Terça-feira, 30 de Junho de 2015

À sombra

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Segunda-feira, 29 de Junho de 2015

246 - Pérolas e diamantes: o Cânone Acidental…

 

 

Acabei de ler o livro de Harold Bloom O Cânone Ocidental, que é, salvo melhor opinião, um tratado de paixão sobre Shakespeare, pois “Shakespeare e o Cânone Ocidental são uma e a mesma coisa”. Talvez ao facto não seja estranha a situação de o autor ler e escrever em inglês, pois é norte-americano.

 

O meu cânone assenta essencialmente em Cervantes, o autor do magistral Dom Quixote, o livro fundador, o romance dos romances. Talvez porque me identifico com a sua condição e com o facto de ambos sermos latinos do sul da Europa.

 

Mas antes de ir ao Cânone propriamente dito, deixem que partilhe convosco o facto de ter descoberto a razão, e a inspiração, de a nossa presidente do Parlamento utilizar os estapafúrdicos substantivos com que resolveu espantar os portugueses, tais como “estranhamento” e “conseguimento”. Por incrível que possa parecer, foi a ler a obra de Harold Bloom, o distinto membro da Academia Americana, que utiliza generosamente essas palavras para compor a sua obra, que a presidente do Parlamento aprendeu a embasbacar os portugueses.

 

HB também emprega verbos como “emurchecer”, ou adjetivos como “parentética”, ou substantivos como “mimese”. Por isso, caro leitor, quando escutar palavras tão abnóxias saídas da boca da nossa segunda figura do Estado, não se espante, trata-se de cultura, da arte preformativa resultante da leitura d´O Cânone Ocidental. Apenas isso e não uma forma de delírio linguístico próximo da loucura ou do “conseguimento” político.

 

Depois do segredo revelado, posso voltar ao livro de Harold Bloom com a nítida sensação proustiana de que “os verdadeiros paraísos são aqueles que nós já perdemos”.

 

No fundo, eu partilho a ideia de Bloom de que “desde Dom Quixote todos os romances reescrevem a obra magistral de Cervantes, mesmo quando não têm consciência disso”.

 

O Cânone nasce do facto de o autor ter percebido que as instituições educativas estão atualmente “atravancadas de idealistas ressentidos que condenam a competição tanto na literatura como na vida, mas o estético e o agonístico são uma única coisa, como nos é dito por todos os antigos gregos”. Pois o “idealismo, relativo àquilo sobre que se faz o possível por não ser irónico, é agora moda nas nossas escolas e universidades, nas quais, em nome da harmonia social e do remedeio da injustiça histórica, estão a ser abandonados todos os padrões estéticos e a maior parte dos padrões intelectuais”.

 

Vivemos sob o estigma da “ansiedade da influência”, pois a “grande escrita é sempre reescrita ou revisionismo”, porquanto “o que é original nada tem de original”. “Mas nada se consegue por nada”.

 

Para Bloom nenhum outro escritor, antes ou depois de Shakespeare, nos dá uma ilusão mais forte de que cada personagem fala com uma voz diferente das vozes das outras personagens.

 

Pedindo ajuda a Harold Bloom, vou tentar explicar porque Dom Quixote é o meu Cânone.

 

Desde logo porque o cavaleiro da triste figura, apesar de à primeira vista parecer, nem é louco e muito menos é tolo. Pelo contrário, é alguém que joga e se diverte a ser cavaleiro andante numa época em que eles já não existem. Joga de forma intencional, que é bem diferente da situação de loucura ou da tolice. Dom Quixote é mesmo mais voluntarioso do que o seu fiel escudeiro Sancho Pança, pois só lentamente se entrega ao jogo ou ao divertimento propostos.

 

O que mais me fascina na obra de Cervantes é o facto de o seu personagem se transportar a si mesmo a um lugar e tempo ideais para representar o seu papel, mantendo-se fiel à sua própria liberdade, à sua fantasia, à sua indiferença ao julgamento dos demais, ao seu isolamento, bem como aos limites que lhe são impostos pelas circunstâncias. Isto até ao momento em que finalmente é derrotado, abandona o jogo, adquire a “sanidade perdida”, necessariamente cristã, e morre. 

 

Dom Quixote, como muito bem definiu Unamuno, redimiu-nos, pois a sua “perda de entendimento” foi realizada para nosso benefício, de modo a deixar-nos um exemplo eterno de generosidade espiritual.

 

Ele enxerga os gigantes nos moinhos de vento e toma os pequenos teatros de fantoches por realidade, mas ninguém o consegue ridicularizar, porque, como diz Bloom, “ele é mais vivo de espírito do que qualquer um de nós. A sua loucura é uma loucura literária…”

 

Foi com ele que aprendemos como é um Homem de Honra: simples, magnânimo, apaixonado, decidido, verdadeiro.

 

Nós por cá vamos vivendo a tragicomédia de Beckett, À Espera de Godot. Sempre à espera.

 

A explicação dada por Beckett para o facto de a Irlanda ter produzido tantos escritores modernos importantes era a de que um país sodomizado pelos ingleses e pelos padres era um país obrigado a cantar.

