Terça-feira, 31 de Março de 2015

Em Versalhes

_JMD0561 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Segunda-feira, 30 de Março de 2015

233- Pérolas e diamantes: a humildade e o orgulho

 

 

Quero crer que existe uma verdade que ainda poucos se atrevem a admitir, uma vez que é opinião quase unânime de que os partidos e os políticos são todos iguais: ainda há políticos e partidos que são diferentes, para melhor, claro está.

 

Admito que isso é verdade. Sempre achei que a humildade perante os factos é a única coisa capaz de salvar a democracia e a liberdade. Como lembra Thomas Lang, ou melhor, Hugh Laurie: sê humilde perante os factos e orgulhoso perante as opiniões.

 

Tudo isto vem a propósito de um homem e de um partido que ele formou à sua imagem e semelhança. Um homem desassombrado, íntegro, frontal, sincero e com uma vida profissional, política e social transparente.

 

Falo-vos de Marinho Pinto, e do PDR, um português que sempre defendeu a humildade perante os factos e sempre expressou as suas opiniões com orgulho e sem papas na língua.

 

Em apenas dois meses à frente do Partido Democrático Republicano conseguiu a proeza de o colocar nas sondagens com 5% (à frente do CDS, BE, PL e muito próximo do PCP), numa posição de poder influenciar o próximo governo.

 

Sobre as sondagens disse que é daqueles que só faz prognósticos no fim do jogo. Pois elas servem para embriagar quem as compra.

 

Em entrevista à revista Sábado, definiu-se como um republicano que se revê na grande virtude dos ideais da República, a humildade democrática, não só na política, como em tudo na vida. “Em período de arrogância e soberba, ser humilde é uma vantagem competitiva.”

 

Apesar das sondagens já darem o seu partido como o “desempata” das próximas eleições, Marinho Pinto é perentório: “Não seremos muleta de ninguém, seja qual for o resultado. Concorremos para apresentar um programa de inovação, de mudança da vida política, de mudança do País. É necessária uma quarta república. A refundação da república.”

 

Questionado pela Sábado sobre se tem preferência pelo PS ou pelo PSD, afirmou que a preferência do seu partido é por políticas. “Nem estamos aqui à procura de alianças. Porque não estamos à procura de lugares.”

 

Sobre o PS, considera que tem condições para ter uma votação razoável, mas bem longe da maioria absoluta, provavelmente pior do que aquela que António José Seguro teve e que levou ao seu afastamento.

 

Mas foi sobre António Costa que disparou a sua forte argumentação: “António Costa é um bluff político. É um jotinha que está a chegar a velho sem ter sido adulto na política. Começou aos 14 anos e anda desde os 14 anos nesta intrigalhada, nestas redes de conspirações, nesta teia de cotoveladas, de facadas nas costas, de traições, é isto que ele sabe fazer. Aquilo que fizeram ao António José Seguro é inqualificável do ponto de vista político.”

 

Mas não se limitou a ficar por aqui. Esclareceu que a traição ao ex-líder do PS, por parte de António Costa, demonstra que quem manda no PS é “uma clientela ávida de poder, para satisfazer necessidades pessoais, contra o País.”

 

Na sua opinião, os vários partidos políticos do Bloco Central dos Interesses (BCI) apenas se têm preocupado em satisfazer “a gula insaciável” das clientelas parasitárias que gravitam em seu redor.

 

Para o líder do PDR, Pedro Passos Coelho, que prometeu concursos públicos, enxameou o Estado de boys laranjas, “porque são essas clientelas que mandam nos partidos e escolhem os líderes”.

 

Esclareceu que as suas críticas a António Costa não se destinam a conquistar votos no eleitorado do PS. A mensagem do PDR destina-se àqueles que desacreditaram da política e já não votam. “Quero-lhes levar uma mensagem de esperança. Quero que voltem a acreditar na política, dizendo-lhes que temos sido mal governados e mal dirigidos, as nossas elites em muitos aspetos traíram os nossos interesses, mas é na política que temos de resolver os problemas do País.”

 

 

 

 

PS – Tchékhov dizia que “a arrogância é uma qualidade que fica bem aos perus”. Por isso, não nos cansamos de solicitar ao senhor presidente da CMC e aos seus distintos vereadores, que aprovem uma auditoria independente às contas da nossa autarquia. Quem não deve não teme.

 

PS 2 – Também em nome da transparência, já agora senhor presidente, talvez fosse boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da JF de Santa Maria Maior.

 

PS 3 – Era um ato de coragem redentora, o senhor presidente deixar-se de desculpas de mau pagador e pôr fim ao deplorável espetáculo dos esgotos a céu aberto em Vale de Salgueiro – Outeiro Seco.


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Domingo, 29 de Março de 2015

Na cozinha

São Sebastião Couto de Dornelas 2015 029 - Cópi

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 28 de Março de 2015

Olhares

DSC_1568 - Cópia.JPG

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Sexta-feira, 27 de Março de 2015

Olhares

DSC_0064 - Cópia - Cópia.JPG

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Quinta-feira, 26 de Março de 2015

Poema Infinito (243): verdade?

