Segunda-feira, 31 de Julho de 2017

353 - Pérolas e diamantes: O fuso da Branca de Neve

 

 

 

Não é fácil crescer pobre, pois é-se impregnado de uma característica aguda que os homens letrados denominam como prudência. Aprende-se que o altruísmo não passa de um ramo de flores ornamentais. O que importa é lavrar o terreno que sobra para criar os alimentos. É como se a sensatez fosse uma desordem excecional.

 

A pobreza moderna é como um pai inflexível: castiga com os olhos.

 

Por vezes encontra-se um trevo de quatro folhas e pensamos que nos foi enviado para dar sorte. O meu perdi-o antes de chegar a casa.

 

Os passeios pelo campo e os amanhãs que cantam (cantavam?) são boas imagens para a escrita.

 

As coisas imaginárias são belas, mas têm um problema: dissipam-se porque são sonhos.

 

Por vezes confundimos tudo. Podemos até confundir as ideias, mas nunca devemos confundir os ideais. 

 

Winston Churchill bem nos avisou que há pessoas que mudam de ideias para não mudarem de partido e há pessoas, como foi o seu caso, que mudaram de partido para não mudarem de ideias.

 

Por isso se costuma confundir experiência social e política com o que afinal não passa de passes de prestidigitação.

 

Claro que os homens que nunca mudam de partido, e mudam frequentemente de ideias, afirmam, sem pestanejar, que são gente de verdade, gente responsável, de bom senso e coerente.

 

Um meu amigo, sempre que lhe lembram que vivemos num sistema democrático, responde sem vacilar: “Em política, só é preciso mentir com convicção.”

 

Desde pequeno que me quiseram fazer acreditar em anjos. E mesmo amá-los. Estou em crer que desiludi quem tanto persistiu na fantasia. A mim, o que me fascina, são os homens e as mulheres que são capazes de levantar voo.

 

 

Pensa-se que o mérito é um mistério. As grandes novidades da humanidade aparecem sempre sugeridas pelas falhas do que se denomina por progresso. Mas as palavras não conseguem amortecer as quedas. Por incrível que pareça, a humanidade continua envolta num jogo de extermínio.

 

Eu sofro da doença da dúvida. Outros preferem forçar o real para que se ajuste às suas conceções. Feitios. A cada um a sua mania.

 

Afinal, a salvação é o estado mais alto da poesia. Alguns, no entanto, confundem impotência com amor e escrevem poemas de adultos como se fossem crianças. A cobardia afasta-nos (afasta-os?) da dimensão da verdade. A mediocridade é uma erva daninha que se disseminou como os cravos vermelhos na alvorada tosca de Abril.

 

A minha mãe ensinou-me que não devemos fazer aos outros o que não queremos que nos façam a nós. Isto também é válido para os outros. Esses outros que se pensam uns. Esses outros que são presas fáceis do ciúme, da inveja e da má-língua. Foram ensinados ao som da sinfonia da desordem, do caos e da conspiração. E da hipocrisia.

 

Deixaram-se apanhar pela doença da intimidação. Pensam que nela adquirem o grande poder da linguagem. Mas são apenas gagos falando num comício de surdos.

 

De facto, as suas antevisões de um futuro risonho, do qual se dizem profetas e obreiros, apenas correspondem a um imaginário de criança.

 

Conspiraram para impossibilitarem o triunfo do líder dos seus porque eram os segundos na fila da sucessão. Giram estonteados em volta de si mesmos. São como os cães que perseguem a própria cauda.

 

Costumam interpretar, porque lhes interessa, o trabalho persistente e a independência de espírito como arrogância. Pensam sempre em frente do espelho. Espelho meu, espelho meu, haverá líder mais bonito do que eu?

 

Parecem a Alice no país da intriga. Vivem o fenómeno político e social como sonâmbulos das boas causas e dos melhores efeitos. O diploma que exibem como válido corresponde apenas ao curso partidário das universidades de verão que angariaram tendo em vista iludirem os incautos.

 

Sofrem da síndrome da Branca de Neve, dormem durante quatro anos decididos a acordarem ao fim desse período de tempo, e até dispostos a acordarem o povo, sem se darem conta de que quem dorme são eles mesmos. O povo já lá vai à frente. O povo levanta-se sempre cedo para ir trabalhar. Além disso, ninguém consegue ser ao mesmo tempo a bela dormente e o príncipe encantando. Nem nas histórias infantis.

 

Nesta história de sonâmbulos o beijo é mesmo o do Judas.

 

Gosto de os ver andar nos carrocéis do poder. Sempre às voltas, sentados no cavalinho de pau, imaginando-se os napoleões das suas tribos.