 

Para reflexão política deixo-vos com a moral Shakespeariana de Falstaff, segundo Harold Bloom: “A moral que se deve retirar desta representação é que nenhum homem é mais perigoso do que aquele que, sendo desonesto, tem o poder de agradar.”

 

 

 

PS – Água mole em pedra dura…. Na Assembleia Municipal realizada no passado dia 24 de junho de 2015, o senhor presidente da CMC, António Cabeleira, afirmou que “se durante o ano de 2015 não for feita a inspeção que está prevista pela Inspeção Geral de Finanças, no final do ano comprometemo-nos a realizar a mencionada auditoria.” Para que conste, aqui fica o registo público do compromisso e as nossas felicitações.


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Domingo, 28 de Junho de 2015

Descendo a rua

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Sábado, 27 de Junho de 2015

Na feira

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Sexta-feira, 26 de Junho de 2015

Na feira

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Quinta-feira, 25 de Junho de 2015

Poema Infinito (256): o homem do medo

 

 

Um homem espera oculto pela esbelta sombra dos amieiros. Corre uma ligeira brisa. Pergunto-lhe porque está em silêncio. Ele responde-me irrompendo da sua obscuridade vegetal. A sua voz revela uma aveludada independência repleta de acentos brilhantes. Disse-me que veio das regiões inconcebíveis das auroras boreais, dos domínios frios do norte, lá onde os cisnes sulcam as águas serenas, repletas de sossego. Os sinais que transmite são inefáveis, cheios da benfazeja dissolução de tudo. O seu medo surge da polidez das rochas onde foi criado, das imagens geladas que lhe transmitiam os espelhos de água, dos sinais perpétuos difundidos pelos navegantes fantasmas. Também ele foi um navegante perpétuo até encalhar na nossa terra. As aves vigiam-no. Ele vigia as aves. Anuncia então os seus poderes, que agora sente serem espaços sem desígnio, nem evasão. Diz-me que cada um de nós existe para cumprir com o seu próprio exílio. Depois os seus gestos envolvem-no e uma brisa silenciosa desce sobre nós em forma de inquietação. No seu mundo tudo é nomeado em forma de proteção, para alívio dos transgressores. As vozes não têm eco. Na sua cultura não existem conclusões. O tempo tem a forma de paciência. As pessoas nunca esperam. O seu olhar é neutro como o das sentinelas ou dos cisnes que deslizam pelos lagos. Todos os gestos são ambíguos. Das torres mais altas das cidades partem as ordens dos que aprenderam a ordenar. As armas são ilusórias e surdas. As pessoas são sempre fiéis ao seu destino. Os apóstolos nunca saem dos seus abrigos com medo das palavras do seu Deus que reina sobre os hereges. As palavras desse Deus uno e indivisível são impiedosas, são como frutos amadurecidos pelos milénios. O povo de lá emigra e regressa constantemente, cego pelos 1022 versos hexâmetros da teogonia de Hesíodo, pela luta entre irmãos, pelas façanhas desenvolvidas em alto mar, onde se incendeiam os barcos, se massacram as tripulações, onde as maiores façanhas são engolidas pelas águas revoltas e os destroços descansam nos abismos mais profundos dos oceanos. Lá os santos são identificados pela febre alta que desenvolvem quando falam em nome de Deus. Naquelas terras de longe, o saber do futuro elabora-se sempre a partir da minuciosa ruína do conhecimento do passado. Os sonhos dos homens consomem toda a glória de Deus. O homem escondido mostra-me as suas mãos tão pálidas como as promessas da vida eterna. Noto-lhe no rosto todo o afastamento contido nele. Digo-lhe que na nossa terra chegou o tempo de trabalhar os campos. Ele tenta falar, mas apenas emite sinais de impaciência. Os seus olhos azuis estão cansados e já não olham para as coisas deste mundo. Conta-me que os seus antepassados foram andarilhos, navegantes, lunáticos de todos os credos, guerreiros audaciosos, defensores de reis altivos e reinos desventurados e de cavaleiros dedicados à conquista da Terra Santa, seguidores de profetas que tudo viam e nada diziam, que cavavam sepulturas com as suas próprias almas. A boca do homem oculto parece cinzelada, de tão perfeita. As suas narinas parecem as de um animal que pressente o risco de qualquer contacto alheio. Olha para mim com um ligeiro assombro. O sangue foge-lhe das faces. Agora parece um retrato. Olha fixamente para uma barca parada no meio do rio. Ergue os braços. De seguida desce-os na minha direção. A sua sombra percorre o meu corpo. Fecho os olhos. Oiço então a água a correr nos regos. Tudo em volta é agora silêncio. O esquecimento purifica, escrevo na minha memória.


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Quarta-feira, 24 de Junho de 2015

Galinheiro

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Terça-feira, 23 de Junho de 2015

Descendo a rua

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Segunda-feira, 22 de Junho de 2015

245 - Pérolas e diamantes: o pasteleiro de Massamá

 

 

Passos Coelho, como eficaz político medíocre, resolveu encomendar a uma funcionária do PSD um arremedo de biografia. 

