Sábado, 4 de Abril de 2020

Voo

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Sexta-feira, 3 de Abril de 2020

Tranquilidade

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Quinta-feira, 2 de Abril de 2020

Poema Infinito (502): Combustões

 

A preguiça não é uma doença. Sei-o desde pequenino. Quando as entendes, as coisas mudam. O passado parecia menor, mas cresceu muito. Agora brilha intensamente provocando manchas no olhar. As fotografias tiradas nos velhos estúdios começam a expandir os seus sorrisos de desilusão. A verdade é que quando toca de chover tanto chove no justo como no pecador. Sinto à minha volta a nostalgia pelos gnomos das florestas primitivas, a força dos poemas de raiz oral, os demónios hermafroditas, as cidades subterrâneas. À minha frente tenho o deslumbramento retilíneo das novas avenidas. No céu surge Mário Cesariny ai meu Deus de Vasconcelos a explicar o chato do Fernando Pessoa às criancinhas. A verdade é que o seu desassossego já enjoa. A sua caricatura provoca lágrimas. Desde que foi para os Jerónimos é figura querida dos fabricantes de postais, loiças, roupas e de outros pagodes. A verdade é que o Fernando parece uma nossa senhora vestida de preto produzida pelos chineses. A verdadeira combustão poética é feita com pavio de estopa mergulhado em azeite. O Fernando é pouco Pessoa. Pascoaes é muito mais Teixeira. Iluminamo-nos com a mesma luz. Com as velhas aldeias, com o céu e as montanhas, com os tolos, os bruxos, os jericos, os vadios, os aliados, os lobos, a neve, o sincelo, a névoa, as serras e os penedos de granito. A verdadeira poesia é dissidente, selvagem, vinda diretamente da imaginação, da magia pornográfica dos sinais. A poesia não é literatura. É muito mais do que isso. Nela rebentam as flores, as estrelas, os bichos e os olhares. A poesia que se sente é fruto do primevo metabolismo cósmico a que se acede seguindo os velhos caminhos de cabras. Pascoaes tem razão: a aldeia é espaço finito, mas ilimitado. Continuo a andar pelos pinhais a tentar descobrir os enigmáticos sinais de pedra que Teixeira deixou por lá espalhados. Por vezes, durante a noite, oiço o uivo dos seus versos selvagens. A sua crença mágica é assombrosa e ingénua. Todo o grande poeta traz dentro de si o poder genésico de criar mundos paralelos. Uma vez viram sair Teixeira de Pascoaes da ala da casa onde habitava com a cabeça em fogo. Um aldeão também se espantou quando o viu subir uma encosta a deitar fogo pelos cabelos. Dizem-no poeta de fogo e de luzência. Foi com ele que aprendemos a mastigar luz. Os buracos negros alimentam-se dela. Os mundos mágicos tentam apagar a morte. É preciso correr entre carvalhos e antas para escrever versos tamanhos. Procuramos fazer amor só pelo prazer de sermos bem tratados, de olhos límpidos e em pose de acrobatas. Assim como há risos sofridos e molhados, as alegrias também podem ser assustadoras. Desvanecem-se como folhas pisadas, as memórias dos sorrisos que nos ajudaram a crescer. Os meus pais, que foram nascentes que me pareciam eternas, são agora húmus. Por vezes sou assaltado por uma espécie de pânico de nada sentir. Acordo despertado por relâmpagos de medo. Por vezes, a desilusão é do tamanho do mundo. E o desassombro da dimensão do universo. Eu louvo a chuva e prezo o sol. Continuo a querer saber de que são feitos a coragem e o medo. O arrojo do rio prende-nos à claridade do dia. O risco extenso da água faz-nos fechar os olhos. Há muitas coisas importantes que ainda não foram nomeadas. À medida que o tempo passa, amanheço mais cedo.


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Quarta-feira, 1 de Abril de 2020

Passeando

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Terça-feira, 31 de Março de 2020

Tâmega

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Segunda-feira, 30 de Março de 2020

 Epístola primeira

 

 

