Domingo, 30 de Abril de 2017

Cabo da Roca

Lisboa - Asenha do Mar, Praia das Maçãs e Cabo d

 


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Sábado, 29 de Abril de 2017

Cabo da Roca

Lisboa - Asenha do Mar, Praia das Maçãs e Cabo d

 


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Sexta-feira, 28 de Abril de 2017

Cabo da Roca

Lisboa - Asenha do Mar, Praia das Maçãs e Cabo d

 


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Quinta-feira, 27 de Abril de 2017

Poema Infinito (352): Outra espécie de ternura

 

 

A terra olha-nos como um desafio. Já o céu é outro. Enrolam-se os anos nas cordas. A verdade chega-nos pelos caminhos mais saibrosos. As Tábuas da Lei que Moisés tinha na mão caíram ao chão. Sonhamos com oliveiras e vemos nascer a lua. A bruma adensa-se junto ao cais. O veleiro interrompe os sonhos de espuma. O nevoeiro transforma a noite em infinito. As fadas dobam os seus novelos, fecham o sol dentro da gaiola, enloirecem os cabelos, marcam a idade do mar, lavam o corpo com o que resta das marés, envergam os seus vestidos mágicos, vestem quimeras e despem-se da maldade. Vamos ter de aprender a beber utopias, a percorrer as raízes mais fundas, a aquecer as sementes, a fazer germinar os pensamentos. Secam as folhas ao cair da tarde. Esquecemos a dor e a tristeza que choveu sobre o telhado. Alguém traz a luz que faz falta ao dia. O tempo cobre as ruas e as praças e as crianças explicam os números até se cansarem. Depois sorriem. O tempo cheira a maçã. A verdade serena o seu rosto. As horas passam como vultos que não esperam. A primavera acorda com os seus instintos pequenos mas ainda com apetite de cama. Nós conversamos sobre o livro neutro que comprámos. O instinto mandou na nossa nudez. A sua força é serena. Apenas os anjos andam revoltados, perdidos dentro da sua religiosidade sem sentido. Custa vestir a capa da humildade. Os ramos das flores fazem-me lembrar os teus braços. Conservo o seu cheiro. As recordações desfazem-se em fumo. As mãos afagam a lenta melodia do entardecer. As distâncias fazem-nos sofrer. Junto à janela da casa, uma ave lenta levanta as asas como se fossem lembranças. A dor do tempo é agora mais clara. Dentro da cidade, as saudades transformam-se em cisnes. Junto ao estuário, as fragatas parecem milagres que navegam entre as gaivotas. A claridade mistura os sonhos, as ruas parecem anciãos desconfiados. O sol aquece a roupa que seca nas varandas. Nas aldeias, os penedos ficam ainda mais tristes, mais embrulhados no abandono. A angústia é agora uma espécie de rio que não consegue desaguar. Vamos por cima de tojos e carquejas à procura dos fios de água. Ouvimos a mágoa cantar dentro dos espelhos da chuva. A tristeza amadurece dentro dos nossos rostos. Desejamos uma outra espécie de alegria. Até dos frutos azedos se consegue arrancar alguma doçura. O verde nasce inquieto dentro das folhas mais pequenas. Talvez temam a neve que promete cair no Deus Larouco. Vamos pelos campo fora ver as velhas maravilhas que sabemos de antemão: o milho verde a crescer, os ovos pousados nos ninhos, as ervas tenras, os bichos. Ouvimos o dia, uma nora perra a chiar, a melancolia dos cucos. As mulheres cantam não sabem que mágoa, debruçadas sobre a terra, mostrando o rosto aos bichos, colocando arbustos, mondando o tempo, plantando nos regos de água desejos e tormentos, pensando na vida, arrastando tristezas. Sabem que no inverno as fogueiras serão cercadas por invernias polares. Reparam então na luz do sol que se escoa por entre os dedos. Conservam a paciência das penitências, o perdão dos sentimentos, a tolerância das emoções, o desprezo pelas tragédias. Sabem podar as flores do engano, as árvores do equívoco, os arbustos do receio, as promessas de desejo que crescem dentro dos seus corpos. Sabem buscar a ternura onde ela existe. Com as pedras dos montes sabem construir os caminhos da salvação. Conservam a infinita esperança de descobrirem um Adão para compensar a sua virgindade.


