Terça-feira, 31 de Maio de 2016

Jazz e fotografia

A Corunha - junho 2015 013 - Cópia.jpg

 


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Segunda-feira, 30 de Maio de 2016

292 - Pérolas e diamantes: o químico e o alquimista

 

 

 

Ao nível da informação em Portugal foi sempre difícil definir o que é o dito interesse público. Quase toda a gente confunde, ou quer confundir, o interesse público com o interesse do público. Cada um escolhe à vez o que lhe dá mais jeito no momento. Mas o que acaba sempre por se impor é o imperativo das audiências. E lá vai o interesse público às malvas. E também a quem é que isso importa?

 

Temos que convir que o equilíbrio nem sempre é fácil. Mesmo a televisão pública tem de ser feita com público.

 

Mas ao que assistimos, tanto nas estações públicas como privadas, é à conjugação dos seus próprios interesses com os interesses dos anunciantes.

 

Há uma lei muito citada no jornalismo, chamada de McLurg, relativa ao facto de a distância geográfica, logo emocional, condicionar o interesse do público, que diz o seguinte: Na imprensa, a morte de um inglês equivale à morte de 5 franceses, de 20 egípcios, de 500 indianos e de 1000 chineses.

 

Dou um exemplo que todos entenderão. A notícia dos acontecimentos de 12 de novembro de 1991 em Díli, onde foram massacradas 200 pessoas pelas autoridades de ocupação indonésia, com expressivas imagens de jovens refugiados na capela do cemitério a rezarem em português, teve um maior impacto e bem mais prolongado destaque em Portugal e nos países de língua portuguesa do que recebeu, três anos mais tarde, o massacre de um milhão de tutsis pelos hútus, no Ruanda.

 

Mas voltemos, com vossa licença, aos níveis de audiência e à mentalidade que os enforma.

 

Nos dias de hoje, o mercado é reconhecido como a instância autêntica de legitimação. Mas se olharmos para a história veremos que todas as produções culturais que todos reconhecemos como sendo as produções mais altas da humanidade, a literatura, a poesia, a filosofia e mesmo a matemática, todas elas foram produzidas contra a lógica do comércio.

 

Os entendidos nestes temas defendem que o serviço público deve implicar “complementaridade face aos difusores públicos”, promovendo a variedade da oferta e da promoção cultural local. Segundo um diretor de pesquisa da BBC, “a sensibilidade do público deve ser auscultada no exterior da própria lógica da medição de audiências”.

 

Como diz Bachelard, “todo o químico deve combater em si o alquimista”.

 

Francisco Rui Cádima, citado por Adelino Gomes, propõe que a RTP complemente a audiometria com uma espécie de “qualimetria” que permita ponderar “a apreciação dos telespectadores sobre a organização das grelhas, sobre os programas concretos e ainda sobre géneros e programas que habitualmente não estão nos melhores segmentos horários”.

 

À proliferação desmesurada de chavões como “mercado”, “custos”, “concorrência”, “consumidores”, “contribuintes”, devemos contrapor os conceitos democráticos e civilizacionais de “interesse público”, “qualidade”, “cultura”, “independência”, “cidadania”.

 

E convém não acreditar muito nos gestores da causa pública pois todos sabemos que as pessoas não fazem necessariamente o que dizem, nem dizem o que fazem.

 

Por alguma razão os autores do atentado das Torres Gémeas levaram a cabo o ataque numa hora em que o terror pôde ser transmitido em direto nos telejornais matutinos da América, nos telejornais da hora de almoço da Europa e nas notícias da noite na China. Como diz Vicente Verdú, “a aspiração máxima de uma notícia é a de ser como uma superprodução de Hollywood que atraia milhões de olhos.”

 

Afinal nós acreditamos mais na televisão do que na realidade.

 

Ignacio Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique, afirmou que nos anos 80 se verificou o auge da capacidade de absorção da informação. E questionou o seguinte: “Não teremos atingido uma fase em que o aumento da informação já não provoca aumento de liberdade? Mais preocupante ainda: Não estaremos a chegar a um mundo em que o aumento da informação provoca uma diminuição da liberdade, mais confusão, mais desinformação?”

 

Não se esqueçam das palavras de Ryszard Kapuscinsk: “De um modo geral, a conquista de cada bocadinho da nossa independência exige uma batalha”.


