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TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

10
Nov08

O mealheiro das reformas do futuro

João Madureira

 

 

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09
Nov08

O Governo, os Sindicatos e as Oposições

João Madureira

 

 

Musil escreveu que para cada grande projecto do espírito humano existe outro que é contrário. O curso das coisas verdadeiramente importantes não têm a ver com a lógica, lembra antes o raio e o fogo. As linhas exteriores dos acontecimentos correm paralelas às interiores como duas linhas separadas, e é escusado tentar uni-las.

08
Nov08

A linha nua do silêncio

João Madureira

 

 

Tudo está em linha: a vida flutuante da pobre gente; a beleza dos sentimentos humanos; o cais onde o lento vapor das nuvens cresce como um deus pelos telhados das casas; a hora real do sol; o semicírculo da alma; o destino do proletariado; o horizonte matutino da tristeza; a febre inevitável dos escritores; o conhecimento individual da beleza; a modernidade da inutilidade; o marxismo das mercadorias; as cartas de amor e ódio; o mistério do patriotismo; os ódios; as paixões políticas; a potência das lágrimas dos burgueses escrupulosos; o cosmopolitismo prefeito dos hotéis; a certeza do comércio da beleza; a metafísica triste dos pedagogos; os viajantes que arriscam peregrinar rumo às cidades escondidas; a emoção da tua lenta nudez de encontro ao meu sexo. Tudo isso está em linha no silêncio comovido da minha alma que sangra na angústia da vontade oculta.

07
Nov08

Para sempre ficarão abertas as mãos de Van Gogh

João Madureira

 

 

Para sempre ficarão abertas as mãos de Van Gogh. As suas mãos saem do sono e entram aflitas nos espaços brancos da loucura. Alguém procura explicação para o voo comprido das cegonhas. Um cão nu desaparece na parte aflita do dia. Tu glorificas uma flor que aumenta à volta do sangue. O dia enche-se de febre e agarra o sono inquieto das raízes que tacteiam a terra. O teu retrato começa a meter-se para dentro e desapareces na luz pênsil dos espelhos. O silêncio cresce aberto noutro silêncio e assim continua constantemente. A velocidade do amor cobre a cor dos rios e os nomes movimentam-se nos teus lábios como alvos à procura de projécteis. Tu és um pássaro à procura de insectos acesos. Depois todo o silêncio cai entre as tuas mãos e o dia acorda.

06
Nov08

A intensidade silenciosa

João Madureira

 

 

Os jornais trazem fotografias embriagadas de horror enquanto lá fora no jardim o sol brilha com uma intensidade silenciosa. A terrível exaltação da vitória nas guerras desnuda as montanhas. Camisas brancas contra camisas negras. Os espelhos vigiam os assimétricos corpos inaugurados. Somos obscuros. Para sempre obscuros.

05
Nov08

Os animais originais

João Madureira

 

 

Os animais originais iluminam as noites da floração enquanto a lua aclara o ritmo do deslumbramento. As águas afogam os abismos onde os nomes escritos se transformam em sangue e cinza. A respiração afogada do sono habita os dedos frios do bronze. No desenho verde dos teus olhos há crianças com a cabeça habitada por estrelas candentes que desaparecem no céu estranho das constelações, lá onde o frio é imenso e repleto de negro. Alguém escreve no papel incendiado das imagens de guerra. A dor é uma ciência incerta. Tu inventas um mapa para cada estação. Assim se arranca o mundo à madeira seca da paisagem. Nalguns sítios as árvores iluminam-se de diamantes cegos. O combustível da utopia emagrece nas fontes ocultas da angústia. Dizem que é saudade a saudade. Os teus dedos deliram com as fendas que descobrem faces tóxicas. Alguém escreve que a noite arde. Tu dizes que os espaços azuis são unânimes. É sumptuosa a imagem da atenção. Tu sopras devagar no desejo louco dos lírios. A arte da vida é assombrosa.

04
Nov08

Todos os que choram

João Madureira

 

 

Lá fora as nuvens originam castelos de chuva e a vontade de olhar desfalece. Outro olhar toma conta do meu. O outro olhar é como o meu, mas não chora. O dia torna-se castanho e iluminado. Todos os que choram desfalecem. É esse o princípio do desespero.

03
Nov08

Pling, plong, plang...

João Madureira

 

 

Pling                                           plong…………………………………………………………………………         

plang…………………………………………………………………………………………………………………………plang……………………………………………………………………………..plang………………………………………ping, ping………………………………………………Plang……………………………………………………………………………………………………………………………………………………ping……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………ping........................

 

02
Nov08

E...

João Madureira

 

 

Chaves dois de Novembro de dois mil e oito o jogo temerário do amor desafia o destino e o livro das razões olha as figuras vivas do barro original enquanto a penitência do escritor finge que é verdadeiro aquilo que é verdadeiro enquanto o diabo só pelo corpo nos obriga a escrever as cores vivas da mortalidade e…

01
Nov08

Tu és quase tudo

João Madureira

 

 

Lembro-me de trazer as insónias da penitência. Tu és a minha leitura de tudo. Ou quase tudo. Agora o abismo é a ressonância dos muros da alma nua. Tu tens a alma nua. Tu tens a alma sossegada. Tu tens a alma verdadeira. Lembro-me da alma leitora da nudez. Do muro sossegado da veracidade. Da maneira frouxa de te apaixonares. Tu és quase tudo. Lembro-me da nudez da verdade. Tu tens a verdade. Tu és a minha leitura de tudo. Ou de quase tudo. De tudo. Eu lembro-me da verdade. Da tua nudez. Da tua alma sossegada. Da tua verdade leitora. Ou triste. Ou.

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