Domingo, 31 de Julho de 2016

O Padornelos V

Brotas e Barroso - abril 2016 133 - Cópia.JPG

 


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Sábado, 30 de Julho de 2016

O Padornelos IV

Brotas e Barroso - abril 2016 127 - Cópia.JPG

 


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Sexta-feira, 29 de Julho de 2016

O Padornelos III

Brotas e Barroso - abril 2016 126 - Cópia.JPG

 


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Quinta-feira, 28 de Julho de 2016

Poema Infinito (313): a onda expansiva da criação

 

 

Sinto-me como um nómada imóvel, fixando a terra e misturando tudo aquilo que é absoluto. Toda a ignorância é imponderável. O vento ora sopra na direção do mar, ora sopra na direção do deserto. Incendeia-se a letargia dentro da nossa sombra. Escutamos o canto dos pássaros enquanto debicam os frutos mais maduros. A vida nunca se repete. Por detrás dos arbustos invisíveis, os animais impregnam-se de lucidez e abandonam a sua condição. A sabedoria é uma espécie de distração ambivalente. Já não se tecem os olhares delicados de antigamente. O silêncio já não consegue ser tão absoluto. Apenas a inocência inicial é vestida com os mesmos tons de branco. No entanto, a sua limpidez é mais concreta, a sua essência é mais leve e o seu aroma é tão rápido como o tempo do amor e do desejo. Ondulamos dentro de uma alfombra transparente. A nossa paixão é exata. Os gestos mais ternos consomem-se na sua própria subtileza. A sua cortesia é breve. O nosso tempo equilibra-se, como se fosse um navio sulcando a substância das coisas. Dos livros mais antigos saem agora as nuvens mais densas carregadas de água que embriaga os pássaros. A vida é o espaço que medeia entre o júbilo e a agonia. Os livros, sei-o agora, não se completam, complementam-se. Os livros possuem os seus próprios terraços e os seus próprios abismos. A sua claridade por vezes ofusca. Por vezes adormecemos dentro deles. Por vezes abrimos as suas janelas e observamos os corpos que latejam, as palavras que vibram, os meteoros que os atravessam, as anémonas que os sulcam, o ardor que os possui, as estátuas que se elevam no seu interior, a forma que os deforma, os seus movimentos mais ingénuos e o alvo puro da sua incerteza. Dentro deles arde o desejo, pulsa o silêncio, suspendem-se os nomes, misturam-se os caminhos, a água desliza por dentro das sombras, a nudez adquire um aroma próprio, a luz fica mais redonda, a terra enlaça todos os prodígios, a alegria passa a ser uma fábula real. Os jogos adquirem som. Dentro do silêncio fazem eco as palavras interiores. Os olhares geram a sua própria ausência e choram e adquirem a forma de céus oblíquos. As metáforas inventam as figuras, a intensidade do nosso desejo, o sopro subtil da violência branca dos espaços, as sílabas que compõem o firmamento, as árvores de onde brotam os poemas mais cintilantes, a onda expansiva da criação, o reconhecimento e a orientação definitiva dos ventos, os vocábulos que pousam na erva logo pela manhã misturados com o orvalho. Deus criou a origem da nossa própria origem e depois perdeu-nos. A nossa memória vai-se apagando e transforma-se numa longa incoerência. Acolhemos as sombras que mais tarde nos hão de acolher. Vivemos no equilíbrio das evidências mais serenas, na perfeição monótona dos céus. Aprendemos a escrever com o fogo e com a água. As nossas bocas descobriram o sabor perfeito dos frutos vermelhos, a expansão da sua blandícia. Agora as distâncias são mais longas, as palavras possuem outra memória, a terra é mais incoerente. Os excessos e os impulsos são como feridas. As palavras aprenderam a sua substância mais noturna, o seu significado mais secreto, a sua densidade mais concisa, o seu eco mais melancólico e mais lúcido. As palavras começam a vibrar de uma outra forma. Falam no vazio. Animam-se no silêncio. O seu rumor cria uma nova distância e um novo caminho. As palavras iluminam os campos abandonados e depois fundem-se.


