Sábado, 31 de Dezembro de 2016

Na exposição IV

Cultura que une -Vila Real - 14 de maio 2016 132 -

 


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Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2016

Na exposição III

Cultura que une -Vila Real - 14 de maio 2016 130 -

 


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Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2016

Poema Infinito (335): o olhar triste do mensageiro

 

 

Subo pela frente do monte, entre as fontes pardas. Lá em baixo, o prado dilui-se no olival. Sinto o embaraço do pó no meu rosto suado. As mãos ardem-me. Este não é ainda o fim do caminho. Alguém me perde de vista. Encontro-te sempre dentro de mim, mesmo quando estou sozinho. Continuo a confundir o amanhecer com os anjos. A aflição da sua luz é a mesma. A noite anterior desfolhou indiferentemente as árvores e as fantasias. Os vários regressos à casa abandonada são sempre invulgares. As crianças mexem-se nos sonhos como se posassem para uma fotografia. As noites crescem à medida que envelhecemos. Por vezes ficam enormes. Nelas dormem os cães e repousam as pedras. Costumo agora lavar o medo dos meus pés. Depois sento-me à entrada. Apercebo-me que tenho a boca cansada e dorida das palavras que não consegui dizer. Apesar da paisagem que avisto ser suave, não provoca desejo. Passa por nós o infinito. O tempo fica indiferente. O vento assalta as muralhas do castelo. Caem gotas de chuva sobre as velhas pedras. Os bichos vêm saber de nós. Movemo-nos através de leves equilíbrios. Por vezes as horas afastam-se de nós como se fossem pássaros com as asas em ferida. Sentimos a desilusão a tomar conta do nosso corpo. O sol fica forte como os gestos. A nostalgia é redonda e mansa e gosta de sonhar com unicórnios. Um incêndio toma conta das tapeçarias. Lá fora, um céu de chuva começa a cobrir a paisagem. Os homens mais crédulos ainda esperam pelos sonhos nas curvas dos caminhos. Dizem os nomes uns dos outros e depois deixam as palavras morrer. São tão mansos como os animais que domesticam. Fazem sofrer Deus de impaciência. As suas mãos encontram sempre o sexo fechado. A intimidade fere-os. Gostam de andar pelos caminhos já percorridos. O mensageiro de olhar triste voltou da cidade mudo, como se fosse um vulto que se desfaz a cada pergunta. As manhãs surgem depois das noites angustiadas. Ouvem-se ainda alguns gritos vagarosos. Os corpos femininos abrem-se como se fossem rosas confusas. Algo se agita no meio das folhas verdes. Surgem então uns joelhos e depois umas coxas esbeltas. As pernas cedem ao desejo. Sinto as veias como se fossem ramos de árvores. As horas ficam mais graves. O silêncio transforma-se em sombra. Sinto-me como uma nuvem rodeada de longes. Aprendi a amar as horas noturnas, aprendi a sentir o espaço e a lonjura das lendas. Aprendi a ler os sentimentos nas velhíssimas cartas de família. Aprendi a tristeza a ouvir-me respirar. A compreensão limita o mundo e torna-nos mais desassossegados. As emoções ajudam-nos a encontrar as nossas asas perdidas no momento da criação. O tempo fica mais abrupto. As horas inclinam-se por causa do seu fulgor metálico. Expiamos os dias, uns a seguir aos outros. Compreendo agora os sorrisos enigmáticos da minha mãe. Tudo soa de uma maneira diferente. Afoga-se a saudade na incerteza do seu rosto. Fixei-me na leitura dos livros mais estranhos. As suas palavras ficam nubladas, mais longínquas, como se tivessem fobia à incerteza. A tua mão faz-me reconhecer o princípio da gravidade. Sinto-me como um camponês a deixar correr o tempo como se ele não existisse. Os pomares velhos também não perdem a primavera. A dor e o prazer já vêm de longe. Vejo pousar a luz mais singela no centro dos teus olhos. São eles que me iluminam o caminho. Evoco a eternidade das casas. Sobre elas descansa o céu mais estrelado.


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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2016

Na exposição II

Cultura que une -Vila Real - 14 de maio 2016 105 -

 


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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2016

Na exposição I

Cultura que une -Vila Real - 14 de maio 2016 075 -

 


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Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2016

321 - Pérolas e diamantes: a política e o diabo ou o diabo da política

 

 

Um ditado atribuído a Konrad Adenauer diz que “não se deita fora a água suja enquanto não se tiver água limpa”. Mas estou em crer que preservá-la depois de se ter água limpa ali mesmo à mão de semear é teimosia desnecessária.

