Segunda-feira, 31 de Outubro de 2016

313 - Pérolas e diamantes: mentiras e andorinhas

 

 

 

Harold Bloom, o cânone acidental, defende que o pensamento em grupo é a praga da nossa “Era da Informação”, pois o estudo da mediocridade, seja ela de que origem for, gera mediocridade.

 

Quem sabe de tudo isto é Michel Houellebecq que, de uma pernada, define muito bem toda esta atmosfera decadente do neoliberalismo.

 

No Mapa e o Território, Jed e o seu pai jantam juntos em ocasiões muito especiais, sobretudo na noite de Natal. Um porque está viúvo e o outro porque não tem namorada fixa no momento.

 

Na ceia ocupam o tempo a falar da política, passando em revista ministério a ministério, até à chegada do carrinho dos queijos.

 

Segundo o narrador, nos países latinos a política consegue satisfazer as necessidades da conversa entre machos de meia-idade ou até mais velhos. Nas classes inferiores é muitas vezes substituída pelo desporto. Já nos indivíduos influenciados pelos valores anglo-saxónicos, o papel da política é principalmente exercido pela economia e pelas finanças. Podendo a literatura desempenhar um papel complementar.

 

No caso de Jed e do seu progenitor, nem um nem outro se interessam verdadeiramente pela economia e muito menos pela política. O pai, de uma maneira geral, aprova o modo como a França é dirigida e o filho nem sequer tem opinião. Entre uma coisa e outra, limitam-se a comer a tradicional ceia.

 

Depois dos queijos, o pai de Jed anima-se um pouco e pergunta ao filho acerca dos seus projetos artísticos. Infelizmente Jed, naquele momento, encontrava-se a marcar passo. Mas nem isso lhe diz, já que ninguém, e muito menos ele, pode fazer seja o que for. Aliás, ninguém pode fazer nada, pois, mesmo que fizesse essa confidência, o seu pai, como a generalidade das pessoas, apenas se pode entristecer ligeiramente, porque, na opinião do narrador, isto das relações humanas não é lá grande coisa.

 

Houellebecq carateriza muito bem este meio burguês e medíocre que medeia e modela a nossa sociedade neoliberal. Os tipos entendidos que interferem no meio das raparigas peritas em qualquer coisa são do tipo alto e um pouco flácidos, meio-gordos, de cabelo meio-comprido, de olhar meio-inteligente meio-estúpido.

 

O Mapa e o Território, para estar de acordo com os tempos, é mesmo um romance didático, que nos ensina que engordamos por causa da secreção de testosterona, pois esta diminui com a idade, daí a taxa de massa gorda aumentar, quando chega a idade crítica.

 

É também um livro carregado de desilusão. O pai de Jed, já muito doente, conta ao filho que aos dez anos tentou construir um ninho para as andorinhas que passavam o verão na cocheira. Para isso, procurou numa enciclopédia indicações precisas do modo como as andorinhas constroem os ninhos, com terra e saliva, e passou semanas nisso. Mas elas nunca quiseram usar o seu ninho. Nunca. Até deixaram de fazer os ninhos na cocheira. Depois começou a chorar.

 

Jed, vendo que o seu pai banhado em lágrimas e sem conseguir parar de soluçar, informa-o de que as andorinhas nunca usam os ninhos construídos pela mão do homem. E se um homem lhes tocou no ninho, até o abandonam e vão construir um novo.

 

O seu pai pergunta-lhe como é que sabe isso. Ele responde que leu alguma coisa sobre o assunto há alguns anos atrás num livro sobre comportamento animal, quando estava a documentar-se para um quadro.

 

Era falso, Jed nunca lera nada disso, mas o seu pai pareceu aliviado e logo se acalmou. Jed pensou então como é que uma pessoa consegue carregar durante mais de sessenta anos um peso daqueles no coração.

 

Jed, como artista, ensina-nos algo de muito importante. Pode-se trabalhar solitariamente durante muitos anos – na sua perspetiva, essa é até a única maneira de trabalhar –, mas acaba sempre por chegar o momento em que o autor sente a necessidade de mostrar o trabalho ao mundo, não na perspetiva de o expor a julgamento, mas antes para ficar seguro da sua existência, e até da existência do próprio autor, pois no seio de uma espécie social, a individualidade não passa de uma breve ficção.

 

Hoje, por causa das coisas, apetece-me terminar citando Clarice Lispector: “E eu não aguento a resignação. Ah, como devoro com fome e prazer a revolta.”

 

Balelas!