 

Sim, acho que merecem alguma coisa, que o povo lhes ofereça um pauzinho com algodão doce e os presenteie com uma nova ficha para poderem continuar a rodopiar em vão, agora montados na girafinha de plástico ou num pónei amarrado a um poste. 

 

A hipocrisia deve ser recompensada.


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Domingo, 30 de Julho de 2017

Na aldeia

Barroso - abril 2006 081 - Cópia.jpg

 


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Sábado, 29 de Julho de 2017

Na aldeia

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Sexta-feira, 28 de Julho de 2017

Na aldeia

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Quinta-feira, 27 de Julho de 2017

Poema Infinito (365): As velas ininterruptas

 

 

As colunas de ar sorvem as partículas magnéticas do tempo. Alguém dança com o rosto mascarado de luz. Os dedos estremecem. As sombras gritam. A vida continua misteriosa, repleta de animais selvagens, com o coração rasgado batendo por dentro dos sentimentos. Os gritos fervem dentro das panelas. As frases transbordam dos livros. Dentro dos olhos, dobram-se os espelhos e as arestas do tempo amadurecem. As raparigas dançam revoluteadas pela luz, enfloradas pelas rosas, arrancadas pela raiz. E sangram. As raparigas sangram sempre. Os seus corpos iluminam-se como se fossem anjos crucificados em postes de eletricidade. A sua fúria tem a dureza dos diamantes. O desejo fica turvo e a carne é atravessada por sonhos de ritmos e noites de água e montanhas e árvores que choram. As montanhas crescem e dentro delas os animais aligeiram-se. Distingue-se agora a noite e as pupilas bruscas do furor. A carne treme depois do coito. A morosidade sai de dentro do sono. Os rostos embranquecem, a temperatura difunde-se pelos feixes dos sentimentos mais secretos. Vibram os tendões. O toque é nitidamente zoológico, sem doçura nem inocência. A noite estremece. A luz ferve do outro lado. Os lugares somem-se uns dentro dos outros. Iluminam-se as paredes. Os anjos pintam os sexos com a força do desejo e sopram átomos para o seu âmago. Acendem-se os cabelos, faíscam os corpos. Visitamos os territórios fechados da volúpia, a sua ofuscante jubilação, o entusiasmo branco dos orgasmos. Somos possuídos por visões e mistérios e idiomas imaculados. Os sentimentos têm agora uma doce aptidão doméstica, enchem-se de delicados arco-íris e voam como mariposas bruxuleando de sono. Os anjos brilham como pirilampos radiativos, possuem a voz de Hiroxima. Até a palavra Deus ficou calcinada. Meu amor, Hiroxima? Ouve-se a música do apocalipse. Alguém pinta o inferno. Ardemos numa espécie de inocência. Este é o nosso modo de ir para longe. As flores ardem nas campânulas. O horror verga os espelhos. O mundo fica cheio de linhas ferozes. Das gárgulas nunca jorrará a claridade. Olhamos o mundo do outro lado da porta. Os pais, as mães e os filhos dormem sob a luz das canções difíceis. Estremece o medo pelo excesso das imagens de sofrimento. Auschwitz é um serão de pedra… arbeit macht frei… A manhã estremece de medo. Arde a carne, a seiva excessiva das imagens, a respiração do frio, da fome, do medo e do sangue. Exalamos o Gulag e a respiração gelada de Soljenitsin. Plantamos a fome dos livros nas estantes, lá no cantinho mais distante. Fechamos então a porta. As crianças vibram como loucas, estuam nas suas danças. O suor alaga-lhes os membros. Ficam crispadas como se fossem ecos eternos. Desejam ainda ocupar o sítio dos cometas. São como rosas mudas. Trazem dentro de si a praga dos crisântemos tardios. As vozes do mundo metem-se pelos tubos. O ouro chega às espigas. As cigarras crescem no meio das pedras. As palavras supérfluas empurram-se umas às outras. A poesia também pode ser uma dor que não dorme nem deixa dormir. As crianças mais antigas repousam dentro dos retratos sem luz, são como blocos de pó ligados à morte. Limpamos o sal da boca e abraçamos o mármore frio. Ouvem-se vozes lá ao longe, ininterruptas, assombradas. Contemplativas. A beleza continua seduzida pela ideia de devorar a lei da desordem e do caos. Os filhos continuam a escrever às mães com os seus rostos iluminados e ardem como se fossem velas ininterruptas.


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Quarta-feira, 26 de Julho de 2017

Na aldeia

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Terça-feira, 25 de Julho de 2017

Feira dos Povos - Chaves

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Segunda-feira, 24 de Julho de 2017

352 - Pérolas e diamantes: Diversão e cultura

 

 

Há por aí gente dita importante que possui o complexo de Sansão: fazem desmoronar o templo à sua volta. Sei que são capazes de organizar coisas complicadas. Mas não tenho a certeza de que possam organizar coisas simples. São até capazes de decidirem uma questão antes mesmo de pensarem nela.

