Segunda-feira, 31 de Agosto de 2015

254 - Pérolas e diamantes: uma mão lava a outra e a sujidade não há meio de sair…

 

A rábula dos cartazes do PS e do PSD/CDS, diretores de campanha incluídos, fez-me lembrar aqueles mexicanos pobres que pintam os burros com listas pretas e brancas para os turistas ocidentais os fotografarem como se fossem zebras; ou os sócios do Bollinger Club, referidos por Evelyn Waugh, que num jantar anual de comemoração trouxeram uma raposa numa jaula para a matarem atirando-lhe garrafas de champanhe. E não há óculos modernaços, sorrisos pepsodente e jantares grátis que o disfarcem. Ou os desculpe. A cada um o seu falhanço. Tarantino já provou que é capaz de fazer um filme por bem menos, pois o sucesso de bilheteira é garantido. O espetáculo serve-se quente e delirante, como a mentira. A história dos enganos tradicionais dos partidos dos tachos, panelas e potes mantém-se até à náusea. Até ao vómito. Até à farsa. Até um dia.

 

Num dia qualquer de agosto refresquei-me, primeiro na casa do Alentejo em Lisboa, que me pareceu uma homenagem à cultura árabe, com uma cidra bem fresquinha e mais tarde, mesmo em frente do Palácio de Belém, lendo uma apetitosa entrevista do escritor J. Rentes de Carvalho ao DN.

 

Tal como este senhor das letras portuguesas, que vive Com os Holandeses há mais de quarenta anos, também eu “perdi muito cedo a ingenuidade porque comecei a ler”.

 

Tal como o autor de Ernestina, já votei várias vezes mas continuo a ter uma certa aversão à política lusa baseada em dois partidos, “em que ora manda um ora manda outro e, ao fim e ao cabo, mandam sempre as mesmas pessoas. Esta bipolarização desgosta-me bastante porque se na aparência são inimigos, a verdade é que uma mão lava a outra” e, acrescento eu, a sujidade não lhes sai da pele.

 

Rentes de carvalho conta no seu livro Portugal, a Flor e a Foice, que mesmo antes do 25 de Abril, observou toda aquela gente da oposição democrática e reparou na “naturalidade com que mostravam os interesses e as alianças que faziam”, concluindo que tal gente não era séria.

 

Ou seja, e até nisso estamos de acordo, em Portugal não houve revolução nenhuma. “Os militares foram simplesmente joguetes e sem se darem conta”. O golpe militar que instituiu a democracia em Portugal deu-se porque, na sua opinião, que igualmente partilho, “houve forças importantes que aproveitaram a mentalidade dos militares, o aborrecimento por não poderem ser promovidos e o medo de que os milicianos lhes roubassem o lugar. Psicologicamente isso foi extremamente bem aproveitado dando a todos – a eles próprios e ao povo – a ilusão de que ia haver uma mudança no país.

 

Um dia, em plena estação de São Bento, no Porto – JRC nasceu em 1930 em Vila Nova de Gaia –, uma vendedeira de jornais disse-lhe a “grande verdade”: “Ó menino, a merda é a mesma, as moscas é que são outras.”

 

Sem papas na língua, J. Rentes de Carvalho, aproveitou para se referir à crítica literária lusa. Aquando da saída do seu romance Rebate, os críticos lá de Lisboa dispararam logo vários tiros de canhão afirmando que “esse sujeito não sabe conjugar verbos, não conhece a gramática, não é capaz de contar uma história”. Passados oito anos, o livro foi editado na Holanda e logo todos disseram: “«Uma obra-prima». Ou seja, é tudo um bocadinho tristonho.”

 

Não gosta da escrita de António Lobo Antunes, que abandonou após ler Memória de Elefante; não leu O Pêndulo de Foucault, de Umberto Eco, porque se ficou pelo Nome da Rosa, confessando: “Há temas que me ultrapassam porque não sou muito inteligente.”

 

Afirmou-se um apreciador de Eça e Camilo e de João Guimarães Rosa. “Quem não sabe quem é Guimarães Rosa está muito mal.”

 

Confessou-se um admirador de Céline, chegando a defini-lo como um “grande homem”. “As pessoas enchem a boca de Proust e James Joyce mas o Sr. Céline está acima dessa gente toda.”

 

Numa coisa discordamos, mas até por isso o fiquei a admirar ainda mais um pouco. Eu sou fã de Aquilino Ribeiro, especialmente do seu genial livro Malhadinhas. Rentes de Carvalho considera que o autor de Andam Faunos pelos Bosques “andou a pintar uma gente toda florida”, que é um produto fabricado, “uma espécie de louça das Caldas”.

 

Perguntaram-lhe o que pensa de Torga. A resposta foi crua: “Como pessoa era um horror. Um sujeito mau, peneirento e chato. Como escritor era bom, mas limitou-se na sua escrita. Tinha um nome fácil de memorizar.”