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Domingo, 30 de Outubro de 2016

Músicos

São Sebastião Couto de Dornelas 2015 272 - Cópi

 


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Sábado, 29 de Outubro de 2016

São Sebastião - Couto Dornelas

São Sebastião Couto de Dornelas 2015 231 - Cópi

 


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Sexta-feira, 28 de Outubro de 2016

Potes do São Sebastião - Couto de Dornelas

São Sebastião Couto de Dornelas 2015 048 - Cópi

 


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Quinta-feira, 27 de Outubro de 2016

Poema Infinito (326): procura

 

 

 

Amanheci confundindo-me com as nuvens. Ontem a noite caiu cedo atravessando fria os postes elétricos. Em casa não estava ninguém. Acendi a fogueira e pus-me à janela. Sentia ainda em mim a agitação do teu corpo. Dentro da minha cabeça as aves fazem barulho. Tento pensar-te na luz crua da razão, mas não consigo. As minhas palavras dirigem-se à tua própria sombra. És o ponto central de toda a minha metafísica. No aquário os peixes mexem-se como criaturas lentas. Por vezes confundo-os com répteis. Caiem-me folhas do corpo. O outono é uma lenta desagregação da vida e da memória. Da janela vejo o cume das árvores que me estimulam o instinto poético primário. A arte poética resulta sempre de uma hipótese de afetividade, da consciência dos símbolos, da transcendência das palavras, da irreversível força do desaparecimento, da cintilante evidência das teorias abandonadas. As palavras ficam mais obstinadas, transformam-se em lugares-comuns. Os caminhos sucedem-se uns aos outros. A memória vacila. Contemplo a profunda devastação do adeus. Escrevo para libertar o silêncio que guardo dentro de mim. Sou um andarilho solitário. Oiço os murmúrios como se fossem gritos. Os gestos do tempo ficam cada vez mais vagos. A totalidade fragmenta-se em infinitos nadas. A luz desfaz-se dentro dos teus olhos. Os rostos antigos tornam-se mais familiares. As lágrimas que choramos são como escassos adjetivos. As palavras vão-se multiplicando nas partes vazias das salas e dos quartos. Alguém fixa a nossa sombra na parede. Do Norte sopram as memórias adormecidas, as lamentações, o mutismo dos gestos, as divindades ilusórias, o rumor mortal das folhas das figueiras. Na vida triunfam os bebedores de redundância, os adversários das metáforas, os ressoadores intransigentes do supérfluo, os amantes da ignorância, da docilidade e do laconismo. O tempo transformou-se numa espécie de espelho absoluto que repete tudo o que é subjetivo. As figuras mais densas fogem para o infinito, lá onde se encontra a infância, onde a memória é luz, onde a tristeza e a alegria são pó, onde as chamas primitivas consomem tudo aquilo que existiu e o transformam em éter. Dá-me vertigens pensar na infância, na sua simplicidade primitiva, na sua musicalidade perdida, nas suas regras frias e sem sentido, nos seus impulsos de desordem. Agora doem-me os anagramas das curvas do teu corpo, a reaparição das ausências, as solicitações, as fugas, a solitária loucura das civilizações, as vozes silenciosas, o tempo submerso nas cidades, a intensidade efémera da luz, as extensas simetrias da beleza, a impressão da água nos solos, a rigorosa imobilidade das cores, a psicologia da imaginação, o fundo cinzento das palavras. As distâncias fictícias expandem-se dentro das distâncias reais. Continuo obstinado pelo sentido feroz da compreensão. A segunda revelação é sempre falsa. Continuam a cair-me folhas do corpo. O chão fica juncado delas. Nas folhas descubro a insólita escrita dos místicos, o seu exercício crepuscular, a angústia da dúvida divina, a inquietação da fé, o amor trágico dos dogmas, a incompreensível arte do elogio, os movimentos obsessivos da embriaguez, as simbólicas metáforas vegetais, a dúvida obsessiva dos poetas. O sol caminha no horizonte. Oiço o vento a soprar da direção do mar. Olho os montes. Nos caminhos cantam os viajantes. Desço os degraus do meu olhar e vou procurar-te.


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Quarta-feira, 26 de Outubro de 2016

Na feira do gado

Santos 2015 (1) 033 - Cópia.jpg

 


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Terça-feira, 25 de Outubro de 2016

Na conversa

Brotas e Barroso - abril 2016 006 - Cópia.JPG

 


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Segunda-feira, 24 de Outubro de 2016

312 - Pérolas e diamantes: A Piada Infinita

 

 

De facto, A Piada Infinita (Infinite Jest, no original) é mesmo um livro grande, ou um grande livro, se preferirem. Ou melhor ainda: o calhamaço de David Foster Wallace é um livro enorme. E quando digo enorme é enorme mesmo. Em todos os sentidos.

 

A edição portuguesa (Quetzal) tem 1198 páginas, composto em caracteres Sabon, 1100 páginas em tamanho 10, e as outras 98 compostas por notas a tamanho 8, quando não a 6.