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Quarta-feira, 26 de Abril de 2017

Na exposição

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Terça-feira, 25 de Abril de 2017

Cavalos no Barroso

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Segunda-feira, 24 de Abril de 2017

339 - Pérolas e diamantes: O dedo e a Lua

 

 

Arrelia-me e desconcerta-me a tacanhez e o desplante com que certa gente, e alguma rapaziada de esquerda, critica o Museu de Arte Contemporânea de Chaves. Até porque combater a arte é coisa fácil em meios provincianos. Parece mesmo que dá votos.

 

À falta de melhor argumento, ataca-se a cultura porque dá despesa. Quando oiço estas alarvidades, fico com os pelos em pé. Que até não são muitos, mas… são rijos.

 

Muitos nem sequer se dão ao trabalho de lhe fazer uma pequena visita. Argumentam que os bilhetes são caros, que o edifício custou uma pipa de massa ou que as obras de Nadir Afonso os exasperam. Ou, o que ainda é mais ridículo, que o presidente da Câmara é o António Cabeleira.

 

Fazem-me lembrar os pintores denominados Pré-Rafaelistas que, segundo, Hélia Correia, tinham tanta aversão a Rafael que falavam com desprezo da Transfiguração, chamando-lhe pomposa e antiespiritual, sem no entanto nunca para ela terem olhado.

 

Pelos vistos, não aprenderam nada com o exemplo do Centro Cultural de Belém, hoje a joia da coroa cultural de Lisboa.

 

Fica mal a gente séria e responsável tentar vender estes argumentos comprados aos ressabiados que lustram as cadeiras dos nossos cafés.

 

Depois engalanam-se com prosápia e enfeites argumentativos, tentando evidenciar uma desajeitada modéstia que aprendem sempre muito à pressa, pois as eleições impõem o seu calendário e o candidato anterior foi proveitosamente queimado pelas disputas intestinas dentro do partido.

 

São como os lobos que, a pouco e pouco, se vão orientando na direção de um novo líder da matilha.

 

Correm de um lado para o outro à procura da certeza, sem nunca a conseguirem alcançar.

 

Uma consciência limpa é o melhor travesseiro.

 

Parecem preiteantes mirando-se nas biqueiras dos sapatos estendendo gel pelo cabelo e puxando as mangas do casaco adquirido no Corte Inglês. Por vezes vestem os sucedâneos do burel para se disfarçarem de povo. Viciaram-se na crítica fácil e em criarem uma espécie de mal-estar permanente. Lutam contra as evidências e as emoções como quem luta contra os insetos.

 

Apreciam a regularidade da vida, se possível sem nenhum acontecimento particular. Até os domingos parecem incomodá-los.

 

Cada um faz o que pode. Os idiotas costumam fazer idiotices e os espertos, por vezes, fazem idiotices ainda maiores. Que Deus nos dê paciência.

 

São sempre generosos com a crítica e pouco dados ao elogio. Acham que um pensamento acaba sempre por achar um pensador.

 

A mediocridade é sempre penosa.

 

Aprenderão ao envelhecer que as coisas se tornam simples. E também que não vale a pena alterar os hábitos e os princípios apenas pelo prazer de se parecer moderno.

 

Creio que leram Jacques Lacan e acreditaram que quanto mais formos ignóbeis melhor nos correm as coisas.

 

Cito-lhes de graça Michel Houellebecq: “De qualquer maneira, o amor existe, uma vez que se pode observar os seus efeitos.”

 

Ou então Henri de Régnier: “A solidão não é possível senão em muito jovens, quando temos pela frente todos os sonhos, ou então em muito velhos, quando temos para trás todas as recordações.”

 

E termino com um velho provérbio chinês: “Quando o sábio mostra a Lua, o idiota olha para o dedo.”


