente os bobos eram obrigados a representar aos pés do seu rei. Antigamente éramos os bois do povo, agora somos os bois dos parvos ou de um patrão que nos utiliza como animais amestrados de circo. E lá se foi a simbologia totémica, a virilidade serrana, a força telúrica do seminal. O que mais desejo é ver-me livre destes patetas e ir correr à desfilada pôr esses campos fora à procura de uma vaca que me espere e deseje. Uma vaca redondinha, amável e prazenteira. O resto é-me indiferente. E por agora é tudo, porque já ali vem o meu tratador para me levar para o estábulo. E eu que enjoo quando ando na camioneta. Ó triste sina a minha!

 

 

2 - O solilóquio libidinoso sobre um boi de barroso de uma digressionista ocasional logo após uma chega

 

 

Vou filmar este bicho espantoso enclausurado dentro do contentor da camioneta. Depois da vitória, o encarceramento. Ó desconsolada ironia! Já filmei o animal a turrar com o seu competidor. Já o filmei a resfolegar. Até já o cinematografei a espumar de irritação. É um magnífico animal, sem dúvida. Uma autêntica força da natureza. Um cântico à virilidade. E que genitais, meu deus! Que genitais! Que quadris! Que força! Quando mostrar isto à Mimi de certeza que vai alterar-se copiosamente e sorrir. Ela adora animais potentes. Ela é doida por genitais. Tudo o que sugere virilidade a aproxima da parede. E ela adora ser encostada à parede. Ou estendida no chão. Ou assentada metodicamente numa mesa. Este toiro bravo faz-me evocar o Manuel. Era ele um autêntico beligerante. Era montês a esgrimir gládios. Era arrojado e destemido. Saracoteava com muito talento a silvestre agitação dos guerreiros. Agora vou confeccionar um grande plano do frontispício do viril bovino para cinematografar os seus olhos. Olhos serenos. Olhos diligentes. E que genitais, meu deus! Vou também filmar os chifres. Armadura alta. Arnês apontando o céu. E que genitais, meu deus! Também tem o dorso bem desenhado, pernas enérgicas e locomoção segura. E que genitais, meu deus! Que potência! São testículos telúricos. Uma ejaculação deste bichano deve ser como uma trovoada de Verão. Tem os músculos bem tonificados. E que genitais, meu deus! Nunca pensei que existisse realidade tão magnificente. A penetração dum bicho destes deve deixar a fêmea em estado de deslumbramento. Quando se desloca parece dócil. Mas quando investe contra o adversário até o piso tirita. Provoca cútis de galinha e tremores na espinha aos indivíduos alterosos. E que genitais, meu deus! Que genitais! Genitais destes são um excelso cântico à multiplicação indómita. E o Manelinho!? Bem, o Manelinho quando observar estas expressivas imagens vai dar saltinhos de contentamento. Vai emitir gritinhos de luxúria. Vai irradiar vagidos sincréticos e apologéticos. Mas que genitais, deus meu! Que opulência reprodutora! Que idiossincrasia indomável! Que estratégia construtiva! Que genialidade! Que genitais, meu deus! Que genes e tais! Bem alentados os genes. Bem ocorridos os garanhões informais. Bem-aventurados esses.


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Domingo, 17 de Agosto de 2014

Versalhes V


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Sábado, 16 de Agosto de 2014

Versalhes IV


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Sexta-feira, 15 de Agosto de 2014

Versalhes III


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Quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

Poema Infinito (211): a dor e a forma

 

