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TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

TerçOLHO

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30
Mar11

O Poema Infinito (41): pontos de silêncio

João Madureira

 

Sempre acreditei no rigoroso sorriso da neve ao sol como se fosse possível libertar-se do inverno. Essa intolerável beleza forma todos os pontos do silêncio. Por isso as vozes dos puros convergem cruelmente para o desespero. As palavras de amor são agora lágrimas secretas encostadas à tua face. Pássaros inclinados adivinham o abrigo do medo. O sono não tarda a revelar os vestígios da infância. Abrigas-me no teu corpo absurdamente nu embalando-me num sonho de desejo. Por isso o voo da vida é breve mas iluminado. Um medo precipitado abre de novo o dia. A memória dispersa-se em fragmentos. As estações justificam-se umas às outras. O vento espalha medos. O dia começa a arder desde dentro. O prazer da carne é agora uma aurora lenta. Desgastamos as mãos na chuva seca das línguas de fogo. A esperança é uma desilusão doirada. A dor dos frutos acaricia a fé. O luar dos teus olhos torna-se o destino da origem. Os espíritos abrandam a sua dor pela proximidade do nosso acto de amor. O desejo honra a necessidade. O sonho ilumina a infância. Aves incertas deslizam na eterna saudade das origens. Tu és a minha verdadeira ilusão. Mora a luz no filamento dos teus olhos incendiados. Os teus dedos percorrem assustados o pânico do meu sexo. A longa travessia da noite fez-nos regressar ao ponto de partida. Toda a extensão do tempo se afoga na geometria alucinada da luz. Esgota-se a terra no coração dos amantes. Tem sido difícil a descoberta dos lugares sagrados. Tu cantas agora uma canção de regresso. A minha voz encontra de novo o teu nome.

28
Mar11

A Rede Social

João Madureira

 

Depois de anos de sedução do facebook por mim, decidi corresponder a tanta solicitação. Pega daqui, pega dali, o programa enviou-me para vários e distintos amigos. Depois de observar rapidamente, como muito bem manda a aplicação electrónica, os vários pedidos e sugestões, fui desembocar numa possível lista de gente apegada a estas coisas: os amigos da amizade. Um deles saltou-me logo à vista: Nadir Afonso. E eu, que sou ingénuo, embora não o pareça, principalmente nos afectos, tentei ver se o Mestre me aceitava como seu amigo no facebook. Cliquei e… chumbei. E logo, valha-me Deus, quando o quis adicionar como amigo no badaladíssimo facebook. A tal rede social que a todos põe em contacto. Isto apesar de me identificar como seu conhecido. O que é verdade. Mas o facebook rejeitou-me a petição. O Mestre tem demasiados amigos. Demasiados amigos!? Tentei de novo. Às vezes com as máquinas é preciso paciência e perseverança. Infelizmente, tornou a explicar: este utilizador já tem demasiados amigos. Eu pensei, cá com os meus botões, que ninguém tem demasiados amigos. Os amigos nunca são de mais. Mas, infelizmente, para o facebook, para mim e para o Mestre, muitos amigos são demasiados. Afinal a pintura abstracta tem bem mais seguidores do que aquilo que eu pensava. E ainda bem para a arte e para o Mestre. E infelizmente para mim. Mas a arte vale este sacrifício.

 

Chateado com a tal rede social, dali me fui ter um face to face com os meus amigos. Podem não ser artistas como o Mestre, mas são meus amigos e não partilham da mesma ideia do facebook, para eles, e para mim, claro está, os amigos nunca são demais.

 

O L., enchendo-se de orgulho, informou-nos que os dentes dos cavalos selvagens se modificaram, confirmando assim a hipótese evolutiva da selecção natural de Darwin (Deus 0 – Darwin 1). O estudo da revista Sciense revela, depois de analisados 6500 fósseis de cavalos selvagens, alguns com 55 milhões de anos, que houve um processo de adaptação de hábitos alimentares devido a alterações climáticas. Os investigadores comprovaram que as modificações dos dentes não são imediatas, demoram pelo menos um milhão de anos para afiarem depois de um episódio de alteração climática, o que se traduz em 100 mil gerações.

