Sábado, 10 de Fevereiro de 2007

Para sempre

 

Voltarei, eu sei que voltarei. Eu volto sempre. Nisso sou como o criminoso que volta sempre ao local do crime. E é esse o meu castigo.

Sonho sempre em voltar. Correr mundo, mas voltar.

Já não consigo precisar por onde andam os teus passos. Voam-me as recordações na memória. É difícil defini-las.

Os teus passos têm o som da melancolia, o longo desenho do nevoeiro quando submerge o vale.

Recordo-te passeando rente às paredes das casas, olhando o caminho como se ele fosse uma miragem.

Eu atrás de ti e tu sempre a afastar-te, rente às paredes e perseguindo o destino do caminho.

Pintei os teus passos na minha cabeça, seguindo a vereda do rio quando a chuva persiste em desenhar circunferências nas linhas da água.

Tu não vais e eu volto. Sei que voltarei para descansar. Sei que voltarei para ter paz. Sei que voltarei para te seguir. Só que desta vez dar-te-ei a mão para que me ajudes a encontrar o caminho. A determinação do teu caminho.

Voltarei. Eu sei que voltarei deixando para trás as obsessões, as obsessões metafísicas dos teus olhos que se abrem com a delicadeza do voo das borboletas.

Voltarei, eu sei que voltarei. Só não sei é como. Mas também não importa. O que interessa é voltar. Voltar como quem caminha na loucura calma do entardecer.

Voltarei, eu sei que voltarei. Para sempre.

 


publicado por João Madureira às 22:00
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1 comentário:
De fr a 11 de Fevereiro de 2007 às 01:15
Também eu com este post voltei aos meus tempos de Liceu.


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