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Quarta-feira, 27 de Julho de 2016

O Padornelos II

Brotas e Barroso - abril 2016 119 - Cópia.JPG

 


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Terça-feira, 26 de Julho de 2016

O Padornelos I

Brotas e Barroso - abril 2016 113 - Cópia.jpg

 


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Segunda-feira, 25 de Julho de 2016

Como se escreve um haiku

 

Tenho uma vida tão ocupada, mas gosto tanto de poesia, que a leio em voz alta enfiado no carro enquanto as escovas cilíndricas da lavagem automática fazem o seu serviço. Leio Herberto Helder, Al Berto, António Ramos Rosa, Fernando Echevarría, Fernando Pessoa, etc., tendo como música de fundo os sons mecânicos da estrutura metálica que vai e vem fazendo chuva e depois insiste novamente soprando forte ventania na chapa metálica do meu bólide. Pode não parecer logo à primeira vista, mas um carro a brilhar também tem a sua poesia.

 

Mas não é de lavagens automáticas que vos quero falar hoje. A bem dizer, hoje não sei bem do que vos quero falar. E seguramente também não é do meu carro. Podia falar-vos de política, mas não tenho vontade. O que por aí abunda mais são comentaristas políticos, chorões e aldrabões. As televisões estão cheias deles. Há muito quem comente e pouco quem faça. E nas lavagens automáticas também se comenta muita coisa, mas faz-se pouco. São as máquinas quem faz o trabalho árduo. E essas possuem a rara virtude de nada comentar. Limitam-se a fazer o seu serviço com qualidade. Nas estações de serviço comenta-se o futebol, o preço da gasolina e o tempo. Podemos mesmo dizer que Portugal é um país de comentaristas e pessoas que lavam os seus carros nas lavagens automáticas.

 

As pessoas que vão às estações de serviço gostam muito de comer bolos e beber café. Gostam especialmente de natas, mas também se deleitam com queijadas, croissants, madalenas ou bolas de berlim. As pessoas quando comem, sobretudo bolos, ou bolachas, ou torradas sem manteiga, também têm muita poesia. Especialmente as que comem muito e não engordam. Essas são pessoas afortunadas. Por isso podem ler poesia à vontade pois não lhes provoca efeitos secundários. Não sei se sabem, mas a poesia provoca muitos efeitos secundários. Sobretudo a boa. A outra dá ressaca ou provoca azia.

 

Quando vou a uma lavagem automática, por vezes ponho a música alto para experimentar o som da aparelhagem do meu bólide. E ela tem um som que inebria. Eu comprei o meu bólide, que é um carro sport cheio de genica, por causa, sobretudo, da aparelhagem. Aquela aparelhagem tem muita poesia, é a modos que um poema do Al Berto repleto de vitalidade e sublimação. Depois também gosto de contemplar as gotas de água a deslizar pelo vidro traseiro do meu bólide. Muitas vezes pego na minha Nikon de bolso e fotografo o vidro pejado de linhas sinuosas desenhadas pelas gotas de água sopradas pela maquineta.

 

A minha Nikon de bolso também tem muita poesia. Comparo-a aos poemas haiku. E aqui vos deixo um de minha autoria: No carro sujo / a água / escreve. E é disto que hoje vos vou falar, da poesia haiku e da nobre arte de a escrever.

 

À primeira vista o poema de apenas três versos parece pequeno. E é pequeno. Todos os poemas haiku são pequenos. Têm todos apenas três versos. Mas isso não quer dizer que não deem muito trabalho a escrever. A poesia é um trabalho árduo. O seu resultado pode parecer singelo, mas não é. Chamo no entanto a vossa atenção para o facto de que o que a seguir se dá conta pode ser o resultado (e foi) de muito mais trabalho do que aquilo que parece. Posso dizer-vos, sem comprometer a minha discrição, que fiz dezasseis cortes, dois acrescentos e cinco revisões.

 

Agora, se estão dispostos à explicação, façam o favor de me seguir. Para escrever o meu haiku comecei por: O meu carro preto e sujo / quando está na lavagem automática a apanhar com a água / fica como se tivesse sido escrito. Convenhamos que assim não fica lá grande coisa. É muito extenso. Há palavras a mais em todos os versos. Então temos de o trabalhar.

 

Desfazemo-nos logo no primeiro verso do pronome possessivo e do primeiro adjetivo, pois os dados relativos ao proprietário da viatura e à sua cor (não a cor da proprietário, bien sûr, mas sim a do bólide) não interessam ao leitor, nem importam à qualidade do poema, nem aproveitam à excelência da linguagem poética, por isso vão fora. O primeiro verso fica então: O carro sujo

 

No segundo verso decido-me por um corte radical (ou melhor será dizer, uma barrela) e fica apenas o nome final que é o elemento fundamental. Então ficamos apenas, e só, com o artigo definido e o nome: a água… Mais um pouco e era harakiri (腹切り) puro, ou Seppuku (切腹). Mas a arte está em saber o que cortar e quando parar.

