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Out06
Estrelinha imaginária
João Madureira
Alguém saltou o muro da escola e ficou a olhar para o céu, estupefacto.
Uma estrelinha imaginária começou a crescer na testa da menina.
Um pouco mais atrás uma criatura alada cantarolou um cântico litúrgico.
Soprava uma ligeira brisa quando a águia se lançou voraz sobre o coelho companheiro da Alice no País das Maravilhas.
O Gato das Botas começou a tocar a flauta do Flautista de Hamelin e levou todos os ratos para a sua herdade. Agora engorda-os e vende-os já mortos para uma cadeia de supermercados devidamente embalados e congelados.
Branca de Neve divorciou-se do Príncipe Desencantado e voltou para os seus anões.
Afinal, tirando a altura, os anões são homens como os outros. Têm tudo o que é necessário e no devido sítio. Desculpem o desabafo.
A menina das trancinhas de prata transformou-se em catwoman e foi passear pelos céus de Lisboa.
O Malhadinhas voltou à sua terra natal, comprou um carro desportivo e joga videogames.
O Cantiflas aceitou o papel de super-homem e fez uma revolução em Cuba.
Fidel Castro chorou de riso.
Soprava uma ligeira brisa no Malecón quando um anjo bom levou a alma do ditador cubano para o céu.
Logo de seguida, Charlie Brown anunciou ao povo cubano que era livre.
Decididamente, o Snoopy anda a tomar alguma substância alucinogénea.