 

Segundo o Sunday Telegraph ainda não inventaram uma definição para aquilo que ele escreveu.

 

Apesar de sofrer de problemas de depressão (suicidou-se em 2008, com apenas 46 anos), DFW escreveu uma comédia tresloucada, onde misturou várias e pertinentes reflexões filosóficas, sobre os vícios da nossa sociedade, sobre as relações familiares e o papel do entretenimento nas nossas vidas.

 

David Foster Wallace estudou Inglês e Filosofia e, durante a adolescência, foi praticante federado de ténis, atividade que viria a ser essencial na sua obra. Era admirador de Thomas Pynchon. Eu, pela parte que me toca, acho-o bem melhor do que o seu putativo mestre.

 

A Piada Infinita é uma obra de um fôlego imenso, que escapa a qualquer definição, parecendo mesmo uma obra vinda de um outro universo diferente do nosso. O homem escrevia como quem respira.

 

Uma das partes que mais me tocou é um diálogo, versando a tristeza, estabelecido entre os dois irmãos (Hal e o deficiente Mario) sobre o seu irmão mais velho (Orin) e o resto da família Incandenza: uma mãe invulgarmente bela e um pai genial que se suicidou enfiando a cabeça dentro de um micro-ondas.

 

Mergulhar de cabeça, ou melhor, com cabeça, n’A Piada Infinita é uma experiência alucinante e arrebatadora. A sua ação passa-se à volta de uma Academia de Ténis e um centro de reabilitação de alcoólicos e toxicodependentes. No centro da narrativa encontra-se um filme realizado por James Orin Incandenza Jr., intitulado precisamente Infinite Jest, do qual se diz que deixa os espectadores num estado de apatia permanente, incapazes de se preocuparem com outra coisa que não seja ver de novo o filme.

 

Para Hal, algumas pessoas quando mentem ficam muito quietas e pensativas e o olhar delas adquire uma grande intensidade e concentração. Dessa forma tentam dominar a pessoa a quem mentem. Outras começam a ficar agitadas e pouco fiáveis, alternando as mentiras com pequenos movimentos e sons autodepreciativos, como se a credulidade fosse a mesma coisa que a pena. E existem outras que escondem a mentira com tantas voltas e apartes que tentam fazer passar a mentira de forma despercebida no meio de toda a informação supérflua que nos transmitem. Emitem uma espécie de ruído incomodativo.

 

Há ainda os mentirosos kamikazes, que nos contam uma mentira surreal e basicamente inacreditável, para de seguida fingirem uma crise de consciência, retratando-se dessa mentira original e logo nos obsequiaram com outra que querem impingir-nos realmente, para dessa forma a mentira verdadeira nos parecer uma espécie de cedência, um ajuste com a verdade. Felizmente, lembra-nos Hal, esses mentirosos são fáceis de detetar.

 

Existe uma variante de mentirosos que são mestres em complicar demasiado as mentiras, sustentando-as com criações muito elaboradas, repletas de detalhes e aditamentos. Esses são sempre apanhados.

 

Desta variante, surgiu uma análoga, que é o mentiroso que dantes complicava muito as coisas mas que acabou por se aperceber que as suas criações muito elaboradas o lixavam sempre. Por isso mudou de estilo e passa agora a mentir de forma abreviada e esparsamente, sugerindo aborrecimento, como se estivesse a dizer uma verdade tão óbvia que nem vale a pena perder tempo com isso.

 

Existem também pessoas que simplesmente são demasiado boas, demasiado complexas e idiossincráticas, que proferem mentiras muito próximas do cerne da verdade para conseguirmos perceber a diferença.

 

Hal Incandenza, nos seus dezassete anos, acha que acredita que os únicos monstros verdadeiros talvez sejam os mentirosos que não conseguimos perceber que o são. Aqueles que não revelam nada.


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Domingo, 23 de Outubro de 2016

Na conversa

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Sábado, 22 de Outubro de 2016

No trabalho

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Sexta-feira, 21 de Outubro de 2016

Ida para o campo

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Quinta-feira, 20 de Outubro de 2016

Poema Infinito (325): o limite impercetível da sabedoria

 

 