Todas as aves migratórias vêm de países pálidos, cruzando as constelações austrais. Hoje passeei pelos caminhos estreitos da minha terra e neles desenhei o meu itinerário e a minha concordância. O horizonte parece um cálice divino. Os lagos são como recipientes boreais. Transformam a luz azul em silêncio. O crepúsculo transforma-se num utensílio vivo e incendeia as margens do rio. O tempo fica curioso e impregnado do seu desígnio. Esses são os alicerces do tédio. A planície é um vestígio de auras vocabulares. Nos sulcos correm murmúrios. Os homens invocam bebedeiras obsessivas e reconstituem os fragmentos indecisos da infância. As suas brincadeiras tumultuosas, as tardes revestidas de insinuações e desejos, os silêncios antigos da morte, a cintilação das terras aradas, a música luminosa dos abismos, a embriaguez dos caminhos, os assobios de quartzo e os incêndios matinais. E para ali ficam de olhar fixo observando o pintor que lhes fixa a segurança das mãos como se fossem feitas de carvalho. Também eles têm a sua metafísica própria. Por vezes o calor de verão perturba-os e eles sentam-se nas varandas rezando vontades. Têm medo da sua instabilidade religiosa. Por isso repetem as suas experiências incaraterísticas e deixam que o tempo lhes domine o entusiasmo e lhes apague o caráter. Alimentam o seu desencanto enquanto dormem. Os seus sonhos estão cheios de tempestades. Durante os pesadelos estabelecem contacto com a necessidade do apaziguamento. Por vezes conseguem sobrepor-se aos aspetos e estabelecem contacto com a alegria. Ficam iluminados. E desenham os pretextos da respiração dos filhos, a linguagem obediente das serras, a geometria do vento que agita as árvores, a música indecisa do tempo, a disponibilidade para o sofrimento, a segurança solitária das dúvidas, a claridade abstrata da justiça, o esquecimento, a metáfora dos murmúrios, o delírio seco da ignorância, o movimento caligráfico do medo, a inspiração antiga, o imponderável voo dos melros, a rigorosa imobilidade das paisagens, a realidade e as suas sombras, o tempo que chega e o tempo que parte. Agora sentem todo o volume dos corpos e neles guardam todas as suas tradições. Observam-se. Pensam na cor trágica dos dogmas e como seria bom beber as estrelas aos golos. Os montes são agora espaços simbólicos onde florescem várias e distintas metáforas vegetais. O destino é construído com rimas alcoólicas. Por isso é tão fixa a sua indecisão. Sentem a amizade como um pressentimento luminoso. E lamentam as paisagens abandonadas e os horizontes soluçantes que ensombram a razão. Por isso o seu olhar é tão incerto e tão silencioso. Nas suas cabeças as promessas ficam cada vez mais solitárias e tão ácidas como os poemas trágicos. O mundo é uma vocação formal. A eternidade possui os limites interiores dos mares onde o tempo é um ritual incerto. Oiço o vento e os móveis antigos que repousam inúteis espalhados pela casa. Oiço os quartos e os anos guardados dentro das arcas. Todo o meu corpo estremece. As sombras vagueiam pelo chão e pelas paredes. As aranhas transformaram-se em relíquias. Apenas a chuva recita poemas. Lá ao fundo a dor espreita preenchendo com rigor todas as formas de pensamento. 


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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

Versalhes II


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Terça-feira, 12 de Agosto de 2014

Versalhes I


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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

202 - Pérolas e diamantes: o milagre do voo seguido de apelo

 

Foi ainda antes das coisas acontecerem que um meu amigo, relativamente à futura conduta do candidato que apoiei nas últimas eleições autárquicas, me disse o seguinte: “É tão possível ele ser aquilo que tu dizes como um bezerro conseguir voar se se puser no meio do lameiro a abanar as orelhas.”

 

Eu fiz de conta que não ouvi. Por vezes a verdade pode ser cruel. Mas, mesmo assim, não deixa de ser verdade. O tempo deu-lhe razão. E por inteiro.

 

Agora rio-me tanto como quando era pequeno e a minha mãe me fazia cócegas na barriga. Eu sempre fui muito coceguento. Por isso fugia sempre que ela se preparava para me friccionar com álcool com a intenção de me aliviar de alguma maleita. Essa era uma forma de violência. A mentira é outra. E bem maior.