 

O R., inconveniente como sempre, resolveu por um pouco de pimenta na amena cavaqueira dizendo que era por isso que os dentes do L. eram tão afiados. Querendo com isso insinuar que o nosso amigo tinha dentes de cavalo. Sentindo-se tocado, pois este nosso amigo tem pouco sentido de humor, se é que tem algum, disse que o R. é que tinha cara de equídeo. O R. ripostou duro afirmando que ele, o L., tinha orelhas de burro. Dali passou-se a insinuações de que uns zurravam, que outros estavam casados com éguas, etc. Nesse momento resolvi liderar o processo de pacificação e contei-lhes um pequeno episódio.

 

«Na minha aldeia em tempos existiu um padre que era um pregador muito afamado. Tagarelava esplendidamente da família de Deus e lembrava, com um sorriso de bochecha a bochecha, que no seio da Madre Igreja qualquer um dos seus filhos tinha a obrigação de partilhar tudo. Ou quase. Um belo dia, o amigo regedor bateu à sua porta para lhe pedir o burro emprestado. Um burro de bom porte, quase um mulo. Mas o padre, se era generoso nas palavras, era a modos que sovina nos actos. E, não lho querendo emprestar, disse: “Lamento mas já o emprestei ao Tio Chico do Outeiro.” Nesse momento o burro começou a zurrar no pátio da casa. Por isso o regedor exclamou, surpreendido: “Mas estou a ouvi-lo a zurrar aí dentro!” Ao que o cura respondeu com a ira do Criador do Antigo Testamento: “Mas tu, criatura de Deus, acreditas no Padre Zé ou no seu burro?”

 

“Essa é boa”, concordaram os meus amigos entre sorrisos sinceros.

 

“Por falar em burricadas… Segundo António Barreto”, Lembrou B., “José Sócrates quis ser despedido. Isto apesar dos dados estatísticos nos dizerem que em Portugal se fez uma casa em cada 6 minutos.”

 

Eu chalaceei: “Portugal tem de escolher um primeiro-ministro que governe em estado de auto-hipnose.”

 

Ao que o R. contrapôs: “Se o Governo é mau, a Oposição é péssima.”

 

O F., que é um descendente dos sofistas, resolveu citar Jean-Luc Godard, do seu Filme Socialismo: “Hoje em dia, o que mudou é que os canalhas são sinceros.” Todos concordámos.

 

O L. resolveu colocar ainda mais achas na fogueira: “Eu não sei como é possível que num país com 10 milhões de habitantes, um Presidente da República, que manda menos do que a rainha de Inglaterra, possa gastar 16 milhões de euros por ano. Ou seja, precisamente o dobro do Rei de Espanha. E para tão pouco mester necessitar do trabalho de 500 pessoas.”

 

Eu chalaceei de novo: “A Presidência da República não é uma instituição política. É uma fundação de solidariedade social.”

 

“Razão tem o Bagão Félix. Isto está por um fio. E aponta uma solução de Governo. A única capaz de salvar Portugal: uma coligação entre o PSD, o CDS e o PCP”, lembrou o R.

 

Ao que eu atirei: “Esse é bem mais papagaio do que o seu papagaio Pelé.”

 

 

 

 

PS – Para ajudar a amar ainda mais os já amadíssimos poetas portugueses, essas vozes derradeiras da nossa suprema gesta, a gesta lusitana, aqui fica uma “quadra ao gosto popular”, de Fernando Pessoa: Já duas vezes te disse / Que nunca mais te diria / O que te torno a dizer / E fica para outro dia. E mais outra: O papagaio do paço / Não falava – assobiava / Sabia bem que a verdade / Não é coisa de palavra.