 

Qualquer pessoa que queira ter influência sobre o que se passa à sua volta tem de ser, em certa medida, um oportunista. Mas a verdadeira distinção existe entre aqueles que adaptam os objetivos à realidade e aqueles que procuram moldar a realidade à luz dos seus objetivos.

 

O negativismo tem de acabar. É necessário gerar algo de positivo porque se não teremos de ficar por aqui como guardiões do caos. E para sempre. Alguns dos laços ligados às convenções já pouco significado têm. Devemos julgar os homens pelos seus méritos. O poder não pode ser um fim em si mesmo.

 

Até se compreende a ambição e a cobiça, mas os verdadeiros farsantes misturam a irresponsabilidade e o diletantismo. E isso acaba por ser obsceno.

 

Quando alguém emana uma postura serenamente autoritária, devemos sempre reparar para além da capa superficial, pois quase sempre existem pequenas fissuras que nos revelam outra pessoa menos edificante.

 

Os partidos são hoje, mais do que nunca, uma agência distributiva de favores em troca de consenso. Os ideais, pobres coitados, fazem já só parte do mobiliário. Não há pior maldade do que a superficialidade.

 

George Steiner tem razão: vivemos numa cultura de piedade elegante, pois estamos sempre a pedir desculpa e a dizer quão profundamente os acontecimentos nos afetam, sem nada fazermos para alterar o estado atual das coisas.

 

Mas um bom pensamento acaba sempre por encontrar um pensador. A cultura não é só o somatório de distintas atividades, é mesmo um estilo de vida. Os consumidores limitam-se a ser consumidores de aparências.

 

Vivemos num tempo cultural onde a semântica incorporou a incultura disfarçada de cultura popular.

 

Hoje já não há ninguém inculto. Somos todos cultos. Já ninguém sabe verdadeiramente o que é cultura. Tudo o é e já nada o é. Vivemos no meio desse paradoxo.

 

Muita da gente que nos vendem por culta não é séria. Divertem-se a jogar com as ideias e as distintas teorias. São como artistas de circo que jogam com cilindros, lenços e cartas e nos divertem e até nos maravilham quando tiram coelhos da cartola. Só que não convencem.

 

Vargas Llosa tem razão. Na civilização do espetáculo, infelizmente, a influência que a cultura tem sobre a política, em vez de exigir que mantenha certos padrões de excelência e integridade, contribui para a deteriorar moral e civicamente, estimulando o que possa haver nela de pior, por exemplo, a simples farsa.

 

O atual ritmo cultural dominante vai substituindo as ideias e os ideais, os debates intelectuais e os programas culturais pela publicidade e pelas aparências. É o jogo do faz de conta.

 

A raiz do problema está na banalização lúdica da cultura predominante. O valor supremo é agora a diversão. As pessoas abrem um jornal ou ligam a televisão ou até se atrevem a comprar um livro para passar o tempo, no sentido mais corriqueiro do termo. Detestam martirizar o cérebro com preocupações, dúvidas e questões mais difíceis. Pretendem apenas distrair-se. Querem esquecer-se das coisas sérias, profundas, preocupantes. Entregam-se nas mãos dos devaneios leves e agradavelmente superficiais, que a seu ver são saudavelmente estúpidos.

 

Van Nimwegen estudou os efeitos da internet no nosso cérebro e nos nossos hábitos e concluiu que confiar aos computadores a solução de todos os problemas cognitivos reduz “a capacidade dos nossos cérebros para construir estruturas estáveis de conhecimento”. Ou seja: quanto mais inteligente for o nosso computador, mais parvos seremos.

 

Só as boas leituras fazem com que a nossa memória arrecade a memória do tempo. De outra forma é impossível.


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Domingo, 23 de Julho de 2017

No Barroso

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Sábado, 22 de Julho de 2017

No Barroso

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Sexta-feira, 21 de Julho de 2017

No Barroso

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Quinta-feira, 20 de Julho de 2017

Poema Infinito (364): A brevidade da sedução

 

 

 

