Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

31
Mar06

Simplicidade

João Madureira
2004_0918chavestarde20015.JPG
Uma casa rés-do-chão pintada de branco e com telhado de telha vermelha é um símbolo bem nosso
É uma coisa bonita. Simples. Concreta.
A beleza das construções é sincera.
A beleza dos seres humanos quase sempre é uma encenação.
Por vezes confundimos as coisas.
Ostentamos casas e empobrecemos a vida.
Falta-nos juízo. Que, ao contrário do que muitos pensam, é uma coisa abstracta, mas que nos faz muita falta na vida concreta de todos os dias.
30
Mar06

4000 visitas

João Madureira
2004_1005interioresq0041.JPG
Aqui fica mais um auto-retrato do “artista”.
Desta vez tendo por fundo um quadro do pintor Rui Rodrigues intitulado “Fernando Pessoa Engripado”.
A todos os que por aqui navegam votos de um desejado retorno.
29
Mar06

Elegância

João Madureira
2004_0918chavestarde20009.JPG
Há qualquer coisa de enigmático neste selecto e característico edifício da Rua de Santo António.
Tem algo que o torna singular no património arquitectónico da nossa cidade.
A altura e a elegância do conjunto de habitações provocam perturbações a quem as observa de perto.
Mas, mais do que as descrever, o melhor é sempre observá-las.
Este é mais um dos ícones flavienses que nos identifica e nos orgulha.
28
Mar06

O murmúrio dos muros

João Madureira
2004_1218torrervededo0009.JPG
Têm os muros velhos pedras há muito buriladas.
E também têm musgo e ervas e lagartixas, nos seus interstícios.
Por ali pousam alguns pássaros aflitos quando voam à procura de comida.
Por ali bate o sol em tardes frias de Outono.
É então quando os gatos esquecidos dos mimos vão à procura de caça.
Gritam os homens imprecações para os animais que se atrasam na ida para os lameiros.
As mulheres ouvem-nos ao longe e estremecem de inquietação.
As crianças correm rua abaixo para assistir à morte de um animal.
Choram as viúvas tempos idos.
Uma cabra questiona o pasto.
O pastor volta do ribeiro e começa a tocar uma flauta feita por si.
Alguém chora de desalento.
A tristeza morre-lhe nos olhos cansados de indiferença.
Degolaram a animação.
Só nos resta morrer aos bocados como os sonhos em tempo de guerra.
27
Mar06

Inclinações

João Madureira
2004_1218torrervededo0074.JPG
Tudo é uma questão de imagem.
As imagens põem tudo em questão.
Uma boa questão vale mais que mil imagens.
Uma boa imagem vale mais que mil palavras.
Palavras leva-as o vento.
Mas o vento costuma transportar folhas e pólen.
Os poetas costumam semear nele trovas.
Mas as trovas não são imagens.
As trovas são versos que se imaginam mensagens.
E para que serve uma mensagem?
Para que se escreve uma trova?
Porque se tira uma fotografia?
26
Mar06

Homenagem a Claude Monet

João Madureira
aaa.JPG
Monet (1840-1926) começou como ilustrador e caricaturista, actividades em que alcançou certa fama quando ainda era praticamente adolescente.
Em 1856 conheceu o pintor francês Boudin, que além de iniciá-lo nas técnicas da pintura paisagística ensinou-o a pintar ao ar livre, para captar melhor as cores e a luz. Três anos depois, mudou-se do Havre, onde vivia com os pais, para Paris, começando a estudar na Academia Suíça. Alguns anos mais tarde cursou a Escola de Belas-Artes, no atelier de Gleyre, onde fez amizade com Renoir, Sisley e Bazille. Depois de uma tentativa de suicídio em 1868, Monet viajou para Londres com Renoir, fugindo da guerra com a Prússia. Lá conheceu
Daubigny, e por meio dele o marchand e dono de galeria Durand-Ruel. Os seus quadros de Londres reflectem o interesse do jovem pintor pela pintura oriental e pela fotografia.
O espaço e a perspectiva são obtidos pela contraposição de estruturas geométricas e um intenso contraste cromático. Depois da apresentação em Paris, em 1874, do seu quadro Impressão, Sol Nascente (1869) ele e todo o seu grupo de amigos foram mencionados por um conhecido crítico de arte como impressionistas e mais depreciativamente como "a turma de Monet".
Aos poucos, foi abandonando as tonalidades escuras e tenebrosas de suas primeiras obras e adoptou uma paleta de cores frias e ao mesmo tempo transparentes. Em Argenteuil, passa a pintar com Sisley e Pissarro, tanto no Inverno quanto no Verão. Além das paisagens, tentou incluir motivos da vida moderna, como as locomotivas. Deu início também aos seus célebres quadros de catedrais, de contornos quase inexistentes, em que a forma é dada pela reprodução da luz e da cor.
A síntese de sua obra são os quadros que compõem a série Ninféias, especialmente o Tanque dos Nenúfares. Monet foi o mais puro representante do espírito impressionista.
Origem: www.historiadaarte.com.br
25
Mar06