 

Relativamente ao terceiro verso decido-me mesmo pelo Seppuku (切腹), ou harakiri (腹切り), por isso vai todo à vida e substituo-o pela forma verbal escreve. Sendo assim temos: O carro sujo / a água / escreve.

 

Ficando deste modo, o artigo definido “o” do primeiro verso tem de ser combinado com a preposição “em” para dar lugar à preposição mais artigo “no”.

 

Sendo assim, a versão final fica desta forma: No carro sujo / a água / escreve. 

 

Podem os amigos leitores comentar que o único adjectivo também podia ir à vida. E até podia, sim senhor. Mas para a água escrever algo que se veja, o carro, na minha perspectiva, tem de estar sujo. E essa foi a razão por que deixei na terceira posição o adjetivo a adjetivar o que tinha de ser devidamente adjetivado.

 

E por hoje é tudo. 


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Domingo, 24 de Julho de 2016

Cumprindo tarefas V

Barroso - Penedones, etc 074 - Cópia.jpg

 


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Sábado, 23 de Julho de 2016

Cumprindo tarefas IV

Barroso - Penedones, etc 061 - Cópia.jpg

 


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Sexta-feira, 22 de Julho de 2016

Cumprindo tarefas III

Barroso - Penedones, etc 055 - Cópia.jpg

 


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Quinta-feira, 21 de Julho de 2016

Poema Infinito (312): a rigidez do silêncio

 

 

No começo, vamos adiando a dificuldade. Só vemos a verdade depois de ela se ter ido embora. A posse parece-se com uma paisagem vazia sempre fechada sobre si mesma. Possui a mesma espécie de vibração da ilusão ou da censura e a mesma puerilidade da melancolia. Os sonhos nunca estão no lugar onde os supúnhamos. As estrelas transferiram de lugar a alegria. A saudade ficou mais penosa. As grinaldas nos cabelos das donzelas virgens tornaram-se violentas. A impaciência transforma-se em corrente de ar e atravessa o universo. As sementes sadias atravessam a terra e juram-lhe fidelidade. A lascívia e a volúpia tomam conta dos animais domésticos. As coisas descobrem novos rostos. Os olhares ficam mais furiosos. Uma mão de mulher afaga de tempo o rosto imbuída de uma cólera tenra, como se apalpasse as estrias da sua pele após o nascimento de um filho. Tudo o que é claro acaba por arder e as palavras mais leves aproximam-se das lâmpadas e abrasam-se como insetos. A luz é uma espécie de dor longínqua. Pareces tão triste como o teu anjo da guarda. Pronuncias as mesmas palavras. O vosso júbilo é idêntico. Como é idêntica a renúncia ao reconhecimento da intuição afadigada da contemplação. As formas do tempo parecem mais abertas, mais sentidas, mais moldadas pela morte. Pressentimos a amizade, a sua forma melancólica, a sua lamentação cuidada e informe. Doem-nos as palavras impressas nos canteiros dos jardins e nos pináculos das catedrais. Doem-nos as palavras penduradas nas ameias dos castelos ou pregadas nos portões dos fortes. Doe-nos o destino dos versos e o tempo indefinido da sua persistência e do seu regresso. Doem-nos as imagens, as aparências, a vitória do tempo, a ida e a vinda do filho pródigo. Continuamos a gravar novos nomes na nossa memória. A reconhecer os rios pela luz que refletem. A nossa visão continua compreensiva, possui a mesma marca de água. O tempo antigo ainda mora junto à casa dos nossos avós. A angústia do voo dos pássaros ainda é a mesma. As amêndoas e as horas ainda possuem o mesmo sabor. O sabor doce das pavias ainda pressagia o mesmo perigo. Os sorrisos das pessoas da aldeia vacilam e tremem como se já não acreditassem na alegria. As maçãs são agora objetos ternos e duros. Olhamos os seus rostos e passamos a compreender a sua angústia, que agora é apenas um pouco mais demorada. Estão tão repousados que parecem brinquedos. O silêncio endureceu-os. Falam-nos das amoras que apodrecem sem que ninguém as apanhe e das rãs que coaxam de uma forma breve. Agora tudo os fere: as primaveras, a calma, as gotas da chuva, a flutuação das folhas, a sombra dos seus olhares. As orações são cada vez mais curtas e pesadas. Os nomes que pronunciam são tão largos como gerações. A sua saudade é uma espécie de chuva miudinha que não para de cair. As noites são eternas e os dias parecem sacos plásticos para guardar produtos congelados. Deus é uma torre antiquíssima. Os olhos apagam-se-lhes como velas gastas. Encheram-se de acumular mistérios que irão morrer com eles. Essa é a sua forma de construírem a eternidade. Está na hora de olhar para esta gente e guardar dentro de nós os seus espaços, de escutar a sua voz, de caminhar os seus caminhos, de encontrar o sentido da sua dor. Da madeira das árvores com a sua idade fizeram-se alaúdes. A brevidade da sua música é a nossa noção de eternidade. Somos todos meninos com medo do destino. Sobre a minha escrivaninha uma flor sorve pela haste a água do seu desaparecimento. A ironia faz-me sorrir.