 

Choca-o, e também a mim, diga-se de passagem, que o Eusébio esteja no Panteão. “Pelo amor de Deus. É uma bacoquice, é uma pelintrice.” E a Amália “também não. Tenham paciência”.

 

“É uma vergonha dizer em qualquer parte do mundo que temos um futebolista no Panteão Nacional.”

 

Por estas e por outras é que quando uns “maduros” lhe quiseram fazer uma homenagem e se dirigiram à Câmara da sua aldeia de adoção (Estevais – Mogadouro, terra dos seus pais), o presidente disse logo: “Não! Ele não é de cá.”

 

A terminar revelou, referindo-se às suas traduções para o neerlandês, feitas do original português, que, tal como o jargão do politiquês utilizado pelo PSD/CDS/PS, “o holandês é uma língua boa para falar de porcas e parafusos”. 

 

Esta entrevista fez-me lembrar o lema do fugitivo pai de David Bartra, o menino triste e herói do romance de Juan Marsé, Rabos de Lagartixa: “A puta da verdade há de ensinar-te a duvidar de tudo”.


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Domingo, 30 de Agosto de 2015

Vasco levantando-se

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Sábado, 29 de Agosto de 2015

Vasco sentado

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Sexta-feira, 28 de Agosto de 2015

Axel e Vasco observando

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Quinta-feira, 27 de Agosto de 2015

Poema Infinito (265): o movimento dos labirintos

 

 

Sou de uma geração aflitiva onde as palavras brotam cinzentas e se conseguem sensibilizar com a água da chuva quando cai para o lado do mar e os barcos se aproximam da praia homenageando os cânticos dos pescadores e a inocência mordaz das cidades decorativas. A esplêndida antiguidade das redes de pesca espalha pela areia a sua intimidade com os peixes. Toda a nossa inspiração de dissolveu numa espécie de gramática do absurdo. Os presságios passaram de ditos a interditos. Os sonhos ficaram expostos à condenação. As narrativas passaram a ser escritas em forma de acusação. As palavras exigiram aventura e desordem. E erro. Passámos a transportar no olhar a lógica absurda dos rituais, a imprecisão das vigílias, os sofismas da luz eterna. Os nossos lábios passaram a murmurar a palavra regresso antes mesmo da partida. Os nossos gestos passaram a imitar o voo circular das fronteiras, a tradição melancólica das divindades, a lucidez divina da autoridade, a singeleza incómoda da obediência. Sopraram então os ventos litorais transportando os poemas que possibilitaram a reinvenção de novas civilizações vulgares. As imagens do tempo ficaram mais oblíquas. As árvores transformaram os seus frutos em composições atmosféricas. Os deuses da inutilidade semearam então as estradas, os carros, os centros comerciais, conferiram aos livros o seu destino efémero, resignaram-se à obscuridade dos hereges, à expressão mínima dos desejos e da transcendência. A música passou a soar indecisa e as imagens dos homens ficaram disformes e atrapalhadas. As crenças ficaram mais fortes e a razão mais obediente. O mundo íntimo do sofrimento adquiriu a sua forma definitiva. A tentação passou a ser um jogo difícil de jogar. Os rios encheram-se de palavras secretas. A memória remanesceu mais solitária. O delírio substituiu a justiça que ficou de uma cor fina e abstrata. A vontade foi dominada, as religiões recusaram definitivamente a razão, a virtude passou a ser uma metáfora e o esquecimento transformou-se numa espécie de contabilidade moral. A vontade foi dominada pela virtude. As almas passaram a ser corpos incertos. Regressámos de novo às formas arcaicas e à sua mediocridade ancestral. Deus ousou criar a sua obscuridade sagrada e elucidar as suas profecias divinas. O povo ouviu-o e elaborou a sua arte maior: a matemática exponencial dos sonhos. Deus recusou-lhes a eternidade. O tempo ficou mais orgânico. Ouviram-se então gritos nas terras habitadas porque os insetos devastaram as searas que cresciam loucas pela planície. A música passou a ser um choro. O erotismo disseminou-se pelos vários continentes. Vozes silenciosas brotaram dos lábios virgens. O amor passou a ser diverso. E extenso. Por fim os horizontes atraíram as nuvens e as lágrimas os olhos respetivos. Grupos de mulheres juntaram-se na orla do mar. As linhas das falésias foram invadidas por aves marítimas. Uma névoa cinzenta tomou conta do mar. Amanhecemos em pleno inverno. A nossa geração ficou rigorosamente quieta a observar a imobilidade crua da estética. O movimento dos labirintos transformou-se na doce sombra da realidade.


