Domingo, 13 de Outubro de 2019

No Porto

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Sábado, 12 de Outubro de 2019

Em Alhariz

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Sexta-feira, 11 de Outubro de 2019

Em Alhariz

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Quinta-feira, 10 de Outubro de 2019

Poema Infinito (477): Toxicidade

 

 

A ansiedade bate ao ritmo da hipertensão: forte. A verdade, por vezes, nasce das ruminações. Dizem que os maus poetas são bons críticos. A impertinência impede-lhes a inspiração. Um caralho que os foda. A sua inspiração está condicionada pela solidão. Gostam de inventar rivalidades. Todas as óperas lhes parecem originais. São como antigos burgueses desesperados por verem revolucionários janotas e excêntricos. Acham os aplausos ridículos, como de facto são. Todos pecam por insensatez. Salva-os o prazer do risco. Os caminhos sofisticados são sempre os mais vulneráveis. As folhas das cepas perderam o seu ruivo esplendor e começaram a apodrecer. A ambição ressente-se do tédio. A vocação desafina com a impaciência. A dor, nos medíocres, é um vício, costuma dar-se mal com a aristocracia do espírito. A obscuridade das capelas é sempre ameaçadora. O desprezo e a ignorância são a manjedoura do lirismo provinciano. Sempre foi assim. Sempre assim será. Os primeiros versos são delativos. De sentimento único, repletos de afinidades e desdenho. O perdão tem sentido único. A realidade é murcha. As paixões são como tempestades com um Deus morto lá pelo meio. Os enigmas expandem-se. As tragédias baseiam-se na traição e nos equívocos. A glória resulta sempre da publicidade, do embelezamento da própria ficção. Formámo-nos na abstinência do convívio, no silêncio do romance, na infatigável história do cavaleiro da triste figura que não anda nem desanda. Já ninguém mata a sede com água benta. Sonhar a felicidade é uma forma de ser como a Bela Adormecida. Agora lemos a infelicidade nos rótulos dos medicamentos, nos gestos viciados, nas conversas barulhentas, no afastamento dos nomes e dos olhares. O amor tem a consistência da gelatina. Vivemos num baile de máscaras permanente, entusiasmado pelo arrependimento dos outros. Somos infiéis na felicidade e insensíveis à dor. As dissertações são infinitas. O verde cresce rente às paredes. Apenas as cidades florescem. Nas aldeias, cheira-se a morte em cada canto. A gratidão defende-se do ridículo. Choveu muito. Algumas pétalas das flores mais frágeis boiam na água. Por aqui, apenas as tempestades são tão grossas como a realidade. Os olhares parecem esboços de banda desenhada, imprecisos, turvos, vingativos. À medida que perdemos os ofícios perdemos também a alma. Ergue-se da terra um vapor denso. A passarada dispersa-se pelos ramos das árvores. Os dias morrem antes de serem salvos. A aldeia entregou-se ao sono. Os velhos caminhos cegaram. As muralhas apenas retêm o tempo. A luz embate contra a espessura da saudade. Dentro de casa arrumam-se as sombras. Também elas querem descansar. As criaturas gritam dentro dos livros como se estivesse eminente um incêndio. Estamos no centro do vórtice das recordações. Lembramo-nos ainda bem do tempo da paixão, dos juízos ligeiros. Alguns vultos inclinam-se para a claridade. As horas deixaram de ser benévolas. São agora mais curtas. A indiferença produz sempre o vazio. Nada acontece. As casas dormem. Queremos defender-nos das mentiras com conselhos. A inteligência é um fascínio. Agora sabemos passar pelo meio dela como se estivéssemos a atravessar um rio a vau. Uso as palavras sem oxidantes para suportar a decadência. Os equívocos são sempre tóxicos.


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Quarta-feira, 9 de Outubro de 2019

Em Alhariz

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Terça-feira, 8 de Outubro de 2019

Em Alhariz

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Segunda-feira, 7 de Outubro de 2019

463 - Pérolas e Diamantes: Antes pelo contrário

 

 

A nossa democracia parlamentar talvez sofra com o facto de ter advogados a mais e estadistas a menos. Por isso as leis são tão tortuosas e as fraudes imensas. São os grandes escritórios de advogados de Lisboa e do Porto que fazem as leis, as defendem e as ajudam a aprovar. Muito destes insignes ilusionistas são até ilustres deputados. São o Estado dentro do Estado.