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Quarta-feira, 20 de Julho de 2016

Cumprindo tarefas II

Barroso - Penedones, etc 029 - Cópia.jpg

 


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Terça-feira, 19 de Julho de 2016

Cumprindo tarefas I

Barroso - abril 2006 023 - Cópia.jpg

 


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Segunda-feira, 18 de Julho de 2016

299 - Pérolas e diamantes: o abandono

 

 

Há coisas que continuamos a sentir mesmo depois delas desaparecerem. Por vezes adormeço a fantasiar com as velhas ruas da cidade e com os rostos jovens dos meus antigos colegas de liceu.

 

O romantismo da infância persegue-nos a todos. Nós brigávamos arremessando paus e pedras uns contra os outros. Saímos quase todos meio abrutalhados. Outro galo cantaria se tivéssemos sido criados, por exemplo, numa fábrica de violinos. As nossas guerras teriam sido muito mais educativas e interessantes, batendo uns nos outros com as rabecas.

 

Talvez as palavras de Tolstoi ganhassem outro sentido: “Fingir diante de si próprio é pior do que fingir diante dos outros.”

 

Ao jantar, as nossas mães até comiam bem. Comiam como crianças. Comiam como nós. No entanto, pareciam sempre ausentes. Sofriam por nós. Muitas das vezes nos sítios onde as não podíamos ver.

 

Engoliam a comida ao mesmo tempo que engoliam a dor.

 

O barulho das brincadeiras das crianças continua a irritar os mais velhos. E o silêncio dos velhos causa mal-estar nos mais novos. Há coisas que não mudam.

 

Por vezes esquecemo-nos da ideia de moderação que nos ensinaram. Refletimos muito. Mas a inteligência parece que já não nos serve para grande coisa, ao contrário do que acontecia antes.

 

Continuamos a gostar apenas do peixe que nos servem no restaurante ou aquele que tenha sido cozinhado de maneira a deixar de parecer peixe.

 

Atraem-nos os diligentes de aspeto limpo e asseado, ainda que ligeiramente descompostos. São sedutores, com o seu sotaque lisboeta e fluentes em inglês, língua que articulam de forma muito agradável. Quando começam a falar, parece que vão dizer qualquer coisa de muito interessante. Mas a verdade é que nunca chegam a ser verdadeiramente originais.

 

Por vezes sei que tenho razão, mas, em muitas ocasiões, parece errado dizer que se tem razão.

 

Acertar e afirmá-lo, pode ser, em certos casos, um erro.

 

Insistir na razão, por vezes, é contrariar a razão do outro.

 

Muitas vezes dizer a alguém que aquilo que diz é certo, pode ser um erro. 

 

Muitas vezes, fazer coisas certas é errado.

 

Por isso é que diversas vezes acertamos quando erramos e outras erramos quando acertamos.

 

Dizem-nos que somos todos muito especiais, só que nunca nos explicam em quê.

 

Há cada vez mais pessoas que se rendem àquilo que lhes dizem que é a realidade. Não possuem nenhuma capacidade de iniciativa face ao que se passa à sua volta. Vivem prisioneiros dos acontecimentos. Uma atitude de conformismo vai tomando conta de nós.

 

Vivemos numa época de abandono.