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Domingo, 29 de Maio de 2016

O sapateiro de Chaves (V)

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Sábado, 28 de Maio de 2016

O sapateiro de Chaves (IV)

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Sexta-feira, 27 de Maio de 2016

O sapateiro de Chaves (III)

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Quinta-feira, 26 de Maio de 2016

Poema Infinito (304): palavras e contextos

 

 

Faço as perguntas que me levam ao silêncio. Esculpo folhas com o olhar, burilo os ramos, enquadro os canteiros e acaricio as cantarias lavradas pelos meus antepassados. Basta tocar nas pedras para elas se abrirem ao tempo, para adquirirem a forma rosácea da eternidade. Os gestos do espírito são matéria pura. Quando as mãos se materializam no sonho alcançam a arte maior. Talham a neve, decantam o frio, lavram no amor a imperfeição que o torna atraente, fazem brilhar a delicadeza extenuante dos afetos. As palavras mais frágeis caem-nos nas mãos como pássaros de inverno. Essas palavras atraem um pouco mais de matéria, ganham peso e tombam tentando amparar-se sobre as asas. A morte insufla-lhes a consistência inútil da queda. O seu triunfo é o seu sofrimento. As palavras ciciam segredos umas às outras, falam da sua condição de sementes, da sua ciência estelar, do aumento da sua massa e da perda do seu peso estrutural. E ali ficam suspensas, irradiando uma espécie de luz continua que ilumina os poetas. As suas vozes poem-se a brilhar, sozinhas, germinando eternamente, amparadas pelos sinais de pontuação. A lei dos corpos vivos é atraírem a morte. Das palavras sai a matéria de que somos feitos. Com a sua verdade erguem-se os castelos de nuvens, iniciam-se revoluções e escrevem-se todos os tratados da incerteza. As palavras mais corajosas já vão lá mais ao longe, fazendo o caminho, observando as palavras paradas que se limitam a observar quem passa com um sorriso safado nos lábios. Nem parado as entendo, quanto mais quando ando de um lado para o outro como um gato desinquieto em busca de uma pássara. As palavras mais sofredoras detêm-se no caminho com a respiração ofegante, ouvindo com prazer o seu coração bater apressadamente como se estivessem a desfalecer depois de uma corrida ou após se terem apaixonado pela paixão de Simão Botelho por Teresa de Albuquerque e de Mariana da Cruz por Simão Botelho e dos três pelo seu amor de perdição. Outras já estão tão cegas como o Camilo nos seus últimos dias, mas não possuem nem metade da sua coragem. Dizem que ainda veem alguma coisa e dão voltas e mais voltas agarradas umas às outras para não se perderem no escuro na noite, dizem elas, apesar de ser dia e de a luz ser tão forte que estraga as fotografias. O seu saber é parado. Nem eu as entendo, nem elas me entendem a mim. As palavras exatas nem sequer começaram a caminhar. O poema, por trás delas, cava um buraco e faz pela vida. Provavelmente aparecerá um pouco lá mais à frente disfarçado de toupeira. As palavras exatas gostam de separar o som, o tom e a magia. Com elas, tudo parece perfeito, mas tudo está errado. Outras palavras amam os ritos, recebem uma espécie de linguagem e transformam-na noutra sem que ninguém se aperceba. São as que repousam na boca dos logocratas e dormem quentinhas nos seus cérebros eruditos junto com os anjos e os deuses. E ainda há outras que lustram os elementos, acendem e apagam os corações dentro do peito, fazem borbulhar o tempo, incomodam os ditadores, os parvos e os fundamentalistas e gostam de ser murmuradas. Por vezes afloram de forma única e espontânea e deixam-se apanhar disfarçadas de borboletas. Há quem as semeie nos campos e depois as lavre com paciência de camponês. Mas as minhas preferidas são ao que parece pobres mas quando são tocadas com sabedoria transformam-se em brasa, mexem-se ao ritmo louco das marés, convertem-se em torrente e fazem incisões profundas em quem as ama e em quem é amado por elas. Quem me olhar com um pouco de atenção poderá observar vestígios dessas palavras espalhados por todo o meu corpo.


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Quarta-feira, 25 de Maio de 2016

O sapateiro de Chaves (II)

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Terça-feira, 24 de Maio de 2016

O sapateiro de Chaves (I)

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Segunda-feira, 23 de Maio de 2016

291 - Pérolas e diamantes: as lindas carícias dos avarentos

 

 

Uma das reações, que face à história, sempre me incomodou tem a ver com a forma de configurar o passado como sendo confortavelmente distinto do tempo que nos toca viver.

 

As sociedades que nos precederam são definidas como menos sofisticadas, mais rudimentares, austeras e estranhas. Tais atitudes apenas revelam um desejo coletivo de tranquilizar o cidadão moderno através do aviltamento das práticas do passado.