 

 

Gravita no anil a crispação sonora dos rouxinóis. A aldeia está serena. As searas ondulam. A noite teve o seu ataque de epilepsia. Pelos caminhos andam os homens amargos cobertos pela sua nudez hiperbólica. Antigamente, à luz dos lampadários, distribuía-se o pão e a salvação. Abraçava-se a Lua. Os campos pareciam felizes. As rolas entoavam baladas tristes. Os cardos exibiam as suas setas aguçadas, os silvados floriam, a terra ria-se, os bois ruminavam. A tristeza era heroica. As crianças saltavam pelos matagais e desciam às fontes a sorrir e a cantar. Depois chegaram as cidades, desmedidas como o gigante Adamastor, condenando o nosso pequeno mundo. O seu prazer era feito de mágoa. Pelas estradas, o vento passeava a sua fúria inconstante. Janeiro era um mês de sombras e de espectros adivinhos. O frio açoitava as vielas. O tempo mudava a rama dos ciprestes. As oliveiras afastavam o ódio e a guerra. Na tua boca rebentavam já os primeiros beijos. Vivíamos ao ritmo das orações. Nas varandas, as manhãs depositavam o orvalho e a inquietação sôfrega de viver. A verdade era crua e fria. Falávamos da saudade e também da sua ausência. E da angústia. E do gosto amargo da infelicidade. Invocávamos a desolação dos jardins e nela colocávamos os sonhos, a comoção do amor, as raízes do desejo, o tom severo do desassossego. Os teus olhos ficavam rasos de água. Confidenciavas-me o teu silêncio. A beleza possui a sua própria arrogância. Estrelas novas povoavam o céu. Os altares das igrejas ficavam azuis, os olhos dos devotos dilatavam-se. As almas sagradas entretinham-se a brincar o jogo da vida e da morte. Descobrimos que Deus nunca se iria casar. Os sonhos passaram a ser incertos. Misturaram-se com a névoa das manhãs. Pensar em viajar era o início de um agoiro com sabor a tempestade. Acrescentávamos mais ânsia à própria ânsia. Aos homens começaram a surgir-lhes asas nas costas e a nascer-lhes no peito o estranho desejo de voar. A princípio, os seus corpos embaciaram o horizonte. Muitos deles ficaram exaustos. As suas vontades geraram holocaustos. As anjas amamentaram os lobos com os seus mamilos rútilos de desejo e desespero. Os filhos nasceram ingénuos, como se fossem pastores de olhos verdes. Mas eram todos cegos à razão. As suas lágrimas não tinham destino algum. Depois fizeram-se guerreiros e encheram-se de glória. Arredondaram o tempo, ampliaram as horas, subiram às montanhas mais altas, embebedaram-se de eternidade, juntaram os ventos, esculpiram almas opacas, curvaram e torceram a timidez e o receio, rasgaram os oceanos, beberam a correnteza das águas mais bravas, aprenderam a persistência e afeiçoaram-se às espadas e ao sofrimento. Descobriram que o infinito possui uma boca gelada, que a arquitetura do tempo é impalpável, que a idade é um assassino neutro. E partiram. E chegaram. E voltaram a parir. Transformaram-se em aves aprisionadas, como se fossem ilhas. Ilhas presas ao mar. Deitaram fora os segredos, a esperança, os impulsos, o pasmo e a beleza. Transformaram a luz em sombra. Encafuaram os sonhos nos bornais e partiram de novo. Lembraram-se então das memórias dos seus pais quando caçavam porcos-bravos e perdizes, quando definiam a posição dos dedos para orarem, ou como os seus lábios beijavam os oráculos, ou como desejavam ser mar ou floresta, espuma ou neblina. Sentiram então que as suas asas começaram a lenhificar. Transformaram-se em árvores misteriosas que os santeiros usam para confecionarem os seus deuses de pau com asas pintadas de azul, como os altares. A verdade continua a ser fria e crua.


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Quarta-feira, 25 de Março de 2015

Na taberna

aaa.JPG

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Terça-feira, 24 de Março de 2015

Olhares

_JMD8491 - Cópia - Cópia.JPG

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Segunda-feira, 23 de Março de 2015

232 - Pérolas e diamantes: o suave odor da pestilência

 

 

Virgílio, porque era um homem previdente e sábio, escreveu que, mesmo que não a avistemos, “está sempre uma cobra escondida na relva”.

 

Aos incautos, manobradores e restante pessoal distraído é bom lembrar as palavras de John Selden: “Pega numa erva e atira-a ao ar, saberás de que lado sopra o vento.”

 

A verdade é sempre, mas sempre, uma coisa simples.

 

Há quem fale da minha obstinação e da minha teimosia como se elas fizessem parte de algo de indeterminável, ou, talvez, de uma maneira de ser polémica e demasiado frontal. Pois ser frontal e polémico na nossa terra é a modos como um pecado. Eu diria, se me conheço bem, que o meu grande defeito, ou pecado, se preferirem, é possuir caráter. Tão simples quanto isso.

 

Identifico-me plenamente com o que escreveu o advogado e conferencista norte-americano, Michael Josephson: “As pessoas de caráter fazem o que acham certo não porque isso vá mudar o Mundo mas porque se recusam a ser mudadas pelo Mundo.”

 

Para os que se fazem de cegos, surdos ou mudos, lembro as palavras de Winston Churchill: “Há pessoas que mudam de ideias para não mudarem de partido e existem outras que mudam de partido para não mudarem de ideais.” Convém lembrar, aos mais distraídos, que o falecido estadista inglês mudou várias vezes de partido, mas, como a História prova, não mudou de ideias.

 

Resumindo, à boa maneira de Oscar Wilde: “O único pecado que existe é a estupidez”.

 

  1. K. Chesterton disse que existem duas maneiras de chegar a casa; uma delas é não chegar a sair. Mas eu sou dos que arrisco ir. A minha avó ensinou-me a ousar.

 

O mesmo filósofo britânico, que também foi escritor, poeta, narrador, ensaísta, jornalista, historiador, biógrafo, teólogo, desenhista, conferencista e brilhou igualmente no campo da economia, demonstrou que o homem não é um ídolo, mas é quase sempre um idólatra.

 

Convém lembrar aos idólatras que o culto dos demónios foi sempre posterior ao culto das divindades, ou mesmo ao culto de uma única divindade.

 

Eu não pertenço ao grupo das pessoas que se agarram à ideia bizarra de que aquilo que é sórdido tem sempre de vencer o que é magnânimo.

