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TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

31
Jan07

Assim a modos que…

João Madureira

 

 

– Não sei me estais a perceber? Eu estava assim a modos que… mas, não sei porquê, às tantas, pumba, o gajo pirou-se e eu ali fiquei assim a olhar para ele e ele a olhar para longe e tal e coisa. Vai daí apareceu o Manuel e também começou a querer qualquer coisa e tal. Mas eu nada de me deixar ir na onda marada. Só sei que depois voltou o gajo e de novo se pirou e eu tornei a ficar ali e de novo a olhar para ele e ele a olhar para longe… e tal. O Manuel, entretanto, assobiava. Eu já estava a ficar chateado. Assim a modos que fodido. Mas mesmo muito. Não sei se me estais a perceber. Era uma cena muito marada. E eu para ali a cismar com o neurónios encalacrados de tanto pensar na coisa. Mas não desisti. Eu, como vós sabeis, não sou dos que desistem e muito menos quando sei aquilo que quero e tenho a certeza daquilo que penso. Não sei porque razão, mas o Manuel em vez de torcer por mim, continuava a assobiar como se não fosse nada com ele. E até era. Quando um amigo está em apuros o outro, se é mesmo amigo, também está. Era este o caso. E o gajo que tanto se pirava como regressava, voltou outra vez e, pumba, deu-se a mesma cena e coisa e tal. Não sei se me estais a perceber? Eu não podia permitir tal actuação. Era muito chato andar para ali à porrada, mas, bem vistas as coisas, que outra coisa podia eu fazer? Vai daí mandei o Manuel à merda e dirigi-me ao outro lado. No outro lado estava o Chico Pernalta, mas também ele fez que não me conhecia e pôs-se a assobiar como quem não quer a coisa… e tal. Vendo que o gajo tornava a ir-se embora, eu tornei o olhar para ele e ele novamente olhou para longe, como se não se tivesse já apercebido do imbróglio em que estava metido. Mas eu, por uma questão de honestidade, não podia proceder de outra forma e zás, tornei a atravessar a rua como quem não quer a coisa. Aquilo até já se estava a tornar monótono. Foi então quando o Manuel me perguntou se lhe podia emprestar algum dinheiro. E eu, porra, como estava um pouco chateado com ele disse-lhe para ir à merda. Mas ele não se chateou e continuou a assobiar e até me contou que na noite passada também esteve metido assim numa cena tal e qual como esta que vos conto. Eu não acreditei, claro! Mas, como vos conto, eu não sou sujeito para desistir. Eu prezo muito a honra e a dignidade. Ora, sendo assim, não podia agir de outro modo e foi aquilo que fiz. Agi como vos relato. Tal e qual. Eu não invento nada. Tudo o que vos conto é a mais pura verdade. Por isso, zás. E estava feito. O Manuel perguntou-me se não estava arrependido daquilo que tinha feito. E eu respondi-lhe que não. Penso que vós, na mesma situação, agiríeis da mesma forma. Ou não? Claro que sim! Eu conheço-vos bem. Não sei se me estais, bem, não sei se me estais, coisa e tal… Não sei se me estais a perceber? Eu estava assim a modos que… mas, não sei porquê, às tantas, pumba, o gajo pirou-se e eu ali fiquei assim a olhar para ele e ele a olhar para longe e tal e coisa. E zás, vai daí eu olho para ele e ele olha para longe e…

30
Jan07

Ruído de fundo

João Madureira

 

 

Tudo à minha volta é movimento. Movimento desordenado, caótico. E eu sentado. Eles olham-me com relativa indiferença. Olham-me como um subterfúgio cristão, como um mal necessário. Também se não existissem pobres de pedir como é que se praticava a caridade cristã? Por isso sou muito útil na minha inutilidade. Por isso sou proveitoso à religião. Sou útil às pessoas, para assim se redimirem de alguns pecados, para assim aliviarem as suas consciências, para poderem praticar em alguém a sua caridade. E eles são tão caridosos, meu Deus! Oh, com são caridosos!

Eu olho-os nos olhos e eles, em troca, reparam nos meus andrajos e na minha sujidade ambulante.