 

Tonino Guerra, o argumentista de Amarcord, de Fellini, no seu Livro das Igrejas Abandonadas, escreveu esta pequenina história: “Eu abandono Roma, os camponeses abandonam a terra, as andorinhas abandonam a minha aldeia, os fiéis abandonam as igrejas, os moleiros abandonam os moinhos, os montanheses abandonam os montes, a graça de Deus abandona os homens, alguém abandona tudo.”


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Domingo, 17 de Julho de 2016

Na aldeia V

Barroso - Penedones, ETC, XT1 145 - Cópia.JPG

 


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Sábado, 16 de Julho de 2016

Na aldeia IV

Barroso - Penedones, etc 053 - Cópia.jpg

 


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Sexta-feira, 15 de Julho de 2016

Na aldeia III

Barroso - Penedones, etc 050 - Cópia.jpg

 


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Quinta-feira, 14 de Julho de 2016

Poema Infinito (311): o odor da desintegração

 

 

A escada mais direta ao desejo está construída com degraus intransponíveis. Já não vou ter tempo para ver crescer a ausência da pequena cerejeira que plantei na quinta e para observar o esplêndido gotejar das gotas de chuva pelas suas folhas pontiagudas. Dantes falava-te na abundância destrutiva das flores, dos lugares mais próximos da imaginação, dos mapas dos reencontros, dos poemas que representavam corpos, da configuração humana das tulipas, dos gatos submersos nos rios, das magnólias que eram como gargantas sequiosas. Essas imagens apagaram-se definitivamente no tempo. Os jardins implodiram. Os frutos dos pomares já não respondem à mesma noção de amadurecimento. A conceção de felicidade é mais importante do que a própria felicidade. O inverno concentra a sua vontade no frio. O tempo imprime aos caminhos uma espécie de clandestinidade profunda. Os poços afundam-se na terra outra vez virgem. Os sorrisos são como uma espécie de febre fria. Já não há segredos pintados nas glicínias. Procuramos o verde nas searas de vento. Somos como cavalos habituados à rédea curta. A forma escura das almas pressagia traições. Tentamos perceber a lei que rege a inabitabilidade dos planetas. Tentamos reconhecer as raízes externas dos poemas internos. Os dedos do pianista caem sobre as teclas como se elas fossem suas inimigas. Parece um deus em segunda mão. Chegou a altura de criarmos a nossa própria ficção. As tempestades rebentam ainda mais cinzentas do que é costume. Todos os dias esquecemos mais um livro, ou um poema, ou um filme bem visto mas mal-amado. Desprezamos os beijos copulativos, os idiomas da penetração, a gomosa intensidade dos corpos. A inquietação desliza sobre nós como se fôssemos culpados da sua culpa. As horas transformaram-se em malmequeres que ninguém quer despetalar. As casas deslizam por dentro dos sonhos e as suas janelas transformam-se em aves agoirentas. A inquietação é um corpo transparente. As árvores ficam oblíquas como os gestos pensados dos anciãos. Os gestos já não nos entendem. E nós já não entendemos os gestos. A felicidade é uma espécie de desgraça maravilhosa. As flores já não cheiram a flores, já não crescem nos campos. Possuem a noção geométrica da morte. Contêm a precisão redonda dos circos. A sua cor é retangular. Os dias estão mais baços, sabem demasiado a sal e a hipertensão. Escondemo-nos por detrás do asseio do tempo. As asas dos anjos são a razão da sua queda. Continuamos a dormir um no outro. Recebemo-nos, consagramo-nos, abrimo-nos. Depois fechamo-nos. Os morangos junto ao poço continuam a regar-se com a água fresca do orvalho. Nas nossas mãos aparecem flores desenhadas. Pelos nossos corpos crescem trepadeiras que se enrolam em nós como se fossem línguas, como se os nossos membros fossem absolutos. O nosso desejo também transpira. A noite adormece e adormece-nos. Os nossos braços condenam as horas. Nos nossos rostos pousam palavras enrugadas, palavras leves, palavras curtas. Nos nossos olhos ainda floresce o esplendor da confiança. Por vezes o sono transforma-se em ferida. Lá fora o vento agita as sombras, os jardins repousam. Os sonhos são como arquipélagos em forma de carrossel. Tudo agora é nevoeiro e transparência. O cheiro a desintegração embate violentamente contra as paredes do tempo. A noite aproxima-nos um pouco mais da luz fulgurante das estrelas. 


