Domingo, 31 de Janeiro de 2016

Na Madalena - Chaves

Vidago+Chaves+Barroso 071 - Cópia.jpg

 


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Sábado, 30 de Janeiro de 2016

Rebanho

Santo Ovaia, etc 026 - Cópia.jpg

 


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Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2016

Artesão

Romanos em Chaves, 2015 021 - Cópia.jpg

 


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Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2016

Poema Infinito (287): sequências e ambivalências

 

 

A minha memória habita ainda a arca castanha: o seu sereníssimo sossego, o seu mundo antiquíssimo, a sua ascendência lunar, o sol por cima das montanhas verdes, a ligeira ondulação das nuvens, a unanimidade do ar. Lá dentro o tempo fragmenta-se, o universo expande-se e os corpos mexem-se como os peixes dentro de água. O cheiro do fumeiro e das leguminosas a ferver no pote perfuma as paredes da cozinha. A casa parece uma ilha nos confins do tempo, vagueando tranquilamente entre as ilhas, o mar e os montes. Deponho a minha frágil cabeça sobre as tuas mãos em concha. Lá fora a chuva jorra pelo meio das pedras dos muros. As nascentes ficam claras. Arde-nos o sangue no peito. O teu sexo transforma-se num cálice incandescente e abre-se como uma orquídea. A lenta pulsação da vida sobe por nós como um vinho denso. O outono virá profundo, nele dormirá o sol, as estrelas aparecerão simultaneamente dentro dos nossos olhares. As noites serão povoadas por deusas sonâmbulas que deslizarão por nós como rumores de folhas. A nova arquitetura do tempo é livre, o espaço expande as suas enormes raízes transformando os olhares numa luz incompreensível. As linhas do teu corpo escrevem desejos deslumbrantes. Depois do amor adormeço languidamente no teu sexo. Os sonhos parecem reais vestidos com a sua transparência fugidia. O espaço irisa uma espécie de adolescência aérea, adensando a sua frágil maravilha. Os passos são leves como os sorrisos. A tua boca roça na minha boca. O dia fica novo. O mundo começa agora outra vez. A ingenuidade dos nossos corpos flui como um sopro. O vale é extenso. As mulheres traçam linhas no horizonte. Nas suas bocas surgem palavras impregnadas de ausência. Elas aprenderam a acariciar as sílabas mais delicadas. As folhas secas rodopiam à sua volta. Alguém desfolhou as árvores com o léxico violento das sombras. O seu silêncio é visível. O fogo murmura uma espécie de dor inflexível. Aprendemos que as fábulas germinam em todas as idades, são como filhos que dançam dentro da sua infância inextinguível, refletindo-se nos nossos olhos com o seu brilho aveludado, bebendo longamente a lonjura permanente do tempo nos gestos sossegados dos progenitores. Acariciamos a sua sede, os seus jogos, os seus caminhos feitos de água e esperança. O seu espaço vital é a nossa vertigem permanente. Ouvimos o estranho som das palavras a despirem-se dos seus preconceitos, das pedras a libertarem-se do seu peso, do vazio a desfazer-se da sua carga submersa, do surdo arrependimento do ar, da terra a ser comida pela noite. A lentidão dos dias vai apagando as formas dos rostos dos que partiram. O espaço aumenta a distância entre as memórias. Os bichos que andavam nos montes são agora apenas nomes obscuros e inesperados. Tudo se define de outra forma. A brancura é uma espécie de lâmina, a alegria é uma espécie de tensão ofegante. A vida continua nua dentro do seu ninho, como o cuco. Os anjos foram abandonados por Deus e dormem agora em cima das ervas e do silêncio, agitam-se em jogos de impaciência, são como ruínas amarradas ao seu pó. As palavras divinas caem ao chão como os melros no inverno. As evidências divinas são cada vez mais inacessíveis. Vivemos dentro de um caos verde alimentado pelo ardor completo do verbo. Aproximamo-nos das origens impregnadas da neutralidade dos animais. Somos a sequência viva do movimento das palavras.


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Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2016

Potes

Matança Abobeleira dez 2015 061 - Cópia.jpg

 


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Terça-feira, 26 de Janeiro de 2016

Músicos

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Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2016

274 - Pérolas e diamantes: a serenidade dos sorrisos

 

 

Continuo a pensar que Jorge de Sena, no seu agreste discurso proferido a 10 de junho de 1977, nas comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, presididas por Vítor Alves, resumiu a alma portuguesa de forma crua, mas real, bem ao jeito dos visionários desprezados pelos medíocres de sempre.