 

Os políticos, os respetivos aparelhos partidários, e as oligarquias comerciais que nos governam dão a impressão de serem múmias de olhar fixo, envolvidas em tecidos discursivos e em palavras ocas, que ninguém consegue perceber se são velhas ou novas.

 

Tornaram-se antinaturais pelo facto de prestarem culto ao dinheiro em vez de defenderem a humanidade.

 

Existe muita gente por aí que leva tempo a perceber a piada que contam, sendo eles os autores da própria piada.

 

Há homens que na sua génese conspirativa, transformam a fé numa religião das coisas pequenas.

 

Chesterton escreveu que “a moralidade da maioria dos moralistas, antigos ou modernos, tem sido sempre uma catarata, sólida e bem polida, de banalidades em fluxo interminável”.

 

Se repararem bem, de uma maneira geral, os elogios ao esforço e outras milhares de trivialidades ditas pelos nossos políticos, ou enunciadas em conversas conspirativas, pelos militantes e simpatizantes dos partidos, são sempre expressas por aqueles que não fazem esforço nenhum em enunciá-las.

 

O problema é que combater a floresta de intriga e má-língua que campeia por aí em núcleos conspirativos, bem circunscritos e perfeitamente identificáveis e identificados, é como tentar limpar uma mata com uma navalha.

 

Muito se diz e nada se traz à luz do dia. A coragem é uma palavra vã. Aos homens da política sobra-lhes em intriga o que lhes falta em caráter.

 

Assim é impossível trazer para a política os melhores. Por isso é que nela triunfam os conspiradores, os medíocres, os aparelhistas, os tartufos, os pavões, os secretários para todo o serviço, os disformes, os conformes e os tachistas. Enfim, os homens sem escrúpulos.

 

Cristo, estimados leitores, segundo os evangelhos, no seu aspeto humano, deu-se sempre melhor com os romanos do que com os judeus, que eram o seu próprio povo.

 

É verdade, e eu sei do que falo, os adversários estão sempre nos outros partidos, mas os inimigos encontram-se sempre dentro do mesmo partido.

 

Daí a necessidade de uma lufada de ar fresco no nosso ambiente político e partidário.

 

Os partidos tradicionais exalam um cheiro próximo do dos esgotos a céu aberto em Vale de salgueiro – Outeiro Seco.

 

 

 

PS – Tchékhov dizia que “a arrogância é uma qualidade que fica bem aos perus”. Por isso, mais uma vez solicitamos ao senhor presidente da CMC e aos seus distintos vereadores, que aprovem uma auditoria independente às contas da nossa autarquia. Quem não deve não teme.

 

PS 2 – Também em nome da transparência, já agora senhor presidente, talvez fosse boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da JF de Santa Maria Maior.

 

PS 3 – Era um ato de coragem redentora, o senhor presidente deixar-se de desculpas de mau pagador e por fim ao deplorável espetáculo dos esgotos a céu aberto em Vale de Salgueiro – Outeiro Seco.


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Domingo, 22 de Março de 2015

Lumbudus em Couto de Dornelas

São Sebastião Couto de Dornelas 2015 022 - Cópi

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 21 de Março de 2015

Vendedores de fumeiro e rendas

São Sebastião Couto de Dornelas 2015 011 - Cópi

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Sexta-feira, 20 de Março de 2015

Chaves ao fundo

DSC_0041 - Cópia.JPG

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Quinta-feira, 19 de Março de 2015

Poema Infinito (242): rumores

 

O rumor da tua pele manda-me recados que fazem lembrar as tardes da minha infância, deitado no feno, lavado pelo sol, observando ao longe o rio. As manhãs completavam então a distância entre as minhas mãos e os frutos maduros pendurados nas árvores como se fossem os brinquedos dos pássaros e dos anjos. As flores demoravam-se na composição da cor dos prados. O aroma dos pomares fazia-nos sede e os olhares cegavam de tanta beleza desperdiçada. Aprendi a partir sem olhar para trás. As mulheres guardavam a sua seiva como se fossem árvores. Os seus dedos aprendiam a função vital das raízes. O tempo crescia muito devagar dentro de nós. Ainda não conhecíamos os olhares tristes que transportavam os pássaros quando regressavam do inverno. A tua boca prometia prazer. Naquele tempo as mãos nunca dormiam. Nem os olhos. A inquietação repousava no vento. Tudo estava cercado de sonhos. Mostravas-me os seios como se fossem frutos ociosos. Eu confiava-te o meu tempo. Os nomes passavam depressa. Conhecemo-nos devagar, cuidando e estudando os olhos como se fossem labirintos. Os gestos aconteciam como se fossem poemas e as nossas mãos eram como caminhos eternos. A espessura dos teus lábios desenhava o prazer. De olhos acesos, como os gatos, esperávamos que nos contassem histórias. A noite oferecia-nos o seu silêncio. E o tempo avançava, parecendo recuar, envolto em gestos inevitáveis. E começou a fechar as portas devagar. Os corpos são agora como barcos que navegam com receio. Têm o sabor das ondas. Arrastam consigo as margens dos rios e as promessas de amor que são como pequenas chamas azuis a tremeluzirem na inquietação da tarde. O tempo é uma boca que se abre e nos devora lentamente. A sua paciência é infinita e vagarosa. Adormecemos com a sinceridade das casas velhas. Por vezes o frio revela reflexos que são como âncoras siderais. No verão as planícies eram lentas como o doirado do trigo. Por vezes as brisas quentes ondulavam sibilantes sobre as searas. Os celeiros estavam vazios. O tempo era espesso, as papoilas gotejavam pelos caminhos. Quando chegavas, movias as paisagens. A tua pele chamava-me em surdina. A roupa abandonava os corpos como por milagre. O amor adquiria o fulgor das searas em movimento. Depois erguiam-se os ventos que gritavam impetuosidades clássicas, incontidas. Os homens mais velhos assomavam às portas e assobiavam cantigas da sua infância. Guardei-te em mim como um segredo. O teu sono era ativo. Recordas-me sempre a janela do meu quarto virada para o céu onde acordava todas as manhãs acompanhado pelo sol. À noite tinha medo das sombras que se passeavam pela parede como espectros longilíneos. Sentia o rio que passava muito perto sussurrar a sua tristeza líquida que não o deixava deter-se em lado nenhum. Naquela altura, a aldeia onde eu nasci cheirava a sonho e a erva fresca. Os gestos e as palavras dos adultos picavam como urtigas. As noites vinham rápidas e as manhãs tardavam em aparecer. Começou então o tempo a ser uma história dentro de outra história. O medo recortava o silêncio. Foi quando os livros começaram devagar a tomar conta de mim.  A luz principiou a estilhaçar-me a visão. As cores confundiram-se dentro do meu cérebro. As aves rasgaram as janelas. Comecei a inventar histórias como se fossem cavalos que clareavam os templos rodeados de brumas. Quando os amigos partiram, apareceu o amor. Esse lugar vago foi sempre teu. És a minha biografia completa.