Escrevo-te cá de baixo, mesmo muito mais abaixo do que é costume. Ando eufórico, extravagante, frenético. Agora tomo uns comprimidos que me põem elétrico. Estabeleci contacto com estas pílulas milagrosas uma noite quando um jovem simpático, que conheci por caso, mas aconselhou como antídoto contra as minhas crónicas dores de cabeça. Deu-me uma para experimentar e depois vendeu-me um saquinho delas, caras, razoavelmente caras, mas artigo com propriedades muito apreciáveis. Não é que com elas a dor de cabeça me passe, mas quando engulo uma ponho-me logo aos pulos. Por isso agora tomo-as e dirijo-me logo de seguida para um local onde se dança toda a noite ao som de música latina. E por ali fico aos saltos até que se faça dia. Depois de tomar a medicação só bebo água e sumos naturais, pois foi o que mais me recomendou o meu jovem amigo. Eu, que detestava música de baile, eu que só conseguia ouvir música de câmara em ambiente adequado, agora derreto-me por salsa e merengue. Mas vou terminar esta minha missiva pois acabei mesmo agora de tomar uma pílula verde e já estou que me desmembro. PS - Não te esqueças de dar as vitaminas ao tritão (Lissotriton boscai), pois se as não tomar o bicho perde a cor e a elasticidade dos músculos e da pele.


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A cultura do meu amigo

 

 

Hoje apeteceu-me comer um gelado, enquanto conversava com um meu amigo que é muito dado às coisas da cultura. E falámos muito e falámos bem. De vários temas, todos interessantes. Digo-vos que é muito útil falar com esse meu amigo. Isto é, quando ele nos deixa falar. É que ele sabe muito de muita coisa, sobretudo de alta cultura. Fala muito e bem sobre os mais variados temas. Todos temas muito interessantes, muito abrangentes e muito atuais. Ele é até mais culto do que a maioria dos cultos do nosso país. E olhem que, mesmo sendo Portugal um pequeno país, possui, mesmo não parecendo, muitos e bons homens e mulheres de cultura. Mas, mesmo assim, este meu amigo supera-os quase a todos. Ele fala muito, bem e depressa e nunca, mas mesmo nunca, revela dúvidas enquanto discursa. Ou seja, nunca se engana, nunca se atrapalha, nunca gagueja. O discurso sai-lhe sempre límpido, sem hesitações, sem atrapalhações, sem flutuações, ou outras indeterminações. Com ele é sempre a direito, mesmo quando o seu discurso revela uma configuração um pouco mais sinuosa. Tem este meu amigo a qualidade de tudo descobrir. De pôr tudo claro como água. A sua cultura é muito apreciada pela família, pelos amigos, vizinhos, colegas e até por alguns dos seus inimigos. Mesmo os seus inimigos reconhecem que ele é muito, mas mesmo muito, culto, de uma cultura superior, muito metódico no falar, muito comedido nos seus gestos, que também são cultos, até o seu andar é um andar que reproduz a sua brilhante cultura. O seu andar é mesmo muito erudito. De uma erudição convergente, tranquilizante e tranquilizadora. Mas não é só o seu andar ou o seu falar que espelham cultura, o seu olhar também a exprime. De uma cultura impecavelmente estudada. Se a cultura tem alguma utilidade, de certeza que é neste meu amigo onde encontra a sua plena realização. As suas conversas, mesmo quando parecem fúteis, não o são. O meu amigo dá-lhes sempre um toque culto. Até quando come consegue encher-nos de cultura. Com ele tudo se transfigura em cultura: os gestos, os talheres, os condimentos, as toalhas, os guardanapos, os tachos, os copos, o vinho, até mesmo os palitos dos dentes ganham uma auréola sublime, uma importância inaudita com espaço próprio na história universal. Depois é a sobremesa que se nos agiganta na sua intrínseca utilidade, no seu inseparável conceito culinário, na sua ancestralidade cultural, na sua significância metafísica, no seu indesmentível valor simbólico e prático, na sua génese voluptuosa, no seu redimensionamento monástico, na sua decifração abstrata, ou estrutural, ou alegórica. A tudo lhe encontra sentido, forma, objetivo, importância, sedução, uniformidade, relação e arte. Até na falta de cultura encontra cultura. E beleza. Para ele tudo é belo porque, na sua perspetiva, tudo se reduz à linguagem. No princípio era o verbo, repete ele muitas vezes. É muito esclarecedor em tudo o que diz. Revela-nos a cultura que está por detrás da disposição das cadeiras, na colocação dos candelabros, no ritual de nos sentarmos ou nos levantarmos da mesa. Aponta-nos o conflito civilizacional e a evolução cultural que está por detrás do ato de não cruzarmos cumprimentos de mão. Elucida-nos com muita competência sobre o modernismo sistémico das floreiras numa sala de estar, ou sobre o conflito epistemológico das reações químicas entre pessoas que se querem bem. Uma noite passada com este meu amigo vale por uma semana inteira a estudar a enciclopédia brasileira de cultura. Podia estar aqui toda a noite a escrever que não era capaz de expressar convenientemente a sua cultura. Por isso aqui vos deixo este pequeno introito com a única intenção de prestar, a esse meu amigo, uma singela homenagem que, não sendo culturalmente relevante, é sincera.