O campo impõe-me o redemoinho infinito do desassossego. Todo o fim contém a sua porta de entrada. Também o Éden possui o seu portão secreto. As fontes do futuro alimentam o tempo enquanto os galos anunciam a alba. Os ventos mais capazes acariciam as flores. Continuamos a sentir o apocalipse das emoções. Tentamos medir a paixão, o deslumbramento das estimativas, o difícil fascínio da devastação. Todos os deuses são desconhecidos, todas as palavras respiram, todas as palavras amam e as mais certeiras podem mesmo chegar a matar. Os céticos contentam-se com radiografar os sentimentos e babá-los com promessas. A terra move-se desde antes de Galileu. Interpõe-se agora a noite com o seu silêncio frio, com a sua verdade espiralada, com a sua quinta dimensão. O esplendor cresce no meio das nossas mãos dadas. Desenhamos os gestos e as metáforas como outrora o fazíamos: a gratidão como um caminho retilíneo, a claridade como um manto resplandecente, os anjos como círculos quebrados, as máscaras como cenários vazios. Os elogios não podem ser lamentos, os beijos não devem ser adjetivados, nem o amor pode ser uma antologia da brevidade. Todos os dramas possuem a mesma raiz, a mesma memória silenciosa, a mesma forma de esquecimento. Deus desenhou sempre o mesmo ponto de fuga para a perspetiva celeste do coito interrompido. E soube concretizar o seu sacrifício, impor a sua insatisfação, dominar a frustração e evocar a traição da ejaculação precoce. O seu frio cósmico esgotou a beleza do erotismo. Vim-me com a sedução perene, vou-me com o desejo intacto. Continuo a beber declarações de amor, a escolher os beijos, a encolher as ereções, a sonhar com as divindades femininas, com as fitas multicolores das festas, com a elevação das palavras ocultas, com os mais insólitos coitos, com as penetrações mais absolutas. Por vezes sou atravessado pelo princípio da destruição. Multiplico as epifanias como se fosse um pastorinho de Fátima. Devolvo os beijos e os júbilos e os pecados e as absolvições. Levantam-se do chão as mensagens mais densas como se fossem aves de arribação. A sedução é como um sismo. Eu, por precaução, deixo-me ficar quieto. São tantas as palavras que, para não me afogar, me abraço ao teu corpo como se ele fosse uma boia. Desfaz-se a luz enquanto me envolvo nos teus braços. As estrelas insatisfeitas são as que mais me atraem. Saem mariposas dos teus olhos acesos. Eu tento organizar o caos. A luz ideal para cruzarmos os nossos corpos é a do crepúsculo. Seduz-me a linha semântica do teu sexo, a sintaxe dos teus beijos mais profundos, o tempo possessivo dos teus orgasmos. A realidade é outra escala de grandeza. Estendo as mãos num ritual de purificação, o tempo aparece do outro lado do espelho. Apesar de tudo, continuamos a acreditar no batismo das pombas, na virtude dos anjos, no futuro das amizades, no cúmulo da sedução, na cumplicidade dos cometas, na adjetivação da importância, no oceano das incertezas, nas pontes que ligam as margens da transcendência, nos coros dos anjos, na lamentação da violência, nas danças subversivas, nos cânones da alegria, na expansão das utopias, no advento das manhãs que cantam, nos dias que choram por dentro, e nas épicas posições dos dançarinos de tango. Jesus, como é bonito o Coliseu de Roma.


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Quarta-feira, 19 de Julho de 2017

No Barroso

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Terça-feira, 18 de Julho de 2017

No Barroso

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Segunda-feira, 17 de Julho de 2017

351 - Pérolas e diamantes: O carro à frente dos princípios

 

 

 

Eu sou daqueles que consideram que tem de existir o primado do fator moral sobre o aspeto material.

 

Podem denominar este meu convencimento como romântico e excêntrico, mas eu penso que na política, tal como em qualquer outro domínio da atividade humana, o caráter, os valores e as convicções são pelo menos tão importantes como os outros fatores descritos, em termos gerais, como “económicos”. 

 

Mesmo as melhores leis, e até a legislação mais progressista, não valem sequer a tinta com que são impressas se as qualidades morais dos homens que têm de as aplicar forem duvidosas.

 

A inteligência e a mera perfeição técnica dos métodos de pensar e analisar não são os únicos – nem sequer os mais elevados – valores universais.

 

Brincar com a inteligência, sem convicções profundas, sem crença e sem autodisciplina, pode levar a que a nossa civilização esteja condenada provavelmente ao declínio e até ao desaparecimento.

 

Muitos dos nossos “brilhantes” universitários que enxameiam o espaço político são tolos sofisticados que se limitam a serem ensinados. Revelam-se céticos em relação às opiniões e ingénuos quanto aos factos que se limitam a engolir de forma acrítica, quando devia ser precisamente o contrário. Daí o primado da tecnocracia e do “economês”.

 

Há gente que para dizer alguma coisa espera até poder dizer tudo, acabando por não dizer nada.

 

As pessoas influentes ensinam pelo exemplo e não pelo dogma, porque representam os valores, em vez de os demonstrarem.

 

A distinção entre velhaco e herói continua a fazer-se menos pela sua ação do que pela sua motivação e isso, quer queiramos, quer não, contribui para a erosão das nossas restrições morais.

 

É necessário reforçar o consenso moral, sem o qual a função humana perde todo o sentido.