 

Mas quem é, afinal, Passos Coelho? O que pensa sobre o futuro do país? 

 

Que eu saiba, nada de consistente e fundamentado. 

 

Que eu me lembre, na sua história recente, que é a que verdadeiramente interessa, pois a outra é tão insignificante que até dói, nos anos que antecederam a sua vitória nas eleições legislativas, foi liberal relativamente à revisão constitucional e um acérrimo defensor do Estado nos congressos do seu partido.

 

Evoluiu, em apenas ano e meio, do combate à austeridade e aos seus efeitos recessivos, para o combate ao aumento dos impostos e para a defesa com unhas e dentes da TSU.

 

Ou seja, tudo e o seu contrário. Agora é um “refundador do ajustamento”, da troika em versão ligth.

 

Quer tornar definitivos os despedimentos na função publica, reduzir significativamente as prestações sociais, cortar na educação, na saúde, nas forças armadas e nas forças de segurança. 

 

Um futuro com Passos Coelho passa inevitavelmente pelos sistémicos pacotes de austeridade, sobretudo sobre a função pública, o “inimigo permanente” do país. 

 

A não ser que o PS se deixe levar no canto de sereia da “boa” revisão constitucional defendida pelo PSD/CDS, Passos Coelho vai tentar ludibriar a Constituição Portuguesa através de “pequenos golpes de estado” assertivos, transformando Portugal num país, por um lado, de pelintras, pobres e desajeitados e pelo outro de ricos, papões e demais aves de rapina. 

 

Com Passos Coelho e Paulo Portas, a classe média lusa deixará pura e simplesmente de existir. 

 

Convém não esquecer que a sua chegada ao poder foi antecedida de um “pequeno golpe de estado constitucional”, que começou com o chumbo do PEC IV, através de uma conspiração de Cavaco Silva, o voto contra de Passos Coelho e com a “pequena” traição de Teixeira dos Santos (que teve até direito a uma medalha no 10 de Junho –  está visto que Roma paga aos traidores), o que levou à entrada da troika e à derrota clamorosa de José Sócrates.

 

Convém ainda não esquecer que Passos Coelho é o chefe de um governo com sucessivas previsões erradas, demonstrando uma ignorância atávica do país, patenteando uma incompetência generalizada, muitas das vezes governando em cima do joelho, avançando e recuando, revelando uma notória incompetência em aprender com os erros e, sobretudo, a arrogância face ao sofrimento dos portugueses e à destruição sistemática do tecido social e económico do país, em nome de uma “refundação da pátria”.

 

Sobre o livro de PPC, Pulido Valente definiu o PM de “diletante”, acusando-o de não se preparar para o seu trabalho, reincidindo num “amadorismo destrutivo e patético, no comentário néscio e numa biografia (Santo Deus!) que envergonha as pedras.”

 

Pacheco Pereira considera o livro de Sofia Aureliano “de uma vacuidade geral e de um terrível mau gosto”.

 

Rui Carvalho Martins, também no Público, diz acreditar “que o mau gosto é intencional”.

 

Mas a revelação que mais me tocou foi a de que em Massamá, lá em Lisboa, vive um primeiro-ministro que confeciona, com as próprias mãos, os papos-de-anjo no Natal e estende a roupa e a guarda.

 

Alguma coisa melhorou na Europa, e em Portugal, fruto da política neoliberal: as drogas estão mais puras.

 

Para não me acusarem de efabulador ou consumidor de substâncias ilícitas, transcrevo diretamente do Público parte do relatório do Observatório Europeu das Drogas e da Toxicodependência: “A cannabis nunca foi tão potente, a heroína nunca foi tão pura, o ecstasy nunca teve tanta MDMA.”

 

Bem vistas as coisas, Rui Carvalho Martins tem razão. Afinal vivemos num momento político “ em que verdade e mentira deixaram de ser opostas”.

 

PS – Tchékhov dizia que “a arrogância é uma qualidade que fica bem aos perus” (ou talvez aos pavões que são aves de cauda mais vistosa). Por isso, mais uma vez solicitamos ao senhor presidente da CMC e aos seus distintos vereadores, que aprovem uma auditoria independente às contas da nossa autarquia. Quem não deve não teme.

 

PS 2 – Em nome da transparência, já agora senhor presidente, talvez fosse boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da JF de Santa Maria Maior.

 

PS 3 – Era um ato de coragem redentora, o senhor presidente deixar-se de desculpas de mau pagador e pôr fim ao deplorável espetáculo dos esgotos a céu aberto em Vale de Salgueiro – Outeiro Seco.