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito (1)
|
Quarta-feira, 18 de Março de 2015

Fotógrafo em busca da melhor imagem

a Lumbudus - Douro - Out.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Terça-feira, 17 de Março de 2015

O pipo

2014-12-06 11.08.10-1.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Segunda-feira, 16 de Março de 2015

231 - Pérolas e diamantes: a realidade e a sua representação

 

 

Olhando para a onda de corrupção que assola o nosso país, quer entre os nossos políticos e os altos cargos da administração do Estado, quer entre os “facilitadores de negócios”, quer ainda entre os banqueiros e fauna idêntica, convém lembrar que um líder é apenas tão corrupto como o sistema que o produz. Agora pensem nas figuras e nos partidos, bancos, etc., que estão na génese do nosso “Estado Democrático” pós 25 de abril e a explicação é tão óbvia que até assusta.

 

Bem podem eles (Bloco Central dos Interesses - PSD/CDS/PS) falar em diálogo, que todos sabemos que para essa gente o processo sugerido se encontra sujeito às suas próprias condições, se reveste apenas de simbolismo, para levar os eleitores a votarem nos partidos tradicionais.

 

Dessa forma criam uma espécie de suspense necessário que apenas tem por objetivo sustentar uma fachada política que nos faça crer que o ensaio da sua participação política transforma a representação em realidade.

 

Fartos dos arremedos democráticos deste BCI estamos nós.

 

Tal como Espinosa, dizemos que exigir a um ser humano o que é impossível, exercer um poder onde ele não pode ser exercido, é tirania.

 

É tirania condenar, como o faz Pedro Passos Coelho, mais de três milhões de portugueses ou à miséria ou à indigência. É tirania, como o faz o PM de Portugal, condenar centenas de milhares de portugueses ao desemprego, especialmente a nossa geração mais jovem e bem preparada de sempre. É tirania, e estupidez, a pretexto da dívida, o PSD e o CDS quererem vingar-se do povo grego por motivos meramente eleitoralistas.

 

É política e eticamente inqualificável o nosso PM ter estado cinco anos sem pagar contribuições à Segurança Social e, quando pressionado pela notícia de um jornal, desembolsar nesse mesmo mês cerca de 4 mil euros para tentar iludir os portugueses. É por isso que a Segurança Social está como está.

 

É indecoroso e abjeto o ministro da tutela vir justificar o PM com uma desculpa estúpida, tentando fazer dos portugueses parvos.

 

Mas se do lado do governo PSD/CDS chove, do lado da oposição protagonizada pelo PS de António Costa troveja.

 

Os jornais afirmam, insistentemente, com um misto de estupefação e desalento, que começam a surgir no PS sinais evidentes de irritação e desespero com a forma politicamente inábil como A. Costa tem gerido a agenda política.

 

E temos de reconhecer que têm razão. O líder do PS começou por dizer coisas muito acertadas e por fazer diagnósticos corretos sobre o país e a Europa. Mas sobre as possíveis soluções nada adianta. Costa apenas diz generalidades inócuas. Sobre todas as questões essenciais guarda um silêncio prudente.

 

O mutismo sobre os tristes desfechos do BES e da PT, sobre a privatização da TAP, sobre a Justiça e também sobre a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde é muito esclarecedor sobre a sua postura política.

 

Com o país a ser consumido em fogo lento pelas políticas neoliberais do governo do PSD e do CDS, António C. dá-se o luxo de planar acima de toda a crua realidade.

 

Vai andando por aí, ora assumindo o papel de presidente da Câmara de Lisboa, ora o de secretário-geral do PS. Sempre aos ziguezagues. Contornando, dessa forma, as questões e os obstáculos com um sorrisinho nos lábios.

 

Todos concordamos que quem pretender ganhar as eleições, desta vez vai ter cuidado com as promessas que fizer.

 

Mas uma coisa é ter cuidado com as promessas, outra, bem diferente, é não fazer nada, e dizer outro tanto, sobre a forma como se pretende agir quando se chegar ao poder.

 

António Costa está metido num sarilho dos grandes. Quando fala desce nas sondagens, mas quando está calado acontece-lhe o mesmo.

 

É verdade que o líder do PS não consegue dizer nada de substantivo. A princípio pensávamos que era por questões de estratégia política. Mas o problema é bem mais complicado do que parece. A. Costa, afinal, não tem nada para dizer. E é preocupante que assim seja. O principal partido da oposição não pode ser um vazio de ideais.

 

Os portugueses já se deram conta de que o PS de Costa é o mesmo que era liderado por Sócrates.

 

Quanto mais os portugueses conhecem A. C., mas o mito cai.