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Apetites freudianos

 

 

– Mãe, estou toda molhada.

– Sim, espera um pouco que vamos ali comprar um guarda-chuva aos chineses.

– Mãe, estou cheia de frio.

– Pois, mas espera um pouquinho, não vês que estou a dar de mamar ao teu irmão!

– Mãe, estou cheia de fome.

– Eu sei que estás, mas tens que ter paciência e esperar um pouco até te poder comprar qualquer coisa para comeres.

– Mãe, apetecia-me leite quente.

– O quê?

– Apetecia-me leite quente.

– Espera um pouco. Não vês que estou a dar de mamar ao teu irmão! Quando chegarmos ao café logo te dou qualquer coisa.

– Que coisa, mãe?

– Qualquer coisa. Uma sandes de fiambre ou de queijo e um sumol para beberes, por exemplo.

– Mas mãe apetecia-me muito beber leite quente. É que estou cheia de fome e ainda é longe até ao café.

– Tem paciência. Espera um pouco. Deixa-me acabar de dar de mamar ao teu irmão.

– Mãe, estou cheia de fome e de frio e estou toda molhada. E apetecia-me muito beber leite quente.

– Será que também queres mamar? Não tens vergonha! Uma menina da tua idade a querer mamar na teta da mãe.

– Mas mãe o Rui também já é crescidinho e mesmo assim tu ainda lha dás.

– Não me digas que estás com ciúmes do teu irmão.

– Não sei. Eu ainda sou pequenina e tenho muita vontade de beber leite quente. Dá-me a teta, mãe. Sinto tantas saudades de mamar.

– Se não te calas, o que te dou é um bom par de bofetadas…


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Domingo, 29 de Março de 2020

Barroso com neve

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Sábado, 28 de Março de 2020

Vilarinho Seco

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Sexta-feira, 27 de Março de 2020

Pinheiros com neve

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Quinta-feira, 26 de Março de 2020

Poema Infinito (501): A coagulação dos olhares

 

 

Deambulo pelas enormes naves abertas às estrelas desta catedral inacabada. Contemplo as ogivas e o irresistível e fascinante voo dos pássaros. Daqui, as ave-marias vão diretamente para o céu. Ainda oiço o pisar lento e calmo dos antigos monges na terra batida pelos séculos. A ânsia destas abóbadas nunca foi fechada. Sempre venerei o pó como tesouro mineral. E o caráter dos objetos. E a intimidade da ciência. E as rochas que protegem o solo há milénios. Os processos naturais exigem a mão de obra primária do tempo. Ergueu-se então uma ruidosa pirâmide e íngreme de sal e a cidade ficou ausente. Nos rios prolongaram-se o afogamento dos peixes e as chuvas deixaram de cair de forma estrutural. Alguns pássaros começaram a morrer. Outros abriram as suas asas como forma de combater o crepúsculo. A plumagem deste janeiro é fria. O frio tem a sua própria linguagem. É dela que deriva o prenúncio da sua força. Já passaram os andores do São Sebastião ao som das ladainhas em honra do mártir. O seu desejo é uma forma de sacrifício imaginado.  A cadência dos peregrinos é centrífuga. É necessário preparar o momento em que os corpos se desligam. As divindades querem acabar com o ciclo dos desastres. Os relógios quiseram atrasar as metamorfoses. O navio das pequenas felicidades já há muito tempo que abandonou o porto. O holograma da avó apaga a candeia e vai para o campo. Arranca as últimas raízes com gestos de misericórdia. Depois espera que cheguem as andorinhas. Imagino o seu frio, o traço contínuo dos seus braços, o esboço dos seus cabelos brancos e os sulcos na pele do seu rosto. O vento possibilita o libertador voo do tartaranho. Assistimos à liquidificação do tempo, ao amalgamento das trovoadas, ao reconhecimento das fontes de calor, à absorção desesperada dos olhares. Os tesouros estão do outro lado. Não é a grandeza de Deus que nos tira de maçadas. A devoção religiosa pelo pó é a prova da negligência de Deus com a vida. A sordidez disto tudo é que a poeira é voadora. Também os demónios costumam voar em círculos quando vão roubar o canto aos pássaros. Alguém passa em pânico pela oscilação do gelo. As perguntas de Deus não incluem palavras por isso as respostas têm de ser silenciosas. Anuncia-se a madrugada, mas o corredor é muito longo. Vou chegar tarde à frescura do jardim. Ontem fotografei os miosótis cobertos de chuva e as pestanas incolores de um anjo roxo. Alguém, distraído, engomou os malmequeres. Disse-me a minha mãe que a minha primeira lágrima foi uma que ela deixou cair dentro do meu olho quando fiquei doente, pouco tempo após o meu nascimento. Disse também que a noite exalava um frio de orvalho e que a minha pele tinha a claridade da lua. Durante vários dias as pombas arrulharam encrespadas nas sombras. Disse ainda que se entretinha a ver borbulhar a água nas panelas. As sementes estavam escondidas na terra e as raízes tenras das árvores também dormiam nela aconchegadas. Disse também que sorria para mim mas não era de alegria. Depois os seus olhos coagularam durante os breves instantes do sono. Os gestos, os gritos, os odores, tudo se tornou audível.  Nunca se sentiu tão sozinha. Procurou então a origem dos milagres e as verdades mais antigas. Descobriu que eram como lentíssimos terramotos. O mundo tanto aparecia como desaparecia. Depois atirou fora as horas, mas conservou o relógio no pulso esquerdo.