 

A sinceridade no debate público continua a poder ser medida em “decibéis”. E a verdade está a preço de saldo.

 

Ensaia-se a quadratura do círculo, tentando cada um representar tantos pontos de vista diferentes quanto possível. O que leva ao grau zero da diferença. E sem diferença, não existe verdade e muito menos democracia autêntica.

 

Cada um tenta imitar a aparência rococó, complexa, esculpida a golpes de computador, mas superficial, como pedras semipreciosas elaboradamente cortadas.

 

Os seus discursos são como balões cheios de hélio, feitos para subir e perderem-se no éter, pois colocam sempre pouco em jogo.

 

Aprenderam com a lei de Sayre: "Em qualquer disputa, a intensidade do sentimento é inversamente proporcional ao valor das questões em jogo".

 

A mim parecem-me o teatro kabuki. Ou então atores de teatro amador, nunca conseguindo livrar-se do característico papel de vilão shakespeariano.

 

Falam, e insistem, na necessidade da escolha, mas, para nossa desilusão, não apresentam nada para escolhermos. Nem propostas, nem carisma, e muito menos ideias. Escondem-se atrás do seu putativo charme exposto em cartazes (a)berrantes, que mais não são do que a extensão do seu ego.

 

Quando as minhas informações mudam, altero as minhas conclusões.

 

O segredo da independência está em agir independentemente. Uma pessoa pode nem sequer ter como objetivo o êxito. O melhor é seguir a lei da vida e não partir do princípio de que as coisas se saiam bem.

 

Só quem não faz cálculos é que possui a liberdade que os distingue das pessoas mesquinhas e os torna imunes às vigarices.

 

Não podemos exigir a perfeição antes da ação. Não podemos querer ser todos iguais.

 

As pessoas já conseguem distinguir atividade de ação. E preferem sempre a segunda.

 

A forma do futuro não é automática. O futuro é constituído pela visão, a ousadia e a coragem do presente.

 

O que o compromete é colocar as conveniências acima dos princípios.


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Domingo, 16 de Julho de 2017

Na aldeia

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Sábado, 15 de Julho de 2017

Na aldeia

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Sexta-feira, 14 de Julho de 2017

Na aldeia

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Quinta-feira, 13 de Julho de 2017

Poema Infinito (363): Meditação crepuscular

 

 

 

Cai-me nos olhos a sossegada e monótona paciência da água. O horizonte fica redondo, expondo cintilantes círculos e deixa-se abraçar. O percurso da paixão é longo e construído sobre os escombros sólidos das construções mais antigas. As nossas metamorfoses são incessantes. Respiramos os nomes e suspiramos beijos. Os odores mais profundos possuem a insolência do pólen e a identidade do mar. O tempo desmorona-se e renova-se a cada instante e irrompe pelo meio das grandes massas do universo. A frescura dos segredos fica mais violenta e transforma-se em fonte plácida. O planeta azul fica mais melancólico, expondo a materna abundância dos desejos. Os corpos retemperam-se, as fábulas regeneram-se, a terra fica mais pesada, as portas do desejo mais espessas. A nudez reconhece a seda e a seda reconhece as curvas do teu corpo. A ternura recupera da sua embriaguez, desperta do seu sono. Continuo a procurar o segredo da lentidão materna, a sua equivalência volúvel, o ritmo indecifrável da leveza dos sopros, a melodia vaga do adeus, a frescura imensa do azul. O fogo nasce no meio das pernas, encostado ao púbis, surge como uma pancada leve, nomeando lábios e ereções e silêncios densos que são como sombras. Oiço a terra, o vislumbre ténue das tuas pálpebras, o frémito redondo dos orgasmos, o gérmen da luz, o esplendor repousante dos subterrâneos, o desejo das mariposas, o mistério puro da transparência, a magia oceanográfica de todos os nomes, a nudez clara e enigmática do teu corpo, todas as evidências, todos os deltas do desejo, a obstinação doce e insaciável do prazer, a expansão das partituras de Bach, os prismas ramificados das caudas dos pavões, as evidencias mais perdulárias, a multiforme dança do desejo, o êxtase dinâmico da sedução, as penetrações mais minuciosas. A verdade expande-se, divide-se e ramifica-se. Os amantes projectam o seu mundo, o deslumbramento da sua energia e das suas evidências. O desejo dança. O desejo deseja-se. O desejo consome, dilata-se e esgota-se. As diferenças assemelham-se, as distâncias libertam-se, os volumes incendeiam-se. A cabeça do universo acende-se. Procuramos lucidez no sono e nos sonhos. As pálpebras acendem-se como linhas lúcidas. Um silêncio voluptuoso toma conta dos montes. As surpresas são mais lúcidas, as palavras mais vagas e o amor mais ténue. As nuvens surpreendem-nos com a sua vaga monotonia. Aprendemos a voluptuosidade com a lentidão do mar. Adormecemos envoltos na lucidez dos amantes. É vagarosa a luz. Os corpos cintilam. A matéria encontrou o seu ritmo e a sua integridade. A germinação do futuro é irrevogável. Os enigmas precisam de mediação. As texturas do tempo ficam mais secretas. Comovemo-nos com a fragilidade essencial dos seres humanos. O sossego convida a nova fuga. A noite fica negra como se fosse um diamante raro. A virgindade continua a ser o supremo elemento de defesa. A brisa fica mais flexível, as falésias mais abismadas e o rio mais tranquilo. Todas as paisagens são divididas segundo o princípio de individuação do ser e construídas tendo em conta a sua integridade solar. O crepúsculo já começou a construir novas torres de luz e sombra plenas de tranquilidade. Regressou o momento de meditar.