 

Passo a citá-lo, socorrendo-me do livro Vítor Alves – O Homem, O Militar, O Político, de Carlos Ademar: «Continua vivo “esse vício centralista da nossa tradição administrativa”, que, “sem perda da autoridade central”, continua a “manter unido um dos povos mais anárquicos do mundo e o menos realista quando de política se trata (…). Os portugueses são de um individualismo mórbido e infantil de meninos que nunca se libertaram do peso da mãezinha; e por isso disfarçam a sua insegurança adulta com a máscara da paixão cega, da obediência partidária não menos cega, ou do cinismo mais oportunista quando se veem confrontados, como é o caso desde Abril de 1974, com a experiência da liberdade.”

 

Foi com ele que aprendemos o poder de um sorriso sereno.

 

Triste continua a ser o nosso fado. Nos tempos que correm, salvo raras e honrosas exceções, não votamos em alguém. Votamos sempre contra alguém.

 

Esta gente faz sempre o contrário do que dizem os poetas. Por isso é que nunca acertam. Maiakovski avisou: “Primeiro é preciso transformar a vida para cantá-la em seguida”.

 

Cantar por cantar, que o façam os melhores.

 

Costumo encontrar algumas vezes a minha avó passeando no meio dos livros de Gabriel Garcia Márquez. Fico deslumbrado e cheio de saudades.

 

Aparece-me, para meu espanto, vestida com “a escrupulosa serenidade da pessoa acostumada à pobreza”. Quando se lembrava do meu falecido avô João Lorde, evidenciava o seu corpo rígido e seco e “um olhar que raras vezes correspondia à situação, como o olhar dos surdos”. A sua palidez e os seus movimentos “possuíam aquela suave eficácia das pessoas acostumadas à realidade” e revelava sempre “aquela expressão de decorosa simplicidade com que os pobres chegam a casa dos ricos”.

 

 

 

Depois ao sétimo dia chove e eu fecho o livro dos salmos tristes. A vida é quase sempre assim. Quase sempre. Quase. Sempre.

 

Eu recordo-me… Amarcord… do lindo caos que se seguiu ao 25 de Abril de 1974, dessa revolução naif onde abundavam as ideias e as quimeras. Também elas murcharam, como os cravos. Agora é tudo de plástico, cravos, comida, ideias e tudo.

 

E depois entrámos na Europa. Bruxelas disse-nos o que tínhamos a fazer. Com a verdade nos enganou. O dinheiro foi distribuído às mãos cheias, mas ao povo chegaram apenas os trocos.

 

Alguma coisa mudou, temos de reconhecer. Os ricos ficaram mais ricos. Os amigos das cores partidárias subiram alto.

 

Atualmente todos achamos que vivemos melhor porque podemos andar num carro em segunda mão que continuamos a pagar ao banco. Os filhos, mesmo os licenciados, vivem às custas dos pais. Uns chamam-lhe progresso, outros crédito.

 

Os que puxam pela memória recordam-se que do 25 de Abril apenas nos resta o feriado. E qualquer dia nem isso.

 

Por hoje termino citando o narrador do romance de Marcel Proust, O Lado de Guermantes,  quando semivirado para o seu amigo Robert de Saint-Loup diz: “Cada um é o homem da sua ideia; há muito menos ideias que homens, e assim todos os homens da mesma ideia são semelhantes. Como uma ideia nada tem de material, os homens que só materialmente rodeiam o homem de uma ideia em nada a modificam”.

 

Por tirada tão filosófica, o amigo Saint-Loup «dando-lhe palmadas como a um cavalo que tivesse chegado em primeiro lugar à meta rematou: “Tu és o homem mais inteligente que conheço, sabes”.»

 

Os diplomatas querem saber o que toda a gente pensa, os oportunistas concentram-se em perceber o que as pessoas fazem. Mas só os tolos jogam à roleta.


