Domingo, 28 de Janeiro de 2007

Apetites freudianos

 

 

– Mãe, estou toda molhada.

– Sim, espera um pouco que vamos ali comprar um guarda-chuva aos chineses.

– Mãe, estou cheia de frio.

– Pois, mas espera um pouquinho, não vês que estou a dar de mamar ao teu irmão!

– Mãe, estou cheia de fome.

– Eu sei que estás mas tens que ter paciência e esperar um pouco até te poder comprar qualquer coisa para comeres.

– Mãe, apetecia-me leite quente.

– O quê?

– Apetecia-me leite quente.

– Espera um pouco. Não vês que estou a dar de mamar ao teu irmão! Quando chegarmos ao café logo te dou qualquer coisa.

– Que coisa, mãe?

– Qualquer coisa. Uma sandes de fiambre ou de queijo e um sumol para beberes, por exemplo.

– Mas mãe apetecia-me muito beber leite quente. É que estou cheia de fome e ainda é longe até ao café.

– Tem paciência. Espera um pouco. Deixa-me acabar de dar de mamar ao teu irmão.

– Mãe, estou cheia de fome e de frio e estou toda molhada. E apetecia-me muito beber leite quente.

– Será que também queres mamar? Não tens vergonha! Uma menina da tua idade a querer mamar na teta da mãe.

– Mas mãe o Rui também já é crescidinho e mesmo assim tu ainda lha dás.

– Não me digas que estás com ciúmes do teu irmão.

– Não sei. Eu ainda sou pequenina e tenho muita vontade de beber leite quente. Dá-me a teta, mãe. Sinto tantas saudades de mamar.

– Se não te calas, o que te dou é um bom par de bofetadas.

 


publicado por João Madureira às 22:00
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2 comentários:
De J. Pereira a 30 de Janeiro de 2007 às 09:51
Bem visto. Será isso mesmo, quando a fome aperta e o carinho escasseia e é necessário ir para a porta de qualquer igreja ou outro local com muita gente para pedir esmola. Aqui há dias en contrei um casal destes à porta de uma igreja e passado um bocado passaram por mim num Mercedes a perguntar qual era o caminho para outro sítio. Entristece-me muito ver estas situações de exploração de crianças. Tem muita profundidade este post. Um abraço. Pereira


De cmpsantos a 1 de Fevereiro de 2007 às 23:46
Não sei onde essa foto foi tirada, mas posso dizer que em Lisboa e nos arredores também se encontra disso "Infelizmente". Até dentro dos transportes públicos os pais "ou os mais velhos" ficam junto das portas para se for preciso fujir e esperar os mais pequenos já noutro lado.


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