 

Vivemos no tempo do Homem-Fútil, do Homem-Ninguém, onde as almas já não se vendem ao Diabo, mas ao Chefe Político, ao Banqueiro ou ao Empreiteiro.

 

Como escreveu Robert Benchley, “o que conta não são tanto as pequenas coisas da vida, mas sim a pequena vida nas coisas. Quanto menos vida há num homem, mais feliz ele é”.

 

A dimensão política desta gente e a sua capacidade para resolver os problemas das populações pode resumir-se nesta pequena história que vos vou contar. Lá em casa houve necessidade de fazer umas obras. Tivemos logo dificuldade em encontrar um carpinteiro e um canalizador. Disseram-nos que só estavam disponíveis na semana seguinte ou dali a quinze dias. O operário da construção civil e o especialista do gás nem sequer se mostraram interessados. Mas conseguimos encontrar uma pequena empresa de peritos que aceitaram ir lá a casa no dia seguinte para ver o que se podia fazer.

 

Em apenas um dia ficou pronto o diagnóstico das necessidades. No entanto continuamos à espera do carpinteiro, do canalizador, do operário da construção civil e do especialista do gás.

 

Isto tudo, independentemente da gravidade da situação do desemprego.

 

Depois existe a questão da dívida da nossa autarquia. E também a do país. Bem vistas as coisas, o dinheiro não chega e, sobretudo, foi mal gasto. Mas também por cá se diz que antes de se gastar chega sempre.

 

Nós somos tão crédulos que estamos perfeitamente convencidos de que se entrarmos numa cabine de voto e pusermos uma cruz num determinado quadrado os problemas ficam logo resolvidos.

 

Transformamo-nos naquele ladrão que foi incumbido de apanhar o outro ladrão.

 

A importância do discurso destes senhores começa desta forma: “Não irei ocupar esta noite muito do vosso tempo.” E termina passado uma hora com a seguinte frase: “Mas já ocupei por demais o vosso tempo.”

 

Que me perdoem as exceções, mas a grande parte dos políticos que nos governam possuem os traços comuns do personagem Pável Vladímiritch, do romance A Família Golovliov, de Saltykov-Shchedrin: “Talvez fosse bondoso, mas não mostrava bondade por ninguém; talvez fosse sensível, mas em toda a sua vida nem uma só vez fizera qualquer bem. Era hospitaleiro, mas a ninguém dera hospitalidade; gostava de gastar dinheiro, mas isso nunca trouxe bem ou prazer a ninguém…”

 

PS – Seriamente inquieto e preocupado com o que vejo ocorrer de norte a sul de Portugal, incluindo necessariamente as ilhas, relativamente às contas autárquicas, às dos bancos e às do governo do país, venho, em nome de, pelo menos, mais de metade dos eleitores flavienses que votaram nesse sentido, solicitar ao senhor presidente António Cabeleira, e demais vereadores, que aprovem uma auditoria independente às contas da nossa autarquia. Quem não deve não teme. E à mulher de César não lhe basta ser séria, tem de parecê-lo. Assim poderemos todos dormir um pouco mais descansados.

 

Em nome da transparência das contas públicas, declaro que renovarei este meu apelo todas as semanas enquanto não for satisfeito. A isso me obriga a minha consciência e também a de todos os eleitores que votaram no projeto do MAI. 


