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TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

TerçOLHO

Este é um espaço dedicado às imagens e às tensões textuais. O resto é pura neurastenia.

20
Abr11

O Poema Infinito (44): a iluminação das palavras

João Madureira

 

A vida surge por entre o espectáculo silencioso das coisas. Recomeça a germinar o tempo cansado das árvores. Gritos claros condensam os sonhos rápidos das crianças. Raparigas eternas navegam na consciência dos rios. Chega o cheiro grávido da madrugada. Lisos corcéis de bruma reacendem a coragem dos deuses sem futuro. Das paredes redondas do dia jorram memórias brancas temperadas por olhares silenciosos. Uma vertigem lenta apaixona-se pelos horizontes trémulos do teu corpo. Um sopro constrói o desejo. Revejo de novo a certeza oculta do teu sexo. Nesse intervalo o espaço vive dentro dos teus olhos ilimitados. Respiramos na margem da paixão. Todas as palavras se iluminam por dentro. Todas as formas se prolongam no esboço dos teus seios. O desejo é uma distância calma onde navega o branco espesso da luxúria. Palavras nuas inflamam-se na sombra nos novos nomes. O equilíbrio da música é agora uma tentativa de movimento livre. Os nossos corpos são de novo pasto de movimentos transparentes. Os nossos corpos são barcos que respiram danças de água e luz. A posse respira lentamente nas nossas ancas. Um fogo erótico navega no entusiasmo dos sonhos. O mito do amor consome a esperança do desejo. As palavras nuas envergonham-se agora do nosso pecado. Viajamos por entre as nebulosas. Estamos nus e giramos na evidência das palavras. Anjos exactos escrevem frases suicidas. Somos de novo a voz inicial dos jardins profundos. O sabor a pão das rosas não é o nosso álibi. O som longínquo do mar dorme na espuma do silêncio. Nós trazemos preso, na garganta, o travo aflito da verdade.

18
Abr11

Panegírico incongruente

João Madureira

 

Estávamos nós a observar os movimentos de um cão, mais a sua dona, com a nítida intenção de evacuar nas ervas do jardim, quando o G. se saiu com esta: “O Ca…Ca… Ca… va… va… co, nes… nes… nes… ta crise po… po… po… lí… lí… ti… ti… ca es… es… es… tá a comportar-se co… co… mo os meus tes… tes… tes… tí… tí… cu… cu… (risos) los, colabora mas não entra.” Todos nos rimos a bom rir, para espanto do poodle e da sua querida dona.

 

O J., olhando de lado para o G., disse pesaroso: “A história tende a repetir-se. Na primeira vez como comédia e na segunda como tragédia.” E para ali ficamos calados observando como depois de o cão colocar o seu cocó na zona pública, se foi dali com uma calma e uma elegância quase a raiar o obsceno. O mesmo se pode dizer da sua dona.

 

O meu amigo G. é gago, no entanto possui uma inteligência muito viva. Tem um rosto rechonchudo, mas expressivo, característica que o torna muito parecido com o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama. É frágil. E por causa da sua insuficiência, costuma defender-se com os vários exemplos da história dos deficientes: a imbecilidade dos espartanos; o facto de Demétrio, o feiticeiro bíblico, possuir um braço enfezado; de Moisés ser gago como ele; de César e Maomé sofrerem de epilepsia; de Camões ser cego de um olho.

 

O G., quando tinha doze anos, era já um grande jogador de hóquei em patins. Podia perfeitamente ter sido um campeão no F. C. Porto. Mas perdeu o interesse. Depois tornou-se, com a ajuda do pai, que também era gago, um especialista em selos. Mas também perdeu o interesse pelo coleccionismo. A seguir foi comunista, mas isso também não durou. Daí passou a estudar fagote, prática que abandonou ainda a meio. Podemos dizer que teve diversos interesses, mas nenhum o satisfez. Quando foi para a universidade confessou-me que o seu sonho era poder ser um cardeal renascentista. Ele sabia que as obras de arte não são eternas. Que a beleza é perecível. Que o tédio nasce do esforço inútil.

 

Ele não gosta do Cavaco por causa da sua personalidade monótona. Mas diz-se adepto de Sócrates. Considera-o um verdadeiro líder. Pois quanto mais forte é uma sociedade, mais ela exige que nós nos mantenhamos preparados para cumprir as nossas obrigações sociais. E quanto maior for a nossa disponibilidade, menor será a nossa importância. Diz que é isso o que não perdoam ao primeiro-ministro demissionário: a sua disponibilidade, o seu sentido de missão. Afirma, quase sem gaguejar, que vai ficar na história como o melhor primeiro-ministro pós 25 de Abril. O que nos pôs a todos a chorar… de riso. “Fo… fo… fo… dei… dei… vos”, esclareceu.