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Domingo, 24 de Janeiro de 2016

Na conversa

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Sábado, 23 de Janeiro de 2016

Na conversa em Abobeleira

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Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2016

Potes do São Sebastião - Couto de Dornelas

São Sebastião Couto de Dornelas 2015 039 - Cópi

 


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Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2016

Poema Infinito (286): o labirinto infinito

 

 

Começo devagar a acreditar nas coisas. A amizade é um pedaço de eternidade. O amor perturba-me. Sou um produtor e recoletor de nostalgias comovidas. Passeio e tropeço na razão. Tropeço sempre na razão dos outros, no seu refletido conhecimento e na sua inflexível averiguação. As mulheres colocadas hermeticamente junto às portas das suas casas chamam pelos filhos. E sorriem. Sorriem sempre quando chamam pelos filhos. As suas vozes vestem as paisagens. Os prados e os campos pedem a presença dos sacerdotes. Os sacerdotes fecham as portas dos templos e subornam as estátuas dos reis. Os bichos olham para os outros bichos e admiram-se com a sua curta existência. Os jardineiros dizem às flores para terem calma, para se ajustarem aos seus nomes, para completarem as suas cores e desenvolverem os seus perfumes. As mulheres equilibram o peso dos frutos com as mãos e sorriem. E voltam a chamar pelos seus filhos. As mães sorriem sempre quando chamam pelos seus filhos, mesmo quando ficam herméticas. Elas enchem a existência de formas. Por vezes caem dentro dos espelhos e julgam-se de novo meninas que dão pelo nome de Alice. E ficam curiosas. E dizem coisas que desdizem outras. Os homens leem-lhes os contornos dos corpos. Elas leem-lhes as linhas das mãos. E adivinham-lhes os sulcos dos rostos. E o peso das lágrimas. E o medo do silêncio. Eles sabem que a fome se alimenta de migalhas. Que o amor é um acaso. Depois é um caso. E finalmente um equilíbrio. E conseguem que as sementes que deitam na terra germinem também no seu coração. E apascentam o rebanho que depois sacrificam nas fogueiras que acendem sempre que festejam a vida. Cansam-se das viagens ainda antes de partirem. Medem o tempo. O tempo cresce. E o tempo é longo. As mulheres usam os seus fios para manufaturar lindas tramas nos teares. E sorriem como quando chamam os seus filhos, postadas no seu hermetismo de portas que se abrem e fecham quando querem. E gostam de lançar as suas vozes sobre os panos, sob os montes e sobre a pele do rosto e das mãos de quem amam. E sobre o pão e sobre as rosas e sobre as camas e sobre a secreta leveza das divindades. Nenhuma coisa é perfeita antes de olharmos para ela. Nenhuma coisa é imperfeita antes de nos esquecermos dela. As horas inclinam-se na direção dos sentidos. Oiço as pancadas fortes do sino da minha aldeia. Oiço a minha respiração inquieta. A escuridão começa a desvanecer-se. A solidão inicia o seu monólogo. Tenho saudades do rosto dos anjos, do seu voo nas margens das sombras, da sua palidez de lua, do seu peso inacessível. Penso que usam sandálias de veludo e que as suas asas são feitas com o orvalho das manhãs. Custa-me vê-los escurecer e sucumbirem pronunciando palavras nubladas. Cada dia se apagam mais nos meus olhos. Sonho que os persigo dentro de labirintos inexpugnáveis. Amadureço a sua metáfora. Oiço ao longe a voz de pavia da minha mãe a chamar por mim. Sorrio. As mães alegram-se sempre quando chamam pelos filhos. Tem o cabelo solto. Por momentos apaga as dúvidas, inclina a face e reza uma oração interior. O seu hermetismo transformou-se numa árvore velha. A sua imagem vestiu-se para sempre com uma armadura de silêncio. A natureza do desassossego é infinita.


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Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2016

Cozinha São Sebastião - Couto de Dornelas I

São Sebastião Couto de Dornelas 2015 052 - Cópi

 


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Terça-feira, 19 de Janeiro de 2016

Sorrisos - Couto Dornelas

São Sebastião Couto de Dornelas 2015 090 - Cópi

 


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Segunda-feira, 18 de Janeiro de 2016

273 - Pérolas e diamantes: o ardil da cultura

 

 

Quando lemos livros, muitas das vezes iludimo-nos. Outras, desiludimo-nos. É o ardil da cultura. E, por muito que nos custe, só nos desiludimos porque primeiro algo, ou alguém, nos iludiu.

 

Desta vez enfunei-me como uma vela panda ao vento.

 

A primeira desilusão surgiu-me quando alguém alvitrou a hipótese, consistente por acaso, de Os Lusíadas, de Luís de Camões, serem um plágio da Eneida, de Virgílio.

 

Amuei. Mas continuei a ler ambos os livros sem me importar, por aí além, com a insinuação. A dúvida é legítima. Mas não foram só obras ou gestos dos outros que nós tentámos copiar. Também fomos exemplo.

