Terça-feira, 20 de Junho de 2006

A circunstância da lã

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Venho aqui dar-vos conta da minha profunda admiração pelos semáforos.
Pelo simples facto de mudarem de cor conforme são programados, fazem com que as pessoas e os carros não se embaralhem nas estradas. Quando acende a luz verde para os peões, logo do outro lado aparece o vermelho para os automobilistas. E quando abre o sinal verde para os automobilistas, é o vermelho a cor que cintila para os peões. E a história é sempre assim. Verde para uns, vermelho para outros. Vermelho para uns, verde para outros. Por isso aprecio os semáforos.
Também tenho muito respeito pelas passadeiras. Sem elas, os semáforos não podiam desempenhar a sua tarefa com a qualidade devida.
Considero muito os semáforos e tenho uma simpatia muito especial pelos postes de iluminação pública, além de apreciar os candeeiros, as lanternas, os projectores, os pisca-piscas dos carros, as velas e os archotes.
Mas não era disso que eu hoje vos queria falar.
Hoje era mais dos sentimentos das pessoas pelos tecidos de lã.
A lã advém do pêlo da ovelha. Quase toda ela. A lã, não a ovelha. Porque a ovelha não é só lã. Também é carne e leite. As ovelhas são tidas muito em conta na linguagem infantil. E são animais muito dóceis, muito meigos e muito dados.
Mas não era das ovelhas que hoje vos queria falar. Hoje era mais dos tecidos. Especialmente da lã.
A lã é muito quente e dela se faz muita e boa roupa. Roupa agradável ao tacto. Quando a lã é tingida também fica muito agradável ao olhar.
Mas para se obter a lã, os trabalhos são muitos, variados e cansativos.
Está claro que actualmente existem muitas máquinas que ajudam nessas tarefas. Antigamente era outra cantiga. Uma cantiga bem mais arrastada e gemida.
Actualmente quase todas as cantigas são muito simples, mas berradas. O que não se compreende muito bem pois as tarefas são bem mais descansadas que antigamente.
Antigamente não havia semáforos, nem carros, nem passadeiras. Eram tempos mais descansados, mas mais tristes e melancólicos. Quase tudo era campo, animais e florestas. Hoje é mais estradas, carros e cães. Também há muitos telemóveis.
Hoje fala-se muito e diz-se pouco. Antigamente falava-se pouco e dizia-se muito mais.
Também se escrevia menos mas com muita mais qualidade. Tinha que se poupar no papel e na tinta, é que havia pouco e era muito caro. Hoje não, hoje até já dão os jornais e as revistas, só por causa da publicidade.
Por falar em dar, a Câmara de Chaves também organiza uns concertos bem agradáveis na Praça de Camões. A Câmara gosta muito de dar música aos seus munícipes. E faz bem. Os munícipes flavienses são muito cordatos, responsáveis e trabalhadores especialmente produtivos.
Por isso é com muito agrado que assistimos a estas suas iniciativas.
O que é pena é nós – os munícipes flavienses –, não podermos retribuir na mesma moeda. Pois era uma obra admirável podermos também dar música à nossa autarquia, especialmente aos senhores vereadores e, muito especialmente, ao senhor presidente, que tão exausto deve andar com a administração do nosso concelho.
No entanto aqui fica a sugestão, para quem, mais avisado e empreendedor do que nós, possa trabalhar nesse sentido.

publicado por João Madureira às 21:19
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