 

As guerras santas que grassam por esse mundo fora demonstram-nos que, mesmo cedendo ao lugar-comum, a história repete-se, primeiro como tragédia e depois como farsa.

 

Muitas vezes dizem-me, não sei se em forma de sarcasmo ou de elogio: “Não mudaste nada. Tens ainda a mesma aparência, o mesmo feitio”.

 

Penso cá para mim: “Os cegos por vezes também veem. Ou pensam que veem. Talvez não tenha mudado na aparência, aparentemente. Mas mudei em profundidade. A aparência está para chegar. Mas já não será aparência.” Depois sorrio interiormente. A idade permite-nos certos devaneios.

 

Sinto-me como Nino Sarratore, um personagem de Elena Ferrante, a viver num país provinciano onde todas as oportunidades são boas para nos queixarmos, mas entretanto ninguém arregaça as mangas para organizar as coisas e pô-las a funcionar.

 

Por cá mexe-se muito na vontade das pessoas, sempre com o intuito de retirar delas o que mais nos apetece, ou o que nos dá mais jeito. Aprendemos com os bonecreiros o poder de pôr tudo à cabeçada, ou à gargalhada. Levamos ao extremo a arte de agradar que, bem vistas as coisas, não passa da antiga arte de iludir.

 

A vontade das pessoas extingue-se como um fulgor, dissipa-se logo ao virar da esquina. Acariciamos a arte como o avarento faz ao ouro. Possuímos o mesmo sentido de partilha.

 

Damos nas vistas sempre fechados sobre nós próprios, metidos dentro da nossa escuridão pensando que é fulgor.

 

O segredo de manter um lugar consiste em nos movermos quando a populaça se move. O poder gosta de separar a história das suas personagens. E difunde a ideia que não se atraiçoa na política, pois a traição é coisa de novela de aventuras.

 

Aos mais crédulos gosto de lembrar um provérbio escocês que diz que não devemos tocar num felino sem pôr luvas.

 

Há mesmo aqueles que, usando luvas, continuam com as mãos gélidas. Aprendi com Machado de Assis que ninguém finge as mãos frias.

 

Um mestre de Teologia perguntou a um dos seus discípulos se um dia alguém lhe desse um presente e ele o não aceitasse a quem pertenceria esse presente. Ele respondeu que continuava a pertencer a quem o pretendia oferecer. Então o mestre disse que o mesmo é verdadeiro para a fúria, a raiva, a injúria e a inveja. E rematou: “Quando não são aceites continuam a pertencer a quem os carrega consigo.”

 

Conciliar princípios é uma atitude digna, mas creio agora que conciliar homens é, apesar de tarefa mais difícil, uma atitude bem mais sensata e proveitosa.

 

Há um velho ditado árabe que diz: “Não sejas tão mole que te espremam nem tão duro que te partam.”

 

Definitivamente, o mundo não se divide entre bons e maus, progressistas e reacionários. Nós e eles. O mundo real está cheio de grandes combinações cromáticas, que até costumam derivar para outros tons quando se misturam entre si. No mundo real não existe só a cor cinzenta da uniformidade.

 

Por hoje remato com outro axioma muçulmano. Pergunta: “O que é que sugeres para eu castigar um difamador?” Resposta: “Corta as orelhas a todos os que escutam as suas mentiras.”


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Domingo, 22 de Maio de 2016

Em Paris

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Sábado, 21 de Maio de 2016

Em Paris

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Sexta-feira, 20 de Maio de 2016

Em Paris

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Quinta-feira, 19 de Maio de 2016

Poema Infinito (303): o vento e as sombras

 

 

