Sexta-feira, 16 de Março de 2007

Tem de haver alguma razão

 

 

 

Por alguma razão objectiva, subjectiva ou outra, os portugueses escolheram como dois dos melhores lusitanos de sempre Oliveira Salazar e Álvaro Cunhal.

 

Tem de existir uma razão profunda para que os coladores de cartazes, os animadores de caravanas eleitorais, as juventudes partidárias, os chefes das secções concelhias ou distritais dos partidos políticos, ou afins, cheguem a vereadores, presidentes de Câmara, governadores civis, secretários de Estado, ministros e, até, administradores de empresas públicas.

 

Há, com toda a certeza, uma explicação científica para que os portugueses oiçam, sem desligar a televisão, a telefonia, ou rasgar o jornal, os “fazedores de opinião” que, quase sempre, utilizam esses espaços para se orientarem no acesso aos cargos e empregos partidários, ou mesmo para chefiarem o Governo.

 

Tem de haver uma razão forte para que os portugueses, depois de votarem nos sucessivos pândegos que nos governam (ou desgovernam?), lhes permitam, a esses responsáveis pelos problemas que criaram ao país, virem à televisão explicar e apontar soluções para essas mesmas dificuldades.

 

Deve haver alguma razão sensacional para que os portugueses votem nos políticos que lhes mentem e rejeitem aqueles que lhes dizem a verdade.

 

E também deve haver uma forte razão para que os políticos que mentem cheguem ao Governo e que só com essas mentiras lhes seja possível conduzir uma política impopular e que, mesmo assim, esses exemplos claros de desonestidade não afectem o Governo e até tenham a nossa aprovação tácita para o PS continuar a liderar, destacado, as intenções de voto dos portugueses.

 

Tem de existir uma razão muito própria para que Fátima seja o recanto da nossa vida espiritual e a identidade do nosso povo.

 

Tem de haver uma razão para que, enquanto nós definhamos, o país aqui ao lado vá prosperando e prosperando e prosperando.

 

Tem de existir alguma razão para que, tendo sido as nossas duas sociedades, (a portuguesa e a espanhola) amordaçadas por regimes autoritários de direita, singularmente corporativos, estatizantes e medíocres, as respectivas cidadanias geradas pela democracia sejam bem distintas.

 

Tem de haver uma razão para que a interactividade em Portugal seja chocantemente amorfa.

 

Tem de haver uma razão plausível para que os portugueses só se queixem, lamentem, mas não se mexam, nem se organizem.

 


publicado por João Madureira às 22:00
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