Implusão

João Madureira
2004_0918chavestarde0029.JPG
O que mais nos angustia é o sentimento do perdão.
Ali onde o olhar assenta fixa-se a consciência do transitório da vida.
Nascer para morrer é uma precisão dos humanos, mas essa é também a nossa maior desventura.
Entretanto vamos desdizendo virtudes, amalgamando sentimentos, descolorindo fantasias.
Afinal o que é que sobrevive depois disto tudo?
Os nossos olhos serão devorados.
E é neles que percebemos toda a perturbação da beleza.
Por agora fixamos a inconsciente comoção da plenitude.
24
Mar06

O sagrado e o profano

João Madureira
2004_0918chavestarde0020.JPG
Lá no alto voam as pombas. Depois, as persistentes aves pousam sobre o granito trabalhado.
Pedem os homens misericórdia aos que não têm perdão.
Deus faz-se distraído. Mas olha. Isto é, se existe.
Se não existe, não há nada quem castigue os que em seu nome praticam actos negadores de humanidade.
Voam e desviam-se as pombas.
O Espírito Santo redimensiona-se e volatiliza-se em contacto com a ignomínia.
23
Mar06

Sentir o olhar

João Madureira
2004_0918chavestarde0090.JPG
No cimo de algumas habitações na parte velha da cidade existem sótãos que alegram a vista de quem tem a paciência de olhar para eles com olhos de ver.
É aí onde o Sol aquece os gatos logo pela manhã. Ou seca alguma roupa, ou alguns frutos.
Também é aí que algumas plantas vão vivendo a sua enclausurada existência.
Nada que não tenha remédio.
Nas noites de Verão ainda é aí onde se sente a brisa mais fresca da noite.
Quando os pássaros pousam no telhado, os seus cânticos inebriam os velhos e os novos.
22
Mar06

Fina estampa

João Madureira
2004_1031feirasantos50005.JPG
Na feira podemos encontrar de tudo.
Este kitsch artístico tem a sua dose de gentileza.
Nele podemos observar vários ícones religiosos misturados com quadros retratando mulheres voluptuosas e, porventura, pecadoras; paisagens que não existem e meninos chorando provocadoramente para dentro da nossa sensibilidade.
Tanto podemos adquirir um Cristo sofredor, como uma santa pura e virginal, como, ainda, uma Nossa Senhora com um aro iridescente à volta da cabeça.
O mau gosto para uns é uma obra de arte para outros.
Então se tudo for relativo, lá se vai a nossa educação artística por água abaixo.
E até nos é bem feita.
Considero que estas ilustrações estão para a arte assim como o engenheiro Sócrates está para o socialismo.
E até nos é bem feita por acreditar em quem já não crê nos portugueses que o elegeram.
Tristes dias nos esperam.
A adversidade tem o condão de fortalecer o espírito e de separar o trigo do joio.
Mas se não há bem que não acabe, também não há mal que sempre dure.

Pág. 1/4

Mais sobre mim

foto do autor

Visitas

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

blog-logo

Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2012
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2011
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2010
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2009
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2008
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2007
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2006
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2005
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D

A Li(n)gar