 

Svetlana Alexievich conta que os tajiques de Kulob matavam os de Pamir e os tajiques de Pamir matavam os de Kulob. Depois juntavam-se na praça a gritar e a rezar. Intrigada, perguntou aos anciãos a razão de tal desvario. Afinal, protestavam contra quem? Responderam: “Contra o parlamento. Disseram-nos que é um homem muito mau, o parlamento.” Depois a praça ficou deserta e começaram a disparar.

 

Isto passou-se lá para o Leste. Mas por aqui a desgraça pode vir a ser a mesma. Os números, esses ingratos, dizem que os cidadãos estão cada vez mais afastados da política. E à medida que a idade desce, esse desinteresse aumenta. Um em cada quatro jovens não quer, pura e simplesmente, saber de política.

 

As pessoas estão afastadas dos políticos que os têm representado desde sempre. Qualquer dia também por cá o parlamento vai passar a ser conhecido como um senhor muito mau.

 

Uma coisa é evidente: existe pouca, ou nenhuma, reflexão política sobre como devemos enquadrar os jovens.

 

Por enquanto, os jovens não são despolitizados, não estão é interessados na política dominante. Daí as vitórias surpreendentes do Syriza, na Grécia, ou do Movimento 5 Estrelas, em Itália.

 

O triunfo de Berlusconi, Beppe Grillo e Trump representa a espetacularização da política. Boaventura Sousa Santos considera que tudo isso se fica a dever ao facto de a ideologia ter sido substituída por uma sociedade mediática.

 

Os cidadãos deixaram de acreditar nos partidos, na sua capacidade de conseguirem resolver os problemas concretos das pessoas. O politólogo Carlos Jalali defende que “não existe um alheamento da política”. Há, isso sim, “um alheamento das elites políticas” que resulta “de uma insatisfação com as opções partidárias e uma descrença com as políticas públicas”.

 

Depois lá está o dinheiro. Para o economista ultracatólico João Cesar das Neves, “os portugueses nascem convencidos de que todos os seus males se devem aos políticos ou aos ricos, em especial aos banqueiros. (…) Nunca podemos esquecer que vivem da boa vontade dos seus eleitores ou clientes.”

 

Talvez por conhecer os fariseus que conspurcam o Templo, o Papa Francisco veio pôr os pontos nos is: “O maior inimigo da Igreja é o dinheiro. (…) Santo Inácio ensina-nos: a riqueza começa a corromper a alma; depois é a vaidade – as bolas de sabão, com uma vida vaidosa, a aparência, a boa figura… Por fim, a soberba e o orgulho. Daqui derivam todos os pecados.”

 

O líder parlamentar do PS, Carlos César, vai em busca do Tentador disfarçado de dirigente partidário. Para ele é Passos Coelho, pois “parece tomado pelo diabo e não há exorcista, ou candidato a exorcista, seja ele Luís Montenegro, Santana Lopes ou Rui Rio, que lhe explique que não pode atacar toda a gente, (…) só porque o país está melhor.”

 

É caso para dizer, quem não quer ser mafarrico não lhe deve vestir a pele. O cronista João Pereira Coutinho avisa a navegação à vista do PSD: “Se esta semana ensinou alguma coisa a Passos Coelho foi a não fazer oposição com profecias. Até porque esperar que o diabo apareça é não conhecer as manhas do mafarrico.”

 

O ministro-adjunto Eduardo Cabrita veio porém evidenciar que talvez esteja possuído por alguma alma transviada, pois decidiu desresponsabilizar todos os autarcas das decisões financeiras que tomam. As eleições autárquicas estão aí à porta e por isso convém evitar alguns danos colaterais. 

 

Existe ainda uma outra elite que também tem a sua cota parte de responsabilidade na gestão da coisa pública. Estou a referir-me ao meio literário português; pois quase todo ele se alimenta da proximidade ao poder. Não podemos esquecer que um dos seus mais legítimos representantes foi até secretário de Estado do governo de PPC. Para bem da sua alma, ainda se arrependeu a tempo. O Padre Fontes deve tê-lo exorcizado.

 

O crítico e escritor João Pedro George, autor da biografia do ex-primeiro-ministro Mota Pinto, conhece bem as celebridades. Em entrevista referiu que uma das idiossincrasias do nosso meio literário é aceitar com grande dificuldade a crítica frontal, confundindo-a com maledicência, que não é o seu caso, “pois a maledicência é feita nas costas” e o João diz as coisas na frente. “É um meio profundamente hipócrita” – sublinha –, “pois à boca pequena dizem pessimamente uns dos outros e, depois, quando se ligam os microfones e os holofotes, são todos maravilhosos”.