Eu olho-os com relativa hipocrisia. Eles olham-me como uma peça da engrenagem de Deus, do seu Deus misericordioso, do seu Deus tolerante com os pobres e desvalidos. Se não fosse sinistro, isto até dava uma homilia.

Se há que redimir alguma coisa redimam-se os pobres, os desvalidos, os carenciados, os dissolutos.

São tão patéticos os homens. São tão patéticas as suas inclinações humanas, a sua cultura, a sua bondade forçada em troca de uma outra vida no além, da busca da imortalidade da alma. Mas se eles não têm alma, meu Deus! Eles não têm alma. Nem mesmo se ela existisse a conseguiam encontrar. E muito menos conservá-la. E o coração guardam-no em frascos de vinagre, juntamente com os pimentos.

O conceito de alma como introspecção é-lhes completamente alheio. Eles só acreditam no que vêm, no que lhes permite a sobrevivência diária, nas suas convicções, nas suas ilusões económicas, nas suas desilusões sociais.

Eu também sou para aqui um cão vadio. Um cão que só rosna. Um cão que só sabe pedir dinheiro ao dono.

Tudo à minha volta é confusão, idas e vindas, passagens aleatórias. E eles olham para mim e lançam-me moedas como pedras, nem grandes nem pequenas, moedas médias, não notas. Apenas moedas médias, como pedras médias. Não notas. Notas não. Moedas. Apenas moedas.

Tudo à minha volta é ruído. Eu também sou ruído. Eles também são ruído. Ruído de fundo. Ruído apenas.

Eu sou o seu suspiro interior. A sua pequena incomodidade. Eu sou um insecto teimoso, incomodativo.

Estou sentado no meio da confusão. Da sua confusão. Eu sou ruído no meio da sua confusão. Lá no fundo, os homens são só confusão, nervos, moralidade. Os homens são confusão. Eu sou parte da sua confusão. Sou a sua moralidade. Sou o seu movimento. Sou a sua confusão. E o seu ruído. Sou o seu ruído de fundo.

 

29
Jan07

Plang, pong, pling, peng, plung…

João Madureira

 

 

Plang, plong, plang, plong, plang, plong, pling, pleng, plang, plong, plang, plong, pling, peng, pang, pong, pang, pong, ping, peng, pang, pong, pang, pong, ping, peng, pang, pong, pang, pong, ping, peng, pang, pong, pang, plang, plong, plang, plong, plang, plong, pling, pleng, plang, plong, plang, plong, pling, pong, ping, peng, pang, pong, pang, pong, ping, peng, pang, pong, pang, pong, ping, peng, pang, pong, pang, pong, plang, plong, plang, plong, plang, plong, pling, pleng, plang, plong, plang, plong, pling,  ping peng, pang, pong, pang, pong, ping peng, pang, pong, pang, pong, ping peng, pang, pong, pang, pong, plang, plong, plang, plong, plang, plong, pling, pleng, plang, plong, plang, plong, pling,  ping, peng, pang, pong, pang, pong, ping, peng, pang, pong, pang, pong, ping, peng, pang, pong, pang, lang, plong, plang, plong, plang, plong, pling, pleng, plang, plong, plang, plong, pling,  pong, ping, peng, pang, pong, pang, pong, ping, peng, pang, pong, pang, pong, ping, peng, pang, pong, pang, pong, ping, peng, pang, pong, pang, pong, ping, peng, pang, pong, pang, pong, ping…

28
Jan07

Apetites freudianos

João Madureira

 

 

– Mãe, estou toda molhada.

– Sim, espera um pouco que vamos ali comprar um guarda-chuva aos chineses.

– Mãe, estou cheia de frio.

– Pois, mas espera um pouquinho, não vês que estou a dar de mamar ao teu irmão!

– Mãe, estou cheia de fome.

– Eu sei que estás mas tens que ter paciência e esperar um pouco até te poder comprar qualquer coisa para comeres.

– Mãe, apetecia-me leite quente.

– O quê?

– Apetecia-me leite quente.

– Espera um pouco. Não vês que estou a dar de mamar ao teu irmão! Quando chegarmos ao café logo te dou qualquer coisa.

– Que coisa, mãe?