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Quarta-feira, 26 de Agosto de 2015

Axel pensativo

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Terça-feira, 25 de Agosto de 2015

Em Versalhes

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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2015

253 - Pérolas e diamantes: a ignorância sincera e o conhecimento

 

 

Foi passeando com um amigo e observando alguns olhares que nos observavam, que me lembrei de uma passagem do livro de Svetlana Aleksievitch, O Fim do Homem Soviético, onde a autora explica que foi na cozinha russa (khruschoviana) onde se iniciou o declínio e a morte do sistema soviético, vulgo comunismo. “Ali nasciam ideias, projetos fantásticos. Contavam-se anedotas. As anedotas floresciam! Comunista era aquele que lia Marx, o anticomunista era aquele que o compreendia.”

 

A isto se reduziu um dos mais brilhantes sonhos políticos do século XX: à anedota. Pelos vistos, a política vale pouco a pena. Os políticos, todos eles, ou quase todos, não são merecedores do nosso respeito e muito menos da nossa atenção.

 

No entanto eu penso que existe ainda alguma réstia de esperança. Pequena, é certo, mas, apesar desse trilho estreito, talvez ainda valha a pena não desistir de toda a política e de todos os políticos.

 

Tal como Vladimir Nabokov, “nada me aborrece tanto como os romances policiais e a literatura de intenções sociais”, e, acrescento eu, os políticos do “centrão" partidário português: Passos Coelho, Paulo Portas e António Costa.

 

Os três fazem-me lembrar um aluno citado por Nabokov, no livro Opiniões Fortes, que, ao ler um romance, gosta de saltar passagens “para fazer a sua própria ideia do livro, e não ser influenciado pelo autor”.

 

Continuando a citar Nabokov, igualmente “os meus desejos são modestos. Os retratos dos chefes de governo não devem exceder em tamanho um selo dos correios”.

 

“Para ser franco – e o que vou dizer agora é uma coisa que nunca disse antes, e espero que provoque um arrepiozinho salutar – sei mais do que posso exprimir em palavras, e o pouco que posso exprimir não teria sido expresso se não soubesse mais.”

 

A citação é inteiramente dedicada a todos os estimados leitores que gostam de fazer inferências. Esta e a que vou incluir no fim deste artigo.

 

É a modos como uma pequena homenagem que vos presto, já que não posso oferecer medalhas pela vossa persistente e zelosa leitura.

 

Mas voltemos à política e aos políticos. Aos do “centrão”, claro está. Aos outros que Deus os ajude e a mim não me desampare.

Rui Machete, um homem do PSD que anda na política vai para quarenta anos, e que o dizem ministro deste governo, afirmou que “não se reforma o Estado apenas fazendo fusões entre instituições”. É caso para perguntar o que andou este senhor a fazer durante perto de 40 anos à frente dos destinos da pátria. Ele e os eus companheiros de partido.

 

Em editorial, o Público diz que entre outros aspetos relevantes, o PS impôs um “compromisso ético” aos seus candidatos, proibindo o lobbying e a participação em “negócios do Estado”. É caso para perguntar se o PS não estará à beira da extinção. E porquê?, perguntará quem nos lê. Pois façam os prezados leitores as respetivas inferências, pois desta vez é por aí que estamos a caminhar.

 

Em pleno período estival, e também eleitoral, Marco Paulo está de volta com um videoclipe gravado em Kaxaça, no Montijo. Será para mais uma vez lembrar aos portugueses que devem continuar a votar nos seus dois amores PSD/PS? Espero bem que não, pois esse amor já deu o que tinha a dar: pré-bancarrota e austeridade.

 

Até ao dia das eleições, estou em crer que não faltarão trocas de acusações entre os dois líderes do PSD e do PS, que cada vez mais nos fazem lembrar a dupla de polícias do Tintim, Dupont e Dupont.

 

Só que desta vez à sua volta estão os denominados pequenos partidos que poderão, e deverão, penso eu, ter um papel fundamental na constituição do futuro governo, pois ao que tudo indica, nem a coligação nem o PS obterão maioria absoluta.

 

Estamos em crer que mesmo na penumbra, e sem tanto protagonismo mediático, os pequenos partidos, sobretudo o PDR de Marinho Pinto, poderão vir a ser os grandes vencedores das próximas eleições.

 

Volto de novo À Vida e Opiniões de Tristam Shandy, de que tanto gosto, sendo que, o papel do tio Toby deve ser reconhecido como “o bom povo português que vota de olhos fechados nos de sempre”.

 

“– Entendeis vós a teoria desta matéria (infinidade, presciência, liberdade, necessidade)? – Inquiriu o meu pai.

– Eu não, disse o meu tio.

– Mas tendes vós alguma ideia, insistiu o meu pai, daquilo de que estais a falar?

– Não mais do que o meu cavalo, respondeu o meu tio Toby.

– Santo Deus! – Exclamou o meu pai, olhando para cima, e unindo as duas mãos, – há tal valor nessa vossa ignorância sincera, irmão Toby, que seria quase uma pena trocá-la por conhecimento.”