 

Rentes de Carvalho, até porque está radicado lá fora, escreveu que “na Holanda vive-se sem necessidade de pedir favores, meter cunhas, pagar luvas. (…) Portugal dói-me. Outras vezes envergonha-me, enraivece-me, faz-me desesperar”.

 

Quem nos avisa nosso amigo é.

 

Também a mim me deu a mesma vontade de Hillary Clinton, de se “enrolar no sofá com um bom livro e nunca mais sair de casa”. 

 

Coitado do Obama. Que a melanina o não confunda.


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Domingo, 25 de Dezembro de 2016

Sorrisos

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Sábado, 24 de Dezembro de 2016

Sorrisos

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Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2016

Sorriso

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Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2016

Poema Infinito (334): bem-me-quer

 

 

As mais velhas memórias são as que me abrasam o pensamento, lambem as casas e me impedem de ouvir os pássaros que se aninham dentro da minha almofada. Sinto a lua, a igreja, a imortalidade do céu, a beleza errante e despótica das borboletas. Reparo na fotografia dos mortos, na tarde que adormece, no tempo que me lembra a praia. Os ventos já não me sujeitam. A alegria, quando aparece, rápido se evapora. A tristeza ali está parada a olhar fixamente para mim. As geadas continuam a devorar os telhados. As leituras fazem-se agora de forma invertida. O tempo trespassa tudo. A minha imaginação hesita na escolha da porta por onde deve entrar. A infância implodiu. Os olhos nadam sobre o rio. Os beijos abrem a boca de sonolência. Observo as árvores e a sua dignidade. Engano-me nas estrelas. Sinto ainda dentro de mim a veneração dos frutos, os sinais doces da esperança, as brincadeiras no recreio da escola e os revólveres de plástico. Sobre a parede branca do fundo da sala vejo aparecer a imagem da minha mãe a fazer renda e tricô, a rezar o terço, a coser um botão na camisa do meu pai. O nó da gravata sempre me apertou o pescoço. Sinto os lábios secos. As pombas voam por cima dos lençóis. Já não consigo distinguir o bem do mal, as espadas das hóstias consagradas, os deuses dos homens das sotainas, o ruído das ambulâncias e dos carros do lixo, os néones da luz verde das janelas. Adormecem-me as pernas. O espelho reflete uma imagem febril. Vejo-me a ler a ternura das histórias, a decorar frases redentoras, a aquecer as mãos geladas pela neve no regaço quente da minha mãe. Nesse tempo, as meninas beijavam flores gregas, tinham poeira de estrelas nos cabelos, usavam sapatos brancos no dia da comunhão solene e pintavam os lábios com lápis de cor às escondidas. Havia também homens que se disfarçavam de bibliotecas. Eu imaginava espasmos e auras azuis em redor dos objetos. Alguns jovens, e muitos adultos, bailavam nas festas tradicionais. Eu desenhava círculos no ar e imaginava a circulação do pólen dentro das flores. Procurava saber onde se encontrava a fábrica da felicidade. Caíram então as primeiras gotas de orvalho dentro da minha boca. Deixei de acreditar nas respostas definitivas, nas mãos perfumadas, nas penas das asas dos anjos, na imensa excitação dos segredos, nas cartas de amor e nas despedidas. Tenho saudade dos campos, dos rios, das amoras, das cerejas e do orgulho dos animais. Do vento que soprava contra o meu rosto. De correr atrás das éguas e da sombra projetada pelos cestos das vindimas. De experimentar o ritmo da poesia na cadência do andamento das rodas dos comboios, de ler à luz dos candeeiros. Das bruxas que habitavam as aldeias, das rãs a coaxar na margem dos poços. Das portas altas da infância, da cor assustada das maçãs, das fatias de bolo quente, da manteiga a derreter-se na língua, das abelhas voando em torno dos bagos de uva mais doces, do cheiro agreste dos animais e do odor limpo dos sabonetes, de ver os peixes a nadar nas águas claras do riacho, de observar o reluzir da cor do azeite, das gaiolas com a portinha aberta, de confundir os pássaros com aviões, das ceias abençoadas pela minha avó, do cheiro inebriante da aguardente, da santidade da terra, de dormir em cama de fetos, do fogo lento da lareira, dos pequenos abraços, dos primeiros beijos, dos burros alados, dos cavalos, do elmo e da espada de pau e do choro convulsivo que tive quando alguém me fechou a porta na cara desfazendo o terço que o padre zé me tinha oferecido por ser o melhor aluno de religião e moral no ciclo preparatório. Ainda continuo a despetalar o mesmo malmequer…


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Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2016

Exibindo a realeza

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Terça-feira, 20 de Dezembro de 2016

Olhares

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Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2016

320 - Pérolas e diamantes: entre a tradição oral e o facebook

 

 

Lembro-me ainda com saudade das pessoas lá em casa se juntarem à roda da lareira e contarem histórias.