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Domingo, 23 de Abril de 2017

Janela

São Sebastião Couto de Dornelas 2015 291 - Cópi

 


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Sábado, 22 de Abril de 2017

Eira

São Sebastião Couto de Dornelas 2015 287 - Cópi

 


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Sexta-feira, 21 de Abril de 2017

Garrafeira

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Quinta-feira, 20 de Abril de 2017

Poema Infinito (351): A comoção dos enigmas

 

 

 

O vento já enxugou o medo. Alguém acendeu as velas no meio da bruma. O pão quente fumega no tabuleiro. O oleiro arredondou a cantarinha. O eremita acorda acasalado com a sua solidão. As aves bebem a água nas folhas. Ao longe ouve-se o vento, as vozes e os chocalhos. A avó muge a Branca de Neve, antes de descer a calçada. A terra cheira a todas as estações. As mãos lavam o rosto e a alma, pegam nas cordas, mexem nos ramos das árvores. Planta-se o dia pelo meio do sabor a fumo. Cai do céu uma merugem sentimental. A manhã luze como se fosse água pura. Os olhos dão poesia às rosas, aceitam os prados, juntam o pão e os poemas. Nas searas sossegam as espigas. Na eira havemos de debulhá-las ao sol. O camponês envergonha-se de pronunciar palavras doces, farto que está das pedras, dos animais, das alfaias e das geadas. Revejo a vida na imprudência de uma lavandisca. Alguns versos são como regos, outros imitam o sossego do chão. Reza-se para que durante a segada não saltem as mãos aos ceifadores. O sobressalto toma conta de nós, gota a gota, grão a grão. Junto da fogueira, a nossa memória amorna. Já lá vai o inverno, a neve e a mocidade. No meio das pedras continuam a desabrochar as flores mais pequenas e mais belas. As mãos dos meninos enlevam o trevo e acariciam os rostos das suas mães que choram de alegria. Elas sentem o amor subir-lhes pela língua e apertam os lábios. Os raios de sol douram os besouros. O centeio começa a tombar, as pombas voam em círculos. Vejo ainda um toque de azul nos vidros frios das janelas viradas a norte. A escuridão desfez-se no aro da madrugada. O rio engoliu as estrelas. Os peixes tremem como anjos. Ontem aprendemos a cantar o tempo, a mágoa eterna, os anos cansados de outono, os braços que tomam a vida, as palavras que se expandem nos regaços das mães e a anunciação dos sonhos. Nem o riso nem a tristeza são aquilo que parecem. Os gestos mais claros são sempre mais breves. E o retrato antigo do poeta lá resiste de lacinho branco, vela trabalhada e sorriso fixo.  Olho-o no sonho e tento esquecer-me da brevidade das flores. Perdem-se os corpos e os aromas. O vincelho da morte a todos une. O estio virá de monte em monte sentir o desejo, a indiferença e a quietude do rio. Cresço dentro do meu vagar. A saudade reflete-se em mim como as estrelas num lago. A luz volta a alegrar as nuvens. Os pássaros voam para dentro das suas distâncias. As mães mondam as flores, recitam os versos das cartilhas, divertem-se branqueando o amor, acariciam os seus filhos com gestos puros. Esquecem as humilhações enquanto se penteiam, entoam canções de subterfúgios, calcam as sementes com o vestígio dos seus pés, como se dançassem uma cantiga de roda. Deixaram de estar presas às névoas, às intenções e às ofensas. Limpam o tempo e o desejo, lavram o amor, sacham o milho, regam a fertilidade, apaziguam as insinuações e aguentam os ciclos lunares. Comovem-se com os enigmas, tentam decifrar as almas e as horas de espera. Os seus olhares ficam compridos. Removem a tristeza e a terra com a enxada da persistência. Anulam a distância entre o dia e a noite. Acordo com o orvalho a turbar-me o olhar. De que me lembro? Tão grande é o dia como a romaria. Que raio de mania, colho sempre o meu ramo de flores nos silvados. 


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Quarta-feira, 19 de Abril de 2017

À porta

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Terça-feira, 18 de Abril de 2017

Reflexos

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Segunda-feira, 17 de Abril de 2017

338 - Pérolas e diamantes: É preciso ter fé

 

 

A beleza consegue ter um alcance infinito. Mas o mesmo podemos afirmar acerca da desgraça.