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Quarta-feira, 25 de Março de 2020

Jardim Público - Chaves

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Terça-feira, 24 de Março de 2020

Tâmega

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Segunda-feira, 23 de Março de 2020

486 - Pérolas e Diamantes: O efeito aperitivo

 

 

Sim, nós somos gente muito determinada e decidida. Desejamos sempre duas coisas ao mesmo tempo: ter uma profissão liberal e ser funcionário público; viver no campo e manter a casa na cidade; levar uma vida simples, mas sem renunciar a um certo e urbano conforto.

 

O sonho continua a ser o de viver no campo, apesar de vivermos na cidade, numa casinha com uma grande lareira, junto ao regato da floresta, longe do bulício e das pessoas indiscretas. Nem todos somos ricos, mas podemos viver com dignidade.

 

A verdade é que agora tudo é simpático, inofensivo, divertido, agradável e perfeitamente trivial. A pós-modernidade é mesmo assim: falar de carros, viagens, concertos, festivais gastronómicos, política, futebol e das alegrias dos fins de semana.

 

Agora já não se fazem partos, mas cesarianas.

 

Agora admiramos o caramanchão do jardim e sentamo-nos numa poltrona de orelhas a ouvir música clássica, mantendo acesa a chama dos subterfúgios. E quando vamos de férias para junto do mar gostamos de fotografar o voo acrobático das gaivotas. E também apreciamos filosofar com tiradas tipo: “Já todos sabemos que essa bonita coisa do progresso um dia vai correr mal. Mas, seja lá como for, a geringonça vai continuar a funcionar. Os nuestros hermanos bem que nos copiaram.”

 

Enquanto andamos sobre as dunas, ouvimos o leve marulhar das ondas.  Depois olhamos para setembro e dizemos que a sua luz costuma ser ambígua. Então o mar fica liso e começa a lamber a areia da praia.

 

De facto, até nos podemos dar ao luxo de ouvir a música de Wagner e achar que ela é grandiloquente e mesmo intimidatória, estremecendo nos assentos por culpa do som das trompas e das trombetas.

 

Claro que o bulício e as multidões citadinas acabam por nos aturdir, mas sempre é melhor do que andar na montanha-russa. Por vezes também é avisado visitar espíritas para nos fazerem a carta astral. Sempre é melhor do que pedirmos a uma cigana para nos ler a sina. Os tempos são outros.

 

Paris e a sua vida libertina ainda faz parte do nosso imaginário. E Sartre. E o existencialismo. E Che Guevara. Até usamos a sua t-shirt quando vamos de férias para Varadero. E rumba que rumba e torna a rumbar. Que caliente. E um mojito na Bodega del Medio ainda nos traz à memória Ernest Hemiguway e o Velho e o Mar.

 

Apesar de tudo, continuamos simples e sentimentais. A imagem de um pardalito molhado e frágil ainda nos comove até às lágrimas. Por vezes sentimo-nos assim perante a grandeza do mundo.

 

E a História, nos seus pormenores grotescos, não deixa de nos surpreender para também nós surpreendermos os outros com as suas pitadas de ironia. Então não é que na Roma antiga a procura de criados anões era tanta que alguns pais fechavam os seus filhos para os impedirem de crescer e dessa forma conseguirem que os nobres os contratassem para servirem em sua casa. Curioso, não é? Dizem que até possuíam uma língua própria para que a concorrência não pudesse compreender as suas conversas. É possível que esta mesma língua fosse utilizada, nessa mesma época, no Egipto, entre os anões que ocupavam altos cargos nas cortes dos faraós e também entre os humildes pigmeus que viviam nas margens do Nilo, cujo aspeto e hábitos foram descritos por Aristóteles e Plínio. Dizem que essa língua chegou mais tarde ao Centro da Europa onde recebeu o nome de Geheimnissprache der kleinen Leute.