Na primavera regavam-se os marmeleiros, os pessegueiros, as macieiras e as virgens que costumavam sentar-se nos bancos mais antigos do jardim. As flores das videiras despontavam e começavam a crescer debaixo das hastes umbrosas dos pâmpanos. No entanto, o amor não conseguia repousar em nenhuma estação.  Eros lançava-nos olhares lânguidos carregados de feitiços e a insónia tomava conta de nós. A insónia era uma espécie de égua atrelada à sua força. Cresceram dentro de nós os primeiros tremores. Os ventos lutavam entre si. Os homens sedentos humedeciam as suas gargantas com vinho. Nos campos floresciam os cardos e as mulheres tornavam-se mais fogosas persentindo o pecado. Os dias tinham a extensão de uma mão aberta. Os homens enchiam-se de esquecimento. A vergonha impedia-nos de falar no amor. Os mais fracos deixavam-se morrer entre as abundantes lágrimas dos seus entes queridos. Ninguém se atrevia a contrariar a verdade do sofrimento. No céu, muitas estrelas se eclipsaram. A luz do tempo expandia o orvalho. A saudade era então uma nova forma de desgosto. Nos altares do templo ardia o incenso. As brisas sopravam suavemente. Tranquilizavas-me dizendo que mais tarde alguém se lembraria de mim. Sorria. Eu procurava o desejo com ardor. Tudo aquilo me doía. Ainda hoje me dói. É terrível um homem ter duas vontades ao mesmo tempo e não conseguir consolar nenhuma. Na Grécia Antiga, os Cretenses dançavam harmoniosamente com os seus delicados pés em volta de um altar dedicado a Lesbos, pisando a frágil flor da erva. Nas margens dos rios cresciam os juncos e a noite sonolenta fechava os olhos de tédio e espanto. Aos anjos arrefecia-lhes o coração e deixavam cair as asas. Nós vivíamos o tempo de forma doce. Subíamos aos montes procurando neles o efeito dos abismos. Soprávamos nas asas dos pássaros. Passávamos mesmo à beirinha dos seus voos e sorríamos. Os cucos fugiam de nós. Lá teriam as suas razões. As cinzas dos nossos antepassados andavam por ali espalhadas. As trevas cobrem agora os seus olhos. A sua lembrança está escondida nos carvalhos mais altos. Caminham dentro do esquecimento. As gralhas mais atrevidas atravessam as nuvens. Aconteceram então grandes prodígios. Os homens começaram a habitar as águas, longe das terras, no meio dos oceanos. Os mais infelizes fixavam os olhos nas estrelas e deixavam-se possuir pela alma do mar. E recomeçou então a velha história dos patifes governarem e dos maus dominarem os bons. Impôs-se a mais velha lei da vingança. Adularam-se os inimigos e quando sentiam que os tinham sob o seu domínio, castigavam-nos sem inventarem qualquer pretexto. No rosto dos trabalhadores começou a correr um suor infinito. As portas dos templos fecharam-se aos profanos. Os filhos dos homens santos ficaram luminosos como a lua. O verbo passou a ser divino. Deus começou a oferecer aos mortais o mal que, dizia, vinha do bem. As guerras ficaram ainda mais sangrentas. Tudo se começou a mover: a água, o fogo, a terra, o ar, a noite e o dia. Os céus resplandeciam, os astros brilhavam, as mães cantavam aos deuses em louvor dos seus filhos. No firmamento, a terra começou a alternar com o céu. As mães passaram a ser o próprio sonho dos filhos. É muito difícil entender o limite impercetível da sabedoria.


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Quarta-feira, 19 de Outubro de 2016

Pose

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Terça-feira, 18 de Outubro de 2016

Jogando as cartas

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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2016

311 - Pérolas e diamantes: a brincadeira e o brinquedo

 

 

A vida anda sempre entre o humor e a tragédia, entre a violência e o desejo, entre a virtude e a tristeza. Por vezes acaba numa luta entre a política e a literatura. Ou vice-versa.

 

Há quem defenda que ao escritor deve competir a arte da frase, ao leitor cabe-lhe dominar a arte de a ler.

 

Mas a mim continua a seduzir-me a arte amorosa da política. Afinal quais foram os regimes políticos que, no século XX, legitimaram o seu imenso poder invocando o amor do povo ao seu guia? Foram os regimes totalitários.

 

Kim Yong-Il, o radioso guia norte-coreano, escreveu mesmo um poema realçando essa perspetiva: “Tal como o girassol só pode prosperar voltado para o sol, o povo coreano só pode prosperar levantando os olhos e voltando-os para o seu Guia”.

 

E o amor também nos diz que não devemos recear aprender com os nossos inimigos para amarmos ainda mais o nosso povo.

 

Mao, depois de se encontrar com Nixon e Kissinger, disse a quem o quis ouvir: “Gosto de negociar com pessoas de direita. Dizem o que pensam realmente – não são como as pessoas de esquerda que dizem uma coisa e querem dizer outra.” Há neste desabafo uma verdade profunda. A lição de Mao tornou-se ainda mais pertinente nos dias de hoje do que o foi na altura.

