Sábado, 30 de Abril de 2016

Passeando no Sena - Paris

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Sexta-feira, 29 de Abril de 2016

Expressões

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Quinta-feira, 28 de Abril de 2016

Poema Infinito (300): o avassalador movimento circular

 

 

Na ilha lendária de Nevoaelod, os amantes desfrutam apenas dos dissabores. São infelizes dentro da sua adequada felicidade. Os poetas enforcam-se com os próprios versos. Outros contam histórias sobre a reputação dos deuses do Olimpo. As imprecações dos poetas possuem o seu próprio valor coercivo. Sem eles, os deuses são como náufragos levados para o País das Lendas. Nas terras proibidas, os poemas são abandonados em pleno campo, os guerreiros estendem-se sobre os seus escudos e fertilizam as mulheres. Os poetas reagem eufóricos contra estes sublimes lugares-comuns. Então os deuses lutam entre si e expulsam do santuário os mais fracos, obrigando-os a uma expiação suplementar. Os poemas transformam-se em hinos de guerra, em canções eróticas, em cânticos de beber, em hinos flexíveis e tolerantes, em sátiras mordazes, em longos fragmentos do apocalipse, em títulos de glória e desaparecimento. Por fim, os guerreiros, os deuses e os poetas bebem vinho e comem pão ázimo apoiados nas suas lanças feitas de aço, relâmpagos e palavras. As deusas e as esposas trazem nas mãos lindos ramos de mirto e com eles se comprazem. Os seus lindos cabelos cobrem-lhes os ombros. A sua sombra coincide com o seu destino. Os versos antigos dormem sobre as pátrias adormecidas, sobre a sua moleza, sobre o apelo às armas, sobre a nobreza fastidiosa e concisa da literatura guerreira. A saudade voltou a morrer dentro do tocador de flauta. Já não consegue tocar as elegias amorosas. As estações floridas abeiram-se do seu término, as casas ruíram, os frutos duram apenas um instante. Nos olhos do poeta raparigas seminuas dançam tornando os seus poemas estéreis. Sonha que os exércitos antigos passam as charruas sobre as cidades conquistadas. E que entoam lindas canções de marcha ritmadas pelo excitante som das trombetas. Toda a glória é póstuma. Não há guerras justas. Ninguém grita de alegria quando trespassa de lado a lado o peito do inimigo. O idealismo já não existe. A sua força é outro lugar-comum. O manto brilhante da juventude dura apenas um momento. Os poetas escrevem versos destinados a serem cantados e dançados pelos participantes nas Gimnopedias. A nudez dos rapazes e das raparigas é uma poderosa descrição da natureza selvagem da sedução. A grandeza do bem e do mal vem dos homens. O pecado também. Já ninguém acredita em castigos divinos. Nos grandes empreendimentos é difícil agradar a todos. Levantam do chão as aves migratórias. O movimento das suas asas pode ser avassalador. Os deuses da modernidade arrancam definitivamente as flores do caminho. A atração é uma outra forma de insatisfação. O mundo continua a organizar a sua complexa forma de desordem. Os poetas vendam agora os olhos, reclinam as suas cabeças sobre as colunas dóricas e pensam num tempo artístico possuído pela sintaxe e esgotado pela gramática. Beijam então a sinfonia a que pertencem. Escondem os versos dentro das suas próprias emoções. Aprenderam a chorar assim. As minhas mãos mexem agora na tua galáxia. Dentro dela está o teu corpo. O círculo de êxtase é vicioso. Daí a sua perfeição geométrica.


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Quarta-feira, 27 de Abril de 2016

Montmartre

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Terça-feira, 26 de Abril de 2016

Montmartre

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Segunda-feira, 25 de Abril de 2016

287 - Pérolas e diamantes: o amor e a retórica

 

 

Elias Canetti escreveu que ciência e verdade são conceitos idênticos. Quando uma pessoa se aproxima da verdade afasta-se dos homens. A vida quotidiana, qual auto de fé, é uma teia superficial de mentiras.