 

De certeza que se lembram dos principais factos relativos aos primeiros anos da nossa história enquanto nação.

 

Lembram-se, com certeza, que a rainha D. Urraca era a regente do Condado Portucalense, nominalmente dependente de Leão e Castela. Após a sua morte, em 1127, sucede-lhe no trono Afonso VII, intitulado “imperador de toda a Hispânia”. De imediato procurou a vassalagem dos demais reinos e também do Condado Portucalense, que desde há algum tempo evidenciava inclinações autonómicas ou mesmo independentistas.

 

Em 1128, o nosso querido e estimado Afonso Henriques, então com o sangue todo na guelra devido aos seus 20 anos, foi eleito chefe dos Barões, grupo de interesses que temia a influência galega sobre Portucale. Diz a história que o receio foi tanto que o futuro rei se viu forçado a batalhar contra as forças da sua própria mãe, Teresa de Leão, na altura perdida de amores por um nobre galego. Estou em crer que o complexo de Édipo teve alguma coisa a ver com a nossa independência, mas essa já é outra história que aqui agora não cabe.

 

O jovem Afonso Henriques vence as tropas dos seus adversários nos campos de São Mamede e assume a liderança política do condado, manifestando desde logo a firme intenção de lutar pela sua independência. E até alargar as suas fronteiras.  

 

Preocupado com esta situação, Afonso VII decide fazer um cerco a Guimarães, na altura sede do condado, exigindo da parte do seu primo Afonso Henriques um juramento de vassalagem. Este decide então enviar o seu aio Egas Moniz como mensageiro para comunicar ao imperador que Afonso Henriques aceitava a submissão.

 

Por várias razões, em 1131, Afonso Henriques decide mudar a sua capital para Coimbra. Não só muda de capital como muda de ideias. Cheio de força, resolve anular os laços que o ligavam a Afonso VII. Em 1137 invade a Galiza e trava a batalha de Cerneja, da qual saem vitoriosos os portucalenses.

 

No meio de tudo isto, está um homem que preza a sua palavra acima de tudo. Como Afonso Henriques não cumpriu o acordado, segundo reza a lenda, Egas Moniz desloca-se a Toledo, então a capital do Império, descalço e com uma guita ao pescoço. Acompanhado pela esposa e respetivos filhos, colocou ao dispor do imperador a sua própria vida e a dos seus, como garantia da manutenção do juramento realizado nove anos antes.

 

O imperador, impressionado com tanta honradez, perdoou-o e disse-lhe para voltar em paz a Portucale.

 

Este episódio é recontado por Camões no Canto III dos Lusíadas (estrofes 35-40).

 

Pois lendo o hilariante A Vida e Opiniões de Tristam Shandy fiquei a saber que o gesto de Egas Moniz foi seguido, aquando de um cerco a Calais, por Eustace de St. Pierre, que num gesto de bravura, foi o primeiro a oferecer-se como vítima para salvar os seus concidadãos, elevando assim o seu nome à fileira de heróis.

 

Na rendição de Calais, em 1347, após um ano de cerco levado a cabo pelo monarca Inglês Eduardo III, os habitantes foram salvos de um massacre pelo tal Eustace, que se apresentou perante o rei descalço e de corda ao pescoço.

 

Foi com o aio do primeiro rei de Portugal que aprendemos a ser pobres mas honrados.

 

Aprendemos isto na escola, na altura em que, como escreveu Jorge Luis Borges, qualquer casa era um candelabro onde ardiam as vidas dos homens como velas isoladas.

 

E é citando o escritor argentino que termino por hoje: “Felizmente, o copioso estilo da realidade não é o único; há também o da recordação, cuja essência não é a ramificação dos acontecimentos mas o perdurar de aspetos isolados. É esta poesia a natural da nossa ignorância, e não vou procurar outra.”