 

Dizem-nos descuidados. Sim, talvez o sejamos. Mas muitas vezes um cuidado excessivo pode transformar-se numa outra forma de descuido.

 

É bem verdade que a política caiu em desgraça. Não é uma coisa que se recomende a gente séria e honesta. Mas todos sabemos que se não vivermos a política é a política que nos vive a nós, ou vive por nós, ou além de nós.

 

Quem comanda o Estado é mestre em arranjar soluções ainda antes de ter arranjado um problema.

 

Intriga-me, e arrelia-me, o argumento do nosso país ter caído na ratoeira da dívida pública e da austeridade. A esses pergunto: Será que Portugal algum dia saiu de lá?

 

As pessoas que dizem que não temos escolha são é demasiado cobardes para escolher. Deixam correr a linha para endrominar o peixe.

 

Uma pessoa vai para a metrópole e começa logo a pensar em grande, a falar eloquentemente e a augurar enormes mudanças. Depois, quando volta à província, começa a magicar se a sua bazófia não terá inchado tanto como o ego.

 

A província é boa para criar filósofos. Dizem eles que somos servidores da nossa terrinha, que tanto amam, e nós com eles, nos feriados ou dias santos.  

 

Mas o ser humano é aquilo que é. Muita gente, mesmo no meio das grandes desgraças, prefere escolher o mal que já conhece em vez do bem que aprendeu a idealizar.

 

Apenas os tolos e os malucos continuam a sonhar.

 

Por vezes as guerras param porque os adversários se esqueceram das razões que os levaram a tal desatino. Outras vezes apenas ficam cansados de lutar.

 

Lembro-me do aforismo do marechal de cavalaria Budionny, o comandante preferido de Estaline: “Tanto me dá quem enfrento. Eu gosto é de golpear com a espada.”

 

Continuamos a ter uma visão infantil do mundo. Vivemos ainda segundo o abecedário. E o nosso professor é o presidente Marcelo Rebelo de Sousa. Não conseguimos amadurecer. Infantilizamo-nos. Pior, deixámo-nos infantilizar.

 

Estes últimos anos de crise económica, financeira e social, foram um duro golpe na nossa vida e na nossa imaginação. No nosso porvir. Começámos a sentir medo do futuro. Ensinaram-nos a viver com a carteira alheia e a pagar os juros da dívida com língua de palmo. 

 

Andávamos com a cabeça cheia de utopias. Dizem os sábios que se a fé na razão abandona o homem, na sua alma instala-se o medo, como num selvagem. O diabo, afirmam os versados, gosta de se ver refletido nos espelhos da irracionalidade.

 

O negócio mais rentável é o medo. Vendem o medo da bancarrota, da austeridade, do empobrecimento, da desgraça. Pouco mais temos para negociar no mercado mundial. Vendemos o nosso sofrimento para honrarmos os acordos monetários.  

 

Este mundo pós-modernista vende-nos o futuro na província em largos cartazes onde se podem ver uma vaca enfeitada com papel crepe guardada por uma velhota embrulhada em papel celofane.

 

E eu não sei se me hei de rir ou chorar.

 

Afinal onde está o fogo da política, a energia da polémica, a excitação da querela, a proclamação do amor pela humanidade e a luta de classes? Tudo se desvaneceu, eclipsado pelas nuvens do conformismo e da subserviência.

 

Acredito que a fé na verdade, na beleza e na benignidade da natureza humana é a forma mais elevada do bem. Por isso, agora compreendo o motivo por que o muçulmano Avicena, ao terminar um dos seus dias dedicados ao pensamento, se tratava invariavelmente com vinho e mulheres.


