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TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

29
Fev08

Não é nada disso

João Madureira

Miguel Torga escreveu no seu diário a 11 de Outubro de 1950 que era “pouco sensível à chalaça”. E continuava: “O voltairianismo caseiro, em vez de me convencer, afasta-me. Gosto do riso, mas inteligente, limpo, nos lábios de Cervantes ou de Swift.

Cá nas berças, terra de anedotas de braguilha aberta, a “Velhice do Padre Eterno” é um portento. É um prato de resistência que alimenta o clero, a nobreza e o povo. Eu sou do povo mas não posso com aquilo”.

Até aqui tudo bem. Depois entra em terreno inclinado, onde diz uma coisa querendo afirmar outra: “A importância literária de Junqueiro é indiscutível, não só pelo que fez, como pelo que motiva. A sua influência é tão evidente na obra de alguns poetas que vieram depois, que seria tolice desconhecê-la”.

Mais adiante diz que Junqueiro é “espontâneo e acessível”, que o seu verbo tem “um grande calor de comunicação”. E sibilinamente adianta: “Certos recontos da sua quinta poética são ainda frescos e agradáveis”.

Mas depois ataca forte e de uma paulada, tal e qual o “Malhadinhas”, declara: “Simplesmente a poesia verdadeira é outra. Depois da experiência de Cesário e de Nobre, fazer aquilo já era trágico, mas depois de Pessanha, de Sá Carneiro e de Pessoa, amar aquilo, é imperdoável”.

Que me perdoe Torga, mas não é nada disso. Continuo a amar a “Velhice do Padre Eterno” e muita outra poesia de Guerra Junqueiro. E sou até capaz de escrever que, comparando a poesia de um (Junqueiro) com a de outro (Torga), talvez o segundo não fique tão bem no retrato como então julgava. É que se a prosa de Torga é boa, e por vezes genial, nomeadamente os seus contos, já a sua poesia me parece sorumbática, esgotada, murcha. Poesia séria é distinta de poesia a sério. Que me perdoe o nosso conterrâneo.

 

28
Fev08

E o triste fado prossegue

João Madureira

 

E o triste fado prossegue. O povo continua de rosto duro, iletrado, ou melhor, “iliterado”, a gostar de comer e beber, de ir à bola, à missinha e às manifestações onde tudo isto se mistura.

Os governantes, por seu lado, também se mantêm fiéis à história, autoritários, beatos, apesar de alguns deles se afirmarem republicanos, laicos e socialistas. Embora de ar pretensamente paternal, continuam distantes do povo que dizem honrar e representar.

Apesar de jurarem a pés juntos que defendem ideias novas, o que os preocupa é degradá-las e transformá-las na sua caricatura.

Andamos todos ainda perto do espírito da carneirada. E se uns se benzem e mostram cara de curas de freguesia, outros envaidecem-se em vestir a indumentária de presidente da junta.

 

26
Fev08

Beleza

João Madureira

 

Hoje fala-se muito em beleza, em beleza moral, em beleza humana, mas, infelizmente, qualquer uma delas é como a beleza física das “modelos”, é extremamente precária.

25
Fev08

Pling…ing…ing…ing

João Madureira

 

Pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing,  pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing,  pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing,  pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing,  pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing, pling…ing…ing…ing…

24
Fev08

Pim Pam Catrapum

João Madureira

 

No seu diário, Miguel Torga escreveu no dia 6 de Abril de 1950, em S. Martinho de Anta: “Hoje, no comboio, enquanto uma menina portuguesa lia a meu lado o Pim Pam Pum, uma outra da mesma idade, inglesa, devorava Great Expectactions, de Dickens. E ali estavam patentes duas raças, duas culturas, dois povos”.

Passado mais de meio século, aí estão os resultados: Inglaterra está no pelotão da frente da União Europeia, enquanto Portugal se orgulha de ser a sua cauda.

 

23
Fev08

Continuo à espera

João Madureira

 

Continuo à espera que os políticos, ou alguém de entre eles, protagonize um verdadeiro acto de sinceridade, porque acredito que tal procedimento lhes haveria de conferir uma glória permanente.

Mas os políticos, porque o são, confiam mais na razão da mentira do que na iluminação da verdade.

 

22
Fev08

A tónica dominante

João Madureira

 

A política deste Governo, que põe a tónica dominante nas feridas da nossa deficitária estrutura social, económica e política, assemelha-se muito à velha história do mendigo profissional que em vez de curar as feridas, antes lhes deita sal para as avivar.

21
Fev08

O fascínio do amor

João Madureira

Pavese escreveu no seu diário que o fascínio do amor não correspondido reside na identidade entre aquilo que ele denomina como “o estilo perfeito” e o “eu” forte, indiferente e absolutamente isolado.

Em 1940 escreveu: “O estilo perfeito nasce da indiferença total. Talvez seja essa a razão por que amamos sempre loucamente alguém que nos trata com indiferença; por representar para nós o “estilo”, o fascínio de classe, tudo o que é desejável.

Resumindo Pavese: “O amor é a mais barata das religiões”.

 

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