 

De facto podemos aprender muito mais com os conservadores inteligentes e críticos, os que Zizek apelida de não reacionários, do que com os progressistas liberais. Ainda segundo este mesmo filósofo, estes últimos tendem a anular as “contradições” inerentes à ordem existente, que os primeiros se dispõem a reconhecer irresolúvel.

 

Segundo Daniel Bell, o progresso do capitalismo, que tem por sustentáculo a ideologia consumista, está a minar pouco a pouco a chamada ética protestante, que tornou o capitalismo possível. O capitalismo hoje funciona cada vez mais como a “institucionalização da inveja”.

 

No fundo, os progressistas de pacotilha, mais uma vez citando Mao (de facto o veneno combate-se com o próprio veneno), “só levantam o rochedo para o deixarem cair em cima dos pés”.

 

A nós toca-nos fazer real o mito de Sísifo, condenados a repetir sempre a mesma tarefa de empurrar a pedra até o cume da montanha, sendo que, de cada vez que estamos a alcançar o topo, a pedra cai-nos das mãos e rola novamente pela montanha abaixo até o ponto de partida, invalidando completamente o duro esforço despendido no seu transporte.

 

Parece que vivemos no fim dos tempos. Até importamos o tantra da cultura hindu. Nele encontra-se, segundo Slavoj Zizek, «a lógica espiritual do capitalismo tardio», “reunindo a espiritualidade e os prazeres terrenos, a transcendência e os benefícios materiais, a experiência divina e o shopping ilimitado. Propaga a transgressão permanente de todas as regras, a violação de todos os tabus, a satisfação instantânea como via de iluminação; supera o antiquado pensamento «binário», o dualismo do espírito e do corpo, afirmando que o corpo na sua realidade mais material (localização do sexo e do prazer) é a vida real a despertar do espírito. A felicidade resulta do «dizer sim» a todas as necessidades corporais, e não da sua negação: a perfeição espiritual resulta da intuição de que já somos divinos e perfeitos, e não é qualquer coisa que tenhamos de conseguir através do esforço e da disciplina.”

 

Não sei se foi deste caldo de cultura que nasceu a ideia peregrina de atribuir o Nobel da Literatura a Bob Dylan.

 

Devemos sempre desconfiar dos iluminados do costume que se julgam ser a única fonte da verdade. Acontece que a verdade é sempre outra.

 

Tudo isto parece por vezes a nossa casa tão cheia de luz mas esvaziada por essa mesma luz. Clarice Lispector bem nos avisou: Às vezes começa-se a brincar com os pensamentos e, inesperadamente, é o brinquedo que começa a brincar connosco.


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Domingo, 16 de Outubro de 2016

Museu Nadir Afonso

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Sábado, 15 de Outubro de 2016

Café de Paris

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Sexta-feira, 14 de Outubro de 2016

Livraria em Paris

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Quinta-feira, 13 de Outubro de 2016

Poema Infinito (324): credo

 

 

Atrapalho-me com o fascínio que a contemplação produz nos néscios. As máquinas também se desgastam e por vezes mostram-se divididas. Os homens de hoje regem-se por estatísticas. A realidade que se amanhe como puder. Os políticos distribuem a dívida da nação pela população. Nós distribuímos os afetos pelas plantas do jardim e pelos animais de estimação. Cremos na banha da cobra, no pare, escute e olhe das passagens de nível onde já não passam os comboios, nos setores visíveis e invisíveis da cristandade, no palavreado encriptado que nos vendem os eurocratas, no alfabeto das multinacionais. Cremos também na pílula do dia seguinte, na Igreja, no Papa bonacheirão e risonho, em Jeová e no partido que nos uniformiza no espírito da manada. Cremos ainda no mercado e nas suas leis universais. Cremos nos bancos e nos banqueiros e nos políticos e nos ministros e secretários de estado e nos louva-a-deus e na escrita literária e nos cursos de escrita criativa. Acreditamos nos poemas de resposta imediata, na criatividade dos autores, na cultura dos leitores, nos senhores doutores, no poder desengordurante dos detergentes e na liderança desinteressada das nações liderantes. É mesmo muito difícil fazer poesia sem versos. Por alguma razão a chama da redenção já não nos aquece a alma. Até Deus pode chumbar num exame final da universidade. A sintaxe não é tudo. Os ascetas modernos aprenderam a sorrir. As manhãs já não submergem. A revolução transformou-se num sonho antológico dos nossos avós. Consomem-se as noções imediatas, a inflação, o peso relativo das ideologias. A música ajuda-nos a mergulhar em água gelada para tonificar os músculos. Os melhores autores escrevem efabulações sobre a delação, onde misturam anjos depenados com as cores do arco-íris, cocaína e benzedrinas e vão aos melhores festivais literários com a mesma naturalidade com que os comerciantes concluem um negócio.  Os melhores modelos desfilam com roupa feita com as páginas mais citadas dessas grandes obras desses génios que conquistam todos os booker prizes disseminados por esse mundo fora. A mim continuam-me a parecer crianças abandonadas muito cedo. Todas as grandes obras têm como tema principal a mediocridade das economias domésticas geridas por meia dúzia de personagens domesticadas. Bebe-se o vinho, bebem-se as palavras, bebem-se as causas e os respetivos efeitos. Os testemunhos são baseados nos grandes rituais e na desilusão pós-moderna da tradição. Eu não consigo sair da imagem eterna da minha aldeia onde no inverno rebentava pelo monte a água das nascentes que vinha ao vale regar as couves e os feijões. Foi dentro desse imaginário que eu fui imaginado, um pouco medroso e triste, uma espécie de neurótico campestre. Apesar do teatro ocidental, a gente pobre espalhada por esse mundo fora não cessa de lutar pela sobrevivência. Afinal, que outra solução lhe resta? O tempo devora Deus que nos devora a nós. Secam as poucas palavras semeadas nas leiras lá da pátria interior. Os caminhos são monólogos de terra. Os ventos estão moribundos. O abandono semeia a erosão. Os calendários murcham nas paredes. A terra absorve-nos. As memórias mastigam-nos. O sossego é uma espécie de arma de destruição maciça. Alguém canta uma canção de ruídos. Adormecemos. O sono é uma espécie de instrumento piedoso que nos embala. Acreditamos no arrefecimento noturno.