 

Esta nossa democracia parece um negócio dos partidos, entre partidos e para os partidos. Quem está de fora racha lenha. Diz quem sabe que este é o caminho para o abismo. 

 

A democracia não se defende contra os partidos, mas contra o seu monopólio.

 

Os partidos têm tido o monopólio do poder há demasiado tempo. Tem de haver uma mudança. Pode ser um desafio estranho e difícil. Mas é necessário.

 

Agora existem duas classes distintas: os empregados e os desempregados. E entre elas existe uma mobilidade incrível. A verdade é que os sindicatos andam um pouco à nora com esta nova realidade.

 

O neoliberalismo passou a significar uma governação feita por conservadores e reacionários e o socialismo uma governação exercida por socialistas. Tanto o capitalismo como o socialismo, que aprendemos a identificar, é agora impraticável. A prática traiu a teoria. Ou revelou-a. O que vem a dar no mesmo.

 

Os cidadãos já aprenderam a julgar as ideologias dos partidos não pelas suas estimáveis intenções, mas pelos atos praticados enquanto governam.

 

A verdade é que ninguém consegue modificar a realidade aos gritos. Chegou ao fim o hábito arreigado de pensar de forma dicotómica. A questão já não é a de se ser a favor ou contra.

 

A História não está do lado de ninguém. Por exemplo, a teoria marxista que explica que todo o desenvolvimento histórico é um produto de mudanças na infraestrutura económica revelou-se falsa. O desenvolvimento histórico resulta tanto da vontade política, como dos processos materiais.

 

Até a esquerda radical trabalha calmamente nos seus ótimos gabinetes para a queda da hegemonia da burguesia, gozando dos frutos desta sociedade burguesa que dizem detestar e combater.

 

Os ideólogos marxistas como Zizek pensam que o pensamento suprime a realidade, quando se faz à esquerda. Ou seja, a realidade é de direita. A esquerda é outra coisa.

 

A esquerda tradicional defende que o mundo se divide entre esquerda e direita. Ou seja, se não formos de esquerda então somos de direita. A verdade é que esta estúpida dicotomia já foi chão que deu uvas.

 

Basta ouvir um militante de esquerda para ficarmos a saber que a direita é incapaz de fazer algo de positivo socialmente. Tudo nela cheira a bafio e sabe a ranço ou a arroz de lampreia. A ser assim, a direita também pode argumentar que a esquerda igualitária possui o sabor do sangue da morcela ou do arroz de cabidela.

 

A verdade é que os pensadores de esquerda, através de uma campanha intimidatória, teimam em tornar inaceitável ser-se de direita. Consideram mesmo que é uma coisa contranatura.

 

Mas os gulags revelaram-se máquinas de extermínio tão eficazes como os campos de concentração nazis. Quase sempre identificam a direita com o nacional-socialismo. Por isso os argumentos da direita são inaceitáveis, as perspetivas irrelevantes, o caráter enviesado e a sua presença no mundo um erro. Nem a direita é assim, nem a esquerda é assado.

 

E a teimosia continua. Por exemplo, Adorno continua a defender que a alternativa ao sistema capitalista é a utopia. Ou seja, se o seu argumento for honesto, quer dizer que a alternativa não existe.

 

Se eliminarmos a lei, a propriedade, os costumes, as hierarquias, a família, a negociação, o Governo e as instituições, sobra o quê?

 

Destruindo tudo isto, substituem-no por quê?

 

A igualdade continua a ser uma questão de fé, pois mesmo aqueles que mais acirradamente a defendem não acreditam verdadeiramente nela.

 

Não é marginalizando e condenando o opositor que podemos modificar a realidade. Dessa forma podemos é comprometer o futuro.

 

Tanto a esquerda como a direita sempre sentiram mais prazer em minimizar o adversário do que em se elevar.

 

É do consenso geral que a nossa sociedade não necessita de uma abolição dos poderes, mas antes da sua mitigação. Uma sociedade democrática tem de assentar num poder consentido, onde os conflitos são resolvidos de acordo com uma conceção de partilha da justiça. A ideologia não pode substituir o paciente trabalho da lei.

 

E quem assim pensa é de esquerda ou de direita?

