Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

O mendigo e o carro desconhecido

 

 

Ena pá, que grande máquina! Até brilha. Alguém lhe andou a puxar o brilho. Olha, olha, olha, os bancos são em pele e o tablier é feito em madeira de cerejeira.

Isto é que é uma máquina! Um carro assim até dá gosto. É tão bom que nem sei de que marca é. Mas tenho a certeza que não é conhecido. Se fosse conhecido eu identificava-o logo.

Posso não saber ler mas sei identificar um carro pelo símbolo. O do Honda é como uma ponte. O do Volkswagen parece uma embalagem de ovos do supermercado. O do Audi são uns aros enfiados noutros e assim. O emblema do Mercedes é igual ao símbolo do ípis. O do Toyota é um desenho mal feito, lá à moda dos japoneses. O símbolo do Peugeot é um leão arrepiado. O símbolo do Citroen é muito parecido com as divisas de um cabo. O da Mitsubichi parece o 4 de paus. E o do BMW é assim a modos que uma coisa pintada à maneira moderna. E por aí fora. A mim nenhum carro me passa despercebido. Eu topo-os mesmo ao longe.

Este é que não conheço, mas sei que é dos bons. Isto é carro de rico. Deve ser carro de um doutor médico, desses que fazem exames à … porra … à "prosta" dos homens. Desses que vêm cá uma vez por mês e ganham logo uma pipa de dinheiro.

Olho para este carro e fico todo arrepiado. Também fico arreliado. Uns com tanto e outros com nada. O dinheiro anda muito mal distribuído. Ó se anda!

Eu gosto muito de carros. Gosto muito de os ver, pois outra coisa não posso fazer. Só posso olhar para eles.

Nisso sou muito diferente do Zefereino que, com a raiva que lhes têm, é bem capaz de pegar num prego e riscá-los todinhos. E quanto mais bonito for o carro mais ele o risca. Têm-lhes uma raiva surda. Diz que o dinheiro que custa cada um deles dava bem para alimentar uma família durante vários anos e ainda sobrava dinheiro para a roupa, para ir passar férias ao Algarve e para pagar os remédios que a doença da fartura provoca.

O Zeferino é um cão raivoso. Mas tem lá a sua razão. Este mundo está muito mal arranjado. Uns com tudo e outros com nada. Isto custa a aguentar. Ó se custa!

Fora a injustiça da situação concreta de cada um, eu gosto muito de carros. Então esta espada enche-me as medidas. Se me saísse o Euromilhões era um igualzinho a este que eu comprava. Até podia pentear-me e arranjar o nó da gravata mirando-me no parachoques. E também ia atrair muita Donzela Diesel, como diz o Rui “Beloso”.

As raparigas são doidas por carros bons. E por dinheiro. Gostam de homens com dinheiro e posição. Eles até podem ser para ali uns cangalhos, mas se tiverem o bolso cheio de notas, elas caem logo pelo beicinho. Depois é só abrir as pernas e fechar os olhos, ou ao contrário, ou lá como é.

Eu também já sou para aqui um cavaco velho, mas se tivesse uma máquina destas, de certeza que não me faltavam mulheres.

 


publicado por João Madureira às 22:00
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1 comentário:
De Luís Alves a 23 de Fevereiro de 2007 às 08:33
Bom dia, concordo plenamemte com o que diz... infelizmente é neste país que vivemos, dinheiro há muito, está é mal distribuído, e em relação às "meninas" que ficam caídas pelo dinheiro tambem é verdade, mas as mulheres, as verdadeiras mulheres que fazem felizes os homens são as que não ligam a bens materiais.

À é verdade, o carro é um Bentley. Cumprimentos ;)


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