 

Nas noites mais frias acendia-se a fogueira, a candeia e, sentadas no escano e nos bancos em redor do lume, as pessoas contavam coisas umas às outras. Quase todas as narrativas misturavam ficção com realidade. A interpretação ficava a cargo de cada um.

 

Não havia rádio, não exista televisão e ninguém tinha dinheiro para esbanjar numa ida ao teatro ou ao cinema. Livros nem vê-los.

 

Contar histórias noturnas à luz da candeia e com as partes aquecidas pelo calor do lume era costume que sempre acompanhou a vida dos mais necessitados.

 

Mais até do que as próprias histórias, eram as sombras que as pessoas projetavam nas paredes o que metia medo. 

 

Tudo aquilo ou se transformava em sonho ou em pesadelo.

 

As lendas passavam de boca em boca, as fantasias erguiam-se dentro das nossas cabeças como espíritos que nos queriam arrebatar para o sítio das trevas que habitavam.

 

Por vezes as histórias vinham em forma de rima, resumindo a poesia, que, normalmente, nos sugeria a beleza etérea das fadas, o sol nascente, tesouros escondidos ou então príncipes e princesas encantadas.

 

Havia sempre no grupo os que tinham um jeito especial para contar histórias ou então para as inventar.

 

Uns apreciavam contar relatos imprevisíveis, sempre na tentativa de arrancar da plateia exclamações de espanto ou medo.

 

Outros entretinham-se a dar alento à tendência para reproduzir as vozes teatrais, entusiasmando os ouvintes com a criação de várias personagens diferenciadas pelo timbre das suas falas.

 

Existiam os mestres da minúcia e dos fenómenos dramáticos, os especialistas nas histórias de terror e os peritos nas de amor.

 

Havia ainda os que relatavam as tragédias povoadas de bobos, homúnculos, deuses desconhecidos e bruxos maquiavélicos.

 

Antes de a eletricidade chegar às nossas casas, eram os contadores de histórias os que nos ensinavam a ver o mundo, a modelar e a perceber as palavras, a espalhar a luz da história e do conhecimento.

 

As mulheres mais velhas eram sobretudo atreitas a contar histórias de bruxas, bruxedos, mezinhas, charlatões e charlatanices. Coisas ligadas ao sobrenatural.

 

Nos dias de trovoada lá vinha o esgotante terço e as distintas ladainhas para nos livrarem dos relâmpagos, do mau-olhado e da fúria de Deus. De facto, quando Deus se arreliava com os seus servos pecadores, os trovões com que se exprimia faziam tremer até o “passarinho” e a “passarinha” dos prevaricadores.

 

Os homens contavam histórias essencialmente didáticas que, com o seu exemplo, pretendiam fazer de nós rapazes práticos e precavidos, proveitosos e exemplares no trato e na educação, mas também na brejeirice.

 

Claro está que o teor das histórias dependia da ocasião e da audiência.

 

Era a tradição oral que se foi perdendo.

 

As noites de inverno eram as mais talhadas para o efeito. Ao redor da lareira, as crianças mais velhas e mais impacientes, interrompiam os contadores com o intuito de que se evitassem os detalhes, pois queriam saber o fim da história. Se ele tardasse deitavam-se a adivinhar. As mais pequenas iam para a cama apenas com uma história. Convinha não abusar, pois o repertório não era lá muito extenso.

 

Aquelas histórias aqueciam-nos tanto como o fogo ou como o vinho misturado com mel que esquentava na pichorra junto à lareira e que os adultos iam beberricando para lhes excitar a memória.

 

No Natal chegavam as histórias da origem, que envolviam o Menino Jesus, a Virgem Maria, o São José, os Reis Magos, a vaca, o burrinho, as ovelhas, os pastores, as estrelas, o ouro, o incenso e a mirra…

 

A família encarregava-se de que as histórias fossem passando de geração em geração.

 

Esse tempo acabou. Restam agora alguns livros espalhados pelas estantes que ninguém lê, mas que dão um ar da sua graça a quem vai lá a casa. É mais um bibelô que se olha com indiferença.

 

Na verdade já quase ninguém lê livros. Hoje lê-se a literatura instantânea no Facebook e no Twitter. O narrador é uma espécie de Narciso que espalha a sua vida quotidiana, comentando-a e convidando os outros a comentá-la.

 

É o vazio cultural. E, como todos sabemos, a cultura tem horror ao vazio.