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Domingo, 23 de Agosto de 2015

Em Versalhes

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Sábado, 22 de Agosto de 2015

Em Versalhes

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Sexta-feira, 21 de Agosto de 2015

Em Versalhes

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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2015

Poema Infinito (264): busca interminável

 

 

Procuro na noite os movimentos do tempo, as suas faces de cinza, o seu esplendor funesto, a sua alma líquida, as suas galerias subterrâneas, os seus séculos noturnos. As cidades brilham nas zonas periféricas. Os seus mitos são como bezerros de ouro. As suas leis não estão escritas nas tábuas de Moisés. Delas restam apenas as lendas e o pó infinito da paciência de Deus. Os céus começam a evoluir lentamente e não suspeitam que podem morrer de repente. Possuem a mesma fluência das plantas e a constante imensidão das realidades bravias. Brilhamos no escuro e honramos os fragmentos do apocalipse. Admiramos a liquidez do amor, a incansável desordem da matéria, e a sua suspensão, o denso desenvolvimento da gravidade, a subtil morosidade da paixão, os sorrisos nos rostos tristes, o motor das utopias, o labirinto das palavras, e o seu desânimo, o renascimento do fogo eterno, a memória do esquecimento, a poesia que se expande pelo mundo como uma sombra secreta, a luz que existe dentro da própria luz, a infância ressuscitada, o silêncio dos astros e o murmúrio salgado dos mares. A vontade expande-se e dilata-se com o calor do teu olhar. Houve tempo em que os ceifeiros cantavam sobre o cereal, agitando o tempo, enganando a fome e a sede. Obstinavam-se na sua sorte. Dançavam sozinhos. Erguiam muros de pedra e espantavam os desejos. Mais árduas que o trabalho eram as palavras cinzeladas pelos seus lábios. Fingiam-se frias e pousavam ocultas sobre as coisas bravas. As casas eram todas feitas de pedras e tempo e comportavam-se como buracos negros. A solidão era tanta que tudo tremeluzia em seu redor emitindo uma ténue luz radioativa. Deus era uma voz assustadora, agitando sempre a ordem. As regras da morte são sempre violentas. As janelas das casas são sempre sossegadas. O tempo é sempre denso e povoado de elevados ulmeiros e almas que se reproduzem dentro dos sonhos. Durante a noite viajo com a quietude das árvores. O vento sopra sobre os choupos. Sigo o carreiro onde cantam os pássaros e zumbem os insetos. O meu tempo passa sobre o tempo dos outros. Não consigo encontrar o banco de pedra sob o carvalho onde o meu avô se sentava comigo ao colo e me contava histórias cheias de um vento que soprava como se fosse uma voz efémera, onde os lagartos olhavam o mundo por cima da erva cintilante dos lameiros. Escutávamos a voz da terra, a deslocação da solidão, a aproximação e o afastamento do tempo, a gravitação da luz. Foi lá que aprendi a interpretar a liberdade das distâncias, a solidão das estrelas, a epifania da coragem, o receio em abrir a porta das recordações, a infindável diferença entre os seres humanos, a perseguição do desejo, as palavras que nos ajudam a vencer as separações. Então os dias começaram a ficar mais pesados e cheios de medo. Com eles, os homens começaram a erguer catedrais com ruínas no seu interior. E iluminaram as praças e o frio de natal. Os anjos começaram a escurecer. Deus carregou-os então com o pesado abismo das asas. No momento em que abri a janela caí abaixo da realidade. Aprendi que a alegria é uma espécie de imperfeição.


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Quarta-feira, 19 de Agosto de 2015

Em Versalhes

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Terça-feira, 18 de Agosto de 2015

Em Versalhes

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Segunda-feira, 17 de Agosto de 2015

252 - Pérolas e diamantes: um misterioso porte do corpo…

 

 

Hoje, uns minutos antes de começar a rabiscar este escrito, recordei-me de repente do dito espirituoso de Tristam Shandy: “A escrita, quando bem governada (como podeis estar certo de que é a minha), é apenas outro nome para designar a conversação.”

 

As críticas feitas a Marinho Pinto pelo seu suposto protagonismo individual fazem-me lembrar as palavras do escritor espanhol, infelizmente já falecido, Francisco Umbral, quando defendeu o juiz Garzón: “E que diferença faz que ele procure protagonismo? Só os que aspiram a ser protagonistas é que fazem mover a história.”

 

Citando o autor de Memórias Republicanas (1992), também eu “nunca me associarei aos cantos gregorianos entoados pelos sumo-sacerdotes da inveja. Este é um país de gente dissimulada em que só não gostamos de ter de fazer coisas, mas também não gostamos que outros as façam, porque nos desmascaram e nos fazem sentir embaraçados”.

 

E põem-se a falar de cima da burra sobre os seus cargos públicos, ou sobre os seus empregos, o seu poder e a sua dignidade. Especialmente os do centrão nutrem por Marinho Pinto um odiozinho afetado. Se calhar até têm as suas razões. Mas, como diz Tristam Shandy, cada um diz da feira conforme o que lá vendeu.