 

 

Todos sentimos que a maioria absoluta que o PS de António C. almejava já se esboroou. O enigmático é que está seriamente em risco a vitória do PS nas próximas eleições legislativas.

 

 

 

PS – Tchékhov dizia que “a arrogância é uma qualidade que fica bem aos perus”. Por isso, mais uma vez solicitamos ao senhor presidente da CMC e aos seus distintos vereadores, que aprovem uma auditoria independente às contas da nossa autarquia. Quem não deve não teme.

 

PS 2 – Também em nome da transparência, já agora senhor presidente, talvez fosse boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da JF de Santa Maria Maior.

 

PS 3 – Era um ato de coragem redentora, o senhor presidente deixar-se de desculpas de mau pagador e pôr fim ao deplorável espetáculo dos esgotos a céu aberto em Vale de Salgueiro – Outeiro Seco.


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Domingo, 15 de Março de 2015

Em Versalhes

_JMD0560 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 14 de Março de 2015

Em Versalhes

_JMD0559 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Sexta-feira, 13 de Março de 2015

Em Versalhes

_JMD0555 - Cópia - Cópia (2).jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Quinta-feira, 12 de Março de 2015

Poema Infinito (241): o silêncio e o delírio

 

 

Assimilamos os montes, o céu, as árvores, as borboletas e os pássaros espantados pelo amanhecer. O verde que tudo envolve é silencioso e fragmentado. O calor do tempo ficou escuro. Regressamos à lentidão do amor, como se estivéssemos num baile de máscaras. Os gnomos tocam violoncelos. As gotas de orvalho acendem-se como se fossem lâmpadas de natal. Os pequenos seres que moram dentro da minha imaginação continuam adormecidos deitados nas folhas cor de âmbar da floresta. Os nossos olhos atravessam o abismo. Os pássaros transformaram-se em cristal. Adoeceram. Sobre as constelações desceu a chama divina do desaparecimento. As árvores flutuam. A terra treme. As metáforas respiram. As esculturas movem-se em busca do desejo. O teu nome agora apenas pode ser dito pronunciando as vogais aspiradas como se fossem buracos negros de paixão. Disfarçamos a decadência com símbolos submersos. Os signos lânguidos da esperança incendeiam-se. A harmonia toma conta do cio dos nossos corpos. As ninfas escondem-se dentro dos teus olhos e choram. Os jardins ficam minúsculos e breves. Acariciamos o tempo. Na tua língua nascem flores. Eu suspiro-te conceitos que perpetuam o crepúsculo. Ao longe, as mulheres mais solitárias passeiam descalças junto ao mar, maravilhando a praia com as suas sombrinhas e os seus pés descalços. O vento levanta-lhes as saias expondo a sua nudez libertina. Deus deixou de fazer perguntas e de dar respostas. A lâmpada do pecado acendeu-se no quarto que assimila agora o movimento feroz do final do coito. Coloco as mãos em concha para recolher os teus gemidos. O sangue lateja na minha cabeça e no meu sexo. O teu corpo abre-se revelando um labirinto sumptuoso. O teu corpo é agora o sol. Um momento enigmático desliza entre as carícias. O amor é como uma metamorfose do desaparecimento. As montanhas ficam vazias. Os animais respiram silêncio. As bocas das estátuas fulminam as asas dos anjos. A luz que entra pela janela purifica o meu delírio. As palavras tremem como se fossem feitas de água. Os teus olhos são agora estrelas brancas que emitem florescências ténues. Sinto-me cercado pelos astros mais longínquos. Sou um frágil satélite do tempo. A minha ignorância é agora circular. O desejo cavalga a luz como se fosse uma fórmula matemática. Os números tremem como se fossem redondos. Os textos sagrados convertem-se em catedrais liquidadas. As magnólias dos poemas de que gosto evaporam-se. Moves-te como uma paisagem lasciva. O desejo continua a ser uma serpente venenosa coberta de espuma e palavras que são vermelhas como os abismos. Um fogo silencioso consome-me a memória. O tempo fica informe. O desejo liberta as mãos de rezar. Sinto de novo a vertigem branca da escrita. Os corpos das mulheres solitárias que passeavam na praia começaram a incendiar-se por dentro. Observo-lhes a minúcia das suas bocas e dos seus sexos. Dizem-me que são a origem de tudo. Que nasceram para completarem a criação. Pedem-me que faça de deus e sopre as suas cinzas para o mar. Chamam umas pelas outras enquanto os seus corpos se consomem. As palavras começam a ficar frias e densas. Chegam por fim os homens. Levantam os seus braços e gritam. Tudo é agora ausência. O amor transformou-se numa cintilação silenciosa. Os olhares ficam vazios. Sinto ainda uma réstia de felicidade nos dedos. O sol fica rápido e desliza sobre o horizonte aprisionado na sua densidade absoluta. O presente é absoluto. Uma radiosa sombra toma conta do teu olhar. Os nossos sexos ainda cintilam. A matéria, o espaço e o tempo continuam a expandir-se. O silêncio também pode ser uma festa.   


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Quarta-feira, 11 de Março de 2015

Em Versalhes

_JMD0548 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Terça-feira, 10 de Março de 2015

Em Versalhes

_JMD0542 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Segunda-feira, 9 de Março de 2015

230 - Pérolas e diamantes: coração de lata

 

 

Vemos a nossa ministra das finanças a pedir ao seu homólogo (ou será patrão?) alemão para fazer de pai tirano em relação aos gregos, logo secundada pelo nosso primeiro-ministro que, com o seu sorrisinho amarelo, lá vai deixando nas entrelinhas do seu discurso a mensagem de que os gastadores helénicos não se podem furtar a pagar com língua de palmo o dinheiro que nos devem, que, com toda a certeza, servirá para pagar os juros da nossa astronómica dívida, e logo nos vem à lembrança o aforismo popular: ri-se o roto do esfarrapado e o sujo do mal lavado.