 

A vida ensina-nos, e nós costumamos aprender, a identificar-nos com todo o tipo de pessoas. Depois habituamo-nos. Apanhamos o gosto desse vai e vem perpétuo que nos incita a confundirmo-nos com as personagens que nos agradam.

 

Há homens que se deixam invadir por aquela sensação maravilhosa de euforia apenas conhecida por aqueles que se dão ao luxo de adquirirem confiança depois de se terem assegurado contra qualquer tipo de deceção.

 

Para quem o tem, o carácter determina até o aspeto físico. Eu sou um homem alto e magro.

 

Quem visitar um santuário no Japão com toda a certeza que verá à beira dos caminhos crianças agachadas junto de muitas gaiolas com pássaros cativos. As aves são previamente adestradas a baterem as asas e a alvoroçarem-se com uma cativante e expressiva agitação de trinados e gorjeios.

 

Os peregrinos budistas que visitam os templos compadecem-se delas e salvam-nas pensando dessa forma salvar as suas próprias almas. Em troca de algum dinheiro, as crianças abrem as portas das gaiolas e libertam os pássaros. Resgatar animais é por lá um costume enraizado.

 

Não lhes importa minimamente que ainda antes de chegarem ao templo, os passarinhos adestrados voltem a ser novamente engaiolados pelos seus donos.

 

O mesmo pássaro chega a servir centenas ou mesmo milhares de vezes como objeto da piedade dos peregrinos.

 

Todos sabem muito bem o que se passa logo após voltarem as costas. Depois de cumprido o ritual, o destino dos animais é-lhes indiferente.

 

A nossa espiritualidade vive de rituais. As almas, mesmo furiosas, estão vazias. Habituamo-nos a falar de princípios como os cegos falam das cores.

 

Canetti escreveu que até os homens mais fortes provam a si mesmos a sua integridade fazendo rodeios.

 

Já Gershom Wald, o personagem culto e torturado de Judas, de Amos Oz, considera que a desconfiança, a mania da perseguição e mesmo o ódio humano são muito menos destrutivos do que, por exemplo, o amor. “O amor do género humano tem um sabor antigo a rios de sangue. A meu ver o amor gratuito é muito pior do que o ódio gratuito: os que amam a humanidade inteira, os paladinos da redenção do mundo, aqueles que em cada geração se erguem para nos salvar sem que alguém nos salve deles, esses são justamente…”

 

Não, não tenham receio de contradizer o escritor. Antes pelo contrário, ele anima-se quando discordam dele. Até o podem morder, mas desde que sejam mordidelas a brincar. Nem tudo é para ser seguido à letra. Senão éramos todos ou escritores ou cães. Valha-nos Deus. Está na hora de bebermos um chá.

 

Se calhar está também na hora de escrever um poema novo. O problema surge quando tentamos fugir de um cão raivoso e encontramos um lobo esfaimado.

 

Termino citando o sábio e amargurado israelita Gershom Wald, que perdeu o seu filho único na guerra contra o inimigo palestiniano.

 

“Eu, meu caro, não acredito no amor universal. A capacidade de amor é limitada. Um homem pode amar cinco homens e mulheres, talvez dez e, às vezes, mesmo quinze. E mesmo isso, só raramente. Mas se alguém me disser que ama o Terceiro Mundo no seu todo, ou a América Latina, ou o sexo feminino, isso não é amor, mas retórica. Pura demagogia. Palavra de ordem. Não fomos feitos para amar mais do que um punhado de pessoas. O amor é um acontecimento íntimo estranho e contraditório.”

 

 

PS – Jesus e todos os seus apóstolos eram judeus e filhos de judeus. No entanto, na imaginação popular cristã, o único que ficou marcado com o ferrete do judaísmo – e por isso mesmo como representante de todo o povo judeu – foi Judas Iscariote. Quando os enviados dos sacerdotes e os guardiões do Templo vieram prender Jesus, todos os apóstolos se assustaram e, temendo pelas suas vidas, dispersaram rapidamente. Só Judas permaneceu.