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Domingo, 18 de Dezembro de 2016

Axel e Marina no S. João - Porto

São João - Porto - Junho 2016 214 - Cópia.jpg

 


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Sábado, 17 de Dezembro de 2016

Em Segirei

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Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2016

Lumbudus em Segirei (III)

Segirei - setembro 2015 205 - Cópia.jpg

 


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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2016

Poema Infinito (333): a imponderável luz da insignificância

 

 

As gotas de chuva retidas ontem no teu olhar deslizam agora pela nossa identidade. Os raios de sol atravessam-nos sem nos provocarem dano. Uma lascividade dura penetra nos nossos recetores. Adquirimos uma nova identidade. A confusão disfarça a calma da luz, o verde das pastagens, o desígnio das margens do rio e os sentidos. A consideração mistura-se com a raiva. O amor embuçado luta com a dor. Espera-nos a verdade que existe em todas as coisas, a lógica dos sermões, o orvalho da noite, as raízes que se ramificam até ao infinito. As silvas invadem os muros, as amoras silvestres adornam as casas. O salão está agora a céu aberto. Longos filamentos de cor atravessam o musgo. Os pequenos animais alimentam-se de frutos, grãos, diminutos ramos ou raízes comestíveis. O desejo ultrapassa os pássaros e a timidez dos seus voos. Os objetos mais estimados mantêm a sua distância vital e continuam a assumir múltiplas formas. O espaço toma conta do tempo e alcança a sua forma. Os pescadores acomodam-se às margens do rio, as aves mais lestas constroem os seus ninhos nas frinchas dos penhascos, os garanhões montam as suas éguas, várias mulheres mondam as leiras das cebolas, nas searas o trigo mourisco sussurra. A sombra da tarde alonga-se. O destino anda atrás de nós. Agora compreendo o vasto coração dos heróis, o desdém e a indiferença dos mártires, os cavaleiros que esporeiam os seus cavalos, as traves que sustentam as casas, o silêncio dos rostos, a inverosimilhança dos relatos mais antigos, as noites mais longas, o som sibilante dos náufragos, os vadios, o olhar crucificado dos amantes, a vulgaridade das fronteiras, todas as dúvidas, o desejo efusivo de liberdade, as palavras mais simples, a inocência do riso, as feições mais vulgares, a flutuação dos odores, os abismos iluminados, a impotência dos sermões, a caridade, a mentira irresistível de deus, a dimensão exata de jeová, buda e alá, o esboço da existência humana, todas as revelações, a utilização das bombas, as guerras, os gritos, a química dos fluídos, o pecado, a virtude, as sombras emboscadas, a energia pélvica da música, a crueldade, a bondade, as interrogações, as explicações, a cidadania, as revoluções, as contrarrevoluções, a crueldade da morte, a imortalidade da estupidez, os néscios, os ilustres, o egoísmo, o desprezo, a fé, os evangelhos, a aceitação da divindade, a glorificação do sofrimento, a espuma dos dias, o desespero, a dúvida, todas as certezas do mundo, as instruções com que deus construiu o homem e depois a mulher, todos os céticos, a finalidade do esquecimento, a necessidade das horas, a riqueza, a pobreza, a igualdade, o vértice das escadarias, as lamentações mais amáveis, os videntes, os evidentes, os convincentes, a efemeridade da ostentação, a instabilidade da matéria, o talento e a sua substância, a densidade das aparências, as imagens que se juntam, as imagens contemporâneas e as imagens eternas, o êxtase, a consciência dos factos, os factos, os cânticos, a física quântica, os cantores, os oradores e o orgulho das bibliotecas, a identidade, os acordos indissolúveis, o progresso, a realidade dos sonhos, as manifestações humanitárias, as multidões e a sua psicologia, o tal fogo que arde sem se ver, as circunstâncias que atenuam, o bom senso, a expressividade dos poemas, a camaradagem, o bem e o mal, as estrelas no céu, os órgãos e os atos sexuais e ainda todo o restante etecetera. Só não sei é para o que isso me serve.


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Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2016

Lumbudus em Segirei (II)

Segirei - setembro 2015 203 - Cópia.JPG

 


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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2016

Lumbudus em Segirei...

Segirei - setembro 2015 184 - Cópia.jpg

 


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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2016

319 - Pérolas e diamantes: amar os tártaros

 

 

Muito do que se passa no mundo atual remete-nos para Rousseau. De certa forma a má-fé é a mesma dos admiradores multiculturais das culturas alheias. Já no Émile nos alertava contra o “filósofo que ama os tártaros para se dispensar de amar o seu vizinho mais próximo”.