 

O Bloco Central dos Interesses (PSD/CDS/PS) que nos governa – e que em cerca de quarenta anos do seu reinado dito democrático –, já nos levou por três vezes à pré-bancarrota, continua na sua senda de infiltrar todas as instituições nacionais, ou aqui sediadas, com os seus máximos dirigentes.

 

Depois de Eduardo Catroga (também conhecido como o homem do pentelho) – um militante de relevo do PSD, que possui no seu currículo a incrível façanha de ter negociado com o PS a entrega do país aos desígnios mercantilistas da troika, com os resultados desastrosos que todos sabemos – ter sido recompensado com a presidência do Conselho Geral de Supervisão da EDP, comprada em plena crise nacional, pelos camaradas chineses, com o beneplácito do BCI, chegou agora a vez de um dos grandes do PS ter um destino semelhante.

 

Segundo o Expresso, António Vitorino (o homem que ficou conhecido por se ter demitido de ministro por alegadamente se ter esquecido de declarar às finanças a aquisição de um prédio no Alentejo e também apelidado por Alfredo Barroso como um “facilitador de negócios”), vai ser propostos por acionistas da EDP para presidente da Assembleia Geral da empresa.

 

Após ler a notícia, pego no semanário de Pinto Balsemão e deito-o ao lume, alegando, à família surpreendida, distração. E que labaredas ele fez, meu Deus!

 

Dou uma vista de olhos pelos diários nacionais e em todos vejo a cara larocas de António Costa a rir-se para mim como a querer-me levar por parvo. Isso de um sorriso um voto foi chão que deu uvas. Muita gente já se apercebeu que o líder do PS não consegue dizer nada de substantivo. Eu estou em crer que o problema é bem mais complicado. António Costa, afinal, não tem nada para dizer.

 

Guardo então os diários para embrulhar as panelas de arroz, para não esfriar.

 

Ligo a televisão. Surpresa. Chaves foi notícia nacional. E por boas razões, como quase sempre. A ASAE apreendeu os parcómetros da cidade devido à falta de certificação do equipamento.

 

António Cabeleira, aflito, correu logo para os órgãos de comunicação para lamentar o espetáculo montado pela ASAE. Ele, o edil que se entretém a desfilar disfarçado de procônsul romano para inaugurar no Jardim do Tabolado dois corações de lata onde os tocados pelas flechas de Cupido poderão colocar um aloquete como sinal do seu eterno amor.

 

Se a moda pega, não a do aloquete, mas antes a da incompetência técnica e política da nossa autarquia, qualquer dia, por falta de pagamento da enorme dívida (cerca de 20 milhões de euros) da CMC à empresa Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro, S.A., é bem possível que quem de direito mande apreender os contadores da água.

 

De facto, a Câmara presidida por António Cabeleira/João Neves contraiu uma dívida de 60 milhões de euros e não possui a coragem suficiente de auditar externamente as suas contas. E, o que é ainda mais grave, o calote não cessa de aumentar.

 

A vida difícil dos flavienses não é metafísica. Pelo lado que nos toca, continuamos a tentar compreender esta espiral obsessiva pelo calote. Tentamos perceber a realidade que rodeia a vida autárquica. Mas será que quando olhamos para a escuridão com uma lente, conseguimos ver mais do que escuridão?

 

Espinosa dizia que “uma única coisa pode ser, ao mesmo tempo, boa, má e indiferente. Por exemplo, a música é boa para a melancolia, má para os que estão de luto, e nem boa nem má, para os surdos”.

 

Pegando no argumento, podemos afirmar, em relação à gestão CMC de António Cabeleira/João Neves (cada vez mais JN do que AC, temos de reconhecer) é boa para alguns boys do PSD, má para os flavienses e indiferente para os galegos.

 

 

 

PS - Para que o exercício do poder democrático e a respetiva transparência das contas públicas não se transformem em duas forças antagónicas, mais uma vez renovamos o nosso apelo para que o senhor presidente da Câmara, mais os seus distintos vereadores, aprovem uma auditoria às contas do município de Chaves. Quem não deve não teme.

 

PS 2 – Também em nome da transparência, senhor presidente, era boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da JF de Santa Maria Maior, da qual foi insigne presidente, até 2013, João Neves. Certos de que quem tão insistentemente reivindicou uma auditoria às contas da CMC, com toda a certeza verá com bons olhos, e até enaltecerá fervorosamente, uma auditoria realizada às contas do seu impoluto mandato.

 

PS 3 – Deixe-me lembrar-lhe que o amor não é só colocar aloquetes em corações de lata. Era um ato de coragem redentor, o senhor presidente deixar-se de desculpas esfarrapadas e por fim ao deplorável espetáculo dos esgotos a céu aberto em Vale de Salgueiro – Outeiro Seco. Num país civilizado, atentados ao ambiente e à saúde dos flavienses como este são combatidos com todos os meios e toda a perseverança. Em Chaves assobia-se para o lado.