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Quarta-feira, 13 de Julho de 2016

Na aldeia II

Barroso - Penedones, etc 047 - Cópia.jpg

 


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Terça-feira, 12 de Julho de 2016

Na aldeia I

Barroso - Penedones, etc 042 - Cópia.jpg

 


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Segunda-feira, 11 de Julho de 2016

298 - Pérolas e diamantes: liberdade de escolha

 

 

Há dias assim. Hoje não me importa o tema. Hoje tanto se me dá. Não sei se vou falar de literatura, ou de política, ou de vida mundana, ou do dia de ontem, ou do de hoje, ou mesmo do dia de amanhã.

 

Sei que os dramas da História, e das histórias, são sempre deslumbrantes quando vistos de longe, pois são constituídos pelos mesmos elementos que compõem as nossas obscuras existências diárias. Mesmo as estrelas mais remotas possuem a mesma composição que os nossos ossos que um dia serão pó e repousarão ao lado dos dos nossos pais.

 

Somos pó de estrelas.

 

Descobrimos que as coisas que nos circundam estão enlaçadas pela beleza que reside no mero facto de existirem e de serem simplesmente aquilo que são.

 

Para mal dos nossos pecados, os homens que tentaram implementar as grandes ideias acabaram por amontoar à sua volta apenas ruínas.

 

Uma coisa sei ao certo: o ponto culminante dos nossos dias mais partilhados não é o momento em que nos vestimos para as pessoas, mas o momento em que nos despimos para a pessoa que amamos.

 

Sim, bem sei, ler Proust dá nisto. Eu avisei logo no início.

 

Bem, meus amigos, há um provérbio que diz que quem se põe a gozar com um touro acaba por levar com o corno. Mas também sabemos que depois de levar com o corno, os provérbios não servem lá para grande coisa.

 

É a vida.

 

Na vida há dois tipos de jogadores: os bons e os outros. Os maus jogadores são muito parecidos com os que se entretêm a jogar snooker aos fins de semana. Andam sempre a “dizer raios partam o bilhar” e sempre a colocar giz nos tacos e a abanar a cabeça, pois as bolas teimam em não entrar no sítio certo. 

 

Ao nível dos sentimentos também há dois tipos de pessoas: as parecidas com os gatos e as semelhantes aos cães.

 

Os gatos não se apegam a ninguém. Ninguém lhes conhece os sentimentos. Está demonstrado cientificamente que não conseguem sentir afeto.

 

Isso de se esfregarem nas nossas pernas e de se contorcerem é neles apenas uma forma de nos marcarem com o seu cheiro porque, para eles, somos uma espécie de comida ou um lugar onde podem descansar porque lhes pertence. Não são animais sociais.

 

Para os gatos, nós somos uma espécie de cobertor elétrico para os dias frios.

 

E os cães? Bem, os cães são outra coisa. A sua amizade e a sua lealdade não têm limites.

 

Depois existem as verdadeiras personalidades. Eu aprendi a apreciar a que mais é do agrado de todos. Ou quase. A princípio custou-me até porque era contra os meus princípios.

 

É do género que adia a necessidade de qualquer tipo de resposta minha contando-me a minha versão da minha história.

 

Fazem-me lembrar Hegel que achava que a transcendência é absorção.

 

Mas eu confesso, Hegel continua a provocar-me urticária. Apesar dos anti-histamínicos.

 

Prefiro David Foster Wallace que defende que “o homem que conhece as suas limitações não tem nenhuma”.

 

Por vezes até eu acredito em coisas em que não sabia que acreditava até me saírem da boca.

 

Essas coisas são como certos aromas da infância que, apesar de nos serem familiares, nos parecem inexplicavelmente tristes.

 

Há sempre aquele tipo pessoas que nunca simpatizarão com outra faça ela o que fizer. Mas também não se tem de gostar de uma pessoa para aprender com ela.

 

As pessoas más nunca acham que são más, mas que todos os outros o são.

 

Na verdade vos digo: É possível aprender coisas importantes com pessoas estúpidas.

 

Uma coisa tenho como certa: Não pode haver liberdade de escolha se não se aprender a escolher.