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Domingo, 24 de Abril de 2016

Olhares

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Sábado, 23 de Abril de 2016

Sorriso

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Sexta-feira, 22 de Abril de 2016

Olhares

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Quinta-feira, 21 de Abril de 2016

Poema Infinito (299): o envelhecimento das palavras

 

 

A tarde, por vezes, destrói-se contra a natureza. O seu coração quotidiano entrega-se à salvação. O vento despede-se dos sons da temperança. As sombras ficam gigantescas. As tuas pálpebras descaem lentamente em busca de um momento de reflexão. Mesmo assim, a íris incendeia-se como se fosse um grito. No bosque crescem os sobressaltos. As nossas vozes são como labirintos. Temos as bocas doridas por pronunciar tantas palavras inúteis. A gratidão dos pobres é tão proveitosa como os relâmpagos. O seu silêncio é mortal. A luz da música é mais cruel do que muitas palavras. Também elas envelhecem, enchem-se de rugas. Ficam estranhas. Pela porta das traseiras entram os meses, uns atrás dos outros, atrapalhando-se. Ocupam os seus lugares nas litografias do salão. No escano repousam as memórias. As ilusões são tão destruidoras como as guerras. A sua sede é oblíqua. A voz do tempo soergue as folhas ainda verdes que implodem no chão. Também eu sonhei navegar. A natureza espalha sobre nós o manto da finitude. Da honra antiga restam apenas alguns destroços. A noite deposita em mim uma nesga ínfima de ternura. Agora meço as distâncias a palmo. Os dias avançam em meu redor. Quanto mais me movo mais estático me sinto. As vozes aceleram o tempo. Os fantasmas habitam de novo as casas. As rãs ouvem os meus passos e saltam para dentro da água. Pergunto à paisagem porque mudou sem me avisar. Demorei muito tempo a identificá-la. Mesmo assim não tenho a certeza de que seja a mesma. O seu espaço interior está mais dilatado. Só o eco da sua voz é idêntico. O vento faz cantar as folhas nos ramos mais altos das árvores mais altas. Junto ao muro, um homem aceita e acarinha a sua solidão. Os seus olhos estão rasos de lágrimas. Não consegue distinguir se chora, se rejubila. Apesar da forma da sua manifestação ser idêntica, a sua memória é completamente distinta. As flores envelhecem como antigamente, apenas os eletrodomésticos o fazem de maneira distinta. O espelho devolve aos corpos a sua noite mais imediata. As horas são mais precisas e mais curtas. Os rostos impregnam-se de pequenas liturgias. Mesmo a velocidade dos deuses é crepuscular. Nasce-nos no corpo um desejo surdo. O voo germina dentro das asas dos pássaros. As crianças envelhecem olhando o mar. O mar aborrece-se com as suas ondas. O velho sentido da oportunidade já não consegue regressar. É bom acordar dentro da névoa e sentir que a luz a devora. Deixamos cair as palavras pensando que podem nascer de novo. Os campos têm sempre razão. Neles, as palavras conquistam a calma e espalham o verde. As paisagens ficam mais ácidas. As mãos obedecem a outra lógica. A ternura sobe devagar sobre os corpos. Os gestos ficam mais inteiros, as mãos mais aflitas, as flores mais soturnas, os olhares mais lisos. O teu olhar salta por cima dos muros do tempo. As horas ficam penduradas nas cordas como roupa a secar. As memórias invocam outras memórias, a saudade fica mais inteira, os sonhos emouquecem dentro de nós. Os sustos estão fechados à chave dentro das gavetas. O silêncio nos quartos ficou mais agressivo. A linguagem somática é quase minimal. Os corpos transformam-se em portas, as bocas em livros, a alegria em fadiga. As palavras já não dançam, converteram-se em pequenas ilhas iluminadas pela paciência.


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Quarta-feira, 20 de Abril de 2016

Olhares

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Terça-feira, 19 de Abril de 2016

Rosto de mulher

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Segunda-feira, 18 de Abril de 2016

286 - Pérolas e diamantes: felizes aqueles que…

 

 

Parece que estamos sempre a escolher entre votar num mentiroso ou num inconsciente.