Olho para o vento e guardo silêncio. Alguns pássaros abrigam-se nos rochedos. Outros lançam-se contra o desafio cinzento das nuvens. O dia parece interminável. Logo pela manhã, o sol irrompeu pelo flanco celeste que está à minha esquerda. Os seus raios arderam-me na pele e nos olhos. A seguir veio a chuva em sucessivas vagas formando muralhas líquidas entre mim e as montanhas. Fechei-me em casa. De repente, voltou o sol expandindo o seu orgulho. Desci até ao rio. Segui com os olhos a linha sinuosa do seu caminhar, por entre rochedos e corgos, por entre desfiladeiros e desvios. Observar o horizonte é uma espécie de vício. Fere-me a tua ausência. Sou possuído pela forma mais anódina de impaciência animal. Fujo à solidão ferindo-me na escrita de novos poemas. São cada vez mais estranhos. Nem eu os reconheço. O espelho já não repete todos os gestos. O foco do vento muda de sítio. A luz intensa do sol fica mais fluída. As sombras começam a decepar as árvores. Tudo à minha volta se transforma. A afirmação do tempo devora os olhares. A devoção interior da vida escorre pelos vidros húmidos da janela. Tenho esperança que este ano todas as árvores do pomar deem frutos. O inverno vai quente. O fumo da chaminé entra muitas vezes em casa puxado pelo vento norte. Na terra molhada cresce uma erva triste que servirá de alimento aos animais. Nas paredes da casa as fotografias antigas vigiam-nos o tempo de sono. Por vezes entram nos nossos sonhos. Durante a noite, os poemas atingem outra profundidade. Entendem o princípio da identidade. Sinto que cultivam o sentido do sacrilégio. Guardo ainda nas algibeiras o segredo do amor, a verdade inaudita dos substantivos, o rosto murmurado da verdade, o impenetrável sentido da vida. A linguagem é movida por um princípio atormentado carregado de metáforas. Sujeitamo-nos à perfeição desnecessária da divindade, à sua amargura excessiva. Todos os gestos são efémeros. Basta-me uma base mínima da verosimilhança para me sentir verdadeiro. Sinto os meus pés a transformarem-se em raízes. A minha memória está repleta de rostos fixos. Por vezes, os seus contornos adquirem movimento. O seu silêncio possui uma gramática própria. Os verbos transformam os campos, alteram o tempo, fixam o Cristo na sua cruz e de lá não o deixam sair. As rodas do tempo não param de nos humilhar. As suas virtudes são apenas abstratas. Recordam a loucura, a luminosa precisão das catedrais, a voz invisível da morte, o espírito oval das festividades, o cântico sacrílego da posse e do abandono, a mutilação inesperada das aparições, a evidência transitória dos corpos, o rebordo vazio dos poemas, as figuras humanas que desaparecem possuídas pelas sua sombras. Reconheço no interior das minhas mãos o calor do teu corpo, a sua gravidade exata. De madrugada, o vento deixou de soprar. Interpreto o meu autorretrato. Sou feito de monólogos. O meu tempo dilui-se dentro de uma caixa de madeira. A minha imagem afasta-se de mim a um ritmo relativamente estável. Ressurge então a minha máxima evidência, uma repetição de expressões comuns e usadas, revelações incompletas, gestos quotidianos, silêncios. Uma luz estranha perfura o ar. Os objetos libertam-se da sua hipnose quotidiana. Já nada é como era. Aproxima-se de mim um raciocínio luminoso. Viro-lhe as costas. A vida é uma repetição de gestos e palavras. Estou a transformar-me numa sombra.


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Quarta-feira, 18 de Maio de 2016

Em Paris

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Terça-feira, 17 de Maio de 2016

Em Paris

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Segunda-feira, 16 de Maio de 2016

290 - Pérolas e diamantes: o défice humano

 

 

Já tudo nos cansa, tudo nos farta, tudo nos incomoda. Vivemos num permanente estado de espetáculo. Rejeitamos o ruído, as conversas. Vivemos numa sociedade paradoxal. Apesar de ser a sociedade da comunicação, não conseguimos criar intimidade, não comunicamos com verdade. As nossas relações são apenas simulacros. Risos e sorrisos sem nada dentro.

 

As palavras fogem-nos da boca sem destino e sem sentido.

 

Tomou conta de nós uma indefinida melancolia, um tédio persistente, um cansaço existencial.

 

Vivemos numa sociedade de espetáculo, onde o consumo é a atividade definidora da nossa suposta contemporaneidade. Consumimos mais umas calças ou uns sapatos esquecendo-nos dos que ainda estão lá em casa por estrear.

 

Vivemos uma existência nivelada pela vulgaridade. Tudo foi transformado em fait-divers: a violência doméstica, o abandono dos idosos, o roubo dos políticos e dos banqueiros. Perdemos a noção dos valores. O entretenimento é a nova ideologia, sobretudo a cultura audiovisual.

 

Por vezes, quando um qualquer ministro, ou ex-ministro ou putativo próximo ministro, aparece a proferir mais uma das suas epístolas aos néscios, brincamos a apontar o comando ao ecrã da televisão com um sorriso maroto e a mesma satisfação que tínhamos em garotos quando apontávamos a pistola de brincar ao nosso colega de brincadeira e acertávamos no alvo.

 

Somos danados para a reinação.

 

Impôs-se a ideia de que as pessoas não conseguem estar sequer um momento sem se divertir. Produziu-se uma nova realidade. Anos desta ideologia resultou na eleição de um comentador político para presidente da República.