25
Mar11

O Homem Sem Memória

João Madureira

 

56 – José regressou ao seminário sem ter visto a Luisinha que estava de férias na Póvoa na companhia da família. O seu pai, o presidente da Câmara, por vezes dava-se a estes luxos, para bem dos seus filhos, pois detestava o sol, mas, sobretudo, embirrava com as nortadas, que eram permanentes, e com a temperatura da água, que era glacial. Ia a banhos com a família por causa do iodo. Um médico amigo a isso o tinha aconselhado. E se havia coisa que ele amava na vida, para além do insípido poder, da tímida glória, do sempre pouco dinheiro, da gloriosa mulher do seu secretário e da sua querida mãezinha, era da sua filha mais nova, a Luisinha. E quando o médico lhe disse, em tom de confidência, que nas terras do interior o iodo era raro, e que a ocorrência de deficit de iodo na infância podia originar o cretinismo, quase teve um ataque. Logo lhe veio à memória a imagem dos bandos de crianças que habitavam as aldeias e enxameavam as ruas da vila, com as suas caras de ratos esfaimados, ranhosos, sujos, esfarrapados, com o seu característico ar esgazeado, enfim, cretinos de todo. Por isso perguntou ao doutor se toda aquela cretinice era devido à falta de iodo? Ele respondeu-lhe que não é a esse tipo de cretinice que a ciência se refere. “A cretinice a que te referes”, disse ele pronunciando os esses e os erres com modos delicados, “provém de uma palavra do dialecto franco-provençal, ‘crétin’, que significava cristão. O seu actual uso resulta do costume de usar a expressão «pobre cristão» ou «cristão», no sentido de «inocente», para designar os loucos e os débeis mentais.” “Cala-te, por amor de Deus, cala-te lá, pois se o Padre Zé ouve o que para aí estás a dizer ainda te excomunga e eu não quero ser o responsável por o meu maior amigo ser condenado às eternas chamas do Inferno”, disse o pai da Luisinha, entre o atrapalhado e o irónico. Ele que não possui a mínima réstia de humor. E concretizou o conceito arrancado a algum velho dicionário da Língua Portuguesa enquanto decorava os parcos princípios de Direito que conseguiu absorver à custa de muito porfiar: “Um cretino é uma pessoa de pouca inteligência ou estúpida.” O médico, porfiando em aclarar de vez a ideia, elucidou: “Na Medicina, é um indivíduo que sofre de cretinismo, ou seja, um indivíduo dotado de debilidade mental por deficiência da tiróide, mais exactamente a falta de tiroxina, hormónio proveniente dessa glândula endócrina. O indivíduo que sofre de cretinismo manifesta atraso mental e físico. A doença inicia-se geralmente quando o bebé ainda está no útero materno. Uma vez nascido é difícil detectar o problema, sendo necessário recorrer ao teste do pezinho para identificar a doença a tempo de tratá-la. Só que por cá não existe tal prática médica. Aqui nasce-se com falta de tiroxina e fica-se cretino para toda a vida. Quem sofre de cretinismo é o filho do Rei da Portela, a filha do Zé da Avó, o filho do João de Donões, o filho do…” “Cala-te para aí, Francisquinho! Esses são atrasados mentais.” “Pois é desses que a medicina fala”, teimou o Doutor Chico, Francisco ou Franscisquinho para a família mais chegada e para os amigos mais chegados da família mais chegada, nos quais se incluía a família do pai da Luisinha, de seu nome Ricardo, ou Ricardinho para a família mais chegada ou para os amigos da família mais chegada, nos quais se incluía a família do Doutor Chico, Chiquinho, Franscisco ou Franscisquinho, assim nomeado pelas circunstâncias já acima elucidadas. E, como se estivesse numa oral na Faculdade de Medicina, acrescentou: “O iodo é um elemento químico essencial. Uma das funções conhecidas do iodo é como parte integrante dos hormónios tireóideos. A glândula da tiróide fabrica, como já referi, os hormónios tiroxina e tri-oidotironina, que contém iodo. O deficit de iodo conduz ao hipotiroidismo de que resultam o bócio e mixedema. Fui explícito?” “Isso para mim é chinês”, respondeu o Dr. Ricardo, Ricardinho, ou simplesmente Rica para a sua querida mamã, a sua amante e esposa do seu dilecto secretário, e da sua filha Luisinha. Para rematar: “E onde se pode comprar o iodo?” “Desse tipo de que te falo só o podes encontrar abundantemente junto ao mar, especialmente nas praias do Norte. E é de graça.” “Pode ser de graça para os que por lá vivem, mas para as gentes do interior custa bom dinheiro, especialmente nos gastos com o Hotel. A nossa interioridade fica cara. Qualquer dia isto transforma-se num deserto.” (Palavras premonitórias que vieram a ser decoradas e espargidas por outros políticos com o mesmo ou ainda maior prestígio do que o do autarca barrosão. A história do poder autárquico ainda está por escrever, meus senhores. E quando ela for registada, vamos de certeza descobrir, com o espanto hipócrita dos homens proeminentes da capital e seus célebres subúrbios, que foi aqui, no Norte do Norte de Portugal, que as grandes ideias fundadoras da nossa democracia tiveram a sua génese.) “Não te queixes, Ricardo, que com a Câmara bem te tens safado. Eu é que peno por estas terras do demo. Dedico-me ao exercício da medicina com a determinação de um frade. Trabalho copiosamente mas não amealho um centavo. Tudo se me vai em agasalhos e mantimento. Sou para aqui um infeliz.” “Dizem por aí que ainda te sobra algum para ires às putas a Xinzo. Ai Francisquinho, a vida custa a todos. Eu, por exemplo, nasci com o espírito de formiga. Sou um infeliz. Venho de casa para o trabalho e vou do trabalho para casa. Tu não, és um galaroz que traz as donzelas mais abastadas presas pelo beicinho. Mas tem cuidado com o que fazes. Por aqui a honra das famílias abastadas é um bem que se defende a pólvora e chumbo e que se paga com a morte do D. Juan.” “Por isso é que eu vou às putas a Xinzo. Em Chaves sou muito conhecido. Dava escandaleira pela certa.”