 

Creio que não existem opções razoavelmente válidas para nos governarem. É a tal história de estarmos constantemente a partir do zero e a voltar, como nos jogos, sempre à casa da partida.

 

Então e o futuro? Qual futuro? O futuro pode ser tão cortante como uma lâmina.

 

A luta de classes transformou-se em fumo, diluiu-se nesta insolvente democracia que tem funcionado à custa de suplementos vitamínicos, aspirinas e penicilina.

 

Vivemos com um pé em casa e outro no hipermercado, indo por vezes aos cafés ou aos bares e também aos concertos pagos pela autarquia e realizados na praça central.

 

Todos falamos ao mesmo tempo com a intenção de sermos ouvidos. As nossas vozes misturam-se como nos comícios ou nos jogos de futebol.

 

Houve tempos em que tínhamos dificuldade em distinguir quem estava em cima e os que permaneciam em baixo. Nos tempos do Cine-Teatro era fácil. Havia os que iam ver os filmes para a tribuna e os que os viam da plateia.

 

Até os bares dividiam as pessoas: chá e bolinhos para uns e vinho e sandes para os restantes. 

 

Agora está tudo enredado, confuso, dissolvente. No entanto, reina uma certa ordem social, que tem muito de misterioso.

 

Nestes últimos anos surgiu uma nova ordem que se tornou bem visível, com os níveis superiores e inferiores bem definidos.

 

Alguns transportam satisfeitos os sacos normalizados repletos de compras e cumprimentam-se sorridentes e saciados às portas dos centros comerciais. Outros contam os tostões para comprar o pão, o leite e o arroz. E há ainda outros que mexem e remexem nos contentores onde os empregados das grandes superfícies depositam as embalagens fora de prazo, as frutas e os legumes com aspeto pisado e os pastéis e croquetes industriais caducados.

 

 

Há também aqueles patuscos que dizem que na província é que se vive bem. São os que moram nas grandes urbes e nos visitam, nostálgicos, nos períodos do Natal, da Páscoa e na Feira dos Santos.

 

Vêm até cá, manjam as rabanadas, o folar e o fumeirinho e rumam outra vez para onde construíram o ninho.

 

Também há os que, como eu, caíram na esparrela de acreditarem no que lhes diziam os iluminados. E por isso aqui ficaram, agarrados à província, às memórias e às fragas.

 

O enganador John Huston, que por isso fazia filmes, dizia: “Felizes aqueles que só tiveram uma aldeia, um deus e uma casa”.

 

Por esse mundo fora reina a guerra, uma guerra de todos contra todos e de tudo contra tudo. Muita coisa se mudou à base da bala e da bomba. O pior é que no fim de tanta mudança, as coisas continuam mais ou menos iguais.

 

Afinal os fins não justificam os meios.

 

Bem vistas as coisas, nem valem a pena.

 

Afinal todas as grandes cidades são iguais. O mau cheiro de tudo aquilo que apodrece é idêntico. A publicidade é a mesma, as cadeias de distribuição são as mesmas e as grandes superfícies estão decoradas da mesma maneira. Parece que, apesar de nos deslocarmos de um lado para o outro, não saímos do lugar.

 

Ainda me lembro, ainda todos nos lembramos, do cheiro a erva molhada, a hortelã, a salsa e do sorriso limpo das pessoas e de se ter tempo para o convívio, a amizade e a solidariedade.

 

Ainda me lembro, ainda todos nos lembramos, da necessidade de estarmos com amigos.

 

Hoje, os amigos são mais raros do que o lince da Malcata.

 

Atualmente conhecemo-nos todos uns aos outros, mas não somos amigos uns dos outros.

 

Lá diz o poeta, cantamos sempre o que perdemos.


