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TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

30
Nov06

Sou um globo

João Madureira
2004_0605Chavesdiversos0005.JPG
Quero a globalização.
Sou adepto da globalização.
Sou um globo comilão.
Sou adepto da globalização.

Sou um glutão da insonorização.
Sou um canibal da reestruturação.
Sou um fanático da copulação.
Outros copularão ou não, com globos ou apalpação, com marmelos ou em autogestão.
Outros comerão ou não.
Um caralho, é o que são.
Vaginas não são.
Eu sou um globo.
Os outros serão ou não.
29
Nov06

Curvar ao centro

João Madureira
2004_0606Chavesdiversos0012.JPG
Já há muito tempo que não curvava assim.
Para dizer a verdade, nem curvava assim nem assado.
Não curvava, e pronto!
Olhem que estar pronto é muito importante.
Está dito, está dito!
Dito e feito.
Quem faz bem feito deve ser objecto da nossa estima e da nossa consideração.
O respeitinho é muito bonito.
Bonito é também o atum, o atum do norte.
É no Norte onde vive a população mais perspicaz do nosso planeta.
Se ele é planeta, eu sou estrela.
Estrela polar.
Falar não custa.
Presunção e água benta cada um toma a que quer.

Andava eu a curvar acentuadamente quando do lado de lá da galáxia extravagante surgiu um gorila espampanante armado de espada e turbante.

E aos costumes disse nada.

Foi então quando alguém me disse que curvar ao centro resolve quase todos os problemas políticos.

Eu respondi-lhe que de filosofia não percebia nada.

Outra vez o nada.
Quando o nada vira ao centro a curva desvia-se.

Eis, pois, o problema resolvido.
28
Nov06

A espuma dos dias

João Madureira
2004_0813quarteira0120.JPG
Escrevo-te cá de baixo, mesmo muito mais abaixo do que é costume.
Ando eufórico, extravagante, frenético.
Agora tomo uns comprimidos que me põem eléctrico.
Estabeleci contacto com estas pílulas milagrosas uma noite quando um jovem simpático, que conheci por caso, mas aconselhou como antídoto contra as minhas crónicas dores de cabeça.
Deu-me uma para experimentar e depois vendeu-me um saquinho delas, caras, razoavelmente caras, mas artigo com propriedades muito apreciáveis.
Não é que com elas a dor de cabeça me passe, mas quando engulo uma ponho-me logo aos pulos. Por isso agora tomo-as e dirijo-me logo de seguida para um local onde se dança toda a noite ao som de música latina. E por ali fico aos saltos até que se faça dia. Depois de tomar a medicação só bebo água e sumos naturais, pois foi o que mais me recomendou o meu jovem amigo.
Eu, que detestava música de baile, eu que só conseguia ouvir música de câmara em ambiente adequado, agora derreto-me por salsa e merengue.
Mas vou terminar esta minha missiva pois acabei mesmo agora de tomar uma pílula verde e já estou que me desmembro.

PS – Não te esqueças de dar as vitaminas ao tritão, pois se as não tomar o bicho perde a cor e a elasticidade dos músculos e da pele.
27
Nov06

… e plung!

João Madureira
2004_0905chavesaguasetembro0024.JPG
Pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng, pleng…
26
Nov06

A espera

João Madureira
2004_1005interioresq0004.JPG
Estou à espera.
Dizem que quem espera desespera.
Ou que quem espera sempre alcança.
Estou desesperadamente à espera.
Existe algo de elegante na espera. Mas não é o sentimento.
Mesmo na espera há quem desista de esperar.
Há quem desespere na espera.
Há quem nunca espere, só fique.
Há mesmo quem nunca fique, só espere.
Há quem espere pensando que não.
Há quem não.
Há muito quem não.
Há uma imensa prole humana que não.
Que não espera.
Que não alcança.
Que enche a pança.
25
Nov06

Over The Rainbow

João Madureira
2004_0606Chavesdiversos0051.JPG
Depois de ouvir, durante a tarde, Keih Jarrett no La Scala, passa-se este blog a quem oferecer a melhor oferta.
A todos um grande ECM.

Bem-hajam.
Até sempre!
24
Nov06

O Triângulo das Bermudas

João Madureira
2004_0813quarteira0150.JPG
Para nosso contentamento, e outros sentimentos associados, existe um trilátero deveras virtuoso: o triângulo metafísico.
Tem também este triângulo a rara qualidade de, por vezes, se transformar num “Triângulo das Bermudas”, desde logo, porque, sendo conhecido de todos é, sobretudo, misterioso.
E como todos sabemos, o mistério é a nossa arma do desejo.

Diz-se deste polígono que não possui diagonais e que cada um de seus ângulos externos é suplementar do ângulo interno adjacente.
Denomina-se a região interna de um triângulo de região convexa e a região externa de região côncava.

Sobre a Metafísica o dicionário diz que se trata do conhecimento das causas primeiras e dos primeiros princípios; que é uma parte da Filosofia que estuda a essência das coisas; ou que é o conhecimento geral e abstracto, transcendência, abstracção, carácter do que é abstracto, ou que se trata de subtileza no discorrer.