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Quarta-feira, 12 de Outubro de 2016

Passeando em Paris

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Terça-feira, 11 de Outubro de 2016

Rio Sena - Paris

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Segunda-feira, 10 de Outubro de 2016

310 - Pérolas e diamantes: detalhes alternativos

 

 

 

Para mal dos nossos pecados, ainda teimamos em viver nesta dicotomia entre esquerda e direita.

 

Por agora, a direita liberal diz-se alternativa à direita alternativa e até à esquerda clássica. E a esquerda clássica, e informal, por seu lado, afirma-se alternativa à direita alternativa e à esquerda alternativa clássica.

 

Sendo que a direita alternativa é hoje alternativa à antiga direita alternativa, ou não, e à esquerda lato senso, ou quase. E a esquerda alternativa é alternativa à esquerda super híper alternativa, ou não, e à direita senso lato, ou talvez sim. Ou sopas.

 

Claro que esta alternativa toda, ou toda esta alternativa, mais não é do que um exercício útil, ou inútil, na sua própria preguiça.

 

E tudo isto resulta da velha leitura apócrifa do novo evangelho sobre o velho testamento e da nova leitura interpolada do novo testamento sobre o velho evangelho.

 

Mas todos sabemos que é do novo caos que nasce a velha ordem. E também que é da nova ordem que ressuscita o velho caos. Deus habita, e hesita, entre os detalhes alternativos. Ou não.

 

Entretanto, os consumidores normais de direita e de esquerda dedicam as suas vidas a comprar e a gastar, e os consumidores liberais da esquerda e da direita alternativas, ouvem nos iPods, ou nos concertos que frequentam, a sua world music e mastigam delicadamente a sua comida biológica. 

 

Mas uma coisa nos deve preocupar, como preocupou Charles Fourier [(1772-1837), considerado por Marx e Engels  um dos pais do socialismo crítico-utópico], que encontrei por puro acaso na deliciosa leitura de Michel Houellebecq.

 

Para o filósofo francês, a grande questão social estava relacionada com a organização da produção.

 

Houellebecq, pela voz de uma das suas personagens de O mapa e o território, considera-o um guru, não um pensador, daí o seu êxito lhe vir, não da adesão intelectual a uma teoria, mas antes da incompreensão geral, associada a um inalterável otimismo, em especial no plano sexual.

 

As pessoas necessitam incrivelmente de otimismo sexual, pensa a tal personagem do escritor francês.

 

A grande questão para o intelectual francês é esta: porque é que o homem trabalha? Qual a razão de ele ocupar um determinado lugar na organização social e aceitar lá estar e cumprir a sua tarefa?

 

Os liberais pensavam, e continuam a pensar, que é pura e simplesmente pela ilusão do lucro. Mas é bem provável que a resposta seja insuficiente.

 

Por seu lado, os marxistas-leninistas nem sequer se interessaram pelo assunto. Daí o comunismo ter fracassado. E a explicação é bem simples: mal suprimiram o ferrão financeiro, as pessoas deixaram de trabalhar, limitaram-se a sabotar a sua tarefa. O absentismo passou a ser enorme.