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Domingo, 17 de Janeiro de 2016

O pastor e o cão

Santo Ovaia, etc 138 - Cópia.jpg

 


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Sábado, 16 de Janeiro de 2016

Na pesca

Matança Abobeleira dez 2015 216 - Cópia.jpg

 


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Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2016

Junto aos potes

Matança Abobeleira dez 2015 084 - Cópia.jpg

 


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Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2016

Poema Infinito (285): alucinação

 

 

As alucinações dilatam os vultos, as estrelas tornam-se invisíveis, os espíritos invocados não comparecem ao chamamento e os abraços ficam etéreos. O prazer inicia a sua viagem mais patética. As estátuas iluminadas vergam-se sobre os corpos. A névoa anuncia a proximidade da infância. É o tempo das grandes aparições. Nelas penetrará a candura dos malmequeres, a agitação musical dos corpos, o canto das aves, a doçura das pavias, os raios que caem na superfície límpida dos rios, o lento desejo sideral, os aromas profundos do amor, a florescência das invenções. A mesma rua repete-se na sua forma intransponível, dentro do seu céu fechado, na copa densa da igreja, na solidão azul do céu. O vento traz da montanha o frio e a imobilidade das árvores. O isolamento corta a luz das estrelas que nos contemplam. Os apóstatas levantam-se das suas camas, vestem os seus velhos hábitos cinzentos, as suas sandálias de couro escuro e sobem os capuzes com que ascenderão ao coro da igreja para recitar as orações que se tornam inaudíveis aos ouvidos dos crentes. E repetem esse ritual de três em três horas. Os santos dos altares são lavados e as suas vestes de jubileu são guardadas em enormes gavetões. Antes da aurora Deus tomará uma decisão sobre a irreversibilidade dos movimentos. Inicia-se nova metamorfose. No seu rosto refulge tudo aquilo que é oculto. A omnipresença da sua ausência, a íntima mecânica da inteligência humana, as constelações mais inesperadas, o núcleo atómico da planificação celeste e a exatidão do caos. Dentro das muralhas de Sodoma e Gomorra, os pecadores cavam as terras, regam as laranjeiras, suportam corajosamente o calor, observam clarividentes a sua maldição insone. Deus não dorme, disseram-lhes. E eles acreditaram. Daí a sua intranquilidade, os seus gritos mudos. Assusta-os a mortal frieza com que são tratados pelo seu Deus. As noites são gélidas. Gélido é o seu temor. O seu terror. A sua salvação é a própria morte. Sobre os telhados voam os abutres. O ouro dos templos ilumina a glória do Glorioso. Os agnósticos voltaram a domesticar os pássaros, a recolher sementes, e a desenhar imagens no teto e nas paredes das grutas. As suas crenças não lhe anunciam o Deus dos outros. Preferem adorar o voo dos colibris quando agarram as sementes e batem freneticamente as asas, sugerindo que estão imóveis, parados no espaço a beijar as flores. Deus prepara outra metamorfose. Agrega ao tempo a memória do esquecimento, as sinapses, a organização minuciosa do verde. Pensa desta forma criar o universo das coisas sublimes. Quer esquecer a condição assombrosa dos malefícios impronunciáveis do poder absoluto, as espadas afiadas de gume atómico com que se fizeram as guerras mais poderosas e devastadoras, a irreversível dependência do espaço e do tempo, a cadência misteriosa do pêndulo invertido da razão. Não sei por que motivo ainda existem livros, deuses, espelhos, ondas e mar. Nem sei por que razão existe terra. Fui educado na adoração do prodígio dos castanheiros, na veneração do momento esplêndido do nascimento dos animais, na compreensão inaudita do movimento particular que assiste aos amores proibidos, na veneração envolvente do fruto do ventre das mães. Também me insinuaram que os seres humanos foram criados como um projeto de pássaro. Um deles quis mesmo voar. A mão invisível de Deus queimou-lhe as asas, aproximando-o do Sol e dizendo-lhe ao ouvido: não vá o homem além da sua condição. De castigo, criou uma ave que quando morre se transforma em fogo e renasce das próprias cinzas. 


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Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2016

Cozinhando nos potes

Matança Abobeleira dez 2015 077 - Cópia.jpg

 


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Terça-feira, 12 de Janeiro de 2016

Potes

Matança Abobeleira dez 2015 070 - Cópia.jpg

 


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Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2016

272 - Pérolas e diamantes: a sensatez e a idiotice

 

 

Por cá é mal entendida, e até condenada, a atitude salutar de mudar de ideias. Aqui nasce-se parvo e morre-se néscio. Mas para se mudar de ideias é necessário tê-las. De outra forma é impossível.

 

O mundo dos sábios divide-se entre aqueles que fazem perguntas idiotas sobre coisas sensatas e aqueles que fazem perguntas sensatas sobre coisas idiotas. Nenhum deles dá respostas válidas. Muitos nem sequer se dignam responder. Limitam-se a inverter a ordem dos fatores.

 

Duas palavras há que se adequam perfeitamente ao tempo que vivemos: “equívoco” e “inconsequência”. Os sujeitos que as impõem são quase admiráveis no seu jeito diabólico.

