Quinta-feira, 14 de Setembro de 2006

Suicídios voluntários

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Escrevo-te de C para dizer que continuo a gastar as minhas economias numa tentativa serôdia de aproveitar o tempo que perdi pensando que o ganhava.
Para te dizer a verdade, nunca me senti tão só. E olha que por aqui as pessoas surgem de todos os lados, como a erva ruim.
Quem anda daninho sou eu que, por causa das ausências premeditadas, apanhei uma depressão regular que me traz dubitativo e atarantado.
Agora só como malignidade e bebo veneno. E olha que compro estes produtos nos centros comerciais. São venenos que matam aos poucos, mas não falham o seu objectivo.
Engordei cerca de cinco quilos. E de repente. O veneno contaria o provérbio. Este, porque engorda, mata. Agora só como hambúrgueres com mostarda e batatas fritas que sabem a plástico derretido. Por cima bebo uma cola. Depois engulo um sorvete.
Por vezes vingo-me nas pizas e nos refrigerantes. O meu colesterol está no máximo e tenho os outros níveis todos alterados. Vai-não-vai, rebento.
Escrevo-te esta mensagem num guardanapo porque essa atitude faz parte da minha nova faceta de escritor deprimido e sabujo. Qualquer dia ainda me vão reconhecer alguma subtileza.
Despeço-me já porque agora namoro com uma senhora que mais parece um pipo. Foi tal donzela quem me converteu à prática do suicídio gastronómico. Apesar de gorda, é muito simpática e até se comporta bem na cama. Tem uma agilidade construída muito aceitável. Também gosta de andar de barco no rio. Eu é que tento distraí-la desse seu propósito. É que com o nosso peso somado, a pequena embarcação, a todo o momento, ameaça naufragar. E, apesar de me andar a suicidar, não pretendo acabar os meus dias no meio de barbos e bogas. Além disso a asfixia provoca-me calafrios.
Ela já ali vem toda sorrisos. Apesar de tudo, é uma visão simpática. É enorme. Agora deu-me para os excessos. Mas sinto-me bem. Especialmente depois de tomar uns estimulantes marotos que um seu amigo me arranjou. O problema reside nos efeitos secundários. Depois da euforia sobrevém a ressaca.
Mas, enquanto o efeito dura, o melhor é aproveitá-lo.

PS – Por favor não te esqueças de alimentar convenientemente a piranha.

publicado por João Madureira às 19:09
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