 

Todos hoje sabemos que as sociedades ditas comunistas foram incapazes de assegurar a produção e a distribuição dos bens elementares. Uma sociedade incapaz de produzir, por exemplo papel higiénico e sabão, está condenada ao fracasso.

 

Fourier conheceu o Ancien Régime. Sabia que muito antes do aparecimento do capitalismo já haviam tido lugar pesquisas científicas, progressos técnicos e que existiam pessoas que trabalhavam duramente, por vezes muito duramente, sem serem impelidas pelo ardil do lucro, mas antes por uma coisa bem mais vaga aos olhos dos homens práticos: o amor a Deus, no caso dos monges, ou, no nosso caso, a honra da função.

 

Nos tempos que correm todos queremos ser artistas, políticos ou homens de negócios. Por isso é que outra personagem de O mapa e o território canta a plenos pulmões, com um copo de vodka a tremer-lhe nas mãos, numa das tais vernissages do people que frequenta estas liturgias: “Gostava de ser artiiiista / Para o mundo recriar / Poder ser um anarquiiiista / E de barriga pró ar!”


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Domingo, 9 de Outubro de 2016

No descanso

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Sábado, 8 de Outubro de 2016

Amigos

São Sebastião Couto de Dornelas 2015 161 - Cópi

 


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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2016

Sorriso

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Quinta-feira, 6 de Outubro de 2016

Poema Infinito (323): a fronteira do tempo

 

 

 

Procuro a divindade por todo o lado: nas águas límpidas do rio, nas fontes de mergulho da aldeia, na folhagem densa do azevinho, nas corolas vermelhas das rosas, nos pátios floridos, nos jardins abandonados, nas igrejas desertas, no cimo da árvore de natal, na distância dos montes, nas escolhas diárias, nas explicações da vida, no exagero do céu, nas horas de espera, no silêncio das árvores, nos ninhos abandonados, nos voos assustados dos pássaros, mas não a encontro. Caminhei no deserto. Reencontrei as palavras mágicas, a inocência envelhecida em alguns oásis e algumas palavras já confessadas. Escrevi até me doerem os dedos e atrevi-me a rasgar a razão. Algumas palavras iluminaram-se por dentro sem motivo aparente. Uma espécie de asfixia tomou conta de mim. Habituei-me a viver na penumbra dos dias. Aí encontro várias mitologias, princípios estelares, sonhos velocíssimos, línguas mortas a atravessarem o deserto dos livros esquecidos. Aprendi a interpretar o meu reflexo nos espelhos. Durante a madrugada surgem os sonhos obscenos que ameaçam retalhar os dias. A fronteira do tempo surgirá ao entardecer. Não consigo encontrar a memória. Entretenho-me a fotografar a sombra: a da minha mão esquerda e a das árvores do bosque. Penso que não é possível fotografar a sombra do mar, nem o vazio. Consigo no entanto sentir e escutar a perfeição do silêncio. Por vezes envolve-me a serenidade do sossego. A cidade cresce no meio das ruínas. A sua catástrofe foi lenta e demorada. Os homens de agora são como desertos. Vivem em permanente acidente. A sua catástrofe é preguiçosa. Nenhuma beleza se constrói sob o peso da destruição. O vento sopra de norte, as aves planam no ar morno do entardecer, o dia escoa-se na simetria dos dias que o precederam. Imagino anjos a abaterem-se uns aos outros com as suas espadas de fogo. Os homens têm receio de que os gládios flamejantes lhes façam arder os corações de lata. Deus devora a terra e o mar e armazena relâmpagos para provocar sismos instantâneos. Ninguém consegue escrever o livro desejado. As palavras já pensadas assustam-se e fogem. Nuvens passam e escondem-se lá para poente. A razão mata a alegria. O perfil das mulheres doces é triste. São como chávenas vazias. As paisagens eclipsam-se. As mãos pousam sobre as sombras ou sobre o teu rosto ausente. Lembro-me então do início da minha memória, das portas altas, dos marinheiros bêbados a dançar em roda do poste de iluminação pública, do gato, da velha, do rapaz deficiente, do tempo incerto dos berlindes, do pássaro morto na gaiola, dos passeios à beira-mar, da fala, do primeiro sentido das palavras, do novo sentido das palavras, da humidade dos lábios da primeira namorada, do riso dos colegas e da sua cumplicidade, da suscetibilidade dos sorrisos, das maçãs e das pavias caídas no chão da quinta, da linha sinuosa do primeiro destino, da secura fixa do olhar da minha avó, da espessura dos corpos, da distância dos corpos, da ausência dos corpos, dos ponteiros do primeiro relógio, dos gritos na escuridão, da linha cintilante que divide a noite da alba, da fragilidade da água, da serenidade das pétalas dos cravos, da sedução das abelhas pelo pólen, da lentidão da paciência, das cicatrizes nos joelhos, da metamorfose das palavras, da incandescência da escrita, dos oráculos incrustados nas pedras do caminho, das raízes das encruzilhadas, das primeiras palavras que se diluíram na água. A memória transformou-se em ferida enquanto serpenteio pelo meio da autoestrada.


