Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

Portefólio – Chaves/Bragança, de carro

 

Na encosta, as casas insinuam vida...


publicado por João Madureira às 16:00
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Portefólio – Chaves/Bragança, de carro

 

A estrada teima em nos impor o seu traçado...


publicado por João Madureira às 14:00
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Portefólio – Chaves/Bragança, de carro

 

A natureza continua no seu labor eterno...


publicado por João Madureira às 12:00
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Portefólio – Chaves/Bragança, de carro

 

Continuamos a viajar...


publicado por João Madureira às 10:00
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Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

Vidas relativamente serenas

 

 

“Eu e a Mary já estamos casados há mais de vinte anos. Parece de certo modo correcto começar a registar o padrão da minha existência diária. Talvez me ajude a descobrir uma perspectiva que me faça apreciar e estimar mais a minha vida do que actualmente.

Como prenda de aniversário, dei à Mary uma assinatura da The Economist, que sei que ela gosta de ler mas detesta comprar só para ela. Comprou-me uma recarga para a minha escova de dentes eléctrica, que é muitíssimo útil. (…)

A Mary e eu decidimos não ter filhos. Por isso, as nossas vidas são relativamente serenas. Tenho consciência de que um casamento sem filhos é por vezes um sinal de egoísmo e daí ambos fazermos um esforço consciente para participarmos na nossa comunidade, no pouco tempo livre que temos. A Mary dá aulas de Teoria Económica no centro de imigração local a imigrantes da Chechénia e do Curdistão, que vêm para a nossa zona. Eu dou conferências na sociedade humanista local, de tempos a tempos. Na semana passada fiz a terceira de uma série de palestras, «Porque é que Deus não pode existir», e gosto de pensar que, de alguma maneira, estas palestras levam o público a questionar as superstições de épocas anteriores que ainda perduram nos ensinamentos religioso, os quais, lamentavelmente, persistem em algumas das nossas escolas.

Que mais posso dizer sobre mais de duas décadas de casamento? Mantemo-nos ambos em boa forma. Eu corro duas a três vezes por semana; a Mary faz ioga quando pode. Éramos vegetarianos mas agora comemos peixe e carne branca, e eu permito-me beber álcool de vez em quando, embora a Mary raramente o faça. Gostamos de ler, desde que os livros sejam instrutivos ou formativos, e às vezes vamos ao teatro ou a exposições.

E eu pesco, uma actividade pouco elaborada, que a Mary reprova. Ela diz que os peixes sentem dor enquanto eu, como cientista das pescas, sei que não sentem. É talvez o único assunto em que temos de aceitar a nossa discordância.

Portanto é isto: mais um aniversário. Este ano foi muito semelhante ao do ano passado, que foi muito semelhante ao anterior. Se às vezes desejo um pouco mais de animação, um pouco mais de paixão nas nossas vidas, atribuo geralmente isso à negligência em seguir a directiva alimentar que as pessoas do meu grupo sanguíneo (tipo A) deveriam seguir: não comer carne demais. Cedo de vez em quando à tentação de comer carne de vaca e por isso não admira que tenha depois sensações irracionais de… nem sei bem o quê! Estarei aborrecido? Mas como é isto possível?

Basta algo como o aflorar deste projecto do salmão do Iémen para me lembrar que tenho aversão ao irracional, ao imprevisível e ao desconhecido.

 

 

A Pesca do Salmão no Iémen Paul Torday ASA

 


publicado por João Madureira às 10:00
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Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Portefólio – Noite

 

O Tâmega lá vai percorrendo calmamente o seu caminho. Eu não consigo. E tento. Mas não consigo. Tento...


publicado por João Madureira às 10:00
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Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

O silêncio

 

Retorna a multidão ao rosto do infinito como se a terra estremecesse com o limite do mundo. O corpo sorve a riqueza dos músculos esperando pelo abraço das vítimas. A música desencadeia metáforas cíclicas como a morte. E a dor vem de novo, martelada, em fluxos giratórios. A morte aumenta os olhos da noite. As cabeças loucas dos amantes afogam-se no sono. A luz salta dos rostos incendiados. Uma mão afogada estrangula a memória. Alguém cose uma frase a um crime. Gárgulas aumentam os braços plantados da violência. Também as mulheres se alumiam com paisagens fechadas. E a violência envenena as raízes dos homens. Nas paisagens meridionais o sangue aquece o mundo. Têm os movimentos circulares dos guerreiros uma abundância de superioridade.  Queimam as bocas dos mendigos e as salas vazias das igrejas. Queimam os olhares dos insatisfeitos. Queima a inocência dos amantes. Os espelhos rodam em busca das imagens. A translação das casas abandonadas relaciona o falar grave dos mártires. As estátuas aproximam-se dos rios e choram o seu abandono. O rosto queima o ríspido esplendor da matéria. Deus toca as pedras do caminho e escreve agora textos escuros. A morte serve a arte, não os artistas. A morte serve-se da vida. A imagem do mundo levanta agora as mãos e o nome das coisas cai aos pés dos retratos gastos pela luz. A morte está agora aos pés de Deus. Só assim Ele é eterno, na invenção do sono. Alguém desce uma escada em silêncio. O seu esplendor nota-se pelo brilho dos olhos. O silêncio do mundo mete medo. O silêncio inteiro. O silêncio das mães. O silêncio de Deus. O silêncio da morte. O silêncio dos inocentes. O silêncio…


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Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Portefólio – Feira dos Santos – Chaves – PB

 

O homem aguarda pacientemente que volte a chover. Perdido por cem...