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Domingo, 16 de Abril de 2017

A vendedora de fumeiro

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Sábado, 15 de Abril de 2017

O sapateiro

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Sexta-feira, 14 de Abril de 2017

O barrosão

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Quinta-feira, 13 de Abril de 2017

Poema Infinito (350): Invocação

 

 

 

Invoco as escadas e os caminhos ainda por percorrer. O tempo fez de mim um poeta confuso que passa pela vida com a limpidez da corrente dos ribeiros. Os meus olhos são feitos de película de água onde a luz se contorce e onde as linhas secretas do voo dos pássaros se expandem. Até ao céu, a escada é altíssima. O horizonte possui a profundeza das lâminas. Os deuses continuam a exigir sacrifícios, a invocar a violência, a multiplicar as cheias, a descoordenarem os ritmos, a serem incapazes de descanso. Deles nasceu a inquietação perpétua, os seres feitos de chamas, o desejo intacto dos gestos, as imprecações descontínuas e as auroras locais. São as pequenas imprecações que nos enfraquecem a voz. A respiração modifica as paisagens, as almas correm através da luz que se escapa pelas portas. Já perdidos estão os pensamentos, os objetos e os corpos. Os cães fogem porque farejam a dor. Tudo o que passa nos modifica o pensamento. As paisagens são frágeis e os cânticos diferentes. Evoco as terras mais remotas, as tempestades mais assombrosas e a beleza mais adversa. Os estorninhos coroam-nos com os seus voos assombrosos. A gravitação vai abrindo o firmamento, a densidade aumenta, os sinais são cada vez mais longos. O tempo teima em desmontar o espaço. Os amigos são outra forma de arte. O silêncio desce sobre as macieiras. Os muros estão cada vez mais tristes. Os homens aproximam-se da sua solidão. As árvores parecem obstáculos à harmonia da paisagem. Na estrema dos campos demoram-se os animais. Alguns levantam-se devagar e assustam as aves. A tarde começa a fechar as flores. As abelhas zumbem em redor das cores, dos aromas e dos pólenes.  As divindades mais breves regressam às matas, repovoam os cerros, sopram as paisagens e põem-se a cintilar no interstício dos arbustos. O crepúsculo é uma bem-aventurança, uma melancolia perfeita. No tanque, as folhas tocam a água límpida. Este é o momento exato em que se tocam o silêncio e a solidão. O voo das andorinhas vaticina a melancolia desaparecendo a caminho do sul. Sossego no pátio das traseiras onde começam a morrer as pétalas das hortênsias. Os frutos abandonados apodrecem no chão. A força das sombras acentua o declínio do tempo. O esplendor teve a duração das vindimas. A saudade é cada vez mais lúcida. Ainda me lembro dos jardins cheios de gente, das bebidas frescas, dos risos inebriantes, do sussurro das brisas nas tílias e nas bétulas e nos cortinados imponderáveis das janelas. As raparigas brilhavam sentindo o desejo dos rapazes. O verão era perfeito vestido com o seu calor. Nessa altura já a minha sombra procurava a tua. As árvores mais altas têm tendência a inclinar-se ligeiramente. Amávamos o bairro, apesar da sua luz triste. Aprendi então a linguagem inerente ao desejo dos pássaros. Não mexíamos o corpo, apenas as nossas mãos voavam, desciam e subiam, incendiavam-se de paixão e prazer. Nas ruas agasalhávamos a solidão. A alegria era outra forma de imperfeição humana. Depois, os anjos começaram a escurecer, a inventar muralhas de água, a tingir de escuro as tardes, a educar as portas fechadas, a insistir nas pequenas violências, a estruturar a respiração, a modular as velocidades, a ascender ao deserto da exatidão. A luz expôs então os ferimentos da desilusão. Será que tudo pode acontecer de novo?


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Quarta-feira, 12 de Abril de 2017

O camarada

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Terça-feira, 11 de Abril de 2017

O artesão

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Segunda-feira, 10 de Abril de 2017

337 - Pérolas e diamantes: Uma limonada, por favor…

 

 

 

Não há nada como a realidade para nos fazer rir até às lágrimas.

 

Quando a República Islâmica do Irão começou a censurar as dobragens dos filmes e das séries apareceram então os grandes momentos do cinema americano em terras de Alá.

 

A meio de um filme de cobóis, um indivíduo todo ajaezado de americano do bom velho oeste, entrava no saloon, com os coldres ajustados na anca e dizia ao barman: “Quero uma limonada!” Então a barman, com a mão ligeiramente a tremer, servia-lhe um copinho de um líquido que o cobói emborcava de um trago, momentos antes de repetir: “Serve-me outra limonada!”