– Qualquer coisa. Uma sandes de fiambre ou de queijo e um sumol para beberes, por exemplo.

– Mas mãe apetecia-me muito beber leite quente. É que estou cheia de fome e ainda é longe até ao café.

– Tem paciência. Espera um pouco. Deixa-me acabar de dar de mamar ao teu irmão.

– Mãe, estou cheia de fome e de frio e estou toda molhada. E apetecia-me muito beber leite quente.

– Será que também queres mamar? Não tens vergonha! Uma menina da tua idade a querer mamar na teta da mãe.

– Mas mãe o Rui também já é crescidinho e mesmo assim tu ainda lha dás.

– Não me digas que estás com ciúmes do teu irmão.

– Não sei. Eu ainda sou pequenina e tenho muita vontade de beber leite quente. Dá-me a teta, mãe. Sinto tantas saudades de mamar.

– Se não te calas, o que te dou é um bom par de bofetadas.

 

28
Jan07

Mas que grande erudição

João Madureira

 

 

Isto é tudo uma questão de ter ou não ter barba. Ou de a ter meia crescida ou desfeita. Ou feita. Ou de estar bem escanhoada.

Ou não. No fundo é tudo uma grande ilusão. Refiro-me, sobretudo, ao ter ou não ter barba. Ou ao ser ou não ser barbudo, ou cabeludo, ou narigudo.

É especialmente uma questão de estilo, de aparência, de ilusão. Ou desilusão. Ou frustração.

Agora calha-nos tudo.

É a sorte. Como em tudo na vida, é preciso ter sorte. A sorte dos afortunados. Ou a desgraça dos simples. Pois são uma e a mesma coisa. Salvo seja, a diferença cromática dos discursos sociológicos.

Aparentando uma quietude ilusória, actualmente o mundo treme tanto que não sabemos bem quais são os nossos princípios. Nem quem os possui sabe muito bem aquilo que tem. Nem atina muito bem naquilo que defende, se é que defende alguma coisa.

Ora, ora, ora, a retórica é muito bonita mas nada acrescenta à vida, só a ilude. A luz é apenas um acrescento afrodisíaco. Mas é um consolo.

A essência não reside nas palavras, mas nos sentimentos. É por isso que nos aproximamos mais uns dos outros quando pensamos que nos estamos a afastar.

É nas ausências quando mais sentimos a falta de quem é amigo.

 

26
Jan07

Reflexões de um cão ou do seu dono

João Madureira

 

 

Sim, hoje vou passeá-lo. É que está já um pouco obeso. Por isso tenho de o levar a dar uma volta. Mas não posso puxar muito por ele, pois já tem alguma idade e pode sentir-se mal. Tem que fazer algum exercício, mas com regra. Também sofre de asma e o seu coração já revela alguns problemas. É gordura a mais e exercício a menos. Tenho de vos confessar que ele gosta pouco de sair, prefere ver televisão ou ficar deitado no sofá a dormir. Só o faz porque eu o forço a isso. Ou melhor, porque me ponho inquieto. E quando estou inquieto ele também fica. E depois põe-se a andar de um lado para o outro como se tivesse muita vontade de urinar. Ele já não urina como urinava. Agora custa-lhe mais. Também já respira com alguma dificuldade. E tem gases. A velhice é complicada. Mas, no fundo, nós toleramo-nos, compreendemo-nos e conseguimos viver juntos sem grandes dramas. Conhecemos os defeitos e as qualidades de cada um. Sobretudo fazemos companhia um ao outro. Ele sente-se muito sozinho. E eu também. Somos uns solitários. Ele ressona e agita-se muito durante o sono. Ele não sonha, sofre. É tudo muito complicado. Temos uma vida simples mas uma memória sofrida. Por vezes os vizinhos queixam-se dos uivos durante a noite, ou dos roncos, ou dos gritos, ou dos gemidos. Nós também temos queixas dos nossos vizinhos mas preferimos ficar calados. Tudo nos envolve. Ou, dito de outro modo, deixamo-nos envolver por tudo. Somos muito senhores do nosso nariz, mas custa-nos muito adormecer nas noites de Verão. E também nos custa dormir nos noites frias de Inverno. É tudo uma aflição. Ou nos incomoda o calor, ou nos apoquenta o frio. Os nossos desejos são muito inconstantes. Se está frio suspiramos pelo calor. Se está calor pensamos com agrado no frio de Inverno. Se está sol desejamos a chuva. E se está a chover clamamos por dias secos e solarengos. Se estamos em casa queremos sair. Se andamos a passear desejamos regressar rapidamente à preguiça do sofá. Ainda agora mesmo saímos de casa para o passeio da tarde e já estamos a pensar em regressar. Pesam-nos muito os membros. E o rabo. E a barriga. Pesa-nos também muito a letargia.

