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TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

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28
Dez07

A Quinta Revolução de Fátima

João Madureira

 

Acaba de sair um livro de Irene Flunser Pimentel (historiadora distinguida este ano com o Prémio Pessoa) intitulado “História da PIDE”.

Lá se dá conta que a polícia política do regime do Estado Novo matou relativamente pouco – menos de uma morte por ano, de 1945 a 1974. Isto em Portugal Continental porque em África a conjuntura era distinta. Algumas das mortes podem mesmo ser resultantes do mau uso de armas de fogo em situações tensas, tais como nos casos das mortes de Dias Coelho ou Ribeiro e Santos.

Também se refere que não matar não significa não torturar. E aí “a PIDE utilizou com grande eficácia a tortura do sono”, dado tratar-se de uma técnica quase infalível e que não deixa marcas, sobretudo físicas.

Daqui podemos passar à velha questão antifascista que define o imaginário da esquerda, a do “falar na prisão”. Os elementos recolhidos levam a desmistificar muita coisa. E aí a historiadora é peremptória: “Há supostos heróis que, afinal, não o são e pessoas injustamente estigmatizadas como traidoras”.

Parece que há por aí muito antifascista a reescrever a história – a sua história.

Um dos mitos mais propalados pelos comunistas portugueses consistia na afirmação de que sempre houve uma imensa maioria do “povo” a opor-se ao Estado Novo. Só que, e para contrariar a pertinência de tal argumento, permanece a circunstância de Salazar ter estado tantos anos no governo em paz e sossego.

E aqui é que a revelação nos parece verdadeiramente surpreendente. A autora ficou impressionada com a questão dos informadores.

E escreve: “Havia muito mais pessoas a oferecerem-se à PIDE do que aquelas que a polícia política alguma vez poderia utilizar.”

Mas que povo é este? Que povo?

Só nos resta perguntar como Pessoa: “Quem vende a verdade, e a que esquina?

E responder como ele: “Meu pobre conhecimento ligeiro, / Andas buscando o estandarte eloquente / Da filarmónica de um Barreiro / Para que não há barco nem gente.”

 

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