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TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

31
Mai08

Detesto moralistas

João Madureira

 

 

Detesto moralistas.

Sei que nos tornamos moralistas logo após nos invadir a infelicidade.

Por isso não me quero enredar em tal teia, por muito que a tal seja levado.

 

30
Mai08

Há algo…

João Madureira

 

 

Há algo de patético e absurdo na verdade. Apesar de todos a conhecerem, poucos lhes são fiéis. E mesmo esses, por vezes, renegam-na conjunturalmente. E fazem-no mesmo avisados pela razão e pelo galo bíblico.

29
Mai08

A arte sentimental das elites

João Madureira

 

 

A senhora Swann “tinha o hábito de dizer às suas amigas que mais facilmente passaria sem pão do que sem arte e sem limpeza e que lhe daria mais pena ver arder a Gioconda que «montes» de pessoas suas conhecidas”.

 

Marcel Proust“À Sombra das Raparigas em Flor”

 

28
Mai08

O triunfo da felicidade

João Madureira

 

 

 

Afinal, contra todos as expectativas humanas, sociais e políticas, o dinheiro ganhou a guerra. O luxo impôs-se e o poder, como finalidade, triunfou. Bem vinda sejas, felicidade. Bem vinda sejas. Felicidade, bem vinda sejas. Ó felicidade!

27
Mai08

Entre o pé e a boçalidade

João Madureira

 

 

É cíclico, mas amargura.

De dois em dois anos, a selecção faz com que os chineses confeccionem bandeiras portuguesas com pagodes em vez de castelos e incentiva as vendas no Modelo/Continente Belmiro Sonae e Azevedo de cachecóis e camisolas tingidas de verde, vermelho e amarelo.

Junto dos campos de futebol, naquelas arenas de sádicos malcriados, os carros e as pessoas misturam-se entre apitos e carvalhadas.  

Os passeios e as estradas transformam-se em mancha humana. O folguedo é de romaria.

De facto há festa. E fé. E santos. E pecadores. E pecadoras, também. E os fiéis lá depositam a dízima em troca de algum espectáculo de atordoamento e ferocidade.

Dizem-nos que vivemos na fase mais avançada da nossa civilização, que a nossa sociedade é cultural.

Eu desconfio. Afinal, basta um jogo de futebol para o homem se transformar num bárbaro.

 

25
Mai08

Avante camarada...

João Madureira

 

 

Dedicado a todos os valorosos idealistas marxista-leninista, que, apesar de tudo, ainda acreditam na utopia dos campos de concentração.

 

 

Kolyma

 

Os que estão doentes e não prestam

Fracos de mais para a mina

Descem em vão

Para o campo mais abaixo

Abater as árvores de Kolyma.

É muito simples quando

Se escreve no papel. Mas nunca poderei esquecer

A cadeia de trenós sobre a neve

E as pessoas arreadas.

Esticando os seus peitos fundos, puxam os carros

E param para descansar

Ou vacilam nas ladeiras escarpadas…

O peso pesado rola e desliza

E a qualquer momento

Vai atropelá-las…

 

Quem nunca viu um cavalo a tropeçar?

Mas nós, nós vimos pessoas com arreios…

 

Elena Vladimirova

 

(Gulag – Uma História; Anne Applebaum)

 

24
Mai08

É difícil de admitir

João Madureira

 

 

 

É difícil de admitir, mas a visão límpida de certas intimidades não nos inferioriza em nada, antes ajuda a ternura.

A ternura, mesmo parecendo quer não, fortalece-se com a intimidade, tornando-se, por assim dizer, em encantamento.

 

23
Mai08

O que dói...

João Madureira

 

A verdade dói. Dói até por cima da razão. As coisas nunca voltam a ser aquilo que já foram. E, o que ainda é mais doloroso, é quase certo que não o eram na altura em que o eram mesmo. Mas não importa. Agora somos. É bom que se acredite em algo límpido. As crenças perseguem os recursos.

22
Mai08

Bico de prego

João Madureira

 

 

Eu sei que não sou propriamente um modelo de ser humano. Outra coisa não seria de esperar de um transmontano agreste, ateu e apátrida. No entanto não consigo, por mais que queira e me esforce, respeitar um mundo em que nada daquilo em que acredito é valorizado. Continuo a envelhecer dentro de uma cabeça que desdenho, dentro de uma cultura que desprezo e dentro de um país onde me não revejo.

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