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Domingo, 17 de Abril de 2016

Reflexos

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Sábado, 16 de Abril de 2016

Atravessando pela ponte

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Sexta-feira, 15 de Abril de 2016

Riacho

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Quinta-feira, 14 de Abril de 2016

Poema Infinito (298): a velocidade do esplendor

 

 

A paisagem fecha-se sobre nós como um punho. A morte combate-se de noite. Os homens acordam sem memória, cansados dos sonhos, adivinhando um nascer do dia minucioso. A voz rouca tirita possuída por um frio silencioso. Prolonga-se a mágoa. Tudo se passa em silêncio. As palavras são outro tipo de gestos. Abre-se o passado, desenha-se o declínio. O rejuvenescimento é outra forma de defeito. As mães ficam cristalinas como um campo de trigo. Elas apagam o frio. O seu vigor transforma-se em flor e depois novamente em raiz. Os frutos envolvem o horizonte. O que era verde, verde permanece. As crianças encenam novos jogos, riem, os seus cânticos soam alto, jogam ao anelzinho, coloram o mundo. Os animais permanecem velozes. O ferro dos arados brilha, as sementes prometem germinar. As gotas de chuva caem tépidas do céu. As flores dão claridade aos olhos. Caminhamos para diante, a estrada é leve. Tudo brilha. A paixão ganha novo rosto. O tempo adquire outra dimensão. Os sonhos acumulam-se. As janelas iluminam-se. As mãos estendem-se. A perfeição continua por explicar. A sua forma multiplica-se pelas ruas, alumia as folhas, torna-se maior que o sol e mais leve do que uma pena. O teu olhar está reduzido à sua expressão mais simples, nele há barcos, poucas palavras e algum frio. O céu embala as ondas. O esplendor ganha outra velocidade. A luz procura os nossos perfis. A noite vai de um lado para o outro sem se dar conta. Nela, os gritos são narrativos. Toda a desordem é geográfica. Organizo todas as possibilidades de te amar. Repito a experiência durante vários dias. As ondas entram pelo quarto dentro. A realidade é cada vez mais irreal. Toda a escrita é uma espécie de equívoco premeditado. As suas aparições são como pirâmides construídas de tempo e profecias. Por isso os poetas enlouquecem transformando as lendas em tempo e o tempo em magníficas construções agnósticas. Deus é um produto da sua imaginação. A evidência da sua loucura é o caos de onde nasce a ordem, que é outra forma de caos. A beleza só tem sentido dentro da possibilidade do seu abandono. A luz procura a essência da sombra, a indiferença das estrelas, toda a espécie da liberdade incrédula. É ao rebolar que a neve adquire o seu peso primário. O silêncio entra pela janela, os camponeses transformaram-se em anjos. Dentro deles dormem os utensílios, os símbolos familiares, as promessas de boas colheitas, a paz furiosa das montanhas e a imagem queimada dos poucos haveres que possuem. Se as palavras são arcaicas, os homens são ríspidos e as mulheres submissas. Os modelos também são outros, bem assim como o voo dos pássaros, a leveza do vento, a suavidade do céu e o grito dos escravos. Os homens pesam-se nas balanças para saberem da sua importância. Sobre as ruínas dos impérios pousa agora um pavor límpido e imenso. Os homens curvam-se para apanharem a sua sombra. As mãos das mulheres brilham pousadas nos regaços. Ali permanece a fluidez das suas memórias, a melancolia do seu sangue, a sua tímida juventude, o abismo perene da sua humanidade. A dignidade traçou um círculo luminoso à sua volta. Que importa o pecado se ele nos conduz à nitidez? A certeza é uma espécie de crueldade misturada com amor. Das emoções vai-nos restando a sua lonjura. Que é a eternidade se não uma espécie de blasfémia?


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Quarta-feira, 13 de Abril de 2016

Atravessando o rio - Curalha

Matança Abobeleira dez 2015 162 - Cópia.jpg

 


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Terça-feira, 12 de Abril de 2016

Poldras do Tâmega - Chaves

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Segunda-feira, 11 de Abril de 2016

285 - Pérolas e diamantes: desconversas justas

 

 

Cito São Lucas (Lucas 16:10): “Quem é fiel no mínimo, também é fiel no máximo.”

 

E depois?