 

Agora que já entrámos em pré-campanha eleitoral, os dichotes dos políticos do denominado arco da governação fazem-me lembrar uma Máxima de François de Rochefoucauld: “Um misterioso porte de corpo serve para cobrir os defeitos do espírito.”

 

Muitos dos que assim falam nem sequer chegam a saber em que consiste a diferença entre um argumento ad ignorantiam e um argumento ad hominem.

 

Os nossos políticos tradicionais, porque lhes ensinaram nas jotas do partido, utilizam muito o argumento da ignorância: quando oradores confiam na ignorância do público para que as suas proposições sejam aceites.

 

Apesar de cada vez menos, ainda há políticos que o que ganham no escritório perdem-no depois em combate. Mas cada um é para o que nasce.

 

O silogismo de Zenão define bem a nossa condição social e política: Por que razão somos um povo arruinado? Pois porque somos corruptos. E porque somos corruptos? Pois porque somos necessitados. E daqui não saímos. Pelo menos até agora.

 

E como é que isto se faz? Para ir (in)direto ao assunto, passo a transcrever um pedaço de excelente prosa do romance Crematório, de Rafael Chirbes (Minotauro, Edições 70):

 

“(…) para se ver como foi grande o salto, com toda a gente a mudar ao longo destes trinta anos para um carro cada vez melhor; e eu há trinta anos a discutir com os vereadores, com os membros da assembleia, com o conselheiro do ordenamento do território (tão vivo, um lince: origens populares, em novo militou na extrema-esquerda com o Matías, eu também prestei alguma colaboração, dinheiro, eram outros os tempos: as voltas que a vida dá), com os proprietários dos terrenos, com os arquitetos, com os encarregados das obras, com os pintores, soldadores, pedreiros, metalúrgicos, estucadores, maquinistas, canalizadores, eletricistas, jardineiros, estilistas e decoradores: pressionar para que alterem o plano parcial, para que requalifiquem o que alguém se lembrou de manter como zona agrícola ou tentar converter em espaço protegido; influenciar para que redefinam a volumetria da zona; obter a licença, a licença de habitação; negociar a instalação com a companhia de eletricidade, os cabos com a companhia dos telefones, arrastar-me, pedir favores; embora a batalha mais impiedosa seja a que se trava nos gabinetes, a guerra dos gabinetes – não é assim que se diz? – a mais cruel, essa que faz com que, se compras tu, compras um terreno onde não se pode construir, uma parcela rústica, uma parcela de utilização social, de utilização terciária, seja ló que for; e se compro eu, amanhã tenho uma autorização assinada pelo arquiteto municipal, sete ou oito pisos, um sótão ilegal, mas ao qual a autarquia fecha os olhos, garagens, instalações comerciais. (…)”

 

 E o resto podem lê-lo neste livro de leitura compulsiva, e obrigatória, que foi galardoado com o Prémio Nacional de la Crítica.

 

As razões são mais do que evidentes.

 

Evidentemente…


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Domingo, 16 de Agosto de 2015

Na festa

São Sebastião Couto de Dornelas 2015 068 - Cópi

 


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Sábado, 15 de Agosto de 2015

Ao fim do dia na feira

Santos 2014 043 (2) - Cópia.jpg

 


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Sexta-feira, 14 de Agosto de 2015

À espera

montalegre+matança abobeleira 2014 275 - Cópia.j

 


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Quinta-feira, 13 de Agosto de 2015

Poema Infinito (263): a aprendizagem do desaparecimento

 

 