 

Dir-me-ão que é tudo uma questão de gosto. É como dizer asneiras em público. Eu nisso sigo o filósofo Slavoj Zizek que pessoalmente só recorre ao uso de termos grosseiros em público, nunca em privado, pois, nessas condições, fazê-lo perece-lhe deslocado, ou até mesmo indecente.

 

Na sua perspetiva, a única demonstração de bom gosto reside no facto de uma pessoa saber apreciar ocasionalmente coisas que não correspondem aos critérios de bom gosto – em contrapartida, quem segue demasiado estritamente os critérios do bom gosto, limita-se a exibir a sua completa falta de gosto.

 

Uma injunção específica é mais forte do que uma injunção geral. Para tornar mais evidente o meu ponto de vista, recorro, com a preciosa ajuda de Zizek, à famosa anedota judaica sobre o casamenteiro que reinterpreta positivamente cada um dos defeitos da futura noiva.

 

“Dizem que é pobre. Ainda bem, pois saberá poupar o dinheiro da família, fazendo-o render o máximo possível. É feia. Dessa forma, o marido não terá de recear que ela lhe seja infiel. É gaga. Ainda bem, porque saberá estar calada sem enfadar o seu marido com uma tagarelice constante.” E assim sucessivamente. Até à argumentação final.” Mas cheira tão mal! Não me digam que queriam que ela fosse a perfeição em pessoa, sem o mais pequeno defeito?”

 

A ideologia neoliberal faz-nos incorrer no risco ideológico de pensarmos que não é a organização da economia global que devemos incriminar, mas antes que o mal reside na nossa atitude subjetiva, a qual devemos infletir. Por isso nos bombardeiam por todos os lados com a imposição de reciclarmos o lixo que fazemos, de pormos as garrafas, os jornais velhos, etc., nos contentores apropriados.

 

Mais do que uma crise económica, ou mesmo ideológica, os poderosos tentam dividir a sociedade em mundo moral e físico, sendo que as elites ocupam o primeiro. Benjamim Constant enunciou muito cedo que tudo é moral nos indivíduos. Mas tudo é físico nas turbas, por isso as massas têm necessariamente de fazer parte da simples engrenagem da máquina.

 

E disto não nos deixam fugir. A direita política insiste na economia de mercado, enquanto a esquerda cultural e politicamente correta teima na defesa dos direitos humanos, que, bem vistas as coisas, é a sua única razão de ser.

 

À primeira vista até parecem independentes, mas a verdade é que são os dois lados da mesma moeda.

 

Desta forma fazem-nos entrar no seu labirinto. A direita tradicionalista, no seu duplo paradoxo, apoiando a economia de mercado ao mesmo tempo que rejeita ferozmente a cultura e os costumes que essa economia engendra. Enquanto a esquerda multiculturalista, que por seu lado combate o mercado, apoia entusiasticamente a ideologia que o próprio mercado engendra. Por isso se alimenta dos casos “fraturantes” que a classe média arquiteta.

 

Vivemos debaixo daquilo que Alain Badiou apelidou de ideologia constituída, onde assenta a corrupção da democracia: a corrupção empírica “de facto” e a corrupção que pertence à própria “forma” da democracia, com a sua redução da política à negociação de interesses privados.

 

Tudo isto me fez pensar no velho gracejo anticomunista polaco: “O socialismo é a síntese das realizações mais elevadas de todas as épocas históricas anteriores: à sociedade tribal, foi buscar a barbárie; à antiguidade, a escravatura; ao feudalismo, as relações de dominação; ao capitalismo, a exploração, e ao socialismo o nome.”

 

Estamos perante a lógia do significante quando cai no significado, ou, melhor, por causa do significado.

 

Talvez tenhamos que fazer como o escritor judeu David Grossman, que quando, imediatamente antes do rebentar da guerra israelo-árabe de 1967, ouviu na rádio as ameaças dos árabes que anunciavam lançar os judeus ao mar, começou de imediato a ter lições de natação.

 

A grande questão é saber se não viveremos dentro de um “Matrix” democrático. O triunfo de Trump é um desses sinais.

 

 

PS – E lá vamos nós aprendendo a nadar. Portugal continua a subir posições nos rankings internacionais. Os alunos portugueses brilharam nos testes internacionais de literacia, tais como o PISA e o TIMSS, situando-nos acima da média da OCDE. Este desempenho foi mesmo destacado no prestigiado jornal El País, que teve a coragem de elogiar “La Buena Escuela Portuguesa”. Segundo um coordenador do PISA (Programme for Internacional Student Assessment), o sucesso explica-se por três fatores essenciais: maior exigência, pais mais escolarizados e melhores professores. Os alunos portugueses do 4º ano de escolaridade ultrapassaram mesmo os seus congéneres finlandeses.