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Domingo, 21 de Junho de 2015

Boa cozinha

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Sábado, 20 de Junho de 2015

Expressões

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Sexta-feira, 19 de Junho de 2015

Bairro a descer para o Douro

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Quinta-feira, 18 de Junho de 2015

Poema Infinito (255): a baleia branca e os cordeiros elétricos

 

 

Acreditamos que os gestos humanos são uma forma da aceleração do universo. Por isso apreciamos o avanço dos mundos afastados. Ou o amor que fica entre o peito e a camisa. Ou a respiração de tudo o que não é visível. Percorremos toda a distância possível à procura do impossível. Aí encontramos a sabedoria. Aprendemos enquanto andamos. A matéria iniciou o seu efeito de suspensão. É a sua forma de recuar no tempo. O quotidiano avança, os dias decorrem dentro da sua previsível imponderabilidade. Olhamos o vento que se movimenta para a parte mais alta do mundo. O azul do mar é entediante. Todos os heróis náuticos morrem calmos observando a inutilidade da sua gesta. Certos indivíduos deslocam-se sobre a realidade sem a compreenderem. Esses são os mais felizes. A lógica dos homens é em tudo igual à enciclopédia itinerante da loucura. Todos julgamos aguardar mudanças entre os momentos intermédios. É tempo de agir. Os dias possuem agora um revestimento espesso. A dimensão das baleias continua a ser um absurdo. Por isso o capitão Ahad enlouqueceu e quis enlouquecer os leitores de Moby Dick. Explicas-me de forma sucinta a forma correta de aceitar a existência. Eu continuo a habitar um sítio intermédio. As fisionomias bonitas encerram dentro de si uma metodologia impartilhável. As suas impressões digitais circulam de umas mãos para as outras. Os seus corpos passaram por processos exuberantes. Sinto-me tão estranho dentro do meu país! Por vezes a amizade chega em forma de relâmpago. Repetimos os acontecimentos. Contamos as nossas infâncias. Os seus pormenores mais finos, a sua futilidade, as suas leis descritivas. A sua minúcia, a sua pressa. A sua lentidão. A vida dos outros não nos comove. Apenas nos impressiona a poesia. A felicidade continua a ser uma equação que não conseguimos resolver. Os sonhos são líquidos como o vinho. Oferecem o mesmo desencanto. Os dias luminosos fogem de nós lentamente. Voltamos a dissertar calmamente sobre a infância, sobre os seus hábitos particulares, percebendo que a sua urgência não voltará nunca. Olham-nos os olhos fixos dos velhos com a sua aparência de armários vazios, com a sua discordância profunda. Apercebemo-nos então da utilidade das coisas desnecessárias, da sua redundante ineficácia, da linguagem aborrecida dos heróis, do dialeto desconhecido da perturbação. Partimos de uma cidade marítima para o outro lado do mundo à procura de uma alegria nova. Lá encontramos o tédio. Cada homem julga ser o portador da verdade mais exata. Descobre depois que o que carrega consigo é o mais perturbante dos problemas. Depois descobre a alma, a mais antiga alma de que há memória. E com a sua ajuda inventa palavras e escreve versos viscerais sobre acontecimentos humanos ou divinos. Descobre que pensar não é assim tão fácil. A inteligência é uma espécie de murmúrio ensurdecedor que ninguém consegue calar. A bondade e a maldade preparam uma nova batalha. No mundo circula agora um novo léxico que provoca um efeito muito parecido com os alucinogénios seculares. Certas paisagens altas e delirantes ficam presas nos teus olhos. Mesmo os grandes conquistadores perderam tudo na hora em que morreram. Foram os unicórnios quem ocupou o lugar dos imperadores. Blade Runner está para morrer e ainda não descobriu se é humano ou um replicante. Afinal, a quem é que isso interessa? Philip K. Dick tinha razão e nós não. Do Androids Dream of Electric Sheep?


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Quarta-feira, 17 de Junho de 2015

Barco no Douro

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Terça-feira, 16 de Junho de 2015

Curvas no Douro

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Segunda-feira, 15 de Junho de 2015

244 - Pérolas e diamantes: memória e esperança

 

 

Mesmo que a esquerda – e muito provavelmente a direita, porque desta forma perde o inimigo congregador –, teime em querer confundir a árvore com a floresta, a verdade é que vivemos já na era pós-era marxista.

 

De facto, não podemos continuar a acreditar que a redistribuição da riqueza consegue resolver alguma coisa de significativo. Afinal já todos compreendemos que tornar mais pobres os ricos não faz com que os pobres fiquem mais ricos.

 

É a morte, não propriamente da ideologia, mas das ideias, sobretudo das ideias feitas.

 

No debate político a que assistimos, nenhum partido do Bloco Central dos Interesses (BCI) se apoia em convicções firmes e consolidadas.  

 

A direita continua a apregoar a vaga fé do investimento estrangeiro e da privatização do Estado.

 

A esquerda teima em insistir no argumento mal articulado sobre o medo do tal investimento estrangeiro e de toda e qualquer privatização.

 

A esquerda escarnece da direita e lá se vai desculpando por ser esquerda (sobretudo o PS).

 

A direita agita o espantalho da esquerda e da sua propensão para o desperdício e para o esbanjamento dos recursos financeiros nacionais.

 

Uma coisa é certa, após quatro décadas de experiência “socialista e social-democrata”, ninguém consegue sustentar o argumento de que o planeamento central feito em Lisboa é resposta para a pobreza, para o atraso e para o subdesenvolvimento.