 

Depois volto a citar São Lucas (Lucas 16:10): “Quem é injusto no mínimo, também é injusto no máximo.”

 

Isto pode parecer uma conversa entre irmãos, mas é essencialmente uma palestra entre predadores sociais. Ou melhor, são desconversas.

 

Eles falam mas não dizem nada, existem mas é como se nunca tivessem existido, roubam mas é como se nunca tivessem roubado.

 

Dialogam mas não comunicam nada.

 

A estratégia pode não parecer credível, mas resultou em pleno. Em Portugal conseguiu mesmo fazer eleger presidente da República um peripatético comentador televisivo.

 

No fundo, o senhor alcançou compor uma versão shakespeariana de A Ceia dos Cardeais. É o triunfo do polígrafo Júlio Dantas. Pobre do Almada Negreiros. Pobres de nós.

 

Apesar de quase toda a gente o considerar um troca-tintas, o senhor alega que tudo fez para proteger a sua dignidade. Mas Cícero já há muitos séculos questionou este tipo de atitudes e de comentários: “Como pode haver dignidade onde não há honestidade?”

 

A nós aconteceu-nos assistir ao conto de fadas do fim para o princípio. Logo após o 25 de Abril vimos transformar-se a carruagem em carroça e logo depois a carroça converteu-se em abóbora. Os cavalos tornaram-se burros, que depois se metamorfosearam em ratos que puxavam a cabacinha da avó. E a Gata Borralheira nem chegou a perder sapato nenhum, pois o príncipe era um Capitão de Abril, bom a apaziguar a malta e a comer chouriço assado e caldo verde nas festas comunitárias.

 

Agora nascem no campo político os neoliberais como se fossem cogumelos venenosos. Bonitos mas tóxicos. E começam a falar com a sua voz fria e compassiva, com a evidente particularidade de chegarem atrasados, como a caridade sempre chega.

 

A noção interiorizada de que o mundo moderno é um fluxo contínuo à nossa volta que gira sem parar pertence ao mesmo tipo de abstração filosófica que nos admite pensar bem do período pré-histórico em que os guardadores de cabras desenhavam obras-primas nos seixos das margens dos rios.

 

Os nossos homens perfeitos, embora detestem a violência, são entusiastas colecionadores de borboletas. A beleza tem de estar presa num alfinete.

 

Francamente, esta dita aura nacional reformadora é folclórica, classista, maçónica e religiosa.

 

 As ordens comunitárias são tão estranhas que só podem gerar sentimentos adversativos. O forro do capote não pode ser melhor do que a fazenda com que é feito.

 

Perguntaram um dia a Vladimir Nabokov se as ideias políticas podem resolver algum dos grandes problemas da vida duma pessoa. A resposta foi a seguinte: “Sempre me maravilhei com a limpidez dessas soluções: os ardentes estalinistas que se transformam em inofensivos socialistas, os socialistas que encontram porto tardio no conservadorismo, e assim por diante. Suponho que isto deve ter muitas parecenças com a conversão religiosa, da qual pouco sei. Apenas posso explicar a popularidade de Deus com o pânico dum ateu.”

 

Nabokov sabia que as únicas pessoas que florescem com todos os tipos de governo são os filisteus.

 

O Estado aumentou com o crescimento da economia, só que cresceu sem honra, isento de projetos, a não ser o de servir e alimentar as claques partidárias. Cresceu com Cavaco, desenvolveu-se com Guterres e manteve-se com Sócrates e Passos Coelho.

 

Basta olhar para as grandes empresas e reparar quantos ex-ministros e secretários de Estado, autarcas, assessores e outra rapaziada lá se encontra. Os que sobram estão nos escritórios de advogados, a praticar o luxuoso e bem pago jogo do tráfico de influências. Quase todos trabalham para se enriquecerem e empobrecerem os restantes. É um fartar vilanagem.

 

Governar nos tempos que correm é quase como fazer ações de espionagem, onde há sempre, como nos ensina John le Carré, um acima da linha e um abaixo da linha. Acima da linha é o que se faz segundo as regras. Abaixo da linha é como se faz o que é preciso fazer.