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Domingo, 11 de Dezembro de 2016

Ruínas do Interior

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Sábado, 10 de Dezembro de 2016

Paisagem barrosã

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Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2016

No Interior

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Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2016

Poema Infinito (332): a primeira ternura

 

 

As memórias ficam-me embaciadas como o outono. As aves voam para norte, os gatos fogem da chuva. Os cheiros também provocam dor e expandem-se e chegam a morrer como os nomes. O regresso a casa é como se fosse outra forma de partir. Os dias fizeram-se frios de repente. O tempo mudou. O tempo está sempre a mudar e com ele muda a orientação dos nossos passos. Regresso às velhas leituras. Lá fora pastam as ovelhas embrulhadas na sua própria lã. Os panos de linho ornamentam as mesas. Já passou a hora de tu voltares. Mas eu espero. Eu sou feito de espera. A luz fica incerta dentro do nevoeiro. O verão foi demorado. O tempo magoou-nos. Os retratos que repousam sobre o tampo da mesa já foram novos, bem assim como as histórias fechadas dentro dos livros. Os enredos são eternos, são coisas de crianças. O que mais recordo são perfis, os dedos que sobram depois dos gestos, os sonhos exaustos, as pálpebras dos teus olhos. Até as vozes me sabem a regresso. Os nomes das coisas trepam por mim acima. Trocamos os corpos como se fossem jardins. Tocamos nos sexos como se fossem flores. Toda a porta se abre se a empurrarmos devagar. Os verdadeiros segredos devem guardar-se até ser tarde demais para serem revelados. A luz persiste em glorificar a claraboia, nela continuam a cair as estrelas mais distantes e fugazes. Arrefecem os quartos. Os silêncios escondem-se atrás das pinturas, dentro dos armários, debaixo das camas. O mais envergonhado penetra nos livros e refugia-se no meio das palavras. Aqui já ninguém desafia o calendário. Os nomes são pronunciados rente aos lábios. As sombras permanecem inquietas. As imagens dos sorrisos foram varridas com uma vassoura de giestas ainda em flor. Na minha memória arde o frio da primeira ternura. A neve caía sobre a terra como se fosse espuma. Mordíamos lentamente o pão como se a tarde estivesse ferida. Os animais derivavam em torno do silêncio. A sua impressão era gélida e luminosa. O branco acudia às janelas. A noite ficava rasgada quando chegava a luz da lua. Ao alvorecer regressava o sol para morder a neve. Pensávamos então nos frutos, nos caminhos e aproximávamos as mãos do rosto para sentirmos o seu calor ténue. A luz quente da fogueira afagava a manhã. Doíam-nos por vezes os dedos como se estivessem gastos por tocar os objetos. Ninguém nos protegia dos invernos. As feridas ficavam vagarosas. A pressa fugia dos caminhos. Os sonhos escondiam-se entre os medos e os desejos. Alguém me abraçava devagar na escuridão do meu quarto. Eu ouvia a noite e adormecia esperando pela madrugada. Os lugares mais pequenos são os que ainda permanecem em mim. Traziam-me confiança. Curei-lhe sempre das feridas utilizando o atrevimento das palavras. As profecias por cumprir deixaram os homens indiferentes. O céu cegou-os. A voz clara e mansa dos anjos congelou de repente. As mulheres começaram a abrir os frutos secos em busca do tempo. Os homens comiam-nos junto com o pão duro e a aguardente açucarada. Alguns perderam deus a caminho dos campos ou nos trilhos da guerra. Os amigos partiram, os lugares ficaram vagos, os amantes consumiram o seu amor antes de chegar o fim da tarde. As manhãs encheram-se de raízes. Os murmúrios tomaram conta das noites. Onde existe deus não há intimidade. Tudo mudou de lugar. O inverno abriu-se. A casa encheu-se de natal e de crianças. Tudo ficou menos doloroso. Por vezes apetece-me andar para trás.


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Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2016

Lameiro no Barroso

Barroso - Penedones, etc 031 - Cópia.jpg

 


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Terça-feira, 6 de Dezembro de 2016

Amanhando a terra

Barroso - Penedones, etc 025 - Cópia.jpg

 


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Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2016

318 - Pérolas e diamantes: o caminho

 

 

Quando um tolo pratica um ato de que se envergonha declara sempre que fez o seu dever. No fundo, a banalidade da parvoíce resiste, persiste e recomenda-se.