 

Há uma quantidade infinita de informação e parece que não existe nenhuma.

 

Triunfaram os que com um mínimo de esforço conseguiram o máximo proveito. O dinheiro continua a ser a principal mola impulsionadora da nossa sociedade.

 

As rotundas, as amplas praças de pedra e as fontes luminosas são o principal contributo autárquico para o embelezamento das cidades do país.

 

No Interior proliferam os montes, os vales, as rochas e os arvoredos. Sente-se o abandono, a pavorosa serenidade do abandono. O desleixo. A decrepitude.

 

Habituaram-nos à democracia. Conversamos e fazemos um pouquinho de teatro. Barafustamos, pomo-nos a fazer de atores. E até opinamos contra isto e contra aquilo.

 

Mas na vida a sério misturamos algum óleo vegetal ao azeite ou deitamos um pouco de água no vinho ou, quando as coisas aquecem, botamos sempre uma pouco de água na fervura.

 

Dizem-nos que o querer não basta. São necessários, também, outros atributos.

 

Somos sempre assim, mas também assado.

 

O país está mal, é mais do que evidente, mas basta escutar alguns dos nossos mais distintos deputados para logo a dúvida se instalar dentro de nós.

 

A realidade atraiçoa-nos.

 

Os bancos e os banqueiros trapaceiros continuam a ditar as leis económicas e financeiras, a corromperem e a deixarem-se corromper.

 

Foi a gente que contribuiu mais para a crise que agora nos diz que a puta da crise é culpa dos outros, culpa nossa, culpa do Estado, culpa da conjuntura internacional e culpa do tempo.

 

Depois fazem cimeiras e dizem que vão resolver os problemas. Os problemas do mundo, os problemas da Europa. E os nossos problemas.

 

E nós, aflitos, acreditamos em tudo.

 

Entretanto os juros continuam a subir, os ratings a descer, os bancos a falir, o desemprego a aumentar.

 

Andamos nisto há uma eternidade.

 

Uma coisa tenho como certa: o nosso verdadeiro défice não é financeiro. É, sobretudo, humano.


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Domingo, 15 de Maio de 2016

Na Corunha

A Corunha - junho 2015 045 - Cópia.jpg

 


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Sábado, 14 de Maio de 2016

Notre Dame - Paris

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Sexta-feira, 13 de Maio de 2016

Passeando em Paris

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Quinta-feira, 12 de Maio de 2016

Poema Infinito (302): história noturna

 

 

Antes da maldição, os lobisomens combatiam o Diabo e os feiticeiros. Quando morriam iam para o paraíso. Eram os cães de Deus. Perseguiam os demónios e as bruxas que se armavam com açoites de ferro e vassouras feitas de rabos de cavalo. Combatiam pela fertilização dos campos. Nas refregas lutavam também as bravas mulheres do apocalipse. Todos combatiam as bruxas e os mostrengos do fim do mar. As metamorfoses eram múltiplas, mas temporárias. Os humanos transformavam-se em leopardos, hienas, tigres e jaguares. Os lobisomens eram as vítimas inocentes do destino. Um deus indisposto com as suas virtudes transformou-os em devoradores de rebanhos e crianças. Alguns escaparam ao divertimento divino e transfiguraram-se em homens-soldados que se armavam com ramos de erva-doce e bonitos caules de cevada. Nasceram assim as procissões. Os espíritos libertados entravam em êxtase ou catalepsia. As insolências, naqueles tempos, eram alegres, pois estavam sempre associadas ao sarcasmo. Só assim era possível enfrentar os inquisidores. Os homens de bem separavam as águas dos rios que atravessavam com as chicotadas dos seus bastões. Muitos dos que ainda guardavam dentro de si a alma de lobo entravam nas adegas e esvaziavam os tonéis de vinho, de hidromel e de cerveja. Ninguém percebia o sentido de tudo isso. Um deus maior decidiu então formar os seus filhos ainda dentro da barriga das mães, enquanto dormiam e depois de copularem. Seguidamente colocaram-nos sob as suas asas e fizeram-nos voar no céu como se fossem grandes aves, para combaterem os demónios e os feiticeiros. Eram estes filhos do deus maior silenciosos, melancólicos e fortes como touros. Treinavam lutando entre si em forma de garanhões brancos. Antes de se transmutarem em animais eram invadidos por um calor intenso e soletravam palavras desconhecidas de todos. Entravam assim em contacto com o mundo dos espíritos. Cavalgavam árvores arrancadas pela raiz, rodas de carroças, paletes de fornos, arados, molidas e jungos. Rangiam os dentes e lançavam fogo pelos olhos e pela boca. Do céu começaram a cair pedaços de cavalgaduras, assustando o mundo. Combatiam os inimigos entre as nuvens e provocavam tempestades. No final, os vencedores ateavam fogo aos adversários. Quando o galo cantava, os contendores dispersavam. As safras de uns ficavam a salvo, enquanto as dos outros ardiam como se fizessem parte do inferno. Os vencedores asseguravam sete anos de colheitas abundantes. Também descobriam tesouros ocultos, curavam as doenças difíceis, identificavam os demónios, os feiticeiros e as bruxas que andavam disfarçadas pelos povoados. Tocavam os tambores e as cornetas e punham o povo todo a dançar. Tinham sonhos poderosos e presságios infalíveis. Para alcançar o prado da vida montavam em pombas, falcões, cavalos, vacas, vassouras ou escanos feitos com a madeira de carvalho. Chegados aos prados, deixavam-se atrair pelo perfume das flores e dos frutos. As donzelas bailavam a dança da fertilidade. Diante delas, as mesas enchiam-se de alimentos raros. Era muito difícil fugir do lugar das delícias. Finalmente, as almas voltavam aos próprios corpos e assim se completava o ciclo dos heróis lendários. O céu enchia-se de flechas de fogo.