 

Vamos ver se este governo ziguezagueante se consegue manter em pé.


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Domingo, 10 de Abril de 2016

Curalha

Matança Abobeleira dez 2015 149 - Cópia.jpg

 


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Sábado, 9 de Abril de 2016

Lisboa

Lisboa - Rua Presidente Arriaga - Vasco 035 - Cóp

 


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Sexta-feira, 8 de Abril de 2016

Mondego

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Quinta-feira, 7 de Abril de 2016

Poema Infinito (297): desintegração

 

 

Encontro na tua fala um susto de promessas, como se fosse um sossego de palavras murmuradas. No teu rosto refulge a indelével respiração da poesia. Por detrás das palavras surgem os sinais visíveis da identificação. Existem no meu corpo indícios claros da tua passagem, algumas impressões digitais, alguns enredos, certos silêncios. Esquecemos por vezes os vários labirintos da identificação. As fotografias diluem os corpos, os lábios consomem a idade. Os rostos imobilizam-se nos limites da memória. A humidade do tempo confunde-se com a cor das flores. Tenho os teus suspiros agarrados ao meu peito. Escrever pode ser um vício feliz. Aprendi a ler nos caminhos a orientação do tempo, a direção dos ventos e a hesitação da água. Toda a obra é construída com paciência e insónia. Algumas vezes cresce junto dela a desolação e a incerteza. Outras ocasiões irrompem do seu íntimo vozes em queda, como se fossem aves de vidro, cobertas de metáforas. A paixão cobre de entorpecimento os textos. É a sua forma de envelhecer. O tempo escoa-se rapidamente. O vento tenta dormir. É o excesso de luz o que provoca as trevas. A melancolia é uma espécie de inércia interior. Levanto-me de manhãzinha, como os pastores. Vou com a chuva. Passo pelo nevoeiro. Regresso com o sol a pôr-se. Dentro de mim, todas as estações estão misturadas. Começo a habituar-me à grande desolação dos dias e ao silêncio transumante das noites. Avança a manhã pelos arquivos da memória. Por vezes, o céu entra-me pela janela. A paisagem que avisto respira uma intensa serenidade. As aves planam lá no alto. Os animais pastam lá ao fundo. Não sinto nem ânsia de partir, nem desassossego em chegar. A adolescência transforma-se definitivamente numa palavra salgada. Os espelhos refletem os enganos de cada um. Os movimentos da mão com que escrevo tornam-se lentos. O esquecimento é agora perfeito. Os computadores anunciam a morte da caligrafia. As salas azuis pressagiam catástrofes. Os corpos espalham-se pelos corredores. As máquinas ganham feições humanas. Os humanos adquirem a forma de máquinas. Os séculos guardados dentro dos livros mais antigos são exprimidos por palavras sintéticas. As nuvens pousam sobre o cume dos montes para serem fotografadas. Ninguém consegue aguentar a sua própria ausência. As noites de pesadelo enchem-se de catedrais, de árvores radioativas, de plantas que devoram o tempo, de aves luminosas que engolem o fogo, de uma espécie de silêncio definitivo. O vício obsessivo das palavras conduz à extinção das almas e consome os corpos. A estrada é agora uma ideia que nunca acaba. Os lugares por onde passa estão desertos. Alguém vagueia em busca do seu destino e descobre que não há destino nenhum. Os deuses do acaso predestinaram-nos ao nascimento e à morte. O tempo continua a apagar-nos sem darmos por isso. Os rostos expiram lentamente. As vozes imitam o eco dos rituais galáticos. O futuro é sempre tão longínquo que não existe. A manhã chega devagar estilhaçada pela luz. As plantas transformam o pó em oiro. Os raios de sol deslocam os objetos sem ninguém lhes tocar. A melancolia apreende tudo. O dia parece interminável quase até ao momento de acabar. A realidade continua com os olhos frios. A terra abre-se. Afinal, o poema é infinito.