 

“Não estou a dizer-vos que a… a… meis o… o… homem. Apenas que lhe res… res… res… pei… pei… teis a obra. Eu sei que quan… quan… quan… to mais amarmos uma pe…. pe…. sso… sso… a mais ela é capaz de nos en… en… ganar. As crianças a… a… mam, as pessoas res… res… peitam. O respeito é melhor do que o a… a… mor”, disse o G. a gaguejar nas entrelinhas. Nós tornamos a chorar de riso. “Fo… fo… fo… dei… dei… vos”, concluiu.

 

Depois de uma breve pausa voltou à carga: “É meu dever de a… a… a… migo abrir-vos os o… o… o… lhos. Neste mundo em que os cré… cré… cré… du… du… los, amorosos e sim… sim… ples vivem cercados pe… pe… los astuciosos e du… du… ros de co… co… ração, um homem bom ten… ten… de a ser perseguido e vi… vi… li… li… pendia… a… do. É a… a… a… vida. O homem fo… fo… (da-se) fo… fo… i seduzido pelos vo… vo… tos de confian… an… ça.”

 

Mas foi com o final da sua intervenção que nos pôs a pensar. Se não acreditam, leiam e depois conversamos. “A de… de… mo… mo… cra… cra… cia não é um fim. É, antes, um pro… pro… cesso dinâmico que exige a… a… profunda… da… mento e constante aperfei… fei… çoamen… men… to. Em democracia, os po… po… po…. po… (po… po… rra) po… po… líticos e os go… go… go… ver… ver… nantes não podem esperar vi… vi… tórias retumbantes e muito me… me… nos a… a… ceitar derro… rro… tas to… to… tais. Haverá sempre vi… vi… tórias e de… de… rrotas, pe… pe… quenas ou gran… gran… des, pouco im… im… im… porta. A arte da po… po… lítica democrática está no pro… pro… ce… ce… sso interminável que é pô-la em prá… prá… tica, através de um pro… pro… pró… ce… ce… sso que exige or… or… ganiza… za… ção, renova… va… ção, inova… va… va…. ção e adaptabi… bi… lida… da… de, procurando, sobretu… tu… do, melhorar a go… go… verna… na… ção. A nós cabe-nos pro… pro… teger e pro… pro… mover a democra… cra… cia. Ficai sabendo que os pro… pro… cessos democrá… crá… crá… ticos não são estradas de sentido ú… ú… ú… nico. Tanto a… a… vançam como re… re… cuam. Sócrates é, neste mo… mo…. mento, um ho… ho… mem sentado. E um homem sentado, como diz o pro… pro… pro… vérbio, já não pode cair, só es… es… pera levan… van… tar-se. A Cavaco, a Pa… pa… ssos Coelho e a Paulo Por… por… tas resta-lhes o ca… ca… minho de tentar pa… pa… rar o ven… ven… to com as mãos. Pois quem se… se… meia ventos co… co… lhe, com toda a cer… cer… teza, tempesta… ta… des.”

15
Abr11

O Homem Sem Memória

João Madureira

 

59 – José só vislumbrava uma possibilidade de fuga à condição do frio e da solidão. Arranjar namorada. Por isso começou a rondar, sempre que o dispensavam, o Liceu e a Escola Técnica. Namorar uma rapariga não podia ser pecado maior do que um aprendiz de padre ter frio e ir-se deitar na cama de outro homem. Um homem dormir com outro homem em pecado é um sofrimento pavoroso. Passou a andar ainda mais sozinho.