 

Continuamos a viver prisioneiros de dois fantasmas passados: o do Salazarismo e o do 25 de Abril. Por isso somos um país de oportunidades perdidas. A adesão à União Europeia é disso a prova mais concludente. E quanto ao futuro… bem, o futuro virá claramente carregado de tempestade verbal.

 

Relativamente ao fascismo, convém lembrar as palavras de Gregorio Marañon (Psicologia do Gesto): “A grande lição que a história nos dá cada dia, e que nós nunca queremos aprender, é que nunca existiu tirania que não hajam merecido os que a sofrem. Na realidade, o tirano é sempre o vingador das nossas próprias culpas.”

 

Os poderosos deste mundo prometem, e oferecem-nos, como prenda pelo nosso bom comportamento eleitoral um talhão de terreno na Lua. A nós dá-nos sempre um jeitaço. Aos nossos descendentes, quando o espaço lunar se esgotar, dar-lhes-ão uma leira em Marte, talvez com um poço de água salgada no meio. O seu futuro como proprietários é risonho.

 

Os pobres e desventurados encontram sempre uma pedra para atirar a quem está ainda mais abaixo do que eles.

 

Vai um tempo para cavalos loucos. Os defensores do multiculturalismo serôdio conseguiram que, por exemplo, na Grã-Bretanha seja permitido aos prisioneiros a prática do paganismo nas suas celas, incluindo orações, cânticos, leitura de textos “religiosos” e rituais.

 

Os prisioneiros podem usar mantos sem capuz, paus flexíveis em forma de varinhas mágicas, cálices e pedras rúnicas. Estas práticas infantis e ridículas, segundo o Daily Mail de 18 de outubro de 2005, seguiram-se a uma decisão governamental que permitiu a um marinheiro da Marinha Real ter o direito de executar rituais satânicos e adorar o demónio a bordo da fragata HMS Cumberland.

 

No cerne do multiculturalismo está a peregrina ideia do igualitarismo em que a cultura e o estilo de vida de toda a gente têm igual valia e estatuto moral. Ou seja, a moralidade foi privatizada.

 

Atualmente já não se pergunta “o que está correto?”, mas sim “o que é correto para mim?”

 

 São Paulo foi substituído por Jean-Jacques Rosseau. O pecado original deu lugar à doutrina da inocência original. O prevaricador foi substituído pelo bom selvagem.

 

A emergência do individualismo e o ataque feroz à autoridade abriram o caminho para uma ofensiva ainda mais fundamentalista à cultura ocidental. As doutrinas niilistas do pós-modernismo hoje em voga reduziram tudo, sobretudo os conceitos de verdade e objetividade, à ausência de sentido.

 

Os códigos morais da nossa sociedade estão a ser profundamente subvertidos e enfraquecidos à medida que caem todas as barreiras. Por exemplo, grupos anteriormente marginalizados, como as mães solteiras ou os transexuais, transformaram-se atualmente nos árbitros da moralidade.

 

Este tipo de relativismo moral leva a que as pessoas sejam incapazes de fazerem distinções morais baseadas nos comportamentos. Este tipo de equivalência ética transforma-se invariavelmente em inversão moral, desculpando os “grupo-vítima” e culpando a “maioria opressora”. Tentam levar a “luta de classes” para o campo dos costumes.

 

Está claro que todas estas questões devem ser discutidas com moderação. Mas nunca devendo esquecer que a tal moderação deve incluir sempre razoabilidade, veracidade e equidade.

 

O que mais me preocupa é ver por aí os nossos pais ou avós encurralados em prédios dotados de conforto e lindas flores de plástico, que já não se chamam asilos, mas antes casas de repouso ou da terceira idade ou outro eufemismo pelo estilo, gastando o tempo que lhes resta com joguinhos de crianças.

 

Os argumentos para a situação até têm o seu peso: os apartamentos em geral são pequenos, cada geração tem a sua própria maneira de viver, os filhos trabalham e por isso não têm tempo para lhes dispensar os cuidados que necessitam. As instituições que cuidam deles prestam-lhes uma eficiente atenção, por vezes até melhor do que a família pode prestar.

 

Tudo isto é verdade. As pessoas são mesmo carinhosas e os profissionais são competentes e atenciosos. Mas o carinho de uma enfermeira, de um médico e de uma assistente social não compensam a solidão porque passam nem substituem o amor e o carinho familiares. Esse é insubstituível.