 

John Le Carré inseriu num seu prefácio a inverosimilhante história de uns túneis paralelos que conduziam admiravelmente à orla do mar. Neles eram inseridos pombos vivos que tinham sido criados e guardados em várias armadilhas nos telhados de um casino.

 

A tarefa dos pombos resumia-se a esvoaçar pelo túnel sombrio até saírem para o lado do céu azul onde eram os alvos de desportistas bem nutridos que se encontravam de pé ou esparramados em terra à espera de disparar chumbo com as suas espingardas. Os pombos que falhavam, ou apenas feriam na asa, faziam então aquilo que os pombos sabem fazer: regressavam ao local do seu nascimento no telhado do casino, onde as mesmas armadilhas os esperavam.

 

Afinal de onde vêm as bruxas, ou os bruxos, que agora se designam de sondagens? Acho que são geradas pelo nosso desejo de acreditar em milagres. De acreditar não na realidade mas nas nossas expectativas. Acreditamos nas fotografias que nos tiram os amigos e os apaniguados e nas entrevistas mais ou menos encomendadas que nos fazem. As páginas repletas de razões pré-fabricadas lá virão encher o olho a quem quer antever a realidade que se fabrica.

 

Se a verdade e a fé no futuro abandonam o homem, na sua alma instala-se o medo. 

 

Fora da nossa cidade, ou da realidade, pois para o caso tanto monta, julgamos ver junto das estradas espantalhos ou vacas a pastar embrulhadas em papel celofane. Mas convém lembrar que a qualidade da nossa vida em sociedade não se compadece nem com a intrujice, nem com a premeditação ignóbil da conspiração e muito menos com a bebedeira de princípios, valores e atitudes.

 

Os fins, para os homens de boa vontade, e para todos aqueles que acreditam na liberdade como um princípio sagrado, nunca conseguirão justificar os meios.

 

As provações difíceis exigem como resposta um equilíbrio sustentável. Outro tipo de estabilidade já não se consegue adaptar ao raciocínio ponderado, pois oscila entre a ilusão (ou desilusão) profunda e o otimismo ingénuo. Quem assim pensa torna-se presa fácil de toda a demagogia.

 

Há que desconfiar tanto dos mistificadores como dos desmistificadores. As pessoas, ocupem elas o lugar que ocuparem, definem-se sempre, não por aquilo que são, ou dizem ser, mas por aquilo que fazem.

 

Não nos iludamos. Uma coisa é certa: aquilo que serve para contar verdades é igualmente válido para fabricar ficções.

 

Algumas pessoas acreditam na Alice no País das Maravilhas. Para elas a lebre de março faz mesmo questão em tirar o relógio do bolso do colete.

 

A irresponsabilidade não pode, ou não deve, ser premiada. O discurso hipócrita de fazer as coisas em serviço do povo não passa de um isco atraente para nos obrigar a engolir o anzol do poder e do status quo.

 

Algumas pessoas são exímias em fazer com que a sua interpretação dos factos explique aquilo que lhes convém. Acreditam piamente que Roma paga mesmo a traidores. Foram habituados a isso. A mentira e a ilusão são a sua realidade. 

 

D. Quixote não passa de um personagem de ficção. Sancho Pança, esse pragmático, tornou-se realidade.

 

Bem vistas as coisas, a quem é que importa o facto de Cervantes ter atacado os livros de cavalaria, se já ninguém os lê, nem sequer os cervantistas?

 

Os medíocres, os instalados em sistemas burocráticos, habituados à manipulação e ao fingimento, a partir de onde elaboram as normas de conduta moral, social e política, não só traçam nelas o único caminho que lhes permite sobreviver, como pretendem que os incautos adotem o mesmo comportamento, submetendo-os ao sistema, que, por definição, lhes cerceia a liberdade e lhes limita a razão.

 

Na primeira todos caem; na segunda, cai quem quer; na terceira, só cai quem é tolo.

 

Cada caminho leva-nos sempre ao seu próprio fim. Cabe a cada um de nós escolhê-lo.

 

PS1 – O caminho! Qual caminho? Afinal, o caminho não é caminho nenhum. Vamos ter de voltar a ler isto desde o princípio. Que chatice!

 

PS2 – “Caminhante, não há caminho, faz-se caminho ao andar.” Obrigado, António Machado.


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Domingo, 4 de Dezembro de 2016

O latoeiro de Vila Real (V)

Cultura que une -Vila Real - 14 de maio 2016 047 -

 


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Sábado, 3 de Dezembro de 2016

O latoeiro de Vila Real (IV)

Cultura que une -Vila Real - 14 de maio 2016 035 -

 


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Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2016

O latoeiro de Vila Real (III)

Cultura que une -Vila Real - 14 de maio 2016 024 -

 


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