 

Quem bom está este gin Nordés!

 

A Bolsa continua em baixa. Dias melhores virão. Não há bem que sempre dure e mal que nunca acabe. Menos nuvens, mais claridade.

 

Nuvens leves como penas de pato desenham linhas finas no céu azul-celeste. A relva do jardim brilha no seu peculiar tom de verde. Ouve-se então o leve restolhar das folhas das árvores que se transforma depois num sussurro e depois numa canção. Inquietação... inquietação... é só inquietação... Que bom está o gin tónico. Ingerir álcool provoca fome, o que nos leva a querer consumir mais e depois a ter mais fome...

 

Mark Forsyth explica que “nós evoluímos para beber”. Por isso é que beber tanto é tão revolucionário como burguês. Que bom está este mojito.

 

Lemos Afonso Cruz e embebedamo-nos de conhecimento. O atual excesso resulta da evolução social: “Os bibliófilos acumulam livros, os gulosos gordura, os ciumentos pessoas, os agiotas dinheiro, os sábios sabedoria, e nenhum deles se sacia.”

 

Este whisky não é velho o suficiente para se beber com água lisa barrosã. Mas não se pode desperdiçar, misturado com Coca-Cola ainda celebra com alguma qualidade Cuba Libre. Pátria ou muerte... Ah, ah, ah, viva a revolução. Será possível um crescimento contínuo? Este efeito aperitivo já se transformou em vício vai para algum tempo.


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Domingo, 22 de Março de 2020

Serenidade

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Sábado, 21 de Março de 2020

Serenidade

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Sexta-feira, 20 de Março de 2020

Na conversa

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Quinta-feira, 19 de Março de 2020

Poema Infinito (500): O Divino

 

 

Leonardo, quando partiu para Milão, levou consigo aquilo que lhe era mais querido: esboços de flores copiadas da natureza; vários São Jerónimo, oito São Sebastião; uma cabeça de Cristo feita à pena; muitas composições de anjos; uma cabeça de perfil com lindo cabelo; muitos pescoços de mulheres velhas e cabeças de homens novos; vários nus integrais; uma Madona já  terminada; uma outra de perfil, quase terminada; uma cabeça de um velho com um queixo enorme; uma narrativa da Paixão de Cristo feita em relevo; um projeto de fornos e várias engenhocas para a água. Em Milão instalou-se no castelo do cruel Ludovico Sforza, conhecido como “o Mouro”, homem com falsas aparências de cortesia, cultura e civilização. E por lá andou Leonardo misturando-se com os cortesãos, artistas, atores, músicos, mestres de caça, estadistas, treinadores de animais, engenheiros, além de outros agentes de auxílio ou de embelezamento que ali estavam para aumentarem o prestígio e a legitimidade do seu governador. Aspirava, o genial da Vinci, em ser polímato, naquela cidade repleta de académicos e intelectuais de várias áreas. Começou a dançar em torno da linha de separação entre o engenho e a fantasia. Desenhou então o carro falcato que no seu movimento cortava pernas ou soldados ao meio. Ele que se tornou vegetariano pelo amor que nutria por todas as criaturas. Era este um sinal do seu tumulto interno, pois dentro da sua cabeça existia uma imaginação demoníaca. Aprendeu a usar formas geométricas como analogias das forças da natureza. Prometeu desenhar, se fosse necessário, canhões e peças de artilharia úteis e de enorme beleza. Desenhou o architronito, ideia creditada a Arquimedes, o antecessor da metralhadora. Ludovico Sforza não lhe ligou importância. A sua atividade militar apenas se desenvolveria a partir de 1502, quando foi trabalhar para um homem mais forte, difícil e tirânico do que o seu mentor: César Borgia. O único método que Ludovico aprovou com entusiasmo foi a preparação do banho para a sua nova e jovem mulher que consistia em quatro partes de água fria para três partes de água quente. Os génios são assim. Também as cidades ideais integram as visões imaginativas com as perspetivas militares. A ideia urbana de Leonardo baseava-se no conceito de combinar as ruas e os canais num sistema de circulação unitário. A sua cidade teria dois níveis: um superior pensado para a beleza e a vida pedestre, e um nível subterrâneo para albergar canais, comércio, instalações unitárias e esgotos. Decretou, o genial Leonardo, que somente o belo podia ser visto no nível superior da cidade. E as escadas deviam ser espiraladas, pois, segundo Deus, o seu filho Leonardo amava essa forma. Se alguém lhe tivesse dado ouvidos, a história poderia ter sofrido o impacto e a aceleração da totalidade da sua arte. Estudou cientificamente, enchendo páginas e páginas de esboços, ideias gerais e passagens para tratados de temas como o voo das aves, a água, a anatomia, cavalos, mecânica, geologia e a possível arte confessional de Santo Agostinho. Contudo, os seus zibaldone são descritos como os testemunhos mais poderosos da observação e imaginação humanas alguma vez apresentadas em papel. Um mistério ainda existe: raras vezes datou as páginas dos seus cadernos.