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Domingo, 10 de Janeiro de 2016

Na praia da Corunha

A Corunha - junho 2015 050 - Cópia.jpg

 


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Sábado, 9 de Janeiro de 2016

Jazz em Amarante

A Corunha - junho 2015 009 - Cópia.jpg

 


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Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2016

Lendo no jardim da Estrela

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Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2016

Poema Infinito (284): tríptico rural (intermezzo)

 

 

Um – As vozes puras elevam-se no ar. O camponês prepara o arado e ceceia algumas palavras na direção da mulher. Os filhos, já casados, vão a cavalo até à raia comprar realidades para o jantar. Os braços que pegam na alfaia são robustos. Os pés pisam firmes a terra. O caçador de perdizes caminha em silêncio olhando para os cães. O padre cruza as mãos junto ao altar. O maluco da aldeia é finalmente levado para o asilo porque foi dado como incurável. Os olhos da sua mãe ficam enevoados. De entre a multidão que o vê partir, o melhor bardo dá um passo em frente e entoa uma canção de despedida. Os homens baixam a cabeça enquanto as mulheres rezam baixinho. Um jovem, deitado no palheiro, escuta o chilrear indiferente dos pássaros e não sabe se há de rir ou chorar. A irmã mais nova do louco estende a meada enquanto a sua irmã mais velha enrola a lã num novelo e para de vez em quando para assoar o nariz. A esposa do irmão do louco está feliz porque finalmente recuperou do parto do seu primeiro filho. Na sua máquina de costura cose as calças do marido. Dois – O rapaz que descansava no palheiro vai até ao rio, puxa da sua cana e põe-se a pescar. Ouve-se ao longe o sapateiro a bater nas solas das botas e a assobiar uma modinha brejeira. A carrinha que leva o louco desapareceu numa curva da estrada. A multidão desmobilizou. Na casa do povo, o maestro marca o compasso e a banda ensaia uma nova marcha. Uma criança é batizada e convertida em católica enquanto chora por causa do frio da água benta com que é aspergida e devido ao sabor do sal que lhe enfiam na boca com o dedo mindinho. Um pastor toca a flauta enquanto observa o rebanho. O vendedor de peixe chega de longe com a sua carga e toca a buzina. As mulheres correm na sua direção. Olham umas para as outras. E sorriem. A tristeza de hoje é igual à tristeza de ontem. Os homens mais velhos acendem os seus cigarros sem filtro e põem-se a fumar como se fossem fidalgos abastados. E sorriem. A tristeza de ontem é igual à tristeza de hoje. O latoeiro cobre o galinheiro com uma chapa de zinco. Os pedreiros erguem muros para dividirem mais uma propriedade. As estações vão seguir-se umas às outras. A tristeza de hoje será a tristeza de amanhã. O lavrador vai lavrar, o pastor pastorear, o ceifeiro ceifar. E o inverno cairá sobre as terras e sobre os telhados das casas. O rio gelará. Os homens mais fortes derrubarão as árvores mais altas com que se aquecerão. Os patriarcas sentar-se-ão com os seus filhos, netos e bisnetos e cearão o cordeiro maior do rebanho. As mulheres sorrirão. A tristeza de hoje é igual à tristeza de ontem, que é igual à tristeza de amanhã. Três – A aldeia dorme. Os campos dormem. O sono dos vivos assemelha-se ao sonho dos mortos. Os velhos maridos dormem na cama com as suas velhas mulheres. Os jovens maridos fazem o mesmo. Parecem estátuas deitadas sobre os seus pedestais. A rigidez é idêntica. Os sonhos são semelhantes. Os novos são tão néscios e tão sábios como os velhos. Os novos são tão velhos como os velhos. A sua alegria é feita da mesma tristeza. Os aprendizes aprendem com os mestres. Respiram o mesmo ar do que ficou para trás. Estudam os enigmas e as suas diversas soluções. Estudam o que está próximo e o que fica distante. A erva vai continuar a crescer enquanto houver terra, água e sol. O rapaz do palheiro toca a sua gaita de beiços. Um galo canta. Um cão ladra. Sentada no escano, a mãe do louco chora pela primeira vez.