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Quarta-feira, 12 de Julho de 2017

Na aldeia

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Terça-feira, 11 de Julho de 2017

Na aldeia

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Segunda-feira, 10 de Julho de 2017

350 - Pérolas e diamantes: A alegria e o descontentamento

 

 

Cai tal chuvada de informação em cima de nós que parecemos aqueles cábulas que nos exames, em vez de pensarem por si mesmos, se limitam a transcrever as respostas que lhes são sopradas. É só ruído. A nuvem de informação é avassaladoramente irrelevante. Já nada é verdadeiramente genuíno. Limitamo-nos a ser o eco uns dos outros.

 

A religião da indiferença é agora universal. Como tudo interessa, já nada interessa.

 

Erich Maria Remarque costumava dizer que são sempre as pessoas erradas que ficam de consciência pesada quando algo corre mal. Aquelas que realmente causam sofrimento e enganam o mundo não se importam com isso. Só as que lutam pelo bem é que são consumidas pelos remorsos.

 

Desde cedo aprendi que as emoções raramente respeitam as leis da perspetiva que regem a memória. Só a prática dá perspetiva. A perspetiva da sabedoria que, reconhecendo a trivialidade das preocupações juvenis, se recusa a subestimar a dor que lhe está inerente.

 

Ensinaram-nos boas maneiras e a trabalhar como escravos, que dependem de uma segunda leva deles que, por seu lado, se impõe a um terceiro recrutamento. Estamos entorpecidos pela engrenagem.

 

Quando tomamos consciência do embuste, apercebemo-nos que estamos estourados, que pouca gente nos valoriza, que ninguém nos irá recompensar e que nem sequer têm tempo para nos escutar. Cada um cava a sua toca, o seu buraco. A sua indiferença.

 

E depois chegam as contas para pagar: o selo do carro, o IMI, o IRS, o seguro da casa e do carro, o empréstimo do carro e da casa, mais uns pneus, a gasolina ao preço do ouro, mais uns óculos para a miopia e o astigmatismo, os medicamentos para a tensão, o colesterol e a diabetes…

 

E ainda o dinheiro para o condomínio, para a água ao preço da gasolina e para roupa. E também para o peixe e para a carne e para os legumes e para a fruta e para os iogurtes e para o dentífrico e para o desodorizante e para a água-de-colónia e para a pilha do relógio e dos comandos dos eletrodomésticos e para a substituição da máquina de lavar loiça que avariou, depois de ter avariado a máquina de lavar roupa, e para a substituição do frigorífico, que já só produz gelo onde não deve, e para a TV cabo e para o telemóvel e para o iphone e para o tablet e para o cartão de memória da máquina fotográfica e para uns auscultadores e para umas sapatilhas e para um fato de treino…

 

E também para o peditório da Liga dos Animais Abandonados, para a Cruz Vermelha, para a Liga Portuguesa Contra o Cancro, para o Banco Contra a Fome, para as Mães Solteiras, para os Alcoólicos Anónimos, para os Bombeiros, para Liga dos Amigos do Hospital…

 

E os descontos para o CGA, e o IRS, à cabeça, a ADSE, e os seguros ainda não incluídos noutras parcelas…

 

E também para o FMI, o BCE, o BCP, a CGD, o BCI e para, como dizia o meu avô, o caralho que os foda a todos, pois já não há paciência para esta sociedade de consumidores escravos e eleitores pedintes e doutores pelintras…

 

A nossa essência está em sermos senhores e senhoras bem-parecidos. Nada nos destaca uns dos outros. Contentamo-nos em ser nada. E por isso sorrimos.