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Quarta-feira, 11 de Maio de 2016

Passeando no Sena - Paris

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Terça-feira, 10 de Maio de 2016

Sacré Coeur - Escadarias e Basílica

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Segunda-feira, 9 de Maio de 2016

289 - Pérolas e diamantes: o presidente, o poeta, o ministro e o homem da fruta

 

Espalhou-se entre nós uma espécie de saturação da novidade.

 

Marcelo Rebelo de Sousa, no seu primeiro discurso numa cerimónia do 25 de Abril, armou-se de coragem e distribuiu recados à esquerda e à direita, conseguindo assim receber mais aplausos do que é normal. O país assiste pachorrento a um banho de “marcelomania”.

 

Marcelo, que como é seu timbre e feitio, já foi contra e a favor do Acordo Ortográfico, resolveu ir a Moçambique e, entre outras minudências, mostrou vontade de reabrir a discussão sobre o AO, pois confia que nem Maputo nem Luanda vão ratificar o polémico documento.

 

O ex-comentador político quer a todo o custo surgir como presidente de todos os portugueses e, se não lhe põem barreiras, também de alguns espanhóis e de muitos cidadãos da CPLP.

 

Generoso nos sorrisos, nos abraços e nos beijos, o novo presidente parece querer ser parcimonioso na distribuição das medalhas. No dia 10 de Junho apenas vai condecorar uma pessoa: Margarida de Santos Sousa, a corajosa porteira que socorreu em sua casa feridos dos atentados na discoteca parisiense Bataclan que mataram mais de 100 pessoas, em abril de 2015. Ao contrário de Cavaco, Marcelo pretende ser contido na atribuição de medalhas que considera só se justificarem em casos excecionais.

 

Talvez fascinado com Jerónimo de Sousa, o senhor presidente Marcelo escolheu João Caraça, representante da Gulbenkian em Paris e filho do matemático comunista Bento de Jesus Caraça, para presidir às comemorações do 10 de Junho, que este ano decorrerão na capital francesa.

 

Quem também anda exaltado é o laureado poeta Manuel Alegre que no dia 25 de Abril recebeu o prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores, por pérolas poéticas como esta intitulada “País”: “Não sei se sem poemas há país / ou sem eles se perde o pé a fé e até / esse país que está onde se diz / Ai Deus e o é? // Alguns julgam que é tanto vezes tanto / capital a multiplicar por capital / país é um café e a mesa a um canto / onde um poeta sonha e escreve e é Portugal. // Levantou-se a velida levantou-se a alma. / Por mais que o mundo nos oprima e nos esprema / há sempre um poema que nos salva / país é onde fica esse poema.”

 

Eufórico e a encher-se de prémios e medalhas, o rei do Clube dos Poetas Vivos foi mesmo mais longe, até onde nunca tinha ido, e confessou que não votou no Marcelo Rebelo de Sousa. Mas da próxima vez já não sabe. “Se isto continuar assim, se calhar voto”.

 

Que alegre anda o Manuel da “Praça da Canção”. Já não se canta como soía.

 

Imbuído desta mesma euforia anda também o senhor ministro da Educação que decidiu mais uma vez mudar os currículos das escolas públicas nacionais. Resolveu para isso deixar as instituições decidir 25% dos currículos, criar disciplinas e reforçar matérias. As metas impostas pelo seu antecessor Crato vão ser encurtadas, pois, na sua perspetiva, a “Matemática e o Português são tão estruturantes como as artes”, talvez querendo inverter a ordem dos fatores para servir como metáfora.