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Domingo, 8 de Março de 2015

Santos - Feira do gado - Chaves

santos 2014 026 - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 7 de Março de 2015

Feira dos Santos - Chaves

Santos 2014 019 (2) - Cópia.jpg

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Sexta-feira, 6 de Março de 2015

No Rexo - Alhariz

O RExo - Poesia 046 - Cópia.JPG

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Quinta-feira, 5 de Março de 2015

Poema Infinito (240): a linguagem do desaparecimento

 

 

Não me peças para ver a tua alma. Há coisas sagradas. A que trago presa no meu peito tem a forma e o semblante de mim próprio. Possuí a fisionomia das substâncias mais simples, a alegria imóvel das árvores, o espírito dos rios que correm sobre as rochas e as areias. A minha alma alimenta-se da tua. As nações ainda esperam pela alma dos seus poetas, pois a sua boca é fluente. A terra continua a ser infindável, as horas impercetíveis, o amor irreprimível. A natureza tem de ser novamente persuadida a sublimar o futuro. Os pássaros animam os bosques. Os nomes dissipam-se. O futuro fica imediato. A literatura é uma nova religião. Os meus poemas deitam fumo como as chaminés no inverno. Os meus poemas são emigrantes estranhos, chegam e partem sem desembarcarem. No entanto a sua terra é a mesma. As casas são as mesmas. Os bancos, os caminhos, as folhas das árvores, as pastagens e as florestas também são os mesmos. Os meus poemas possuem agora cidades no seu interior. Nos seus limites, os camponeses lavram as suas terras fortemente cingidos pelo abandono. O dia e a noite são alusões suspensas, cheias de credos e ave-marias. O bem e o mal correm os seus próprios riscos. As casas estão cheias de perfumes naturais. Nas ruas ecoam os pequenos murmúrios do desejo. As palavras ficam com o aspeto de folhas verdes das cerejeiras. Rejeito alimentar-me dos espectros dos livros. Para mim não há nem princípio nem fim. Nem perfeição, nem imperfeição, nem velhice, nem juventude, nem céu, nem inferno, nem deus, nem demónio, nem pecado ou virtude. Para mim não existem opostos, apenas uma substância cristalina em expansão, que se entrelaça nos sexos e avança na multiplicação da vida. Eu confio nos pormenores. Acredito nos animais afetuosos, no orgulho elétrico das almas genuínas, na invisibilidade de tudo que aparenta visibilidade. A primeira luz do dia entra em casa com os passos furtivos da juventude e cobre as toalhas brancas com a sua profusão. Todas as coisas importantes chegam até mim carregadas de tensão e impulsos contraditórios. A minha alegria é complacente. O meu jogo é ficar de fora observando a retórica do adversário. O amor tem a forma de um hieróglifo, por isso as mães amam os seus filhos com a dimensão das regiões mais extensas do planeta. Quem me dera poder traduzir as memórias que encerram a alegria já extinta dos que foram jovens sem o saberem. Mesmo dentro da felicidade, tudo desaparece. Desaparece a terra, desaparecem as estrelas. Os princípios do desejo são como uma multidão exaltada. As pedras das ruas ficam momentaneamente invisíveis. As vozes transformam-se em ecos. Chegam os sonhos. As portas dos celeiros abrem-se para deixarem entrar a luz límpida da tarde. As crianças dormem nas carroças. As montanhas começam a ficar longínquas, como se fizessem parte de um filme. Os homens acendem fogueiras e deitam-se sobre as folhas. As mulheres mais jovens descobrem as suas cabeças e mergulham os seus longos cabelos na água dos ribeiros. Depois lavam o sexo. O sol incide sobre o pitoresco corpo dos mancebos. O tempo mata toda a beleza da ingenuidade. Por isso deixei de crer no desígnio de todos os seres alados, porque os vejo presos ao leme de uma nave que dispersa a verdade e a vontade. As palavras deslocam-se sem sentido pelas diferentes partes do corpo. Espalho-me pelas ruas segundo a lei do caos geográfico. Aprendi que é nos dedos que começa a desordem do amor. Escrevo com a noção exata do desaparecimento. O tempo ressurgirá transformado em imagens. A linguagem do desaparecimento é como uma festa de crime e castigo.  


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Quarta-feira, 4 de Março de 2015

Chuva

Marinho Pinto - Ponte de Lima 002 - Cópia.JPG

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Terça-feira, 3 de Março de 2015

Mondego - Coimbra

DSC_0420 - Cópia.JPG

 


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|
Segunda-feira, 2 de Março de 2015

229 - Pérolas e diamantes: ping-pong - AC versus NV

 

 

Tocqueville acreditava que as democracias modernas gerariam menos crimes e mais vícios privados. Talvez daí resultem as públicas virtudes.

 

Montaigne e Pascal defendiam que a força da virtude de um homem ou da sua capacidade espiritual se mede pela sua vida vulgar.

 

Já Herzog, o polifacetado personagem do romance de Saul Bellow, nos adverte que em todos os agregados humanos existe um grupo de gente que é profundamente perigosa para os restantes. E não se refere aos criminosos. Para esses possuímos sanções castigadoras. Refere-se, isso sim, aos dirigentes. Invariavelmente, as pessoas mais perigosas procuram o poder.

 

O mesmo Herzog lembra-nos que todas as tendências morais consideradas mais elevadas se encontram sob suspeita de serem fachadas enganadoras. Coisas que se honram com velhas palavras, mas que traímos ou negamos intimamente.

 

Caros políticos presidentes de comissões políticas das oposições, presidentes das câmaras, presidentes dos governos, presidentes das repúblicas e fauna similar, estas regras dos impostos sobre tudo o que mexe vão fazer de nós uma nação de contabilistas.

 

A vida de cada um de nós está a transformar-se num negócio. Esta é provavelmente uma das mais nefastas interpretações históricas do sentido da vida humana a que o Homem já assistiu. Mas tem de ficar claro, de uma vez para sempre, que a vida dos homens não é um negócio.

 

Parafraseando os Monty Python, vamos passar agora para uma coisa completamente diferente.

 

A Câmara de Chaves, superintendida por António Cabeleira e João Neves, num gesto de boa gestão, muito ao jeito dos verdadeiros social-democratas, vai aumentar o preço da água.

 

Mal a notícia foi tornada pública, logo a cara-metade do poder autárquico flaviense, o PS, por iniciativa do seu líder concelhio, Nuno Vaz, resolveu entreter-se de novo com as conferências de imprensa. E marcou uma. O PSD, através de António Cabeleira, para não lhe ficar atrás, agendou outra. Começou então o ping-pong ideológico entre a esquerda e a direita, entre o PS e PSD. 