 

Provavelmente nem uma coisa nem outra. Antes pelo contrário.


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Domingo, 6 de Outubro de 2019

Amizade

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Sábado, 5 de Outubro de 2019

Na feira

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Sexta-feira, 4 de Outubro de 2019

Interiores

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Quinta-feira, 3 de Outubro de 2019

Poema Infinito (476): Viagem

 

 

Reguei as palavras logo pela manhã para as ver crescer como se fossem anjos atordoados pelos sinais de pontuação. Abri os meus olhos interiores e vi coisas impossíveis. A linguagem verbal está cheia de febre. Recalco a consciência do que se chama razão. Descubro uma nova espécie de esquecimento: a assimilação. Procuro quem começou a esconder palavras dentro de outras palavras. Tento aproximar os sons dos seus sentidos. Afinal, onde estão as palavras puras? O ar da manhã começou a cair de forma subliminar. O tempo está a mudar. Os demónios tomaram conta da continuidade e das evidências. Rio-me do niilismo, como se isso fosse possível. Renova-se a ilusão, a histeria, o deslumbramento. A manhã está feita de uma matemática singela. A eternidade caiu morta aos pés de Deus. Os ladrões já não acreditam em paixões. Chove extraordinariamente em cima da música de Debussy. Os duendes sorriem. As teclas do piano parecem rosas brancas fixas a dedos pretos. A tristeza emudece repentinamente. Andam por aí muitos sonhos vagos, muito milagre escondido, muito sorriso consolado, muito querubim sério, muito anjo amoral. As velhas poesias parecem pentagramas. Parecem tristes as casas muradas. Os que chegam olham para os que partem. Os que partem sorriem para os que chegam. Só os patetas dizem ter lido Joyce. Os seus livros inspiraram a bomba atómica. Ele pensava que apenas seriam o protótipo de uma nova metralhadora. O futuro é sempre incerto. Alguém grita por um pouco de amor. Uma mãe chora porque não consegue encontrar o infinito para dar ao seu filho. Falta alguma razão às palavras tolerantes. Agora colonizam-se as madrugadas. Os maus hábitos custam muito a perder. Falta amor ao amor. A beleza da arte foi toda devorada por Picasso. As bombas sobre Guernica não foram em vão. Secaram os sorrisos, o pão, a luz. Tudo ficou mais intolerável. Sobretudo a crença na humanidade, já que da crença na divindade nem é bom falar. O demónio, esse, ficou mais corpulento. Pousou uma luz insuportável sob as memórias antigas. É bom não esquecer a dor dos outros para aguentarmos a nossa. Misturam a política com a estricnina. Agora dói-nos o lado esquerdo da alma, os disparates e as horas apaziguadoras. Já nada é seguro. O lirismo abandonou as estátuas. A impaciência agita as estrelas mais pálidas. Antigamente tinha-se vergonha de chorar. Agora chora-se por tudo e por nada. Os beijos são de cristal, os escândalos oxidaram a honra e as aves ficaram trôpegas. O vento alisa os caminhos e a minha raiva. As avós já não cantam, murmuram. À arte transformaram-na num truísmo. As mãos deixaram de organizar, de definir, de acender o lume. Os dedos teclam páginas e páginas de ridículas sentenças judiciárias. Algumas aranhas esperam as moscas. Outras esperam as aranhas que esperam as moscas. O que mais cintila são os condicionalismos, os nacionalismos, as incompatibilidades reconfortáveis, as uniões de facto, o facto das desuniões, a violência da vergonha. Transformaram o mar Mediterrâneo numa mortalha para emigrantes. Por cá viaja-se muito, diariamente, sempre no mesmo sentido. É ir e vir. É vir e ir. Por isso é que os nossos sonhos estão sempre cansados. Engordamos os corpos e emagrecemos a poesia. Também para o que ela serve...


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Quarta-feira, 2 de Outubro de 2019

ST

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Terça-feira, 1 de Outubro de 2019

Expressões

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Segunda-feira, 30 de Setembro de 2019

462 - Pérolas e Diamantes: Da arte de escrever

 

 

Não existe criação sem criador. Hegel escreveu que o poeta existe, não em potência, mas em ato. Tolstói e Dostoiévski viveram a sua verdade mas também viveram as suas personagens.