 

O senhor ministro faz parte do eterno problema de estarmos sempre a voltar ao mesmo. Cada novo governo cede sempre à tentação corriqueira de mudar o que encontrou feito e concluído. É essa instabilidade permanente que prejudica quem menos devia ser prejudicado em todo o sistema de ensino: os alunos.

 

Finalmente Pinto da Costa vai a julgamento. E não é nem por causa do Apito Dourado ou da salada de frutas em que anda metido vai para alguns anos. Ele, Antero Henrique e outros arguidos serão julgados no âmbito da “Operação Fénix” por terem contratado os serviços de uma empresa de segurança ilegal. Ao todo, são 57 os acusados de associação criminosa, exercício ilícito de segurança privada, extorsão e coacção. 

 

É o FCP a perder em todas as frentes. Três anos de penúria de títulos podem acabar em desastre. Quem anda à chuva molha-se.

 

Arturo Pérez-Reverte tem razão. Aos tontos não há forma de convencê-los a que deixem de o ser. É preciso descer ao seu nível. E, nesse sentido, os tontos são imbatíveis.


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Domingo, 8 de Maio de 2016

Sede

montalegre+matança abobeleira 2014 294 - Cópia.j

 


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Sábado, 7 de Maio de 2016

À espera

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Sexta-feira, 6 de Maio de 2016

Expressões

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Quinta-feira, 5 de Maio de 2016

Poema Infinito (301): do manual do confessor

 

 

No manual do confessor estão referidas as distintas mulheres que vagueiam na noite. Estas mulheres de fora cavalgam castrados ou outras esposas do mesmo ofício. Outras voam ao deus-dará. São figuras ambíguas, provocadoras honestas, perseguem as boas fadas e seguem para Oriente. Vestem de branco e usam um turbante vermelho na cabeça. São sempre mulheres ocasionais, que reconhecem os fenómenos anómalos, as hipóteses incompatíveis, os obstáculos analógicos, as fisionomias óbvias, as lendas difusas, as miragens que se avistam no estreito de Messina. As mulheres de fora têm êxtases profundos. Reproduzem-se em oráculos frágeis, inspirados em Apolo. Celebram a vitória das Mães, desdobram e triplicam as divindades, oscilam entre o singular e o plural e enterram as progenitoras nos cemitérios das fadas. As ninfas criaram Zeus, as cabras amamentaram-no, depois vieram os homens que contaminaram tudo. Apareceram então as constelações, que mais não são do que amantes transformadas em ursas. Da fabulosa infância de um deus nasceu o primeiro poeta. As suas metamorfoses indicam uma nova genealogia mística. O primeiro poeta casou-se com Ártemis, a senhora dos animais. Ao mesmo tempo que se reproduziram, as mulheres da noite começaram a criar cavalos alados, leões e cervos. A realidade ficou marginal. As Mães distinguem-se das outras mulheres porque ostentam na mão direita uma tigela e têm o colo cheio de frutos. Atrás delas, o poeta faz descrições das suas primeiras experiências extáticas, de correntes linguísticas infinitas, de relatos extensos, de confidências inimagináveis, perseverando na lógica fotográfica das distâncias cronológicas. Os deuses menores iniciaram então as suas práticas mágicas com o auxílio de algumas crianças desasadas. Nas bacias de água começaram a aparecer os espíritos que interrogavam as crianças, cultivavam as ervas venenosas e criavam animais misteriosos. Principiaram os bajuladores a fazerem conexões históricas. Tudo se tornou semelhante. O olhar das divindades adquiriu o poder letal que ainda hoje possui. As lendas passaram a ser ameaçadoras e a circundar os povoados, os pelourinhos e as estátuas. Nasceram então as fábulas e os magos que controlam o ingresso no reino dos animais e das plantas. Os abkhazis aprenderam a devolver o sopro vital aos animais mortos. Os indivíduos adquiriram a sua identidade substancial. Os homens e as mulheres passaram a reviver, sem o saber, os mitos oriundos dos tempos e dos espaços antiquíssimos. Apareceram os santos inquisidores munidos das suas convergências genéricas prontos a destruir todas as divindades, menos a sua. Pretenderam provar a existência do seu deus apelando à ordem tipológica. Acabaram transformados em açougueiros de precisão. As metamorfoses e os voos divinos passaram a aparecer apenas nos sonhos dos mortais. Inventou-se então o Purgatório. As almas adquiriram a forma de borboletas e passaram a abandonar os corpos de quem dorme. Vão combater o êxtase. A sua mediação é noturna. Finalmente os amantes começaram a descer aos seus jardins para colherem os lírios mais perfumados. O amor parou no meio dos campos. Foi aí que a minha mãe me concebeu, numa conclusão apressada. Depois sentou-se à sombra de uma macieira e comeu o fruto fresco do desgosto.