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Quarta-feira, 6 de Abril de 2016

Pintores

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Terça-feira, 5 de Abril de 2016

Montmartre

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Segunda-feira, 4 de Abril de 2016

284 - Pérolas e diamantes: o exemplo, o respeito e a tradição

 

 

Estrabão, já no início do século I d. C., referindo-se aos Belgas, mas pensando com toda a certeza nos Lusitanos, escreveu que “toda a raça a que agora chamam «Gálica» é muito belicosa… mas muito simples. E, por isso, se são provocados, juntam-se de imediato para o combate, abertamente e sem circunspeção, pelo que quem os queira derrotar por meio de estratagemas consegue vencê-los com facilidade.”

 

Por esses tempos, César, diz Suetónio, não se importava com o “estilo de vida nem riqueza dos seus homens, mas apenas com a sua coragem”, por isso construiu um império e chegou a ser seu imperador.

 

Tinha aprendido com as nomeações dos seus tribunos e perfeitos, que o haviam desiludido tempos atrás. Nomeações decididas tendo como base as recomendações e os favores.

 

Na época de César eram raros os filhos dos senadores que não sabiam latim ou grego. Quanto ao grego, o ensino ficou provavelmente a dever-se a um escravo de origem helénica (paedagogus), que tratava das crianças.

 

As figuras passadas eram enfatizadas nas aulas devido ao seu orgulho em serem romanas.

 

As crianças aprendiam a admirar as excecionais qualidades romanas, tais como a dignitas, pietas e virtus, termos que possuíam uma ressonância própria e muito mais poderosa do que o seu equivalente atual, dignidade, piedade e virtude.

 

Dignitas era o comportamento despretensioso que patenteava claramente a importância e responsabilidade de um homem, impondo dessa forma o respeito.

 

Tal comportamento era importante para qualquer cidadão romano, sobretudo se ele pertencia à aristocracia e ainda mais se ocupasse um cargo de magistratura.

 

Naquela altura as elites davam o exemplo ao povo. Atualmente, as nossas elites tendem a seguir os maus exemplos do povo.

 

A pietas abarcava não apenas o mero respeito pelos deuses mas também pela família e parentes, pelas leis e tradições da República.

 

A virtus possuía fortes tendências militares, englobando não apenas a coragem física mas também a confiança, a coragem moral e as qualidades que se exigiam tanto aos soldados como aos comandantes.

 

Os comandantes eram os primeiros a morrer liderando as suas legiões.

 

Atualmente contam-se as verdades aos conhecidos lá de fora, mantendo os que nos são próximos na ignorância.

 

Os líderes invetivam-nos, condenam-nos à sua própria biografia. São por vezes cosmopolitas e mundanos como Mr. Hyde, e, outras vezes, modestos como Mr. Jeckyll. E até jogam connosco à bisca lambida.

 

Procedem como os agricultores relativamente aos patos do curral, cortam-lhes as asas para que não levantem voo quando os outros os chamam nas suas peregrinações para norte.

 

Sozinhos, não sabemos para onde nos dirigirmos. E quando não sabemos para onde ir, nenhum caminho serve.

 

Prometem sempre qualquer coisa que parece que vai chegar e nunca mais chega. São apenas remedeios, preparativos para qualquer coisa que está sempre uns passos mais à frente.

 

Pressentimos a felicidade. Mas quando pensamos que está para chegar, ela passa ao lado, escapa-se, desaparece.

 

Todas as cores partidárias fazem parte da mesma nódoa.

 

Contam-nos sempre a mesma história. Dizem-nos que é verdadeira. Nós sabemos que é mentira.

 

A desilusão é fictícia.

 

Real só mesmo a tristeza.


publicado por João Madureira às 07:15
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Domingo, 3 de Abril de 2016

No café

Vidago+Chaves+Barroso 179 - Cópia.jpg

 


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Sábado, 2 de Abril de 2016

No rio

Segirei - setembro 2015 115 - Cópia.jpg

 


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Sexta-feira, 1 de Abril de 2016

No espelho

montalegre+matança abobeleira 2014 268 - Cópia.j

 


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