Sábado, 10 de Junho de 2006

Lá mais à frente

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Não há necessidade de olhares para mim com esses olhos ternos e interrogadores.
Eu não me chateio. Até gosto.
Mais a mais, não te tenho medo.
Ai ris-te. Pois ri-te à vontade. Eu não me importo. Até gosto.
Não. Não olhes para mim dessa maneira.
Não me convences. Eu não gosto de cães.
Bem, não é que não goste deles. Só que não os aprecio e acho detestável o excessivo afecto que as pessoas lhe dedicam. Lavam-nos, passeiam-nos, dão-lhe boa comida, vacinam-nos e até lhe administram contraceptivos. Já reparaste que todos os cães de agora são obesos?
Há por esse mundo fora gente que não tem nem sequer um copo de água para beber ou uma mão cheia de arroz com que se alimentar.
Os cães não são seres humanos para terem tanta atenção.
Agora há cachorros por todos os lados. Ladram, defecam, cheiram mal, mijam em todo o lado.
Eu não gosto de cães.
Ou melhor, não gosto de epidemias e o número de cães que há por aí não augura nada de bom.
O que está em causa não são os cães. É o seu número excessivo. É a sua sacralização.
As pessoas podem não ter filhos, mas têm cães.
E depois passeiam-nos pela rua, que é um espaço público que custa tempo e dinheiro a manter limpo, para que eles defequem e urinem nos passeios, nos postes de iluminação pública, nos jardins. Menos nas casas dos seus donos e nos seus jardins.
Sujam a casa de todos nós deixando as casas dos seus donos limpas e asseadas.
Reparo que começou a chover.
Fica-te bem o cabelo assim molhado.
Eu gosto de olhar para ti.
Se tivesses um cão ao lado distraía-me com coisas acessórias de que não gosto.
Bem, não é que não goste. O correcto será dizer que não aprecio. Gosto de animais que vivem nos seus espaços vitais. No seu meio. Olha, gosto de lobos. Gosto da sua ferocidade, da sua luta pela vida, de cumprirem com a sua função.
Os cães não têm função, são subsidiários, são quase indigentes.
Gosto de passear à chuva. O cabelo molhado fica-te bem, dá-te um ar vivificante.
Gota a gota enche o rio o leito.
Essa é que é essa.

publicado por João Madureira às 18:44
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