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Domingo, 10 de Julho de 2016

Ruralidades V

Barroso - abril 2006 077 - Cópia.jpg

 


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Sábado, 9 de Julho de 2016

Ruralidades IV

Barroso - abril 2006 066 - Cópia.jpg

 


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Sexta-feira, 8 de Julho de 2016

Ruralidades III

Barroso - abril 2006 060.jpg

 


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Quinta-feira, 7 de Julho de 2016

Poema Infinito (310): nova organização das aparências

 

 

Todos os homens têm os mesmos pensamentos, mesmo parecendo diferentes. Todos os homens são enigmas e a solução dos próprios enigmas. Os murmúrios são idênticos. A timidez é a mesma. O assombro, esse, é sempre diferente. Submergir no amor é um desígnio complicado. Os aguaceiros de abril surpreendem-nos, permanentemente. É nessas noites que faço confidências. Aí estou eu exuberante, místico, ansioso. Perdido. Os primeiros meses do ano chegaram vazios. Os dias lamentam-se. Está escrito que o universo é um fluxo contínuo de aflições. A sua falta de sentido é indestrutível. As crianças desaparecem no fogo. As leis elementares nunca pedem relevação. A vida apoia-se nas chamas do aniquilamento. O tempo amplia-se. Os poetas traduzem os poemas para uma nova língua. Os enxertos rebentam. As mulheres cantam a expansão do seu orgulho. As sombras compridas matizam a corrente do rio. O sol desaparece por detrás das montanhas e dos seus cumes brumosos. A noite possui o mar. Os sorrisos dos amantes parecem flores de macieira. Aconchego-me na suavidade da tua ondulação. Elaboro a longa lista das memórias e dos objetos a que se prendem. Omito a casa, a bondade, a virtude e o vício. O mal impele-nos para a conversão e esta para a indiferença. As atitudes crescem dentro de nós como raízes. Alguém se equilibra na verdade e no seu oposto. Alguém mergulha na doutrina estável do passado, no desdobramento infinito das palavras esquecidas, no prodígio místico do silêncio e do vazio. Os gramáticos entretêm-se com o léxico das antigas inscrições. Desaparafusam as fechaduras das arcas à procura da modéstia, do toque divino, da inspiração e do seu índex. Descobrem então uma torrente interminável de vozes emudecidas, a conceção perfeita e infindável de heróis, heroínas, prisioneiros e escravos, vários ciclos de gestação e desenvolvimento, os fios que ligam as estrelas ao firmamento, a simplicidade, a idiotice e o desprezo. Sentem os filamentos do trigo, a timidez rápida e aflita das aves, o gotejo da seiva das árvores. Observam a exaltação, o assombro da beleza, a suavidade iluminada dos órgãos sexuais, o ócio, a vibração dos orgasmos, a metafísica dos livros e os limites do amor quotidiano. Perdemo-nos na interpretação da vida e do mundo porque acreditamos demasiado no valor das palavras. As trevas estão sempre protegidas pela geada. O dia e a noite possuem os seus próprios sons. Os jovens conversam e riem alto. As estações têm a sua própria música. Dá o vento nas glicínias, as paisagens começam a arder por dentro, os animais entram nos espaços uns dos outros. E gemem. A ironia torna-se lenta. A paciência devasta os símbolos. As nossas experiências resultaram na voracidade dos fragmentos. Recusámos deliberadamente as conceções habituais. A memória obriga-nos a organizar as aparências de outra forma. Tudo fica implícito no tempo: os desejos, as metáforas interditas, as imagens mais frágeis, a representação da eternidade, a religião dos grandes livros, os desenhos mais banais, as maldições mais frequentes. A alegria transforma-se em assombro. O teu retrato fica mais conciso. As flores dão passagem à nossa ausência. Escolhemos a parte mais fria do dia para nos amarmos. Os gestos tropeçam no desejo. Se morrermos neste instante ressuscitaremos inclinados um sobre o outro. O tempo apoia-se no seu próprio movimento.


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Quarta-feira, 6 de Julho de 2016

Ruralidades II

Barroso - abril 2006 059 - Cópia.jpg

 


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Terça-feira, 5 de Julho de 2016

Ruralidades I

Barroso - abril 2006 057 - Cópia.jpg

 


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Segunda-feira, 4 de Julho de 2016

330 - Pérolas e diamantes: epístola aos néscios ou o princípio da pena

 

 

 

Dá pena observar os templos e as praças religiosas transformados em armazéns de venda de fancaria e pechisbeque. Tudo isso supostamente abençoado por Deus. Está visto que os vendilhões do templo nunca o abandonaram. Limitaram-se a esconder-se por detrás de algum altar.

