Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007

Bonitas palavras

 

 

Que bem fala o senhor Bispo.

Emprega bonitas palavras, palavras que soam bem, palavras que, por certo, são palavras de Deus. Outra coisa não seria de esperar.

Pena é que eu não as entenda lá muito bem. Mas isso pouco importa. O que interessa não são as palavras. O que interessa é Deus. E Deus, como muito bem diz o senhor Bispo, é palavras.

Ninguém vai para o Céu por dizer palavras bonitas, apenas vai para o Céu quem acredita em Deus. Um analfabeto vai para o Céu. Um surdo-mudo vai para o Céu. Etc.

Ora é isso que me leva a pensar que Deus, sendo também uma palavra, é muito mais do que isso. Nisso é como o senhor Bispo, que, apesar de dizer bonitas palavras, é mais do que as palavras que pronuncia.

Um bispo é um mensageiro. Um líder espiritual da cristandade. Um organizador da Fé. Um orientador de devoções. Um semeador de vontades.

Um bispo é mais do que um padre. E um padre é mais do que um acólito. E um acólito é mais do que um cristão não praticante. E um cristão não praticante é mais do que um agnóstico. E um agnóstico é mais do que um ateu. E um ateu não é nada. Ou quase nada. Também não podemos ser tão radicais.

Um bispo é o contrário de um ateu. É um cavaleiro da redenção, um juiz da crença, um legislador do bem, uma alma boa, uma bondade correcta e digna, uma dignidade temporal, um temporal benfazejo, uma iluminação das trevas, um anti-demónio muito bem informado. Mas mesmo muito bem informado. E formado.

O senhor Bispo fala bem, por isso chegou a bispo. Um padre que fala bem chega sempre a bispo.

Eu gosto muito do senhor Bispo. As suas palavras soam-me bem. Muitas delas não as entendo, mas isso pouco importa. O que é verdadeiramente importante é o seu contexto. E o contexto é bom.

Todos os católicos são bons. É claro que há uns católicos que são melhores do que outros, mas essa é a ordem natural das coisas.

É que nem todos somos iguais como devíamos ser.

Eu acho que devíamos ser todos iguais, devíamos ser todos bispos.

Se assim fosse é que a cristandade era linda. Linda e poderosa. Éramos a modos que um exército de milhões de bispos. A Terra passava a ser a casa de Deus. A sua casa de férias e repouso.

A Terra passava a ser o Céu.

 


publicado por João Madureira às 22:00
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