 

Toda a obra de arte exprime, na sua essência, a diversidade da realidade.

 

Quem passa a vida a abraçar os demais acaba inevitavelmente por sofrer dos rins.

 

Não é esse o caso de Svetlana Aleksievitch, pois a sua escrita, segundo a Academia Sueca, é uma polifonia monumentalizadora do sofrimento e da coragem.

 

A sua arte de escrever baseia-se em factos mas, o que a distingue, é o apropriar-se da arte de contar que foi buscar à literatura oral e de a juntar ao romance.

 

Os seus livros estão cheios de vozes em discurso direto, vozes que resultam de centenas de entrevistas, de conversas tidas e repetidas várias vezes, de vozes que se encandeiam umas nas outras e se vão arrumando em temas, seguindo uma subtil sequência interna.

 

No meio delas surge uma que as une, dando-lhes coesão, depois de despojadas das normais contextualizações e das cronologias desnecessárias. Daqui resulta a sublime arte da profundidade e também da originalidade das vozes que as contam.

 

Esta filigrana narrativa advém do método utilizado ao longo de uma carreira de mais de 40 anos.

 

Nos seus livros apenas está aquilo que é essencial, sem floreados. Svetlana sabe que a literatura já não chega, por isso quer libertar-se da asfixia que a limita.

 

A História verdadeira revela sempre a dimensão humana.

 

Ou seja, a História, por ser escrita, tem sempre a marca pessoal da pessoa que a escreve.

 

A História, quando ilumina a grande marcha da Humanidade, ajuda-nos a saber quem somos.

 

Depois de ir à guerra, Friedrich Nietzsche passou a considerar que os inimigos da sua fé, a cultura, estavam a brotar do solo sangrento do campo de batalha. E passou a ter visões, pois escreveu a Wagner que estava preparado para o pior, mas, ao mesmo tempo, confiante de que dali, no meio daquele sofrimento e do terror atroz, a “flor noturna do conhecimento florirá”.

 

Ao que agora se sabe, FN regressou da guerra com os intestinos destruídos, sífilis (prostibular), icterícia, vómitos, hemorroidas, um gosto constante a sangue na boca e com o cérebro maculado pelos horrores psicológicos que sofreu.

 

Parece que Bismarck, em vez de ressuscitar o espírito criativo da Grécia antiga, estava a transformar a Prússia  numa espécie de Roma: burguesa, brutal, materialista. E também num motor de assassínios em série e barbaridades sem fim.

 

Daí Nietzsche ter concluído que “quase tudo a que chamamos ‘cultura superior’ se baseia na espiritualização e no aprofundamento da crueldade. A crueldade é o que constitui a sensualidade dolorosa da tragédia”. Este homem era mesmo dinamite.

 

O filósofo alemão antecipou a nossa vivência atual, pois, com a nossa nova veneração pelo natural e pelo real, chegámos ao lado oposto de todo o idealismo para aterrarmos na região das figuras de cera. CR7 ainda um dia vai derreter como uma vela no altar da mediocridade.

 

A nova tendência para o misticismo e para a idolatria – tenha ela pés de barro ou rosto de cera – é uma nova espécie de medo, uma fuga à frustração, um último recurso contra a verdade, contra a realidade. Em termos morais é uma espécie de cobardia e falsidade.

 

Os novos heróis do relvado parecem cavaleiros de plástico mergulhados no sono da Bela Adormecida.

 

Há por aí muito democrata amestrado que vê no futebol, na música pop e nos romances com véu e grinalda uma nova renovação cultural. A mim fazem-me lembrar a maré bárbara da rasura cultural de que falava FN.

 

Agora variamos entre a cultura estéril e a cultura histérica.

 

O homem atual é enchido com a quantidade precisa de cultura que o torna compatível com os interesses do mercado. O Estado já não aposta nos indivíduos brilhantes. Só ensina o suficiente para que cada pessoa passe a ser um contribuinte acrítico do sistema. A inteligência tem a dimensão do que cada um possui.

 

Os bons livros são agora mortos pelo silêncio, enquanto os maus se reproduzem como cogumelos venenosos que, como todos sabemos, são os mais bonitos de se ver.