Relativamente ao “Triângulo das Bermudas”, muitas teorias foram dadas para explicar o extraordinário mistério dos aviões e navios desaparecidos.
Extraterrestres, resíduos de cristais da Atlântida, humanos com armas anti-gravidade ou outras tecnologias esquisitas, vórtices da quarta dimensão, estão entre os favoritos dos escritores de fantasias.
Campos magnéticos estranhos, flatulências oceânicas (gás metano do fundo do oceano) são os favoritos dos demais técnicos.
O tempo (tempestades, furacões, tsunamis, terramotos, ondas, correntes, etc.) azar, piratas, cargas explosivas, navegantes incompetentes e outras causas naturais e humanas são as favoritas entre os investigadores cépticos.
Alguns cépticos argumentam que os factos não apoiam a lenda e que não existe mistério para ser solucionado, nada a necessitar de explicação.
O número de naufrágios na zona não é extraordinário, dado o seu tamanho, localização e o tráfego que recebe. Muitos dos navios e aviões que foram identificados como desaparecidos no “Triângulo das Bermudas”, não estavam sequer no Triângulo.
Até agora, não foi apresentada nenhuma prova científica de qualquer fenómeno invulgar envolvido nos desaparecimentos. Portanto, nenhumas explicações "científicas", incluindo o metano a soltar-se do fundo do oceano, as perturbações magnéticas, etc., são necessárias.
O verdadeiro mistério é como o “Triângulo das Bermudas” se tornou um mistério.
23
Nov06

A glória dos arcos

João Madureira
ponte romana 2001.jpg
Vejo-te em contraluz e tudo resplandece.
Lá ao fundo os teus arcos começam a ausentar-se.
Entretanto o rio continua a correr ao teu encontro.
Desatina a paciência milenar.
Enfiam-se as pedras nos livros dos poetas decadentes.
É essa uma decadência árdua e não premeditada.
És como um pináculo, uma obra feita para voar ao encontro das melancolias.
Tomo-te nos braços enfeitados e adormeço.
És um assombro.
22
Nov06

A pessoa que parecia

João Madureira
2004_0727bandapardais0001.JPG
Lá ao longe vislumbro uma pessoa.
Uma pessoa! Estou salvo. Vem lá uma pessoa.
Eu que tanto esperei, finalmente vejo recompensada esta minha espera, que também foi esperança.
Ó esperança, quero-te tanto!
Estou impaciente.
Não é a longa espera o que mais nos desgasta. O que custa verdadeiramente são estes instantes finais. Este compasso entre o que não acontecia e o que quase está para acontecer.
Lá vem ela, a pessoa. Estou salvo.
Ó pessoa, chega depressa.
Estou tão impaciente!
Olha, olha, a pessoa. Lá vem ela.
Finalmente.
Pssst. Olha, estou aqui. Ajuda-me, faz-me companhia. Sorri, por favor. Já há tanto tempo que não vejo um sorriso humano. Pssst. Estou aqui. Pssst. Pssst. Pssst. Pssssssst…Psssssssssssssssst… Pssssssssssssssssssssssssssssssst… Estou aqui… Aquiiiiiiii… Estou… Pssssssssssssssssssst… Por favor… Psssssssssssssssssssssst…
Senhor… Pessoa… Psssssssssssst… Pssssssssssssssssst…
Ó não, não acredito. Foi-se embora. Nem sequer se dignou olhar para mim. No entanto parecia uma pessoa. Era uma pessoa. Parecia mesmo uma pessoa. Tinha cabelo, olhos, boca, nariz e.. e… braços e… e… pernas e… e… andava como uma pessoa, falava como uma pessoa. Parecia mesmo uma pessoa. No entanto fez que não me viu. Tenho a certeza que parecia uma pessoa. Só podia ser uma pessoa. Mas não me falou, nem se sorriu para mim… não me falou, ou sequer esboçou um sorriso. Passou por mim como só ele é que fosse pessoa. Fez como se eu não existisse. No entanto contornou-me.
Com aquele aspecto só podia ser uma pessoa.
Seria?
21
Nov06

Fados

João Madureira
2004_0714chaves-noite-julho140035.JPG
Conheci em tempos um mendigo que todas as noites se punha diante de uma montra a conversar com um manequim.
Dizia a quem passava que aquela era a sua namorada.
Quando, por vezes, o manequim desaparecia durante um dia ou dois da montra, ele, aflito, cantava baixinho os seus desvarios:
“Os bons pensamentos vão-se transformando em estátuas de sal.
É o pecado.
É o medo.
Será da confusão?
Sonho com noites seladas com rododendros iluminados pelo gelo dos cristais.
Ó minha querida, choro a tua ausência”.
Um dia, o dono da loja resolveu vender o velho manequim para assim se ver livre do mendigo que dava mau aspecto ao negócio.
A partir desse momento o mendigo enfeitiçado passou a ganir como um cão abandonado e, agora, pára junto de uma imagem de Nossa Senhora e canta durante toda a noite o “Fado da Ladrão Enamorado”, do Rui Veloso.

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