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Domingo, 10 de Agosto de 2014

Sorriso


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Sábado, 9 de Agosto de 2014

Jogando as cartas


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Sexta-feira, 8 de Agosto de 2014

Poldras


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Quinta-feira, 7 de Agosto de 2014

Poema Infinito (210): germinação

 

O teu olhar guarda harpas. A luz germina nas nuvens. O mar é uma nau infinita de azul. Os campos cheiram a sol e a terra semeada. Sou um pássaro de distância. Levanto voo devagar carregando dentro de mim ilhas adjacentes. Os amantes, já velhos, citam saudades. Saudades dos rios cavados pelos seixos e de árvores longínquas. Saudades das suas mães mondando flores silvestres. Agora a sua sede é anil. As mãos sustêm a glória dos seus corpos e descobrem o sentido das coisas. O silêncio é uma catedral de vento. Na minha memória, o lenço da minha avó floriu enquanto ela se penteava. O seu rosto ficou redondo e o seu corpo permaneceu alto como um freixo. Voam no tempo os gestos perdoados. As carícias pesam como chumbo. O silêncio acentua-se na tua face. A primavera cada vez demora mais. Tudo agora é breve e lento. Os deuses são remotos. Parecem homens perdidos no mar, ou no deserto. Homens que gastam toda a sua energia enquanto sonham e que esperam as horas submissos deixando o seu tempo intacto. A saudade é uma névoa que se estende para lá do horizonte. Aí estão os homens que são desperdícios de anjos. Aí estão as mulheres que são sobras de estrelas. Aí estão as sinuosas linhas das nossas vidas. Os nossos olhos são como pérolas secas. A saudade é uma maré de tristeza. A nossa voz deixa-se percorrer pelo vento e os nossos passos esboçam desenhos inúteis. Toda a distância é líquida. Por isso a minha alma veste-se de choro e desilusão. Tudo fica abstrato na minha cabeça. O mar tinge-se de branco e nele navegam estrelas de perfil. Os navegantes vestem-se de lágrimas e põem-se a olhar para o infinito enquanto suspiram. Antigamente, as crianças acordavam cedo e espreitavam o dia. Agora carregam vagares que crescem em espiral. Toda a tristeza é um rebanho de saudades. Já não existem filhos pródigos nem gritos no vento. Agora a fúria é vã e tão estéril como a cobardia. Quando me falam de verdade já nada entendo. Embaraço-me com as tardes. As palavras ficam do tamanho da espuma. Todos os caminhos empreendidos ficaram a meio. Os sonhos empanturraram-se de repastos frugais. As imagens encheram-se de neblina. Até os anjos são agora inseminados artificialmente. Este é o tempo de homens cobertos de penumbra que beijam os anjos na face e empalidecem de prazer. O amor entardece vagamente. Os olhos dos deuses ficam invisíveis e nem assim choram. O passado possui o perfume da morte. O destino vibra antes de acontecer e entranha-se na alma dos poetas. O sexo é a inocência a arder. Por isso os jovens recusam carícias demoradas. Por isso os seus corpos são poemas. Daí acreditarem que existem guerras justas. Daí apreciarem o cheiro perigoso da glória. O seu tempo não é de tristeza nem de alegria. Passeiam na tarde a sua ilusão contida. E correm com andamentos de seda nas avenidas do vento. São como flores abertas ao sol. O seu silêncio é sobrenatural. Tentam muitas vezes apartar as sombras do caminho. Dançam como peixes poéticos. São como pássaros leves de coração pesado. O tempo voa sobre as flores indiferentes. A vida transforma-se num verbo moral. Tudo fica breve. Mais uma vez ficámos sem compreender o tempo que dura o eterno retornar. 


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Quarta-feira, 6 de Agosto de 2014

Concentração


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Terça-feira, 5 de Agosto de 2014

Sorrisos


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Segunda-feira, 4 de Agosto de 2014

201 - Pérolas e diamantes: de joelhos

 

Cresci a ver beijar o pão e a adorar os livros e a leitura.

 

Em casa da minha avó, sempre que um pão caía ao chão, era de imediato apanhado, beijado e benzido. O distraído pecador fazia ainda o mea culpa em sinal de respeito.

 

Eu também assim procedia. No entanto, juntei a benquerença e o respeito quase religioso pelo pão, ao amor pelos livros. 

 

No fundo, o pão é a comida para o corpo e os livros são o alimento da alma.