 

NV avisou os eleitores/leitores de que este aumento é uma agressão ao magro orçamento da generalidade das famílias flavienses. Defendendo que o aumento não seria necessário se a Câmara tivesse pago pontualmente a fatura da água à empresa respetiva e dessa forma não fosse obrigada a pagar os respetivos juros de mora.

 

A seu lado, um vereador do partido mexia nos papéis, fazendo cara de preocupado.

 

Imbuído de todo o sentido de responsabilidade, NV resolveu mostrar a sua efetiva inclinação para a política partidária, informando-nos que, na prática, a fatura da água sofre um “brutal” aumento, pois cada família flaviense na prática paga 3 euros pela tarifa fixa da água, 3 euros pela tarifa do saneamento e 3 euros pela tarifa do lixo. Ou seja, paga todos os meses à Câmara de Chaves 9 euros.

 

Quem diria? Agora todos começamos a entender a profunda clivagem ideológica entre o PS e o PSD.

 

AC, eufemisticamente, fala de apenas um “aumentozinho”, pois o preço apenas se amplia em seis míseros cêntimos, passando dos 49 para os 55 cêntimos o m3, fixando-se a tarifa de disponibilidade não em 2 euros, nem nos 4 euros, que é o intervalo possível, mas no meio, ou seja nos 3 euros, quando em 2014 era de 2,65 euros.

 

Quem diria? Agora todos começamos a entender melhor a enorme diferença ideológica entre o PSD e o PS.

 

Não se dando por satisfeitos com o elevado nível do debate político e ideológico encetado ao nível do preço da água no nosso concelho, resolveram trazer à liça o exemplo perfeito da prática política em Vila Real, no que à água diz respeito, claro.

 

NV lembrou que se a gestão da CMC tivesse tido juízo hoje estávamos a falar da redução das tarifas, como aconteceu no município de Vila Real que desagravou em 8%, e não, num só ano, de um brutal aumento de 14%. O socialismo em Vila Real, segundo NV, é um maná caído dos céus.

 

AC diverge da fundamentação ideológica do seu adversário político, pois, na sua leitura, as tarifas praticadas em Vila Real, são superiores às de Chaves. E argumenta, talvez inspirado em Sá Carneiro, ou Eduard Bernstein, que se compararmos as tarifas praticadas nos dois concelhos, em Chaves, sob a gestão social-democrata, já contando com o aumento, 5m3 custam 5,75 euros, enquanto em Vila Real, sob o jugo da gestão socialista, o custo é de 7,16 euros. Nos consumos de 10m3, em Chaves, o custo, no ano passado era de 9,75 euros, passando agora para 10,50 euros. Enquanto em Vila Real é de 11,16 euros. 

 

Apesar dos arrufos e dos cêntimos que os dividem, está visto que a gestão autárquica do PSD é da confiança da oposição PS e que a oposição PS é da inteira confiança da gestão PSD.

 

Isto tem de levar uma volta. Mas tem mesmo.

 

 

 

PS – Para que os flavienses não fiquem com a impressão, incorreta, por certo, de que o acordo estabelecido entre o PSD de António Cabeleira e o vereador eleito em nome do MAI, não foi a derradeira tentativa para que a prometida, e devida, auditoria externa às contas da CMC não vingasse, aqui fica mais uma vez o nosso apelo ao senhor presidente da autarquia flaviense, e aos seus distintos vereadores, para que, em nome da transparência e do bom nome da Câmara de Chaves, aprove uma auditoria externa às contas da CMC. Passaríamos todos, com certeza, a dormir um pouquinho mais tranquilos.

 

PS 2 – E, já agora senhor presidente, talvez fosse boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, da qual foi digno presidente, até 2013, o simpático vereador João Neves (ex-MAI e atualmente do PSD), pois quem não deve não teme; certos de que aquele que tão garbosamente exigiu, durante toda a campanha eleitoral, uma auditoria às contas da Câmara de Chaves, com toda a certeza verá com bons olhos, e até aclamará efusivamente, uma auditoria realizada às contas do seu próprio virtuoso mandato.


publicado por João Madureira às 07:15
link do post | comentar | favorito
|

.Keith Jarrett - La Scala

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Maio 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9



31


.posts recentes

. No trabalho

. 344 - Pérolas e diamantes...

. São Sebastião - Vilarinho...

. São Sebastião - Couto Dor...

. Couto de Dornelas (III)

. Poema Infinito (356): O a...

. São Sebastião - Couto Dor...

. S. Sebastião - Couto de D...

. 343 - Pérolas e diamantes...

. A gaivota (III)

. A gaivota (II)

. A gaivota

. Poema Infinito (355): O n...

. Maresias (II)

. Maresias

. 342 - Pérolas e diamantes...

. HAZUL - Porto

. The Augustus no Porto

. A ponte é uma miragem...

. Poema Infinito (354): Um ...

. Interações

. Diversões...

. 341 - Pérolas e diamantes...

. Assando sardinhas - S. Jo...

. Ribeira - Porto - S. João...

. Porto - Ribeira - São Joã...

. Poema Infinito (353): O e...

. Ribeira - Porto - S. João...

. Estação de S. Bento - Por...

. 340 - Pérolas e diamantes...

. Cabo da Roca

. Cabo da Roca

. Cabo da Roca

. Poema Infinito (352): Out...

. Na exposição

. Cavalos no Barroso

. 339 - Pérolas e diamantes...

. Janela

. Eira

. Garrafeira

. Poema Infinito (351): A c...

. À porta

. Reflexos

. 338 - Pérolas e diamantes...

. A vendedora de fumeiro

. O sapateiro

. O barrosão

. Poema Infinito (350): Inv...

. O camarada

. O artesão

.arquivos

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

.tags

. todas as tags

.Visitas

.A Li(n)gar