 

Os propagandistas do slogan “erradiquem a pobreza” esgotam-se nas suas próprias palavras.

 

Parece que as duas partes do espectro BCI (PSD/CDS, PS) estão de acordo em que a pobreza é insuperável, de modo a transferir os argumentos políticos e eleitorais para outro campo, o da dívida externa, das multinacionais e da corrupção. Enfim, chutam a bola para canto.

 

Agora refugiam-se na religião. Os mais desavergonhados (aqueles que acreditam que não há inferno) assistem à missa dentro do templo e têm até o descaramento de comungarem a hóstia com os olhos fechados e as mãos postas. A esmola, para os pobres (talvez uma moeda de um euro chorada e suspirada), depositam-na na salva da igreja.

 

Os outros, os mais tímidos por causa do seu aparente agnosticismo (aqueles que acreditam que não existe céu, nem inferno, mas apenas purgatório), assistem à missa junto à porta da igreja, benzem-se envergonhadamente e no fim depositam a moeda de cinquenta cêntimos destinado à caridade na boina dos mendigos.  

 

Temos de ter memória.

 

Embora a esperança seja reduzida, hoje em dia o partido da Memória é o partido da Esperança.

 

O paradigma político e partidário tem de mudar. Temos de conseguir romper com a lógica da alternância entre pares, que, como já nos todos nos demos conta, não é alternância nenhuma, pois assenta na prática serôdia e infantil do jogo das cadeiras.

 

É sempre bom lembrar as palavras de São Francisco de Assis: “Onde jaz o erro, que haja esperança. Onde existe dúvida, que haja fé. E onde houver desespero, que exista esperança.”

 

 

 

PS – Para todos percebermos a razão do facto de a nossa autarquia ter de pedir, todos os anos, empréstimos de longo prazo para pagar a despesa corrente, é necessário e urgente realizar uma auditoria externa às contas da CMC. Tchékhov dizia que “a arrogância é uma qualidade que fica bem aos perus” (ou talvez aos pavões que são aves de cauda mais vistosa). Quem não deve não teme.

 

PS 2 – Em nome da transparência, já agora senhor presidente, talvez fosse boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da JF de Santa Maria Maior.

 

PS 3 – Era um ato de coragem redentora, o senhor presidente deixar-se de desculpas de mau pagador e pôr fim ao deplorável espetáculo dos esgotos a céu aberto em Vale de Salgueiro – Outeiro Seco.


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Domingo, 14 de Junho de 2015

Em Versalhes

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Sábado, 13 de Junho de 2015

Em Versalhes

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Sexta-feira, 12 de Junho de 2015

Em Versalhes

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Quinta-feira, 11 de Junho de 2015

Poema Infinito (254): a subtileza do desejo

 

 

O leitor vê as sombras das ninfas projetadas pelas lâmpadas fortuitas. Os movimentos dos pequenos seres são silenciosos. Os monstros exíguos são feitos de pedra e cinzas. A noite está obscenamente bela. O espaço abre-se na margem do silêncio. O bosque tinge-se de um azul possível. O poeta cinge os versos com os seus braços em rede. O firmamento enche-se de passos de veludo. A transparência surge através dos pulsos firmes do poeta. As veias transparentes desenham-lhe a loucura. Os lábios beijam a brancura incompleta do desejo. As lâmpadas transformam-se em flores. No poema, as mulheres são feitas de chuva e transportam a felicidade dentro de uma caixa. O seu corpo deixa-se adivinhar pelo leve perfume de lírio. De repente, as palavras ficam curvas e respiram lentamente sobre as páginas. O céu enche-se de rosas. Nas janelas, as mulheres espargem o pólen dos livros. Nasce mais um dia. A minha idade fica um pouco mais cansada. A terra dissolve os seus fantasmas e os nossos sonhos. O mundo revela as suas torres de babel, os seus olhos em chama, o seu rosto tatuado de desespero e água salgada. As raparigas dormem nuas sobre a erva. Os velhos escrevem poemas como se fossem muros de basalto. A espuma dos mares inunda os sonhos e torna-os desesperados. O tempo fica branco dentro do seu círculo vazio. A divindade vibra como se fosse um movimento perpétuo. Sonho com um corpo ardente, com o fragor dos labirintos, com a nudez dos campos. Encontro-te para além da névoa, perfeita como a fragância dos teus olhos matinais. As aves voam na penumbra dos limites. Fixo o teu rosto quotidiano. A penumbra adquire olhos e as raízes das árvores veem através das sombras. A casa adquiriu o húmus do silêncio. O rosto dos meus mortos tem a dimensão da terra. Há sempre muros. E muros. E mais muros. Os dias estão impregnados de nevoeiro. Concentro-me no amor. Amo o teu recatado candor de estrela, a tua delicada integridade, o segredo da tua adolescência persistente, a tua altivez acesa, a leve segurança do teu olhar, a chama do teu peito, a leve inclinação do teu hálito de mariposa, o orvalho que guardas na palma das mãos, a paz de um sonho aberto, o perfume lento do teu sexo, a delicadeza verde e fresca dos teus orgasmos. Por ti escrevo. És o meu horizonte. A felicidade, mesmo imperfeita, sossega. Identifico-a pela sua breve limpidez. Sinto em ti um ligeiro tremor a primavera. O teu rosto tem inscrita a bondade solar dos pássaros, a pureza do trigo, a luminosidade branca da lua. Entrego-me agora ao indeterminado repouso da luz. Desejo a sequência quotidiana das rotinas. No interior do meu corpo dormem novas sombras do teu corpo. As palavras procuram a nudez, eu procuro um universo para além desse, onde cintila a fragilidade que equilibra o mundo. No mar navega um navio que cintila. Em terra voam os pássaros como se fossem chamas brancas. Os livros encheram-se de musgo. A sua sombra parece ferida. O meu poder é uma forma de fragilidade orientada. As presenças dos distintos elementos são novos presságios. O peso do tempo é redondo. O destino é esguio como uma curva gelada. Estremeço antes de abrir a porta do teu corpo. As palavras ficam mais lentas e obstinadas. A casa transformou-se num sinuoso labirinto. A solidão acendeu-se dentro dos quartos. Começo a entender a subtileza horizontal do desejo, o seu espaço harmonioso, a sua fronteira, a sua vibrante impaciência.