Ontem fui ver as rimas que crescem nos campos entre os álamos e o milho. A sua voz continua tranquila, como os gestos dos filhos no momento de adormecer. Os pilriteiros floresciam de saudade. Os homens olhavam a verdade de frente e endureciam as linhas do rosto. Lembrei-me então dos dias que eram como espelhos onde as águas corriam redondas e serenas. O comboio ainda passava lá em baixo lento e vago como as orações. Os figos eram da cor do oiro ardente e tão doces como a voz da minha avó. Ela costumava lavar logo de manhã o seu cabelo branco, o seu rosto fino e a sua voz pura. O amor pelo meu avô já falecido doía-lhe como se tivesse silvas em volta do coração. O seu silêncio tomava conta das paredes, do tempo e das janelas fechadas. O silêncio subia as escadas, tomava conta da cozinha e adormecia nas camas frias dos quartos. Por vezes os seus olhos transformavam-se em cristais lunares que perseguiam as andorinhas. Ela sabia que a morte dos outros também nos mata a nós. Que é como os lobos que não vemos mas persentimos, como os lobos que nos perseguem com o seu olhar sossegado. A minha avó adormecia sempre de mãos abertas e sonhava com rosas doces misturadas com cravos de esquecimento que nasciam no meio dos campos verdes. As árvores tinham sempre a forma do desalento e cresciam como se fossem romances tristes cheios de pombas que procuravam a sua própria sombra nas águas dos rios. As ovelhas eram sempre brancas como os rebanhos de Deus. A minha avó também sonhava com anjos azuis que pronunciavam palavras desertas de sentido. Dizia sempre que lhe apetecia chorar. Então acordava e ficava quieta quatro ou cinco longos segundos. Depois olhava para mim e sorria como se tivesse visto o meu avô. Pelo menos era isso o que eu pensava. Também me lembro do meu avô e do seu rosto de soldado de uma guerra tardia, das pedras que atirava para longe como se fossem armas cegas, dos seus olhos que andavam sempre à deriva, das noites em que se esforçava para inventar os dias, dos seus ossos feridos, das suas palavras temerárias, da sua angústia quando me dizia que a sua vida era como palha centeia exposta ao vento. A sombra das árvores sempre lhe embuçou a vida até ao derradeiro momento em que entregou a alma ao criador e o corpo à terra que sempre o escravizou. Com as tábuas dos castanheiros talhadas pelo ferro do serrote e do machado construiu escanos, mesas, bancos e arcas onde guardava o centeio, o fumeiro e o pouco dinheiro que possuía. Andava sempre com o corpo moído de sono e míngua. No fim das refeições, quando comia à mesa, apoiava os cotovelos nas tábuas que aparou e contava histórias de abundância repletas de vacas de úberes cheios, de extensas planícies, de montes repletos de perdizes e árvores, de damas vestidas de linho branco e olhos enamorados que molhavam os pés nas águas limpas dos rios e dormiam a sesta debaixo dos salgueiros. Os seus contos duravam o tempo do seu sorriso. No fim, levantava-se ao mesmo tempo que o seu coração e ia aparelhar os animais na companhia da sua inseparável solidão. As noites gastava-as a arder como se vestisse pedras frias. A morte escolheu-o numa noite de distração. Isso é o que pensa a minha avó quando os olhos se lhe enchem de tristeza e morte.


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Quarta-feira, 12 de Agosto de 2015

A avó e os netos

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Terça-feira, 11 de Agosto de 2015

Pensando

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Segunda-feira, 10 de Agosto de 2015

251 - Pérolas e diamantes: os substitutos de Deus

 

 

 

A leitura do livro Os Ricos, de John Kampfner, é no mínimo enriquecedora. Nele tenta-se explicar de alguma forma como é que as pessoas se tornam ricas. Como todos sabemos, fazem-no por meios honestos e desonestos, através do empreendedorismo, da apropriação de bens e também por herança. São eles que fazem e manipulam os mercados, combatendo e derrotando a concorrência, ou mesmo eliminando-a. Quando já se encontram lá no alto da pirâmide, obtêm ainda mais influência no seio da liderança política, aliando-se, ou corrompendo, as elites culturais e sociais.

 

Depois começam a comparar-se entre si, o que quase sempre os leva a que se sintam insatisfeitos com o muito que possuem, passando a acreditar que ainda não são suficientemente ricos ou poderosos.

 

Quando obrigados, retribuem ao Estado o mínimo de impostos que conseguem pagar sem serem apanhados.

 

Cada rico reforça as convicções profundas dos outros ricos, convencendo-se de que pelo facto de terem obtido riqueza, e de gastarem alguma parte dela em obras de caridade, isso os alivia de se sentirem culpados e de ocuparem o lugar que lhes é devido no topo da lista dos caridosos, ou nos grupos de influência mundial que tomam as decisões e por isso são moralmente superiores.

 

John Kampfner conta a determinada altura que Lloyd Blanfkein, o presidente e diretor-executivo da Goldman Sachs, falou em nome de muitos membros deste grupo quando fez o célebre comentário sarcástico de que estava a “fazer o trabalho de Deus”.

 

O autor conta-nos que os ricos, na sua maioria, “são compulsivamente competitivos – a ganhar dinheiro e a gastá-lo”.

 

À fase de deslumbramento e de aquisição de riqueza, segue-se a da ostentação. A opulência atualmente manifesta-se de forma diferente do passado, mas a base psicológica é a mesma. Os escravos, as barregãs, o ouro e os castelos da Antiguidade e da Idade Média foram substituídos pelos jatos particulares, pela compra de ilhas paradisíacas e pela aquisição de clubes de futebol.

 

Os mais tímidos ficam-se por aqui. Fogem das luzes da ribalta, escondem-se atrás das elevadas muralhas das suas mansões, entregando-se, em ameno convívio com os seus séquitos de amigos e parasitas, ao usufruto do luxo circunspecto.

 

Kampfner , relata, com sentida ironia, que “numa fase precoce, intervêm as leis da gravidade. Quanto mais rico se é, mas rico se fica. Do mesmo modo que, quanto mais pobre se é, mais fácil é cair ainda mais baixo”.