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Quarta-feira, 18 de Março de 2020

Em Santiago de Compostela

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Terça-feira, 17 de Março de 2020

À espera

Corpo de Deus - maio 2016 - Fuji - Vilar de nantes

 


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Segunda-feira, 16 de Março de 2020

485 - Pérolas e Diamantes: Confusões

 

 

A confusão é enorme. A confusão aí está. A política hoje não é de esquerda nem de direita. É apenas um sentimento depressivo que se torna endémico porque é partilhado por muita gente. Não é um fenómeno partidário. É apenas uma doença repartida que se espalhou um pouco por todo o lado.

 

Por isso, hoje o meu olhar sobre as coisas é mais branco, mais calmo e mais relaxado. A provocação, a existir, está mais do lado de quem lê do que do lado de quem escreve.

 

Estamos encerrados em bolhas que não comunicam e ninguém está disposto a escutar opiniões diferentes. As pessoas são surdas e mudas em relação ao que se passa fora da sua zona de influência.

 

Hoje lê-se tudo de forma literal, não se dá espaço à ironia. Não há lugar para a metáfora. A cultura atual não se preocupa com a arte. Ninguém sabe o que há de fazer com ela.

 

Parece que todos nós nos sentimos vítimas da diversidade, da inclusão e da representação. Generalizou-se a ideia de que é preciso reescrever a História. Tudo isso para suprimir a verdade em nome da representação global, da inclusão e da diversidade. Tudo isso, além de complicado, é enganador. Os progressistas querem, a toda a força, impor a sua agenda.

 

A grande parte das novas narrativas falsificam tanto as más como as boas ideias.

 

Criamos um avatar de nós mesmos que nos representa. Temos medo do que realmente somos.

 

Janet Malcolm, no seu livro “The Journalist and the Murder”, sintetizou tudo isto na perfeição: “A sociedade posiciona-se entre extremos de uma moralidade insuportavelmente severa, por um lado, e, por outro, de uma permissividade perigosamente anárquica, aceitando-se tacitamente que nós podemos quebrar as regras da moralidade mais austera, desde que o façamos de forma silenciosa e discreta. A hipocrisia é o lubrificante que mantém a máquina a funcionar de forma aprazível.”

 

Fala-se muito em empatia mas a verdade é que as pessoas cada vez têm mais dificuldade em compreender porque é que sentem aquilo que sentem.

 

Por isso é que as pessoas apreciam heróis marginais como o Joker, que durante a noite não quer nada, nem sequer dinheiro, pois pretende criar simplesmente o caos. Pensam que a única maneira de consertar o sistema onde vivem é destruindo-o.

 

Esta é a lógica que levou Trump ao poder. A política passou a ser um sentimento caótico. Hoje as pessoas são apreciadas pelas suas transgressões.

 

Vivemos no tempo em que líderes como Trump e Bolsonaro têm o desplante de explorar a alarvidade, a estupidez e a ignorância como se fossem conquistas democráticas.

 

Nós devemos ser honestos com os nossos gostos e também com os nossos desgostos.

 

No entanto, o historiador Yuval Noah Harari defende que no século XXI a principal ambição humana, para além do controlo da fome, das epidemias e da guerra, será a tentativa de transformar os humanos em deuses. Ou seja, o esforço será na criação da capacidade de manipular e criar vida.

 

Na sua opinião, o pior cenário é o de a inteligência artificial vir a empurrar centenas de milhões de pessoas para fora do mercado de trabalho, criando assim uma nova “classe inútil”. As pessoas perderão o seu valor económico e, por arrastamento, o seu poder político, enquanto, ao mesmo tempo, a bioengenharia tornará possível a criação de uma pequena elite de super-humanos.

 

O melhor cenário reside na possibilidade de as novas tecnologias poderem vir a libertar todos os seres humanos do fardo das doenças e do trabalho pesado e permitir que todos explorem e desenvolvam o seu verdadeiro potencial.

 

Os três desafios existenciais do futuro são de natureza global. O mesmo é dizer que só serão resolvidos através de uma cooperação global.