 

Os espetadores de televisão riam-se até lhes doer o estômago. Mas em casa, o mais longe possível dos guardas da revolução.

 

Longe também vão os tempos dos grandes romances que uniam ocidente e oriente. Dom Quixote, segundo os peritos, é o primeiro romance árabe. O primeiro romance árabe e europeu. Não é por acaso que Cervantes o atribui a Sayyd Ibn al-Ayyil, que ele grafa como Cide Hamete Benengeli. O primeiro grande louco da literatura universal dá-se a conhecer ao mundo através da pena de um historiador mourisco da Mancha.

 

Segundo uma das personagens principais do livro Bússola, de Mathias Enard, “dever-se-ia recuperar a Torre dos Loucos para nela criar um museu da loucura que começaria com os santos orientais loucos de Cristo, os Dom Quixotes, e incluiria não poucos orientalistas. Um museu da mistura e da bastardia.”

 

Loucos existem espalhados um pouco por todo o mundo. No Brasil existe, pelo menos, um que dá pelo nome de Marcelo Mirisola, que escreve, segundo Vitor Rosa, de “forma louca, libertária e ácida”.

 

O seu livro, O azul do filho morto, “possui a estranha alegria – ou a felicidade clandestina – daqueles que preveem a derrota de antemão”.

 

O seu alter-ego leva uma “vida de tatu filhadaputa”. Recusaram-lhe o seu primeiro original, intitulado Um pouco de Mozart e genitálias, fazendo-me recordar o já saudoso amigo e pintor Rui Rodrigues, artista dado também a esses temas. “Azar de quem recusou”.

 

Para ele, os editores, fora um seu que lhe paga umas cascas de alho por ele escrever o que escreve, são, além de outras coisas que deixo bem quietinhas nas páginas do romance, “analfabetos, cegos por opção, degenerados, mercenários e débeis mentais. Vale a mesma coisa pros jurados de concursos literários e pros poetas em geral”. Ele odeia poetas.

 

Pior do que poeta só “livro psicografado”, que lhe lembra um tal Emanuel, que é o espírito de um porco, “apenas não é mais covarde, tarado e mau-caráter do que escritor de livro infantil”, incluindo aí os escritores de manuais de autoajuda e livros policiais, pois “enredo é coisa de criança”.

 

Admite que foi batizado na Igreja do Calvário, entre exus e orixás, que sendo aquilo que são, mesmo assim são mais honestos porque admitem deliberadamente serem analfabetos, não escrevendo livros bem intencionados. “Sincretismo dá nisso.”

 

Admite que sempre disse que ser feliz é fácil. Quer ver é alguém “ser infeliz e abrir mão dos malditos orgasmos e do chocolate importado. Aí é que é preciso ter talento, bom humor negro e pessimismo… e não gozar jamais”.

 

Por mais que se esforce, e nisso eu junto-me a ele, não consegue perceber por que razão a “famigerada classe média desaprendeu de sofrer por causa da Tevê a cabo. E a tecnologia, no final das contas, acabou servindo pra caipira desalmado apertar botãozinho e escolher a pior programação”.

 

Também eu, como ele, acreditava nas canções de Simon & Garfunkel, e na sua pretensa “afinidade”. Mas foi tudo ilusão. Foi tudo do tamanho de um chiclete que depois de mastigado, sem tino nem destino, se deita fora.

 

Não entendam este escrito como um apelo à leitura do livro, pois a obra destina-se apenas a reservoir dogs. Até porque “se existe verdade é por descuido”.