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Quarta-feira, 4 de Maio de 2016

Reflexos

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Terça-feira, 3 de Maio de 2016

Afonso - O Padornelos

Barroso - abril 2006 181 - Cópia.jpg

 


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Segunda-feira, 2 de Maio de 2016

288 - Pérolas e diamantes: eu traidor me confesso

 

 

O “Livro de Ester”, um dos livros históricos do antigo testamento da Bíblia, diz-nos que a essência da tragédia dos seres humanos não reside no facto de os perseguidos e oprimidos aspirarem a libertar-se e a erguer-se.

 

O verdadeiro mal consiste em que, no fundo dos seus corações, os oprimidos sonham em tornar-se opressores daqueles que os oprimiram, os perseguidos aspiram a ser perseguidores e os escravos a serem senhores. Afinal isto já vem de longe.

 

Depois falam-nos dos traidores. Ou melhor, do traidor perpétuo Judas, que, segundo novas revelações históricas, não foi traidor nenhum, sendo até o discípulo preferido de Jesus.

 

Basta olhar para alguns atos de traição para o epíteto mudar de forma e sentido.

 

Em França, De Gaulle foi eleito presidente com os votos dos partidários da Argélia francesa. Depois foi capaz de acabar com a soberania francesa na Argélia e de conceder a independência total à maioria árabe. Os partidários de ontem apelidaram-no de traidor e tentaram mesmo matá-lo. Escapou por milagre a um atentado.

 

Abraham Lincoln, o libertador dos escravos na América, foi apelidado de traidor pelos seus adversários e acabou assassinado por um seu compatriota quando assistia a uma peça de teatro.

 

Os oficiais alemães que tentaram assassinar Hitler também foram acusados de traição e executados.

 

Amos Oz tem razão quando diz que na história surgem por vezes pessoas corajosas, avançadas ao seu tempo, que por isso mesmo foram chamadas de traidoras e mortas.

 

Aqueles que estão dispostos a mudar, que possuem a ousadia da mudança, serão sempre considerados traidores por aqueles que são incapazes de qualquer mudança, e lhe têm um medo de morte. Não a entendem e têm-lhe pavor.

 

Existem também os patrioteiros. Eça de Queirós dividiu-os em duas categorias: os defensores da “nação viva” e da “ciência justa” e aqueles para quem a “maneira de amar a pátria é tomar a lira e dar-lhe lânguidas serenatas”.

 

Os primeiros foram muitas vezes perseguidos, presos e mesmo executados. Muitos morreram no exílio, outros nas labaredas da inquisição e outros ainda nas prisões políticas do fascismo.

 

A maioria continua por aí a tanger a lira e a cantar modinhas ao jeito popular.

 

Atualmente quase nada distingue a burguesia do proletariado. O enquadramento cultural é muito semelhante. Leem as mesmas revistas do coração, folheiam o “Correio da Manhã” ou o “Jornal de Notícias”, entretêm-se com a mesma literatura de cordel, veem a mesma televisão e comovem-se sempre com as telenovelas ou com os programas de entretenimento. O fado e a música pimba embala-lhes os sonhos e abana-lhes o corpo. Tony Carreira aí está para o provar.

 

A cultura de massas triunfou. A burguesia e o proletariado distinguem-se apenas na capacidade de fazer e amealhar dinheiro.

 

Desculpam-se com a ideia de que a cultura é uma coisa pesada, que a vida tem de ser leve. Nivelou-se a inteligência e as ideias pelo mais baixo denominador comum.

 

Em vez de se discutirem as ideias, discute-se a comida, a bebida e a roupa.

 

Martin Amis tem razão: a brigada iletrada triunfou.

 

Experimento a mesma estranha sensação de Fernando Lopes Graça em 1937: “Apesar de nado e criado em Portugal, cada vez sinto mais a minha incapacidade para sentir e compreender as coisas portuguesas; e assim é que estou em me considerar uma monstruosíssima exceção àquela genial lei etnopsicológica, formulada por um conhecido jornalista português: de que para sentir e compreender as nossas coisas é absolutamente indispensável ter nascido em Portugal.”


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