 

Mas o que eu queria era estar num sábado do nosso contentamento, num baile dos bombeiros, a ver o conjunto do Agostinho a montar a aparelhagem e a dispor os instrumentos e a seguir a tocar muitos slows e depois a ver chegar as meninas solteiras acompanhadas pelas mães e pelas tias e pelas primas e pelas irmãs e pelas amigas e também enxergar os rapazes amigos de mãos nos bolsos das calças à boca-de-sino e de apoiar a coragem dos mais aventureiros em seguir com o olhar as raparigas mais vistosas e de lhes perguntarem se alguma delas deseja dançar…

 

E de seguir a aproximação dos corpos e o cruzamento dos olhares e os gestos. E de ver as raparigas sorrir muito e de as ver ganhar confiança. E eu com elas, a ganhar também a dita, e a arranjar coragem para avançar…

 

E de, finalmente, nos encostarmos e de nos apalparmos como se fossemos gatos tímidos…

 

E de sentir, com vergonha e embaraço, o pénis a enrijecer e os mamilos dela a endurecer por debaixo da blusa. E, quando me encho de coragem, roubar-lhe um beijo…

 

E as mães, embaraçadas, a desviarem o olhar para o outro lado.

 

O tempo passou. Mais um ano letivo chegou ao fim. O trabalho é cada vez mais difícil de suportar. Muito trabalho para quase nada: planificações, fichas, testes, metas, relatórios, projetos, avaliações, atas, que não atam nem desatam nada… trabalhos kafkianos… não trabalhos… canseiras… desvarios… visitas de estudo… reuniões constantes… e conclusões poucas ou nenhumas.

 

Já tudo me pesa, a idade, a demagogia insultante e… sobretudo a hipocrisia. E a desilusão. E o vazio. Trabalhar no vazio.


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Domingo, 9 de Julho de 2017

O músico e o santo

São Sebastião Couto de Dornelas 2015 234 - Cópi

 


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Sábado, 8 de Julho de 2017

Músicos

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Sexta-feira, 7 de Julho de 2017

Olhares

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Quinta-feira, 6 de Julho de 2017

Poema Infinito (362): Flores espalmadas em dicionários

 

 

Todos os contos de mulher são tristes. Mas elas gostam de tomar um banho quente para meditar. Gostam de aguentar com dificuldade a animação da temperatura. Primeiro metem o pé dentro da água e só depois descem o corpo, centímetro a centímetro, até que a água lhes chegue ao pescoço. Depois ficam a olhar para o teto, ou para os pés ou para os bordos da banheira. Observam as texturas, os mamilos, as coxas, a cor das paredes, a penugem do sexo, a luz da lâmpada. São elas que acreditam no batismo de Cristo nas águas do rio Jordão. Pensam então que toda a água é benta. Que os seus corpos foram consagrados. Depois embrulham-se numa toalha branca e macia e sentem-se puras, frescas e virgens já fecundadas. Lembram-se de quando brincavam às escondidas e cometiam pecados fazendo coisas inocentes. Dobravam e recortavam com tesouras folhas de papel e usavam saias e viravam para fora as pontas dos cabelos. E tinham medo quando o dia chegava ao fim. Sonhavam com peixes atentos que se lhes escapavam por entre os dedos, ou com os parques onde brincavam de forma irreversível com a sua adolescência. E andavam às voltas procurando os sítios alegres para os dias tristes e tentando aprender ideias lúbricas para poderem crescer sem desesperar. E evitavam os contactos estranhos com as madrinhas estranhas, esquivando-se a ouvir chamarem-lhes afilhadas prendadas e outras coisas idênticas. Aprenderam a enfiar e rodar anéis nos dedos propícios, aceitar prendas, cortar e polir as unhas, dividir o tempo, aprender a arte do possível, bordar nomes em panos de linho, tomar atenção às panelas de esmalte, à cozedura do peixe, ao mau-olhado, à importância dos gatos na vida das avós. E a pôr-se à janela para conhecer a demora, para se lembrarem das pessoas que compram coisas nas lojas, a inquirir as amigas, a aspirar a sala e a escrever insípidas cartas de amor. Aprenderam com o tempo a comprimir as distâncias, a projetar no futuro as suas preferências, a evitar queimarem-se quando chegar a idade de fumar o primeiro cigarro de filtro longo e com sabor a nicotina e a mentol. Aprenderam também a achar graça ao vestido com alças, aos soutiens aconchegados, às cuecas bordadas, à transformação geométrica da razão, a subir e a descer escadas de forma a não mostrar aquilo que se deve esconder dos olhares atrevidos. Aprenderam também a lamber os gelados como os gatos lambem as feridas, a guardar os brincos e as outras joias de imitação em caixinhas forradas a veludo, e a não chorar com a lembrança do dia em que lhes furaram as orelhas para aí colocarem dois pingentes de ouro de lei. Colocaram amores-perfeitos no meio do dicionário de Língua Portuguesa, usaram fios com corações refulgentes, comeram pão com uvas, dobraram folhas dos livros e cantaram canções com versos disfarçados de príncipes. Aprenderam a prudência de forma exagerada, fecharam as pernas quando lhes apetecia abri-las. Deixaram de ser crianças pela mão das mães. Interessaram-se pelos rapazes contando à noite as estrelas. Aprenderam o sentido das proporções construindo flores de papel. Começaram cedo a ler os folhetins do Corin Tellado e nenhuma morreu de amores, nem ficou tísica ou sequer virgem. Leram em tempos curtos a História de Portugal e fizeram as suas primeiras considerações primárias. Imitaram a inveja de forma direta, pois isso não se aprende nos livros. E começaram a escrever poemas que pareciam as pás dos moinhos do D. Quixote a andarem ao contrário. Encontraram finalmente a sabedoria quando descobriram que as coisas simples são as mais complicadas.