publicado por João Madureira às 07:15
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Quarta-feira, 5 de Outubro de 2016

Olhares

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Terça-feira, 4 de Outubro de 2016

Pensando

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Segunda-feira, 3 de Outubro de 2016

309 - Pérolas e diamantes: o gabinete de ajustamento e os cromos da caderneta

 

 

 

O escritor de ficção científica americano Philip K. Dick escreveu, ainda o século passado ia para aí a meio, que vivíamos numa sociedade de realidades adulteradas pelos media, os Governos, as grandes empresas e os grupos religiosos e políticos. Já ninguém atinava com o que era a realidade, pois éramos bombardeados com pseudorrealidades fabricadas por pessoas muito sofisticadas que usavam vários mecanismos eletrónicos complexos.

 

Philip K. Dick não desconfiava dos seus motivos, desconfiava era do seu poder. O que parecia então uma teoria da conspiração tornou-se realidade.

 

De facto, vivemos dentro de uma democracia que revela cada vez mais aspetos de um reality show. As massas são manipuladas por gente muito sofisticada.

 

O sociólogo britânico Zygmunt Bauman, refere, no seu livro Modernidade e Ambivalência, que no mundo que nos rodeia “as certezas não passam de hipóteses, as histórias não passam de construções, as verdades são apenas estações temporárias numa estrada que avança sempre, mas nunca acaba”.

 

Segundo o sociólogo, as desigualdades continuam a aumentar de forma rápida, mas a política é condicionada pela ilusão de que essas desigualdades são inócuas. Daqui resulta o populismo, pois sem direitos sociais para todos, um número crescente de pessoas considerará, e com razão, que os direitos políticos de pouco servem. A sua utilidade tende a ser nula.

 

Philip K. Dick vaticinou que uma organização chamada “gabinete de ajustamento” iria controlar as nossas vidas de acordo com planos que nos transcendem fazendo tudo para que não haja fugas ao que já se encontra escrito no guião.

 

Previu que os partidos “republicanos e democratas” iriam escolher indivíduos irrelevantes que se limitariam a ocupar o poder durante quatro anos.

 

Por muito que nos custe, e para mal dos nossos pecados, o que era ficção científica converteu-se em realidade.

 

Dentro dessa realidade, ou ficção, encontra-se o Juiz Carlos Alexandre que diz sentir-se cercado pelo Fisco, que o investigou, e mesmo por pessoas desconhecidas que andam a perguntar pelas propriedades que possui e que o escutam e até lhe deixam manuais de espiões à porta de casa. Surpreso, mas firme, disse ao Expresso acreditar que o querem afastar de tudo. Sobretudo, pensamos nós, do processo que envolve José Sócrates.

 

O apelidado de “superjuiz”sente que existem movimentações estranhas à sua volta.

 

Um dia recebeu um recado através de uma pessoa que tinha relações com indivíduos ligados a vários casos mediáticos, do seguinte teor: “Deves meter-te com gajos do teu tamanho porque precisas do teu ordenado para comer.”

 

Disseram-lhe ainda outras coisas tais como “se não souberes colar os cromos na caderneta não terás direito a brinde”.

 

Mário Soares, a propósito da prisão de José Sócrates, escreveu: “O Juíz Carlos Alexandre que se cuide…”

 

O Juiz diz não se vergar ao dinheiro e que a sua maior preocupação está relacionada com a enorme sucessão de escândalos na área financeira e a sua escalada de grandeza.

 

Chegaram mesmo a entrar-lhe em casa. Os intrusos não roubaram nada, limitaram-se a deixar uma fotocópia do BI do seu filho e o fragmento de uma arma de fogo do seu sogro. Mexeram em alguns dossiês de trabalho de processos e abriram-lhe o computador.

 

Lá pelo meio da entrevista citou uma carta que Thomas More escreveu a Erasmos: “Se a honra fosse rentável, todos seriam honrados.”

 

O título na capa da revista era “O juiz só”.

 

É caso para dizer que mais vale só do que mal acompanhado.

 

José Sócrates, por causa das coisas, resolveu fazer queixa do juiz Carlos Alexandre invocando, para o efeito, ódio, perseguição e devassa da sua vida pessoal e política.

 

Razão tem Pacheco Pereira ao escrever que “Sócrates quer levar tudo com ele para um destino que ainda não sabemos qual é mas que nunca será brilhante”.


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Domingo, 2 de Outubro de 2016

Douro vinhateiro

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