Foi por causa da primeira parte desta elucidativa e esclarecedora conversa que o aflito pai da Luisinha resolveu rumar caras à grossa areia, ao sol castigador e ao mar frio e picado da Póvoa, para aí encontrar o apreciado iodo. Isso fez com que o José e a Luisinha se tenham desencontrado. Ora longe da vista longe do coração. Ela começou a sorrir para outros rapazes, outros rapazes começaram a sorrir para a Luisinha. Por isso a Luisinha começou a sonhar com rapazes de outra condição, com diferentes estilos, distinto tom de pele, outro linguajar, diferente gingar de pernas. Principiou a expor-se de uma forma mais artística. O retrato mental do José desvaneceu-se na cabeça da Luisinha tal e qual as brumas matutinas da praia quando o dia começa a aquecer ao sol.

23
Mar11

O Poema Infinito (40): combustão fria

João Madureira

 

Arde devagar a inclinação do tempo. Animais prolixos aprendem a impaciente luta da sobrevivência. Torrentes infindáveis de outonos comovidos dançam devagar o assombro da resignação. Há um homem triste com orvalho dentro da alma que suspira imagens tremendamente puras e frias. As suas mãos sobem pelo corpo unindo os fragmentos do desejo. E fuma coisas tão tristes como a própria tristeza. Na sua cara bate a luz glauca dos archotes antigos. É perseguido pelo admirável pensamento das equivalências da ressurreição. Oiço o seu respirar por dentro das palavras como se a morte fosse um pensamento. Nele a imagem do tempo constrói sorrisos instantâneos. A seu lado alguém canta a devastadora mágoa do abandono. Esse homem vive na profunda eternidade do momento. E voa por dentro do silêncio. E chora canções admiravelmente tristes. E dança em cima dos símbolos apagados da existência. Os seus dedos purificam as pedras tumulares e ligam a vida à carne e preenchem a eterna desilusão da existência. Oiço-o cantar de novo uma música brusca e os meus olhos enchem-se de luar. As crianças vestem-se com campânulas de vento e gemem a melancolia dos gestos. O mundo é agora um livro de espelhos. Penso na beleza oculta dos peixes e dos desejos. Deus sorri rapidíssimo sobre as imagens bruxuleantes da beleza. Trinta moedas ainda queimam na memória dos traidores. Esse é o fruto da amizade. Apagam-se as luzes no coração dos simples. A sua alma crente cai nos degraus do gólgota. 

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