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Quarta-feira, 10 de Junho de 2015

Em Versalhes

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Terça-feira, 9 de Junho de 2015

Em Versalhes

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Segunda-feira, 8 de Junho de 2015

243 - Pérolas e diamantes: Vamos fazer política… finalmente

 

 

Basta dar uma vista de olhos pelos órgãos de informação para nos inteirarmos de que a mediocridade está muito arreigada no nosso país.

 

Os portugueses sonham com a pessoa que gostariam de ser, desperdiçando a pessoa que são.

 

Mas este não é, definitivamente, o caso de Marinho Pinto. A verdade é que o ex-bastonário da Ordem dos Advogados, e agora líder carismático do PDR, não tem papas na língua, nem sequer memória curta. E foi isso mesmo o que demonstrou numa interessante entrevista dada ao Público.

 

Sobre a memória. Há 20 anos Fernando Nogueira, líder do PSD, propôs um “pacote da transparência” que previa o conflito de interesses dos advogados. Almeida Santos, então presidente da AR, num dos seus primeiros despachos revogou a aplicação da norma relativa aos advogados.

 

Marinho Pinto, posto perante o episódio, afirmou que a razão deste procedimento tem tudo a ver com o facto de Almeida Santos ser “um dos advogados que mais negócios fizeram neste país à custa do que é público”.

 

Desprezando o registo off, foi ainda mais longe em on: “O dr. Almeida Santos é um advogado de negócios e é uma das pessoas que mais negócios fizeram em Portugal na sua condição de líder político e de advogado, mesmo que tenha tido em alguns momentos a sua inscrição na Ordem suspensa. É vergonhoso esse ato que ele praticou contra a essência da democracia, porque permite que a Assembleia se tenha transformado numa plataforma onde circulam interesses absolutamente opacos, muitas vezes ilegítimos, e tráficos de influências.”

 

Sobre o seu partido, e sobre a necessidade da sua criação no atual contexto político, foi esclarecedor: “Fundámos o PDR não para engrossar o folclore partidário, mas para, justamente, ter soluções de Governo. (…) Para ser poder. (…) Aqueles que pensam que vão conseguir o apoio do PDR apenas dando lugares estão enganados. (…) Nunca seremos muleta de qualquer desses partidos.” E lançou um aviso à navegação interna: “Quem entrou para este partido convencido que vai ter lugar (de ministro) enganou-se.” Com o PDR não haverá “queijo limiano”, não haverá trocas, não haverá tráfico. “Vamos fazer política.”

 

Isto porque o PS não tem capacidade para fazer coligações, dado que à direita existe o seu principal adversário, o PSD – que perdeu a sua dimensão social-democrata, pois foi capturado pela deriva direitista do CDS –, e à sua esquerda persiste a eterna “muralha de aço”.

 

O PDR nasce da necessidade de criar alternativas que desbloqueiem esta situação que tem causado graves entorses ao funcionamento do regime democrático. Metade dos portugueses já não vota nas legislativas e dois terços nas europeias. O PDR, segundo Marinho Pinto, tem como objetivo essencial a mobilização desse eleitorado.

 

A ideologia do PDR, segundo MP: “Defendemos os valores da democracia e dos modernos Estados democráticos e republicanos. A liberdade acima de tudo. A justiça, no seu sentido concreto e amplo de justiça social, de todos participarem no progresso e desenvolvimento. E a solidariedade, enquanto operativo ético-político dos Estados modernos. Não na dimensão assistencialista, caritativa, associada às religiões, mas no sentido político. O Estado tem o dever de permitir condições de dignidade aos setores mais frágeis.”

 

Marinho Pinto situa o seu partido na área da social-democracia, defendendo a economia de mercado, a liberdade de empresa e de investimento, pois “a ideia de que o Estado socialista conduzia à abundância morreu”. Sustenta a ideia de um Estado regulador, não para intervir na dinâmica do mercado, mas para “moderar os seus excessos e suprir as suas deficiências”. E reafirmou a convicção de que “o Estado tem a obrigação de garantir determinados bens: o ensino, a saúde e os transportes públicos”.