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Domingo, 9 de Abril de 2017

Alturas do Barroso com neve

São Sebastião Couto de Dornelas 2015 351 - Cópi

 


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Sábado, 8 de Abril de 2017

No bailarico

São Sebastião Couto de Dornelas 2015 110 - Cópi

 


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Sexta-feira, 7 de Abril de 2017

Na conversa à lareira

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Quinta-feira, 6 de Abril de 2017

Poema Infinito (349): A obliquidade do desejo

 

 

 

Vou para além das aparências. Fujo do escuro de algumas almas. As verdadeiras máquinas humanas são devoradoras de instintos. Alimentam-se da pálida magia dos reflexos subterrâneos. São vítimas das suas antigas obsessões. A doença provoca sempre lábios de fogo. Noutros continentes, os povos adormecidos constroem enormes esconderijos. Procuram o sentido da vida na intuição do futuro. A sua memória revela-se entorpecida. Por isso abandonaram o litoral e agora habitam junto aos círculos de pedra. A mancha dos demónios é o sinal evidente de uma antiga presença. Interpretam as figuras através das mãos e os espíritos através dos olhos. O impulso criativo une os símbolos mais diversos e as palavras mais abstratas. O universo está repleto de objetos e imagens contraditórias. O brilho original contamina os gestos poéticos, os contactos físicos, as realidades essenciais ou as mais primitivas. O sentido geral do mundo é o acaso. Baixo a respiração, olho fixo a revelação do nada. Giro sobre mim próprio como se pretendesse acompanhar o movimento de rotação da Terra. Tento compreender o outro lado dos objetos, a parte mais longínqua e inacessível dos sentidos. Toco as palavras com os dedos, tento sentir a sua música implícita, o peso da sua acústica, as cores das suas infinitas combinações, o sentido da sua queda e da sua elevação dentro do meu cérebro até que os horizontes fiquem mais explícitos. As forças luminosas influem na mobilidade, integram a compreensão do mundo, perseguem a necessidade perfeita dos conflitos, buscam a transição entre identidades e a evolução breve das mariposas. São diversos os desejos das aves, dos répteis e dos insetos. Por vezes cai sobre nós o brilho uniforme do luar. Os nossos olhos assemelham-se a planetas. As noites ficam mais largas e estendem-se pelos estuários do nosso olhar. Ao longe ouvem-se os gritos da madrugada. Os cavalos relincham e batem com as patas no chão. Desviamo-nos então da realidade e o silêncio cresce nas margens dos sentimentos. O desejo aprende as palavras essenciais e a desmedida ambição poética de morrer ao crepúsculo. Com a idade, as distâncias ficam mais diluídas, as analogias mais defeituosas e as manhãs sofrem o estrangulamento da humidade. Tudo fica mais abstrato, até a vontade. As ausências enchem-se de excesso e de sombras. Protegemo-nos no suave torpor das palavras essenciais. O nosso amor continua impaciente. Deus vindima as uvas mais profanas, abre o mar, submerge a curiosidade e penteia as searas magnânimas. As suas frases divinas são como sussurros. Continua ávido de impossibilidades, de revelações estranhas, de marés desordenadas. Continua surpreendido com aquilo a que os humanos apelidam de metafísica. Há metafísica pessoana bastante em não pensar em nada. O poema ganha o movimento dos nossos lábios, o reflexo exterior da realidade, a direção certa dos textos mais simples, a expressão sincera do desejo do contacto, o excesso mais desconcertante da exatidão. A manhã ainda não nasceu e a humidade dos prados já começou a conjugar as neblinas mais vagas e os animais mais selvagens. O Rei Salomão continua perdido a percorrer os caminhos do amor e dos lírios. As planícies estremecem. O corpo e a alma tentam fundir-se. As divindades constroem precipícios. Eu, como um marinheiro sôfrego, navego no teu corpo e enalteço a obliquidade dos teus lábios.


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Quarta-feira, 5 de Abril de 2017

Na conversa

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Terça-feira, 4 de Abril de 2017

Casebre

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Segunda-feira, 3 de Abril de 2017

336 - Pérolas e diamantes: Tragédia e comédia

 

 

Uma quadra de Omar Khayyam reza o seguinte: “Fui à mesquita, roubei um tapete. / Muito mais tarde senti-me um malandrete. / Voltei à mesquita: o tapete estava roto, / Precisei de arranjar outro.”

 

Naqueles velhos tempos os tapetes ainda voavam pacificamente transportando jovens príncipes ou velhos sábios.

 

Depois começaram a voar mais alto e transformaram-se em enormes aviões que se arremessaram contra altas torres no império das américas. As mil e uma noites transformaram-se em horror.