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Domingo, 29 de Setembro de 2019

No Barroso

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Sábado, 28 de Setembro de 2019

No Barroso

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Sexta-feira, 27 de Setembro de 2019

No Barroso

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Quinta-feira, 26 de Setembro de 2019

Poema Infinito (475): Brevidade

 

 

A luz apura a transparência dos corpos, os seus desejos, a sua alquimia, os seus sustos e os seus deslumbramentos. O amor traz sempre consequências. As paisagens de hoje estão carregadas de ironia. Também elas ficaram obesas. Cintilam nelas as papoilas. As mães rezam nos templos. A vida é breve, diz o sino da igreja. Apenas as palavras têm o tamanho do mundo, encostadas ao destino, perdidas dentro de si próprias. Os homens procuram os seus passos nos velhos caminhos. As pombas ficaram para trás, na memória, fixando o tempo e os ninhos, enrodilhando-se dentro dos seus voos secos. Os aromas fazem parte das distâncias. Tenho agora a vontade do vento. Os voos das cegonhas continuam infantis, semelhantes a murmúrios. A vida é feita de eclipses. Quando a escuridão me invade, nascem-me pequenas estrelas nas mãos. A infância está cheia de gestos avulsos. Lembro-me dos dedos ásperos da avó pelo excesso de lavagens, da sua versão de mazelas. Agora rimo-nos de tudo: dos enigmas, das adivinhas, dos labirintos, da dor. A intenção é criar desconforto, dar espetáculo, esgrimir perguntas, desfazer memórias, esconder a pequenez dos sentimentos de cada um. Os sonhos são mudos e a preto e branco. Exibimo-nos no lado escondido das janelas, onde as sombras se congestionam. Entusiasmamo-nos com o pouco tempo que nos resta. O tempo finge procurar coisas importantes dentro das algibeiras. É cruel a sua determinação. É natural que as coisas se transformem, que se alarguem, que se aprofundem dentro da sua própria cor. É natural que os vinhos fermentem nas adegas. A ordem dentro de casa é sempre mais inofensiva, destina-se só a definir o carinho e a proteção. Houve tempo em que nas águas do rio se lavavam ao mesmo tempo os pés e os pecados. E também as partes íntimas. Os poetas eram como estaleiros incandescentes, heréticos. Conseguiam descrever o inferno porque viviam dentro dele. Nesses tempos, as musas eram mimosas e ardentes. A decifração era o seu sexto sentido. É cada vez mais fácil atingir o ponto de impaciência, ler os indícios, harmonizar os apelidos, abarcar as influências. Ser tão letrado que se é ignorante sem se saber. A obscenidade é inglesa. O inferno não é fogo, é distância, é frieza, é má vontade. Eu gosto de espalhar devagar a limpidez, de afastar as horas, de sentir o meu anjo da guarda a abrir e a estender as asas. As recordações dissolvem-se em bancos de névoa. Algumas almas antigas estendem-se ao sol. Quando posso, rejeito o convite das insónias. A dor é essencial para escrever poemas. O despeito também mata. E a teologia. E as relações íntimas. E o ceticismo. A vingança é a forma humana de amar uma má ideia. A abundância resulta em fracasso. O orgulho arranca-nos a alma. Os afetos criam rivalidades. Todos pecamos por insensatez. Foi o cavalo de Calígula que o levou à ruína. Os avós oscilam dentro da fotografia. Sorriem como se fossem o seu próprio lugar. Nunca consegui desvendar o mistério das suas conversas. Apenas sentia as suas palavras avançarem. Depois atropelavam-se antes de chegarem a fazer sentido. A meditação também necessita de um sentido.  É a inveja que azeda o vinho, costumava dizer a mãe. Coincidiu a conclusão com o desvanecimento. A paciência transformou-se em dor. A paciência transformou-se. A dor também.


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Quarta-feira, 25 de Setembro de 2019

No Barroso

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Terça-feira, 24 de Setembro de 2019

No Barroso

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Segunda-feira, 23 de Setembro de 2019

461 - Pérolas e Diamantes: A banalização do mal

 

 

Quanto mais leio menos aprecio o ser humano. Se calhar ler faz mal à saúde mental das pessoas. Passo a explicar este meu desnorte. No livro “Hitler - Uma biografia”, Ian Kershaw relata que na “Operação Barbarossa”, no “cumprimento da profecia”, as unidades de assassínio hitlerianas, na sua fase inicial, foram ajudadas por lituanos que decidiram pôr em prática pogroms selváticos contra os judeus. Em Kaunas, um entusiasta local resolveu matar judeus à paulada, um a um, enquanto a multidão que observava – onde se encontravam mulheres que levantavam os filhos no ar para poderem ver o espetáculo –, aplaudia e encorajava o insano.