 

Definiu a privatização da água como uma traição e disse que a EDP em vez de estar ao serviço do povo português está ao serviço dos chineses.

 

Manteve a sua convicção de que os partidos do BCI (PSD/CDS e PS) puseram este país em saldo. Acusou Costa de “virar” esquerdista, pois, como bom demagogo, “está a prometer tudo e o seu contrário”.

 

Defensor da transparência na política, propõe que a Assembleia divulgue todos os anos as subvenções que dá aos partidos.

 

A terminar lembrou que “os Estados só são independentes quando pagarem as suas despesas.”

 

 

 

 

PS – Para que se faça luz sobre os milhões de euros gastos na construção do Mercado Abastecedor, na Plataforma Logística e também nas instalações do antigo Magistério Primário, que não estão a ter nenhum tipo de utilidade prática no desenvolvimento da nossa região, é necessário e urgente realizar uma auditoria externa às contas da CMC. Tchékhov dizia que “a arrogância é uma qualidade que fica bem aos perus” (ou talvez aos pavões que são aves de cauda mais vistosa). Quem não deve não teme.

 

PS 2 – Em nome da transparência, já agora senhor presidente, talvez fosse boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da JF de Santa Maria Maior.

 

PS 3 – Era um ato de coragem redentora, o senhor presidente deixar-se de desculpas de mau pagador e pôr fim ao deplorável espetáculo dos esgotos a céu aberto em Vale de Salgueiro – Outeiro Seco.


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Domingo, 7 de Junho de 2015

Olival

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Sábado, 6 de Junho de 2015

O menino, o pipo e o garrafão

montalegre+matança abobeleira 2014 167 - Cópia (

 


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Sexta-feira, 5 de Junho de 2015

Sexta-feira 13 em Montalegre

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Quinta-feira, 4 de Junho de 2015

Poema Infinito (253): mapa mental do delírio

 

 

Os meus mapas mentais estão espalhados pela casa, parecem póneis amarrados às árvores antes das grandes batalhas. Os olhos estão fixos no vazio. As torres mais altas da cidade foram já incendiadas. Os homens mexem-se vagarosamente dentro da sua solidão. A vida é um lugar solitário. Primeiro foi Adão e os seus pensamentos imperfeitos: uma mulher feita por partes e crianças burlescas. De seguida surgiram as aves com os seus olhos redondos. No paraíso tudo era mumificado e seco. O céu era longínquo. Eva nasceu dentro do seu próprio vazio. O tempo ainda não existia na sua forma mais acelerada. A luz de Deus era assustadoramente magnânima, caraterística que ainda hoje conserva. As fêmeas aprenderam rapidamente a delicadeza na sua configuração mais correta. As formas evidenciam corretamente a sua essência. É a ordem natural das coisas. Deus viciou-se em soprar fragmentos. Faz parte da sua natureza compósita. A divindade compõe as extremidades entre a vida e a morte. Ninguém sobrevive ao tempo, ao seu sopro de bronze e cinza. Sinto a dor da minha imaginação, os seus olhos austeros e delirantes. O mundo tornou-se indecoroso, sobrevivendo entre o declínio e a queda. As gerações desprezíveis tornam-se célebres. As gerações mais célebres desaparecem. Os palhaços e os farsantes escarnecem dos sonhos mais heroicos. Os poetas curvam-se de tristeza e deliram. Nos seus sonhos aparecem cavaleiros de cabelos esvoaçantes que bebem mel e vinho por cálices sagrados. Dançam aos pares. Acordam de madrugada com corpos brancos deitados ao seu lado. Nas suas histórias as palavras são breves e mais leves que o ar. As damas fixas ostentam a sua palidez perlada. Os seus lábios são como o sol que nasce. Mesmo nos sonhos entardece quando menos se espera. Os bravos guerreiros continuam a cavalgar. E conseguem chegar à sua tristeza, que é profunda como o mar. A alegria é sempre passageira. Nas terras semeadas despertam os cereais. Os animais crescem para cumprirem com a sua utilidade. Houve tempos em que os corações dos homens eram como fornos que fundiam o metal mais denso. Acreditavam nos druidas, nas leis naturais, no destino e no acaso que lhes definiam a vida. Mesmo assim conseguiam sair dos seus átrios fechados e contemplar as gotas do orvalho, a espuma do mar, o júbilo dos corpos navegantes. Conseguiam suspender as trevas e penetrar nos bosques mais sinuosos ou serrados de onde observavam os meteoros a rasgar os céus. Receavam as horas vãs e abominavam a traição. Apesar de fortes, por vezes pareciam aves assustadas temendo não conseguirem levantar voo. Vertiam lágrimas quando escutavam as canções de embalar. Cobriam-se de névoa e contemplavam os fantasmas. Os seus pénis iluminavam-se quando penetravam as fadas mais atrevidas. Chamavam-nas pelos seus nomes mais doces. Subiam as imensas escadarias dos castelos iluminadas pelo luar ou recolhiam-se nas ilhas do medo onde brilhavam as flores mais bruxuleantes. Devido aos feitiços que a rainha das fadas lhes fazia por causa das suas atrevidas cópulas, ficavam com os seus olhos brandos e sombrios, as bocas tristes, as mãos trémulas. E choravam. No palácio das fadas, as grávidas pariam os filhos que tinham a forma de mariposas róseas. Os bravos guerreiros erguiam então as suas espadas e ficavam a saber que tudo tem o seu preço. O estúpido preço da resignação.