 

Ainda hoje me choca conhecer pessoas que troçam do ato de ler. Isto para não falar dessa coisa bizarra que é escrever.

 

A todos eles lembro que a revolução democrática checa começou nos teatros e foi liderada por um escritor.

 

Foi com a literatura que me habituei a compreender o absurdo da vida em sociedade. Foi lendo Moby Dick, de Herman Melville, que dei de caras com a parábola do homem moderno. E que continua tão real que até dói. O capitão Ahab, arreigado ao seu fascínio, morre; enquanto Ismael, um homem despojado de sentimentos e de convicções, sobrevive.

 

Ou seja, o homem egoísta moderno, centrado apenas na sua vida, é o único que consegue sobreviver. Os que buscam um ideal morrem por ele e desaparecem nesse mar de indiferença que é a memória dos homens.

 

O Bom Déspota, de José Eduardo Agualusa, bem nos ensina: “Nunca fales tão bem de uma pessoa, que não possas falar mal mais tarde. Nunca fales mal de alguém, que não possas falar bem mais tarde.”

 

Numa leitura próxima da realidade, o que ele nos quer dizer resume-se a duas palavras: “Nunca fales.”

 

Diz também o Bom Déspota que o silêncio desorienta os adversários. Concluindo que “no inconstante mundo da política só existem adversários”.

 

De seguida até nos oferece um ensinamento: “Aqueles a quem chamamos carinhosamente camaradas, ou partidários, não são outra coisa senão adversários que, num determinado instante, estão do nosso lado. Quase sempre são muito mais perigosos quando estão do nosso lado.”

 

Winston Churchill ensinou que o segredo da longevidade, sobretudo na política, está na poupança de energia. Ou seja: para quê estar em pé quando podemos estar sentados? Para quê estar sentados quando podemos estar deitados?

 

Por cá, essa dita longevidade vai numa dívida que anda à volta dos 60 milhões de euros e encobre-se em palavras tais como, e passo a citar o senhor presidente da Câmara: “Queremos continuar a ter condições para fazer os investimentos necessários para o desenvolvimento do concelho.”

 

Após ler estas lindas palavras de circunstância lembro que Winston Churchill se esqueceu de uma postura intermédia: a posição de joelhos.

 

Daí talvez o mote do 31º aniversário do Hospital de Chaves, este ano coincidente com a perda de mais valências, ter sido: “Estética do Silêncio em Ambiente Hospitalar”.

 

Em casa da minha avó também se espargia o sal para afastar os bruxedos, o mau olhado e o demónio.

 

Parece que finalmente o Museu Nadir Afonso se libertou das maldições. Se foi com sal ou sem ele, não sabemos. Mas com alguma coisa terá sido. Talvez uma ida à bruxa de Verin, que é perita nesse tipo de assuntos. E agora com a Eurocidade, talvez o trabalho fique ao preço do estudo para posterior restruturação da dívida camarária, uns míseros 30 mil euros.

 

Álvaro Siza Vieira descansou-nos: as obras do Museu Nadir Afonso estarão concluídas em Setembro.

 

Mas o senhor arquiteto, o das construções, não o da política, nada disse sobre o total do custo da obra. Nem tinha nada que dizer. Os serviços camarários fizeram-nos esse favor, pois para isso é que existem: 10 milhões de euros.

 

Nós, por causa das coisas, até nos atrevemos a ir um pouco mais longe. O custo inicial previsto do dito museu orçava os 5 milhões de euros. Mas o preço final previsto é de apenas 10 milhões de euros. O desvio é, num cálculo simpático, de somente 100%. Ou seja, fez-se um Museu pelo preço de dois. Esta é a excelente gestão de António Cabeleira e dos seus vereadores. A obra foi custeada exclusivamente pelo setor público nacional e comunitário.

 

Sobre a gestão futura do equipamento nada se disse. É segredo. 


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