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Portefólio – Feira dos Santos – Chaves – PB

 

O menino dorme em andamento no colo de sua mãe...


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Portefólio – Feira dos Santos – Chaves – PB

 

A chuva afastou a clientela...


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Domingo, 6 de Dezembro de 2009

Portefólio – São Caetano/Ervededo

 

No palco é agora a vez dos espíritos...


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Portefólio – São Caetano/Ervededo

 

Para alguns romeiros chegou a hora da meditação...


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Portefólio – São Caetano/Ervededo

 

Alguns devotos do S. Caetano tiram fotografias para mais tarde recordar...


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Portefólio – São Caetano/Ervededo

 

De volta ao recinto: muitos romeiros sobem, alguns descem e outros nem sim nem não...


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Sábado, 5 de Dezembro de 2009

Portefólio – Litoral (Quarteira)

 

O menino persegue a sua sombra na areia da praia...


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Portefólio – Litoral (Quarteira)

 

Passeio nocturno...


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Portefólio – Litoral (Quarteira)

 

À espera da mariscada especial...


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Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Portefólio – Chaves/Bragança, de carro

 

Verde, que te quero verde...


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Portefólio – Chaves/Bragança, de carro

 

A estrada segue-me...


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Portefólio – Chaves/Bragança, de carro

 

Oliveiras enraízam-se nos meus olhos...


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Portefólio – Chaves/Bragança, de carro

 

Arredondam-se os montes...


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Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

O pêlo macio da égua

 

“Agora o céu já estava claro, o sol invisível atrás de nuvens baixas. Mr. Savage apontou uma águia careca às voltas por cima de nós.

– Benjamim Franklin era contra adoptarmos a águia careca para símbolo nacional – murmurou –, queria o raio do peru selvagem. Era o que faltava! Dizia que era por a águia viver em parte de matar outros pássaros.

Fungou divertido, limpou ostensivamente o nariz à manga: – Por mim parece-me muito própria.

Chupou pensativamente o cigarro.

– Sei que o Will não queria vir aqui hoje – murmurou, lançando o olhar para mim. – Há dois anos, ele devia ter ido caçar codornizes para o Delta, comigo e mais uns tipos meus amigos. Tinha ficado por aí até tarde com o capataz que nós tínhamos. (…)

– Bom. O Will ficou na cama e eu trouxe comigo o irmão mais novo. Fomos caçar a cavalo. O Charlie Ledbetter tinha tirado a arma do estojo por qualquer razão e a certa altura o cavalo dele meteu a pata num buraco e caiu. A arma disparou-se. Atingiu o moço, o A.J., em cheio no peito. Levantou-o da sela.

Caiu um silêncio ao som de um bando a aproximar-se, que acabou por desaparecer para leste.

– Acho que o Will se considera culpado – disse ele. – O que não quer dizer que não me culpe a mim.

Ficámos de novo em silêncio durante algum tempo e depois ele voltou a falar.

– Alguma vez ele lhe contou esta história?

– Não, senhor – disse eu. – Não assim.

– Não há um dia que passe em que não deseje que tivesse sido eu quem estava montado no pêlo macio daquela égua.

 

 

O Último dos Savage Jay Mcinerney Teorema

 


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Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

Portefólio – Noite

 

Alguém te ilumina o caminho. De ti depende a vontade de caminhar. Caminhante, não há caminho, faz-se caminho ao andar...


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Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Olho a loucura

 

Olho a loucura a uma distância básica. Tu és um nome cego. Há uma determinação elementar em cantar sobre as pontes dos rios. A água desce entre parêntesis pelo rosto das estátuas suturadas pelo tempo. Um deus tenaz descobre exclamações no rosto das estrelas. Os assassinos doces e melancólicos levantam voo desde as varandas dos palácios desabitados. Sei que sou esperado no chão cego das colinas. O meu corpo já gasto pelo tempo levanta-se tocado pela rudeza do amor. Uma palavra respira encostada ao fogo da poesia. Toda a poesia imita a luz. Toda a poesia se transforma na luz interior do sangue. Toda a poesia purifica o sexo. As palavras instintivas agitam os corações extremos da memória. Também a poesia é memória deslumbrada pelo fogo azul do céu. O corpo cândido, o corpo interior dos sinais sopra alucinado pela glória do dia. Amo na ponta da ferocidade. Apagam-se as luzes e eis que começa o tempo destruído devagar pelo sonho dos monstros. Alguém morre num mar de minas imperfeitas. Esconde-se a noite no meio de ogivas nucleares. Os militares levantam as mãos e beijam as balas e as pistolas e os mísseis atómicos. Haja alegria. Os homens poderosos insistem em cartografar o espaço e o tempo. O cavalo da guerra desta vez foi pintado a aguarela. Haja paz.

 


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