 

Os entendidos na matéria dizem que a tarefa mais difícil é ganhar os primeiros 10 milhões. A partir daí, “os regimes fiscais benévolos, os advogados e os reguladores farão o resto por si. Os melhores cérebros vão sempre atrás do dinheiro e, por isso, os reguladores que ganham uma fração dos seus salários não são adversários à altura. Os plutocratas exortam o Estado a deixá-los em paz mas, quando as coisas se tornam difíceis, o Estado é invariavelmente o seu melhor amigo, resgatando bancos e outras instituições consideradas «demasiado grandes para falirem». Os lucros são privatizados, as dívidas socializadas.

 

Joseph Stiglitz, o célebre economista americano, tem razão quando afirma que a maior parte da desigualdade atual resulta da “manipulação do sistema financeiro, tornada possível pela alteração das regras que foram compradas e pagas pela própria indústria financeira – um dos melhores investimentos de sempre.”

 

Mas será que está tudo perdido? O autor é suficientemente sarcástico a responder: “Inúmeras figuras do mundo da banca regressaram como assessores de Presidentes e primeiros-ministros. Quanto à opinião pública, a História sugere que também ela amansará à medida que as economias recuperarem e as recordações se esfumarem. Independentemente do delito, os ricos costumam conseguir garantir a reabilitação… se se dedicarem a isso com afinco suficiente.”

 

Numa interessante entrevista à LER, José Matoso pôs o dedo na ferida: “O nosso tempo foi sempre escravo da economia. Em países onde se percebeu que a racionalidade era mais eficaz do que a ideologia, a religião ou a magia, e onde, por isso, a sociedade se organizou a partir da técnica, a economia pôde, até certo ponto, respeitar e proteger a cultura. São as nações civilizadas do nosso tempo. Mas o que liberta a sociedade da economia não é a racionalidade nem a técnica, mas o amor, todas as artes, a compaixão pelos que sofrem, a solidariedade, o diálogo, a conjugação das diferenças.”

 

Tal como o historiador, também eu não sei, nem ninguém sabe, como será o dia de amanhã. No entanto todos temos a esperança que não seja tão mau como se teme.

 

“Há mal que vi debaixo do Sol, e atrai enfermidades: as riquezas que os seus donos guardam, para seu próprio dano.” (Livro do Eclesiastes, 5, 13)


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Domingo, 9 de Agosto de 2015

À luz da Igreja

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Sábado, 8 de Agosto de 2015

Cortando o pão

DSC_1368 - Cópia - Cópia.JPG

 


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Sexta-feira, 7 de Agosto de 2015

Nossa Senhora das Brotas - Chaves

Brotas 2015 022 - Cópia.jpg

 


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Quinta-feira, 6 de Agosto de 2015

Poema Infinito (262): o princípio da solidão

 

 

A solidão é uma palavra que come as outras palavras e transforma os nomes em feridas. O vento produz-nos uma rara sensação de embriaguez. Os jardins estão alerta. Os leões de pedra disfarçam-se de blocos zoológicos e dos seus olhos ferozes caem lágrimas botânicas. Os insetos brilham como se fossem gotas de sangue. A terra também possui vários plurais. E segredos. Os braços apertam as estrelas. Trememos propagando várias ondas sísmicas. Primeiro sentimos o medo. Depois o delírio. A beleza constrói-se através de um trabalho sombrio, com a paciência do oleiro que apenas usa a visão elementar das coisas. Os frutos nas árvores nascem de forma instantânea, interiormente modificados pela nossa visão de terra. O tempo demora a uni-los. Constelações de vento conquistam a casa. Um incêndio perpétuo trabalha as imagens do apocalipse. O sono devora a zona selvagem do conhecimento. De dentro de nós saem suspiros e pesadelos ébrios, como se o mundo inteiro cedesse ao peso simples do pavor das coisas que cintilam. Estátuas brotam da terra carregadas de símbolos que celebram a tensão do granito. Depois abraçam as estrelas inquietas. O chão transpira possuído pela sua ancestral potência astronómica. O tempo vibra. A carne treme. O desejo é como uma vara tensa e verde que bate na carne vermelha à procura do buraco aberto da exaltação. As ribeiras atravessam os campos sentindo o peso em que se apoia a delicadeza, o frio e a luz. No céu, os cometas giram em busca da sua própria cauda. Os teus olhos têm luz própria, atravessam as trevas como se fossem animais de coração delicado, ébrios de oxigénio. Os abraços engrandecem tudo, são como barragens de solidariedade. As palavras sobem à tona da água como se fossem bolhas de desalento. Nome a nome, preenchem os espaços bravios e desabrocham como estrelas florais. A loucura do tempo transforma as casas vivas em besouros altivos. A água encharca as terras que dormem. Os pássaros cantam uma espécie de canção ultramarina. A tua imagem torna o mundo inocente. As almas que cintilam ao longe ficam de repente húmidas. Soletro-as como se fossem palavras mágicas em busca de sentido. De todos os sítios do meu sonho saem imagens exaltadas que se transformam em estátuas vibrantes e se inclinam dentro do escuro. Apenas os seus olhos brancos brilham e iluminam a boca e os dedos que fecharam a noite como se fosse uma selva química. As estátuas são lentas como buracos negros. Um clarão surge nas suas bocas. Surgem depois as mulheres sombrias, cheias de leite e sal. As suas mágoas transbordam e espantam a luz. São outra vez crianças brancas que procuram nos muros as silvas e as amoras. De novo os seus rostos ficam obscuros com a textura da seda e do esquecimento. Os seus dedos medem as bilhas da água, as porcelanas na mesa, as labaredas da fogueira, os girassóis, as paisagens, os cereais, as roupas que secam ao sol, o leite que nasce dentro dos seus seios, a inclinação triste dos rostos dos filhos, os precipícios da noite, a vertigem das manhãs. As suas mãos pensam tanto como o seu cérebro. A sua ciência baseia-se numa memória sumptuosa. Tenho medo de tocar nos objetos inesperados. As mãos que escrevem ainda não conseguiram encontrar a forma de acabar com a solidão das palavras.