Lia nos jardins, enternecia-se com o frágil bailar dos pássaros, com os seus cânticos chilreantes e buscava inebriado uma rapariga que o atingisse com o seu encanto e se deixasse tocar pelo desespero amoroso e solitário. Um dia encontrou-a. O que lhe chamou logo a atenção foram os seus enormes olhos. Que eram verdes, com pálpebras como asas de cotovias e pestanas grandes e genuinamente arqueadas. Usava calças à boca-de-sino, muito coloridas e estampadas com losangos, muito cingidas nas ancas, torneando-lhe às nádegas e as coxas com um toque clássico. Era fácil adivinhar-lhe a nitidez do corpo. E para isso a blusa, também apertada, sugeria linhas esbeltas e uns seios bem proporcionados. Também tinha uns lábios carnudos e um sorriso cheio de alegria reservada, mas genuína, revelando uma certa instabilidade emocional. Ela estudava no Liceu. Como era de Tourém, vivia interna numa residência de freiras. Foi por ser do barroso que estabeleceram de imediato uma amena conversa. Para não haver equívocos futuros, disse-lhe logo que era estudante no seminário. Ela sorriu e disse que, pelo que sabia, a amizade com raparigas não estava proibida aos seminaristas. Ele, sorrindo também, confirmou a evidência. “E se a amizade fosse dar a outra coisa?”, perguntou-lhe o José atrapalhado. “Aí logo se vê. O futuro a Deus pertence”, respondeu ela sorrindo muito, fazendo brilhar o marfim dos seus lindos dentes. Ele, rindo-se mais, exprimiu que essa era uma ideia pela qual tudo faria para não olvidar. E continuaram a falar esquecendo-se do tempo e da condição. Galhofando como tontos, felizes por recordarem a beleza agreste da sua terra, o frio e o calor da lareira, a ceia fumegante comida no escano, a saudade da família, as brincadeiras com os colegas, a liberdade. Ambos confessaram que se sentiam sozinhos e que tanto as freiras como os padres eram pessoas de coração duro, de palavras agrestes, de sentimentos pouco cristãos, falsamente puritanos, sexualmente ambíguos e sentimentalmente promíscuos. Eram pessoas secas, com pouco para dar. Como se a dedicação a Deus lhes roubasse a grandeza humana que tanto apregoavam. Descobriram que gostavam muito de ler, por isso combinaram trocar livros e ideias. Feliz, o José convidou-a para irem beber uma laranjada ao café. Ela recusou porque por lá lanchavam muitas das beatas que frequentavam a igreja e praticavam a caridade como quem compra um bilhete da lotaria para a eternidade. Ele sorriu muito com a expressão e disse-lhe que tinha jeito para utilizar as palavras com verdade e com graça, por isso devia escrever. Ela desculpou-se, lembrando que era uma leitora atenta. José lembrou-lhe que um escritor é sempre o melhor dos leitores. Ela, deixando-se levar pela emoção provocada pelo elogio, beijou-o ternamente na face como se fosse sua grande amiga. Ele corou. Ela sorriu ainda mais e afirmou que a sua timidez era amorosa. Ele tentou abraçá-la, mas ela esquivou-se ternamente e disse-lhe: “Cada coisa a seu tempo. Não nos precipitemos.” Ele pediu-lhe perdão. Ela respondeu-lhe que não era para tanto. “Só que não gosto de precipitar as coisas. O que tem de ser será. Temos tempo de sobra para pecar. Por agora limitemo-nos a desfrutar deste momento que, por ser irrepetível, é sagrado.”

Combinaram um encontro para o dia seguinte. Cada um prometeu levar um livro para troca.

Para grande espanto dos lúgubres colegas, o solitário José dormiu toda a noite com um enorme sorriso nos lábios. 

13
Abr11

O Poema Infinito (43): a eternidade

João Madureira

 

A eternidade é um relâmpago. As vias do desassossego voltam a invadir o horizonte, descobrindo na sua unidade aberta ímpetos concretos de paixão. São altas as palavras estremecidas pela tua ausência. A luz tropeça nos ponteiros da gravidade e a alma estuda as promessas que se separam de Deus. Religiões longínquas distanciam-se do ímpeto concreto da vigília. O silêncio maior toma agora conta do rigor profundo do adeus. O teu corpo emudecido irradia nomes transfigurados. Um dilúvio de brilhos torna feliz o silêncio acústico da água. Noé e os seus animais descem da arca espantados com o paraíso. O mundo é agora um domingo sacramentado pelo eco da salvação. O pensamento abre a claridade das causas imponderáveis. O tempo urge. É ainda antigo o pecado original. É ainda ancestral a posse vaginal. É ainda vingativo o enigma da vida. A lei da sobrevivência dispensa a sabedoria dos livros. A terra recupera os seus frutos maduros. A noite sossega o dia. Os homens sábios estudam a velhice e erguem-lhe monumentos exaustos. Os corpos e os espíritos misturam-se compenetrando-se da sua abstracção. Deus dá indícios de impaciência. Os anjos tremem. A Sua subtil firmeza de absurdo queimou o exercício da vida. A solitária teimosia da criação do mundo discriminou, para sempre, a razão humana. Por isso somos a energia do nada. A energia da epifania do sagrado. Os homens implodem na gravitação do infinito. Somente a glória do presente concede as tréguas da vida. A memória é um fósforo cicatrizado na lucidez. A luz divina repousa agora na harmonia do silêncio. E esse silêncio rompe o eterno vagar do sentido da vida. Deus escreve na escuridão antiga do Verbo. Por isso o mundo está suspenso na irracionalidade. A matéria põe a mesa do espírito. A transparência luminosa da glória consubstancia a unidade da vida. Deus pede o resultado da sua ordenação. A sua tepidez divina estende-se pelo sofrimento iluminado da lei, da ordem e do caos. Os anjos ganham sexos robustos por desregramento celestial. A eternidade já ultrapassou o seu excesso de felicidade.

11
Abr11

Nostalgias

João Madureira

 

Hoje acordei nostálgico. Sou daqueles que gosta mais da lembrança do que do aroma da flor presente. Sou daqueles que sente saudade de qualquer passado. Por isso tenho uma alma romântica. Apesar do meu cinismo.