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Quarta-feira, 6 de Janeiro de 2016

Observando chás em Vilar de Perdizes

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Terça-feira, 5 de Janeiro de 2016

Passeando no Rexo

_JMD9454 - Cópia.jpg

 


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Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2016

271 - Pérolas e diamantes: o capital inútil da inteligência

 

 

A nossa pobreza ainda não é tão desesperada ou congénita como a dos países latino-americanos (pelo menos a das personagens dos romances neorrealistas brasileiros), conhecida entre nós como pobreza franciscana, mas tem muito a ver com aquele tipo de pobreza confiada na lotaria, no euro milhões e nas raspadinhas.

 

Os remediados apostam mais nas comissões, nas influências, no jogo de bastidores, na má-língua, na hipótese da modesta possibilidade, nas cunhas, recomendações e, na falta disto tudo, na esperança.

 

A nossa pobreza consola-se com a hierarquia e aposta sobretudo em Deus. Mas como todos somos seus filhos, fica-lhe mal escolher um de entre milhões. A isto chegamos com a enorme ajuda dos que nos governaram.

 

No Aleph, Borges, através da voz de um mendigo cego e sábio, dá-nos conta de que “não há geração que não tenha quatro homens justos que secretamente sustentam o universo e o justificam diante do Senhor... Mas onde encontrá-los se andam perdidos e anónimos pelo mundo e não se reconhecem quando se veem e nem eles mesmos sabem do alto mistério que cumprem? Alguém então opinou que, se o destino nos negava os sábios, teríamos que buscar os insensatos.”

 

Esta é a nossa desdita, o de termos escolhidos os insensatos em vez de continuar a procurar os homens justos.

 

Mas estas coisas têm sempre dois pontos de vista, que dependem muito da posição que cada um ocupa na sociedade. Nisso estamos de acordo com Longino que, no seu Tratado do Sublime, refere que o conselheiro de Alexandre o Grande, Parménion, ter-lhe-ia dito que se ele fosse Alexandre aceitaria os termos de paz oferecidos pelo inimigo, ao que Alexandre respondeu que os aceitaria se fosse Parménion.

 

Mas também é verdade que, como muito bem diz o pai de Tristram Shandy, é praticamente impossível assentar duas ideias sobre um assunto sem fazer uma hipálage. E o que é isso?, perguntarão os estimados leitores, como muito bem o fez o tio de Tristram, um indefetível militar de carreira. Ao que o pai de Shandy respondeu: “A carroça à frente dos bois.” Tendo o digno militar, de seu nome Toby, inquirido: “E o que estão os bois a fazer aí?”

 

António Sérgio defendia que a polémica é necessária ao progresso da cultura. Dizia que “o primeiro dever de quem faz críticas é ser crítico (e crítico consigo próprio), como o do guerreiro é guerrear e o do marujo é ser marujo: querer ser crítico e odiar o espírito de livre-exame, é ser marinheiro e ter terror à água”.

 

Luiz Pacheco escreveu um dia que “neste país, de baixo a cima, é tudo acintoso quanto não seja elogioso – que se lixem!”

 

Mas eu ainda sou daqueles que pensam que só os cães têm dono.

 

Dei recentemente uma olhadela ao livro Pessimismo Nacional, de Manuel Laranjeira – por vezes tenho destas depressões intelectuais –, e a sua tese bateu-me fundo. Na sua perspetiva, os portugueses são um povo sem coesão nem consciência cívica, pois a sua única consciência é a “consciência moral do servo”.

 

Atentem nestas suas palavras e depois digam-me de vossa justiça: “Numa terra onde homens de génio como Antero de Quental, Camilo e Soares dos Reis, têm de recorrer ao suicídio como solução final duma existência de luta inglória e sangrenta; numa sociedade onde o pensamento representa um capital negativo, um fardo embaraçoso para jornadear pelo caminho da vida; num povo onde essa minoria intelectual, que constitui, o orgulho de cada nação, se vê condenada a cruzar os braços com inércia desdenhosa, ou a deixá-los cair desoladamente, sob pena de ser esterilmente derrotada; num país, onde a inteligência é um capital inútil onde o único capital deveras produtivo é a falta de vergonha e a falta de escrúpulos…” Afinal, que terra é?

 

O Padre António Vieira explicava: “Se servistes a pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis, ela o que costuma.”

 

Termino citando Luiz Pacheco: “Revolto-me por coisas de que já tinha obrigação de só rir e pouco”.


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Domingo, 3 de Janeiro de 2016

Potes do São Sebastião - Couto de Dornelas

São Sebastião Couto de Dornelas 2015 054 - Cópi

 


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Sábado, 2 de Janeiro de 2016

Olhares

Matança Abobeleira dez 2015 086 - Cópia.jpg

 


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