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Quarta-feira, 5 de Agosto de 2015

Berto e o cão

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Terça-feira, 4 de Agosto de 2015

Ponte Romana - Chaves

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Segunda-feira, 3 de Agosto de 2015

250 - Pérolas e diamantes: mudar de direção

 

 

Está provado que uma oportunidade leva diretamente a outra, assim como o risco atrai mais risco, a morte origina mais morte e a vida gera mais vida.

 

E como sabemos que uma coisa está viva? Pois vemos se respira.

 

Como a maior parte das desgraças, também a europeia começou com uma espécie de felicidade aparente.

 

A sorte continua a ser o requisito final das coisas verdadeiramente interessantes.

 

Mas jamais podemos cair no erro grego de, enquanto cordeiros, entregar a faca ao açougueiro europeu.

 

Portugal tem de acordar do sonho mau, não acordar para um, substituindo as trevas pela obscuridade, trocando simplesmente Passos Coelho por António Costa.

 

Uma coisa são as promessas destes senhores e dos respetivos partidos, outra bem diferente é o seu cumprimento. O que eles dizem e a realidade costumam ser duas coisas completamente diferentes.

 

Adriano Moreira tem razão quando afirma a sua convicção, que partilho, de que é necessário cada organização política rever a sua definição formal, para ver se a definição ideológica de cada partido ainda é aquela que orienta a sua intervenção atual. Pois estou em crer que nem o CDS é democrata-cristão, nem o PS é socialista e muito menos o PSD é social-democrata.

 

A reforma do Estado tem de se iniciar nos partidos. Temos de contrariar a inércia reinante.

 

Por essa europa fora diminui todos os dias a relação que existia entre as sociedades civis e os respetivos governos. Esse facto é medido pelo nível da abstenção em todas as eleições que se efetuam. A Europa trocou a crença dos valores pela confiança dos mercados.

 

Não é bonito vermos os nossos governantes discutirem nas instituições europeias com os empregados das organizações.

 

Nos últimos quatro anos empobrecemos enormemente.

 

O problema político a que temos de dar resposta é fácil de enunciar: é necessário restituir o pão na mesa e o trabalho aos portugueses.

 

O trágico é que estamos a sofrer as consequências das decisões europeias sem termos participado nelas. Os portugueses sentem o seu país mais exíguo, com uma relação desigual entre objetivos e recursos. 

 

O nosso voto tem de ser confiado a quem tenha uma visão, uma estratégia e uma ambição para o país. A alguém que nos apresente ideias mobilizadoras e que consiga congregar os cidadãos da República. Que faça emergir nos portugueses o seu melhor.

 

Que nos faça sentir o orgulho em ser portugueses. Que não transija em matéria de ética e de corrupção. E que o afirme sem rodeios nem tibiezas. Uma pessoa, que defenda a justiça social e a repartição, que seja impiedoso com os corruptos e seja fiel aos princípios democráticos e republicanos.

 

Que nos liberte definitivamente da condição porque passou Bocage de “sucinto almoço, ceia casual e jantar incerto”.

 

Para terminar, deixo aqui a Fábula Curta de Kafka para que a sua leitura sirva de exemplo aos distraídos.

 

"Ai de mim!", disse o rato, – "o mundo vai ficando dia a dia mais estreito". – "Outrora, tão grande era que ganhei medo e corri, corri até que finalmente fiquei contente por ver aparecerem muros de ambos os lados do horizonte, mas estes altos muros correm tão rapidamente um ao encontro do outro que eis-me já no fim do percurso, vendo ao fundo a ratoeira em que irei cair". "– Mas o que tens a fazer é mudar de direção", disse o gato, devorando-o.


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Domingo, 2 de Agosto de 2015

Mosteiro de Oseira

Carbalinho e Mosteiro de Osa 003.jpg

 


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