Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007

Não sei se…

 

 

Não sei se é da sombra, se é do sol, se é do estio, ou da velhice, ou pura insinuação.

Não sei se é da ardência, ou da depressão, se é da sede, se é da fantasia, se é da dor, ou do amor, ou da angústia, ou da missão.

Não sei se é da fome, ou da razão, ou da neurose, ou da absolvição.

Se calhar toda a culpa é do cão.

Não sei se é da felação, ou do cio, ou da exaustão, ou dos dias, ou das fantasias, ou da insolação.

Não sei se é da missa, ou da alienação, ou culpa do vizinho, ou excesso de sugestão.

Não sei se é de propósito, ou fruto da imaginação.

Não sei se a culpa não é mesmo toda do cão.

Não sei se é culpa de Deus, ou efeito da oração, não sei se é resultado do facto, ou produto da imaginação.

Não sei se é da hipótese, ou por causa do sermão, não sei se é de propósito, ou por falta de educação.

Não sei mesmo se a culpa não é toda da porra do cão.

Não sei se é do capricho, se é da formalização, se é semente do vício, ou vigor da exaltação.

Não sei se é do espírito, ou da consideração, se é fruto do cansaço, ou mesmo da fornicação.

Não sei se é da sede, ou da aflição, ou da opacidade, ou da transfiguração.

Não sei se é da raiva, ou da comiseração. Não sei se é da calma, ou se é culpa do cão.

Não sei se é da vista, se é do coração, ou se é da alergia, ou da constipação.

Não sei se é da dor de cabeça, ou fruto da auscultação, ou se é da paciência, ou resultado da frustração. Ou mesmo culpa de Maio, ou da ruminação.

Não sei se é do cavalo, ou se é culpa do cão.

Não sei se é dor de alma, se é pura aversão.

Não sei até se será sim, ou simplesmente não.

 


publicado por João Madureira às 22:00
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