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Quarta-feira, 5 de Julho de 2017

Onde está o Dinis?

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Terça-feira, 4 de Julho de 2017

Dar de beber a quem tem sede...

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Segunda-feira, 3 de Julho de 2017

349 - Pérolas e diamantes: Estátuas e enigmas

 

 

Todos, ou quase todos, nos rimos com a verdade. Apreciamos a filosofia do corrupto Enoch “Nucky” Thompson, tesoureiro da Câmara de Chicago no filme de Martin Scorsese, que perorava: “Nunca deixes que a verdade estrague uma boa história.”

 

Além disso, para o Capuchinho Vermelho, o mundo a sério é aquele onde os lobos falam.

 

E a menina cresceu e o lobo transformou-se em homem-touro que aprecia imenso desabotoar-lhe o vestido e tombá-la a seus pés. Atualmente já não usa roupa interior. O seu corpo é o de uma pintura de Rafael, com os seios densos, cintura fina, ancas largas, ombros ligeiramente descaídos e sexo rapado. Usa também um corte de cabelo que faz lembrar uma princesa cartaginesa.

 

A maioria dos seres humanos não suporta a verdade. Nisso seguem os historiadores, que se refugiam no conforto intelectual de si mesmos, nas suas verdades, nos seus lugares seguros, evitando os temas mais difíceis e desagradáveis, rendendo-se aos velhos ídolos e clichés ideológicos, quando não à chantagem política.

 

O mesmo se aplica aos pretensos fazedores de opinião e distintos líderes políticos em ascensão, que não param de procurar o Feiticeiro de Oz na Cidade Esmeralda com a esperança de lhe pedirem o que mais desejam, para, inevitavelmente, descobrirem que ele não passa de um impostor.

 

Os meios imorais conduzem a fins imorais e geram tipos imorais, seja em que situação for.

 

Agora, os museus estão sempre repletos de grandes obras e também de turistas japoneses. Por isso é preciso ter coragem para suportar o muro amarelo que nos separa dos quadros mais famosos. E o que mais me intriga é o facto de eles os fotografarem sem sequer os olhar.

 

Depois do Axel e da Marina terem visitado Veneza, pois eles gostam de viver os seus destinos, também eu e a Luzia temos programada uma visita a essa cidade italiana. Esqueçam a Praça de S. Marcos. Iremos direitinhos ao Campo Santo Stefano, depois de cruzar o Grande Canal, para ver a estátua de Niccolo Tommaseo, um escritor e político, logo desinteressante, que os venezianos alcunham de Cagalibri: o caga-livros, por causa da estátua, que dá mesmo a sensação de cagança livreira. Para ironia, ironia e meia.

 

Lembra-me a frase de Leibniz: “A educação pode tudo: ela faz dançar os ursos.” E até levar pessoas a Veneza para ver a estátua de Niccolo Tommaseo.

 

Mas a vida de um intelectual não é fácil. Posso mesmo dizer que é desanimadora. Andam sempre à procura de unicórnios e só encontram rinocerontes. Mas, mesmo assim, os mais estoicos, que são geralmente os mais parvos, não desistem.

 

Alguns são tão desinteressantes que provocam sonolência a si próprios. Outros vestem-se sempre a rigor para ir passar recados à oposição. Antigamente iam para castrati

 

O povo não sabe se os deve amar ou querer-lhes mal.

 

São elegantes e frios. Adoram a tradição. São mais generosos com o lume do que com o alimento.

 

Os capitães de Abril já cá não estão, mas o poder anda disseminado por toda a parte. A arte está em apanhar os bocados e reconstituir o puzzle.

 

Entra neles uma tal vontade de agradar que aprenderam a contrair os músculos da cara num sorriso.

 

O problema dos homens não reside tanto em serem maus ou bons, mas antes em serem fracos.


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Domingo, 2 de Julho de 2017

Carnaval de Verin

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