 

Recordo-me perfeitamente do A., um camarada meio aristocrata meio revolucionário, que, depois do 25 de Abril, apesar de se dizer filho adoptivo da classe operária, utilizava, com todo o requinte, nas campanhas de dinamização cultural por essas aldeias fora, perante a incredulidade do povo analfabeto e dos militares do MFA, os seus cremes de barbear e os seus cigarros de luxo.

 

Mesmo no meio das serranias conseguia encomendar refeições abastadas, comendo-as com todos os requintes. E era com certa tristeza, e inveja, que ao almoço, ou ao jantar, partilhávamos tão sublime momento. Nunca vi, homem ou mulher, revolucionário, reaccionário ou indiferente, alimentar-se com tanta delicadeza.

 

A. podia perfeitamente, à semelhança do rei Luís XIV, o Rei-Sol, convidar todos os seus amigos para o espectáculo que era vê-lo nutrir-se. E, para cúmulo, comia tão bem como pensava. Nunca mais conheci pessoa tão inteligente como o A. Isto apesar de ter conhecido durante a minha vida quatro ou cinco pessoas verdadeiramente inteligentes.

 

A., para espanto de quase todos, viveu durante algumas semanas no meio dos montes, das pessoas e dos animais. Dormia no chão. Deitando-se com o Sol e levantando-se com o Sol. Ele que tão habituado estava às noitadas, lendo até ao amanhecer e dormindo até do meio-dia, que era a altura em que se levantava para almoçar, fazendo vida de menino rico, que era aquilo que verdadeiramente era.

 

O J. era o oposto do A., falava muito e atrapalhava-se com frequência. Por isso os seus amigos tinham criado uma frase que repetiam amiúde: «J., faz uma pausa.», era essa a forma mais delicada que todos utilizavam para interromper a sua verborreia. E a comer metia impressão. Este era o chefe de brigada. Apesar de chefe não tinha charme nenhum. E um dirigente revolucionário sem charme é como um capitalista sem capital.

 

O A. costumava dizer muitas vezes: «O segredo da felicidade está em aceitar o que a vida nos dá.» Ao que todos respondíamos: «Isso é muito reaccionário.» Ele fechava-se em copas e punha-se a fumar um dos seus cheirosos cigarros e a ler um livro, que, apesar de afirmar a pés juntos ser da autoria de um verdadeiro marxista-leninista, nunca era de nem de Marx nem de Lenine, ou de qualquer dos muitos sucedâneos.

 

A. era também um excelente contador de histórias. E nunca contava daquelas que têm um fim majestoso porque, segundo dizia, nas grandes histórias o fim nunca acontece onde nós esperamos.

 

O A., nas suas noites de inspiração, olhava para o céu estrelado e dizia coisas tão inteligentes como esta: «O homem é fundamentalmente um contador de histórias. Procurar um desígnio, buscar uma causa, lutar por um ideal é, quase sempre, a busca de um enredo e de um modelo para o progresso da história da humanidade.» Para rematar citava Fernando Pessoa por entre o chocalhar dos badalos dos animais nas cortes ou um que outro ladrar de um cão esfomeado: «A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida.»

 

Apesar de, naquela altura, namorar uma rapariga encantadora, mas pobre, casou-se com uma matrona rica, irritante e rabugenta, capaz de transformar a vida a dois num inferno devido ao seu espírito quezilento. Mas, como todos sabemos, um poeta satisfeito é um poeta medíocre. Um poeta feliz é insuportável. Na idade madura pôs de lado os poemas em que se queixava das suas desgraças matrimoniais para compor uns verdadeiramente sublimes onde insultava a sua mulher.

 

Nos seus tempos de revolucionário, nos intervalos das campanhas de alfabetização, disfarçava-se de amante e gostava de se estender no sofá enquanto a sua namorada de ocasião se despia à luz das velas e untava os braços, à semelhança das mulheres árabes, com uma mistura de azeite e verbena. Nesse momento, ela olhava para ele tentando perceber aonde poderia chegar a excentricidade. E ele, fazendo-se de sonso, baixava os olhos e invariavelmente dizia: «Ainda bem que não és modesta quando se trata de vir para a cama. És a minha mulher. Preferia viver como teu escravo para todo o sempre a passar um único momento sem ti». Repetiu isto a uma vintena de miúdas. Todas de esquerda. E a estratégia resultou sempre.

 

Dali a dois dias já ele estava novamente na serra a tentar fazer a revolução, a fumar os seus cigarros de importação e a ingurgitar, com todo o requinte, as suas frugais refeições que a todos deixava água na boca.

 

Os processos revolucionários têm destas preciosidades. Daí a expressão popular: deitar pérolas, com vossa licença, a porcos.

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