 

Uma testemunha ocular recorda-se de que cinquenta judeus foram assassinados dessa maneira em menos de uma hora. Quando o carniceiro terminou a matança, pulou para cima da pilha de cadáveres e tocou o hino nacional da Lituânia num acordeão. Os soldados alemães, provavelmente surpreendidos, assistiram impassíveis a tudo. Alguns até tiraram fotografias. O comandante da Wehrmacht da área, o coronel general Ernst Busch, ao ter conhecimento do sucedido, considerou que se tratava de uma questão interna de disputa entre lituanos, pelo que não possuía autoridade para poder intervir. O assunto foi despachado para a polícia de segurança local.

 

Ao que agora se sabe, estes comportamentos patológicos e extremados estavam largamente generalizados entre os novos senhores dos territórios de Leste e muito longe de se confinarem aos nazis mais acérrimos.

 

Milhares de judeus foram levados em grupo para fora das cidades, onde os forçavam a despir-se e a colocar-se no cimo dos outeiros, à beira das ravinas. À medida que as salvas de tiros dos esquadrões da morte ecoavam, os corpos das vítimas iam caindo para a pilha de cadáveres que se amontoavam abaixo delas. As mulheres e as crianças – que eram consideradas como possíveis “vingadores” no futuro – eram agora de uma maneira geral incluídas nos massacres, no seguimento de instruções verbais transmitidas por Himmler e passadas aos comandantes dos vários esquadrões da morte. Assim se foi banalizando o mal. No verão de 1941 foram assassinados no leste, pelos adeptos nazis, cerca de meio milhão de judeus.

 

A princípio, ainda havia algum simulacro de decoro, pois as execuções eram feitas por pelotões de fuzilamento. Mas, decorridas algumas semanas, as mortes eram levadas a cabo com uma metralhadora; as vítimas eram chacinadas nuas enquanto se ajoelhavam à beira das valas.

 

A pacificação do território conquistado a leste, segundo Hitler, tinha de ser conseguida matando a tiro qualquer pessoa “que olhasse sequer de esguelha”.

 

Já na Alemanha, os judeus ainda andavam misturados no meio dos arianos, o que causava muita apreensão. Além disso, constituíam “centros de agitação” e ocupavam apartamentos que eram necessários. Entre outras coisas, os judeus eram responsáveis por açambarcarem bens alimentares. E mesmo pela escassez de morangos na capital.

 

No meio de uma tensão nervosa, e aconselhado por Goebbels, Hitler autorizou que os judeus fossem obrigados a usar um distintivo que os identificasse: a famosa estrela de David, grande e amarela.

 

Começou então a ser pensada a solução definitiva. Pediu-se, para tal, que houvesse uma total clareza desde o princípio com respeito ao destino reservado aos “indesejáveis”, “quer o objetivo fosse estabelecer permanentemente para essas pessoas uma determinada forma de existência, quer estivessem destinadas a ser totalmente aniquiladas”.

 

Começaram então a ser construídas as câmaras de gás em Belzec. Entretanto iniciaram-se os fuzilamentos em massa e os assassinatos nos furgões de gás. Na primeira semana de dezembro de 1941, Chelmno, uma estação de furgões de gás do sul da Warthegau, transformou-se na primeira unidade de exterminação em funcionamento.

 

Em Minsk, 12 000 judeus do gueto local foram executados a tiro pela polícia de segurança, a fim de vagarem espaço para o fluxo de judeus germânicos, pois, segundo o comissário-geral para a Bielorrússia, Kube, as pessoas provenientes da sua “própria esfera cultural” deveriam ser tratadas de maneira diferenciada das “hordas nativas e atabalhoadas”.

 

O ataque japonês Pearl Harbour, a 7 de dezembro, veio acelerar todo o processo, originando que os planos de efetivação de uma “solução final” para a “Questão Judaica” entrassem numa nova fase: a mais assassina de sempre.