 

25
Jan07

A borbulha desintegradora de Virgínia Woolf

João Madureira

 

 

Quando passava a mão pelo teu rosto espelhado ele desintegrou-se de imediato. E não eras um sonho. Nem sequer eras uma miragem. Eras uma possibilidade.

Não sei bem o que eras, só sei que quando deslizava a mão pelo teu rosto espelhado te desintegraste como se tivesses vontade disso.

Os teus olhos estavam carregados de desilusão. E espelhados, tal e qual o teu rosto.

Sei que eras tu pelos suspiros que desenhavas com os lábios. Depois desintegraste-te. E não eras um sonho. Nem sequer uma memória. Eras tu reflectida nos teus próprios olhos. Espreitando-te num espelho revelador, como se necessitasses de uma derradeira imagem antes de desapareceres.

E choraste. Sei que choraste porque o adivinhei na tua ausência. A tua ausência era pranto. E mágoa. E desespero. Um desespero lacrimejante, como uma chuva contínua e oblíqua.

Os teus olhos reflexivos também eram oblíquos. Como oblíqua era a tua vontade. A tua desesperada vontade de desintegração.

Os teus olhos eram casas. Casas aristocráticas inundadas de vento, repletas de ar oprimido, de partículas alegóricas.

Tu eras uma presença oblíqua à janela quando a chuva caía ainda obliquamente no rio.

O rio era o teu olhar apaixonado. O rio era a tua existência. O rio era a tua morte. E as ondas. E os juncos. E as pedras. As pedras nos teus bolsos. E a loucura oblíqua da chuva. E a demência inclinada das ondas. E o desvario ambíguo dos salgueiros.

A tua loucura era líquida.

O fumo triste do teu cigarro sem filtro também era líquido.

E a tua inquietação também era líquida.

Entraste dentro da tua borbulha desintegradora e foste nas ondas até ao mar. Só depois desististe de escrever. Por fim.

 

24
Jan07

O Wally já não sabe onde está

João Madureira

 

 

Eu sou o Wally e estou cada vez mais velho e míope. Antigamente escondia-me no meio da multidão à espera que me encontrassem. Sabia sempre onde estava. Tinha grande sentido de orientação e sabia escolher os melhores sítios para me misturar com a gente e assim passar despercebido. Posso dizer que gostava da minha profissão. Sempre gostei, aliás. Sempre gostei de me misturar com as pessoas, de passear incógnito no meio da multidão, apreciando o andar das mulheres, os sorrisos das crianças ou os gestos magnânimes dos homens. Também via passar os comboios na companhia do meu amigo George Simenon. Sempre tive um pequeno fascínio por comboios. Especialmente pelos antigos, ainda movidos a vapor. Viajava muito de um lado para o outro. E sempre de comboio.

No desempenho da minha profissão escolhia sempre lugares com muitas pessoas, tais como praças públicas, mercados, feiras, parques temáticos, jardins zoológicos, festas, praias e estâncias balneares. Depois elegia um sítio muito discreto, a meu gosto, e ali me deixava ficar até os desenhadores concluírem o seu diligente trabalho de esboçar tudo aquilo com muito pormenor. Para me identificarem faziam-me vestir uma camisa às riscas brancas e vermelhas, colocavam-me na cabeça um gorro do mesmo género e colocavam-me uns ridículos óculos redondos pretos sem lentes. Eu por ali ficava algumas horas à espera da conclusão dos trabalhos dos artistas. Naqueles longos espaços de tempo em que permanecia quieto lia muito, sobretudo romances russos. Sou um amante da literatura russa. Aprecio a loucura dos seus amores impossíveis e as dúvidas existenciais dos seus heróis. E amo profundamente as páginas que descrevem as estepes russas, a imensidão dos bosques de bétulas e a neve perpétua.

