Quinta-feira, 5 de Outubro de 2006

Major Alvega e as donzelas

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Então, major Alvega, de novo por aqui? Já há muito tempo que não o via por estas bandas. Fartei-me de ler as suas aventuras, que, mesmo sendo pirosas, naqueles tempos era o melhor que se podia arranjar. Também li muitas histórias do Texas, do Kansas Kid, do Homem de Ferro, e de outros heróis de Banda Desenhada.
Tudo tinha a dimensão da nossa pequenez: os livros eram pequenos, editados em formato A5, a preto e branco e impressos em papel rasca. Fora isso, as histórias eram sempre as mesmas. Tudo muito a preto e branco. Heróis para um lado, bandidos para outro, e as donzelas no meio, ora optando por um lado, ora optando pelo outro. Elas ali ficavam no meio, no sítio onde está a virtude e outras coisas também boas e que se recomendam. Mas se elas ali ficavam, ora optando pelo herói, ora iludindo-se com o bandido, nós, os leitores, desconfiados, optávamos sempre, sempre, pelo herói, que era bom, honesto e sincero, nunca duvidando do bem, nunca pondo em causa as amizades, nem os amores, nem os princípios. Mas elas… elas, por vezes, deixavam-se iludir pelo sacripanta, pela sua riqueza material, pelos luxos, pela boa vida, pela aparente beleza do vilão, que, apesar de bonito por fora era feio, muito feio, por dentro. A sua alma era impura. Por isso impelia para o pecado da carne as inocentes donzelas virgens. Elas, que rejeitavam entregar a sua pureza ao herói, derretiam-se de mesuras e de excitação perante a maldade do vilão e a ele se entregavam, oferecendo-lhe a sua virgindade. Ele, já muito habituado a estas cenas, e sempre depois do acto, abandonava-as miseravelmente, ali mesmo, no local da ignomínia. Mas o herói, porque o era, até isso lhes perdoava e com elas ficava, porque, se as donzelas tinham entregue o corpo nas mãos do bandido por pura ilusão repentina, e como errar é humano, a alma, essa, tinha estado sempre com o herói. Mesmo quando se entregavam ao vilão, era no herói que pensavam, era com o herói que pretendiam casar e ter filhos, construir uma casa, comprar um carro e ir de férias para Cuba.
E foi nisto que deu a nossa sociedade, major Alvega.
Os malvados são todos empresários e os heróis estão todos na função pública.
Ó qu’isto chegou, querido herói de Banda Desenhada. Ó qu’isto chegou!

publicado por João Madureira às 18:57
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1 comentário:
De quim barrigas a 9 de Outubro de 2006 às 17:11
Bela foto de um belo avião(F-84) que combateu na Guerra da Coreia


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