 

Uma coisa temos de perceber: por incrível que pareça, não existe contradição entre nacionalismo e globalismo. Já que o nacionalismo democrático não é odiar estrangeiros. Nacionalismo é amar os nossos compatriotas. Por isso é necessário cooperar com os estrangeiros. O mesmo é dizer que os bons nacionalistas devem também ser bons globalistas.

 

Mas a grande revolução tecnológica prevista para o século XXI é preocupante já que consiste na capacidade de piratear os seres humanos. E piratear seres humanos significa que os pirateadores entendem melhor os seres humanos do que eles se entendem a si próprios.

 

Mas o que tiver de ser será. Ou não será. Os truísmos aí continuarão a estar para o que der e vier.


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Domingo, 15 de Março de 2020

Em Santiago de Compostela

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Sábado, 14 de Março de 2020

No Porto com Axel, Marina e Ana

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Sexta-feira, 13 de Março de 2020

Trabalhando

Corpo de Deus - maio 2016 - Fuji - Vilar de nantes

 


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Quinta-feira, 12 de Março de 2020

Poema Infinito (499): As rodas dentadas do pecado

 

 

Encontro-me no interstício superior do fluxo mais violento do tempo. As rodas dentadas continuam a cair dos relógios. Por vezes os trilhos conduzem a um precipício. São como o fojo dos lobos. A verdade é que os comediantes também morrem. E até os heróis de banda desenhada. E os domadores de coelhos. Vivam os adeptos do culto da vulgaridade. Há também os mestres na exposição do ridículo. Eu sou apenas o conciliador do inconciliável. E com isso me basto. A insatisfação é uma urgência. Vacilo entre os elogios e os sarcasmos, entre a raiva e a ternura, entre o entusiasmo e a impertinência. Agora já consigo olhar de frente a luz bruxuleante e pálida que define as recordações. Dói-me a nitidez dolorosa das fotografias antigas. Para trás ficou a saudade permanente da velha casa onde nos esquecemos  dos livros de histórias e das janelas abertas para o rio onde os gordos gatos mimados invariavelmente se deitavam sobre os parapeitos. É densa a memória do cheiro a resina. E o som do velho comboio. E a melancolia desesperada da nossa infância. O problema da beleza humana é a decadência. Também os grandes escritores enchem as suas obras-primas de lugares-comuns. Sou politicamente infeliz. Por aqui tudo é tão vulgar como o ar que respiramos. A falta de realização provoca sofrimento. Poucos percebem a nossa paisagem interior. O estremecimento é profundo. Sente-se por todo o lado. Não existe bem sem mal, nem mal sem bem. Não se concebe o Novo Testamento sem o Antigo Testamento, apesar de ambos serem mais antigos do que as igrejas. Ainda me atrapalho quando me lembro de estar doente e ver a luz através dos ciprestes. A verdade é que até as grandes naus podem acabar os seus dias à deriva. Aprendemos a estar abertos a todas as compreensões e a todas as incompreensões. O horizonte é tão imenso como o berço da inocência. O comboio da alma apita como se tivesse medo do dia. Os olhos dos emigrantes estão repletos de navios. Gosto da exatidão do teu nome, da rapidez das descidas do teu corpo, da humidade perpendicular do teu sexo. E do filtro de magia que envolve os teus lábios. O dia começou de forma finita, ondulado de melancolia, enlaçado pela insegurança do vento. Depois, os pássaros descobriram a cadência de uma nova passagem. Damos as mãos por cima das horas. Adão continua errando pelo labirinto que possibilita a saída do Paraíso. O pecado de Eva é mais nítido à distância. O seu corpo transparece de exigência, revelando uns olhos de vidente. A pureza costuma ser trágica. Amaldiçoados sejam os que procuram o sabor do sangue e a sua aragem noturna. O seu ângulo de tragédia. Aumentamos a vida com palavras que correm para evitar o vazio. Gestos densos abstraem os sorrisos. Ainda não sei de onde te vem a exatidão. Dizem que a pureza resulta da soma do bem com o mal. Costumo encontrar, por vezes, o infinito no contorno breve da neve, no colo das constelações, nas mãos das tempestades, no espanto da luz. O rio que passa na minha aldeia dizem que vai desaguar ao fim do mundo. O peso agressivo da divindade deve-se por inteiro aos vendilhões do templo. Maria Madalena costuma transformar-se em flor do mal e fornicar com Baudelaire enquanto ele bebe uma cerveja no inferno. A impiedade esmagou o príncipe da verdade. A terra de Israel ainda tem o cheiro a carne crucificada.