 

Consumou-se mediaticamente o combate das civilizações, que mais não é do que a guerra das religiões.

 

Deus e Alá tentam provar qual deles é o maior.

 

Alá, de espada em punho e pela mão dos seus guerreiros-mensageiros, entretém-se a degolar infiéis.

 

Já Deus contemporizou na sua raiva e no seu ciúme e tornou-se o grande inimigo dos carneiros.

 

Ainda nos perguntamos por que medonha razão, ou objetivo divino, resolveu trocar, no momento do sacrifício, o filho de Abraão por um cordeiro e não por uma galinha, um grilo, uma gipsófila ou um cravo vermelho.

 

Dessa sua divina opção resultou a enorme perseguição aos ovinos por séculos e séculos. E ainda hoje se mantém, com o sucesso que todos conhecemos, e prosseguimos. O cordeiro pascal é ainda a nossa forma de celebrar a ressurreição do seu filho.

 

Por falar em animais, não se sabe ao certo por que razão o homem se afeiçoou aos cães. Sabemos que Wagner leu “O Mundo Como Vontade e Representação” de Schopenhauer em setembro de 1854, precisamente no momento em que começa a compor Tristão e Isolda. Um dramalhão que dá seguimento ao mito dos amores pecaminosos e terríveis que apenas podem terminar em morte.

 

Dizem que Schopenhauer nunca amou ninguém como amou Atma, o seu cão. Contam também que o filósofo alemão nomeou o seu cão herdeiro universal.

 

A loucura não é apenas coisa de deuses. É também privilégio dos humanos.

 

Álvaro de Campos, essa criatura criada pelo semideus Pessoa, tenta seguir Apollinaire, que era amante do Oriente e de paquetes e que também fumava ópio, misturando drogas e viagens.

 

Na sua bíblia, que um amigo me ofereceu em dezembro de 1983, com uma dedicatória de Álvaro Cunhal, este um semideus do comunismo, leio no Opiário: “É antes do ópio que a minha’alma é doente. / Sentir a vida convalesce e estiola / E eu vou buscar ao ópio que consola / Um Oriente ao oriente do Oriente.”

 

Afinal é de lá que nos chega tudo aquilo que somos. Para o bem e para o mal. Valha-nos Deus, o divino pai de Jesus, o salvador e Alá, o misericordioso, e Maomé o seu profeta dileto.

 

O problema foi quando os deuses nos começaram a fazer favores. Thomas Bernhard ouviu-os e resolveu registar uma sua frase célebre: “As pessoas vingam-se dos favores que lhes fazemos.” Não sabemos é se o divino autor do desabafo foi Alá, o misericordioso, ou o divino Deus da cristandade. Seja quem seja, a confissão aí ficou como aviso.

 

A condenação caiu sobre os artistas europeus, em forma de tuberculose, a maleita pública e social, ou sífilis, a doença íntima e vergonhosa.

 

Primeiro alinho os tuberculosos mais conhecidos: Rimbaud, Gauguin, Goethe, Miguel Ângelo, Brahms, Picasso e Hesse.

 

Agora os sifilíticos: Nerval, Van Gogh, Rückert, Proust, Roth, Musil e Hesse, que era ambas as coisas. E muito provavelmente Beethoven, daí a sua surdez, e a quem descobriram outros males: hepatite e cirrose.

 

E Pessoa também tinha muitas doenças. E adições. E ainda por cima amava a poesia de Khayyam. Este parece ter sido feito depois de beber uns copos e de ler algumas quadras do poeta persa: “Ao gozo segue a dor, e o gozo a esta. / Ora o vinho bebemos porque é festa, / Ora o vinho bebemos porque há dor. / Mas de um e de outro vinho nada resta. “

 

Que os deuses nos apanhem confessados.


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Domingo, 2 de Abril de 2017

Senhora das Brotas - Chaves (X)

Brotas e Barroso - abril 2016 107 - Cópia.JPG

 


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Sábado, 1 de Abril de 2017

Senhora das Brotas - Chaves (IX)

Brotas e Barroso - abril 2016 086 - Cópia.jpg

 


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