 

 


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Quarta-feira, 3 de Junho de 2015

Sexta-feira 13 em Montalegre

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Terça-feira, 2 de Junho de 2015

Sexta-feira 13 em Montalegre

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Segunda-feira, 1 de Junho de 2015

242 - Pérolas e diamantes: enigmas, desalentos e esperança

 

 

Pode até parecer que não, mas depois de provarmos a beleza da arte a nossa vida muda. Depois de ouvirmos  os Concertos de Brandenburgo de Bach ou a música “maluca” de Frank Zappa, a vida muda. Após observarmos um quadro de Vermeer ou de Van Gogh ao vivo, a vida muda. A seguir a lermos Cervantes, Fernando Pessoa ou Herberto Helder, a vida muda. Sem nos darmos conta, nunca mais somos os mesmos.

 

O que ninguém sabe ao certo é onde reside o poder da arte e o efeito que tem sobre as pessoas. Daí o seu fascínio. O seu encanto. Razão tem Adrià, o protagonista do excelente romance de Jaume Cabré, eu confesso: “A obra de arte é o enigma que nenhuma razão consegue dominar.”

 

Também eu, nesta altura da minha vida, tal como disse Pedro Mexia, “ já não tenho livros, sou possuído por eles”.

 

Fernando Pessoa tinha razão: “Custa tanto ser sincero quando se é inteligente. É como ser honesto quando se é ambicioso.”

 

A política está carregada deste tipo de gente. Vou permitir-me adaptar três versos de Marcelo Navarro (Especulações em torno de um poeta): “O político é um fingidor/ de fachada/ Finge tão completamente a dor/ que não sente nada.”

 

Afinal, toda a lealdade é uma espécie de intolerância. Vale a pena lembrar a afirmação de Alberto Camus: “O direito de nos contradizermos foi esquecido na enumeração dos direitos do homem.” Pois como escreveu Vergílio Ferreira, “a coerência total é a das pedras e talvez dos imbecis”.

 

Afinal “Deus criou o gato para dar ao homem o prazer de acariciar o tigre”, como nos lembra a epígrafe de Fernand Méry.

 

O tipo de política a que estamos habituados parece-se muito com o tipo de romance sem enredo, onde o personagem vai sendo construído a partir de muitas influências.

 

No fundo a defesa dos ideais, que nos servem para sermos outros, paga-se caro. Os portugueses até sentem as coisas, o problema é que não se conseguem mexer, nem mesmo interiormente.

 

Por isso é que se deixam ludibriar pelos políticos (maus leitores de Maquiavel), que fazem o que fazem por necessidade mas deixam transparecer que agem por vontade própria. 

 

São seguidores de um preceito prático pouco moral: Se quiseres enganar alguém por intermédio de um enviado, engana primeiro esse enviado, porque então ele mentirá com convicção.

 

Os políticos tradicionais são como os chefes religiosos, pois apelam para o que de menos elaborado há no homem – os seus sentimentos. Com isso conseguem manipular e fanatizar.

 

A nós não nos deve preocupar o sermos vencidos. Isso até nos deve dar prazer, quando quem nos vence é a Razão, seja lá quem for o seu representante.

 

Acerca do génio de Fernando Pessoa, José Paulo Cavalcanti Filho escreveu: “Pode-se admitir que o génio não é apreciado na sua época porque é a ela oposto. Um pequeno génio ganha fama, um génio ainda maior ganha despeito, um deus ganha crucificação.”

 

Uma meia mentira, ou uma meia verdade, ou algumas mentiras de dimensão variável unidas por uma lógica que as torna plausíveis, aguentam-se durante algum tempo. Por vezes até muito tempo. Mas nunca se aguentam durante uma vida inteira, porque existe uma espécie de lei primordial que nos explica que existe a hora da verdade em todas as coisas. É aí que reside a nossa esperança.

 

 

 

 

PS – Para que se faça luz sobre os milhões de euros gastos na construção do Mercado Abastecedor, na Plataforma Logística e também nas instalações do antigo Magistério Primário, que não estão a ter nenhum tipo de utilidade prática no desenvolvimento da nossa região, é necessário e urgente realizar uma auditoria externa às contas da CMC. Tchékhov dizia que “a arrogância é uma qualidade que fica bem aos perus” (ou talvez aos pavões que são aves de cauda mais vistosa). Quem não deve não teme.

 

PS 2 – Em nome da transparência, já agora senhor presidente, talvez fosse boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da JF de Santa Maria Maior.


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