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Quarta-feira, 11 de Março de 2020

No pátio

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Terça-feira, 10 de Março de 2020

Atravessando a ponte

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Segunda-feira, 9 de Março de 2020

482 - Pérolas e Diamantes: Dupond e Dupont

 

 

O economista francês Thomas Piketty, no seu novo livro “Capital et Ideologie”, afirma que a ideologia é o motor do capitalismo e que a esquerda social-democrata na Europa e nos EUA se transformou numa espécie de casta beneficiando da globalização e da revolução do conhecimento.

 

A sua tese é que a social-democracia necessita de ser refundida. Piketty batizou esta nova corrente política de “socialismo participativo e internacionalista”, mas faz questão de esclarecer que retira do termo “socialista” qualquer tipo de carga marxista ou totalitária.

 

Esta refundação, proposta por Piketty, tem a ver com o aburguesamento da social-democracia, porque hoje mais não é do que a emanação de uma nova elite, que denomina de “elite brâmane” para lhe atribuir o colorido da casta alta hindu.

 

Na sua opinião, o capitalismo atual do Ocidente está dominado por “duas elites”: a social-democrata à esquerda (que corresponde em Portugal ao PS) e a “mercantil e financeira” à direita (entre nós representada pelo PSD/CDS).

 

Ambas ganharam mais do que todas as outras camadas sociais com a denominada “mundialização hipercapitalista e digital a partir dos anos 90”.

 

Segundo o professor do ISEG, Alexandre Abreu, “a corrente dos partidos social-democratas foi cooptada pelo neoliberalismo, o que é essencial para a compreensão de duas coisas: o sucesso do próprio neoliberalismo e o colapso da social-democracia”.

 

E tudo isto aconteceu porque a história recente da Europa varreu a famigerada “terceira via” do denominado trabalhista Tony Blair ou o neue mite (novo centro) do SPD alemão, de Gerhard Schröeder. E fez colapsar o PASOK na Grécia e o Partido Socialista Francês.

 

Foi o distanciamento político por parte dessas elites partidárias em relação às massas populares e as dinâmicas inerentes à globalização e à revolução do conhecimento que provocaram um autêntico exército de vítimas nas economias mais desenvolvidas.

 

O economista francês dedica muitas páginas do seu livro à análise sociológica da “anatomia de um divórcio entre a esquerda eleitoral e as classes populares”.

 

Piketty refere que a razão de isto tudo ter acontecido se deve ao facto das classes médias terem sido vítimas da “tromba de elefante”. Ou seja, os 40 % do meio viram os seus rendimentos serem reduzidos desde os anos 80, enquanto os 50% de baixo captaram 12% do crescimento do rendimento real por adulto e o 1% do topo captou a fatia de leão de 27%. Segundo este estudo, os do meio deverão continuar a perder até 2050 cerca de dois pontos percentuais, enquanto o 1% do topo irá arrecadar seis pontos percentuais. 

 

Um dos casos mais gritantes fora das economias desenvolvidas é o Brasil, que, por muito que isso custe a certa esquerda autista e folclórica, revela o erro de palmatória do PT de Lula e Dilma Roussef. A questão não radica no facto dos tais 50% de baixo terem beneficiado com as presidências do Partido dos Trabalhadores. O problema é que isso fez-se inteiramente à custa das classes médias. O PT, ao contrário do que apregoa, não fez uma verdadeira reforma fiscal que mexesse com o poder económico dos 10% de cima, que detêm mais de 55% do rendimento, muito acima dos EUA, da Rússia ou mesmo da Índia.

 

É a anomalia produzida pela tal tromba do paquiderme que está a alimentar o populismo. Piketty considera que o termo mistura tudo “numa sopa indigesta” que se deve evitar a todo o custo. Ele prefere falar de social-nativismo, relativamente ao nacionalismo com demagogia social, e de nativismo bilionário, ao estilo de Trump.

 

Relativamente às políticas públicas, o economista francês defende um verdadeiro choque fiscal sobre as fortunas, nomeadamente para financiar novas medidas e ampliação do estado social, com destaque para o ensino e também a criação de uma espécie de herança de 120 mil euros dada pelo fisco a todos os cidadãos quando fizerem 25 anos.

 

A maior preocupação do Thomas Piketty, e que o levou a escrever o livro, é a de tentar perceber o porquê da longevidade da desigualdade nas sociedades capitalistas modernas.

 

Descobriu que “o capital, desde que constituído, reproduz-se mais depressa do que o crescimento da produção”.

 

A solução, para Piketty, não é a promoção da lutas de classes para atingir o domínio dos meios de produção, mas uma revolução fiscal.

 

A sua conclusão é que a desigualdade “não é económica ou tecnológica, é ideológica e política”.


publicado por João Madureira às 07:00
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Domingo, 8 de Março de 2020

Em Lisboa

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