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Domingo, 22 de Setembro de 2019

Em Lisboa

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Sábado, 21 de Setembro de 2019

No Barroso

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Sexta-feira, 20 de Setembro de 2019

Em Lisboa

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Quinta-feira, 19 de Setembro de 2019

Poema Infinito (474): Vento

 

Dizem que, por vezes, o vento bom sopra do Sul. Eu sou de outro ponto cardeal. Sou do vento, sopre ele de onde soprar. Sou do vento. Da ventania e do vendaval. O vento é vário. O Sol flutua nos meus olhos com a sua brancura azulada. Depois do verão, o outono veio rumorejar a sua queda. As folhas. A seguir, o inverno amontoará a neve, o tédio, os dias e o resto do mundo que pode sobejar. Tremem-me as sombras nas mãos. E os livros. O silêncio do tempo continua a derrubar os muros. Ninguém se liberta da ditadura do silêncio. As asas dos anjos começaram a perder as penas. As linhas do Céu perderam a sua harmonia. Deus gesticula os braços e as estrelas fazem-se em pedaços. Deus deixou de ser magnífico. Dizem que inverteu o Big Bang. Não sei de onde nasce esta quietude. Milhares de aves levantam do chão em silêncio. O amor transforma-se em luz. Os olhares organizam o caos. As borboletas desarrumam as palavras. O desejo rebenta com a gramática e com a semântica. O crepúsculo fixa a dimensão exótica da luz. A semântica da sedução resultará na pose. A gramática da sedução ou é orgástica ou não existe. Alguém beija um rosário. Eu prefiro dedicar-me aos corpos. À indelicada linguagem das cópulas. À sinfonia delicada da penetração. Ao êxtase. A realidade também pode ser magnificente. Não existe apoteose no desespero. No amor não há redenção, mas fogo. Por isso, o universo é infinito. As estrelas penetraram o arco-íris. As ruturas resultam da linguagem conceitual dos viajantes, da indecisão das palavras solitárias, da vulnerabilidade das indecisões divinas, do pressentimento luminoso dos rostos, da exigência estética da sedução, da ressonância da indiferença e, sobretudo, da relação prodigiosamente incoerente estabelecida entre Deus e o Diabo. Os poetas e os deuses gostam de improvisar o seu próprio desassossego, de amadurecer os seus remorsos, de criar os seus exílios, de agitar a solidão, de golpear o silêncio, de transformar o amor em tragédia, de transformar a tragédia em amor. Uma bruma antiga abraça os templos transformando as revoltas em inutilidade. A vontade de resistir transformou-se em choro. O tempo é a hipérbole ritual do infinito. A memória separa a verdade do destino. A chuva transformou o silêncio numa espécie de sermão místico. O desaparecimento demora-se mais um pouco nos ângulos barrocos das paredes graníticas das casas. Alguns lamentos continuam a nascer por entre as fendas dos muros, pelas frestas dos telhados, de dentro das arcas e das malas fechadas pelos anos e pela tristeza. Um frio permanente continua depositado junto à lareira. As recordações são como relíquias onde ninguém gosta de mexer para não estragar. Deus e os homens abandonaram a aldeia. Dizem que também pode haver beleza nas imagens mortas. Agora escrevo sobre a nostalgia da sinceridade, sobre a reconstituição inútil das penumbras e das cintilações. Também o amor carnal é metafísica. Daí resulta a instabilidade religiosa, o desprezo, a justificação dos hábitos, a magnitude sobrenatural da individualidade e a interpretação moral da vontade. As linhas da vida são diversas. Uma chuva violenta começou a cair sobre a madrugada. Os gritos eróticos organizam-me a química orgânica do tempo e dos fluidos. Flores matinais deslizam sobre o meu pénis.


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Quarta-feira, 18 de Setembro de 2019

Na Póvoa de Varzim

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Terça-feira, 17 de Setembro de 2019

Em Paris

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Segunda-feira, 16 de Setembro de 2019

460 - Pérolas e Diamantes: A longa espera

 

 

Parece que a legitimação pós-moderna da democracia assenta na peregrina ideia de confundir o poder político com a administração e a gestão.

 

A poderosa máquina do Estado vive na tentação de engolir tudo. Vivemos entre a paranoia da corrupção e da incompetência. Mas o país não vai soçobrar no abraço de urso do “complexo de culpa” luso. Isso é que era bom.