 

Na Bíblia diz-se que os fariseus afirmavam existir um grande perigo em substituir um Deus no coração pelo coração de Deus. Os vendilhões invocam agora o Espírito Santo para apregoarem a sua mercadoria. Uns pensam que basta trazer ao peito um santinho para ganharem o céu. Outros consideram que o alcançam confessando-se, para depois irem tomar a hóstia com os olhos fechados e o coração momentaneamente apertadinho. Mas nada nesses atos tem algo a ver com o amor. É apenas rotina. Pensam salvar-se pela rotina.

 

Não vejo no olhar dos fariseus a doçura dos santinhos que marcavam as páginas do meu catecismo.

 

Os fariseus aparecem agora como os salvadores do mundo, mas são gente perigosa porque se especializaram em abstrações.

 

Estamos a embrutecer, meu Deus, estamos a embrutecer sem nos darmos conta. A impaciência cresce dentro de nós. Os amigos esfumam-se ou disfarçam-se. Por isso é que cada um de nós necessita de um inimigo em quem confiar.

 

A voz dos fariseus redime-os. Possuem uma voz funda e conveniente, regulada, uma voz treinada para mentir com elegância e convicção, exercitada para conquistar os adversários pela ilusória limpidez dos propósitos.

 

Os militantes da política cada vez se parecem mais com os religiosos sem Deus. Andam sempre a escolher o caminho às apalpadelas, sem revelar vontade própria, sem um princípio orientador. Sem um desígnio nobre.

 

Estão sempre a falar das razões pelas quais o seu partido tem razão antes mesmo de nos apercebermos de que a não tem.

 

Há demasiadas imagens deles a circular por aí, mas que funcionam ao contrário, em vez de os fortalecer, enfraquece-os. Pensam que melhoram como pessoas se se deixarem assessorar.

 

Sorrio. Só nos resta sorrir. Um bom sorriso é a melhor arma em qualquer lugar.

 

Depois olhamos para o que se passa no mundo e pensamos como é revoltante a atitude da maioria das pessoas que vivem na Europa e dizem sentir-se frustradas por não desfrutarem ainda do último modelo de telemóvel, por não vestirem a roupa de marca que está na moda ou de o seu carro não estar tão artilhado como o do vizinho.

 

Por mais que me esforce não consigo distinguir entre a violência “legítima” praticada pelos denominados governos legais e a violência “ilegítima” exercida pelos grupos insurretos. Todas as bombas mutilam e matam da mesma maneira. Não acredito na violência como argumento, nem na paz imposta pelas armas.

 

Não creio na razão da força. Acredito na força da razão.

 

Só após dedicar longas horas à leitura de textos das três religiões monoteístas é que me dei conta que possuem muitas coisas em comum. Apesar disso, judeus, muçulmanos e cristãos andam há mais de quinze séculos a matarem-se uns aos outros. Mesmo o Alcorão, que muitos apelidam de violento, afirma-se um livro da revelação que começou com Abraão e integra nos textos fragmentos, personagens e episódios da Bíblia e do Talmude.

 

Num dos seus contos iniciáticos, o Mullah Nasruddin narra que um dia apareceu no mercado um homem generoso que – vendo-o ridicularizado por, de cada vez que alguém lhe oferecia uma esmola, mostrando-lhe sempre duas moedas, uma dez vezes mais valiosa do que a outra, e pedindo-lhe que escolhesse a que preferia, Nasruddin escolhia invariavelmente a de menor valor –, lhe disse: “De cada vez que te ofereçam duas moedas, escolhe a de maior valor. Assim terás mais dinheiro e os outros não te vão considerar idiota.” Então o sábio Mullah respondeu: “O senhor parece ter razão. Mas se eu escolho a moeda maior, as pessoas vão deixar de me dar dinheiro para provarem que sou mais idiota do que eles. Não imagina a quantidade de dinheiro que já ganhei usando este truque. Não há mal em fazer-se passar por tonto se na realidade se está a ser inteligente.”

 

Um antigo provérbio árabe diz: “Tenta alcançar a Lua com uma pedra… Nunca conseguirás, mas acabarás por manejar a funda melhor do que ninguém.”


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Domingo, 3 de Julho de 2016

Explicando

Cultura que une -Vila Real - 14 de maio 2016 166 -

 


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Sábado, 2 de Julho de 2016

Olhares

Cultura que une -Vila Real - 14 de maio 2016 149 -

 


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