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TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

31
Mai07

Investigadores subtilmente aparvalhados

João Madureira

 

Desde muito pequeno que fui seduzido pela literatura e pelos bons contadores de histórias, escritores que contavam as suas ficções da própria cabeça.

Actualmente Portugal está enxameado de gente que escreve obras eruditas com muitas notas ou baseadas noutros livros, ou em catálogos, cadernos gramaticais ou em calhamaços estrangeiros ilegíveis, com carradas de bibliografia que nem em cem anos conseguiriam ler.

Nas nossas universidades ainda se ouve dizer que fulano ou beltrano copiou as ideias de um livro e que isso é muito feio, pois é considerado plágio, roubo literário e assalto intelectual imperdoável.

Mas eles, que copiam de vinte livros, ou mais, apelidam-se, ou intitulam-se, de investigadores.

Então se copiarem de cinquenta livros temos aí um insigne doutor e, sobretudo, um investigador notável.

 

30
Mai07

Sinais de desintegração (II)

João Madureira

 

 

E aqui estamos nós naquilo a que os velhos do Restelo profetizavam e, por incrível que pareça, aconteceu.

Somos agora um pequeno rectângulo no extremo sul da Europa.

Europa que não nos quer, não nos ama e apenas nos tolera, porque somos mestiços.

Aos seus olhos somos uma pequena possibilidade turística, um mercado com interesse moderado, uma fonte de mão-de-obra barata e um bom mercado para recrutar trabalhadores.

Todos os sacrifícios feitos pelos portugueses ao longo dos séculos foram borda fora.

Agora somos, apenas, um povo vazio e indefeso.

E, na sucessão inglória dos nossos vários líderes partidários e dos sucessivos primeiros-ministros, ninguém nos diz, em nome da nossa dignidade, e sem mistérios, para onde vamos, porquê e para quê.

Resta-nos adivinhar.

 

26
Mai07

Sinais de desintegração (I)

João Madureira

 

Afonso de Albuquerque, na sua carta a El-Rei D. Manuel, escreveu:

“Digo-vos Senhor, isto, porque se bem olhardes os vossos regimentos e determinações, cada ano vem um contrário a outro, e cada ano fazeis uma mudança e haveis novo conselho, e a Índia não é o Castelo da Mina, para cada ano bulirdes com ela”.

 

25
Mai07

Segundas intenções

João Madureira

 

De Gaulle um dia disse para o General Petit, ainda no exílio em Londres: “É preciso estarmos sempre de acordo com as nossas segundas intenções.”

Está bom de ver que outra não é a preocupação de José Sócrates desde que ocupa a cadeira do poder.

 

23
Mai07

A teimosia do abate

João Madureira

 

Razão tem o meu amigo José. Cada vez é mais difícil de honrar o imperioso preceito de manter a dignidade neste país que se vai desmantelando em pequenos golpes de corrupção, vaidades pessoais e anacronismos socais e políticos.

A cada dia que passa mais a nossa história colectiva se assemelha à história da “Abelha Maia” adaptada para os correctores e demais pessoal da bolsa.

O parlamento parece um palacete de duendes parasitas, histriónicos e histéricos, ou, quando não, um teatro radiofónico ao jeito dos “Parodiantes de Lisboa”.

O nosso primeiro-ministro assemelha-se, em muito, a um lenhador que agora, e de repente, pretende endireitar o país abatendo as árvores de uma floresta que o próprio ajudou a tratar e a ampliar.

Tem fé no abate das árvores. Não na sua plantação.

Para si, e para os seus, pretende ficar com os grandes troncos e distribuir, com justiça social, os guiços sobrantes.

Muita gente avisada já lhe tentou explicar que o abate indiscriminado de árvores não é o melhor caminho para ordenar a floresta. Mas ele lá continua a serrar e a rachar lenha e a não dar ouvidos a ninguém.

Não tarda muito para que Sócrates confesse amargamente que não foi ele quem abandonou o povo português, mas que foi o povo quem o abandonou a ele.

Entretanto deverá rumar para qualquer empresa pública de topo, ou para alguma organização internacional, rachar lenha em silêncio. Tomando atenção às clareiras onde tornarão a crescer, ano após ano, jovens árvores que ele, como líder audacioso, sonhará abater quando novamente surgir a ocasião apropriada.

É que a história tende a repetir-se.

 

22
Mai07

A verdadeira fé

João Madureira

 

Acabei de ler uma velha história contada por Amos Oz, passada em Jerusalém, onde um dos personagens está sentado num café ao lado de um homem de provecta idade, com quem entabula conversa.

O velho é Deus em pessoa. Só que o personagem não acredita assim à primeira, até porque não é nada fácil de admitir tal coincidência.

Mas Deus envia-lhe alguns sinais inconfundíveis e a dúvida dissipa-se.

Por isso chega o momento em que surge a pergunta das perguntas, a pergunta crucial: “Querido Deus, diz-me, por favor, e definitivamente, qual é a verdadeira fé? A católica romana? A protestante? A judaica? Ou será antes a muçulmana? Qual a fé verdadeira, a única?

E, na história, Deus responde com toda a convicção: “Para te dizer a verdade, meu filho, não sou religioso, nunca o fui, nem sequer estou interessado na religião”.

 

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