 

Nem tanto, nem tão pouco.

 

A verdade é que nos falta alguma coragem moral e política para evitar o descalabro. A verdade, também, é que nem o denominado estado de bem-estar é ilusório, nem o humanismo é decadente, nem a liberdade é alienante.

 

A democracia não corrompe a sociedade. Os falsos democratas é que sim.

 

Claro que a maioria dos políticos não são nem demoníacos, nem maquiavélicos, nem corruptos. Mas estamos conscientes de que também não são, por muito que o apregoem, nem homens extraordinários, nem administradores sensacionais e muito menos moralistas impolutos.

 

Os que mais triunfam são aqueles que conseguem misturar a demagogia com uma apreciável rapidez de análise dos fenómenos políticos e sociais que os rodeiam.

 

No jogo de xadrez político, os mais distintos raramente movem uma pedra de forma errada.

 

Mas o quadro tradicional das fações continua a ser o da hipocrisia que sempre minou a política.

 

A verdade é que a política está ocupada por gente sem caráter, de mercenários perfeitamente desfasados da vida real.

 

É difícil em Portugal perceber onde termina a dignidade e começa a hipocrisia. E o contrário também é verdadeiro.

 

Marco António disse num seu discurso que Brutus era um homem honrado, mas...

 

Em Portugal, o Governo vai-se mostrando exímio em aplicar, uma vezes, uma política de esquerda usando a mão direita e, outras, fazendo o contrário, praticando uma política de direita utilizando a mão esquerda. A Geringonça é isso mesmo.

 

A mim, os debates políticos parecem-me um concurso de putos a ver quem consegue mijar mais longe.

 

A lógica da política assenta em dois procedimentos: ajudar a nadar quem está a nadar e ajudar a afundar-se quem está a afundar-se.

 

E porque razão votamos? Somos escravos do instinto. Das ideias feitas. Dos sorrisos inócuos. Da opinião imbecil. Há uma loucura mansa em acreditar que um voto constrói uma democracia. É como tentar enxaguar o chão com uma torneira de água aberta.

 

Nietzsche escreveu o seguinte aforismo: “Para vermos algo como um todo temos de ter dois olhos, um de amor e um de ódio.”

 

Dizem que a compreensão da política é um conhecimento útil. Para mim é tão útil como o conhecimento da composição da água para um marinheiro em risco de naufragar.

 

Fizeram-nos acreditar que eles acreditavam que ser é mais importante do que ter. Pensamos o poder como uma vantagem. Mas não é bem assim. Quanto mais se sobe, mais dura é a luta. Quanto mais perto se está do cume mais custa fazer concessões. Mas mais têm de ser feitas. E no ponto mais alto da hierarquia, as humilhações costumam ser violentas. Na maioria das vezes não há lá ninguém para ouvir as queixas pessoais. Cada um trata de si. Os pequenos chefes não conhecem mais do que o medo de que os apunhalem pelas costas. A raiva cresce. O veneno das falsas promessas toma conta de tudo. São sempre os reis do mundo até a roleta ser posta de novo a girar.

 

Por incrível que pareça, adotam-se sempre os líderes mais patéticos. As pessoas gostam de ser enganadas.

 

A direita está em pânico porque ou não sai do sítio ou se sente a afundar a uma velocidade preocupante; a esquerda moderada já não se limita a fazer parte do sistema, é o próprio sistema e conseguiu até que a extrema-esquerda passasse do lado obscuro para o lado claro da força. Já acredita em jedis. A adversidade serve-lhes para reforçar a certeza de que têm razão.

 

Os seus militantes mais representativos transformaram-se em compulsivos consumidores e animadores do Instagram, Facebook e Twitter. São infobesos.

 

Querem-nos fazer acreditar que a política se baseia numa história sobre a inocência. Mas todos sabemos que em política a inocência é pura e simplesmente impossível.

 

Vamos esperar que a política se transforme numa atividade honesta e verdadeira, que sirva para melhorar a vida de cada cidadão contribuinte.

 

Como defende David Lynch, o realizador de Veludo Azul e Twin Peaks , “em comparação com a eternidade, qualquer espera é sempre pouco morosa”.


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Domingo, 15 de Setembro de 2019

Póvoa de Varzim

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Sábado, 14 de Setembro de 2019

Póvoa de Varzim

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