Acabo de me reformar. E fi-lo enquanto era tempo. Reformei-me porque me cansei de que andassem sempre a procurar-me. Agora sou eu quem procuro as pessoas. O que é estranho é que antigamente sabia sempre onde estava. Agora nunca me descubro. Nunca sei bem onde estou. Actualmente sou eu quem me procuro porque nunca sei onde me encontro.

 

23
Jan07

Nostalgia do feno

João Madureira

 

 

Escrevo-te de C. para dizer que ando muito nostálgico. Ando cada vez mais nostálgico. Não sei se é do tempo, se é da comida, se é de ter cada vez mais saudades da minha terra ou, sobretudo, da minha infância.

Sim, lembro-me. Sim, ainda me lembro que foi num palheiro cheio de feno até quase ao tecto que tive a minha primeira experiência sexual. Foi com uma rapariguinha muito nova, quase tão nova como eu. Dela mal me recordo. Tudo são sombras e inexactidões. O que ainda sinto é o forte cheiro do feno seco. A sua agressividade. A sua insipidez vegetal. Posso até dizer-te que essa minha recordação é a preto e branco, tal como uma fotografia feita de luz e sombra, onde a luz rasga os corpos e a sombra lhes atribui a forma ligeiramente rectilínea. Senti então que a minha vergonha andava aos gritos. Que aquilo era uma um acto pecaminoso. Ainda hoje sinto o mesmo. Ainda hoje sofro a incomodidade daquele acto estranho, daquele fogo proibido, daquele acto animalesco.

Bem, em nós quase tudo é animalesco. Sobretudo o sexo. O sexo tem algo de arrasador. Qualquer coisa que nos transforma em pecadores obsessivos. Qualquer coisa que nos aproxima da barbárie, do primário. Da pulsão animal.

Apetecia-me dizer que foi bonito. Mas não foi. Não há beleza nenhuma em praticar algo que se estranha, quer na forma, quer no sentimento.

Lembro-me também de ter ficado enjoado e triste. Sobretudo, desiludido.

Podia escrever que o sexo me faz feliz, mas não é essa a verdade. O sexo só me angustia.

Sim. Talvez sinta o acto sexual como uma angústia feliz.

Também podia escrever que a vida sem sexo não é vida, o que até é verdade. Mas não o vou fazer.

Não sei se já te deste conta que uma pessoa pode escrever aquilo que diz não querer escrever, mas escrevê-lo na mesma, ficando assim a ideia ao contrário. Ou melhor, ficando assim escrita a ideia contrária à própria ideia inicial.

Para resumir, posso confessar-te que o sexo para mim tem o mesmo sentido que a ideia imediatamente anterior. A mesma simplicidade de construção e a mesma complexidade de compreensão.

E, suficientemente baralhado, por aqui me fico.

Um forte abraço.

 

PS – Por favor, não te esqueças de administrar a injecção anticonceptiva à cadela e de esfregar o pelo à égua.

 

22
Jan07

Ping, pang, pong, ping, pang, pong, pung…

João Madureira

 

 

Ping, pang, pong, ping, pang, pong, pung, ping, pang, pong, ping, pang, pong, pung, ping, pang, pong, ping, pang, pong, pung, ping, pang, pong, ping, pang, pong, pung, ping, pang, pong, ping, pang, pong, pung, ping, pang, pong, ping, pang, pong, pung, ping, pang, pong, ping, pang, pong, pung, ping, pang, pong, ping, pang, pong, pung, ping, pang, pong, ping, pang, pong, pung, ping, pang, pong, ping, pang, pong, pung, ping, pang, pong, ping, pang, pong, pung, ping, pang, pong, ping, pang, pong, pung, ping, pang, pong, ping, pang, pong, pung, ping, pang, pong, ping, pang, pong, pung, ping, pang, pong, ping, pang, pong, pung, ping, pang, pong, ping, pang…

 

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